julho 2026
D S T Q Q S S
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031  


OS GRÃOS BRASILEIROS, DESMATAMENTO E A DEPENDÊNCIA NO SETOR INDUSTRIAL

Essa guerra insana entre a Rússia e a Ucrânia – sem entrar no mérito da questão – pelo menos serviu para escancarar duas realidades. Uma no âmbito externo na relação entre o tratamento dado aos refugiados do país atacado e os árabes e africanos que foram escorraçados de suas terras e obrigados a viver em campos de concentrações, sendo expulsos onde chegavam. A outra realidade é no tocante ao Brasil produtor e exportador de grãos, ainda colonial, dependente de produtos industrializados, especialmente de fármacos e fertilizantes.

Foi só estourar a guerra para aparecer a discriminação étnico-racial. Os mesmos países que estão recebendo os refugiados ucranianos de braços abertos, com plaquinhas para abrigá-los em suas casas e abrigos, são os mesmos que construíram muralhas de arames farpados para enxotar os sírios, os iraquianos, afegãos e africanos, vistos como terroristas, criminosos, bandidos e gente do mal. Foram recebidos com bombas, tiros e pé na bunda.

Quanto ao Brasil, ora sem posição, para muita gente que até então não sabia, a guerra está mostrando o lado da dependência industrial. Trata-se de um país do agro, vivendo ainda nos tempos coloniais, que derruba as florestas para plantar grãos e criar bois, para vender soja, algodão, milho, café e carne.

Nesses mais de 500 anos, o país ainda não conseguiu desenvolver um parque industrial consistente. Agora mesmo ficou patente a necessidade de importação de fertilizantes da Rússia e da Ucrânia, para atender o setor agrícola, sem falar nos remédios, como a insulina. Os mais variados produtos da química fina são comprados dos Estados Unidos, China, Alemanha e outros países.

O Brasil ainda continua sendo um produtor e exportador de matérias primas (ferro, aço, grãos, petróleo cru) e poucos manufaturados e semi-industrializados. A agropecuária ainda é o carro-chefe da economia que mantém a balança comercial em superávit e, para sustentar esse peso, cada vez mais desmata nossos biomas para plantar e criar bois.

Quando os preços dessas matérias-primas estão em alta no mercado internacional, tudo é uma maravilha, e cada vez mais enchem os bolsos dos empresários latifundiários capitalistas, sustentados com o dinheiro do povo. Esses caras, que dizem botar alimento na mesa do brasileiro (uma mentira), sempre foram presenteados com subsídios do Tesouro Nacional, principalmente quando as cotações desses produtos sofrem queda no exterior.

Como consequência, o Brasil continua sendo um concentrador de rendas nas mãos de poucos, e sofrendo o amargo das desigualdades sociais. Não existe um plano de desenvolvimento econômico que faça distribuir os ganhos entre os mais pobres.

Quem manda no Congresso Nacional são as bancadas ruralistas e evangélicas. Uma só pensa em destruir o meio ambiente. A outra em disseminar seu fanatismo religioso moralista de família, pátria e tradição.

Que eu saiba, não existe a bancada da indústria e, muito menos, do povo. O negócio é plantar mais e mais soja e criar bois. A própria Amazônia pode um dia se transformar numa pastagem, ou em campos de grãos para vender no mercado externo, importando inflação e espalhando pobreza e miséria.

 

 

CURIOSIDADES DO TRÁFICO NEGREIRO (II)

O livro de Laurentino Gomes, “ESCRAVIDÃO” mostra muitas curiosidades do tráfico negreiro, muitas das quais de horror, mas que precisam ser conhecidas por historiadores, estudantes e todos brasileiros sobre o que aconteceu nos quase 350 anos de escravidão no Brasil.

Em prosseguimento aos relatos do autor, vamos destacar alguns deles:

Aos reis e chefes locais do continente africano, cabia organizar as expedições militares para captura dos escravos. Os chefes definiam os preços, controlavam a oferta, faziam alianças e fechavam negócios com diferentes interlocutores europeus, em geral, rivais entre si, de modo a evitar o monopólio de qualquer país ou grupo de compradores em seu território.

No vizinho porto de Ajudá, entre final do século XVII e o começo do século XVIII, traficantes europeus tinham de pagar o valor equivalente a 37 ou 38 escravos (cerca de 375 libras esterlinas) por navio negreiro em troca da autorização para ali comprar cativos. As despesas incluíam ainda impostos, pagamentos para altos funcionários reais e intérpretes locais.

Por fim, o próprio rei local tinha a prerrogativa de vender, em primeira mão e a preços mais elevados, um determinado número de escravos de sua propriedade. Só, então, começavam as outras negociações. De acordo com o historiador, John Russell-Wood, “os participantes africanos do tráfico incluíam os príncipes e os mercadores mais ricos e poderosos do continente. A elite africana estava profundamente envolvida com a venda de escravos”.

As dívidas assumidas em cada etapa dessa rede de suprimentos, segundo Laurentino, eram negociadas em letras de crédito (letras de câmbio) a serem quitadas na venda dos escravos. Essas letras eram tão comuns que em meados do século XVIII eram utilizadas como moeda corrente em Benguela (Angola).

A ponta mais avançada dessa rede de negócios era o próprio capitão do navio negreiro, responsável pela compra dos escravos na costa africana. Além de negociadores, os comandantes desempenhavam algumas funções extras na cadeia do negócio.

Em Portugal e no Brasil, os investidores do tráfico contratavam os capitães para cobrar e negociar dívidas, ou processar na justiça os caloteiros situados em regiões remotas. Os capitães, na verdade, eram donos de parcelas expressivas das cargas que transportavam, conforme assinalou o historiador Roquinaldo Ferreira.

Havia preferência por escravos a partir de determinadas regiões. Os angolanos, por exemplo, eram considerados dóceis e bons trabalhadores nas lavouras e no serviço doméstico. Os oriundos da chamada Costa do Ouro, ou da Mina (Gana) eram bons na mineração. Da Guiné chegavam africanos experientes nas atividades pecuárias e de pastoreio.

Segundo relato do padre jesuíta André João Antonil, alguns eram arrogantes e rebeldes. Para o Brasil vieram os congos, ardas, minas, São Tomé, Angola, Cabo Verde e poucos de Moçambique. Os ardas e minas são robustos. Os de Cabo Verde e São Tomé, mais fracos. Os de Angola e do Congo, mais capazes de aprender ofícios. Os mulatos são soberbos, viciosos e mais valentes.

Desde o início do tráfico, os europeus tiveram que se adaptar a um padrão monetário peculiar na África que usava conchas marinhas como moeda, em lugar de peças de metal ou papel. Uma dela era chamada de zimbo, coletada nas praias da Ilha de Luanda (Angola), sob regime de monopólio do rei do Congo. Eram tão populares que padres e bispos recebiam salários e doações em zimbos.

Essas conchas eram também encontradas nas praias da Bahia. Eram exportadas pelos portos de Salvador e Rio de Janeiro e usadas nas compras de escravos africanos. Eram tantas que provocaram uma desvalorização monetária.

Outra moeda-concha muito valorizada na África eram os cauris, espécie de búzios originários das Ilhas Maldivas, no Oceano Índico, mais apreciado no Golfo da Guiné do que as similares angolanas. Eram comprados na Índia por holandeses, franceses, ingleses e portugueses que exportavam para a África.

No auge do tráfico, no século XVIII, holandeses e ingleses importavam cerca de 40 milhões de búzios cauris por ano. Juntos teriam movimentado quatro bilhões de conchinhas entre 1700 a 1790. Por volta de 1650, em Aladá, se podia comprar uma galinha por cerca de dez conchas. Um século mais tarde, a galinha valia trezentas conchas.

Quase todos países europeus se envolveram no comércio de escravos, mas portugueses e brasileiros foram os maiores ao longo de quase quatro séculos.

 

 

MATAGAIS EM TERRENOS VAZIOS

Cobras, ratos, escorpiões, mosquitos da dengue, muriçocas e todos tipos de insetos podem ser encontrados nos matagais dos terrenos vazios espalhados pelos bairros de Vitória da Conquista, e a Prefeitura Municipal não toma nenhuma providência para obrigar os donos desses lotes abandonados a cercá-los e limpá-los. Está na lei, através de sanções, mas o poder público nada faz. Comentei sobre esse assunto em várias oportunidades, e tudo continua no mesmo. Isso é uma vergonha para uma cidade onde existem uns bairristas que a chamam de “suíça baiana”. Depois das chuvas, a situação só fez piorar. Não é somente o matagal. Esses terrenos vazios se transformaram em verdadeiros depósitos de doenças e animais peçonhentos. Como se não bastasse o IPTU, a Câmara de Vereadores aprovou a taxa de lixo, mas silencia diante desse quadro de horror e ameaças para quem mora ao lado e nas proximidades desses matagais. Além de lixo, entulhos e insetos perigosos, esses locais servem de coito para bandidos praticarem seus assaltos, inclusive de dia. Durante à noite, ninguém se atreve passar ao lado de um matagal desse. Cadê o Código de Postura? Cadê o Plano Diretor Urbano? O gato comeu a língua deles. Paga-se muito, e não se recebe quase nada do governante. Esse é um dos matagais que pode ser visto na Rua “G”, ao lado do número 296, bairro Filipinas, ou Jardim Guanabara, saído das lentes do jornalista Jeremias Macário.

SALVABOA

Nova versão, de autoria de Jeremias Macário

SalvaBoa, navegar de saveiro!

Conhecer um Terreiro;

Velha e antiga Lisboa,

Onde nasceu o fado;

Misturar Amado com Pessoa;

Em Belém, com muita fé,

Mirrar a Torre, comer pastel,

Ou passear pelo Sodré.

 

Da Piedade, São Bento/Pelourinho;

Chile, Praça de Thomé,

Na Salvaboa, em todos cantos,

Olhando cada pedacinho;

O mar de Todos os Santos;

Soledade a Liberdade,

Pode-se ir a pé, numa boa,

Vendo Lacerda/Catedral da Sé.

 

Do Contorno da Gamboa,

Lembro da minha Lisboa,

Dos azulejos no casario;

De Nazaré, como quiser,

Ou do Canela a Paralela,

Corre-se noite e dia,

Pra preencher o vazio,

Desse PIB que diluiu.

 

De Ondina-Amaralina, coroa,

Passe uma “Tarde em Itapuã”,

Do poetinha, o seu fã,

No céu azul da Salvaboa.

 

De lá, vá ao Abaeté;

O avião rasga o vento;

Esqueça o senhor tempo;

Ouça o samba e o axé,

Ou o relincho do jumento;

Siga até o aeroporto,

Pelo túnel do bambuzal,

E leia notícias do jornal.

 

ELEIÇÃO PARA ARTES CÊNICAS E O DEBATE SOBRE O PLANO MUNICIPAL DE CULTURA

Nesta quinta-feira (dia 03/03), a diretoria do Conselho Municipal de Cultura vai proceder a eleição para os membros (titular e suplente) do eixo 3 (artes cênicas – teatro, dança, mímica, cinema, audiovisual e circo), os quais renunciaram aos seus cargos.

O pleito será realizado às 14 horas, na sede do Memorial Regis Pacheco, sob a condução da comissão constituída por Jeremias Macário, Marley Vital, Valéria Vidigal, Rosa Aurich e Armênio Santos. Esperamos contar com a presença dos artistas conquistenses do setor para compor o nosso Conselho de Cultura. Os eleitos serão, imediatamente, integrados ao colegiado.

Na segunda-feira, dia 07, às 18h30min, no mesmo local, será realizada reunião ordinária do CMC, e um dos debates importantes da pauta será a criação do Plano Municipal de Cultura que irá nortear as diretrizes básicas da nossa cultura em Vitória da Conquista.

É o primeiro passo, porque a constituição de um plano demandará certo tempo, mas o propósito da nova diretoria do Conselho é deixar esse projeto concluído para a posteridade até o final do seu mandato, no próximo ano. Como sabemos, Conquista nunca elaborou seu plano cultural, e essa será uma tarefa árdua, mas possível de ser concretizada, inclusive com apoio da Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer.

DISCRIMINAÇÃO ESCANCARADA

Agora, ficou bem escancarada a discriminação e a seleção étnica racial entre os próprios refugiados ucranianos e por parte das nações vizinhas. A entrada em outros países é por raça e cor, ficando os negros como últimos da fila. Está bem clara a prática nazifascista da Alemanha de Hitler durante a II Guerra Mundial. Uma vergonha!

Conforme citei, os refugiados árabes da Síria, do Iraque, do Afeganistão e africanos foram rejeitados e banidos pelos mesmos europeus que hoje recebem os ucranianos com plaquinhas de doações e abrigos decentes. Os outros foram simplesmente enxotados, encurralados e tratados como escória e lixo.

Outra marca dessa guerra é a carga de mentiras de ambos os lados, mas, principalmente, pelo mundo ocidental, que sempre baixou a cabeça para as invasões dos Estados Unidos na América Latina, na Ásia e outros continentes, inclusive apoiando ditaduras que são de seus interesses econômicos e políticos.

Sobre este assunto, meu amigo e companheiro jornalista, Carlos Gonzalez, fez a seguinte observação:

Seu comentário de hoje (ontem, dia 20/02) está recheado de verdades. Acrescentaria somente o seguinte: as pedras dos palestinos, expulsos de seus territórios, pelas balas dos israelenses, presenteadas pelos EUA; os mísseis de Israel lançados contra escolas e hospitais da Palestina e do Líbano; soldados americanos armados, em vez de médicos e enfermeiros, que invadiram o Haiti após um dos maiores terremotos da História; a manutenção de uma prisão em Cuba, destinada a receber e torturar supostos terroristas; e, por fim, as bombas atômicas, que o mundo não esqueceu, lançadas contra Hiroshima e Nagasaki, cidades japonesas habitadas unicamente por civis.

É isso mesmo, Gonzalez, todos nós somos contra a qualquer tipo de guerra que só causa sofrimento e dor, e não compactuamos com intervenções em outros territórios. Defendemos a soberania de qualquer povo, mas volto a afirmar que os Estados Unidos não têm e nunca tiveram moral de condenar seus opositores, e foi bom você colocar a questão da Palestina, contra a qual os israelenses não cedem as terras ocupadas e praticam ali um verdadeiro massacre humano, com o consentimento dos ianques e seus aliados europeus.

 

 

 

“EU SÓ QUERIA ENTENDER”

Como falava o personagem do “macaco” num programa humorístico de Jô Soares, “eu só queria entender”, quando algum ato era esdruxulo e contraditório. No Brasil, existem coisas que não dão para entender. São os chamados absurdos da Bahia, comentado pelo ex-governador Otávio Mangabeira.

Essa de feriado durante o carnaval, que não pode ser realizado por causa da pandemia, é uma delas onde “eu só queria entender”. O decreto da prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos, assinala que um dos motivos do feriado é para economizar gastos. Será que compensa mesmo em relação às perdas com a arrecadação e os usuários que deixam de ser atendidos?

Outros argumentam que os feriados beneficiam o fluxo do turismo que movimenta mais dinheiro. Como ficam os outros setores que param suas atividades? É o mesmo que cobrir um santo e deixar o outro descoberto. Se for colocar na balança das finanças e da produção de bens, perde mais o Brasil.

E quanto as pessoas que entram na onda do viajar e ficam endividadas até o pescoço? E os acidentes com mortes nas estradas que aumentam? A criminalidade também. A maior vantagem fica para os bares, restaurantes, hotéis, vendedores ambulantes e agências de viagens.

Repetidas tantas vezes, o Brasil tem muitos feriados, talvez bata o recorde em comparação a outros países. Nesse nosso rico pobre país, os brasileiros precisam trabalhar mais e passear menos. Menos muvucas e mais atividades, mas o povo insano gosta e cai dentro.

Temos uma desigualdade social monstruosa, e um grande déficit na educação e na saúde. A inflação está aí a todo vapor e se alimenta mais ainda nesses feriados. Enquanto uns ficam mais ricos, outros aprofundam a pobreza. A ressaca chega depois no monte de contas de início de ano.

Como não tem o carnaval para evitar a infestação do vírus, o mais coerente seria que tudo continuasse no normal. Esses feriados propiciam mais aglomerações em festas, praias, restaurantes, pontos turísticos, aeroportos, rodoviárias e outros locais.

Como consequência, pode ocorrer uma nova onda, com mais despesas para o poder público na área da saúde. Mais um motivo para quebrar o argumento de que fortalece o turismo e corte de despesas nas repartições públicas. É aquela velha história: “Me engana que eu gosto”.

Eu continuo com aquela pergunta do “macaco”: “Eu só queria entender”! Além da educação que é vital para o desenvolvimento econômico e social de qualquer país, o trabalho afinco entra como mola propulsora para tirar uma nação do seu atraso.

Mirem no exemplo da Alemanha que saiu de duas grandes guerras e se tornou potência com o trabalho. O Japão, a Coréia do Sul e a China também são outros exemplos a serem seguidos.  Portanto, eu só queria entender esses decretos, mas tem muito mais coisas no Brasil que a nossa vã filosofia não consegue compreender. São coisas que me deixam perplexo, como certas leis que nunca vigam e medidas descabidas e paradoxais.

AS DIFERENÇAS ENTRE REFUGIADOS E UM SER HUMANO DISCRIMINATÓRIO

Numa guerra, a maior vítima é a verdade, conforme já se pronunciou um certo historiador, mas o que pretendo falar mesmo é sobre o tratamento dado entre refugiados de etnias diferentes, no caso os ucranianos em fuga de uma guerra sob invasão da Rússia, e o povo árabe, como iraquianos, afeganistões, sírios e africanos quando também foram vítimas de perseguições. Estes últimos foram isolados em campos de concentrações.

Os sofrimentos e as angústias interiores em uma guerra são os mesmos, mas destaco aqui as diferenças entre refugiados, e como o ser humano é discriminatório e racista quando se trata de etnias ditas inferiores e consideradas eixo do mal, como disse, certa vez, o presidente Busch, dos Estados Unidos. Por estar envolvida diretamente em cobrir os fatos do dia-a-dia, a mídia não chegou a mostrar esses dois lados cruéis.

As imagens mostram os refugiados ucranianos saindo de carros, ônibus ou trens, arrastando malas chiques, bem vestidos e sendo recebidos pelas estradas e fronteiras com doações de alimentos, água e provimentos necessários para continuarem suas jornadas. Nos países limítrofes são bem recebidos, e seus líderes já se pronunciaram que as portas estão abertas. Não há barreiras.

Agora, alguém aí lembra da precária situação dos refugiados sírios, afegãos, iraquianos e africanos do norte do continente se retirando das guerras e da fome, por terra e por mar? Com suas mochilas e trouxas (muitos nem sem isso), eles vagavam maltrapilhos e esfarrapados pelo deserto até os campos de concentração de cercas de arame farpado, na Turquia e nas ilhas gregas.

Milhares se aventuraram por campos e montanhas perigosos até as fronteiras de países europeus, principalmente do leste oriental onde foram expulsos brutalmente à força, com tiros e gás lacrimogênio. Com raras exceções, como na Alemanha de Ângela Merkel, no popular, esses refugiados árabes foram recebidos com um pé na bunda, como na Hungria e na Polônia que construíram muralhas e cercas elétricas com arames.

Por questões puramente étnicas, diziam que eles eram assassinos, ladrões, gente ruim e até terroristas, que iriam impactar o ambiente social e comportamental de suas populações. Na verdade, eram vistos pelos Estados Unidos e pela Europa como perigosos e baderneiros. Muitos morreram no meio do caminho, a grande maioria afogados no mar quando tentavam chegar ao litoral europeu.

Basta de tanta hipocrisia e falsidade! No momento atual, no caso da Ucrânia (não vou aqui entrar no mérito da invasão russa), os negros e pessoas de cor que moram naquele país oriental estão sendo barradas nos transportes e nas fronteiras. Somente os brancos estão tendo acesso e recebem abrigos “confortáveis” se comparados com os campos de concentração oferecidos aos refugiados árabes e africanos. São imagens que mostram o outro lado podre da moeda.

A discriminação racial e étnica está em toda parte, e isso é uma mancha ou nódoa, impregnadas na pele das pessoas, desde o início da humanidade. Está na história dos povos. Os ucranianos, desde que brancos de olhos azuis, são tipos de refugiados bem-vindos, ao contrário das etnias árabes e africanas que foram pisoteados e escorraçados como animais ferozes.

Quanto a invasão em si, a Rússia e pais algum têm o direito de violentar a soberania de outra nação, com justificativas históricas que não convencem. A Rússia carrega o DNA de ser império desde os tempos dos czares. Vlademir Putin incorporou o espírito de Stalin. O mesmo vale para Estados Unidos que não têm nenhuma moral de simplesmente condenar os russos.

A história está recheada de violações dos norte-americanos nos países da América Latina, para implantar suas ditaduras, nas Filipinas onde praticaram um verdadeiro massacre e, mais recentemente, no Iraque e no Afeganistão. Sempre expandiram seu poderio militar para impor seus regimes e tirar proveito econômico, roubando as riquezas dos outros.

 

CURIOSIDADES NO TRÁFICO DE ESCRAVOS

O livro de Laurentino Gomes, “ESCRAVIDÃO” mostra muitas curiosidades do tráfico negreiro, muitas das quais de horror, mas que precisam ser conhecidas por historiadores, estudantes e todos brasileiros sobre o que aconteceu nos quase 350 anos de escravidão no Brasil.

Vamos aqui destacar algumas delas:

No auge do tráfico, por volta de 1780, os cativos eram capturados e comprados ao longo do litoral africano, numa extensão de quase seis mil quilômetros de cumprimento por mil de largura, da atual fronteira da Mauritânia com o Senegal até o sul de Angola. Nas décadas seguintes, essa faixa costeira se estenderia por outros quatro mil quilômetros, com a inclusão de Moçambique no roteiro do Brasil.

O banco de dados Slave Voyages registra que havia um total de 188 portos de partida de cativos no continente africano. Vinte deles respondiam sozinhos por 93% de todo tráfico no Oceano Atlântico. Até início do século XIX, o tráfico era o maior e o mais internacional de todos os negócios do mundo.

A rede de interesses envolvia agentes comerciais e controles contábeis das transações, uma estrutura de fornecimento de água e comida, e até instituições religiosas para batizar e catequizar os escravos. Abrangia ainda seguradoras, estaleiros e armadores, bancos de crédito, empresas de transportes que forneciam navios, apoio logístico, além de um complicado esquema burocrático.

Na economia escravagista, havia até um negócio paralelo tão transgressor que nunca recebeu destaque na história, que era a reprodução sistemática de cativos, com objetivo de vender as crianças, como se comercializa animais. Ocorreram experiências conduzidas em Portugal, Espanha e nos Estados Unidos. Uma delas aconteceu no Palácio Ducal de Vila Viçosa, sede dos duques de Bragança a partir do fim da União Ibérica, em 1640, com a ascensão de D. João IV ao poder. Havia um centro de reprodução de escravos.

Sobre as comparações de preços, Laurentino cita que o tráfico era uma atividade altamente organizada, sistemática, complexa e tão arriscada quanto lucrativa para seus investidores. Alimentava uma vasta rede de compradores, vendedores e fornecedores de serviços, produtos e suprimentos ao redor do mundo.

Entre as mercadorias brasileiras mais valorizadas no tráfico estavam a cachaça, tabaco, couro, cavalos, farinha de mandioca, milho, açúcar, carnes e peixes secos e salgados, além de ouro e diamante contrabandeados. Um historiador calculou que a cachaça foi responsável pela aquisição de 25% de todos escravos traficados da África para o Brasil entre 1710 a 1830. Somados, a cachaça e o tabaco, serviram para adquirir 48%, quase a metade de dois milhões e 27 mil cativos que chegaram vivos ao Brasil entre 1701 e 1810, segundo Luiz Filipe de Alencastro.

Durante décadas, a coroa portuguesa proibiu o uso da cachaça na compra de escravos, para não prejudicar a concorrência dos vinhos produzidos em Portugal. Nada adiantou porque passaram a fazer negócios clandestinos, principalmente em Angola.

Uma devassa feita pelo governo português descobriu que o governador de Angola, João da Silva e Sousa, era dono de quatro navios que levavam escravos de Angola para o Brasil e, na volta, iam carregados com pipas de cachaça.

A organização do negócio negreiro chegou a tal ponto que os traficantes da Bahia tinham sua própria irmandade e seu santo de devoção, que era São José, cuja imagem podia ser vista na pequena igreja de Santo Antônio da Barra, em Salvador. Vamos ter mais curiosidades nas próximas postagens da Coluna de Livros.

,

 

FARTURA TEMPORÁRIA

Se nunca deram importância para a revitalização e recuperação ciliar das margens do Rio São Francisco, o “Velho Chico”, castigado há séculos pelas mãos predadoras do homem, imagine agora que ele está cheio pelas chuvas fortes que bateram nos últimos meses em seus afluentes de Minas Gerais e Bahia! A mídia faz festa de imagens dizendo que tudo é fartura, mas não questiona que essa bonança pode ser temporária. Esquecem que há dois ou três anos, o “Velho Chico” estava seco e pedindo socorro, como um doente terminal de UTI. Basta São Pedro mandar chuvas, para não mais se falar em processo de recuperação e revitalização! É mais um motivo para acomodação com a Barragem de Sobradinho transbordando mais de três mil metros de água por segundo. E quando vier uma nova seca? Com certeza, toda essa fartura vai se acabar, e o nosso rio nordestino pode até morrer de vez! Vamos, então, ouvir aquela mesma lengalenga e lamento de sempre, de que é preciso tomar providências urgentes para salvar o “Velho Chico”. Até quando vamos ficar dependentes do tempo da abundância das chuvas? Essa fartura pode apenas ser temporária!





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia