Versos de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Tudo é poético e surreal,

Como na neve voa o corcel,

Só nos sobra o deus real,

Nessa consciência de papel.

 

Consciência só uma, a humana,

Não tem cor, mas sente dor;

Pode estar na jura da aliança,

Na inocência do sorriso da criança,

No bailado doce da bela Serena,

Ou nos predadores da savana.

 

Tudo é poético e surreal,

Como na neve voa o corcel,

Só nos sobra o deus real,

Dessa consciência de papel.

 

Pode estar no açoite da chibata,

Do ancestral a se arrastar pelo tempo,

No vento venal do poder imperial,

Ou na assinatura da assassina ata.

 

Tudo é poético e surreal,

Como na neve voa o corcel,

Só nos sobra o deus real,

Nessa consciência de papel.