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:: ‘De Olho nas Lentes’

DE VÁRIOS ÂNGULOS

Muita gente não tem observado, mas o Cristo de Mário Cravo, cravado na Serra do Periperi, pode ser visto de vários ângulos, como o flagrado na imagem das lentes do jornalista Jeremias Macário. Quem chega de vários pontos na cidade, O vê de vários ângulos, cada um com seu olhar poético diferente, não somente do ponto de vista do por-do-sol. Pode ser observado como se estivesse saindo de dentro de uma mata, enterrado nos escombros da Serra, que foi depredada e explorada por muitos anos por empresas construtoras e até mesmo pelo poder público. Fora o programa do por-do-sol nos finais de tardes dos domingos, lá está Ele solitário, todos os dias, vendo tudo o que se passa e acontece em sua cidade. É o primeiro a ver a aurora e o último a se despedir do poente no abraço da noite.

AS CORES DA FEIRA

Desde menino, quando vendia farinha com meu paia, a feira sempre me fascinou pelas suas cores e pelos bons papos que ouvia entre os compadres da roça e os doutores da cidade. Nela existe muita sabedoria popular, vendo as mulheres debulhar o feijão, o andu e os mais velhos a contarem os seus causos. Tem fuxico, tem verduras, carne, abóbora, limão, melancia, quiabo, cenoura e todo tipo de frutas e cereais. Não é como nos supermercados fechados cheios de pratilheiras onde não se pode pechinchar. Sempre quando posso lá estou eu na Feirinha do domingo, em Vitória da Conquista, registrando as belas imagens com a minha máquina, como esta. Na Feirinha sinto falta de um cantinho para se divulgar a cultura, com cantorias, declamações de poemas, contação de causos, apresentar  a literatura regional e seus autores,  e muita viola para bater as canções populares. Cadê a Secretaria da Cultura que ainda não criou este cantinho cultural para os artistas da terra mostrarem seus trabalhos? Vamos lá gente, montar este espaço!

GENTE QUE É GENTE

Cerca de 15 milhões de brasileiros vive nesta situação de pobreza, miséria e abandono no Brasil ,que detém o título negativo de país com a segunda maior desigualdade social. Essa é Gente que é Gente, que a gente não vê nas ruas e casebres miseráveis, sujos e cheios de esgotos abertos. Ainda tem gente, inclusive de nível universitário graduado, que nega as estatísticas e diz que os organismos internacionais são comunistas. Sem argumento, ainda cita, com “orgulho” que o Brasil tem a décima maior economia do mundo. Valeria o índice se não tivesse um IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) tão baixo.  Um triste quadro que nos envergonha este flagrante do jornalista Jeremias Macário.

A MISÉRIA NA BR

Há anos, talvez quando a BR-116 (Rio-Bahia) foi construída, no início da década de 60, o quadro de pobreza extrema, ou miséria, é o mesmo de sempre, e só faz piorar com a concentração dos “miseráveis” dos capitalistas predadores que não querem reduzir as profundas desigualdades sociais. São crianças, que deveriam estar nas escolas, e idosos pedintes por migalhas que, às vezes, são jogadas por motoristas compadecidos. O flagrante está sempre lá na descida próxima à cidade de Manoel Vitorino, e foi registrado pelo jornalista Jeremias Macário, que tem fotos idênticas tiradas há 30 anos. Os  governos passam e a miséria em nosso país só faz aumentar, e o silêncio dos que deveriam se revoltar e protestar para mudar este sistema estúpido é ensurdecedor. Até quando vão abusar da nossa paciência? Até quando vão criar mais e mais excluídos da nação, a qual não cuida de seus filho esfarrapados e com fome. É uma vergonha e não se pode ter orgulho de um país de milhões vivendo na miséria.

 

NA CAATINGA É ASSIM

No árido do sertão de pedregulhos e garranchos cinzentos, só o mandacaru ainda é o sobrevivente da bonita e triste paisagem. Muitos abandonam a terra no tempo da sequidão na procura do sustento para a família em outras paragens. Os governos e políticos prometem melhoras, mas tudo continua no mesmo tempo de séculos passados. O sertanejo sofre, ora ao Supremo Senhor e vai vivendo, ou vegetando como pode, olhando sempre aos céus quando a chuva virá para molhar o chão e plantar suas lavouras, muitas vezes perdidas com a estiagem. Ele é enganado até pelo tempo. Esqueceram dele aqui nesta terra de ninguém, ou aliás, só deles, os coronéis do poder. A imagem é mais um flagrante nas andanças do jornalista Jeremias Macário; Na caatinga é sempre assim há mais de 500 anos.

O SÍMBOLO DO NORDESTE EM EXTINÇÃO

Primeiro ele foi sendo substituído pelos gafanhotos motorizados, ou os cavalos de fogo, que estão espalhados em toda parte rural e urbana,. logo o jegue que atravessou o deserto até o Egito transportando a família sagrada, e tanto serviu ao nordestino no seu sustento do dia a dia Agora está em extinção sendo cruelmente morto para virar carne e pele para os chineses. Cadê os ambientalistas e os ditos protetores dos animais que só falam das tartarugas, das baleias, dos cachorros e gatos. Raro encontrar, mas o nosso símbolo do Nordeste, o inocente jumento se tornou uma espécie em extinção ainda servindo ao homem, como neste flagrante em Juazeiro da Bahia, carregando papelões e outros objetos recicláveis. Ninguém importa mesmo para os jegues e estão sendo vendidos baratos para os matadouros. O homem é mesmo um animal predador da pior espécie. Foto do jornalista Jeremias Macário

COISAS DO SERTÃO

Os garranchos secos cinzentos num traçado com os cactos transmitem uma imagem poética da terra árida nordestina, numa paisagem singular e única do nosso bioma. São coisas  do nosso sertão forte como o homem que nele habita com dureza, sempre esperando a chuva cair para plantar sua lavoura. É bonito e, ao mesmo tempo, triste, porque o nosso sertanejo sofre e ainda acredita nas promessas dos políticos e governantes, de que um dia as coisas vão melhorar. Reza a Deus sempre, numa reza penosa, e nunca perde a fé e a esperança. “Coisas do Sertão” foi captada pelas lentes do jornalista Jeremias Macário.

O CINZENTO DO AGRESTE

Como o próprio título já diz, a paisagem cinzenta do agreste, de galhos retorcidos pela sequidão do sertão nordestino, retrata o sofrimento do sertanejo que labuta o ano todo e sempre está à espreita de uma chuva para salvar sua lavoura. Fica na espera da graça com as mãos postas para o alto. Quando perde as esperanças se retira com a família para outras terras estranhas. Já ouvi dizer que é uma paisagem “bonita”, mas não é não. É triste. Bonito é quando tudo está verde. A imagem saiu das lentes do jornalista Jeremias Macário lá em Carnaíba, Juazeiro da Bahia.

LUZES DAS BORBOLETAS

As imagens já dizem tudo, mas a praça me deu a graça de flagrar com minhas lentes esta rede de poesia bordada pela natureza e os homens que ainda têm momento de sensatez e iluminação. São fotos das luzes das borboletas de variadas cores em Vitória da Conquista. É ó apreciar e curtir a sinfonia das luzes com o balançar das folhas das árvores. O mais é com você no refletir do espírito.

NO SARAU A ESTRADA

O Sarau A Estrada completou nove anos de encontros da música, da poesia e dos causos, e vamos entrar no décimo ano agora em 2020, precisamente em julho. Neste sábado (dia 07/12) vamos realizar o último do ano com o tema A História da Música Brasileira, com o músico e compositor Alex Baducha  e demais convidados que podem falar sobre o assunto. Vai ser mais uma festa cultural comemorativa de final de ano, e todos estão convidados. Trata-se de um sarau colaborativo onde cada um traz sua bebida e comida e vamos curtir com alegria e confraternização. Será mais uma noite cultural que promete.





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