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:: ‘De Olho nas Lentes’

ABERTURA PRECIPITADA

Conforme determinação do gabinete do prefeito, o comércio de Vitória da Conquista começa a ser aberto nesta segunda-feira, mesmo diante do crescente número de contaminação do coronavírus devido ao baixo nível de isolamento social de um povo sem disciplina e consciência política, social e educacional, características próprias do brasileiro. Mesmo com os dois meses de fechamento, o movimento das pessoas nas ruas não caiu no nível desejado, principalmente na Travessa Ramiro Santos e na Praça 9 de novembro. Nesta segunda feira ela pode estar assim, como nesta imagem clicada pelo jornalista Jeremias Macário. As pessoas não temem o perigo, e cada um acha que o vírus só pega nos outros. Esquecem os lamentos, os choros e as lágrimas derramadas pelos parentes dos seus mortos. No Brasil, mais de mil ainda estão sendo infectados por dia. É um índice muito alto, mas os estados estão também abrindo o comércio. De um lado, o coronavírus matando e, do outro, a psicopatia de um governo que está levando o Brasil ao abismo. Vamos ter dias ainda mais terríveis e turvos. Esta abertura é precipitada e temerária. Nossa gente detesta seguir normas, e a fiscalização é deficitária. Vamos ver no que vai acontecer. Só nos resta rezar. A situação tende a piorar nesta terra Pau Brasil, tão maltratada e vilipendia por salteadores e bandidos.

LEMBRANÇAS DE PARIS

 

 

O coronavírus fez silenciar o mundo com o isolamento social, mas as lembranças permanecem vivas, como nesta foto do Rio Sena et Petit Cité, clicada pelo meu filho Caio Macário quando morava em Paris. Depois estive lá por uma semana e fiquei encantado com o Velho Mundo, principalmente com a Cidade Luz. Pena que esse vírus mortal deixou uma paisagem cinzenta e triste, mas as coisas por lá estão, aos poucos, voltando ao seu normal porque o povo cumpriu com as medidas de restrição, diferente do nosso Brasil desgovernado, sem rumo e liderança. Aqui as coisas estão piorando porque tem um presidente maluco que quer receitar medicamente por meio de decreto, e transformou o Ministério da Saúde num batalhão do exército. Agora, só nos resta rezar muito para voltarmos a curtir a vida e homenagear os mortos, a grande maioria de pobres desamparados e que vivem à margem da sociedade.

A EXTINÇÃO DOS JUMENTOS

Lamento muito a declaração do diretor da Adab -Agência de Defesa Agropecuária da Bahia, Maurício Bacelar, de que o estado vai criar uma cadeia produtiva de jumentos, jegues ou asininos, para fornecer, de “forma sustentável”, esses animais, símbolos do Nordeste, para o abate nos frigoríficos baianos. A foto e a informação foram divulgadas nesta semana, com exclusividade, no blog do nosso companheiro e amigo jornalista, Mário Bitencourt (blogdomariobitencourt). Uma balela para enganar ambientalistas e defensores dos animais. Na verdade, o que está por trás disso é uma estratégia montada para extinguir com os jumentos em nosso Nordeste, porque não vai haver cadeia produtiva alguma, como bovinos, caprinos e suínos, citados pelo diretor da Adab. Aqui na Bahia, os frigoríficos de Amargosa, Simões Filho e Itapetinga estão matando, impiedosamente, os jegues para vender a carne e o couro para a China, utilizados em iguarias domésticas e para fabricar um gelatina, o eijao, medicamento para pele e impotência sexual, como afirmam os chineses. Depois que os jumentos foram substituídos pelas motos e não servem mais para transportar água e lenha, resolveram, criminosamente, acabar com esta espécie que tanto serviu ao sertanejo na labuta do dia a dia, sustentando famílias. Em meio a essa pandemia, com milhares de mortes, o governo federal (a matança conta com o apoio) está destruindo o meio ambiente, incluindo os animais. A perversidade do homem sobrou agora para os nossos inocentes jumentos. Cadê o Ministério Público, as entidades ambientalistas e outros órgãos de defesa animal que se calam e não tomam providências contra mais este absurdo?

SEQUIDÃO

Foto e escultura do jornalista Jeremias Macário

Não sou escultor, mas um atrevido que procura retratar a vida, principalmente do nosso Nordeste, procurando mostrar suas belezas e também as mazelas de um povo sofrido e com sede de justiça social. Esta é a minha quarta escultura, se assim me permite denominá-la, feita de cipó, que vou aproveitando aqui no muro do outro lado do meu quintal. Resolvi chamá-la de “Sequidão” por representar o mandacaru sobrevivente da seca, como é a nossa mente inteligente que usa a fé e a ciência para continuar a viver. Minha intenção foi retratar o Nordeste que ora é verde, ora é cinzento. Uma é vida e a outra é sinal da morte nas lavouras, nas plantas e animais que têm que enfrentar a sequidão até as próximas águas molharem o chão.

DA SERRA JORRAM PEDRAS

Fotos aéreas de José Silva

Durante muitos anos, desde a construção da BR-116 (Rio-Bahia) na década de 1960, depredaram a Serra do Periperi, em Vitória da Conquista, e dela retiraram areia, cascalhos e pedras para edificação de casas e prédios. Eu e meu companheiro de trabalho jornalístico José Silva fomos testemunhos ainda na década de 90 quando aqui cheguei para a chefiar a Sucursal do jornal A Tarde. Fizeram um tremendo estrago na natureza, como os exploradores que dizimaram os índios e derrubaram as florestas. Na época fiz um trabalho de pesquisa sobre o problema, relatando tudo isso e contando a história de Conquista e da Serra, palco de muitas batalhas de derramamento de sangue, mas, infelizmente, o estudo não foi publicado por falta de patrocinadores. Quando existe agressão, o meio ambiente sempre dá a sua resposta à perversidade do homem. Hoje, quando chove jorram pedras e cascalhos da Serra do Periperi e tudo desce das enxurradas, alagando a cidade. Além da depredação criminosa, inclusive da parte do poder público, as invasões irregulares de casebres, sem nenhum ordenamento, contribuíram mais ainda para destruir a natureza e fazer desaparecer a fauna e a flora. Até início do século passado, há 100 anos, toda Serra era coberta por uma densa floresta. Hoje só existe um capão chamado de Mata Escura, também maltratada pela população. Com a exploração predatória, todos os minadouros desapareceram e poucas espécies de plantas e animais sobreviveram, mas estão em extinção.

CONQUISTA E O CORONA

As fotos são do meu companheiro de trabalho no “A Tarde” durante muito tempo, José Silva, que registrou a atual Vitória da Conquista em vários ângulos. É um arquivo precioso e histórico. Como todo Brasil, a cidade também está atravessando sua crise do corona, mas, infelizmente, sem o pleno isolamento social, de cada um ficar em sua casa. Aliás, num país pobre como o nosso, isso é impossível e uma falácia. Há mais de um mês, o prefeito decretou fechamento do comércio, mas depois foi liberando outros setores não essenciais. Foi a única cidade em que os empresários fizeram uma carreata pedindo a reabertura do comércio lojista. Nesta semana, caiu visivelmente a tal quarentena, e o que se vê é a circulação exagerada de muita gente e carros nas ruas da cidade. Já morreu uma pessoa vítima do coronavírus, e tudo indica que haja uma quebra geral do isolamento social, com a obrigatoriedade apenas do uso de máscaras, que antes os infectologistas diziam não terem muita valia, mas agora recomendam. Estamos num Brasil desordenado e confuso onde o governo federal é a favor da volta às atividades, e governadores e prefeitos tomam suas próprias decisões. O povo fica a bater cabeça, e as maiores vítimas são sempre os pobres, chegando a passar fome, na espera de doações individuais e de algumas entidades. Não sabemos o que pode vir por aí. O sistema de saúde sempre foi precário e deficitário e a situação se agravou com a Covid-19.

SEM A TRADIÇÃO DO SEPULTAMENTO

É muito triste e angustiante você acompanhar de longe o sepultamento de um ente querido como está acontecendo nessa turbulência da pandemia do coronavírus. Sempre existe toda aquela tradição do velório, das preces e das despedidas até o cemitério quando o caixão é arriado ao túmulo. O choro agora está sendo mais doído, e o tempo vai demorar mais de curar a dor, se bem que ele nunca tem esse poder do esquecimento. No Brasil de um governo genocida, com seus seguidores e anjos da morte, infelizmente, muitos vão ter ainda que obedecer esse ritual estranho à nossa cultura por causa de psicopatas e nazifascistas que nem estão ai para os milhares que já se foram, vítimas desse Covid-19, que mudou comportamentos, ideias e sentimentos em todo mundo. Em nosso país estamos caminhando para um massacre humano, se os políticos e os governantes sérios, se é que ainda existem, e toda sociedade junta não derem um basta nesse governo psicopata que contesta a ciência e a medicina, e defende a exposição frontal ao vírus. Até quando vamos ter que sepultar nossos parentes e amigos à distância? O povo tem que reagir e dar um basta nessa loucura. Queremos sim, continuar vendo fotos de todos juntos e unidos, em um só pensamento, como esta do jornalista Jeremias Macário, em um cemitério da cidade, bem antes do surgimento do corona, e não clicar de longe um enterro. Todos contra a esse massacre genocida!

SEM SEUS FIÉIS

Desde quando começou a tradição da Igreja Católica, em Vitória da Conquista, de realizar uma procissão na sexta-feira da Paixão até o alto do Cristo (obra do artista Mário Cravo), na Serra do Periperi, este ano do coronavírus, o Covid-19, ou como queira, o Coronavid, seus fiéis não vão puder fazer suas penitências por causa das aglomerações, mas, quem é católico pode fazer suas preces em casa. Infelizmente, nesta data o Cristo vai ficar sem seus fiéis, mas não estará só no pensamento dos conquistenses. Tudo de incomum está ocorrendo neste ano que vai ficar marcado na história da humanidade, como o ano que nos separou, nos isolou, nos despertou para o medo e fez a terra parar como na profecia do poeta, compositor, cantor e músico Raul Seixas. Ninguém ainda sabe ao certo o que pode acontecer no futuro próximo, mas o melhor é preparar a mente e o corpo para não entrar em pânico e piração. Vamos refletir sobre nossas ações diante da foto do jornalista Jeremias Macário.

A FEIRA NOS TEMPOS DO CORONA

A feira livre, como a do Bairro Brasil aos sábados e domingos, é um ponto de encontro saudável em todos os sentidos, tanto para a saúde, através de alimentos mais naturais, como para um pate-papo, um aperto de mão e abraços entre amigos e conhecidos, mas nestes tempos do coronavírus, o Cobid-19, ou o Coronavid, como costumo chamar, está muito difícil e arriscado porque os especialistas, infectologistas e médicos recomendam distanciamento. Como é bom este ambiente caloroso da feira! Quando posso sempre estou lá para fazer umas comprinhas, rever amigos e tirar umas fotos, é claro, como este flagrante. Feira é vida, simplicidade das pessoas e gostoso onde se encontra de tudo, desde frutas, carnes, peixes, frangos, pimenta e muitas outras novidades. Vamos torce que esses encontros voltem logo para sentirmos as pessoas mais de perto nesse circular de lá pra cá, jogando conversa fora. Foto de Jeremias Macário.

A QUEM APELAR?

Há dias que venho falando que a questão nestes tempos horríveis de coronavírus não é somente mandar as pessoas ficarem em casa, como faz a mídia burguesa. A imagem flagrada pelas lentes do jornalista Jeremias Macário indica que são pessoas que vivem nas ruas há muito tempo, e a sociedade passa e vira as costas. Agora, a situação ainda é mais grave com o vírus rondando, além da fome. A quem apelar. Esse é um quadro típico do nosso país. O outro são os desempregados, informais, os trabalhadores intermitentes, os comissionados e os biscateiros de um modo geral que estão sendo obrigados a ficarem em casa, muitos em barracos e favelas das periferias. Se o pão já era minguado, imagine agora sem nada fazer para ganhar uns trocados! Quem vai socorrê-los da miséria? Quando a mídia insiste em que todos fiquem em casa, deveria, como manda o bom jornalismo, mostrar o outro lado, de como essa gente vai se alimentar, e cobrar dos governantes providências urgentes, antes que tudo vire uma convulsão social, com invasões. Ai, vamos ter mais pessoas morrendo, além do coronavírus. Outra irresponsabilidade foi a realização do carnaval quando já existia um caso no Brasil. Sem moral, agora esses governantes ficam batendo boca, fazendo política e demagogia. Os pobres, nesses momentos difíceis, são os últimos a serem socorridos. Quem olha para eles? A elite está numa boa em suas casas, curtindo seu uísque e suas deliciosas e caras iguarias. Não está nem ai para a pobreza.





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