:: ‘De Olho nas Lentes’
SEM A TRADIÇÃO DO SEPULTAMENTO
É muito triste e angustiante você acompanhar de longe o sepultamento de um ente querido como está acontecendo nessa turbulência da pandemia do coronavírus. Sempre existe toda aquela tradição do velório, das preces e das despedidas até o cemitério quando o caixão é arriado ao túmulo. O choro agora está sendo mais doído, e o tempo vai demorar mais de curar a dor, se bem que ele nunca tem esse poder do esquecimento. No Brasil de um governo genocida, com seus seguidores e anjos da morte, infelizmente, muitos vão ter ainda que obedecer esse ritual estranho à nossa cultura por causa de psicopatas e nazifascistas que nem estão ai para os milhares que já se foram, vítimas desse Covid-19, que mudou comportamentos, ideias e sentimentos em todo mundo. Em nosso país estamos caminhando para um massacre humano, se os políticos e os governantes sérios, se é que ainda existem, e toda sociedade junta não derem um basta nesse governo psicopata que contesta a ciência e a medicina, e defende a exposição frontal ao vírus. Até quando vamos ter que sepultar nossos parentes e amigos à distância? O povo tem que reagir e dar um basta nessa loucura. Queremos sim, continuar vendo fotos de todos juntos e unidos, em um só pensamento, como esta do jornalista Jeremias Macário, em um cemitério da cidade, bem antes do surgimento do corona, e não clicar de longe um enterro. Todos contra a esse massacre genocida!
SEM SEUS FIÉIS
Desde quando começou a tradição da Igreja Católica, em Vitória da Conquista, de realizar uma procissão na sexta-feira da Paixão até o alto do Cristo (obra do artista Mário Cravo), na Serra do Periperi, este ano do coronavírus, o Covid-19, ou como queira, o Coronavid, seus fiéis não vão puder fazer suas penitências por causa das aglomerações, mas, quem é católico pode fazer suas preces em casa. Infelizmente, nesta data o Cristo vai ficar sem seus fiéis, mas não estará só no pensamento dos conquistenses. Tudo de incomum está ocorrendo neste ano que vai ficar marcado na história da humanidade, como o ano que nos separou, nos isolou, nos despertou para o medo e fez a terra parar como na profecia do poeta, compositor, cantor e músico Raul Seixas. Ninguém ainda sabe ao certo o que pode acontecer no futuro próximo, mas o melhor é preparar a mente e o corpo para não entrar em pânico e piração. Vamos refletir sobre nossas ações diante da foto do jornalista Jeremias Macário.
A FEIRA NOS TEMPOS DO CORONA
A feira livre, como a do Bairro Brasil aos sábados e domingos, é um ponto de encontro saudável em todos os sentidos, tanto para a saúde, através de alimentos mais naturais, como para um pate-papo, um aperto de mão e abraços entre amigos e conhecidos, mas nestes tempos do coronavírus, o Cobid-19, ou o Coronavid, como costumo chamar, está muito difícil e arriscado porque os especialistas, infectologistas e médicos recomendam distanciamento. Como é bom este ambiente caloroso da feira! Quando posso sempre estou lá para fazer umas comprinhas, rever amigos e tirar umas fotos, é claro, como este flagrante. Feira é vida, simplicidade das pessoas e gostoso onde se encontra de tudo, desde frutas, carnes, peixes, frangos, pimenta e muitas outras novidades. Vamos torce que esses encontros voltem logo para sentirmos as pessoas mais de perto nesse circular de lá pra cá, jogando conversa fora. Foto de Jeremias Macário.
A QUEM APELAR?
Há dias que venho falando que a questão nestes tempos horríveis de coronavírus não é somente mandar as pessoas ficarem em casa, como faz a mídia burguesa. A imagem flagrada pelas lentes do jornalista Jeremias Macário indica que são pessoas que vivem nas ruas há muito tempo, e a sociedade passa e vira as costas. Agora, a situação ainda é mais grave com o vírus rondando, além da fome. A quem apelar. Esse é um quadro típico do nosso país. O outro são os desempregados, informais, os trabalhadores intermitentes, os comissionados e os biscateiros de um modo geral que estão sendo obrigados a ficarem em casa, muitos em barracos e favelas das periferias. Se o pão já era minguado, imagine agora sem nada fazer para ganhar uns trocados! Quem vai socorrê-los da miséria? Quando a mídia insiste em que todos fiquem em casa, deveria, como manda o bom jornalismo, mostrar o outro lado, de como essa gente vai se alimentar, e cobrar dos governantes providências urgentes, antes que tudo vire uma convulsão social, com invasões. Ai, vamos ter mais pessoas morrendo, além do coronavírus. Outra irresponsabilidade foi a realização do carnaval quando já existia um caso no Brasil. Sem moral, agora esses governantes ficam batendo boca, fazendo política e demagogia. Os pobres, nesses momentos difíceis, são os últimos a serem socorridos. Quem olha para eles? A elite está numa boa em suas casas, curtindo seu uísque e suas deliciosas e caras iguarias. Não está nem ai para a pobreza.
PARADEIRO
Está um paradeiro danado, não é João? Enquanto o cliente não aparece, a saída é a leitura como bom passatempo nesses tempos onde as pessoas exercitam mais o corpo que a mente. Talvez por isso estejam mais doentes e entram em pânico como neste momento da pandemia do coronavírus e dos noticiários pandemônicos jornalísticos. É bom se prevenir das fake news que andam soltas por ai. Pena que as redes sociais viraram uma praga, e a tecnologia do celular tornou o mundo mais imbecil. Poucos hoje se dão à leitura de livros, revistas e jornais, se tornando uma massa de alienados, que acha que está bem informada e sabe tudo, quando nada sabe. Vamos ler e cuidar mais da saúde mental para tornar o corpo mais sadio e sair desse paradeiro. Um flagrante saída das lentes do jornalista Jeremias Macário, na Praça Barão do Rio Branco. A leitura pode acabar com esse paradeiro mental.
NOS TEMPOS DE MOLEQUE
Escrafunchando em meu baú de fotos (muitas foram perdidas), me deparei com a imagem da Praça Getúlio Vargas, da minha querida Piritiba, na Bahia, Piemonte da Chapada Diamantina, lá pelas bandas de Miguel Calmon e Morro do Chapéu. Bateu em meu peito a saudade dos tempos de moleque, quando nessa área, ainda em terra batida, jogava futebol com outros meninos da cidade. Era uma zoeira só quando a bola caia no único bar da praça, e o dono esbravejava que ia furar nossa redonda. Foi nesse lugar onde aprendi os primeiros dribles e a dominar a danada que tanto engana muitos jogadores pernas de pau nos tempos atuais. Tudo era escondido do meu pai que detestava quem jogava futebol. Passávamos um bom tempo naquela peleja de defender e levar a bola até o gol adversário, marcado com algumas pedras e chinelos. Foto divulgação, da Prefeitura Municipal. Pronto: matei a saudade dos tempos de menino que não voltam mais, mas ficou dentro de mim a poesia da infância.
O SONO DA BORBOLETA
Enebriada pelo cheiro calmante da cidreira, a borboleta tira sua soneca e pousa para as lentes, num flagrante poético do encontro do tempo com a natureza, quando ela é bem cuidada e respeitada. A planta que serve para fazer um chá para quem sofre de insônia nessa vida depressiva do corre-corre humano e desesperador pelo capital, cedeu também seu espaço e sua erva para o ser que vive e embeleza o meio ambiente, e até leva esperança para quem está aflito e desanimado com o que acontece nesse nosso país de tantas injustiças sociais. Elas sempre sobrevoam meu quintal de dezenas de plantas que são aconchego para as aves que me saudam com alegria e cantares. É mais um flagrante do jornalista Jeremias Macário.
QUEM SE LEMBRA DO MADRIGAL?
Passaram-se muitos anos que o único cinema ainda funcionando em Vitória da Conquista, depois de tantos outros (a história deles pode ser encontrada nos livros “Andanças” e a “Imprensa e o Coronelismo”, do jornalista Jeremias Macário), foi fechado, se não me engano, quase 20 anos, ou mais, mas o prédio está lá na rua Ernesto Dantas, sem ser utilizado. Quem ainda se lembra do Cine Madrigal, sempre cheio e exibindo grandes filmes de sucesso? O prédio foi adquirido pela Prefeitura Municipal, no Governo do PT, para dele fazer um centro multicultural. Até hoje nada, e ninguém fala do assunto, principalmente a mídia regional, que pouco noticia fatos do nosso município e da região (prefere matérias repetidas, requentadas, da capital e federal). Aí muitos dirão: É o progresso. Os cinemas hoje estão localizados nos shoppings e só passam filmes empacotados norte-americanos, e outros de péssima qualidade. Um equipamento caro, comprado com o dinheiro do povo, continua lá, praticamente abandonado e sendo destruído pelo tempo. Uma vergonha! Vamos fazer uma matéria jornalística sobre o antigo Cine Madrigal e seu provável destino!
O ÁRIDO NORDESTINO
O Nordeste, pela sua própria história de lutas de um povo sofredor sempre relegado pelos governantes, já é uma saga que faz lembrar o cangaço e as mortes severinas. Quando batem as águas vira um todo colorido sertanejo cheio de esperanças. O homem cava a terra, planta e ora na espera de outra chuva para a colheita. Quando ela não vem, e a terra começa logo a secar, bate a tristeza, mas o nordestino nunca desiste e recomeça o trabalho na fé de que dessa vez tudo dê certo. Quando a coisa fica muito feia, parte em retirada, mas retorna quando o chão volta a molhar. Mesmo na sequidão, a paisagem desolada não deixa de ser “bonita” nas lentes das máquinas fotográficas, como esta captada pelo jornalista Jeremias Macário no norte da Bahia, onde os mandacarus ainda resistem entre o pedregulho e as secas árvores cinzentas, cercando o povoado de pobres que insistem em continuar a saga vida
REVELAÇÕES
Numa foto poética como a do por-do- sol, muitas revelações estão nelas contidas. Pelo olhar de cada um, imagens diferentes vão aparecendo, como formatos de humanos, animais, objetos, casas na linha do horizonte, montanhas, árvores e outras visões que somente as lentes conseguem captar. Essa, do jornalista Jeremias Macário foi flagrada do alto da Serra do Periperi. É imagem para reflexão e cada um faz sua oração, não importando qual religião, ou mesmo se for ateu e não tiver nenhuma. Cada um faz o seu texto porque a foto em si já é um texto. Faça o seu que toque o seu coração e até do outro que esteja ao seu lado. São revelações que saem do seu íntimo.



















