:: ‘De Olho nas Lentes’
AS FLORES DO MEU QUINTAL
Elas estão em várias partes das nossas cidades, mas são despercebidas pela grande maioria que vive na corrida desenfreada pela busca do dinheiro e, consequentemente, da sobrevivência. São as flores que até são pouco decantadas pelos poetas que no romantismo serviam de inspiração para belos poemas de amor e gratidão pela vida. Elas sempre foram as musas da natureza. Em meu quintal, as flores me deixam menos tenso, principalmente nesses tempos tão difíceis de pandemia e crise política, econômica e social, com tanta pobreza. Estão sempre nas lentes da minha máquina. Precisamos olhar mais para as flores quando passamos por uma por que eles nos saúdam. Uma parada pode ser confortante e pode lhe dar a resposta que você tanto procura para seu problema. Vamos apreciar mais a natureza que pode nos fazer mais tolerantes com os outros. Tente refletir sobre o ministério contido na flor, e sua vida pode ser bem melhor nesse universo desconhecido.
NO COMBATE À COVID
Foto de Vandilza Gonçalves
Mesmo sem um comando central do governo federal, que contraria as recomendações da ciência, piorando o quadro de infecção da Covid-19, com hospitais superlotados, os profissionais da saúde estão lá na linha de frente cumprindo o seu dever de salvar vidas, como a técnica enfermeira que prepara a vacina que nos vai dar a esperança de enfrentar essa pandemia. Eles estão lá nas ambulâncias socorristas do trânsito e dentro dos hospitais, tentando fazer o possível e o impossível para reanimar pacientes intubados sem ar. Cada vida recuperada é uma história e uma vitória nunca mais esquecidas. São eles que também choram juntos com os parentes quando, através dos celulares ou sinais, têm que passar uma informação de perda. A correria é grande e o trabalho é estressante. Apesar da falta de insumos, de equipamentos necessários de socorro e até de oxigênio, eles nunca desistem, e sua política é salvar vidas. Não fossem esses profissionais, talvez já teríamos mais do dobro de mortes no Brasil (mais de 300 mil atualmente). A vacinação está lenta, mas não é por culpa deles. Tenho minhas críticas na condução dessa política por falta de uma liderança, mas eles são os nossos homenageados por representarem a ciência contra os negacionistas. Pelas suas mãos fui vacinado, e rendo aqui toda minha admiração porque eles já fizeram história. Obrigado e que continuem fortes em suas árduas missões.
TODOS CAMINHOS LEVAM A CONQUISTA
Além de ser a terceira maior cidade da Bahia, com cerca de 340 mil habitantes, Vitória da Conquista é a capital da região sudoeste. Em torno dela giram mais de 80 municípios, cuja população circula todos os dias em Conquista vinda de todos lugares através de vans e carros particulares. É o caso de se dizer, que todos os caminhos levam a Conquista, de segunda a sexta-feira, fortalecendo a economia da cidade. Estima-se que circule, diariamente, por Conquista, 50 mil pessoas, e aqui deixam boa parte de suas economias. Uns vêm a negócios, outros para tratamento de saúde; visitar parentes ou filhos estudantes; fazer compras; e resolver outros problemas. Logo cedo as vans vão chegando de Tanhaçú, Ituaçu, Barra da Estiva, Anagé, Barra do Choça, Brumado, Guanambi, Belo Campo, Tremedal, Aracatu, Nossa Senhora do Livramento, Caatiba, Itambé, Itapetinga, Maetinga, Presidente Jânio Quadros e tantos outros municípios. A ausência desse povo da região na cidade causaria um tremendo impacto negativo no comércio e no setor de serviços, principalmente. Poderia se dizer que toda essa gente é uma roda na economia de Conquista. Numa segunda-feira, a população do município mais os circulantes podem atingir até 400 mil habitantes.
MUITAS PANELAS PARA POUCA COMIDA
Até que não temos escassez de produtos alimentícios nas feiras livres e nos supermercados. Como na pandemia, infelizmente, estamos vivendo uma alta da inflação onde a classe mais pobre não está conseguindo encher as panelas, que sempre estão vazias. Temos sim, muitas panelas para pouca comida, e o pior é que existem milhões passando fome no Brasil. Os governos neoliberais e capitalistas subsidiam o agronegócio que só produz grãos, principalmente a soja, para serem comercializados no exterior. Na maior parte, esses produtos são utilizados na ração animal, e o povo passa fome porque não consegue comprar o alimento cotado em dólar. O pequeno agricultor que, na verdade, coloca o alimento na mesa do brasileiro, vive desassistido, sem contar as intempéries do tempos, como as estiagens. É um sistema bruto de muitas panelas para pouca comida. A saída seria vender as panelas para adquirir o alimento, mas, também não tem comprador. O negócio é encostá-las num canto qualquer da casa, ou do casebre. Fotos do jornalista Jeremias Macário.
CORONAVID
Durante esse amargo período da pandemia, para acalmar meu espírito e passar alguma mensagem para os outros, tenho procurado ocupar o tempo lendo, escrevendo meus textos e versos poéticos, produzido vídeos e, mais recentemente, enveredei pelo terreno tão difícil da escultura, como desafio (não é mesmo meu forte). Nessa investida, passei duas semanas montando uma escultura feita de cipó intitulada “CORONAVID”, uma homenagem ao meu poema e uma fusão do maldito Corona com a Covid. Trata-se de uma figura humana se protegendo com a máscara e, na cabeça, a danada da Covid atacando ou invadindo o globo terrestre. Seja como for, é uma obra conceitual, de protesto contra esse governo genocida que aí está, o pior da história do Brasil, bem como de pesar e lamento pelas mais de 160 mil mortes vítimas desse vírus. Para acabar com isso, queremos vacina, mas o capitão emperra as negociações e responde ao clamou social, dizendo que só se for comprar “da sua mãe”. É tão imbecil ao afirmar que o Brasil é um país de mais de 200 milhões de habitantes e, diante disso, que os laboratórios procurem o país para vender seus produtos. Ora, os países que se planejaram bateram nas portas das companhias farmacêuticas e adquiriram, a muito custo, seus lotes de vacinas. Ele não está nem aí para vacinar o povo brasileiros. Os governadores e prefeitos deveriam sim, redigir uma carta aberta à nação pedindo que esse capitão renuncie à presidência.
AS NUVENS E SUAS IMAGENS
Dizia um político mineiro, se não me engano Tancredo Neves, que a política é como as nuvens. Você olha para os céus e elas estão sempre mudando de lugar. Só faltou afirmar que no Brasil a política muda de acordo com a máxima do toma lá, dá cá. Diferente da nuvem, a política é pilantra, e aqui só se faz politicagem. Mas, não é disso que quero tratar no momento. Na natureza, elas são belas e poéticas. Nos relaxa. Quando carregadas, transmitem esperança de chuvas, ou tristeza de seca quando vazias e ralas. Fora isso, as nuvens, olhando bem para os céus, como na foto do jornalista Jeremias Macário, compõem diversas imagens de pessoas, montanhas, animais selvagens, florestas, acidentes geográficos, colinas, rostos diferentes e ainda fazem aquele efeito vermelho-sangue no pôr-do-sol. Nessa imagem, por exemplo, dá para você navegar na imaginação, como a aparência de um dromedário, ou uma grande ave pré-histórica. Olhando bem, no alto vejo a imagem de um ser humano. Parece também com uma grande avestruz. Gosto sempre de mirar as nuvens e desenhar as minhas imagens em meu cérebro, e logo em seguida aparecem outras. É uma terapia olhar as nuvens e fazer suas imagens. Já olhar a nossa política, dá nojo, irritação, revolta e vergonha. Ela não merece a nossa consideração e passa uma péssima imagem do nosso país aqui dentro e lá fora, no exterior.
O COMÉRCIO INFORMAL DE AMBULANTES
Fotos do jornalista e escritor Jeremias Macário
É meus amigos, se a situação já estava feia para os mais de 13 milhões de desempregados e subutilizados no mercado de trabalho, piorou mais ainda com a chegada da Covid-19 no início do ano passado, e ainda mais agressiva depois de um ano, em razão de diversos fatores, desde um governo genocida até a própria população que não tem senso de coletividade e parte para as aglomerações suicidas. Para sobreviver a esse caos, por falta de estratégia do poder público central, todos se viram como podem, vendendo seus produtos no comércio informal de ambulantes. As ruas e avenidas das capitais e grandes cidades do nosso Brasil estão superlotadas de ambulantes tentando fazer uns trocados para apaziguar a fome. Vitória da Conquista não é exceção. Em todos os lugares, nas portas dos bancos, nas calçadas, em frente dos supermercados, praças e lojas, lá estão eles oferecendo suas mercadorias, como frutas, doces, bombons, chaveiros, artesanatos, bijuterias e outras tantas bugigangas. É claro que deixam a cidade com a cara mais feia, mas fazer o quê diante de tanta pobreza e aprofundamento das desigualdades sociais? A crise só tende a se agravar, e não adianta querer ser otimista porque a realidade está ai bem escancarada. Dias melhores e esperança não caem do céu de graça. O povo tem que se levantar e se indignar com esse quadro tão degradante, para que as coisas mudem. Nada se consegue sem sacrifício e sofrimento, a não ser para eles que se especializaram em roubar a dignidade da população brasileira com suas canalhices, malandragens e ladroagens.
DESABRIGADOS
Tem pesquisas que só dizem o óbvio ululante, porque qualquer pessoa com determinado nível de instrução já sabe. Essas pesquisas só têm sentido em termos de quantificação. O IBGE, por exemplo, concluiu que a pandemia do coronavírus aprofundou ainda mais o fosso entre ricos e pobres. Os números negativos das desigualdades sociais são altos. Isso já está bem visível aos nossos olhos com o aumento da pobreza, dos desabrigados, dos milhões de desempregados e de outros milhões vivendo na miséria, como bem mostram as imagens clicadas através das lentes do jornalista Jeremias Macário nas ruas e avenidas de Vitória da Conquista. Essas pessoas, que têm uma profissão, (um deles é motorista) estão nas ruas pedindo socorro, passando fome e necessidades de todos os tipos. São de todos lugares como estes personagens das fotos que vieram de Minas Gerais e não têm mais como retornar às suas terras. São como refugiados dentro do seu próprio país que, infelizmente, abandonou seus filhos, numa pátria onde o slogan diz que é amada. São quadros tristes e impactantes, mas que devem ser mostrados. Alguém já disse que o “homem sem pátria é como o rouxinol sem jardim”. É assim que muitos se sentem no Brasil, tão rico com um povo tão pobre. Achamos que não temos culpa pelo que está acontecendo, mas foi a nossa sociedade, com a qual compactuamos, quem criou a fome e a violência.
A FOME TEM A CARA DA MORTE
Foi no clique de suas lentes, na sinaleira da Avenida Luis Eduardo Magalhães, em frente do Estádio Lomanto Júnior, em Vitória da Conquista, que o jornalista Jeremias Macário registrou a cara da danada fome que deixa milhões de brasileiros subnutridos, levando-os até à morte.
A imagem do cartaz “AJUDE, TÔ COM FOME” contém muito mais que mil palavras. É inesgotável, e cada um procura descrever de acordo com seus sentimentos, suas emoções, racionalidades e revoltas. Por si só já é uma imagem de protesto e de denúncia. Sua face é séria e sisuda.
Tem o ditado que diz que ela tem pressa, e essa pessoa com o cartaz na mão, na sinaleira, comprova muito bem isso pelo seu semblante triste de quem pede socorro e misericórdia. Ela estava ali representando milhões de brasileiros que ainda passam fome em pleno século XXI.
Ela (a fome que tem a cara da morte) tem várias origens, desde os desmandos, as más gestões dos governantes e políticos até a corrupção que rouba o pão da boca dos pobres miseráveis. São cenas tristes que, infelizmente, ainda temos que registrar em nossas cidades e em todo Brasil.
Quando ela bate no estômago, a dor se alastra por todo o corpo e vai até o espírito. Digo isso porque já fui vítima dela pelas ruas de Salvador no começo dos anos 70 quando estava iniciando meu curso de Jornalismo na Universidade Federal da Bahia.
Lembro muito bem de tudo quando sempre passava pelas avenidas Carlos Gomes e a Sete de Setembro nos horários de almoço e jantar em frente de bares e restaurantes. Via aquelas pessoas lá dentro se alimentando, e a dor ficava ainda mais doída, mais latente. Ela causa zonzeira na mente e na alma.
Infelizmente, ela está cada vez mais se alastrando pelo país a fora, principalmente agora com os mais de 14 milhões de desempregados e tantos outros milhões que não ganham nem um salário mínimo. É sim, uma vergonha, e não dá para ter orgulho do seu país assim, convivendo com ela lado a lado.
BONS TEMPOS
No clique do jornalista Jeremias Macário, quem não se lembra dos bons tempos dos barzinhos na Praça do Gil? Quando aqui cheguei para chefiar a Sucursal A Tarde, no início dos anos 90, a Praça do Gil (homenagem ao pai de Gilberto Gil) era o ponto de encontro de amigos e namorados nos finais de semana, para tomar umas geladas e comer gostosos tira-gostos. Difícil era encontrar uma mesa para sentar. Era um divertimento só, e não nego que era um frequentador aos domingos. No entanto, tinha um lado negativo que vinha justamente dos carros de som que perturbavam os moradores dos prédios vizinhos. Houve até processos na justiça, e fiz matérias sobre o assunto, reprovando a ação dos baderneiros. Realmente, esse carros de som tiram o sossego dos moradores em qualquer ponto. Depois que começaram a abrir bares na Avenida Olívia Flores, onde se tornou ponto de encontro, a Praça do Gil se transformou num local bem mais tranquilo, e serve até para meditação e parada para se refletir. Ela continua famosa e conhecida de todos os conquistenses. Voltou a ser um local aprazível para se morar.




























