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:: ‘De Olho nas Lentes’

SÓ AS AVES CONSEGUEM

Bem em frente, na porta do nosso Espaço Cultural a Estrada, onde há dez anos são realizados nossos saraus (interrompidos com a pandemia), uma espécie de pássaro (topete vermelho) fez um ninho majestoso e criou seus filhotes. Tivemos o cuidado de preservar a árvore (florida durante todo o ano) que já estava dificultando a abertura da porta. Discretamente sempre olhava, e fiquei a imaginar o quanto é imensa a sabedoria da natureza. O que mais me chamou a atenção foi a perfeição e o cuidado que o casal teve para montar a casa para seus filhotes. Só as aves conseguem essa perfeição, por mais que o ser humano seja um grande artista artesão. Lembrei do João-de-Barro, da coruja, da arara e de outras aves que constroem seus ninhos bem arquitetados e com toda perfeição. Acompanhei toda trajetória desses pássaros, desde a confecção do ninho, feito de fiapos de capim e outras plantas, até as horas que eles traziam alimentos nos bicos para seus filhos. Era uma alegria só! O mais encantador foi quando os pequenos ganharam as asas da liberdade e voaram pela primeira, tornando-se independentes. Só as aves conseguem essa proeza. Sempre eles retornam para visitar o ninho.

INDIVIDUALISMO E COMODISMO

Um dos males do nosso país é o individualismo, muito parecido com o comodismo, que anda de mãos dadas com o desrespeito aos outros. Ele está visível em todas as partes, principalmente nessa época de pandemia onde ainda tem gente imbecil que berra ser livre para andar sem máscara, e até não tomar a vacina. No trânsito ele anda a mil por hora. Sinceramente, é de dar raiva! Os caras param bem em frente de um sinal proibido e liga o alerta, como se isso estivesse acima da lei de trânsito e anulasse o sinal de que ali não pode parar. Em frente ao Banco do Brasil, na Avenida Olívia Flores, é de estarrece como o ser humano é individualista e comodista. Existe a sinalização horizontal e vertical indicando não estacionar, mas o motorista comodista insiste. Só falta parar o carro dentro do banco. Logo mais na frente tem uma transversal onde existem vagas, mas o indivíduo acha que dá muito trabalho ir até lá e voltar andando até a agência para realizar sua transação bancária. Confesso mesmo que não consigo entender essa gente. Dia desses, presenciei a chegada de agentes do trânsito que ainda tiveram a tolerância de chamar a atenção dos donos dos veículos irregulares de que no local é proibido estacionar, e lá está a sinalização. Será que eles são cegos e dirigem? Por toda a cidade, a desobediência às leis de trânsito estão por todas as partes através de dirigir e falar no celular; não usar o cinto de segurança; dar “roubadinhas”;  e estacionar nas avenidas Juracy Magalhães, Luís Eduardo e outras, tomando uma pista. Essas pessoas não deveriam viver em sociedade, pois elas nem estão aí para os outros, e ainda chamam os políticos de safados, ladrões, corruptos e egoístas.

É TEMPO DE REZAR

Nessa pandemia onde os brutos se infestam nas festas, baladas e aglomerações, com mais de 200 mil mortes no Brasil, o que mais se fala é se ter esperança e fé, de que tudo vai passar. A questão é quando tudo isso vai passar. Com tantas incertezas, num país sem comando, é tempo de rezar e se meditar sobre a vida e a morte. Dar um mergulho em si mesmo. O povo brasileiro está sem um guia. Aliás, tem um capitão na presidência que só fala barbaridades e torce para que mais pessoas morram quando dificulta os programas de isolamento e o processo de vacinação, soltando fake news  de terror para seus seguidores malucos extremistas. Na tormenta, o nosso povo se apega na fé e na religião, de acordo com o credo de cada um, mas isso só não basta. Está escrito nas escrituras quando Deus disse: Faça por ti que te ajudarei. Temos que reagir, denunciar, protestar, contestar para que essa situação de desastre e abismo se dissipe, para que essa tempestade cesse e tenhamos dias melhores. Não basta só ter otimismo. Muitos têm encontrado paz e mais tranquilidade na Igreja e na Praça Tancredo Neves. O local nos faz refletir sobre esses momentos tão cruéis e de tantas perdas de parentes e amigos para esta peste que está ceifando vidas humanas em todo planeta. Cada um reza ao seu modo. A imagem da foto clicada pelo jornalista Jeremias Macário nos leva a várias reflexões, como a de não ser egoísta e individualista, bem como, preservar a nossa natureza e sermos mais humanos no sentido filosófico do ser.

ILUMINAÇÃO INDEVIDA

Fotos de Jeremias Macário

Com toda essa pandemia infestando e ceifando vidas, que no Brasil já são quase de 2oo mil, (um dos maiores índices do mundo-coisa que nos envergonha), a Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, agora comandada pelos interesses dos lojistas, resolveu fazer essa iluminação indevida da Praça Tancredo Neves, para atrair mais gente a fazer aglomerações. Por respeito aos mortos (não estão nem ai para quem se foi), neste ano não deveria ter iluminação, em sinal de luto e pesar pelos parentes que perderam seus entes queridos. Além de ser uma grande irresponsabilidade, demonstra uma má gestão e falta de senso (a insensatez tomou conta deste país) porque a iluminação terminou por gerar aglomerações, numa Conquista de portas escancaradas para a entrada dessa maldita Covid-19. A contaminação e o número de mortes só faz crescer, mas a iluminação dos comerciantes está acima da vida. O prefeito, ou as prefeitas, decidem e não aparece um assessor criterioso e profissional (sem bajulação) para alertar que essa iluminação não deveria ter sido instalada neste ano. Ficaria bem mais decente o executivo vir a publico e explicar os motivos de dispensar a iluminação. É uma questão de sensatez. O próprio secretário de Cultura deveria fazer esse alerta. Para que servem os assessores, que não cumprem seu verdadeiro papel de assessorar, orientar e aconselhar? Infelizmente, assessor no Brasil só presta para bajular o chefe e fazer tudo que ele manda, sem contestar e advertir. É um salário fácil pago pelo contribuinte.

BONITO, MAS ORDINÁRIO

Bonito à primeira vista com sua armação nova, mas em pouco tempo vai se tornar num ordinário e fumacento, esta “reforma” do Terminal da Lauro de Freitas, um lugar já apertado para a população de Vitória da Conquista, com cerca de 350 mil habitantes. Sempre defendi  que neste local, que já foi chamado de “cabeça de porco”, fosse transformado numa praça arborizada e limpa, com quiosques e pontos de encontros e relaxamentos. Uma Estação de Transbordo deveria ser construído num local bem mais espaçoso, ali pelas imediações do Gancho (uma sugestão), e as pessoas pegariam outro ônibus para o centro, passando rapidamente pelo Terminal e retornando para a nova Estação. A cidade não suporta mais ônibus circulando pelo centro, como Cerqueira Campos e outros lugares. Essa nova obra de reforma do Terminal é um mimo para satisfazer os caprichos dos lojistas, que sempre acham que vendem mais naquela poluição sonora e visual, sem falar nas sujeiras das fuligens saída das descargas dos veículos. Ali, em minha opinião, como cidadão conquistense, deveria se transformar num calçadão, com barracas padronizadas e até com alguns barzinhos culturais para se curtir à noite, como se fosse um espaço artístico cultural com shows musicais, com bebidas e petiscos. Em pouco tempo, esse Terminal vai voltar a ser um “fumacê cabeça de porco”, feio e sujo como sempre foi. Vai ser um espaço apertado, desconfortável e ordinário. Mais uma vez, o dinheiro do povo está sendo jogado fora. Trata-se de uma obra eleitoreira, sem planejamento e visão futura. Fotos de Jeremias Macário

NO PASSO A PASSO DA SUBIDA

O clique das lentes da máquina do jornalista e escritor Jeremias Macário seguiu o passo a passo da cidade de dois cachorros na subida cansativa da praça entre dois senhores numa conversa animada, ou preocupada com a atual situação. Não se sabia se eles eram seus donos, mas tudo aparentava que sim, porque os animais não perdiam o ritmo e nem paravam para descansar. Se não eram seus donos, eles nem percebiam que estavam sendo seguidos, inclusive pela minha indiscreta máquina. São coisas do dia a dia da cidade que passam despercebidas das pessoas que vivem em correrias para resolver seus problemas, pensativas quanto as dificuldades de cada um, principalmente neste momento de pandemia. Sorte deles (os animais) que não precisam de protocolos para andar nas ruas, e nem sabem o que está acontecendo nesse mundo do vírus matador. No entanto, os nossos cachorros também são vítimas do abandono de seus donos que, insensivelmente, largam seus bicho nas ruas, sem proteção e os devidos cuidados. Eles sempre são vistos nos becos e nas esquinas, batalhando uma comida e agua para continuar sobrevivendo. Perambulam por ai, enquanto o poder público promete criar um centro de zoonose, para tratá-los como deveria ser. Algumas entidades têm feito algumas ações para minorar seus sofrimentos, mas são muitos que continuam vagando sem seus donos, e logo o cachorro que tem sido tão fiel ao homem, o qual  deveria, pelo menos, corresponder com suas amizade e fazer o mesmo.

A MOTO E O TRÂNSITO

A motocicleta (originária da bicicleta) veio primeiro que o veículo motorizado. No início eram as charretes e carruagens charmosas que conduziam os senhores do dinheiro, puxadas por cavalos. As carruagens lembram os tempos do oeste norte-americano do faroeste. Depois chegaram os carros antigos para revolucionar o transporte e, como todo progresso vem junto também seus efeitos negativos para os humanos, esse meio de locomoção exigiu a construção de vias, ruas e rodovias transitadas que começaram a provocar acidentes com vítimas fatais. Começaram os engarrafamentos nas cidades, e ai a indústria cuidou de fabricar as motos para agilizar o transito das pessoas. Acontece que elas, de duas rodas perigosas, viraram símbolos da morte por causa da imprudência dos condutores que passaram a costurar o trânsito para chegarem antes dos veículos em seus locais de destino. Subiram, alarmantemente, o número de acidentes, a maioria com mortes, quando não deixam graves sequelas no indivíduo. Como gafanhotos do trânsito, os motoqueiros se metem entre os veículos, cortando por todos os lados e depois culpam os motoristas dos veículos. Dificilmente um motoqueiro reconhece que entrou errado e terminou sofrendo um acidente. Sempre colocam toda culpa no veículo de quatro rodas por ser maior. Nos últimos anos, cresceu, assustadoramente, o número de motos (foto do jornalista Jeremias Macário) rodando nas ruas de Vitória da Conquista. Essa elevação de motos na cidade está diretamente ligada com o aumento de mortes no trânsito, por falta de responsabilidade dos motoqueiros, pois se trata de um meio de condução que exige muito cuidado e prudência.

UM POVO EM CORRERIAS

Venho aqui em nosso espaço fazendo uma série de comentários sobre a “História do Povo Cigano”, do grande estudioso no assunto, o acadêmico britânico, Angus Fraser. É um povo alegre, mas sua história é muito triste porque sempre viveu em correrias desde os primeiros séculos da cristandade. Alguns pesquisadores concluíram que os ciganos vieram da Índia, do Hindu (Hindi), tomando como base sua língua Romani e seus costumes das tribos daquele país. Em suas andanças pelos Balcãs, pela Grécia e por toda Europa Ocidental e Oriental eram chamados de os “Egípcios” e até sarracenos. Acolhidos no início como peregrinos, logo depois, entre os séculos XV ao XIX foram tremendamente discriminados como inúteis, preguiçosos, trapaceiros e vagabundos, como uma praga que tinha que ser exterminada. Em vários países e impérios foram torturados, esquartejados, presos, degolados, marcados em ferro e acometidos de outras atrocidades, simplesmente por serem ciganos. Foram escravos por mais de trezentos anos na Romênia, como os negros africanos, e jogados nas galés. No período nazista, mais de meio milhão foram sacrificados e exterminados como os judeus. Sempre quiseram impor o sedentarismo num povo de estilo nômade. Os preconceitos e as rejeições continuaram no pós-guerra (Segunda Guerra Mundial) e ainda persistem até hoje. Os ciganos, com seus espíritos festivos, estão associados à música e aos cavalos (fotos), seus companheiros nos negócios e no transporte de um lugar para o outro, mas também lidam com a metalurgia, o artesanato e com a leitura da mão, ou da sina, no caso das mulheres.

NATAL CHEGANDO!

Como o tempo passa rápido! O Natal novamente está chegando às nossas mesas, e olha que está foto está completando um ano de confraternização. Não é uma data que me deixa muito alegre, talvez pela banalização que ela se tornou em nosso mundo real desumano onde as pessoas em geral só pensam em consumir, sem muito olhar para seus semelhantes. Mesas recheadas em muitas casas, quando milhões no Brasil (mais de 30 milhões) passam fome. Neste ano vai ser um Natal diferente, mais restrito por causa da pandemia que no Brasil já ceifou mais de 170 mil vidas. Triste para quem perdeu seus entes queridos para este vírus que separou muita gente, e nos levou ao isolamento. Diante de tantas desigualdades sociais, de injustiças e quando poucos são os detentores de tantas riquezas e muitos ficam com pouco, não dá para festejar com alegria. Quando nosso meio ambiente está sendo destruído por um governo bárbaro, não dá para comemorar. Vamos fazer um Natal mais reflexivo, e sem consumismos exagerados. Que uns pensem nos outros, mas o Natal está chegando para nos saudar.

A PRAÇA É NOSSA POESIA

Nas lentes do jornalista Jeremias Macário, em ângulos diferentes, a Praça Tancredo Neves respira gente, muitas árvores, flores, palmeiras, água, aves e poesia. Como dizia o poeta, a  praça é nossa, como o céu é do Condor, e essa é de todos os conquistense a mais visitada. É para lá que muitos vão namorar, meditar, rezar e até fazer suas poesias em homenagem à natureza, à vida, à morte e ao ser humano. Nela também está um monumento que homenageia muitos baianos que foram tombados durante a ditadura civil-militar de 1964, por discordarem do regime opressor dos generais. Em maio de 64, uma tropa de 100 soldados invadiu Conquista para prender e cassar cerca de 100 políticos, vistos pela ditadura como subversivos e comunistas, inclusive o prefeito Pedral Sampaio, que foi arrancado, inconstitucionalmente, à força do seu cargo. A ditadura passou, mas a praça com suas ideias continua nossa. É lá que as pessoas vão se relaxar do estresse do dia a dia. Pena que muitas outras da cidade andam meio abandonadas e sem o devido cuidado, como a da Tancredo Neves, bem no centro da cidade, sempre exibindo toda sua exuberância em união permanente com o céu e a nossa alma. É o nosso cartão postal. É o coração verde que pulsa e bomba o sangue para todo nosso corpo.





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