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:: ‘De Olho nas Lentes’

TERRA ARRASADA

Foto do jornalista Jeremias Macário de uma terra arrasada, não somente pela natureza da seca, mas, sobretudo, pelas mãos assassinas do homem que desmata e não pensa nas novas gerações. Estamos caminhando para o extermínio, não da terra, mas do perverso ser humano

O SERTÃO CINZENTO

Foto do jornalista Jeremias Macário em suas andanças quando registrou o sertão cinzento castigado pela seca. O que pode ser uma linda imagem é também tristeza para o sertanejo que sofre a inclemência da estiagem com a perda de suas lavouras e de seus animais que morrem de sede. Pode até ser poético, mas remete a uma natureza morta onde o homem, sem saída e ajuda, bate em retirada para sofrer ainda mais longe da sua terra querida. Quando cai a chuva o cinzento se transforma e se derrete todo em verde. Ai o sertanejo retorna para começar tudo de novo e fazer a sua roça e criar seus animais.

ASSIM NASCEU CONQUISTA

Foto reprodução de José Silva. Assim nasceu a vila do arraial de Conquista  que hoje é a terceira maior cidade da Bahia, cheia de progresso, mas também de problemas de infraestrutura para serem resolvidos pelos governantes e pela sociedade. Conquista espera por todos.

NO TÚNEL DO TEMPO

A foto reprodução de José Silva é como entrar no túnel do tempo nos primeiros anos da formação de Vitória da Conquista ,antiga vila fundada pelo desbravador João Gonçalves da Costa. A feira reunia moradores do local e da zona rural nos tempos dos coronéis. Hoje Conquista é a terceira maior cidade da Bahia, ainda carente de muitas obras de infraestrutura. O progresso trouxe bem-estar e também violência e transtornos para os moradores. Conquista precisa ser pensada como cidade grande. A feira é secular e é ponto de encontro. É pura cultura popular.

NOS TEMPOS DA FUNDAÇÃO

A velha cidade de Conquista na reprodução do fotógrafo José Silva, como entrar no tempo. Da chamada Rua Grande até o centro aqui nasceu o desenvolvimento do sudoeste baiano, tendo como fundador José Gonçalves da Costa. Hoje é a terceira maior cidade da Bahia e capital do sudoeste, cheia de belezas, atrativos e clima agradável, mas também de problemas a serem resolvidos com urgência. Ela roga por mais infraestrutura, melhor mobilidade urbana, educação de qualidade e construção de uma barragem para suprir a grande demanda de água. Cresceu com seus bolsões de pobreza como tantas outras. Ainda falta muito para ser chamada de suíça baiana. Vivo nela há quase 30 anos e a conheço. Sua história precisa ser mais estudada pelos próprios conquistenses. Tem potencial para se transformar numa cidade turística, mas falta decisão política e planejamento.

A FEIRA TAMBÉM É CULTURA

Foto do jornalista Jeremias Macário em suas andanças

A imagem já diz tudo, mas a feira não é só ponto de encontro e de negócios entre quem vende e compra. É também cultura popular milenar desde quando as pessoas marcavam um lugar para fazer suas trocas quando não existia a moeda chamada dinheiro. É assim em todo lugar ,como na Feirinha de domingo em Vitória da Conquista. É também poesia nesse mundo avançado da tecnologia das lojas presenciais e virtuais. As pessoas são mais simples, calorosas e espontâneas, bem diferente dos shoppings abafados que mais parecem com gaiolas. É um ato de prazer e bem mais humano. (Jeremias Macário – macariojeremias@yahoo.com.br)

SAUDADES DO TREM

Foto do jornalista Jeremias Macário
Que bom os tempos do trem de passageiros!Esperar na estação e ouvir o toc-toc do telegrafista e o sino a tocar avisando sua chegada! Que desastre a opção dos nossos governantes atrasados  pelas rodovias  que impactam o meio ambiente e deixaram os brasileiros dependentes das cargas pesadas nas estradas esburacadas e mal traçadas! Lembro ainda menino quando usava o trem de Iaçú (pontilhão enferrujado), passando por Itaberaba, Rui Barbosa, Piritiba (minha terra querida), Jacobina até Senhor do Bonfim onde desembarcava levando saudades. Era o chamado “Trem Groteiro”, cortando as lindas paisagens do sertão, florido ou seco, transportando gente e mercadorias, de cidade em cidade. Que saudades do trem!

CRIATIVIDADE E ARTE

Foto do jornalista Jeremias MacárioA criatividade num tronco de árvore virou uma arte e serviu para indicar o nome das fazendas. A natureza não morre renasce  em forma de arte na mão do homem.

O JEGUE DO SERTÃO

Foto do jornalista Jeremias Macário

No sertão do asfalto, não há mais espaço para o jegue que sempre esteve na lida com o homem do campo. Agora é a moto, o cavalo de aço,  que corta a paisagem, mesmo oferecendo perigo,  como na foto onde os dois transportam uma parabólica, outro instrumento do nosso progresso que acabou com a tradição.

GESTOS E DIÁLOGOS

Parece uma cena de filme captada pelas lentes do fotógrafo José Carlos D´Almeida. Gestos e diálogos numa noite festiva de um aniversário de 70 anos. A foto não fala, mas mostra expressões de alegria numa troca cordial de ideias e pensamentos, sem ódio e intolerância. As mãos  fazem o ritual e abençoam a criação.





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