Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário, ampliado e revisado

Não foi por acaso…

Que meus olhos

Cruzaram com os seus,

O amor nos levou ao altar,

Depois você partiu

Sem me dar um adeus:

Meu coração ficou a sangrar,

Como o gladiador ferido,

Na arena do Coliseu.

 

Não foi por acaso…

O desabrochar da flor,

O pousar da abelha,

Para do néctar fazer o mel:

No mistério do universo da vida,

Quando se vai do inferno ao céu,

Entre a felicidade e a dor.

 

Não foi por acaso…

Que estourou a matança,

Do povo há séculos oprimido,

Encurralado em campos de concentração,

Que atacou com armas na mão.

 

Não foi por acaso…

Que você mudou de “posição”:

Finge apoiar os excluídos,

Para ganhar audiência e projeção,

Mas continua tendenciosa conservadora,

E essa gente entra em sua onda

De senhora venenosa Anaconda.

 

Não foi por acaso…

Que o planeta entrou em ebulição:

Gases e aquecimento global,

Secas, enchentes, ciclones temporais,

Fumaças, terremotos e incêndios,

Geleiras derretendo, coisas anormais,

Guerras e muita confusão,

Onde o ser se tornou canibal.

 

 

Não foi por acaso…

Que Lampião entrou no cangaço,

No agreste nordestino,

Com seu bando traçou seu destino,

Na bala fuzilou e foi fuzilado,

Sempre com seu punhal de aço.

 

Não foi por acaso…

Que o místico Conselheiro

Criou sua comunidade social,

E sua gente foi massacrada

Pela tropa cruel e brutal.

 

Não foi por acaso…

Que a Coluna Prestes

Cortou todo o Nordeste,

Perseguida pelo governo fascista;

Prendeu e matou coronéis

Por um ideal socialista.

 

Não foi por acaso…

Que fizeram a Revolução Francesa;

Derrubaram a Bastilha;

Quebraram os grilhões da opressão;

Victor Hugo escreveu Os Miseráveis;

Nobres foram decapitados;

Tombaram intelectuais notáveis;

E até o rei e a rainha

Foram na lamina guilhotinados.

 

Não foi por acaso…

Que Lenin e Stalin

Destronaram a família Czar,

No lugar nasceu outro tirano;

Fez império por terra e mar;

Esmagou milhões de humanos.

 

Não foi por acaso…

Que Fidel subiu a Serra Maestra,

Guerreou com Guevara

Entre mata e savana,

Numa estratégia rara,

Entrou triunfal em Havana.

 

Não foi por acaso…

Que os gregos invadiram Troia,

Por causa de uma Helena,

Que do rei era sua cobiçada joia;

Aquiles matou Heitor:

Carnificina, trama e terror.

 

Não foi por acaso…

Que conheci minha Lara,

Com meu verso tracei este caso,

Mas existe também o por acaso:

Estar no lugar e hora errada;

Ser morto numa emboscada,

Porque o bandido confundiu sua cara.