A DOR DA FINITUDE
ESQUECERAM DE CITAR O CEMITÉRIO DA BATALHA
Como costumo fazer todos os anos no Dia de Finados, ontem visitei o Cemitério da Paz, da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, que fica na saída para Anagé, ao lado do Museu de Kard, e fiquei a imaginar que até depois da morte existe a divisão de classe. Uns em luxuosos caixões e túmulos de granito e mármore e outros que só têm uma cruz fincada sobre a terra nua. A dor da finitude do ser humano é a mesma para com seu ente querido que partiu para outra dimensão, mas as pessoas entre os cemitérios dos ricos e as dos pobres são diferentes, desde seus comportamentos, seus rostos, trajes e apresentações em geral, talvez até em termos de sentimentos. Uns chegam andando ou em pequenos carros usados, muitos até de amigos. Os outros com seus possantes e roupas bem mais caras e chiques. Entre os cemitérios, tem-se a visão de uma triste desigualdade social no Brasil, só que ninguém escapa da morte. Escutei choros entalados e doídos em covas simples, inclusive de uma senhora enquanto rezava e acendia as velas para seu falecido. No que pese a homenagem aos mortos, cada povo e nação tem a sua cultura própria de prestar sua reverência, até com festas e alegria como acontece no caso dos mexicanos. Cada qual com seu ritual de passagem entre vida e morte. Cada um com sua prece e manifestação para lembrar o amigo ou parente que se foi, modo de expressar a dor da finitude. Conforme consta, existem em Conquista cinco cemitérios, sendo três mantidos pelo poder público (pobres) e dois particulares (ricos), mas a mídia esqueceu de citar o cemitério da Batalha, lá do outro lado da Serra do Periperi, onde estão sepultados nossos ancestrais, como D. Loura. Segundo narra a história, foi lá onde ocorreu a batalha entre os primeiros colonizadores portugueses e os índios que habitavam esta terra.














