NO BICO DO PAPAGAIO
Autoria do escritor e jornalista Jeremias Macário
No Bico do Papagaio,
Onde bate a chuva,
O trovão e o raio,
A luta faz sua hora,
E o tempo lento chora,
Ai, ai, ai, ai, ai
Da selva brota a guerrilha,
Lá na região do Araguaia,
Goiás, Maranhão e Pará,
Cada guerreiro em sua trilha,
Da terra, companheiro,
Com sua mente libertária,
Contra a ditadura assassina,
De botas tiranas brutais,
Em plena América Latina,
Dominada pelos generais.
Os sessenta e nove idealistas,
Marcharam com seus bornais,
Na crença de uma vitória:
Mudar a nossa história,
Como nas cartas aos familiares:
Saudades, amores e dores,
Dos mortos desaparecidos,
Que ficaram sem seus rituais.
Eram mais de dez mil,
Helicóptero, metralhadora e fuzil,
Cabeças foram decepadas,
Corpos esquartejados,
Jogados no mar e nos rios,
Insepultos sem lutos,
Para apagar nossa memória,
Meu querido, minha querida!
Do pó continua aberta
Nossa sofrida ferida,
No Bico do Papagaio.
O PASSADO NÃO PASSA
Hoje acordei triste e calado, como na canção do nosso grande poeta baiano Raul Seixas. “Por que sou tão calado”? Talvez tenha sido um sonho de pesadelo ou a velhice que impiedosa bate em nossa porta para anunciar que está chegando ao fim da jornada.
Pode ser poético ou filosófico pensar nisso. Os sentimentos afloram e é difícil se livrar deles. Fazem parte da vida e da morte. Tem as criaturas caladas e aquelas que procuram disfarçar e afugentar seus fantasmas com sorrisos em seus rostos. Cada um tem suas razões de ser e não adianta julgar e tentar compreender os motivos.
O texto começa com uma cara de morbidez, tipo trapo farrapo, mas não levo jeito para esconder a fluidez do sentido. O velho Cícero, com toda sua sabedoria popular e acadêmica, quando quer sepultar todo seu passado, filosofa que o passado é passado que não deve ser remexido do seu lugar, mas ele também tem consciência de que o passado nunca passa.
Não se pode livrar dessa amarra e até diria que o passado é onde o tempo para, para contrariar Cazuza quando canta que o tempo não para. Você já parrou para matutar sobre isso? As coisas que você já fez, o que deixou de não realizar por covardia ou falta de coragem para enfrentar os desafios, o grande amor da sua mocidade que perdeu, os erros que cometeu e que não mais os repetiria e o cavalo que passou selado e você não aproveitou, tudo está lá em seu baú empoeirado.
Por mais que se esforce, você nunca vai enterrar o passado. Ele, em certos momentos, vem à tona. Eu me lembro de muitas coisas desde criança, boas e ruins, que marcaram minha vida. Meu pai que me deu uma surra! Não dá para passar uma borracha e simplesmente dizer acabou, mesmo com anos e anos de análise psiquiátrica. Não acredito em divã. Dá para “superar” uns e outros não.
O passado não passa, meu velho amigo Cícero. Na vida, a gente magoa muitas pessoas e também é magoado. São perdões que não foram perdoados. Dizem que o que aqui se faz, aqui se paga. Esses barris que se afundaram na areia movediça da vida, eles emergem e voltam a boiar na superfície, quando menos se espera.
Tem dia bom e dia de cão onde quase nada dá certo. O espírito nem sempre está preparado, sintonizado e afiado ao ponto de acertar em todos os alvos. Somos imperfeitos. Existem as fases e as crises existenciais, de sentido e não sentido da vida. Não precisa ser cristão ou não, ateu ou acreditar em Deus. Tudo vai ficando no passado que nunca deixa de passar.
Um filósofo pensador, de muitos anos de lutas e embates, de teorias e práticas, uma vez me disse que só existem o passado e o futuro, e que o presente não passa de uma mera ilusão. Você nunca toma banho duas vezes no mesmo rio corrente. Tudo que aqui escrevi já se tornou passado. Quando você finaliza um texto, um poema, uma música ou um livro, imediatamente tornam-se passados.
Os segundos, os minutos, as horas, o dia, o mês e o ano giram na roda do tempo e viram passado, quando você acha que ainda está no presente. O sol nasce e vai construindo o seu passado. Ele passa a bola para a noite fazer a virada do amanhã. O ontem já é um fantasma do passado que vai sempre nos atormentar ou nos encher de felicidade.
O SISTEMA FINANCEIRO DONO DO METAL VIL É O MAIOR CARRASCO DO BRASIL
Entra governo e sai governo, principalmente os de esquerda, mas ninguém tasca na ganância e na avareza absurdas do sistema financeiro brasileiro que massacra os mais pobres com seus juros escorchantes e escandalosos como os mais altos do mundo capitalista.
Para não dizer outras palavras, esse sistema é criminoso e conta com o aval dos governantes e políticos, inclusive dos que se arvoram ser socialistas. O maior endividamento das famílias é culpa dos banqueiros, operadoras de cartões de crédito e financeiras que praticam a brutal agiotagem oficial, carimbada pelos poderes da República. Eles não têm nenhuma moral de condenar os agiotas clandestinos.
Esse desenrola que criaram agora para tapear os otários não passa de uma enrola, um tipo de estelionato 171, aplicado na população que depois de uma conversa de “negociação”, o indivíduo sai todo contente, não sabendo que continua encalacrado, seja através do parcelamento das prestações ou com um pouco da redução dos juros estratosféricos.
Por questões pessoais que aqui não veem ao caso, esqueci de pagar duas parcelas do meu cartão de crédito – e olha que sou um cliente correto e em dia com minhas obrigações – coisa na faixa média de 200 reais por mês. Quando descobri já estava no valor de quase R$1.600,00. Um tremendo susto!
Fui ao banco para “negociar” como se diz no popular. A atendente me deu duas opções terríveis, mas fui obrigado a escolher uma, a de parcelar o valor total em oito vezes e durante esse tempo não usar o cartão de crédito. Continuei enforcado, com a corda apertada no pescoço. Ainda comentei que o sistema é bruto. Claro que não sai de lá nada aliviado e alegre.
Estou apenas citando o meu exemplo, que serve para tantos outros. Cai na real, meu amigo camarada, porque o sistema financeiro não perde absolutamente nada com esses tais desenrolas de araque! Para os ricos do agronegócio e outros setores empresariais, a taxa é menor por causa das garantias dadas. Para o pobre da classe média (nem existe mais), a cobrança é outra bem maior, a chamada taxa de risco. Quando uns não pagam, os outros fiéis cobrem o suposto prejuízo. Portanto, não existem perdas.
De três em três meses, esses bancos principais, inclusive os públicos, como Itaú Unibanco, Santander, Bradesco, BMG, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal sempre apresentam lucros de bilhões em seus balancetes, com índices de aumentos em relação aos períodos anteriores. É o setor da economia que tem mais ganhos no Brasil. São uns verdadeiros vampiros que sugam todo sangue dessas almas penadas.
Para se ter uma ideia, se houvesse uma anistia total para todos os mortais aposentados e pensionistas dos créditos consignados, dos pessoais, dos microempresários e outras pequenas formas de tomar dinheiro emprestado desses bancos e financeiras no país, nem assim eles entrariam em falência, porque são séculos de exploração e “roubo”.
Desde o império eles já encheram as burras de dinheiro e se tornaram megas estruturas financeiras que contam com a proteção dos governos, eleitos pelos mesmos magnatas. Para completar, ainda temos o absurdo dos absurdos: Quando algum banco entra em falência por corrupção praticada lá dentro dos confortáveis gabinetes, o governo federal ainda entra com o socorro, com o dinheiro do contribuinte.
Além disso, ainda existem os famosos calotes quando muitos clientes perdem seus parcos investimentos ou têm que esperar por um bom tempo para receber sua grana parcelada, sem as devidas correções monetárias. Muitos são obrigados a entrar na Justiça e morrem sem receber o que lhe é devido.
A CORRIDA FRENÉTICA POR SEGUIDORES
Não sei explicar essa relação maluca, sem lógica, que bate no meu subconsciente ou mesmo consciente (Freud explica), mas todas as vezes que essa parte fútil da mídia fala em milhões de seguidores virtuais de algum “famoso ou famosa”, que fala um monte de besteiras na internet, me faz lembrar de Jesus Cristo no deserto da Palestina com seus doze apóstolos como seus fiéis seguidores escudeiros, só que Ele disseminava a verdade.
Mesmo assim, um lhe traiu e o outro lhe negou três vezes. Esse blablabá me faz recordar também dos antigos filósofos gregos Sócrates, Aristóteles, Platão e outros que há 400 anos a. C. tinham seus alunos seguidores que escutavam atentamente seus ensinamentos. Hoje são milhões de invisíveis e volúveis alienados que podem ser conduzidos para qualquer lugar.
Além de seus discípulos, Cristo atraia multidões, para aquela época, para ouvir suas pregações, como o Sermão da Montanha, que depois se dispersavam, cada um para cuidar de seus afazeres. Já imaginou Pedro e os outros assessores num esforço danado tentando arrebanhar mais seguidores para o mestre, e o cara dizendo, não dá porque tenho muito trabalho para fazer. A mulher e os filhos me esperam em casa. Peçam perdão ao Senhor.
Mesmo com as divisões na Igreja Católica Apostólica Romana, devido aos seus monstruosos pecados, Cristo continua com seus milhões ou bilhões de seguidores pelo mundo, se bem que uma grande parte é falsa e traidora, deturpa suas palavras e quando pode passa a rasteira no outro pelo vil metal. Outros são até bandidos, marginais corruptos e usam o Seu Nome em vão.
Entremos no túnel do tempo e avancemos dois mil anos depois em plena era da tecnologia da internet, da corrida frenética do ouro por seguidores, agora de forma virtual. Atrás de uma tela de computador, tablete ou celular, a chamada “celebridade” dá suas dicas de comportamento, inventa suas piadas sem graça, faz palhaçadas, goza com idosos, gays, faz o politicamente correto e incorreto, canta seus lixos e se vira como pode para viralizar e aumentar seus seguidores, muitos dos quais através dos chamados torpedos.
A disputa, meu amigo e amiga, é acirrada! Qualquer coisa é válida para derrubar o adversário. A “máquina registradora” acelera e vai contando os números de cliques ou curtidas nos sininhos. Não existe ética para ultrapassar os milhões. A mídia anuncia que fulano ou fulana já tem cinco, dez, vinte, cinquenta ou até cem milhões de seguidores.
E eu aqui sou um lascado inútil e fracassado que não usa nem 10% da minha inteligência para conseguir um mero seguidor, nem minha mulher, filhos, sobrinhos e primos que discordam da maioria das minhas ideias e pensamentos. Será que existe algum amigo meu seguidor que eu nem saiba? Pelo menos já daria para fazer um protestozinho.
Até me xingam de que tenho obsessão compulsiva e transtorno mental em querer ser o dono da verdade. Sou um merda! Eles têm o poder do “convencimento” com suas lábias. Gira a roleta e façam suas clicadas! Só me resta ficar aqui em meu canto solitário, lendo e escrevendo, esperando a dita cuja bater em minha porta. Não sou mesmo um sujeito eleito e digno dessa “felicidade”!
Pronto, o céu não tem limites! Fico a imaginar esses milhões de seguidores no mundo real, todas atrás desses caras, também chamados de influenciadores ou influenciadoras – antigamente o jornalista era classificado como formador de opinião – gritando palavras de ordem para fazer uma revolução político-social, mas eles são imaginários e não vão estar lá.
Com tantos milhões de virtuais, por que o dono ou a dona desses rebanhos não experimenta se candidatar a deputado federal, senador e até presidente da República? Será que todos seguiriam ou apenas meia dúzia de fanáticos arriscaria dar seu voto? Daria para confiar neles?
Mais uma vez fico a matutar com meus botões que esses “artistas passageiros” são perigosos e podem levar uma multidão até ao suicídio, como fez o pastor Jim Jones em sua comunidade na selva. Podem derrubar governo e marchar contra Brasília. A agência de inteligência, a tal Abin, tem que ficar de olho nessa gente. A coisa é série, meu companheiro e camarada! A floresta é selvagem de animais ferozes.
– Eu tenho cinco milhões de seguidores. – Ultrapassei os dez milhões – grita de lá o concorrente. – Ah, meus admiradores são mais de setenta milhões! – Loucura, atingi os 100 milhões – fala o bambambã da arte da sedução. Tudo é válido nessa corrida do ouro, ou do tesouro escondido nas íngremes montanhas ou cavernas misteriosas cheias de perigos e monstros.
Vence quem for o melhor Indiana Jones do filme dos ianques. Aliás, são eles os inventores dos tais seguidores, influenciadores virtuais (virtual influencier), dos podcast. Nome bonito e charmoso! Temos que seguir seus passos, mesmo que seja tão somente para imitar, como os papagaios de piratas.
FORMIGA RESISTE EM PERDER AS ASAS
Carlos González – jornalista
Ninguém com bom senso, mesmo aqueles que se mostram ausentes do universo esportivo, vai desconhecer o papel da alagoana Marta no aperfeiçoamento e promoção do futebol feminino neste planeta, traduzido no justo reconhecimento da FIFA, homenageando-a com o título de “Melhor do Mundo” em seis edições do ambicionado prêmio. Mas, aproveitando este raro momento em que a imprensa abre espaço para o Campeonato Mundial que está sendo disputado na Austrália e Nova Zelândia, peço os aplausos das arquibancadas para uma outra mulher nordestina, a baiana Formiga.
Nascida Miraíldes Maciel Mota, em 3 de março de 1978, Formiga chegou a conclusão, aos 12 anos, que a bola lhe dava mais prazer do que brincar com as bonecas. Três anos depois deixou Salvador e os estudos para vestir a camisa do São Paulo, seu clube de coração. Iniciava no Tricolor paulista uma longa carreira no futebol, que só terminou no ano passado, com 44 anos, atuando no mesmo time onde começou.
Entre essas duas passagens pelo São Paulo, Formiga jogou por 19 clubes, no Brasil, Suécia e Estados Unidos, onde não ganhou tanta projeção. A camisa que caiu bem em seu corpo franzino foi a amarelinha da Seleção Brasileira, que vestiu 151 vezes, um recorde que era do lateral direito Cafu. Entre 1995 e 2020, a baiana colecionou outros recordes: sete participações em Mundiais e sete em Jogos Olímpicos, além de Pan-Americanos e Sul-Americanos.
O futebol não deu a Formiga a tão desejada independência financeira, talvez pelo fato de não ter permanecido por mais tempo no exterior ou de nunca ter sido relacionada para receber o Prêmio FIFA, ao contrário de Marta que soube aproveitar os períodos passados na Suécia e Estados Unidos. A craque adquiriu há dois meses uma mansão em Orlando (Flórida, EUA) por R$ 8,5 mi, onde vai morar com Carrie Lawrence, sua namorada e companheira no time do Orlando Pride.
Nas conversas sobre futebol, Formiga revela que sua equipe inesquecível foi a Seleção que venceu o Pan de 2007 no Rio de Janeiro, derrotando na final as favoritas norte-americanas, campeãs mundiais, diante de um público de 70 mil pessoas. Ao seu lado estavam as companheiras Marta e Cristiana.
“A partir daquele jogo com o Maracanã lotado o Brasil passou a enxergar o futebol feminino. Vencemos os seis jogos sem tomar um gol e marcamos 33, sendo 5 contra as americanas. Naquele mesmo ano fomos vice-campeãs mundiais, atrás da Alemanha.- recorda Formiga, que se orgulha de ter formado o trio que revolucionou o futebol feminino no país, ao lado de Marta e Cristiana.
Imortalizada no Museu do Futebol, ocupando junto com Marta a Sala Anjos Barrocos, onde só havia jogadores homens, e homenageada pelo cartunista Maurício de Sousa como personagem da Turma da Mônica, Formiga sonhava com uma convocação para a Copa do Mundo da Oceania, para ter uma despedida meritória, como a que foi proporcionada a Marta. Seu objetivo é permanecer no futebol como técnica ou gestora. No momento, a ex-jogadora está comentando o Mundial para o Grupo Globo.
Não vai haver mais Marta, Formiga e Cristiane. Este trio se dedicou cem por cento, deu sangue, deu alma, deu coração, e formou uma base para as meninas que estão chegando hoje – ressaltou Formiga, aproveitando para mandar um recado às suas sucessoras na equipe nacional, que estavam se preparando na Austrália para a estreia na Copa: “O futebol está passando por um processo onde não há mais uma grande distância entre os países”.
Eliminação precoce
Depois de exatos 30 dias de adaptação na Austrália, a Seleção Brasileira foi uma das primeiras “surpresas” do Mundial, ao cair na fase de grupos diante da modesta Jamaica, cujas jogadoras tiveram que fazer uma “vaquinha” para pagar as despesas de viagem. Outras equipes favoritas à conquista do título também ficaram pelo caminho, inclusive as quatro campeãs do mundo: Estados Unidos (quatro vezes), Alemanha (duas), Japão e Noruega (uma vez cada).
“O choro de hoje pode se transformar num sorriso daqui a um ano nas Olimpíadas de Paris”. Palavras de consolo da experiente Marta, que esteve em campo durante quase toda a partida contra a Jamaica, empenhando-se pela vitória que alimentaria o sonho da conquista de um troféu que vai continuar faltando em sua carreira.
Ao contrário dos mundiais anteriores que passaram despercebidos da maioria dos brasileiros, a nona edição do torneio foi muito badalada pela imprensa, especialmente pela Rede Globo, que tirou o torcedor da cama mais cedo para assistir aos jogos, transferindo para o povão, carente de prazeres, uma dose exagerada de otimismo.
Nos bairros pobres, ruas foram ornamentadas de bandeirola; moradores se cotizaram para que fosse servido um reforçado café da manhã; a batucada acordou aqueles que insistiam em ficar na cama; folgas no trabalho e ponto facultativo nas repartições públicas e estudantes fora das escolas. Não importava se as partidas iniciavam às 4 horas da madrugada ou às 7 da manhã .Esse excesso de confiança atravessou mares e montanhas e chegou à longínqua Oceania, mexendo com o psique das nossas meninas, que sentiram nos ombros o peso da carga de responsabilidade. A Pátria voltou a calçar chuteiras, diria, se fosse vivo, o jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues, autor da célebre frase: “O futebol é o ópio do povo”.
Como sempre ocorre após as derrotas “inesperadas” da Seleção foi aberta a caça ao culpado ou culpados. As “armas” foram inicialmente apontadas para a técnica, a sueca Pia Sundhage, que viajou o mais rápido possível para o seu país, acompanhada das três assistentes, de onde mandou um bilhete para Ednaldo Rodrigues, presidente da CBF, pedindo para continuar à frente da Seleção feminina até os Jogos Olímpicos do próximo ano.
UOutro alvo das críticas de parte da imprensa esportiva do Rio e São Paulo, preconceituosa com relação ao nordestino, foi o Ednaldo Rodrigues. Eleito em março de 2022 para a presidência da CBF, o Nadinho dos babas de Vitória da Conquista, não “caiu nas graças” dos que viviam bajulando os ex-dirigentes, julgados e condenados por atos ilícitos. O conquistense, que chegou ao cargo de maior projeção no futebol brasileiro, foi desaprovado ´pela demora em escolher o substituto de Tite no comando do time masculino. Certas matérias dos jornais revelam nas entrelinhas o rótulo de “pé frio” dado a Ednaldo Rodrigues, ressaltando que sob sua gestão seleções nacionais perderam os Mundiais do Qatar, da Austrália-Nova Zelândia e o Sub-20 na Argentina.
A CBF ainda não tomou uma decisão sobre o futebol feminino. Após a eliminação do Mundial, Ednaldo prometeu maiores investimentos. Por sugestão da ministra dos Esportes, Vera Moser, o Brasil é candidato a promover a próxima Copa do Mundo, em 2027. A FIFA escolherá o local ainda este ano.
“A MORTE DE IVAN ILITCH”
Ele viveu falando e dialogando com a vida e a morte. O que é o certo? O que é o incorreto? A luta entre o passado pela ascensão e o dinheiro, o presente e o futuro. Ele achava ser um ente especial que não deveria ser atingido pela morte.
“A Morte de Ivan Ilitch”, de Liev Tolstói, é um conto que mistura existencialismo com espiritualismo e prende o leitor num só fôlego. “E a morte? Onde ela está”? Como narrador, o autor diz que ele estava procurando no seu antigo e habitual medo da morte e não o encontrava. Onde está? Que morte? Não havia medo algum, porque não havia a morte. Em vez da morte, havia luz.
O autor da obra é narrador e, seu personagem, fala em primeira e terceira pessoa quando se refere a ele mesmo em pensamentos sobre o que fez da sua vida e o interroga que poderia ter sido diferente, poderia ter sido melhor. Suas reflexões são um mergulho dentro de si mesmo, com pontos existencialistas.
O personagem, Ivan Ilitch Golovin, é um funcionário público russo, juiz de instrução, bem-sucedido. Casa-se com uma mulher exigente e por isso se dedica ao trabalho até ser um magistrado respeitado. Esse trabalho torna-se um refúgio para evitar a família.
Um dia ele adoece e começa a sentir fortes dores nos rins. Os médicos não conseguem diagnosticar seu problema. O ferimento agrava-se e Ivan passa a sofrer e a penar ao ponto de não ter mais domínio sobre si. A partir daí ele passa a questionar a vida e a morte, mas deseja morrer para se livrar das dores.
Ivan começa um longo processo em busca do sentido da vida e percebe que teve poucos momentos de significado. Eu acho uma hipocrisia fingir que o sofrimento me impede de fazer coisas práticas – confessa para um amigo.
Em certo momento da sua vida de enfermo, ele acha que, por ser um grande funcionário de uma boa posição, não deveria ser morto. Sente que é invejado. No conto, o autor trava um embate filosófico onde o personagem diz não conseguir entender que estava morrendo.
Ivan estudou a lógica do filósofo alemão Kiesewetter onde afirma que “Caio é uma pessoa, as pessoas são mortais, portanto, Caio é mortal”. Para o personagem estava correto em relação ao Caio (um Zè Ninguém comparado ao nosso), mas não em relação a ele. Caio era uma pessoa geral, e isso era perfeitamente justo; mas ele não era o Caio e nem uma pessoa geral. Ele sempre fora muito especial em relação a todas as outras criaturas.
No conto, Tolstói escancara a sociedade de mentiras, das pessoas que procuram viver de aparência imitando os mais ricos, como fazia o seu personagem. Em sua doença, ele gostaria de receber carinhos, de ser paparicado e que tivessem pena dele. O que ele via nos rostos da mulher, dos filhos e amigos era só mentiras.
No final da sua morte, o autor narra que todos os três dias, durante os quais, para ele, não havia tempo, ele rolava dentro daquele saco preto, para dentro do qual uma força superior e invisível o empurrara. Ele lutava como luta um condenado à morte nas mãos do carrasco, sabendo que não pode se salvar; e a cada minuto ele sentia que, apesar de todos os esforços da luta, estava cada vez mais próximo daquilo que o aterrorizava.
Desde o início da doença, conforme narra o escritor, sua vida dividira-se em dois estados de espírito opostos, que substituíam um ao outro: Um era o desespero e a expectativa de uma morte obscura e horrível; o outro era a esperança e o interesse em monitorar as atividades de seu corpo.
Tolstói nasceu em 1828, em Yasnaya Polyana, na Rússia, no tempo do czar, na propriedade rural de seus pais. Ingressou na Universidade de Kazan para estudar línguas orientais, mas abandonou o curso para ir a Moscou e depois para Petesburgo. Em 1851 alistou-se no exército, servindo no Cáucaso onde começou sua carreira de escritor. No auge do sucesso passa a ter sucessivas crises existenciais. Fugiu de casa aos 82 anos para se retirar em um mosteiro, mas faleceu a caminho vítima de pneumonia, na estação ferroviária de Astápovo, em 1910, quando já estava a caminho as revoluções socialistas de Lenin, Trotsky e Stalin.
LOJISTAS DE RUAS
No Brasil e em outros países também, cada um se vira como pode. Nas esquinas, nos semáforos, ruas e avenidas sempre nos deparamos com lojas de móveis, como cadeiras, mesas, sofás, objetos de decoração, estofados, banquinhos e até louças e pratarias, sem falar em artesanatos diversos. Muitos são viajantes ambulantes que rodam o Brasil em caminhões comercializando móveis por onde passam. A maioria desses comerciantes é do Nordeste que se aventura para sobreviver porque não tem condições de montar seu próprio estabelecimento fixo. Essas pessoas trabalham na informalidade para se livrar da burocracia do Estado que é pesada. Esses “lojistas de ruas”, apesar do desconforto que levam na vida, eles levam como vantagem vender seus produtos por preços mais em conta e ainda têm uma boa pechincha a oferecer. Não deixam de ser aventureiros. Como se diz no popular, é o jeitinho brasileiro de ganhar a vida. Nossas lentes flagraram um desses lojistas temporário instalado na Avenida Filipinas, no semáforo da Rua Ulisses Guimarães, próxima do Hospital de Base.
TÃO FALADO E ODIADO!
Autoria do escritor e jornalista Jeremias Macário
Terra árida nordestina,
Do Assaré retirante,
Na “Triste Partida”
Da sua terra, amante,
Sou essa gente latina,
Tão falado e odiado
Por andantes trovadores,
Cordelistas e repentistas,
Escritores, mestres e doutores,
Da Bahia, Maranhão ao Ceará,
De todo estado nosso irmão,
Que ultrapassaram além-mar,
Desde os tempos coloniais,
No melaço dos canaviais,
E nas manchetes dos jornais.
Sertão agreste nordestino,
Pelos coronéis, escravizado,
De tanta canção que nos encantou,
No voo lamentoso da Asa Branca,
Na palavra libertária do Conselheiro,
Que deu voz ao catingueiro;
Da Coluna Prestes,
Que cortou nosso chão,
Como os jagunços de Lampião,
Onde nasceram os bravos e fortes,
Com suas tradicionais culturas,
Escritas nas lápides das sepulturas.
Tão falado e odiado,
Sou o Nordeste,
Não sou trapo farrapo,
De nazistas sulistas,
Senhores opressores,
Imigrantes intolerantes,
Que derrubam nosso cerrado,
Com suas cercas farpadas,
E ainda sugam nossos canais,
Das águas do “Velho Chico”
E nos chamam de macaco-mico,
Seus extremistas venais.
E OS NOSSOS OUTROS APAGÕES?
NO VENTRE DA BARRIGA DA MÃE SE VIVE UM APAGÃO DE NOVE MESES. DEPOIS HABEMOS LUZ. UNS CONTINUAM SENDO ILUMINADOS E ILUMINANDO OS SERES POR ONDE PASSAM. OUTROS, INFELIZMENTE, PERMANECEM APAGADOS E PASSAM A VIDA SEM SER VIVIDA. NEM SÃO NOTADOS.
O apagão elétrico dos nossos tempos tecnológicos da era da informática e da inteligência artificial nos deixa desesperados, angustiados e ainda mais estressados. É a internet que não funciona, o metrô que para, o trânsito que fica louco sem os semáforos, os doentes que correm risco de vida nos hospitais, os alimentos que se deterioram nos frízeres; perdem-se bilhões nos negócios e até a violência com mortes aumenta nas grandes cidades. Os bandidos aproveitam para cometer suas atrocidades.
Quando era menino na pequena cidade de Piritiba, lembro do velho gerador a diesel que só funcionava das 18 às 22 horas, como se marcasse a hora de se recolher para dormir. A molecada não ligava e fica na rua de terra. No Império até a República eram os lampiões e, quando chegou a eletricidade, esta ainda era bem precária. Os apagões de hoje nos fazem retornar aos tempos antigos do fifó, das velas, das lenhas e de outros meios naturais.
O corte da energia nos deixa atordoados e paralisados, mesmo que seja em plena luz do dia, e nem valorizamos mais o nosso rei Sol que brilha nossos caminhos. Deixamos de louvar e abençoar o sobrenatural, o divino. Nos tornamos ingratos e cuspimos no prato que comemos.
Esquecemos, no entanto, que o nosso mundo atual vive outros apagões aos quais nem nos damos conta disso. Só nos importamos com o artificial físico que move nossos corpos gananciosos e competitivos. Para nós, o único alimento útil é somente aquele que entra pela boca. Estamos até desaprendendo a pronunciar corretamente as palavras.
Não paramos para pensar e refletir que os apagões espirituais dos tempos modernos são muito mais graves e são estes que estão levando os seres humanos ao desastre e à autodestruição. Não observamos, mas estamos vivendo no apagão da virtude, da paz, do amor, da tolerância, da preservação do meio ambiente, da perseverança, da bondade, da cordialidade, do respeito ao outro, da obediência aos pais, do bom viver, da valorização da vida, da amizade sincera, da cooperação e do perdão.
Vivemos no apagão das justiças e das igualdades sociais, de gênero e de cor, do saber e do conhecimento, da dignidade e dos direitos humanos, da liberdade e preferimos viver na escuridão da ignorância, da opressão, da ambição a todo custo, do consumismo sem trégua, do emporcalhar e desmatar a natureza, do errado que virou certo e do anormal que se tornou comum, do egoísmo e do individualismo.
Preferimos viver na escuridão da cegueira, da surdez e do silêncio, da indiferença para com os outros e nem notamos que dentro de nós falta luz porque apagamos ela como se não mais tivesse serventia. Acendemos a outra turva e sombria que nos consome, que nos torna mais brutos primitivos. Aos poucos estamos apagando a luz da razão.
O nosso mundo de hoje sofre do apagão humanitário, que mais interessa soltar foguetes aos ares do que cuidar dos bilhões que cá embaixo passam fome e miséria. Ao invés da limpeza do planeta, o mundo optou por soltar seus gases tóxicos que afetam o aquecimento global para até 50 graus. O negócio é elevar o PIB, fabricar mais armas e criar mais guerras.
O apagão energético progressista é temporário, polêmico e até conspiratório, mas existem os outros que fazemos questão de não os vês porque não queremos enxergá-los e estão dentro de nós, na escuridão das entranhas. As trevas internas do espírito são as piores e estas estão nos deixando mais desumanizados, numa sociedade mais cruel, mesmo com todas tecnologias nas palmas das mãos.
COM UMA ECONOMIA DESENVOLVIDA E AINDA CARENTE EM CULTURA E LAZER
Fotos de José Silva
Se não me engano, há quatro ou cinco anos (dois somente durante a pandemia da Covid-19), a Exposição Agropecuária de Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia com quase 400 mil habitantes, simplesmente deixou de existir no histórico e famoso Parque Theopompo de Almeida.
Hoje, uma enorme área, numa localização privilegiada da cidade, está subutilizada e somente abriga por ano o Festival de Inverno, ou shows musicais, evento promovido pela TV Bahia com sua filiada da TV Sudoeste. Existem algumas outras programações de menor porte que não são da Coopmac (Cooperativa Mista Agropecuária de Conquista.
Não dá para entender essa lacuna deixada pelos empresários responsáveis pelo equipamento, enquanto outros municípios da região, como Itapetinga, Jequié, Guanambi, Brumado e até nossa Belo Campo continuam a realizar suas exposições que são utilizadas na promoção de grandes negócios, sem falar no entretenimento e no lazer que proporcionam à nossa população em geral.
A Exposição Agropecuária de Conquista já recebeu vários ministros de Estado, como Allysson Paulinelli e presidentes da República, como João Goulart por volta de 1962 e viveu seu auge de prosperidade quando da introdução da cultura cafeeira em meados dos anos 70 e início da década de 80.
Lembro das memoráveis exposições com aquele parque superlotado com gente vinda de todas as partes da Bahia e do Brasil, além dos parques de diversão, leilões de gado e equinos, um grande número de animais e a Feira de Negócios e Cursos do Sebrae. Ali sempre foi local de encontro de amigos e famílias com suas crianças nos finais de semana.
Estou citando esse grandioso evento para dizer que Conquista é uma das cidades do Norte e Nordeste que mais se desenvolveu economicamente nos últimos anos e está no ranking do alto nível no setor de saneamento básico, bem como da educação, com destaques para várias universidades (estadual e federal), faculdades e na saúde no atendimento a tratamentos de alta complexidade.
No entanto, Conquista ainda deixa muito a desejar no quesito de cultura, entretenimento e lazer. Não estou aqui nem falando em turismo porque não temos muita coisa para mostrar pois não dispomos do suporte cultural para atrair os visitantes.
Sem contar alguns poucos locais e algumas raras atividades no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, nos finais de semana os conquistenses e o visitante não tem muita opção, a não ser os bares e restaurantes que oferecem músicas ao vivo.
Não vou aqui me estender porque sobre esse assunto temos muito mais coisa para falar. Cada um que faça sua análise e apresente seus argumentos de contestações, ou mesmo acrescente mais fatos. Volto a repetir, mais uma vez, que nossos equipamentos culturais permanecem fechados necessitando de urgentes reformas, sem apontar que nem temos uma feira literária em nosso calendário.


















