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COM TANTAS FESTAS, SALVADOR PODERIA SER A CAPITAL MAIS DESENVOLVIDA DO PAÍS

Dizem o governo e seus representantes que só no carnaval giram dois bilhões de reais na economia, sem contar as outras festas (todo ano), mais intensas a partir do início de dezembro até final de fevereiro. Fala-se em um milhão ou mais de turistas vindos de todas as partes do Brasil e do exterior.

Pouco divulgam sobre os milhões de reais e até bilhão na segurança, na logística e nos cachês gordos dos artistas para os mesmos afortunados, cujos nomes todos já sabem muito bem, de cor e salteado.  Não sou contra prestigiar os afoxés, mas o estado vai dar neste ano quinze milhões de reais só para essas agremiações. Muitos “sabidos” passam a mão numa parte.

Desses dois bilhões, 98 ou 99% caem nos bolsos dos mais ricos e poderosos. O restante fica com o pessoal do asfalto, como os vendedores ambulantes, barraqueiros, cordeiros, seguranças e operários que armam os camarotes e outros palcos. Não existe distribuição de renda equitativa e a pobreza na capital só aumenta.

Está comprovado que se festas fossem fator preponderante de desenvolvimento econômico e social, Salvador seria a capital mais desenvolvida do país e não teria tantos índices negativos na educação, no saneamento básico, na saúde e na qualidade de vida. Não existiriam tantos moradores de rua e milhares passando fome.

A desigualdade humana é gritante e tenebrosa. Quase metade dos 14 milhões de habitantes da Bahia recebe o Bolsa Família, uma das maiores ou a maior em quantidade de beneficiários e valores gastos pelo Tesouro do Brasil, tanto que o “pente fino para apurar as irregularidades atingiu mais o estado. O desemprego tem também seu alto nível na média nacional. Pelo IBGE, houve uma redução populacional.

Vá discutir isso com os donos de hotéis, de agências de viagens da aviação, dos camarotes, dos trios elétricos, dos blocos, dos cantores de músicas/lixo preconceituosas, donos da grande mídia, com os políticos e até proprietários de apartamentos da orla marítima que alugam seus imóveis entre dez a trinta e cinco mil reais por sete ou oito dias de folia!

Eles vão partir com argumentos falsos e mentirosos; falar que você é esquerda/comunista derrotista, vagabundo de merda e são capazes de lhe encher de porrada. Teve um aí que abriu a boca para dizer que o carnaval emprega mais que a construção civil, só se for durante apenas no período, e olhe lá. Não apresentou dados concretos.

Os pobres também não vão gostar, porque estes estão na pior das desgraças e, por não terem consciência política, educação, serem altamente submissos e escravos dos patrões, se contentam com o pouco, com as migalhas que caem das mesas da elite dominadora do capital.

Eles até riem e agradecem nas entrevistas. Todos querem mais festas e feriadões prolongados. O miserável físico e mental prefere o circo ao invés do pão. Ele dá um jeitinho para enganar o estômago e vai levando a vida como ela é, a vagar por aí na base dos “bicos” e até através das malandragens golpistas.

Essa é a realidade nua e crua, meu amigo, e ninguém quer mudar porque o rio só corre para o mar. A cultura é essa e já vem de séculos. Quanto mais festas, mais votos e os eleitores caem dentro da urna. Sem ao menos refletir e questionar, os jornalistas, que adoram bajulação, anunciam que tudo é de graça. Como de graça se o dinheiro sai dos cofres públicos, pago pelo contribuinte?

Tudo é vendaval! Tudo é festa e curtição! Quanto mais muvuca e fuzuê, melhor para os abonados e pobres. Na Bahia, o ano só começa em março, deixando um rastro de ressaca, doenças, crimes, violências, mortes, principalmente no trânsito. Enquanto isso, muitos setores da economia (comércio e indústria) ficam parados.

Vamos todos às festas porque ninguém é de ferro, não importando se elas extrapolam o senso comum. Nas cidades do interior onde não existe carnaval tudo é fechado na segunda, terça e até meio dia de quarta-feira de cinzas.

Os que podem e até aqueles sem condições financeiras pegam as estradas, se endividando. Entopem mais ainda o meio ambiente de sujeiras e gases tóxicos, contribuindo para agravar o aquecimento global. Depois é só colocar a culpa no El Nino e nas mudanças climáticas.

SITUAÇÕES SEMELHANTES ENTRE A ESCRAVIDÃO NEGRA E A DOS CRISTÃOS BRANCOS

Nas duas escravidões, a africana entre os séculos XVI e XIX e a dos cristãos ou brancos na região da Berbéria (Argel, Túnis e Trípoli) nos séculos XVI ao XVIII, existiram algumas semelhanças, conforme atesta o livro “Escravos Cristãos, Senhores Muçulmanos” do historiador e pesquisador Robert Davis.

Não se pode quantificar os cenários de degradação e sofrimento dessas escravidões que esses cativos passaram, uns nas Américas pelos países europeus, de ordem comercial, e os outros na Berbéria, praticada pelos mouros, turcos e muçulmanos, de cunho mais religioso, como represália. No entanto, ocorreram métodos parecidos na forma de tratamentos.

Assim como várias etnias africanas trazidas da África para as Américas não se entendiam e até brigavam entre si, também os cristãos andavam às turras quando se tratava de católicos romanos, ortodoxos e correntes protestantes. No cativeiro, as intrigas eram muitas, mas aconteciam momentos de se unir nas resistências.

As senzalas negreiras eram locais degradantes, abafados e superlotados, propícios às promiscuidades, e sempre fechados ao anoitecer depois de um dia cansativo de trabalho. Na Berbéria, esses “aposentos” lotados eram denominados de banhos públicos ou prisões, com praticamente as mesmas regras impostas pelos feitores, capatazes ou responsáveis por guardar os escravos. As portas eram trancadas no final do dia para não haver fugas.

Robert Davis faz esses relatos baseados em testemunhos (D´Aranda, João Mascarenhas, Pierre Dan e padres) que foram vítimas dessa escravidão, além de pesquisadores no assunto. Ele fala dos escravos dos banhos públicos, aqueles desafortunados que eram comprados pelos governantes e depois remetidos à vida nos dormitórios/prisões, os quais os cativos chamavam de bains, baños ou bagni.

Segundo Davis, há indícios que essas mansões sombrias de horror começaram em Constantinopla onde antigas casas de banhos se tornaram em confinamentos de escravos em 1500. Na Berbéria, elas foram construídas para abrigar cativos dos governantes e particulares.

De acordo com as pesquisas, o primeiro banho público, o Bagno Beyliç, surgiu em Argel, em 1553, durante o período de Barbarosa, com capacidade para dois mil cativos. Esses prédios se multiplicaram com o tempo, passando a seis em Argel, nove em Túnis e um em Trípoli. Nos anos de 1660, Argel já possuía oito, quinze em Túnis e cinco em Trípoli.

O interessante é que os nomes desses banhos públicos eram sempre de santos, como St. Roche, Lorenzo, São Miguel, Santo Antônio, Santa Luzia, São Sebastião, São Leonardo, Trindade, Santa Catarina, São Francisco, Santa Cruz e tantos outros.

Em Argel, por exemplo, o banho público St. Roche, pertencia ao senhor Ali Pegelin, o mais poderoso e rico de toda região. “É tentador pensar que esse sistema alternativo de nomenclaturas agia como forma de resistência planejada por parte dos escravos e dos abolicionistas cristãos, contra o domínio e autoridade islâmica vigente…”

Muitos desses nomes eram deturpados e escritos de maneira incorreta. O do Paxá era chamado de Banho do Estado, ou do rei. Os trinitários e mercedários, responsáveis pelas capelas (as fazendas dos senhores das Américas também tinham suas capelas) disputavam entre si e com os missionários da Congregação de Propaganda Fide.

De acordo com o autor da obra, esses tipos de desavenças entre os ocupantes dos banhos, principalmente quando envolviam os papassi ou sacerdotes, eram motivos de graça para os turcos. Os senhores gostavam de incitar as discórdias entre seus escravos, com intuito de enfraquecer a resistência.

“O principal ponto de tensão, ao menos nos séculos XVI e XVII, era a religião, “embora isso possa ser apenas parte do exagero entre padres e missionários católicos que representavam a menor fonte de estudos”. Em Argel e Túnis, os católicos eram maioria nos banhos escravos, ao passo que as cidades marroquinas teriam mais britânicos e holandeses. Trípoli era povoada por cativos gregos, segundo alguns relatos.

Outra coisa abordada pelo historiador diz respeito aos dialetos africanos, enquanto na Berbéria se usava a língua franca (substantivos e verbos) como meio de comunicação entre os senhores proprietários e os cativos, para emitir ordens.

Além das capelas, os banhos também contavam com as tabernas onde os bêbados perturbavam os atos religiosos com palavrões e xingamentos. Como esses dormitórios/prisões, somente para homens, eram superlotados (todos dormiam amontoados) havia muita promiscuidade.

Outro traço era o homossexualismo praticado entre escravos que, por outro lado, sofriam assédio sexual por parte dos seus proprietários, reis, paxás e governantes, tendo como maiores alvos escravos novos e os jovens garotos de nove a 15 anos. Eles eram bem tratados nos palácios e induzidos a se converter ao islamismo. Na verdade, não havia uma repressão velada quanto ao ajuntamento homossexual.

ESCREVA SEU SONHO

(Chico Ribeiro Neto)

Dormir é vital. Insônia é terrível. Se eu deitar de barriga pra cima começam a aparecer os problemas. De barriga pra baixo não dá porque a barriga não ajuda. Deitar do lado direito é mais ou menos. Mas só dá pra dormir bem e sonhar (ou ter pesadelo) quando deito do lado esquerdo. Uma fórmula infalível para ter pesadelo: comer feijoada à noite.

Apois não é que algumas pesquisas me dão razão? “Dormir do lado esquerdo beneficia a drenagem linfática do sistema nervoso central”, garante um estudo publicado na revista científica The Journal of Neuroscience. “Nosso coração está do lado esquerdo do corpo, e dormir dessa forma  impede a obstrução da artéria aorta, que bombeia sangue para o resto do sistema sanguíneo”, diz o médico William Cristopher Winter, do Hospital Martha Jefferson, nos Estados Unidos. Outros estudos revelam ainda que dormir do lado esquerdo facilita a digestão.

No entanto, um estudo de 2004, publicado pela revista “Sleep and Hypnosis”, concluiu que pesadelos eram muito mais frequentes entre pessoas que dormiam viradas para o lado esquerdo: 40,19% disseram ter tido sonhos negativos, enquanto apenas 14,69 dos que dormiam virados para a direita queixaram-se do mesmo. A qualidade do sono também era melhor entre os que escolhiam a direita (a posição de dormir).

Já uma pesquisa da revista “Dreaming” aponta que pessoas que dormem de bruços têm mais chances de terem sonhos eróticos do que as demais. Nessa me dei mal, pois não consigo dormir de bruços.

Um dos sonhos mais bonitos e intrigantes que já tive é que eu vinha pulando de nuvem em nuvem. Era um jogo muito perigoso, onde somente nas nuvens você estava num abrigo seguro. Não podia errar e também não podia estacionar numa nuvem, tinha que ficar sempre pulando de uma para outra. Se errasse, caía no precipício do universo. Acertei todas as nuvens, mas acordei assustado.

Meu irmão Cleomar (falecido), que era paraplégico, sonhou uma vez com um despertador (daqueles gordinhos com duas perninhas) correndo atrás dele.

Uma vez contei a meu neto Pedro, então com uns 4 ou 5 anos, que eu sonhei em pé em cima da asa de um avião em pleno vôo. Ele estava almoçando, deu uma engolida no feijão e disse: “Se fosse de verdade você já tinha morrido”.

Os colchões primam pela propaganda. Um comercial do colchão de molas Epeda, de 1970, publicado numa revista, mostra um casal feliz deitado de lado num colchão sob um cobertor e o apelo: “Casais de todo o Brasil: Uni-vos”. Mais embaixo outra frase arrematava: “Só dorme separado quem não tem Epeda”.

Descobri essa pérola na Internet, sem autoria: “Velho acorda cedo pra criticar quem acorda tarde”. Duas frases sobre insônia, também de autores desconhecidos: “Para evitar insônia, eu estou ficando acordado logo de uma vez”; “É muita vontade de dormir para pouco sono”.

Algumas frases de famosos sobre o sono:

“O ruim dos filmes de Far West é que os tiroteios acordam a gente no melhor do sono” (Mário Quintana).

“A indiferença é o sono da alma” (Charles Favart).

“Os sonhos são a literatura do sono” (Jean Cocteau).

“Criança é esse ser infeliz que os pais põem para dormir quando ainda está cheio de animação e arrancam da cama quando ainda está estremunhado de sono” (Millôr Fernandes).

“O despertador é um acidente de tráfego do sono” (Mário Quintana).

Quem nunca teve um sonho lindo e de manhã não se lembra de mais nada? Escreva o seu sonho. Acordando durante a madrugada, escreva logo. Tenha sempre à mão, perto da cama, um caderno e uma caneta para anotar seu sonho ou pesadelo ou pelo menos as palavras-chave que lembrem a história. Se não quiser escrever, desenhe seu sonho ou pesadelo. Precisamos registrar as belas fantasias e as assombrações. Ambas cabem nos corações.

(Veja crônicas anteriores em leiamais.com.br).

 

 

 

E OS REPAROS DO CRISTO?

Quando estava na presidência do Conselho Municipal de Cultura de Vitória da Conquista (2021/23) surgiu uma denúncia, no início de 2022, de arquitetos e até de pessoas ligadas ao artista Mário Cravo, criador da obra, de que a escultura do Cristo da Serra do Periperi estava necessitando de reparos na parte interna e externa, inclusive de que se esses serviços não fossem feitos, a imagem poderia ficar irrecuperável.  No meado do ano levamos esse alerta para a prefeita Sheila Lemos, numa audiência que tivemos com ela na prefeitura. Prontamente ela respondeu que aquelas informações não tinham fundamento e que havia sido feita uma vistoria e nada foi constatado em termos de estragos em seu material na parte interna. Não foram apresentados laudos comprovando que o monumento não estava correndo risco de perda. No entanto, olhando com mais cuidado, qualquer leigo visitante vai perceber sujeiras na parte externa do Cristo, tanto em sua imagem como na cruz. Se não me engano, o monumento está completando 44 anos e, durante este período, não tem recebido a devida manutenção por parte dos governantes. Alguns deles fizeram uns “puxadinhos” em torno do Cristo, como está sendo realizado agora e sempre dão o nome de revitalização. A verdade é que Ele e sua área nunca receberam grandes obras que atraíssem mais visitas dos moradores e gente de fora. Continua abandonado e quando alguém chega ali é recepcionado por uma cachorrada. Algo tem que ser feito para mudar esse vergonhoso quadro. Já que o poder público não tem dado a devida importância, por que não passar a administração do Cristo para o setor privado ou uma instituição como a Igreja Católica, para explorar o ponto e torná-lo turístico, num cartão postal da cidade, como acontece em outros lugares?

O COVEIRO E A PROTISTUTA

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Você que se acha

Sabido batuta,

Diz que a profissão

Mais do mundo antiga,

É a de prostituta,

Coisa que me intriga,

Coveiro é minha opção.

 

A atividade mais velha,

É a de coveiro,

Quando o primitivo,

Enterrou seu parceiro,

Com seu ritual nativo,

Disse o primeiro amém,

Em paz para o outro além.

 

A prostituta é sorriso e alegria,

Entre as luzes do cabaré;

Escuta lamentos de psicologia,

E no quarto faz sua putaria,

Finge que goza como uma Salomé.

 

De poucas palavras e sério,

Na labuta do cemitério,

O coveiro vê e ouve o que não quer:

Até de besta corno Mané;

Gentes falsas de óculos escuros;

Choros, lágrimas e histerias;

Amantes de casos obscuros,

Onde uns elogiam o defunto,

Outros que já deveria ter ido;

Juram sinceridade de pé junto,

E o assassino que reza pro falecido.

EM NOME DE DEUS…

EM NOME DE DEUS, PELAS PRÓPRIAS MÃOS DOS PONTÍFICES SACERDOTES DO TEMPLO JUDAICO, O CRISTO QUE PREGAVA PAZ E AMOR, FOI CRUCIFICADO PELOS ROMANOS.

Os conservadores extremistas-negacionistas de direita, em nome de Deus, Pátria, Tradição e Família disseminam o ódio e a intolerância, a homofobia, a xenofobia, misoginia e o racismo. Conluiem com milicianos e bandidos para matar seus opositores. Tudo em nome de Deus e de um moralismo hipócrita. Negam a ciência e trocam a vida pela morte.

Em nome de seu Deus, evangélicos jogam pedras e atiram em terreiros de candomblé. Radicais de esquerda também dividem e separam. Até movimentos negros, ao invés de procurar unir em prol da igualdade de todas as raças, partem para o revide com iniciativas que mais hostilizam que conciliam.

Em nome de Deus, os generais, com apoio de diversos segmentos da sociedade civil (Igreja Católica e parte da mídia brasileira) deram um golpe de Estado, em 1964, (o episódio está completando 60 anos agora em 2024) e impuseram uma ditadura que calou a nossa liberdade de expressão por mais de 20 anos. O regime torturou, matou e desapareceu com milhares de presos políticos em nome de Deus.

O imperialismo ocidental colonizador (Estados Unidos, Inglaterra, França, Espanha, Bélgica, Itália e outros países) declararam e ainda declaram guerras, invadiram e bombardearam nações em nome de Deus. Eles se dizem bons e os outros os maus infames.

Em forma de resistência, os Hamas atacaram e os judeus de Israel (o “Bibi” neonazista), que se acham eleitos de Deus, transformaram a palestina num inferno em campos de concentrações. Cada um com seu Deus para cometer os piores crimes e assassinatos humanitários.

Oh quantas matanças e massacres sanguinários na história da humanidade em nome de Deus (Javé, Jheová), tudo ligado a um fanatismo doentio religioso! Depois de milhões de anos, evoluímos na industrialização, na ciência e na tecnologia, mas continuamos brutos e estúpidos usando o nome de Deus em vão, inclusive destruindo sua benfazeja natureza. Foi sua pior criação? Que evolução é essa?

As tribos primitivas das cavernas, os africanos com seus orixás, os gregos do Olimpo (Esparta e Atenas), os babilônios da Mesopotâmia (o Crescente Fértil), os persas (Irã), os faraós do Egito, os romanos (Júpiter), celtas, gauleses e vikings já evocavam seus deuses para fazer guerras e matar sem piedade. Faziam dos derrotados prisioneiros escravos-cativos nas galés e porões dos navios negreiros, e ainda entoavam seus rituais com oferendas para agradecer suas “vitórias” aos seus supremos.

Nessa viagem por esse túnel da vida, muitas vezes de trevas, obscurantista, iluminado e renascentista, voltemos aos nossos tempos modernos, que de modernos e civilizados nada temos, mesmo porque persistimos na prática das atrocidades, do ódio, das intolerâncias e dos horrores contra o nosso outro ser, tudo em nome de Deus.

As preces de ontem e de hoje são feitas para trucidar o inimigo, como oravam David e os reis da Judéia.  Maomé, em Medina, evocou o seu Deus para expandir seus califados de terror. O Estado Islâmico e outras organizações criminosas oram para eliminar o que eles chamam de infiéis. Até o simples bandido pede a Deus que seu roubo ou assalto sejam um sucesso.

Em nome de seus deuses, os maias, incas, astecas, sumérios e etnias da África, Ásia e Oceania sacrificaram seus próprios humanos em atos macabros de derramamento de sangue, inclusive crianças e donzelas, quando algo de errado estava ocorrendo em suas comunidades. A crença era de que os sacrifícios apaziguavam a ira dos espíritos de suas entidades e as coisas voltariam ao normal.

Em nome de Deus, os Cruzados e os Templários cristãos, com aquiescência dos papados, partiram armados da Península Ibérica em batalhas sangrentas até a chamada Terra Santa (Jerusalém) para expulsar e matar os turcos, mouros e muçulmanos, deixando um rastro de destruição e escombros por onde passaram.

Em nome de Deus a Igreja Católica Apostólica Romana criou a inquisição para queimar nas fogueiras todos aqueles que os representantes da instituição os consideravam de hereges e bruxos por não comungarem de suas mesmas ideias e pensamentos.

Em nome de Deus, tanto cristãos como islâmicos e até budistas decretaram e ainda decretam as denominadas guerras santas onde cada lado tinha e tem como objetivo exterminar seu rival. Os portugueses e espanhóis, em nome de Deus, atravessaram o Atlântico com suas ordens religiosas de padres e massacraram os nativos indígenas, vistos por eles como pagãos e profanos.

Em nome de Deus instituíram a escravidão africana por 350 anos e aprisionaram nas Américas cerca de 12 milhões de cativos, sujeitos a trabalhos forçados, torturas, chibatadas e castigos desumanos, tratados como se não fossem gente. Missionários da Igreja Católica também fizeram parte desse horror em nome de Deus.

Em nome de Deus, como forma de represália religiosa e sob as ordens de Constantinopla, os paxás e reis islâmicos mouros da região da Berbéria, (Argel, Túnis e Trípoli), expulsos da Espanha, Portugal e França, também escravizaram os cristãos ou brancos entre anos 1500 a 1800.  São uns contra os outros em nome de Deus.

COPINHA, UMA FEIRA DE NEGÓCIOS

Carlos González – jornalista

Os que estão saudosos daquele nosso futebol sem objetividade, sugiro assistir – acesse Paulista ou CazéTV no YouTube – até o dia 25 a Copa São Paulo de Futebol Júnior, promovida pela Federação Paulista de Futebol (FPF), onde quase 3 mil jovens, com menos de 20 anos, misturando o português com dialetos indígenas da Amazônia, o baianês e o gauchês, são expostos numa vitrine, esperando serem vistos e “comprados” por clubes europeus e da elite do futebol brasileiro.

A Copinha pode ser comparada a uma feira de negócios, onde o produto exposto é um ser humano ainda na juventude. Nas arquibancadas a técnica e o porte físico (o Vitória escalou um zagueiro de 2,05 metros) dos atletas são atentamente examinados por empresários da bola, olheiros daqui e dos clubes europeus e agentes de empresas de apostas.

O torneio também é aproveitado por clubes-empresa. Garimpada em campos de várzea, sua mercadoria é lapidada antes de seguir para São Paulo. Fundado em Irecê em 2018 o Nova Canaã é administrado pela Igreja Universal e por uma fábrica de sucos. Jogou a Copinha em 2022 e 2023. Está se mudando para o Distrito Federal, sob a justificativa de que a disputa do “Baianão” da 2ª Divisão implica em percorrer grandes distâncias.

Criado por empresários chineses, em 2020, no bairro paulistano da Mooca, e associado ao Orlando City, da liga norte-americana, o Indochina tem como um dos seus objetivos “revelar e formar novos jogadores”. Esta é a mesma linha do Patriota, fundado no mesmo ano por empresários de Curitiba, adotando o verde e o amarelo como suas cores.

A primeira oportunidade para subir na carreira e o primeiro sonho concretizado acabam de ser anunciados: o meia Sidney, 17 anos, deixou a cidade de Guaratinguetá, onde se achava com a delegação sub-20 do Bahia, direto para a Inglaterra, para se incorporar aos profissionais do Tricolor que fazem uma pré-temporada no centro de treinamento do Manchester City. A indicação foi do técnico Rogério Ceni.

O futebol não é igual para todo o mundo. Os jogadores do Carajás tiveram bastante tempo para sonhar em mudar de vida e ajudar suas famílias. Num ônibus sem ar condicionado (o equipamento quebrou no começo da fatigante jornada), a delegação do clube sediado em Parauapebas, no Pará, viajou 2,1 quilômetros em 42 horas até Araraquara, em São Paulo. Nas paradas para as refeições os jogadores dispunham de pouco tempo para movimentar as pernas.

– A gente sabe que para chegar ao topo tem que fazer sacrifícios. A passagem do ano foi na estrada, longe de nossos familiares, mas valeu a pena, porque é recompensador participar desse torneio – comentou o atacante Valdívia, autor de um dos gols contra o São Paulo. Nessa partida, o Carajás chegou a abrir 2 a 0, sofrendo nos minutos finais a virada do adversário. As inevitáveis e dolorosas cãibras nas pernas, causadas pela exaustiva viagem, afastaram os paraenses mais cedo do torneio.

A Copinha foi criada em 1969 pela Prefeitura de São Paulo. Em 1987, o então prefeito Jânio Quadros suspendeu a promoção, assumida no ano seguinte pela FPF. O ingresso de clubes de outros estados ocorreu a partir de 1971. Entre 1993 e 1997 foram convidados times das Américas do Sul e Norte, da Europa e da Ásia. Nesses 55 anos, além do cancelamento em 1987, a bola não rolou em 2021 por causa da pandemia.

O Corinthians é o maior vencedor da competição com 10 troféus, seguido de Fluminense e Internacional, com cinco. A melhor campanha de um representante do Norte-Nordeste é atribuída ao Bahia, vice-campeão em 2011, perdendo a final para o Flamengo. Além do Bahia, o futebol baiano é representado este ano pelo Vitória, Jacuipense e Conquista.

 

 

MEU SERTÃO DE DORES E SABORES

Vou aqui falar do meu peculiar sertão catingueiro, de dores, seco e cinzento, verde colorido cheio de cheiros e sabores quando bate o aguaceiro com trovoadas e relâmpagos, como nos últimos dias aqui no nosso sudoeste, ou sudeste, na região de Vitória da Conquista.

Depois das dores da sequidão, as águas trazem bonança; a terra fica forte e viçosa; e o sertanejo sai alegre com sua foice e enxada para as plantações. O calango risca o chão do bagaço molhado e as aves cantarolam para glorificar a fartura. É tempo do sorrir depois de um tempo do sofrer. As flores começam a brotar dos galhos e se abrem em cores.

São duas paisagens que se diferem, uma entre os engaços, do chão rachado, gado morrendo de fome, os bichos cambaleando, carros-pipas cortando estradas poeirentas, rezas e procissão para chover, retirantes partindo tristes para outras bandas, sertanejos que ficam na resistência da fé e da esperança, cacimbas, açudes e tanques vazios.

A outra se completa com o ciclo da renovação quando o homem e a mulher com seus filhos acordam cedo para irem à roça plantar as sementes de suas subsistências alimentar. É o momento de abençoar e agradecer pelo milagre da natureza, porque os governantes políticos da terra só fazem prometer, principalmente em épocas de eleições. É tudo espera do que vem lá do alto.

A seca e a chuva são dores e sabores para o campo, especialmente do semiárido, como no caso do baiano onde mais de oitenta municípios estavam em estado de emergência sem o precioso líquido da vida que dá sustentação ao lavrador e ao criador de seus animais. É também dores e sabores para a zona urbana.

Entra governo e sai governo e há séculos que essas cenas de sofrimento devido às longas estiagens se repetem. Os planos e os projetos políticos de convívio com a seca, na sua maioria, ficam, apenas no papel, muitas vezes porque este fenômeno se tornou em indústria do voto. Fizeram até transposições do Rio São Francisco, mas as irrigações caem sempre nas mãos daquele menos necessitados. O sistema de distribuição de cisternas e outras medidas não passam de paliativos.

As cidades também são atingidas, tanto nos períodos secos como nos chuvosos. A falta de água provoca racionamentos e aumento nos preços dos produtos agrícolas. São sempre os pobres os mais castigados porque não dispõem de recursos para adquirir os alimentos básicos. São sabores nas chuvas porque elas fazem baixar o custo dos mantimentos, dos hortifrutigranjeiros e até das carnes.

Quando chega o aguaceiro, ruas são alagadas e invadem casas, sobretudo nas periferias onde mora a pobreza, tudo em razão da ausência de infraestrutura de canais de escoamento. Algumas obras, muitas das quais superfaturadas e incompletas, são feitas, exclusivamente, de olho no eleitor.

Um outro fator que agrava mais ainda a situação é a depredação do meio ambiente pelo próprio ser humano. Com o lixo e os desmatamentos, sem falar nas habitações em locais inadequados, as enxurradas causam entupimentos de bueiros, deslizamentos de terras e destruição de casas, com centenas e milhares de mortes.

 

AINDA AS GALÉS E AS VESTIMENTAS DOS ESCRAVOS CRISTÃOS NA BERBÉRIA

Comentamos aqui nos outros capítulos do livro “Escravos Cristãos, Senhores muçulmanos”, do autor Robert Davis, que aqueles capturados pelos mouros da região da Berbéria (Túnis, Trípoli e Argel) nos navios e por via terrestre e que não possuíam talentos, nem sinais de riqueza e posição social ao serem colocados à venda, iam servir nas galés por meses em alto mar. Eram acorrentados, espancados e trabalhavam sob chuva e sol. Muitos não resistiam e morriam.

“É uma aflição sem tamanho ver os pobres escravos cristãos ou brancos, obrigados a remar sob constantes e violentas chicotadas e pauladas… De todas as agruras esses pobres cativos são forçados a obedecer, a pior, sem sobra de dúvidas, é aquela que sofrem nas galés dos turcos berberes” – lamentou o padre Pierre Dan. Geralmente eram camponeses, pescadores, soldados rasos e marujos comuns. Os nobres de estirpe ficavam longe das galés porque eram valiosas propriedades para o resgate.

Segundo Robert, por volta da metade do século XVI, tanto as potências cristãs quanto o Império Turco eram capazes de concentrar imensas frotas com centenas de galés e galeotas, cada uma composta de 150 a 300 remadores. Essa força de trabalho deve ter atingido seu ápice na época da Batalha de Lepanto, em 1571, quando por volta de 80 mil remadores foram mandados para o fronte uns contra os outros, sendo a maioria escravos. Não eram somente muçulmanos.

Nas galés da Espanha, França, Itália e Malta haviam milhares de mouros, turcos, prisioneiros católicos e protestantes condenados aos remos. Na segunda metade dos anos 1560, a escravidão das galés era mais uma instituição islâmica do que cristã. Os berberes eram melhores em capturar escravos. A maior demanda por escravos de galés ocorreu entre o fim das décadas de 1580 e 1640. Os reis de Argel, Túnis e Trípoli precisavam de 10 a 15 mil remadores.

VESTIMENTAS

No capítulo “Vida de Escravo”, o historiador da obra cita o testemunho do escravo William Okeley. Aliás, sua pesquisa está recheada de testemunhas. Robert destaca que Okeley e seus companheiros escravos compunham um quarto da população de Argel, uma cidade baseada na pirataria corsária e no mercado escravista. Em Túnis e Trípoli a proporção era menor, entre 10 a 20%.

No topo dos escravos estavam os turcos e renegados cristãos. De acordo com Robert Davis, esses homens reinavam sobre os nativos mouros e mouriscos, os quais, por sua vez, desfrutavam de status maior do que a sempre numerosa população judia nas capitais das regências. Os escravos ficavam nas camadas inferiores e os judeus ainda num patamar mais baixo.

Na Berbéria, os homens se diferenciavam nas roupas, cortes de cabelos e no direito de usar armas. Os turcos usam turbantes (um tipo de boné vermelho). Os mouros vestes mais sombrias, um longo albornoz com capuz, sendo de cor branca no caso dos mais abastados.

Os escravos cristãos não tinham nenhum traje distintivo e vestiam o que lhes eram fornecidos pelos seus senhores. No caso dos escravos domésticos, como na Europa, trajavam uniformes. Nas ruas usavam roupas condizentes com o nível social de seus proprietários. Portar o turbante era uma expressão de conversão ao islamismo e os escravos cristãos, na sua maioria, não aceitavam.

As garotas jovens récem-capturadas podiam ter a cabeça raspada, para torná-las turcas. As mulheres mais velhas podiam ser forçadas a vestir as roupas turcas devido ao hábito das regências. No entanto, o autor da obra conta um caso de uma mulher que não aceitou mudar sua fé. Por isso, sua dona mandou que ela levasse trezentas chibatadas. Ao continuar firma em seu propósito, a escrava foi despida e a vestira à moda turca.

Segundo Robert, quando os corsários berberes estavam prestes a capturar um navio, era comum os passageiros trocarem suas vestes por outras que ajudassem a esconder suas origens de modo a confundir os captores quanto ao valor potencial do resgate. Outros mantinham as mesmas vestimentas por orgulho de seu posto, como os membros da Igreja, nobres e comandantes militares. Eles iam para alojamentos dos consulados com conforto.

Diz o autor que esses escravos de alto escalão eram deixados ociosos no cativeiro, certamente por terem pago uma taxa, um suborno por fora. Ficavam livres para se locomover na cidade, apenas com uma tornozeleira de ferro. As mulheres da elite recebiam mais ou menos o mesmo tratamento, mas mantidas dentro de casa, longe das vistas do público. Alguns usavam suas roupas europeias.

Muitos eram levados para os chamados banhos públicos (badistão) ou prisões, onde se transformavam em figuras imundas com trapos e desmazelados. Os turcos e mouros chamavam esses récem-chegados de selvagens. Quando eram vendidos recebiam um traje distintivo de escravos.

Um pesquisador observou que, na década de 1620, os chefes dos banhos forneciam aos escravos nada além de um albornoz com capuz, um par de calças de lona por ano. Meio século mais tarde, o frei Francisco San Lorenzo referiu-se a roupas semelhantes, como uma camisa e um par de calças de tecido cru. Os que não conseguiam conservar seus sapatos ficam descalços.

“Pelo visto, nenhum escravo teve direito a receber uma muda de roupas até os anos 1720”. Um estudioso no assunto descreveu que, quando um escravo é levado para Argel, recebe uma camisa grosseira, um carpete de tecido rústico, um pequeno cafetã, um gorro vermelho e um cobertor de lá.

“Tudo leva a crer, na melhor das hipóteses, que nos anos 1790, as roupas destinadas aos escravos na Berbéria ficam aquém até mesmo da indumentária dada pelos senhores no sul dos Estados Unidos, como dois trajes completos de algodão para a primavera e verão e dois de lá para o inverno, quatro pares de sapatos e três chapéus”.

“A disparidade entre a vestimenta dos escravos negros no início do século XIX no sul dos Estados Unidos e dos cativos no Magreb ainda é surpreendente”. O pesquisador Eugene Genovese, com base num tal de senhor Robert Collins, ressaltou que “no sul dos EUA, até a trouxa mais generosa restringia os escravos a lavar e trocar de roupas no máximo uma vez por semana. Isso era inimaginável no caso dos escravos da Berbéria, confinados nos banhos públicos”.

Collins afirmou que no geral era necessário pagar a água e poucos tinham condições para isso. Só o necessário para beber. Por isso, a maioria dos membros da classe de cativos atraia todos os olhares para aquele espetáculo lamentável de cabelos e barbas cortados com uma adega. “Seus rostos eram machucados e cobertos de lama e poeira. Eles perambulavam pela cidade com aparência de mendigos, com as roupas todas cobertas de vermes”.

Os escravos de Túnis e Trípoli costumavam mancar em razão das correntes e grilhões pesando cerca de 10 a 15 quilos, ou com um gambetto, como os italianos chamavam (grilheta de ferro). Dizem que os escravos das galés eram marcados com uma cruz na sola dos pés.

As condições de vida variavam tanto quanto a quantidade de roupas, dependendo se estivessem hospedados nas casas de seus senhores ou fossem cativos públicos, isto é, dos governantes, designados ao trabalho braçal nas galés, nas pedreiras ou arredores das cidades.  Quem se dava melhor eram aqueles cujos senhores os alugavam para os missionários cristãos e cônsules na cidade. Esses tinham uma vida praticamente idêntica aos serviçais da Europa

PARA O ANO SAI MELHOR

(Chico Ribeiro Neto)

Televisão, rádio, jornal, todo mundo faz a retrospectiva de 2023. Hoje faço uma pequena retrospectiva, mas vou mais além, é de 2021. Essa crônica “Para o ano sai melhor”, publicada no final de 2021, vai aqui reproduzida:

 

O encantador bloco “Paroano Sai Milhó” cantando “Bandeira Branca” (de Max Nunes e Laércio Alves) ou “Eu quero é botar o meu bloco na rua” (de Sérgio Sampaio). Sim, para o ano vai sair melhor, principalmente se ele, o Bozo, sair, deixar a cena desse triste teatro em que meteu o Brasil.

XXX

 

O milhar 2022 já está “cotado” no jogo do bicho de 15 de dezembro de 2021 até 15 de janeiro de 2022. Isso quer dizer que, se você acertar no milhar 2022, só recebe 50% da grana. “Vale o impresso”, diz a pule. Quando a pule era preenchida à mão vinha uma advertência: “Vale o que está escrito”.

XXX

 

Muitos municípios baianos ficaram debaixo d´água nesse fim de ano. Não adianta querer culpar a natureza. Tudo isso é fruto do desmatamento, do assoreamento dos rios, que recebem grande volume de lixo das cidades. O mar e os rios sempre foram uma solução fácil e barata para depositar lixo.

XXX

Dizem que não pode comer peru no Ano Novo, porque peru cisca pra trás, e aí é atraso de vida. Tem que comer bicho que cisca (ou fuça) pra frente, e por isso se deve comer pernil de porco. Uma amiga foi nessa onda, só comeu pernil, e foi demitida em janeiro.

XXX

 

Muita coisa vai continuar na mesma. O mesmo vizinho, o mesmo zelador que quer saber da vida de todos os moradores e até aquele cara que conta umas piadas compridas, intermináveis, vão continuar existindo.

XXX

 

Chiquinho, com uns 12 anos, sobe no guindaste do Solar do Unhão para pular dali no mar pela primeira vez. A altura dá medo. “Pula, pula, pula”, gritam os meninos maiores já mestres no salto do guindaste. O coração de Chiquinho bate forte. “Pula, Chiquinho”. Ele respira fundo, salta no espaço e mergulha na água morna da praia do Unhão. Sobe uma grande espuma que é um brinde à esperança. Feliz Ano Novo, caros leitores.

(Foto de Chico Ribeiro Neto: Lagoa de Caculé, Bahia).

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 





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