abril 2026
D S T Q Q S S
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930  


CURTAS INFORMAÇÕES

O SAFADÃO DOS MILHÕES

Deu na coluna do jornalista Levi Vasconcelos, de A Tarde. Em Sergipe, o arauto do forró pé de serra, Jailson do Acordeon correu mais de 20 municípios. Só conseguiu um contrato em Aracaju. No entanto, o Wesley Safadão, com cachê de 700 mil reais, cantou em Lagarto, Areia Branca e ainda foi o campeão baiano de faturamento nos festejos juninos com cinco contratos e mais dois, um no São Pedro de Itabuna e outro em Belo Campo. Faturou cerca de quatro milhões de reais. A grande aposta é a aprovação do projeto de lei 3083, que cria a chamada Lei Gonzaga onde impõe que 80% dos recursos dos festejos juninos sejam gastos com artistas ou eventos, como as quadrilhas. Os cachês pé de serra são bem menores e os milionários fomentam a corrupção.

DISCÓRDIA INDÍGENA

Mulheres indígenas waorani advertem com um canto de guerra para impedir ambientalistas entrarem no bloco estratégico de petróleo, localizado na Amazônia equatoriana, cuja produção pode ser suspensa. É aquele negócio: Um grupo apoio a exploração petrolífera e o outro não. A questão tem sido o centro da discórdia, e o local é cercado por uma vegetação exuberante. No local fica uma das 12 plataformas de poços do Ishpingo, Tambococha e Tiputini.

MAIS RATOS QUE GENTE

Dizem que em Paris, a capital dos protestos, existem seis milhões de ratos (não sei como contaram os bichos nojentos), contra 2,4 milhões de humanos, o que significa três por habitante. É muito rato e parece coisa da Idade Média, mas hoje Paris tem bons serviços de infraestrutura em termos de esgotamento sanitário. Como explicar tantos ratos na Paris moderna?

BOLSA FAMÍLIA

Em junho, o Brasil contabilizou o contingente de 21 milhões de familiares participantes do Bolsa Família representando o gasto de 15 bilhões de reais, com média de 700 reais por cada beneficiário. A despesa para este ano deve ser em torno de 145 bilhões de reais e nenhum projeto alternativo para tirar esse povo das esmolas. Muitos usam esse auxílio para outras finalidades que nada têm a ver com a compra de alimentos.

ANALFABETISMO

Você sabia que o índice de analfabetismo no Brasil atinge 5,6%? Um número ainda expressivo, isso sem contar os analfabetos funcionais que não sabem ler e escrever. No Nordeste, sempre no foco das desigualdades regionais, o número sobe para 11,7%. Na mesma região, os idosos registram 32,5%. Cerca de 50% da população baiana não têm segurança alimentar. A Bahia tem o maior número de pessoas registradas no Bolsa Família.

SIMPLES NACIONAL

Os MEI (microempresários) no Brasil representam 68% das empresas brasileiras, o que significa 14,8 milhões incluídos no Simples Nacional. A maioria monta uma empresa por necessidade por causa do alto índice de desemprego. É aquela questão da sobrevivência pessoal. Um dos motivos de muitas empresas terem vida curta.

VIOLÊNCIA NA BAHIA

A Bahia está em segundo lugar, depois do Pará, com maior número de casos de violência contra povos e comunidades tradicionais (indígenas, crimes socioambientais nas periferias e quilombolas). Os dados são da Lei de Acesso à Informação por Atividades da Rede de Observação de Segurança, gerando o relatório Além da Floresta.

DETENTOS SEM JULGAMENTOS

Quase seis mil dos mais de 12 mil detentos das unidades prisionais da Bahia ainda não foram julgados como deveriam ser. Segundo José Antônio Maia Gonçalves, secretário Estadual de Administração Penitenciária, existem presos provisórios há mais de quatro anos nos presídios sem serem julgados.

NÃO ENCANTAM OS JOVENS

Diferente de antigamente, as universidades de hoje não encantam mais os nossos jovens estudantes. A maioria entra numa universidade apenas visando o diploma. A evasão nas unidades privadas chega a 59% e nas públicas a 40,9%. Existem no Brasil quase seis milhões de diplomados de nível superior que não conseguem emprego. Está ocorrendo um grande esvaziamento dos campi. Tudo hoje é imediatista na base do estudo de curta duração. Ninguém quer mais saber do conhecimento lento.

DOCUMENTOS ABANDONADOS

Você sabia que nas 81 unidades dos SACs na Bahia existem 88.456 documentos abandonados aguardando pela retirada de seus donos. Coisa imaginária e absurda, para não dizer de louca. Desse montante, 39.412 são de RGs (carteiras de identidade), 45.544 de habilitações e 3,5 mil de passaportes. Entenda o comportamento do ser humano que enfrenta uma fila para tirar um documento e depois não aparece lá para buscá-lo.

 

 

“FLUXO E REFLUXO” XXVI

OS MALÊS E OS MAIORES TRAFICANTES NEGREIROS

Estudiosos e historiadores apresentam diversas versões sobre o significado da palavra malês que levantaram uma rebelião na Bahia em 1835, os quais foram massacrados, muitos condenados à morte, a trabalhos forçados, banidos às galeras na África e a chicotadas.

Para Nina Rodrigues e Manuel Querino, os malês ou malinkés, do Alto do Senegal, teriam sido importados para a Bahia com os haussás e mulçumanos. A Bahia também recebeu um grande número de jejes e nagôs-iorubás.

Francis de Castelnau, cônsul da França na Bahia, acreditava na existência de um grupo de negros “niam-niam”, vivendo na região norte da atual Nigéria. Sem muita consistência ele escreve que se tratava de “malais” todos os infiéis, aqueles que não são mulçumanos.

Braz Amaral, em notificações no livro “Fluxo e Refluxo”, de Pierre Verger, compara malé com má-lei, aqueles que não seguiam a lei de Deus. O padre Étienne Brazil cita seus autores para fazer de mali-nke o homem do hipopótamo (A Revolta dos Malês).

Jacques Raymundo dá a essa palavra iorubá o sentido de renegado que adotou o islamismo (Jornal do Comércio, Rio de Janeiro), apontado por Querino. Historiadores contam na Gazeta de Alagoas que ouviram de uma discussão entre negros um chamar o outro de “malé o cô o”. Concluíram que malé era uma expressão pejorativa entre os nagôs, enquanto o conjunto da frase que dizer “camponês”, ou filhos de uma concubina dos campos.

De acordo com Raymundo, todo dicionário iorubá traduz a palavra “imalê” não como renegado, mas como mulçumano. Tanto Querino como Nina Rodrigues concordam quanto a época da origem dessa palavra entre os iorubás da Nigéria, mas tal fato não entra no âmbito deste estudo. Segundo anotações de Verger, sua presença no reino de Ardra e em Ajudá (Uidá) era assinalada no século XVIII.

Fora essa questão dos malês, Francisco Félix de Souza, Domingos José Martins (moravam no Golfo do Benin), Joaquim Pereira Marinho e Joaquim Alves da Cruz Rios (Na Bahia) foram os maiores traficantes de escravos no Brasil, mesmo depois do tráfico ter sido proibido pelos ingleses no início do século XIX através de tratados e convenções com Portugal, Brasil e outras nações.

Somente em 1850, com a decretação da Lei Eusébio de Queirós, esse tráfico cessou, mas alguns se atreviam a burlar a lei. O primeiro artigo da Lei Eusébio dizia que “as embarcações brasileiras encontradas em qualquer lugar, e as estrangeiras encontradas nos portos brasileiros, tendo a bordo escravos, cuja importação é proibida pela lei de 7 de novembro de 1831, e tendo-se desembarcado, serão apresados pelas autoridades brasileiras ou pelos navios de guerra brasileiros e considerados como importadoras de escravos”.

Aqueles que não tiverem escravos a bordo e nem desembarcados, mas com características daquelas utilizadas para o tráfico, serão igualmente apresadas e consideradas como tentado importar cativos. Serão autores do crime os proprietários, o capitão ou mestre, o piloto e o contramestre da embarcação, bem como o sobrecarga.

NOSSO SARAU TEM HISTÓRIA

Nas lentes das máquinas fotográficas e dos celulares, nos debates de diversos temas, no bate-papo fraternal e acalorado, nas contações de causos, nos casos de pessoas que aqui pernoitaram, nas pessoas que já partiram para o outro lado do além ou para a outra margem do rio, nas declamações de poemas, nas cantorias dos violeiros, nos amores encontrados e nas madrugadas comendo e bebericando, o nosso “Sarau A Estrada”, que já está completando 13 anos (ficou dois anos parado por causa da pandemia da Covid-19), tem muita história para se contar. Daria para se fazer até um documentário com seus personagens, uns polêmicos e outros até engraçados. Tudo começou em 2010 num encontro de amigos entre Jeremias Macário, Manno di Souza e José Carlos D´Almeida quando pintou a ideia de reunirmos um grupo somente para ouvir vinis e tomar vinho. Assim surgiu o “Vinho Vinil”, com o Pérgula e o Dom Bosco. Dessa turma de fundadores, outros amigos foram se incorporando e o formato foi se modificando e se ajustando para até chegar ao “Sarau A Estrada”, tendo como abertura dos trabalhos um temo escolhido democraticamente. O evento é realizado no Espaço Cultural A Estrada. Tem os frequentadores assíduos do tipo professor Itamar Aguiar até gente nova que sempre aparece em nossos encontros. A maioria é composta de artistas. Tem muito mais coisa para contar, mas o que fica de eterno são as trocas de ideias, de conhecimento e aprendizagem. Muitos já dizem que o sarau já é de fato de utilidade pública e que já poderia ter recebido homenagens, reconhecimento e moção de aplausos da Câmara de Vereadores e outras entidades pela sua persistência em continuar existindo. Ah, ia quase me esquecendo de dizer que o sarau é colaborativo onde cada um traz petiscos, comidas e bebidas. É uma muvuca organizada e sadia.

NÃO MISTURE NOSSO FORRÓ

Autoria do jornalista Jeremias Macário

Não misture

Nosso forró, não,

Nem profane

Nossas festas juninas,

Com suas músicas assassinas.

 

Nosso forró,

Nasceu do fifó,

Na poeira do arrasta-pé,

Ao som do triângulo,

Da zabumba e da sanfona,

No melaço da cana,

Com cultura, tradição e fé.

 

Nosso forró é nordestino

Dos santos Antônio, João e Pedro

Brinca idoso, jovem e menino.

 

Seu prefeito predador safadão,

Não misture nosso forró, não

Com sua propina de mocotó.

 

Não misture nosso forró, não

De penetras estrangeiros,

Com chapéu de couro,

Indumentária de cangaceiros,

Que roubam nosso ouro,

E nem sabem lá cantar,

Xote, xaxado e baião.

 

Salvem Jachson do Pandeiro,

Marinês, Sivuca e Gonzagão,

Sem essa plástica indecência,

De misturar sertanejo e pagodão,

Axé, arrocha e sofrência.

 

Não misture nosso forró, não,

Pra nóis dançar é forrozeiro,

Na letra agreste do Nordeste,

Com licor, quentão e mungunzá,

Como nos tempos do candeeiro.

AS JORNADAS DE JUNHO, O RENASCER DA EXTREMA DIREITA E O OVO DA SERPENTE

Há dez anos, em 13 de junho, surgiam as manifestações em São Paulo por um grupo de jovens que contestavam as tarifas de ônibus e lutavam para que os transportes coletivos não fossem pagos. A princípio, tudo era ordeiro, mas os movimentos foram engrossando e descambando para outras reivindicações, se espalhando por todo Brasil.

Sempre dizem que os brasileiros têm pouca memória, e a mídia em geral não faz uma reflexão sobre aqueles episódios que ocorreram no governo de Dilma Russelff. Li poucas análises   políticas-científicas e sociológicas sobre aqueles acontecimentos em artigos na imprensa escrita, muitas na linha academicistas.

Prefiro uma linguagem mais direta e objetiva de que foi dali que despertou ou ressuscitou a extrema direita do Brasil que estava mofando em túmulos e armários, gerando depois o ovo da serpente de nome Jair Bolsonaro, filhote do chamado baixo clero na Câmara dos Deputados onde esbravejava impropérios e destilava sua raiva contra o PT, sem falar nas suas atitudes racistas, homofóbicas, ditatoriais e misóginas.

As jornadas de junho invadiram nosso país, e das tarifas, o povo e outros infiltrados baderneiros e vândalos extremistas passaram a cobrar casa própria, mais justiça social, segurança pública, um monte de direitos individuais com cartazes na mão e gritos de rebelião. Das tarifas, o alvo maior passou a ser a corrupção generalizada no governo apurada pela Operação Lava-Jato, sem falar no “bota fora” de Dilma (golpe da direita).

Sem contar a ascensão dos evangélicos que já vinham ganhando terreno (Malafaia e outros pastores) em seus comandos de postos e cargos na política no Congresso Nacional e mostravam sua cara conservadora, o ovo da serpente nazifascista começava a sair da casca, culminando com sua eleição em 2018.

O junho de 2013 foi o despertar do extremismo fascista medieval negativista da ciência e da elite burguesa que não aceitava sentar ao lado dos mais pobres nos aviões dos aeroportos, frequentar shopping center e nem ver uma classe, antes mais baixa, comprar veículos nas concessionárias. Lula colocava lenha na fogueira dizendo: “É nós contra eles”. A ira só fez aumentar, inclusive entre famílias, de pais contar filhos e irmãos contra irmãos.

Dalí surgiram outras enxurradas de movimentos nas ruas, como os camisas amarelas ou da seleção brasileira a pedir o impeachment de Dilma, colocando como mote principal as corrupções generalizadas. Tiveram ainda o bate panelas contra o PT e seu modo de governar. O partido se fechou em seu casulo e rejeitou reconhecer seus erros, fazer um mea culpa.

O juiz Sérgio Moro, que depois foi ser ministro do capitão Bozó e considerado parcial pelo Supremo Tribunal Federal nos julgamentos de Lula e de seus companheiros, passou a ser visto como o herói da nação, de homem íntegro a serviço de bem contra o mal.

Até comentaram que ele estava a serviço da extrema-direita norte-americana para destroçar a esquerda. Foi esse mesmo grupo que depois elegeu o maluco do Trump que veio apoiar o governo do capitão-presidente. A grande mídia não ficou de fora com seus exorcismos contra os diabos malignos, mas tivemos o trabalho diferenciado da imprensa alternativa mostrando o outro lado da história.

Seus aliados, como o MST e as centrais sindicais não apresentaram força suficiente para conter a onda fascista terraplanistas e deu no que deu. A oposição foi opaca, dúbia e equivocada. Na verdade, o ódio e a intolerância tiveram origens lá atrás nas jornadas de junhos. As redes sociais exerceram destaque e papel preponderante na disseminação dos atos agressivos e das fake news desde os fatídicos fenômenos de junho de 2013.

 

UM SÃO JOÃO PROFANADO PELOS INTRUSOS TRAVESTIDOS DE CANGACEIROS

São uns verdadeiros caras de paus esses cantores de arrocha, sofrência, lambadas, axé, sertanejos ou “sertanôjos”, forró eletrônico dentre outros ritmos, sem letras e enredos de conteúdos, subirem aos palcos com indumentárias de chapéus de couro e de cangaceiros para impressionar o público e ainda dizer que estão defendendo a nossa tradição junina! São uns profanadores e predadores carcarás travestidos de falsos forrozeiros!

As cenas são hilárias e lamentáveis, mas o pior ainda são esses prefeitos safadões e ladrões da nossa cultura que contratam essas bandas e músicos por 200 a 500 mil reis quando toda essa grana poderia ser distribuída pelos forrozeiros autênticos da terra prata da casa e mesmo outros nacionais símbolos do nosso forró pé de serra ou arrasta-pé que estão na estrada há muitos anos.

Todos os anos existe essa invasão de bárbaros na nossa festa junina, tipicamente nordestina, que fala da vida desse povo, de amor, de seus hábitos, costumes e da saudade da terra de origem, com o consentimento da população e dos turistas, sem falar do apoio dessa mídia que se cala ou faz elogios diante desses absurdos e anomalias.

Neste ano fiquei de fora, por problemas pessoais, desses festejos que tanto amo mais que o Natal e Ano Novo (nem falo do carnaval bagaceira elitizado), mas fiquei estarrecido com as imagens na televisão em “reportagens” jornalísticas da grande mídia jogando confetes nessas contratações de intrusos que descaracterizam o nosso São João de Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Marinês, Sivuca, Trio Nordestino e tantos outros  que nos deram tantas alegrias ao som da sanfona, do triângulo e da zabumba.

Todos os anos os forrozeiros autênticos denunciam e protestam contra esses intrusos em nossa festa, mas, infelizmente, cada ano a coisa sai pior e o nosso forró vai perdendo espaço para essa turma de aproveitadores e oportunistas que nada têm com o chamado pé de serra. O mais ridículo é que eles dizem que tocam forró desde criancinhas e aparecem vestidos de cangaceiros. Os artistas e os movimentos culturais bem que podiam lançar um manifesto público de repúdio.

No entanto, sou obrigado a concordar que os maiores culpados são esses prefeitos politiqueiros que, com o nosso suado dinheiro, contratam essa gente de fora com cachês de até 500 mil reais, muitos dos quais superfaturados onde uma parte é subtraída para os bolsos deles e de seus assessores. SE os tribunais de contas fizerem investigações mais rígidas e profundas, com certeza, vão encontrar irregularidades nesses “contratos”.

Culpados ainda são o Ministério Público, os artistas nordestinos, os intelectuais, as comunidades e outros segmentos de preservação da nossa cultura que pouco fazem para evitar essa mistura indigesta que nada tem a ver com o nosso forró, nosso baião, nosso xote e xaxado que nasceram do fifó do candeeiro e da lamparina na poeira dos arrasta-pés.

Os festejos juninos de Santo Antônio, São João e São Pedro (São José poderia também ter entrado nesse grupo da Igreja Católica) sempre representaram tradição, religiosidade e fé e vieram dos salões nobres da Europa (passagem do solstício da primavera para o verão), principalmente de Portugal, para nossos recintos populares (quadrilhas e o maracatu) com um conjunto de hábitos simbólicos que também estão desaparecendo com o tempo, inclusive nas comidas e bebidas.

Somente os amantes verdadeiros das festas juninas ficam indignados com o que está ocorrendo. Não se trata de saudosismo, mas de respeito à nossa ancestralidade, e é uma questão de preservar nossa memória para que ela não seja apagada por esses invasores bárbaros que contam com a safadeza de muitos prefeitos e até da aquiescência dessa mídia que só visa o lucro e a audiência.

Vitória da Conquista é um exemplo que contratou o Thierry do arrocha e da sofrência. Vi e ouvi a mídia local dizer que foi um tremendo show. A tendência é que com o passar dos anos o nosso forró será esmagado por essa gente fantasiada de cangaceira e chapéu de couro e sandálias nordestinas.

UM ABSURDO PARA NÃO DIZER IMORAL

Podem me xingar! Podem me criticar! Só não podem ofender a minha pessoa com palavras de ódio e intolerância. Pode até estar de acordo com o que diz a Constituição no seu artigo 29 quanto ao aumento populacional. Pode ser legal, mas é um absurdo e imoral o aumento aprovado de vereadores para Vitória da Conquista, de 21 para 23 parlamentares a partir de 2025.

Da minha parte, entendo como uma tremenda falta de respeito com a nossa sofrida população, e não me venham com essa de que não vai importar em aumento de gastos. O argumento dos edis, como sempre, é que não vai impactar no orçamento. É uma conversa para boi dormir. Basta de abusar da nossa paciência e subestimar nossa inteligência. Como eles vão dividir os lotes eleitoreiros. Vai ser uma “briga de facão”

Ora, mais dois vereadores requerem mais gastos para montar dois gabinetes com seus eleitos remunerados, mais verbas a que têm direito e contratações de auxiliares-assessores. Se está sobrando dinheiro do orçamento da Câmara, então devolva para o poder executivo investir na educação e na saúde. Pode servir até para criar mais creches.

Não me venham com esse papo, que não me convence, de que mais vereadores significa melhoria na qualidade de vida dos conquistense. Essa é mais outra lorota que o nosso povo inculto engole. Quando havia 19 e passaram para 21 argumentaram o mesmo. Gostaria que me apontassem as melhorias concretas, não subjetivas e surreais de mais indicações e moções de aplausos.

Não é preciso dizer que já temos um Congresso Nacional (513 deputados e 81 senadores) de poderosos (mais de 300 são da bancada ruralista) e um dos mais ordinários e mais caros do mundo que legisla de costas para o povo, sem contar as Assembleias e cerca de 5.700 câmaras municipais. É muita gente para pouco serviço. Aliás, é um desserviço essa quantidade enorme de parlamentares para um Brasil de tanta pobreza, desemprego e carente em tudo.

Confesso que tomei um susto e fui arrebatado por um sentimento de revolta e indignação quando li no “blogdosena” essa aprovação, no último dia 16, e somente um vereador, o Alexandre Xandó, votou contra. Por pouco não foi unanimidade para ser uma atitude burra, como dizia nosso escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues.

Quanto a essa decisão, que considero insensata e inoportuna para os momentos atuais, um silêncio perturbador da comunidade, dos segmentos da sociedade onde cada entidade (sindicatos, associações, movimentos culturais) só pensa em seus interesses próprios, do Ministério Público e outros órgãos, nos incomoda muito. Onde estão os artistas, intelectuais, professores, estudantes, operários que não se manifestam?

Pela sua história, pelas suas lutas, pelos seus personagens nas artes e em outras áreas da nossa vida social, econômica e educacional, pela sua gente humilde e trabalhadora, Conquista não merece isso. Precisamos sim, reduzir o número de parlamentares.

Essa aprovação é insensata e até provocativa do ponto de vista de que não acrescenta em nada em termos de contribuição para o nosso desenvolvimento. Acrescenta em mais despesas no entendimento até daqueles que só sabem fazer uma conta de dois mais dois.

Não me importam as críticas ao contrário pois, pela minha idade, já estou calejado de tanto apanhar. Só peço que respeitem a minha sincera opinião. Ela é sagrada e do direito do pensar em liberdade. Afinal, estamos numa democracia, mesmo frágil. Aliás, meus amigos, são coisas dessa nossa democracia que ainda não está amadurecida e consciente politicamente.

TIMES NÃO PODEM SER PENALIZADOS PELA VIOLÊNCIA DE CERTOS TORCEDORES

No Brasil sempre se procura o atalho mais simples para se resolver questão mais complicadas por falta da aplicação de medidas e leis mais rígidas das autoridades que deveriam cuidar do problema. É fácil se eximir da responsabilidade e punir um terceiro que não tem culpa no cartório. É uma maneira de querer tapar o sol ou a chuva com uma peneira.

Um caso típico disso está relacionado com a crescente violência nos estádios de futebol no Brasil, a exemplo, do que ocorreu esta semana na Vila Belmiro no jogo entre Santos e Corinthians e no São Januário entre o Vasco e o Goiás onde torcedores soltaram foguetes, bombas, rojões e objetos perigosos no campo, revoltados com as derrotas de seus times.

Imediatamente a Justiça Desportiva da CBF penaliza as equipes com as perdas de público em seus estádios como se os times tivessem algum controle sobre a estupidez e a violência de determinados torcedores em momentos de raiva e ira. Não passam de bandidos assassinos que deveriam ser encarcerados. Para o reconhecimento desses brutos existe toda uma tecnologia disponível.

Como esses indivíduos violentos passam nesses portões com todo esse arsenal de guerra? Não existe fiscalização da polícia e dos agentes que cuidam da organização das partidas? Cadê o Ministério Público estadual e federal que não toma outras providências para evitar essas ocorrências e distúrbios de agressão? Quais órgãos estão sendo negligentes na manutenção da ordem?

A mesma coisa é quando grupos de torcedores praticam o racismo, a xenofobia e a homofobia contra jogadores. Por ser mais fácil, a tal justiça cega e os órgãos preguiçosos multam financeiramente o time e até existe ameaça de tirar os pontos ganhos no certame. Confesso que não consigo compreender essa lógica.

Como é possível a diretoria de um time ser responsável por um cara ou caras malucos que numa multidão de 50 ou 70 mil pessoas soltam palavrões e xingamentos racistas contra um atleta? Existem certos episódios que nem se tem certeza que esses agressores são mesmo torcedores do time que é penalizado.

Enquanto perdurar esse modus operandi simplificado, a violência e as atitudes de racismos vão perdurar nos estádios porque o sujeito malfeitor não está nem aí se seu time vai ser punido. A raiva e o ódio dele sempre vão estar acima da razão. É uma questão de educação e formação de caráter. Tem que haver outra forma rígida de se acabar de vez com esses tipos de comportamentos inadmissíveis.

Se vão continuar com a decisão de somente penalizar os times, pode até fomentar a ideia de “torcedores”, com a camisa de outro clube, penetrarem na torcida adversária para provocar violência e racismo, justamente com intuito de prejudicar seu rival. Afinal de contas, estamos num país da malandragem onde o absurdo pode acontecer.

 

“FLUXO E REFLUXO” XXV

BRIGAM OS PORTUGUESES, OS INGLESES, HOLANDESES, FRANCESESS E OS BRASILEIROS PELO TRÁFICO NEGREIRO NO GOLFO DO BENIN, NA COSTA DA ÁFRICA OU SOTAVENTO, TUDO PELA COMPRA DE CARNES HUMANAS EM TORCA DO TABACO, DO AGUARDENTE, DO AÇÚCAR, DO OURO CONTRABANDEADO E ATÉ POR CONCHAS – MOEDAS CHAMADAS DE CAURI (MALDÁVIA) e do ZIMBO (ILHA DE LUANDA, NA ANGOLA.

Em Notas de pesquisadores, relatadas no livro “Fluxo e Refluxo”, de Pierre Verger, conta que o rei do Dahomey (Daomé) Adandozan, por volta de 1778, tinha visto durante muito tempo com olhos invejosos Apée, Porto Novo (pertencente a Ardra) e Badagre, em razão do grande número de vasos que iam traficar nesses portos, enquanto Whidah (Uidá) estava quase totalmente abandonado. Ele adotou a política do seu avô Agaja, e resolveu estender suas possessões e apropriar-se das mercadorias europeias acumuladas por seus vizinhos.

Como seus vizinhos estavam cercados de lagos e pântanos, difíceis de serem atingidos, o rei resolveu fazer amizades com um dos príncipes da região, no caso o rei de Ardra. No fim a conspiração foi descoberta. Apée era a vítima prevista, que foi devastada e muitos foram feitos prisioneiros pelos daomeanos. Mesmo assim, o rei com sua tropa de fieis conseguiu escapar para outro reino. Apée resistiu e colocou Ardra em fuga, com ajuda de um negro brasileiro negociante chamado Antônio Vaz Coelho que conseguiu uma boa posição política em Ardra.

AS LUTAS NAS BUSCAS POR ESCRAVOS

Durante mais de 300 anos, entre o final do século XV ao XIX, os traficantes donos de navios, capitães das embarcações (os vasos), os senhores de engenhos e das minas, diretores de feitorias, negociantes de todas as partes e até escravos emancipados arriscavam suas vidas na busca incessante por cativos que rendiam altos lucros.

Nesse comércio ambicioso, valia a lei do mais forte, as astúcias, armadilhas, as trapaças e as traições entre eles. Cabeças eram decapitadas, muitos eram encarcerados em calabouços e exilados por reis por enganar e sonegar o pagamento do fisco pela parte que cabia aos reinos e coroas. Holandeses e piratas perseguiam e saqueavam as cargas dos navios, principalmente dos portugueses e brasileiros.

Nessa época, a costa africana era um coito de intrigas e um enxame de maribondos na disputa para ver quem mais lotava de escravos os navios negreiros nos porões da morte, sujos e fedorentos. Os oceanos se transformaram em cemitérios de negros que eram jogados vivos e doentes nos mares para a festa dos tubarões.

Os reis do Daomé (Golfo do Benin) sempre foram os poderosos e guerreiros que brigavam pelo domínio de outros reinos (de Ardra, Porto Novo, Badagre, Lagos) na conquista por mais e mais prisioneiros que eram vendidos como escravos. Reis, rainhas e príncipes, considerados como inimigos, eram embarcados em navios como cativos.

Toda essa tragédia humana, vergonhosa e criminosa, institucionalizada pelos governantes onde até o escravo desejava ter um escravo como um bem que dava status e servia como uma  hipoteca, inspirou escritores, intelectuais, pesquisadores e, especialmente, poetas, como o baiano Castro Alves em “Espumas Flutuantes” no célebre poema “O Navio Negreiro” onde clama num trecho: Senhor Deus dos desgraçados!/ Dizei-me vós, Senhor Deus!/ Se é loucura… se é verdade/ Tanto horror perante os céus…/ Ô mar! Por que não apagas/ Com a esponja de tuas vagas/ De teu manto este borrão?…/ Astros! Noite! Tempestades!/ Rolai das imensidades! Varrei os mares, tufão… / Quem são estes desgraçados…

Foram estes negros trazidos de vários reinos da África, dominados pelas potências de colonizadores que aqui deixaram no Brasil suas culturas na música, nas comidas, na capoeira, em seus gingados, nas palavras e no sincretismo religioso.

Aqui foram colocados nos troncos e sofreram horríveis torturas de seus senhores, e até a Igreja Católica foi escravista e conivente. No entanto, até hoje são vítimas de racismo e de todo tipo de discriminação, como a social. A maioria vive na pobreza em favelas e nas periferias das cidades.

Muitos desses relatos estão na obra do etnólogo e fotógrafo Pierre Verger, “ Fluxo e “Refluxo”, que da Bahia se fez filho e se tornou adepto da religião de matriz africana. Pelos meados do século XIX, a partir de 1835, com a revolta dos malês, esses negros, por vontade própria e outros por expulsão das autoridades brasileiras, fizeram  a viagem de volta para suas terras de origens e formaram colônias, sobretudo em Ajudá (Uidá), Porto Novo, Badagre e em Lagos.

Eram várias etnias e nações, como os nagôs-iorubás, os jêjes-mahis, os tapas, haussás que atravessaram o Atlântico com suas bagagens e pertences, mas, mesmo assim, a grande maioria não teve o destino certo porque os brancos roubaram seus bens e não lhes deixaram nos portos desejados e contratados.

Tiveram que amargar o sofrimento de se aventurar pelo interior africano para alcançar sua terra natal ou aportar em outros reinos diferentes. Em vários locais formaram “colônias brasileiras”, hostilizadas pelos nativos e indígenas. Muitos eram até chamados de “brancos” por serem considerados boçais que falavam o português e praticavam o catolicismo e o islamismo.

 

NA VILA DO SÃO JOÃO

O São João, uma festa tipicamente nordestina, apesar de ter sido descarecterizada nos últimos anos com a mistura maléfica de outros ritmos, como do arrocha e da sofrência, caso do cantor Thierry, que foi contratado pela Prefeitura de Vitória da Conquista onde se apresentou no Espaço Glauber Rocha, ainda é o melhor evento festivo popular, superando o bagunçado e elitizado carnaval. Melhor para quem foi à Vila Junina, armada na Praça Nove de Novembro, no centro da cidade, onde se apresentou somente bandas forrozeiras que mantiveram a nossa tradição cultural, sem falar nas comidas e bebidas típicas. Todo ano se fala e se bota a boca no trombone contra deturpação do nosso forró, mas prefeitos, politicamente incorretos e eleitoreiros, continuam contratando bandas sertanejas, de axé music e pagodeiras por altos preços que variam de 300 a 500 mil reais (muitas superfaturadas), ao invés dos autênticos pés-de-serras ou arrasta-pés como eram chamados desde o surgimento do ritmo por volta de 1930 e 1940/50 com Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino, Sivuca e Marinês de saudosas lembranças com o triângulo, a sanfona e o zabumba.





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia