Estive na fazenda de um amigo meu nesta semana, em Itambé, e tive a oportunidade de acompanhar, com as lentes da minha máquina, o castramento de vários bois numa idade variável de um ano. Pude observar que é um processo doloroso e estressante para o animal. Para o castrador, o pior é que em mais um ano ele será levado ao matadouro. A vida de um boi de corte é de pouco mais de dois anos. Como é tão curta! – Comentei – e o outro ajudante respondeu que ainda mais curta é a vida de um frango, em torno de dois meses. Existem abatedouros clandestinos onde os bichos passam por um grande sofrimento antes de serem sacrificados. Tudo isso para alimentar o ser humano, o maior predador e depredador da terra que agora vem sendo atingido pela natureza, há séculos maltratada, que agora está dando sua resposta, com intempéries, enchentes, secas, ciclones e terremotos.

O processo de castramento do boi exige o trabalho de duas a três pessoas e é por demais sofrido, desde quando ele começa a ser empurrado para o corredor estreito do curral até ser laçado e arrastado numa espécie de enforcamento. O castrador joga uma corda entre a barriga e suas duas pernas traseiras fazendo o animal perder suas forças até cair ao chão. Ele respira ofegante com dificuldade. O mais doido é o corte literalmente dos testículos, ou ovos (bagos) com a faca que faz jorrar o sangue. São retirados alguns nervos e, para não infeccionar, lava-se o local com água e passa um produto parecido com betume. Tem outros que colocam sal grosso para não pousar varejeiras e provocar outras doenças. Para terminar, dá-se uma injeção de antibiótico. Depois das cordas afrouxadas, o boi sai cambaleado e tonto e borrado de dor. Vendo aquilo tudo, os outros que ainda não caíram na faca resistem o possível para não serem capados. Olhando toda aquela cena de tortura e horror, lembrei dos eunucos dos sultões que eram castrados para cuidar dos haréns das mulheres. Como ainda somos estúpidos e primitivos!