O PONTO DA QUESTÃO
BAIXO CLERO VIRA ALTO CLERO
A Câmara dos Deputados, hem, é digna de pena, coitada! Aliás, coitados de nós mortais! A Casa segue com sua agenda conservadora ressuscitada pelo Baixo Clero que virou Alto Clero no decorrer do comando do ex-presidente Eduardo Cunha. O novo escolhido Rodrigo Maia, do DEM, sempre foi seu aliado. Seu partido é bisneto da ARENA dos tempos da ditadura e tataraneto da antiga UDN de Carlos Lacerda. E quem diria! O DEM também está sendo ressuscitado dos mortos! Agora tem um presidente da Câmara, um ministro da Educação e um prefeito bem cotado em Salvador.
Do Baixo Clero surgiram ilustres desconhecidos que abortaram suas ideias retrógradas e nazifascistas de racismo, homofobia e xenofobia. Dos seus quadros saíram da moita deputados que nunca tinha se ouvido falar. Sobre o processo de cassação de Cunha, eles podem começar a se preparar para cantar os parabéns de aniversário de um ano, com direito a bolo e uma velinha. O Senado também não fica atrás com os senhores Renan Calheiro, Fernando Collor, Jader Barbalho e o Romero Jucá, o polivalente das tramoias e maracutaias que agora se arvora ser relator de um projeto sujo de “abuso de autoridade”.
CONQUISTA MACHISTA!
Eleições municipais e as mesmices de sempre, salvo algumas regras da capenga “reforma eleitoral”. Fora isso, os nomes e os métodos empregados para enganar o eleitor com promessas vãs são os mesmos. Para não variar, nenhuma mulher é candidata à prefeitura da terceira maior cidade da Bahia e isso nunca aconteceu em toda sua história. Seria a marca do machismo ou falta de mobilização política das próprias mulheres? Desinteresse ou descrédito e desencanto com a política nestes tempos de caos?
ÁGUA E AEROPORTO
Seja como for e quem for, o próximo prefeito de Vitória da Conquista tem que pensar de forma grande, proporcional ao porte da cidade que está a necessitar de projetos de relevância em infraestrutura, que deem sustentação ao seu crescimento. Educação deve ser a prioridade, e o município merece ter sua própria política cultural, bem além dos eventos de Natal e São João que devem continuar com os mesmos formatos e conteúdos.
Embora alguns da alçada estadual e federal, o novo prefeito tem que cobrar a conclusão da obra do novo aeroporto que está virando pouso de urubu dentro de um matagal. Outra preocupação será com o abastecimento de água da cidade com a construção de uma barragem com capacidade para atender a demanda da população. O povo não merece ser tão maltratado!
TRANSPORTES PÚBLICOS
Mobilidade urbana com alternativas de outros meios de transporte público deve ser outra meta de governo, inclusive com a implantação de um novo terminal de ônibus e urbanização do existente que é feio, sujo e já está com seu espaço saturado. Um centro administrativo da prefeitura desafogaria o trânsito no centro da cidade.
RUAS, BAIRROS e PRAÇAS
A VOLTA DOS QUE JÁ FORAM SEM UMA CANDIDATA À PREFEITURA
Na terra de dona Laudicéia Gusmão, Henriqueta Prates, Joana Angélica Santos, Geny Fernandes de Oliveira Rosa, a Dona Zaza – primeira a assumir uma cadeira na Câmara Municipal (1937), Lycia Moura, Zilda Maria Moura Costa (Zyka), Olívia Flores, Dona Dalva Flores e tantas outras de destaque no cenário econômico, político e social, uma mulher ainda não assumiu o cargo de prefeita.
Nesses quase dois séculos de história desde Vila Imperial, em 1840, Vitória da Conquista se evoluiu na economia, na educação e na cultura com grandes nomes e feitos na literatura, na poesia e na música. Enfrentou a ditadura de 1964 com a cassação de um prefeito eleito pelo povo e hoje é a terceira maior cidade da Bahia, mas nunca teve uma candidata à prefeitura.
Na política estadual, Conquista sempre foi uma caixa de surpresas e mudanças ao apoiar e eleger candidatos com ideias e tendências progressistas, comprometidos com o setor social. Saiu de uma duradoura oligarquia coronelista para votar em pessoas com viés socialista de esquerda, como foi a eleição de Pedral Sampaio, em 1962.
Nas décadas de 70 e 80 rejeitou o autoritarismo carlista elegendo nomes da oposição (Raul Ferraz, Jadiel), culminando com a tomada do poder pelo PT com a escolha de Guilherme Menezes, em 1996/97. Mesmo assim, o município que mais cresceu nos últimos anos no Norte e Nordeste ainda mantém o ranço político conservador por nunca ter elegido uma mulher como prefeita, muito menos como candidata.
Pelo que se sabe, a única mulher que tentou e não conseguiu foi Margarida Oliveira, em 1992. Terminou sendo vice na chapa de Pedral Sampaio, mas não assumiu, preferindo continuar como deputada na Assembleia Legislativa.
Nesse sistema político vicioso, arcaico e perverso, nos anos eleitorais municipais na Bahia, no Nordeste e no Brasil em geral, como agora, está sempre na tela o chamado “clube do bolinha” com a volta dos mesmos candidatos que já foram prefeitos e vereadores, mais pela via assistencialista dos favores do que pela competência propriamente dita.
Vitória da Conquista não fica de fora desse esquema das mesmas caras, ainda mais por nunca ter tido uma candidata à prefeitura, o que vale dizer que jamais foi governada por uma mulher. Neste ano não é diferente entre os partidos que postulam o cargo, embora na história mais recente, como lá atrás, muitas mulheres continuem desempenhando funções de destaque na sociedade com seus exemplos de trabalho e dedicação.
“UM BOM PAR DE SAPATOS E UM CADERNO DE ANOTAÇÕES” – Final
O FRIO E OS CASTIGOS FÍSICOS
Em sua reportagem, Tchékhov descreve a solidão de Sacalina em tom poético e melancólico como no trecho: “Os trabalhos forçados, mesmo à luz dos fogos, continuam a ser o que são, e a música, quando ouvida de longe por alguém que jamais voltará à terra natal, só desperta uma saudade mortal”.
Sobre as prisões e o frio que ferem a alma, o médico pesquisador cita num de seus escritos: “Dizem que em Sacalina o próprio clima predispõe as mulheres à gravidez; mulheres idosas dão à luz, mesmo aquelas que na Rússia eram estéreis e já tinham perdido a esperança de ter filhos”. Mistérios da natureza e do tempo!
Conforme reporta, no sul da ilha os castigos físicos são mais frequentes e chegam a açoitar até cinquenta homens por vez. Os livres não tiram o chapéu para entrar nas casernas. Os forçados batem continência e tiram o gorro ao passar pelos livres.
O escritor consegue driblar a censura da época tzarista e denuncia em detalhes os sofrimentos desumanos impostos aos detentos. Dos trabalhos, o forçado volta à prisão para dormir com as roupas encharcadas e os calçados imundos; não há com que se enxugar; parte das roupas é estendida ao lado das tarimbas, sobre outra parte, sem deixá-la secar, ele se deita como que num enxergão.
INSTINTO PRIMITIVO
O choro cínico e travado do deputado Eduardo Cunha revela todo o instinto primitivo da alma humano no que há de mais debochado e sarcástico. Representa também o avanço conservador da corrente parlamentar sobre o qual venho prenunciando há mais de cinco em conversas com amigos, embora sem ter recebido a devida atenção.
O baluarte da direita reacionária, infelizmente, consegui engessar o país porque a ala dita esquerda, para manter-se no poder a qualquer custo, acolheu as piores figuras que sempre foram simpáticas ao regime militar da ditadura de 1964 e até hoje sonham com a sua volta. As expressões progressistas deram pouca importância para o fato e se preocuparam mais em se lambuzar com a corrupção.
Como disse a cientista social Flávia Babireski, “a direita saiu do armário” na pessoa “representativa” do Eduardo Cunha que chamou para si toda atenção da mídia, mais que os dois presidentes ora de plantão. Para quem não acreditou, está aí a chegada perigosa da maré conservadora com uma nova legião de políticos de partidos fisiológicos, empunhando a bandeira evangélica com seu projeto do Estatuto da Família.
Como fermento em bolo, o Congresso hoje conta com a Frente Parlamentar Evangélica, a maior da história do país, que reúne 79 deputados, se bem que 200 são simpáticos às suas pautas retrógradas, em nome de Deus. Fazem parte desta Frente, as bancadas da bala, da bíblia, do boi (agropecuária) e a sindical empresarial.
Por tudo isso, a política brasileira hoje gira em torno de discursos reacionários, como do deputado sargento Isidório, na Bahia, o mais cotado com 123 mil votos. O Congresso atual é tão conservador quanto o de 1964. O analista político Carlos Bacelar acredita que a face do Congresso nacional é mais suja e feia que a face dos brasileiros.
A situação conservadora é atestada através de números, que vale dizer que não parte de uma opinião subjetiva. Foi feita um levantamento e se constatou que as bancadas da Câmara dos Deputados estão distribuídas em 35 da bala, 200 da bíblia, 207 agronegócio, 43 sindical, 202 empresarial e apenas 30 dos direitos humanos. Na Assembleia Legislativa da Bahia, 15 são da bala, 25 da bíblia, 37 agronegócio, oito sindical, 40 empresarial e sete minguados representantes dos direitos humanos. É o instinto primitivo, minha gente!
“UM BOM PAR DE SAPATOS E UM CADERNO DE ANOTAÇÕES” (I)
Como fazer uma reportagem
Uma viagem ao inferno dos deportados, dos condenados a trabalhos forçados, dos carcereiros, dos colonos e dos camponeses foi feita pelo médico e escritor Anton Tchékhov aos 30 anos à ilha Sacalina, na Sibéria Oriental, em 1890, durante o império russo tzarista.
O recenseamento dos habitantes do local foi um pretexto que o autor aventureiro encontrou para realizar seu objetivo maior de escrever o livro “A Ilha de Sacalina”, do qual o prefaciador Piero Brunello fez uma seleção de textos que gerou “Um Bom Par de Sapatos e um Caderno de Anotações” – Como Fazer uma Reportagem.
Como está explícito no subtítulo, o livro da editora Martins deve ser uma leitura de constante aprendizagem para estudantes de jornalismo, profissionais e pessoas interessadas no assunto porque oferece valiosas dicas e passos importantes de como observar os locais; tratar as fontes; e fazer uma entrevista para conseguir uma boa reportagem jornalística.
Com o avanço tecnológico e o advento da internet, o título poderia ser atualizado para “Um Bom Par de Sapatos e um Gravador com uma Máquina Fotográfica”, se bem que ainda gosto do caderno de anotações. O conteúdo do livro permaneceria o mesmo.
O jornalista para ser um bom repórter tem que gastar sola de sapato e não ficar enfurnado numa redação durante todo tempo diante de uma tela de computar usando aplicativos e e-mails para fazer uma reportagem. Tem que ser cético como Tchékhov. Para ele tudo era matéria e que fora dela não há verdade. O escritor Tolstói certa vez o definiu como ateu absoluto, mas excelente pessoa.
Tchékhov em seus trabalhos definia o escritor não como um confeiteiro, mas como um repórter e perguntava: O que você diria de um repórter que por repulsa ou pelo desejo de satisfazer os leitores, descrevesse apenas prefeitos honestos, damas sublimes e ferroviários virtuosos? A indagação ainda é atual aos tempos de hoje.
O QUÊ VIRÁ DEPOIS?
VER O EDUARDO CUNHA CHORANDO INOCÊNCIA DESPERTA O QUE HÁ DE MAIS BRUTO NA NATUREZA HUMANA. RESSUSCITA O PRIMITIVISMO E OUTRAS COISAS ODIOSAS.
É hilário, irônico, nojento, repugnante e revoltante ver o Eduardo Cunha chorando diante dos microfones anunciando sua renúncia do cargo como presidente da Câmara dos Deputados! Uma pergunta que faço neste Brasil vilipendiado, desmoralizado e ridicularizado por este Congresso Nacional aqui e no exterior é o quê virá depois? Por que o brasileiro está sendo tão castigado?
O cara é de um cinismo nunca visto neste país e ficará para sempre na história como o pior presidente da Câmara. É claro que ele está tramando com sua tropa de choque um perdão para não perder seu mandato. Coitado do Cunha se dizendo perseguido e injustiçado! É como um murro nos nossos estômagos! Está ai um grande ator de novela que nem precisaria fazer teste!
Que sua tropa safada o defenda é até compreensível porque faz parte da mesma corja que está levando o Brasil ao abismo, mas o pior é ouvir parlamentar, que se diz contrário a ele, afirmar que o ex-presidente prestou um grande serviço ao abrir o processo de impeachment da presidente Dilma. Oh, quanta pobreza de pensamento! Quanta miséria humana!
Ver o Eduardo Cunha chorando faz sangrar minha alma. É como se levasse um tiro traiçoeiro pelas costas. É abusar demais da nossa paciência. A cena parece muito com a de um bandido perigoso chorando diante do delegado e jurando inocência.
Apesar de todos nossos pecados, bem que merecemos mais respeito. A imagem degradante na televisão é mais um entulho de lixo e esgotos que recebemos todos os dias em nossas caras. Até quando vamos suportar tantas mentiras e cafajestagens? O quê ainda pode acontecer de tão ruim neste Brasil, tão machucado e maltratado?
PENITENCIÁRIA DOS CORRUPTOS
Quadrilhas de traficantes, de roubo de cargas e de assaltos a bancos são fichinhas diante dos terroristas mafiosos que resolveram bombardear e saquear os cofres públicos e as estatais brasileiras numa tirania comparada às patas do cavalo de Átila que destruía até a vegetação por onde passava. Estamos lidando com uma máfia do tipo russa, japonesa, chinesa e a siciliana, que mata e ameaça de morte quem ousar abrir a boca, utilizando-se até do método medieval do envenenamento.
Sem piedade, eles atacam criancinhas, idosos aposentados, inválidos, deficientes, famintos, escolas e doentes nos leitos de morte nos corredores dos hospitais. Duelam entre si por cada centavo e armam emboscadas nas moitas e penhascos esperando pela passagem da próxima carruagem de ouro.
São bandidos mascarados perigosos que vêm agindo há anos nas terras brasilis. Eles merecem competir com grandes clássicos dos westerns pintados pelos cineastas John Ford e Sérgio Leone. O que o juiz xerife Sérgio Moro vem fazendo na “Lava Jato” representa um grão de areia diante da montanha de corruptos que são beneficiados pela impunidade.
Com uma pequena parte dos bilhões roubados, o Estado poderia erguer uma monumental penitenciária, paga com o dinheiro desviado por eles mesmos e jogar todos lá dentro para ver quem consegue sobreviver entre os mais espertos e sanguinários. Vai ser uma bagaceira só, como nos antigos engenhos de açúcar!
O nome poderia ser Penitenciária dos Besouros Malignos, dos Vermes Corruptos, dos Mafiosos, dos Gafanhotos ou outro qualquer escolhido em concurso, não importa. Não iria ter problema de falta de tornozeleiras como agora. Aliás, por que esses presos não fazem uma vaquinha e compram os apetrechos com o dinheiro das propinas? Aliás, o Estado não tem tornozeleiras justamente porque eles surrupiaram a verba.
O prédio poderia ser construído em plena floresta amazônica, no pantanal ou na caatinga mais árida do Nordeste e ser transformado numa atração turística como patrimônio da punição nacional. Já imaginou visitar uma penitenciária cheia de políticos, doleiros, lobistas, empreiteiros, marqueteiros, executivos de estatais, ministros, ex-prefeitos, ex-governadores, ex-presidentes e suas mulheres cumplices dos crimes! Seria um zoológico divertido com as plaquinhas de avisos: “Vírus mortal! Não se aproxime para não ser contaminado!”, em cada jaula! Garanto que seria o roteiro turístico mais visitado do Brasil!
Na entrada do edifício poderia ser instalado o Museu dos Corruptos com sacos e saquinhos, sacolas, mochilas, sapatos, botas, malas, cuecas, calcinhas, sutiãs, meias, baús e chapéus utilizados por eles como instrumentos de trabalho. Haveria uma escala de plantão no presídio e em cada dia um serviria de guia para explicar toda história da corrupção no país, desde os tempos coloniais, e como funcionava e funciona hoje. Antes da visitação, porém, todos deixariam seus bens (relógios, joias, bolsas, etc) num local especial tipo cofre forte de aço blindado sob a guarda de policiais estrangeiros. O governo não gastaria nada!
NO CERNE DA QUESTÃO
“DIABOS LOIROS”
A Inglaterra das canhoneiras, da revolução industrial e científica, de Shakespeare, dos Beatles, dos grandes poetas, da resistência aos ataques da Alemanha nazista na II Guerra Mundial, do primeiro parlamento que inspirou a abolição da escravatura, agora dá um passo atrás se separando da União Europeia por conta do racismo, da xenofobia, do ódio e da intolerância aos estrangeiros. Logo a ilha britânica que já levou o terror do imperialismo a todos os cantos da terra!
Essa volta ao extremismo e ao conservadorismo radical foi orquestrada pelo ex-prefeito de Londres, Boris Johnson que, com o mesmo tom e aparência física com o candidato a presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, forma a dupla “Diabos Loiros”.
Sem conotação racista, é bom que se diga que os diabos se disfarçam de várias cores e existem também os diabos negros, brancos, mestiços e os amarelos. No caso da Inglaterra, é bom lembrar que foi lá que Karl Marx escreveu boa parte do “Capital” onde propagou suas ideias de uma comunidade humana unida, sem fronteiras e o sonho utópico de uma união internacional pelo comunismo.
MULHERES NEGRAS
Muito interessante a entrevista, divulgada na revista “Muito” do jornal A Tarde, com a socióloga baiana Cláudia Pacheco, pesquisadora do tema da solidão das mulheres negras. Seu estudo virou o livro “Mulher Negra: afetividade e solidão” (Edufba). Vou citar apenas pontos curiosos do tema. A professora diz que percebeu nas narrativas das mulheres com quem conversou que quanto mais pretas (cabelos crespos, nariz largo, etc) maior era a rejeição dos parceiros.
De acordo com o censo de 2010, em Salvador, 32% das mulheres brancas com mais de 20 anos são casadas, contra 22% das mulheres negras. No Brasil, os números variam de 43% (brancas) e 30% (pretas). A pesquisadora fala do tratamento machista diferenciado entre o negro casado com uma negra e o negro com uma branca. Confessa que o assunto permanece tabu até mesmo entre as organizações dos movimentos negros.
Também a professora de teoria da literatura, Lívia Natália Santos publicou num blog um texto intitulado “Eu mereço ser amada”. Segundo ela, uma amiga chegou a dizer que não queria mais se envolver com homens negros, porque eles seriam “educados para amar mulheres brancas”. Existe a exigência de que as mulheres negras sejam sensuais e disponíveis.
Veja o que ela declara: “Percebo que quando eles (negros) se relacionam com mulheres brancas, as tratam de uma forma diferente. Chamam de princesa, minha querida… São meneios quase subservientes. Com a mulher negra, querem traçar uma hierarquia diferente, de superioridade”.
HUMILHAÇÃO
CULTURA DOS CUPINS
Até a nossa maltratada cultura que vive a esmolar por um pedaço de pão para matar sua fome é vítima dos morotós, dos cupins, das bactérias e dos vírus mortais dos corruptores e corrompidos que se vestem de pseudos intelectuais e “promotores da arte”. São eles os verdadeiros “artistas” de ponta no ramo de elaborar projetos burocráticos e bonitinhos com recheios deliciosos de mutretas e maracutaias.
O esquema parece com aquela história do bandido cruel que assalta a cuia do mendigo nas esquinas das ruas, ou do esperto vigarista que troca 10 reais pelos 100 no chapéu do cego. Quem diria! Como se não bastassem a educação, a saúde, a merenda escolar, os remédios, a nossa pobre cultura passou a ser a Boca Livre da vez. Pelas investigações, as fraudes já vêm acontecendo há 15 anos e somam 180 milhões de reais.
A Polícia Federal está no encalço dos bandidos desde 2014 e descobriu que safados bancaram até casamento com recursos da Lei Rouanet, em clube de luxo na cidade de Florianópolis. O evento dos noivos Felipe Amorim e Caroline Monteiro teve como atração principal o cantor sertanejo Leo Rodriguez (ilustre desconhecido) e durou um final de semana.
Na Olimpíada da Corrupção, o superfaturamento, apresentação de notas fiscais falsas e projetos duplicados foram as modalidades mais apreciadas nas conquistas das suas medalhas. Enquanto isso, o escritor, o pintor, o ator e autor de teatro, o cineasta e o compositor musical, além de fazer sua arte, tem que aprender a atolar sua mão na massa da burocracia para formular um projeto, cujo dinheiro nem sempre é liberado.
O Grupo Bellini é o grande mentor e “benfeitor cultural” responsável pelos eventos corporativos, shows com artistas famosos em festas privadas para grandes empresas e livros institucionais. O pobre mortal que escreve um livro usando como tinta seu próprio sangue fica a mendigar por uma publicação que nunca sai.
Muitas empresas envolvidas e 14 pessoas foram presas (logo vão sair pelas portas da frente) e deverão ser indiciadas por associação criminosa, peculato, estelionato, crime contra a ordem tributária, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Fora alguns fachos de luz, vez por outra, há séculos que a nossa cultura vive nas trevas com seus patrimônios materiais e imateriais em ruínas.
Museus, arquivos públicos, bibliotecas, livros e documentos de grandes autores e personalidades, prédios, monumentos e casarões tombados, filarmônicas, orquestras, centros culturais de artes e oficinas, escritos, pontos históricos, expressões populares da cultura como o São João, reisados e outras linguagens artísticas se encontram em estado terminal.
MUDOU PARA PIOR
Os festejos juninos, na grande maioria dos municípios, não deixam mais saudades como antigamente com suas danças, músicas tradicionais, comidas e bebidas típicas, sem contar os hábitos da terra nordestina. Mudar faz parte da natureza humana, mas o São João mudou para pior.
Arrastados pela vala imunda do axé, do pagode, do samba, do funk, da lambada e do sertanejo, com letras e sons de péssima qualidade cultural, os governantes são os maiores culpados, achando que o povo gosta mesmo é da merda do forró de plástico. Se você só dá porcaria e não se tem outra opção, a população se acostuma em comer porcaria.
Um exemplo claro dessa safadeza de prefeitos sem o mínimo de compromisso com a preservação da nossa cultura popular aconteceu em Ibicuí, na Bahia, onde Ivete Sangalo, Safadão, Anita, Leo Santana e outras bandas que colocam mulheres malhadas no palco para exibirem suas bundas e pernas musculosas, abocanharam cerca de 2 milhões de reais dos cofres públicos.
Em Caruaru, advogados tentaram entrar com uma ação para derrubar a contratação do cantor brega “Safadão” por 575 mil reais, mas não deu em nada porque o prefeito derrubou a liminar na Justiça. Diante de toda esta bandalheira ainda aparecem os “otimistas” de plantão falando de esperança e condenando os que se sentem com vergonha de ser brasileiro.
Em Salvador se apresentaram Paula Fernandes e “Simone e Simaria” contratadas pelo Governo do Estado (nosso dinheiro) para agradar eleitores que se contentam com o circo de péssimo gosto. No farol da Barra, se não me engano, Ivete Sangalo, com seus pulos de “tira o pé do chão” prestou homenagem a Lampião e Maria Bonita. A que ponto chegamos com tanto desdém com aqueles que foram verdadeiros heróis e ícones culturais nacionalistas!
O irônico é que essas bandas misturadas (“Quem com porcos se mistura, farelos come”), que nada têm a ver com o ritmo pé de serra forrozeiro ganham bem mais (contratos superfaturados) que os grupos, todos reunidos, que tocam o autêntico São João e dão um duro danado para sustentar suas famílias com sua arte.
O mais triste nisto tudo é que não existe transparência nos gastos, e a corja rouba mesmo. A Justiça não toma providências para prender os ladrões. O mais hilário é ver prefeito passar o mandato todo dizendo que não tem dinheiro para investir no que ainda restam na educação e na saúde. É outro deboche e um tapa em nossas caras! Será que não vamos nos cansar de tanto apanhar desse bando de quadrilheiros do crime?
O mais revoltante é que muda o nosso São João para pior, e os safados continuam sendo eleitos como vai acontecer nas próximas eleições de outubro. O quadro vai ser o mesmo de brigas e mortes entre amigos, irmãos, pais, filhos e parentes em defesa de seus candidatos.
Quero aqui registrar o bom exemplo da Prefeitura de Vitória da Conquista que nos últimos anos tudo tem feito para mostrar o espetáculo do São João cultural “Pé de Serra do Periperi”, patrimônio nordestino, com artistas comprometidos com o forró autêntico, tantos os de fora como os locais.
Como neste ano não teve verbas para realizar grandes contratações nacionais, o executivo colocou no palco artistas regionais que deram conta do recado e a população chegou junto e prestigiou. O povo pode até comer porcaria se você não oferecer a coisa boa para ouvir e alimentar a alma com música de verdade.
















