CONTEÚDO, APURAÇÃO E TENDÊNCIA
“Os processos de comunicação de massa, com suas estruturas de controle interno, assim como seu papel de apoio aos negócios e aos sistemas políticos, são tão eficazes que dispensam os tanques dos regimes ditatoriais. A propaganda está para a democracia assim como a tortura e a repressão estão para os regimes totalitários”.
O comentário é do comunicólogo e filósofo Aran Noan Chomiskv que precisa ser refletido e debatido nos dias atuais do nosso Brasil de crise política, econômica e moral onde os partidos ditos de esquerda, artistas e intelectuais taxam a mídia de um modo geral de “golpista e tendenciosa”, tirando ai, é claro, a generalização e os exageros de quem defende a permanência do poder a qualquer custo.
A liberdade de imprensa tem que ser defendida e não deve morrer nunca, mas, exige-se também que os autores e usuários dela tenham responsabilidade. Sempre digo que o direito à liberdade de imprensa acaba quando não se tem ética, moral e responsabilidade.
Bem, toda esta introdução foi para dizer que no dia 7 de abril se “comemora” o Dia do Jornalista, conforme estabelecido pelos sindicatos da categoria e pela Federação Nacional dos Jornalistas. Antes de qualquer outra discussão, até há pouco tempo se homenageava a data com reportagens, entrevistas, eventos, seminários, painéis e encontros, mas ontem (dia 7), houve apenas algumas citações. Tem-se uma sensação de decadência e desvalorização da profissão, especialmente após o advento da internet.
EÓLICAS AVANÇAM NA BAHIA
No primeiro trimestre deste ano, mais 18 usinas eólicas, representando investimentos de R$1,7 bilhão e 458.500 MW acionados à rede elétrica, entraram em funcionamento no semiárido baiano nos municípios de Santo Sé, Campo Formoso, Caetité e Igaporã.
Com as novas unidades, a Bahia agora completa 60 usinas em operação e mais 1,53 GW em potência instalada na produção de energia eólica, segundo o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jorge Hereda.
Atualmente, a Bahia é o terceiro maior estado brasileiro em produção de energia eólica, abaixo do Rio Grande do Norte com 97 usinas e 2,6 GW e o Rio Grande do Sul com 67 usinas e 1,55GW. No Brasil, a Bahia é o território que mais avança nessa modalidade energética e o que mais possui unidades em construção, com um total de 46 empreendimentos.
Os investimentos totais na Bahia já somam R$18,5 bilhões em 186 usinas, com 4,5GW de potência em 22 municípios. No semiárido é uma paisagem dos chamados cata-ventos nunca vista. Em Caetité e Igaporã, na região, os aerogeradores se erguem como gigantes da caatinga
NÃO ADIANTA ARREMEDIAR
“Quem com o ferro fere, com o ferro será ferido”.
O médico passa um remédio para aliviar a dor do portador de câncer, mas não extrai o tumor do paciente. Outro toma um analgésico para a dor de cabeça que é consequência de uma infecção intestinal grave. Assim acontece com a crise política, econômica, moral e institucional levando o país a uma divisão entre lado A e lado B, cada um destilando mais ódio e intolerância.
Agora estão falando em realizar novas eleições através da impugnação pelo Tribunal Superior Eleitoral da chapa Dilma/Temer, ou até mesmo gerais incluindo deputados e senadores para até 2018. Não adianta nada disso se o sistema político eleitoral continuar a mesma coisa com seus vícios e deformações desmoralizantes, agredindo frontalmente a nação.
Não adianta arremediar o doente com paliativos se não atacar a raiz principal do problema, sob pena dele logo aparecer lá na frente. Com novas eleições, com impeachment ou sem impeachment, o Brasil vai continuar sangrando e poderá sofrer uma hemorragia, levando-o a um estado de coma, se é que já não está. A verdade é que o paciente está seriamente enfermo e precisa de uma junta médica de qualidade, não de palpiteiros.
Por que não fazer um plebiscito para a população decidir se aceita ou não um novo regime parlamentarista e convocar, urgentemente, uma Nova Constituinte formada por uma comissão de renomados estudiosos da intelectualidade, instituições, cidadãos e os diversos segmentos representativos da sociedade, incluindo todas as categorias e classes.
“NEGRAMAFRICAMENTE”
Das mãos do amigo e professor Itamar Aguiar li o livro de poesias “Negramafricamente” do companheiro Franklin Maxado em que, segundo ele mesmo, foi dedicado à mulher negra. Depois de passar em 1977 pelo Conselho Estadual de Cultura do Estado da Bahia, que indeferiu o pedido de ajuda por considerar uma depreciação à mulher pelo erotismo de seus versos, e outras editoras, a obra só foi publicada em 1995 com a colaboração da Universidade Estadual de Feira de Santana.
O poeta Franklin homenageia e oferece o livro à beleza feminina, especialmente da mulher negra, à raça negra, à mãe preta, à África, à umbanda, aos poetas da “cacimba”, aos poetas marginais, alternativos e independentes, aos intelectuais, aos poetas cordelistas, João Ramos, João Barros, Bule-Bule e muitos outros.
A mulher negra ou mulata é o objeto dos seus versos, cita Clóvis Moura em “Anotações sobre Franklin Maxado”. Em sua crítica, diz que Franklin cai no descritismo vaginal. “Ai, me parece, é onde o poeta tem menos força, não sei se porque há o eterno disfarçar-se por pudor, no descrever o ato sexual, ou porque o autor não se encontrou poética e/ou psicologicamente ajustado nesses momentos ao nível de transformá-los em poesia. Isto, porém, não invalida o conjunto do seu trabalho”.
BIOGRAFIA/VICTOR HUGO
Victor Hugo foi a figura mais expressiva do Romantismo francês, novelista e dramaturgo. Nasceu a 26 de fevereiro de 1802, revelando, desde cedo, grande talento literário. Autor do célebre romance Nossa Senhora de Paris (escrito em 11831) imortalizou nesta obra a figura de Quasímodo, o Corcunda de Notre-Dame. Poeta de grande influência, estima-se que em setenta anos de produção literária, tenha chegado à impressionante marca de um milhão de versos.
Eleito deputado em 1848, rompeu com o poder monárquico, com o qual simpatizava. Em 1851, após combater nas barricadas, é obrigado a exilar-se. No exílio em Guernsey, uma ilha localizada no Canal da Mancha, escreve sua obra máxima, o monumental romance Os Miseráveis, na qual deixa claro seu apoio aos ideais revolucionários.
Em 1859, Napoleão III concede-lhe anistia, mas o poeta recusa-se a deixar a ilha de Guernsey, onde viveria 15 anos de exílio. Retorna à França, em 5 de setembro de 1870, já reconhecido como a maior expressão do Romantismo daquele país. Por ocasião de sua morte, ocorrida em Paris, no dia 23 de maio de 1885, cerca de setecentas mil pessoas – alguns biógrafos estimam um número ainda maior – acompanham seu modesto caixão ao Panteão onde está sepultado.
Colaboração de Antônio Novais Torres
CARAMURU E O LARGO DA MARIQUITA
Diogo Álvares Correia, o Caramuru, era natural da Vila Viana, atual Viana do Castelo, na Província de Entre Douro e Minho, norte de Portugal, e veio para as terras do Brasil ainda muito jovem.
Naquela época, a aventura marítima era um evento que fascinava os jovens, e ele se encantou com a situação expansionista de Portugal, pelo seu sentimento de transpor barreiras, uma característica da juventude. Apesar de todas as incertezas, Diogo, encarando o desconhecido e afrontando o medo de uma viagem de longo percurso, aventurou-se no sonho de conhecer novas terras, ou de conquistar um comércio real de enriquecimento, um objetivo do povo português e dos governantes da sua terra.
Em sua aventura de jovem, pelo destemor e sem desconhecimento das barreiras que enfrentaria, enveredou-se no mar e, entre 1510/1511, naufragou, nas costas brasileiras, nas imediações da praia do Rio Vermelho – terras do baixio do norte da Barra, em Salvador –, local que os índios Tupinambás denominaram de “Mairaquiquiig”. Com o passar dos tempos, o termo foi aportuguesado para Mariquita, daí o nome Largo da Mariquita, inserido no bairro Rio Vermelho, em Salvador.
Conta-se que Diogo Álvares Correia se salvou dos índios Tupinambás (ferozes guerreiros canibais que, em luta com os índios Caetés, expulsaram-nos para o interior do sertão) ao dar um tiro de arcabuz para o alto. Estes, espantados, acharam que seu prisioneiro possuía poderes mágicos. Com isso, ele conquistou o respeito e a veneração dos índios, que o apelidaram de “Caramuru”, que significa, em tupi, homem do Trovão.
MARCHA DA INSENSATEZ
Como é triste e doe ver meu país nesta situação vexatória, sem alternativa política e de poder! Tanto de um lado, como do outro, o que temos é uma marcha da insensatez do ódio e da intolerância, como se fosse um “Ensaio sobre a Cegueira”, título do livro do escritor português José Saramago.
Chegamos ao ponto de discórdias e brigas ferrenhas entre parentes, pais e filhos, ao ponto de um deixar de falar com o outro. Em eventos, encontros, em bares e restaurantes não se pode mais externar pontos de vista por temor e medo de linchamentos. As pessoas perderam o pouco de racionalidade que ainda lhes restavam.
O que está existindo de ambas às partes é o fanatismo e o messianismo, enquanto os partidos envolvidos em roubalheira se digladiam pelo poder a qualquer custo. Nesta história presente, a democracia tem sido a maior vítima e não se sabe até quando ela pode resistir aos tapas e empurrões.
O Palácio do Planalto foi transformado num comitê político e num balcão de negócios de troca-troca. Privatizaram o público que, teoricamente, pertence à nação. O Congresso Nacional não passa de um bando de abutres disputando uma carniça. A Corte Suprema fica no compasso de espera, ora de um lado, ora do outro.
Nas ruas, a sensação que se tem é que a corrupção é o que menos conta, tanto faz para a oposição como para os governistas que levantam a bandeira da democracia como se toda a outra parte defendesse a ditadura. Como simples cidadão, sinto-me desrespeitado pelos partidos e sem alternativa que me dê uma saída honrosa, digna e honesta.
Na porta de outra eleição viciosa, com um sistema para manter os mesmos no poder, estamos todos condenados a eleger políticos iguais ou piores que os atuais. Mesmo sujos e safados, cada um defende seu quinhão.
Uns xingam os outros de cooptados, raivosos, elite branca, burgueses, coxinhas, mortadelas, direita, conservadores, esquerda e todos se esquecem que estão sendo roubados por eles que se acham donos do país e fazem dele o que bem entendem, em proveito próprio. É o vale tudo na política!
O “GOLPE” DE DILMA
Que todos eles lavem suas roupas sujas nas cadeias e não soltos por aí infernizando a vida já sofrida do nosso povo! Que todos os “partidos” tenham um mínimo de respeito para com nossas crianças, jovens e idosos que almejam um país decente para se morar! Não podemos ser tratados como molambos!
Subjugaram-nos a conviver no dia-a-dia com os absurdos e às contradições. O processo de julgamento do impeachment de Dilma está sendo conduzido por um presidente da Câmara dos Deputados que está chafurdado no lamaçal da corrupção, apurada pela Operação Lava Jato. O presidente do Senado, Renan Calheiros, trama nos bastidores com a hiena 171 para abafar as investigações. Os oportunistas e os filhotes da ditadura saem da toca para pousar de éticos e defender a tão maltratada democracia.
Com a crise, todo dia é histórico no Brasil. Do jeito que a casa está desmoronando, ruim com Dilma, mas pior ainda com os outros conservadores, vampiros da direita e da extrema que também estão envolvidos em maracutaias e deitam esplêndidos no velho sistema das benesses. O MDB (Movimento Democrático Brasileiro) esteve na linha de frente contra a ditadura e abrigou ideias sociais renovadoras, mas depois que colocou o “P” na frente, tornou-se um partido fisiologista.
Mamou durante anos nas tetas do poder, ou melhor, foi um dos que mais roubou o leite mirrado do povo. Conspira e salta do barco furado como rato calunga de dentes afiados. Cinicamente sai do governo falando de ética e independência para depois retornar ao banquete. O alvo do Catilina é exclusivamente o poder e não a moralização do país e tirar a população do buraco profundo que todos eles ajudaram a cavar com as roubalheiras, as mentiras e os escândalos.
É de doer no coração ver agora o Romero Jucá, vice-presidente do PMDB, falar de combate ao “toma lá dá cá” e de que queremos um Brasil mais forte para recuperar a economia. É de doer ver o cinismo estampado na cara de roedores como Eduardo Cunha, Paulinho da Força e outros cupins prometendo defender a cumeeira da nossa casa.
O MÉDICO E O PACIENTE
Dizem que de médico e louco todo mundo entende um pouco. O funcionário trabalhava em um escritório de uma revenda automobilística, cujo setor comportava vários colegas de ambos os sexos. Era portador de psoríase, doença da pele, estava com uma lesão na perna. Procurou um médico para fazer uma avaliação, o qual lhe aviou receita de uma pomada concernente, recomendando que voltasse após oito dias para avaliação.
Comentando o fato no escritório, um dos colegas de trabalho lhe informou que, melhor que a pomada receitada, seria a aplicação da tinta contida na caneta esferográfica, o que surtia bom resultado, pois ele já havia comprovado a eficácia em si próprio.
Por insensatez, o incauto elemento fez uso das duas indicações – a pomada receitada pelo médico e a tinta de caneta esferográfica indicada pelo colega. Ocorre que, no lugar onde friccionou a tinta, a pele absorveu a substância química constituída de um corante azul, provocando um azulão estranho.
Com a aproximação do dia da revisão médica para o doutor avaliar a eficácia do medicamento receitado, o indivíduo tratou de remover, por todos os meios, o azul impregnado na pele, mas não logrou resultado. Mesmo assim, procurou o médico. Este, ao ver a lesão, surpreendeu-se com a coloração azul, perguntando o que acontecera.
Dadas as explicações, o médico, visivelmente irritado pelo procedimento inadequado, observando que a substância química aplicada poderia tê-lo intoxicado, pegou o paciente pelo braço, afirmando: “Você não precisa de médico, já sabe o que deve fazer!” e colocou-o para fora do consultório, batendo a porta. O paciente ficou indignado com a atitude do doutor.
O esculápio, que era cliente da revendedora, aonde sempre levava o seu veículo para as devidas revisões e reparos, contou o ocorrido a um diretor de seu conhecimento. Este chamou o funcionário para as devidas considerações, dizendo-lhe: “Você está no lugar errado, deveria montar um consultório médico”. Após as explicações e pedido de desculpas, as pazes voltaram a reinar entre médico e paciente/funcionário.
O bom senso deve prevalecer nas atitudes das pessoas para não cometer desatinos. “É preciso termos muito bom senso para sentirmos que não temos nenhum.” (Pierre Marvioux, França 1868-1783).
Antonio Novais Torres
antorres@terra.com.br
AVALANCHE DE ÓDIO
Blog Refletor TAL-Televisión América Latina
Indicação de Itamar Aguiar
Orlando Senna:
Uma nova modalidade de guerra, que antepõe o clássico embate entre exércitos a ações mortíferas e aterrorizantes de pessoas ou pequenos grupos que matam civis (onde se inclui homens-bombas, carros-bombas, casas-bombas), está convulsionando o mundo. Uma modalidade com poder de destruir alvos em qualquer lugar dos Estados Unidos (11 de setembro) e da Europa (je suis Bruxelles, je suis Paris, je suis Madrid). O ingrediente mais forte é a religião, é a “guerra entre civilizações”, situação negada até pouco tempo por muita gente e que agora se mostra como uma pavorosa realidade.
Alguns ingredientes das guerras tradicionais estão presentes, como petróleo, território, indústria bélica, mas em segundo plano, já que o epicentro do conflito é a cultura, é o fosso filosófico e comportamental entre Ocidente e Oriente jamais solucionado, um cânion que divide a humanidade — apesar de Jesus Cristo, que construiu uma ponte mas sabia que ela não ia funcionar, “não vim trazer paz à Terra, mas a espada, a divisão”. Vivemos um tempo em que valores ditos universais perdem o sentido, conceitos se invertem, palavras passam a significar o que antes era seu contrário, em que “epicentro” deixa de ter conotação espacial para ser temporal. O que me lembra Jorge Luis Borges, para quem os verdadeiros labirintos são no tempo.
Enfim, a sanha homicida/suicida do ser humano está alcançando um dos níveis mais altos em sua história de, pelo menos, 50 milênios. E a isso se soma (ou tem a ver, quem sabe) com os espasmos geológicos, as mudanças e ajustes do planeta que se aquece enquanto voa em direção a uma nova era glacial. Um cenário apocalíptico. No momento a guerra acontece nos Estados Unidos, Europa, Oriente Médio e alguns pontos da África. :: LEIA MAIS »













