O PODER DA ESQUERDA É CULTURAL E MIDIÁTICO: CRIA AS PAUTAS DO PAÍS
O PT E A ESQUERDA CAVIAR LIQUIDARAM COM O CONCEITO DESFRUTADO PELA VERDADEIRA ESQUERDA DEMOCRÁTICA, QUE, NO SÉCULO XX, NO BRASIL, ERA BEM REPRESENTADA PELO PSB DE ENTÃO, COM FIGURAS COMO JOÃO MANGABEIRA, BARBOSA LIMA SOBRINHO, AURÉLIO VIANA, EVANDRO LINS E SILVA, EVARISTO DE MORAES FILHO, JAMIL HADDAD, RUBEM BRAGA E OUTROS.
LAGO NETO, em 16/05/2016
14 de maio de 2016 By Rodrigo Constantino
O poder de atores como Wagner Moura é excessivo
Michel Temer já estaria avaliando voltar atrás na questão do Ministério da Cultura, e também estaria pensando num jeito de “reparar o erro” de não ter mulheres e negros em seu ministério mais enxuto. Tudo isso é muito lamentável por si só, mas há um fator ainda mais espantoso, que suga as esperanças dos brasileiros decentes: mostra o poder de influência da esquerda na cultura e na imprensa, o que se traduz em capacidade de escolher ou influenciar as pautas do país.
O Brasil quebrou. Está falido. Temos 11 milhões de desempregados, uma inflação perto de 10% ao ano ainda, e uma queda da atividade que pode chegar a 8% em dois anos somados. As contas públicas estão destruídas, a dívida da União Federal e dos estados parece impagável. A violência campeia e ceifa a vida de 60 mil todo ano, assim como os acidentes matam outros 50 mil. Os valores morais foram destroçados, a educação é de péssimo nível e a saúde pública, um caos.
A BARRAGEM E OUTROS PROJETOS
Este racionamento oficial de água vai ser pior que o anterior de 2012, 2013/14 e outros ainda virão até a construção definitiva da barragem do rio Catolé, prometida há mais de 10 anos, só para ficarmos nos tempos mais recentes. Os moradores de Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia com duas universidades públicas e mais de 10 faculdades de ensino presencial e à distância, não merecem tanta humilhação. Não bastam o horror e a tortura contra idosos, crianças e grávidas nas filas de vacinação da gripe H1N1?
Não existe uma mobilização permanente por parte das entidades (associações, sindicatos e outros grupos) e dos próprios políticos da terra (Câmara de Vereadores e deputados) no que diz respeito à cobrança firme de providências dos governantes porque há anos vivemos nesta situação de miséria, penúria e sofrimento com as torneiras secas e todo mês recebendo as enormes contas da Embasa. Algum empresário, principalmente do setor industrial, se habilita investir numa cidade sem água, sem contar a falta de um aeroporto e projetos de mobilidade urbana para destravar o trânsito?
Para começar, precisamos ter uma Câmara de Vereadores à altura do porte do município que nos últimos 15 anos foi um dos que mais se desenvolveu (educação, comércio e serviços) no Norte e Nordeste, mas que agora tem seu índice de desenvolvimento atravancado por falta de grandes projetos de infraestrutura. Além da barragem que não sai do papel, o novo aeroporto está virando pouso de urubu e pista de corrida dos “senhorzinhos”.
É uma vergonha o que está acontecendo com Conquista, mais parecendo uma cidade sem lideranças onde cada um só pensa em si e não coletivamente. Cadê a CDL, a Associação Comercial e Industrial, OAB, os políticos, os sindicatos, as universidades (sempre desligadas e ausentes da comunidade), as associações de bairros, os intelectuais, artistas e outros segmentos ditos representativos da sociedade?
Vejam o caso do Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima que há três anos está fechado para fazer uma simples reforma! Enquanto as entidades falam baixinho, uma com medo de ofender os brios da outra, os artistas, estudantes e os intelectuais já deveriam ter ocupado aquela unidade para pressionar o Governo do Estado a concluir a obra. Cadê a politização e o alto nível cultural de Conquista de que tanto falam por aí?
VIOLAÇÕES DE DIREITOS NA MÍDIA
Alguém já disse certa vez que a mídia brasileira não se acha como quarto poder, mas como se fosse o próprio todo poderoso Deus. De tanta arrogância e prepotência, ela passa o tempo todo olhando pra seu próprio umbigo e cobrando liberdade de expressão, mas deixa de respeitar as liberdades individuais dos cidadãos, sem falar que, muitas vezes, ao invés de informar deforma, por incompetência, omissão ou tendência.
No seu terceiro volume sobre Violações de Direitos na Mídia Brasileira, a Organização Não Governamental Comunicação e Direitos constatou que num período de 30 dias, 28 programas de estilo “policialesco” de rádio e TV promoveram 4.500 violações de direitos. O estudo envolveu 10 capitais, incluindo Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro.
Mais ainda que neste período os programas cometeram 15.761 infrações a leis brasileiras e multilaterais; e desrespeitaram 1.962 vezes normas autorregulatórias, como o Código de Ética dos Jornalistas, do qual pouco se fala nos dias atuais. A pesquisa foi feita ainda em Belém, Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Curitiba, Fortaleza e Recife.
Sempre digo que o direito à liberdade de imprensa acaba quando não se tem ética e responsabilidade. O maior pecado do jornalista ou radialista é achar que ele sempre está com a verdade e termina agredindo o seu público.
No caso particular de Vitória da Conquista, que não conta com programas regionais “policialescos”, não posso fazer uma analise precisa sobre as violações de direitos, mas não tem sido diferente em seus noticiários, muitos dos quais desfocados, incompletos, insossos e desprovidos de um bom jornalismo.
O que mais vemos aqui nas emissoras e nos blogs, que substituíram os jornais impressos com a chegada da internet, é notícia mal apurada por falta de competência do “repórter” e, pior ainda, do editor que publica a matéria sem antes orientar e corrigir o seu “profissional”.
O que quero dizer é que o editor ou o chefe de reportagem, se é que ainda existem estas figuras nas redações, não devem divulgar um fato sem os dados completos, cheio de interrogações, como o caso mais recente da moça que foi barbaramente espancada por um rapaz e depois veio a falecer no hospital. Como este, existem muitos outros iguais nos noticiários locais que não vou enumerá-los aqui. A lista é enorme.
Infelizmente, a qualidade do jornalismo de Vitória da Conquista piorou nos últimos anos, mesmo com a criação da Escola de Comunicação em Jornalismo a partir do final dos anos 90.
Entendo que a maior culpa (o ensino também é deficitário e capenga) está na direção das empresas que não sabem conduzir profissionalmente seus repórteres e terminam oferecendo um péssimo produto ao seu público.
As falhas são tão gritantes, aberrantes e clamorosas que até os leigos percebem e criticam as matérias aqui elaboradas. A maioria das notícias locais não resiste a um pente fino de um bom laboratório de jornalismo.
CAMINHADA CONTRA EXPLORAÇÃO SEXUAL
O Conselho Municipal da Criança e do Adolescente (CMDCA) realizará nesta quarta-feira (18/05) a Caminhada Contra a Exploração de Crianças e Adolescentes. A ação é em homenagem ao Dia Nacional de Combate à Exploração Sexual Contra Crianças e Adolescentes, que é comemorado no dia 18 de maio.
De acordo com o CMDCA, os estudantes de escolas municipais irão participar da caminhada que terá como local de concentração a Praça do Cemitério, no bairro Buenos Aires, a partir das 8h da manhã.
A manifestação contra a exploração de crianças e adolescentes vai passar pela Praça da Catedral, no centro da cidade, e seguirá até o Parque das Árvores, onde termina o ato. A mobilização faz parte da campanha Faça Bonito 2016.
Sessão Solene
Ontem, às 19h, o CMDCA realizou, na Câmara Municipal de Vereadores, uma sessão solene com palestra sobre o tema “Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”. O objetivo do encontro foi conscientizar a população e fazer uma reflexão sobre os danos causados à juventude com a prática desse tipo de crime.
PELO CONJUNTO DA OBRA
Dilma Rousseff não foi apeada do poder por causa das chamadas “pedaladas fiscais” e da edição de crédito suplementar sem pedir autorização do Congresso Nacional, mas pelo conjunto da obra, borrada e lambuzada pelo pincel torto do ex-presidente Lula que incitou lá na frente o ódio do “nós contra eles” e gerou mais intolerância e retaliação política.
Pedalada foi o pretexto demagógico que desencadeou o “Fora Dilma” votado no Senado no fatídico dia 12 de maio de 2016. Por sua vez, Dilma diz ter sido vítima de uma farsa jurídica e política, mas quem e o quê serviram de alimento para esta farsa? “Quem com o ferro fere, um dia será ferido”
Nem é preciso esperar pelo que a história no futuro vai nos contar, porque os acontecimentos presentes, desde a queda dos índices econômicos até a arrogância, a prepotência e a impopularidade política, nos direcionam para esta indicação do conjunto da obra.
O brasileiro de hoje, desde o mais instruído e sábio ao mais ignorante analfabeto, percebeu e sentiu nas discussões raivosas e generalizadas que um tropeço fiscal não é base sustentável para o impeachment de um prefeito quanto mais um presidente da República. O resto é só hipocrisia.
O PT, criado em 1980 com o discurso sério de honestidade e comprometimento com o social para melhorar a situação do povo foi aplaudido e apoiado em suas propostas e princípios por milhões de filiados e simpatizantes, mas começou a se desmantelar a partir das coligações com gente suja que o próprio partido condenava antes. Ele mesmo se destruiu quando passou a considerar que só assim se manteria no poder por longos anos. Não dá para enganar as pessoas por todo tempo.
A promiscuidade com o setor empresarial, sob o comando de Lula falastrão e populista, teve início com o mensalão em 2005. Ali começava o descrédito populacional. Os fatos negativos e de desconfiança contra o governo do PT foram se sucedendo e pioraram com os escândalos de corrupção do “Petrolão” há pouco mais de um ano, envolvendo outros partidos da famigerada aliança presidencial.
ESPAÇO CULTURAL CASCALHO
Com um novo visual externo e interno, o Espaço Cultural Cascalho (nome definitivo pintado e desenhado pelo artista Raimundo) recebeu na noite do último sábado (dia 7 de maio) os amigos e companheiros, professor Itamar Aguiar, Walter Lages e Dorinho para um bate-papo e ouvir uma boa música, como sempre acontecem em nossos saraus.
Os anfitriões Jeremias Macário e sua companheira Vandilza Gonçalves se sentiram prestigiados com estas companhias cultas onde a troca de ideias, posições e pensamentos contribuíram para o enriquecimento de todos. Os causos e histórias de Dorinho e Walter, como os dizeres populares, são sempre arrematados pelo filósofo de Itamar.
Num ambiente cordial, embora com discussões e posições diferentes, a conversa fora, acompanhada do vinho, da cerveja, do tira-gosto e uma cachacinha (branquinha) varou a madrugada. Foi mais uma boa noitada que deve ser seguida de outras, sempre à base da colaboração das bebidas e comidas entre os participantes.
O nosso Espaço Cultural está agora identificado com frases populares e de pensadores. Logo na entrada estampa a frase “Do Caos Brota a Luz”. Além do nome do espaço, o artista Raimundo desenhou na lateria um retirante nordestino na forma de uma foice carregando uma mochila. Não poderia faltar o desenho perfeito de um chapéu.
Na parte interna da biblioteca os dizeres “Se Vens por Bem Podes Entrar” e o trecho de uma letra do grande cantor, filósofo e roqueiro baiano Raul Seixas que diz “O Ponto de Vista é o Ponto da Questão”. Assim está agora nosso Espaço Cultural, aberto para sua visita na rua “G”, 296 – Jardim Guanabara, em Vitória da Conquista.
Nosso acervo aumentou em livros e peças artesanais, sem contar a nova escultura de cipó no formato de um nordestino crucificado feita de improviso pelo jornalista e escritor Jeremias Macário. É só visitar para ver.
GOROBA – histórias e causos
O livro “Goroba Contos”, do jornalista e escritor Carlos Navarro Filho me fez lembrar dos tempos de menino quando passei na roça trabalhando com meu pai em convívio com os sertanejos que, de forma simples e brejeira, têm seu linguajar peculiar, crenças e costumes próprios dos homens que lidam na terra.
É isso que Carlos Navarro, que lançou também sua obra aqui em Vitória da Conquista, retrata nos seus 18 contos que, numa linguagem simples e clara, própria do jornalismo, contam histórias e causos do interior e dos seus companheiros que se reuniam depois da labuta das redações de suas matérias jornalísticas para jogar conversa fora.
O prefaciador da obra, Délio Pinheiro, diz que as narrativas são recriações literárias de cenas singulares que o autor colheu na vida real. Digo mais ainda que são mistura gostosa de realidade com a ficção. É o real fantástico que sai dos espaços históricos de Salvador e de várias cidades do interior, especialmente de Alagoinhas onde Navarro viveu.
A CULPA É DA ONDA
No Brasil das trapalhadas que virou caso de deboche no exterior, a culpa pela queda de parte de uma ciclovia no Rio de Janeiro foi mesmo da onda do mar que, intempestivamente, subiu demais e invadiu uma área num local que não era dela.
Estão falando que as “autoridades” vão decretar prisão da onda intrusa em regime fechado por 10 anos de reclusão, determinando que ela não ultrapasse as pedras próximas à ciclovia. A imprensa que divulga o fato é mais culpada ainda. Deveria ficar calada, na sua e só pautar coisas boas.
O mar também foi advertido em não provocar tempestades, ventos fortes ou outras situações anormais que ameacem as estruturas da obra que foi construída por engenheiros com cálculos “precisos” para funcionar em terra firme, sem intempéries de qualquer natureza.
Pelo veredicto, o responsável por tudo foi mesmo a onda que deveria ficar distante da ciclovia no limite de 50 metros. O resto é conversa fiada desses caras que se acham especialistas no assunto e da mídia que ficam procurando chifres em cabeça de cavalo.
SOB OS OLHOS DO MUNDO
Blog Refletor TAL-Televisión América Latina http://refletor.tal.tv/ponto-de-vista/orlando-senna-
Itamar indica artigo de Orlando Senna:
A estarrecedora votação na Câmara dos Deputados no dia 17 de abril, para autorizar o Senado a prosseguir com o processo de impeachment contra a presidente Dilma, chocou a grande massa de brasileiros que assistiu àquele teatro dos horrores por tv e internet. Todos os deputados se pronunciaram e pela primeira vez os brasileiros viram a baixa qualidade humana dos representantes parlamentares que elegeram, ouviram as palavras vazias e o elogio à tortura, os gestos beirando a obscenidade, os gritos descontrolados, caras e bocas em esgares alucinados. O mundo também viu, nas tvs de vários países, alguns “melhores momentos” da feiura daquele espetáculo. Ou leram nos jornais relatos sobre aquele triste retrato do Congresso de um dos maiores países do planeta.
Dias depois, ao ser anunciado o discurso de Dilma na Assembleia Geral da ONU, ministros do Supremo Tribunal Federal sairam a campo para dizer ao povo que o impeachment é legal e que era “estranho” a presidente ir ao exterior dizer que se trata de um golpe de estado. Os magistrados, em uma precipitação que nada tem a ver com o papel da magistratura, criticaram uma ação que deveria acontecer no futuro. Usaram uma bola de cristal certamente com defeito: a presidente não se referiu ao assunto em seu discurso. Foi a vez do Poder Judiciário mostrar ao mundo uma surpreendente insensatez. Logo o Poder Judiciário, que no início da crise, ao mandar políticos e empresários corruptos para a cadeia, injetava alguma alegria e confiança nos corações brasileiros, uma compensação às agruras geradas pelos outros poderes, o tragicômico Legislativo e o enfraquecido Executivo.
AS FACES DAS DESIGUALDADES
O Brasil é o país visceralmente desigual, de uma humilhação de doer até mesmo ao mais empedernido coração. Duas cenas mais recentes, em Vitória da Conquista, só para localizar a situação que é geral em todo território brasileiro, nos dão a dimensão da total exclusão social.
Nesta semana transitava numa das ruas do centro da cidade e vi idosos, gestantes, senhoras e senhores bem vestidos com suas crianças entrando calmamente numa clínica particular de vacinação. Muitos por ali ainda estavam estacionando seus carros de luxo com o mesmo intuito de tomar a vacina paga contra a gripe H1N1.
No outro quarteirão, numa distância de 300 a 500 metros, passei por uma unidade de saúde pública onde mulheres grávidas, crianças e idosos, estes com aparências de 70 a 80 anos se espremiam em longas filas na porta principal da entrada para receber a mesma vacina que, para os pobres coitados sem dinheiro, chega em lotes racionados.
A aberração mais gritante e doída desta cena do centro do SUS é a humilhação em que grande parte dos brasileiros é submetida para conseguir a esmola de um pedaço de pão do Bolsa Família, um remédio, uma consulta médica, um documento, uma matrícula escolar, um título obrigatório de eleitor para votar nos mesmos ou um serviço social qualquer do governo.
Saindo de longe, muitos chegam um dia antes, no meio da noite ou na madrugada e “dormem” no chão dos locais de atendimento. Como as senhas são regradas e o serviço de péssima qualidade, boa parte retorna para suas casas sem nada resolvido e começa a mesma peregrinação no outro dia, como na mitologia grega onde Sisífio é condenado a passar a vida rolando uma pedra morro acima.
Nas filas humilhantes, degradantes e medievais, batem o cansaço, a sede e a e a fome, mas ainda assim sobra tempo para rezar. Muitos choram e outros brigam com seus semelhantes para pegar uma senha numerada que tem limite. Quase sempre a polícia armada é acionada pelo próprio poder público para bater e controlar a confusão. Na ânsia de ser atendido, o próprio pobre desassistido se vira contra o outro para obter o benefício.
De tanto tempo de espera, a maioria dos idosos não consegue ficar em pé, mas ninguém ali desiste de ir até o fim, mesmo com tamanha humilhação. Depois de luta e sacrifício, as pessoas, movidas pela fé e pela esperança, saem daquele ambiente infernal com as mãos postas para o alto agradecendo a Deus por ter conseguido chegar lá, prontas para enfrentar outra ação humilhante imposta pelos governantes.
















