Sempre se ouve dizer por aí que quando se trata de seleção brasileira, todo torcedor é um técnico nato, mas não sabia que Deus também é um deles que faz escalação. Aliás, Deus está em tudo, e a Bíblia pede para não usar seu nome em vão.
Estou dizendo isto porque nesta semana, em entrevista a um repórter – não me recordo quem foi – perguntado sobre o motivo de ter ficado de fora da escalação, o jogador respondeu, textualmente, que “não fui convocado porque Deus não permitiu”.
Ora, o que tem a ver Deus com isto? Na cultura religiosa, que já está enraizada nas pessoas há séculos, tudo que é de bom ou ruim sempre foi Deus quem quis. É uma mentalidade atrasada. Os jogadores de futebol, por exemplo, misturam religião e crença com o esporte que pratica. É um tal de ajoelhar, se benzer e rezar que esquece de jogar.
Como o assunto do momento é Copa do Mundo e seleção brasileira, de nomes desconhecidos até pelo mais entendidos no assunto, quer dizer que foi Deus quem relacionou o Neymar, e não sabia que ele estava “podre” há muito tempo.
Neymar não é mais aquele atleta cria do Santos, porque preferiu as baladas a cuidar do seu físico. Não me estranha, e não é nenhuma novidade, que ali contou com alguma interferência “política” junto à CBF, e não teve o dedo do técnico, muito menos de Deus.
Pela sua lesão, como sempre foi o procedimento nas outras convocações, o atleta já deveria ter sido cortado, imediatamente, para dar lugar a outro que está em melhores condições. Aliás, nem deveria ter sido chamado.
Vamos deixar o Neymar de lado, porque o moço festeiro está cheio da grana e eu fico aqui “lascado” falando dele. De tantas decepções e escassez de craques, o torcedor brasileiro hoje torce mais para o seu time do coração do que para a própria seleção “perna de pau”.
Até tempos passados, no início dos anos 200, quase todo mundo sabia escalar a seleção canarinho, com seus respectivos nomes e posições.
O entusiasmo de cantar aquelas músicas que colavam como chiclete na cabeça, enfeitar as ruas de bandeirolas e reunir amigos e parentes em casa cederam lugar à desilusão e à desconfiança.
Hoje são atletas que quase ninguém sabe de onde vieram porque o futebol não é mais como antigamente. Naquela época, a equipe era formada por jogadores que atuavam aqui nos clubes do Brasil.
Tudo por dinheiro, logo cedo, o jogador vai para a Europa, para a Ásia e outros continentes e depois aparece como se fosse um estrangeiro, que não tem mais aquele gingado e aquela arte da terra.
A Rede Globo, a manipuladora das transmissões de todas competições continentais, e seus patrocinadores, fazem um esforço danado para atrair o torcedor, mas ele está mais ligado na classificação do seu time. Há muito tempo que o Brasil deixou se ser o país das chuteiras.