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CONQUISTA E AS CHUVAS

Não sou engenheiro e nem especialista no assunto, mas não é necessário para antever que Vitória da Conquista está na mira das tragédias e desastres em futuro próximo diante das mudanças climáticas (aquecimento global) com os temporais das fortes chuvas que hoje castigam o planeta e todo Brasil. Qualquer leigo mais esclarecido sabe que Conquista não tem mais estrutura para receber fortes chuvas, e o que vem acontecendo nas últimas semanas prova isso. Cabem às esferas municipal, estadual e federal, sem intrigas políticas partidárias, tomarem urgentes providências na realização de obras de macro e micro drenagem na cidade, porque os custos são altos e envolvem pesados investimentos. Conquista cresceu rapidamente sem uma infraestrutura adequada. Os serviços de drenagem feitos há mais de 30 ou 40 anos estão totalmente defasados e precisam ser ampliados, com capacidade para receber as grandes enxurradas, principalmente as que descem da Serra do Piripiri, durante muito tempo depredada pela ação humana. Não me lembro da demolição de casas condenadas pela Defesa Civil em áreas irregulares de risco, como ocorreram nesta semana. É um sinal que vem coisa bem pior por aí, a começar pelas encostas da Serra em bairros pobres, como Pedrinhas, Senhorinha Cairo (existem casebres no topo da Serra), Bruno Bacelar, Miro Cairo, imediações da Vila Serrana e outras localidades de invasões. Só vão cuidar quando acontecerem tragédias de grandes proporções. Toda essa encosta da Serra deveria ter sido preservada pelas prefeituras passadas, mas, exatamente elas têm a maior parcela de culpa pela destruição do meio ambiente. Não é por menos que já chamaram a Serra do Piripiri de “Serra Pelada”. Conquista está na rota das tragédias com deslizamentos de terras.

BEZERROS – HOJE E SEMPRE

Do livro “Retalhos Nordestinos” – poesia popular –  do poeta José Fábio da Silva Albuquerque

Vou falar de um belo lugar

Com sua história ancestral

Lugar que possui muita luz

E povo que não tem igual

Em tudo é bem aclamado

Bezerros por nome chamado

Cidade sem par, magistral!

 

Sua história é bela e rica

E ao tempo dezoito remonta

Há três versões que são ditas

Por todo sujeito que conta

Embora a de uma promessa

Com facilidade e depressa

As outras duas desponta.

 

Com ela se conta uma história

De uma criança perdida

Que após lacrimosas rezas

Foi encontrado com vida

E como agradecimento

Uma capela é erguida.

 

O certo é que essa cidade

Desde a sua fundação

É respeitada por todos

Que habitam sua região

Seu dia é o dezoito de Maio

Pois nele imponente igual raio

Se deu a emancipação.

 

Bezerros é terra sagrada

Para todos nela nascidos

Pois nem o mundo inteirinho

Destrói os laços cingidos

Que de modos invulgares

Penso que os outros lugares

Estão todos nela contidos.

 

 

E OS EQUIPAMENTOS CULTURAIS?

A Secretaria de Cultura de Vitória da Conquista vem anunciando a elaboração do Plano Municipal de Cultura através de reuniões com diversos setores das artes, e agora com escutas territoriais que, segundo o poder público, orientará as políticas culturais pelos próximos dez anos. Por que não, vinte anos?

Para este ciclo de debates será utilizada a Carreta da Cultura, tendo como objetivo assegurar a participação popular e democrática, de modo que contemple as comunidades conquistenses. Diz a Secretaria que a partir dessa etapa serão definidas metas e ações que irão compor o documento.

Pelo tempo que os artistas da cidade vêm cobrando este plano, mais parece “coisa para inglês ver”. Como tudo nesse Brasil e, particularmente, em nossa Bahia, é lento e atrasado, quando ele chegar, muitos já se foram na poeira do tempo, sem falar que deixamos de realizar diversas ações e atividades importantes.

Nos últimos meses só se vem falando nisso, como se fosse uma tática da Prefeitura Municipal de que está mesmo preocupada com a cultura (não engulo essa), ou uma maneira de se esquecer de outros problemas cruciais envolvendo o setor. Para ser sincero, nunca vi um governo tão apático com relação à nossa cultura.

Com esse plano, pra lá e pra cá, ninguém comenta mais sobre os equipamentos culturais que estão fechados há cerca de dez anos. Estão abandonados e entregues à destruição do tempo, principalmente com essas chuvaradas. Vamos repetir aqui a grave situação do Teatro Carlos Jheovah, o Cine Madrigal e a Casa Glauber Rocha.

Esses espaços, se ativos estivessem, estavam sendo utilizados pelos artistas em geral para realização de seus ensaios e espetáculos, beneficiando toda sociedade, inclusive os empresários do comércio.

Infelizmente, essa categoria empresarial não tem a mínima noção disso e trata a cultura como se fosse um patinho feio. Definitivamente, a mentalidade desse segmento é atrasada e só pensa em juntar dinheiro para adquirir imóveis e colocar o dinheiro nos colchões bancários.

Há muitos anos tenho cobrado a elaboração desse plano, desde quando fui presidente do Conselho Municipal de Cultura, mas emperraram os trâmites. Pelo período de enrolação, entendo, dentro da minha modesta visão, que a abertura dos equipamentos seria prioritária.

O que mais me incomoda mesmo é que o poder executivo fez um voto de silencio quanto a esses equipamentos, como se eles não fizessem mais parte dos planos da cultura. Será que a prefeitura tem a intenção de vender essas edificações históricas para o setor imobiliário, ou deixá-las esquecidas até que caiam?

Sei que o nosso povo, pela sua própria ignorância e falta de instrução, nem está aí para as questões da cultura e nem sabe que sem a arte somos apenas animais desalmados e brutos. O que essa gente quer é pavimentação de ruas, e é até compreensível.

No entanto, é de responsabilidade dos poderes constituídos zelar, preservar e incentivar a cultura, porque não somente de pão vive o homem. Para lamento, tristeza e vergonha dos mais esclarecidos, Conquista já foi uma cidade cultural. Infelizmente, hoje não é mais.

 

 

CONQUISTA PRECISA DE OBRAS DE DRENAGEM PARA EVITAR ESTRAGOS

As fortes chuvas que caíram em Vitória da Conquista, na última semana e provocaram estragos em diversos pontos da cidade, foi o assunto dominante nas falas dos vereadores durante a sessão ordinária desta quarta-feira (dia 04/02), na Câmara Municipal.

Os parlamentares fizeram um apelo às esferas municipal, estadual e federal para, em conjunto, construírem com urgência obras de macro e micro drenagem, de modo a enfrentar as mudanças climáticas.

Antes dos pronunciamentos, os vereadores apreciaram diversos projetos do poder executivo, como o pedido de autorização para que o município conceda subvenção social à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – Apae; e ampliação do número de vagas para o cargo de provimento efetivo de nutricionistas no quadro de pessoal.

Constaram ainda da pauta de discussões, a solicitação para passar a denominar a Rua “J” em Adonias Rebouças São José, no Bairro Zabelê; também denominar a Avenida Padre Aguiar, no lugar da atual Oswaldo Cruz (antiga Avenida H), localizada no Conveima I.

No âmbito administrativo, requer a mudança de denominação da Secretaria de Serviços Públicos, para Sec. Municipal de Ordem Pública; bem como, Secretaria de Gestão e Inovação, para Secretaria Municipal de Planejamento e Gestão- Seplag.

Os parlamentares presentes usaram a tribuna para se referir às fortes chuvas e seus estragos. Adinilson Pereira destacou os prejuízos causados no Choça, na Lagoa das Flores e outras localidades. Segundo ele, a chuva é uma benção para os sertanejos, mas causou prejuízos graves na cidade que precisa de obras de drenagem, sendo que em alguns locais os serviços devem ser feitos com urgência.

Na ocasião, pediu ao poder executivo que fiscalize algumas obras particulares (galpões) que estão sendo erguidas no Centro Industrial, em sua opinião, de forma irregular, causando impactos ambientais.

Quem também tratou da questão das chuvas foi o vereador Andreson, que citou a presença em plenário do ex-deputado Clovis Flores. Lembrou que março é o mês das mulheres e fez um apelo para que sejam realizadas campanhas educativas entre as crianças de maneira que no futuro próximo sejam reduzidos os atos de violência contra a categoria.

Sobre as chuvas, solicitou que a Prefeitura Municipal comece as obras de tapa buracos porque todas as ruas estão em estado lastimável. O parlamentar Edjaine Rosa (Bibia) foi na mesma toada e adiantou que em abril o executivo vai receber 200 milhões de reais do empréstimo dos 400 milhões, para realizar obras de reparos as chuvas.

A parlamentar Cris Rocha informou que fez uma visita ao distrito de Inhobim e requereu que a prefeitura faça uma reforma do posto de saúde, para o qual nosso mandado destinou 100 mil reais da emenda impositiva. Para o distrito, indicou ainda a pavimentação da rua Plínio Flores, bem como a revitalização da praça principal.

Luis Carlos Dudé, além de falar das fortes chuvas e da necessidade de obras de drenagem na cidade, aproveitou para informar sobre a chegada da imagem de Nossa Senhora de Fátima a Conquista vinda de Portugal. Essa imagem ficará de forma permanente na Igreja de N. Senhora de Fátima (Convento dos Capuchinhos).

 

“A MAIOR VÍTIMA É A VERDADE”

Você não sabe se chora ou rir com essa desumana humanidade burra! Entre um noticiário e outro sobre a guerra do Cachorro Louco dos Estados Unidos, que mandou atacar o Irã, aparece um cara idiota da merda do programa inútil do BBB dizendo que “a voz do povo é a voz de Deus”. Ainda tem gente que diz que estamos evoluídos “pra cachorro”! Só se for!

No momento estava pensando que algum famoso estrategista, ou sei lá quem, afirmou certa vez que numa guerra, “a maior vítima é a verdade”. Nessa expressão sim, podemos acreditar, mas não na outra onde numa casa fechada de luxo, um fica se estapeando e eliminando o outro na base de um “paredão de fuzilamento”, para ganhar uma bolada de mais de um milhão de reais.

De um lado temos catástrofes e tragédias no mundo e no Brasil, com milhares ou milhões de vítimas, em decorrência do aquecimento global, chamado de mudanças climáticas, consequência da depredação do meio ambiente. Vitória da Conquista está nesta rota de destruição, e a tendência é piorar se não forem logo construídas obras de macro e micro drenagem para a cidade.

Do outro vemos drones, foguetes, bombas e aviões cruzarem os céus do Oriente Médio, teleguiados pela Inteligência Artificial (IA), numa guerra monstruosa provocada pelo Cachorro Louco dos ianques, que só fala mentiras e barbaridades. Ao seu lado está o genocida de Israel, o judeu Benjamin Netanyahu, o “Bibi”, que praticamente exterminou os palestinos.

Agora estou em dúvida se é o aquecimento global, ou é a IA, que vai deletar os humanos da face do planeta. Não podemos deixar de lado o uso das bombas nucleares que somente poucos países possuem. O mais insensato é que os detentores dessas armas pretendem aumentar seus arsenais.

Para que, carapálidas, se todos vão mesmo morrer sufocados com os gases atômicos? Certamente, esses chefes imbecis, com suas famílias, já devem ter alguns planos de sobrevivência, como esconderem em seus bunkers poderosos ou voarem para a lua ou marte.

Como o Irã não é a Venezuela onde o Cachorro Louco foi lá e sequestrou o presidente, deixando uma agente sob seu comando, ninguém duvide se ele não der a louca e mandar jogar uma bomba atômica no país persa, historicamente formado de guerreiros. Seria uma repetição de Hiroshima e Nagasaki?

Praticamente não existe mais guerra de trincheiras, a não ser nos países subdesenvolvidos ou de terceiro mundo. As potentes metralhadoras e tanques estão se transformando em ferros velhos, ainda usados pelos mais pobres, como já foram nas civilizações passadas, a pedra, o pau, o arco, a flecha e a espada, sem falar na utilização do cavalo.

O negócio agora é apertar um botão automático e lá vão as ogivas, percorrendo milhares de quilômetros, numa velocidade além do som, fazendo aquela curva até explodir no alvo, embora algumas caiam fora do ponto demarcado, até em escolas.  Como disse meu amigo conterrâneo piritibano cancioneiro, músico e poeta Wilson Aragão, se a guerra fosse de facão, morreria menos gente.

Nessas guerras de fogo e luzes mortíferos atravessando os céus, não existe mais repórteres, como antigamente, em linhas de frente das batalhas, com coletes, capacetes e roupas protetores. Agora os jornalistas têm que ser especialistas no assunto e narrar as mentiras a distância, em países diferentes.

“INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL” ABRIU O PRIMEIRO SARAU DO ANO DE 2026

DESDE OS TEMPOS PRIMITIVOS AO TECNOLÓGICO

Professor Roque Mendes Prado Trindade (direita)

No primeiro “Sarau A Estrada” do ano, realizado no último sábado (dia 28/02/2026), o professor Roque Mendes Prado Trindade, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, abriu os trabalhos com a palestra “Inteligência Artificial – uma jornada pelo passado, presente e futuro”.

Como já diz o próprio subtítulo, o professor começou sua explanação falando dessa inteligência desde os tempos primitivos quando o homem usava os sinais da pedra, da fumaça, do fogo e outros códigos e símbolos para se comunicar.

Roque começou sua fala destacando a máquina como a extensão do homem, dando como exemplos o outro, a pedra, o braço, pernas, a lança, a espada, os talheres, a enxada, o arado e as ferramentas manuais. Existiam também as extensões do corpo, do olho, do ouvido (terra, linha do trem, o microfone), da voz, do olfato, da memória, do raciocínio lógico, do aprendizado (métodos estatísticos, neurônio artificial, redes neurais) e tantas outras.

Quanto aos desafios futuros. Roque Mendes afirmou que o problema do homem não é a IA, mas o próprio homem pelo seu empobrecimento sentimental, pela falta de empatia, de amor, de tolerância e o empobrecimento cultural.

Os perigos, de acordo com ele, estão no robô aspirador espião, no racismo, na pedofilia, nos algoritmos que não têm sentimentos, nos golpes e nas mentiras. Durante sua exposição, ele chamou as pessoas a refletirem de que a IA não se iguala às pessoas; que as máquinas não podem pensar; e de que todos estamos sujeitos a ser enganados pela Inteligência Artificial.

Em sua opinião, a IA jamais terá uma inteligência superior ao homem, e ressaltou que ela afeta o mundo e que tem seus benefícios em vários setores da vida, citando a saúde, a educação, o transporte e a produtividade nas empresas e nos negócios. No final, chamou a atenção para que as pessoas procurem ter discernimento daquilo que é falso e verdadeiro na IA. Depois, muitos fizeram suas devidas intervenções e questionamento com relação ao tema, inclusive sobre o papel da IA nas próximas eleições do país.

O sarau foi abrilhantado com o show de cantorias dos artistas Jânio Arapiranga, que cantou belas canções, inclusive de músicas autorais, sendo muito elogiado, de Alex Baducha, Gilmárcio, no violão, Manno Di Souza, Armando, Fabrício Prado, dentre outros.

Como sempre, o espaço foi aberto às declamações de poemas, contação de causos por Jheusus, num clima fraternal entre amigos admiradores da cultura.

Mesmo com as intensas chuvas, muitos compareceram ao evento que até proporcionou um ambiente de aconchego, tudo acompanhado pelos comes e bebes. Por causa da chuvarada, muitos não puderam comparecer, mas o sarau contou com as presenças de mais de 20 pessoas.

Na ocasião, antes dos trabalhos, o presidente de honra do Sarau, Jeremias Macário, aproveitou a ocasião para dar alguns informes e fazer determinados questionamentos. Como novidade, anunciou que o Espaço Cultural a Estrada já pode ser acessado no Google Map e outros aplicativos.

Como informe, anunciou que está trabalhando no projeto de elaboração do seu próximo livro sobre a Serra do Periperi – lendas, mistérios e verdade. Em seguida, pediu a todos que colaborem com o blog www.aestrada.com.br enviando textos sobre assuntos diversos, com todo liberdade de expressão de pensamento.

Como o Sarau está em vias de ser registrado, Jeremias prometeu que quando todo processo estiver concluído, o Acervo Cultural A Estrada, de mais sete mil itens, e que já está também regularizado, será doado à nova sociedade que está sendo criada, sem fins lucrativos. Anunciou seu desejo do espaço ser aberto à comunidade e não apenas aos artistas.

Vandilza Silva Gonçalves, que sempre tem sido a nossa anfitriã e dedicado todo seu esforço a este projeto cultural, agradeceu o apoio e ajuda da presidente Cleu Flor nos momentos mais difíceis que passamos para concluir nosso novo espaço cultura, estendendo o agradecimento a todos que têm dado suas contribuições para que o sarau, que está completando 16 anos, continue a existir por mais longos tempos.

DESCULPA PERGUNTAR…

(Chico Ribeiro Neto)

Gente perguntadeira é terrível. Muitos costumam começar com o famoso “desculpe perguntar”, como se você tivesse obrigação de responder. Curioso é que perguntar sempre foi meu ofício na vida de jornalista profissional, mas odeio gente perguntadeira.

“Desculpe perguntar, mas você paga quanto de condomínio?”

Às vezes é um amigo, às vezes é um parente, a pessoa perguntadeira tem um jeito especial de lhe cercar pelas beiras. Vem como quem não quer nada e aí PIMBA  ! dispara a flechada:

“Seu filho tá ganhando quanto?”

Você reage dizendo que não sabe e a perguntadeira, que também adora uma fofoca, saí por aí espalhando: “É um pai desinformado!”

Fuja de gente perguntadeira. Tem uns que chegam a perguntar o preço de sua roupa: “Desculpe perguntar, mas quanto foi essa camisa no shopping?”

Uma boa saída é devolver a pergunta: “Meu condomínio é mil reais e o seu tá quanto?” Ou então atacar mesmo: “O senhor, por acaso, é pesquisador do IBGE?”

Eles adoram saber da vida dos outros, não vivem sem perguntar. Querem saber sempre, não de tudo, mas de todos. O perguntador contumaz não se limita a dar bom dia. Ele acrescenta: “Tá indo pra onde?” “Vai passar o Carnaval aqui ou vai viajar?”

A pessoa perguntadeira fica intrigada quando não sabe nem consegue descobrir o que é que aquele vizinho faz na vida. Só conseguiu descobrir que ele chega por volta de 20 horas, mas ainda não sabe que horas ele sai. Vai sondar o zelador.

“Quanto é sua faxineira? Ela cozinha também?”

“Você toma remédio de pressão?”

“Você assiste Big Brother?”

“Faz supermercado por semana ou por mês?”

“Você se dá com o vizinho?”

“Você consegue fazer poupança?”

“Você é feliz?”

Tem uma velha piada: vai passando na rua um sujeito com um pedaço de tubo na mão. Passa o perguntador, que nem o conhecia, e pergunta: “Pra que é esse tubo?” “Pra enfiar no cu dos perguntadores” é a resposta.

Uma vez, no Porto da Barra, em queria saber as horas. Passou um cara com um colete cervical e de relógio. “Por favor, que horas são?” Foi acidente”, respondeu ele.

Uma vez, na praia, milha filha Clarice, com uns 6/7 anos, arranjou uma amiga que perguntava tudo sobre a nossa vida. Perguntou onde eu trabalhava e até quanto eu ganhava. Apelidamos a menina de Perguntinha.

Quando eu estava na Tribuna da Bahia, final da década de 60, dividia um apartamento com um colega, Zé, e a mulher dele, que tinham um filho de um ano. Como Zé só começava a trabalhar às 17 horas, e era mineiro, ia à praia com o filho quase todo dia de manhã, e uma vizinha perguntadeira passava por eles no corredor. Doida pra saber o que Zé fazia na vida, um dia ela não se conteve. Brincou com o bebê no colo de Zé e falou: “Ô menino lindo, tá indo pra praia? Você não trabalha não, meu filho?” E Zé respondeu: “Ele está de férias”.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

 

 

NÃO CUSTA NADA SONHAR E IMAGINAR

“Imagine” é uma canção de John Lenon, lançada em 1971 que fala de um mundo vivendo em paz, sem divisões, sem fronteiras, religiões ou propriedades. É um hino pacifista e um apelo utópico à paz, focada na união e na empatia.

A partir dessa letra, parodiando Lenon, fiquei aqui a pensar que não custa nada sonhar e imaginar um país onde houvesse justiça e igualdade social, sem castas, privilégios, corrupções, jogo de interesses na política, sem malfeitores e mordomias entre os mandatários do poder, de forma que sobrasse recursos para investir na qualidade de vida de todos.

Sem mais rodeios e indo direto à questão, sonhei e imaginei um presidente da República que não fosse somente um funcionário público na teoria, mas na prática, como todos os outros, dando exemplo de ética, honradez e trabalho. Vamos imaginar juntos!

Imagine um presidente que não tivesse palacete, carro de luxo e motorista pago pelo contribuinte e vivesse em sua casa ou apartamento com todas suas despesas (empregados, alimentação e outros itens) custeados através do seu próprio salário, como um   executivo de uma empresa eficiente.

Imagine um pais onde todo presidente priorizasse a educação e a cultura, que seus ministérios fossem limitados por lei no máximo a 15 e que eles também tivessem seus próprios veículos, suas moradias e pagassem seus custos do próprio bolso. Quem cometesse algum delito, seria imediatamente preso e não apenas demitido.

Imagine o mesmo para o vice ou que não fosse preciso tê-lo, e se houvesse, que seja eleito pelo povo, cumprindo apenas suas funções constitucionais. O mesmo sistema servisse de exemplo para os governadores dos estados, sem palácios e privilégios, como praticamente acontece com os prefeitos que pagam suas moradias.

Imagine viver num pais com um judiciário justo e técnico, de forma que a lei fosse igual para todos, sem influências políticas, de poderosos do dinheiro e sem pressão popular. Que a pena para o pobre fosse a mesma para o rico.

Nada de desembargadores e ministros das cortes, e sim juízes dos tribunais, sem abuso de poder e supersalários, sem vender sentenças.  Sem esse órgão nebuloso de Conselho Nacional da Justiça (só gera mais gastos), e que as portas da magistratura fossem abertas ao povo simples, para expressar abertamente seus problemas, sem medo de ser preso. Ser ouvido sem aquele temor.

Ah, e esse legislativo monstruoso de milhares de cabras egoístas no poder, tão devastador e mutilador dos nossos sonhos e esperanças! Para ele, imagine que as cadeiras do Congresso Nacional, o calcanhar de Aquiles da nação e o mais caro do mundo, fossem cortadas pela metade, sem foro privilegiado, sem direitos a auxílios moradias, vestimentas e outros bagulhos.

As verbas de gabinete fossem limitadas a apenas 10 assessores. Nada de carros luxuosos e sem essa picaretagem de emendas parlamentares. Legislativo é para legislar, e não para executar obras. Se recebe salário a altura do cargo, que pague seus gastos.

O deputado ou senador só poderia ser eleito no máximo duas vezes e quem roubasse fosse direto para a prisão, sem direito a nunca mais se candidatar. Inelegível até a morte. Essas normas seriam estendidas a todos os políticos, sem distinção.

Nas assembleias e nas câmaras, imagine que o número de parlamentares também fosse reduzido à metade em cada estado e em cada município. Cada um pagando a sua conta do seu salário, fixado entre dez a quinze mil. No máximo, três ou cinco assessores.

Imagine que vereador passasse a ser chamado de conselheiro com um salário de no máximo sete ou oito mil reais. Fosse proibido cada um demarcar seu lote e ter seu curral eleitoral no município. Afinal, povo não é gado para ser ferrado como dono.

Sei que, infelizmente, como John Lenon, meu sonho e minha imaginação de viver num país assim não passam de utopia, mas, como não custa nada, embarquei nessa viagem que não é só minha. Sabemos que navegamos numa nau de insensatos, mas não custa sonhar e imaginar.

– Acorda cara, você está no planeta terra, numa aldeia chamada Brasil que já nasceu assim desde os tempos coloniais. Deixa de viajar na maionese e vamos trabalhar que o patrão que sustentamos está de olho em nós! É, meu camarada, vamos continuar sendo burros de carga!

O FATOR SOCIAL NO CANGACEIRISMO

Com seu olhar mais antropológico sobre a questão do meio social no sertão nordestino, o médico e escritor Estácio de Lima, em sua obra “O Mundo Estranho dos Cangaceiros” descarta a teoria lambrosiana de que a criminalidade é nata em determinados indivíduos a partir de suas características físicas.

O médico assinalou que, diante da empola radiológica, as cabeças de Lampião, Maria Bonita, Corisco, Zabelê, Cangica, Azulão e mais outra Maria abatida em combate, não ofereceram o mínimo vestígio do chamado lombrosionismo. “Para sermos rigorosos, entretanto, diremos que Zé Baiano exibia traços morfológicos que se ajustariam à clássica descrição de Lombroso.

“Em resumo: O meio hostil feriu um homem abandonado, de atributos contraditórios, muitos deles grandes atributos, respondendo esse homem desordenadamente, às vezes cruelmente, exibindo sua alma cheia de primitivismo”. Nasceu assim o cangaceiro, o delinquente.

Outro ponto por ele contestado é que a miscigenação étnica nordestina, de acordo com certos estudiosos, tenha contribuído para o banditismo na região, no caso específico do cangaceiro, do jagunço e do pistoleiro. Estácio, no entanto, foca especialmente no problema da injustiça social, mesológico das secas na caatinga e de um judiciário protetor dos mais fortes e cego com os pobres.

“A Bahia conheceu, no século dezenove, assassino brutal, que estarreceu o Brasil. Houve, na época, a falsa interpretação de que o escravo Lucas da Feira era o que era, porque trazia, na epiderme, a pigmentação da melanina. Os seus atos refletiriam a “criminalidade dos pretos”.

Segundo o estudioso e pesquisador no assunto, o mestiço passou para alguns exegetas, a ser considerado um tipo em degeneração, sem possuir as boas qualidades, exibindo as más, ou deturpando as melhores. Pensadores, então, terminaram interpretando certos índices de incapacidade das nossas populações como resultante dessa mistura de sangues heterogêneos, colocando o negro como inferior.

Estácio destaca que essas interpretações falsas levaram a exageros, ou erros, em sentido contrário. “Os mulatos chegaram a ser endeusados”.

“Os irmãos Ferreira não se constituíram nos maiores cangaceiros do tempo, influenciados, fosse qual fosse a dose, por qualquer das nossas três raças básicas, ou pela conjunção de todas. Denotavam eles, na fisionomia, traços evidentes da tríplice convergência étnica… Não foi isso, todavia, que os levou ao banditismo… Mas toda uma série de fatores cósmicos, telúricos, sociais e biológicos”.

Na figura do caipira e do matuto nos sertões nordestinos, prossegue Estácio, percebe-se um esboço de definição racial. Como exemplos, cita o cangaceiro Saracura, tez morena, como a de Maria Bonita, cobreada, um tanto pelo sol, um tanto por discreta melanina, legado dos ancestrais, como também em Lampião.

“O cangaceirismo tem aquele aspecto – e não será fastidioso repeti-lo – de reivindicações, de protesto contra as desigualdades, de vingança face as injustiças, ou revide ante as extremas provocações”.

Sobre crianças que entraram no cangaço, Estácio analisa que seguiram nas hostes pela imitação, pelo espírito de aventura inerente à pouca idade, pela ideia de que aquilo era brinquedo divertido. “Não levaram protestos, nem objetivos predeterminados”. Quanto aos idosos, serviam para levar recados, sem contar a missão de rufiões pela metade.

O escritor de o “Mundo Estranho” também ressalta sobre o período de maior desenvoltura dos cangaceiros, entre 18 a 35 anos, em razão dos enfrentamentos das caatingas, dos embates com as volantes, da terra seca e da vida precária que levavam.

Os bandoleiros menos idosos passaram a observar que Lampião declinava quando atingiu os 40 anos. Vinha mostrando gradual pendor pela “sombra e água fresca”. Ainda era infernal, um grande satanás, porém, não mais o mesmo gênio dos malefícios quando ultrapassou os 35.

– Derna qui “o Padinho Pade Cirço” si mudou pru céu qui o cumpade Lampião passou a viver meio inculido! Estácio faz mapeamento da biotipologia do homem cangaceiro, como esguio, raramente baixo (um metro e setenta), pernas e braços finos, com relevos musculares ao nível do bíceps, magro, rosto comprido, barriga murcha e bacia estreita. Um leptossomático típico.

“Se o determinismo fosse diverso, uma educação apropriada interferisse, as condições do ambiente se mostrassem bem menos agressivos, o caboclo perduraria silencioso e esquivo, sem mergulhar, porém, no cangaço.

 

“TEMPO DE INTENSA CRUELDADE”

RESISTÊNCIA MANTIDA PELA LUTA E PELO AMOR

A professora Ana Isabel Macedo, aposentada do Departamento de Estudos Linguísticos e Literários da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, onde durante 30 anos lecionou Língua Portuguesa, lançou na noite de ontem (sexta-feira, dia 26/02), no Foyer do Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, o seu quinto livro romanceado, intitulado “Tempo de Intensa Crueldade: Resistência Mantida pela Luta e pelo Amor”.

Na obra, a autora apresenta histórias de amor, de amizade, de militância política e revela duros episódios da ditadura civil-militar no Brasil com o golpe de 1964. O lançamento foi um momento muito especial de diálogo entre a literatura e a música quando, na ocasião, Elton Becker e Damian Lima cantaram “porque não dizer que falei das flores”, do poeta e compositor Geraldo Vandré.

Na abertura da apresentação do livro, o professor e advogado Ruy Medeiros fez um longo relato do que foi a ditadura civil-militar de 1964, citando vários presos políticos que, em combate contra o regime, foram cruelmente torturados e mortos pelos generais no poder, como o caso do frei Tito, que não suportou em vida as torturas do delegado Fleury e terminou se suicidando.

Como prefaciador do livro, Ruy, em sua fala condenou os discursos de raiva e os grupos que se movimentam pregando uma intervenção militar no país. De acordo com ele, somente quem não viveu aquele duro período de opressão se levanta em defesa de uma nova ditadura. Lembrou os momentos difíceis, principalmente durante os chamados anos de chumbo a partir de 1968 com o AI-5 onde o preso não tinha nem direito a um habeas corpus.

Na contracapa da obra, a historiadora Isabel Cristina Leite, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, recorda que “na cidade de Petrópolis foi mantida pelo Centro de Informações do Exército (CIE), uma casa clandestina, cujo fito único era praticar crimes terríveis, como torturas extremas, tipo horas de pau-de-arara: estupros e tentativas de afogamentos em quem os militares supunham ser guerrilheiros. E para completar este quadro tão macabro, muitos e muitos prisioneiros, nesta casa foram assassinados”.

Como escritora, Ana Isabel já lançou Malva: Um Meio-Sorriso e um Certo Olhar (1995), Heloísa: A do Povo de Vicente (2014), Carmela: Uma História de Amor (2017) e Maria Mar: Estrela das Ideias e do Amor (2023).

 





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