TERRENOS BALDIOS
Matagais, entulhos, garrafas, plásticos, lixo de moradores, camas, sofás, pneus velhos, ferragens e outros objetos servem para atrair ratos, escorpiões, cobras, mosquitos da dengue e insetos diversos se acumulam nos terrenos baldios e abandonados pelos donos desses imóveis que não são fiscalizados, conforme determina a lei do código de postura. As próprias imagens extraídas das nossas lentes mostram esta calamidade pública em Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia, pejorativamente chamada de a “Suíça Baiana”. A situação chega a ser tão caótica em algumas ruas e bairros que muita gente toca fogo para minimizar o problema, que se agrava com as fumaças. Não tem dúvidas que o maior culpado por tudo isso é o poder público, e não adianta dizer que é falta de educação das pessoas que despejam todas sujeiras nesses terrenos. Vamos esperar que todos se eduquem, ou exigir que os proprietários murem ou cerquem suas áreas, aplicando as punições cabíveis? Por que a Prefeitura Municipal não toma logo uma providência urgente? Acho que a maioria tem uma resposta certa para esta pergunta. Além da incompetência, tem o poder econômico do setor imobiliário que o executivo prefere não bater de frente. A própria prefeitura não dá o exemplo, pois nem ela cuida devidamente de seus terrenos. Cadê a Câmara de Vereadores, o Ministério Público, a mídia e outros órgãos que não cobram o cumprimento da lei? Trata-se de uma questão de atentado à saúde pública.
NEM TUDO ESTÁ PERDIDO
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Oh Senhor, Criador Supremo!
Sua criatura só destrói,
O planeta vive no extremo,
O sistema só nos corrói,
Mas nem tudo está perdido!
Ainda tem muita gente,
Que faz aquela diferença:
Lança na terra a sua semente
Do amor, da paz e da crença.
Nem tudo está perdido!
O bem ainda bate na porta,
Para abraçar o desvalido;
Tem aquele que importa,
Com a injustiça social,
Que é amigo certo leal.
Nem tudo está perdido!
Tem filhos que amam os pais,
Mãos que afagam o esquecido,
Não desejam o mal, jamais!
São como a excelência
Nessa humanidade em decadência.
Tem a alma companheira,
Que na tristeza nos aquece,
Tem a canção sonora da viola,
Que do peito arranca a banzeira,
Como chuva que renasce a flora.
LEGISLATIVO ABRE ATIVIDADES DE 2026 COM A MENSAGEM DA PREFEITA
Os trabalhos do legislativo municipal de Vitória da Conquista foram abertos ontem (dia 04/02), com a mensagem da prefeita Sheila Lemos que fez um resumo das ações do executivo durante o ano passado e adiantou seus planos para 2026.
O presidente da Câmara, Ivan Cordeiro, após saudar os presentes e autoridades, afirmou que cem por cento dos projetos previstos em 2025 foram realizados, destacando que não houve perseguição a quem colocou suas posições contrárias e nem aos silenciosos.
Disse que “somos 23 vozes diferentes, mas com o objetivo único de lutar pelo progresso do município”. Assinalou que a Casa procurou defender a voz das mulheres com total independência.
Na ocasião, convidou todos a participarem do Fórum Industrial e Comercial que será realizado em março próximo. Lembrou que o legislativo prestou homenagens ao centenário do ex-prefeito José Pedral e que a Câmara procurou, de forma democrática, estar ao lado dos interesses da população.
A prefeita elogiou o trabalho do legislativo durante o ano de 2025, promovendo o diálogo e fazendo com que as demandas dos conquistenses chegassem até o executivo. Disse que procurou ouvir todos os parlamentares.
Entre as ações do seu mandato em 2025, citou a inauguração das unidades da Saúde da Família nos bairros da Patagônia e Ibirapuera. Na área da educação apontou que foram investidos 60 milhões de reais, inclusive na reforma de 100 escolas e valorização dos professores.
Outras obras foram erguidas e requalificadas, como as praças do Ibirapuera, Jardim Guanabara, o Mirante do Cristo da Serra do Periperi, o Estádio Edvaldo Flores, além da recuperação de dois mil quilômetros de estradas vicinais na zona rural.
Quanto ao IPTU, Sheila ressaltou que o número de isentos passou de três mil e setecentos para quarenta e oito mil. Destacou pontos importantes da sua reforma administrativa, como a criação da Secretaria Municipal de Segurança Pública, mantendo Conquista como a cidade mais segura da Bahia.
Na oportunidade, ela convocou os vereadores a participarem, em conjunto com o executivo, das indicações de obras que serão construídas com os recursos do empréstimo de quatrocentos milhões de reais aprovados no ano passado pela Câmara de Vereadores.
Para este ano, prometeu entregar o Centro de Atendimento da Mulher e da Infância, bem como uma unidade municipal da UPA, entre outros serviços que irão beneficiar diretamente a população conquistense.
“A SOLUÇÃO É ALUGAR O BRASIL”
Depois de longas conversas teóricas em mesas de bares e encontros de bate-papos, muitos dos quais chegam a varar a madrugada, onde cada um exibe sua intelectualidade, conhecimento e sabedoria, a sensação que se tem é que em pouco tempo o grupo de sábios resolve todos problemas humanitários e, principalmente, do Brasil.
O cara chega em casa “chumbado” e morto de cansado e a mulher pergunta onde estava.
– Ah, mulher, estava aí com uma turma discutindo filosofia, política, sociologia, comportamento humano e outros temas complicados.
– Entendi, resolveram o problema do Brasil numa tacada só. Nem precisavam queimar os neurônios com tanto esforço. Como já disse o cancioneiro e poeta baiano Raul Seixas, “a solução é alugar o Brasil” – respondeu a esposa em tom sarcástico.
Sei não, do jeito que está a situação, com tantas falências, inclusive de estatais, como os Correios, com déficit fiscal, nas contas externas lá nas alturas e dívidas a perder de vista, acho que ninguém mais se atreve alugar este imóvel.
Se vivo fosse, arrisco dizer que Raul cantaria, ninguém quer mais alugar o Brasil. A Amazônia, a Mata Atlântica, o Pantanal e o Cerrado foram devastados, sem falar que, de lá para cá, só aumenta a corrupção e o número de golpistas. Nos três poderes é só baixaria de bate-boca!
Quem for alugar esta casa comercial vai ter que fazer uma reforma geral porque até a comieira está comprometida de cupins. O inquilino tem que ser um exímio administrador e esperar um bom tempo para auferir os lucros.
– É, mas existem empresários que fizeram fortunas comprando e alugando massas falidas. Colocam as coisas em ordem e depois vendem ou arrendam pelo dobro ou o triplo do preço – comentou um amigo meu certa vez quando a gente trocava umas ideias teóricas do tipo resolver os problemas do Brasil que há séculos continua sendo uma nação subdesenvolvida ou de Terceiro Mundo.
Já que Raul deu a opinião dele, apontando as vantagens de ter vista para o mar e que a Amazônia seria o quintal dos Estados, Unidos, falando sério, com esse Congresso Nacional, considerado o pior da história, minha opção é por um interventor estrangeiro gabaritado, que não seja um yanque norte-americano.
Antes do camarada me repreender que intervenção cheira a ditadura, adiantei que seria no estilo democrático, mantendo o presidente com sua representação política em defesa da liberdade de expressão.
A primeira coisa seria fazer uma auditoria apurada nas contas, com total transparência. Depois cortaria todas as mordomias dos três poderes. Nada de supersalários. Sem estabilidade trabalhista para funcionário público.
Nenhum deputado, senador, ministro de Estado, inclusive dos tribunais, presidentes de empresas ou órgãos teriam direito a carros, apartamentos, casas e outros privilégios. Venderia todos esses bens móveis e imóveis. Cada um que se virasse com seus salários.
O legislativo só iria legislar e nada de emendas parlamentares. Como não existem guerras no Brasil, tiraria as forças armadas dos quartéis e colocaria todo mundo para trabalhar, erguer escolas, postos de saúde, estradas, pontes e outras obras necessárias à população.
Basta, estou viajando demais na maionese ou na utopia com esta ideia estapafúrdia! Vamos ficar mesmo na sugestão do Raul que seria alugar o Brasil. Quem alugasse teria o direito de cobrar a vista para o mar e usufruir as belezas das praias litorâneas de oito mil quilômetros, bem como estabelecer cobranças de taxas aos donos das festas que não são poucas.
CÂMARA ABRE TRABALHOS DE 2026
Uma sessão solene com a presença da prefeita Sheila Lemos, nesta quarta-feira (dia 04/02), a partir das 9 horas, na Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, reabre os trabalhos legislativos de 2026, depois de um recesso de mais de um mês.
A retomada das atividades contará com a mensagem da prefeita. De acordo com o presidente da Casa, Ivan Cordeiro, “a expectativa é de um ano intenso de debates e projetos voltados ao desenvolvimento do município”. Espera-se a presença de todos os 23 parlamentares e plenário cheio.
Entre as pautas que começam a tramitar estão propostas como a redução de 50% da taxa de esgoto na conta de água, a isenção do transporte coletivo para idosos a partir dos 60 anos, o IPTU zero para ruas não asfaltadas e o fortalecimento da política habitacional, com indicação para construção de casas populares.
Uma questão que também deverá constar das discussões será a polêmica da Zona Azul, cujas mudanças não agradaram aos usuários. Outro assunto que os vereadores não deverão deixar de abordar é sobre os terrenos baldios e abandonados que têm sido verdadeiros atentados à saúde pública de Conquista.
“A Câmara segue comprometida com as principais demandas da população conquistense, aberta ao diálogo e à defesa dos interesses coletivos”, destacou o presidente do legislativo, reforçando também a atuação dos vereadores em temos atuais, como o problema sobre a Zona Azul.
Ivan Cordeiro citou como destaque o projeto do vereador Edvaldo Ferreira que trata da redução de 50% na taxa da Embasa na conta de água, a construção de casas populares com recursos em torno de 30 milhões de reais dos 400 milhões de empréstimos aprovados pela Câmara no ano passado.
NEM TUDO ESTÁ AINDA PERDIDO
Um estudo científico realizado em diversos países da Europa comprovou que a inteligência humana, o QI, está em queda. Não existem dados no Brasil, mas os indicadores são baixos. Estudo feito pelo Ibope revelou que 29% da população é analfabeta funcional e o número de analfabetos absolutos cresceu de 4 para 8% nos últimos três anos.
Sabemos que vivemos num mundo turbulento, com guerras, intolerâncias e ódio. A humanidade em decadência (milhões com ideias medievais e burras) não confia mais em seus “semelhantes”. O sistema é bruto e cruel; impera o egoísmo e o individualismo; o planeta vive seus extremos em decorrência de séculos de agressão ao meio ambiente, mas, calma gente, nem tudo ainda está perdido.
Ainda tem o amor que bate em sua porta, o bem que acolhe o desvalido, a mão amiga e prestativa que lhe apoia nas horas incertas, os que tentam pagar o incêndio na floresta como o beija-flor com a água em seu bico, os honestos, sinceros e éticos, aqueles que têm fé em dias melhores, os que compadecem do sofrimento dos outros e os que ainda lhes dão um bom dia na rua, se bem que com raridade.
Diante de tantas perversidades e violências, como os “cachorros loucos” tiranos tentando dominar o mundo na base da força e da arbitrariedade, da ganância desvairada e da usura, das catástrofes e tragédias do aquecimento global, como eu, muitos se tornaram incrédulos e acham que não existe mais retorno. Ainda há tempo para recuperar o nível de inteligência?
No entanto, o que nos mantém vivos e esperançosos, é que nem tudo está perdido. Dia desse ouvi um vídeo onde alguém comentava que enquanto o pai estava num terminal de um leito de hospital, no corredor os filhos discutiam a partilha dos bens, mas existem aqueles que ainda ama e cuida de seus velhos genitores, sem pensar na herança.
Com a violência generalizada e as armadilhas da bandidagem, quase ninguém para numa estrada para dar socorro a alguém com o veículo quebrado, mas ainda aparece um que acredita no ser. Entre as multidões de ruas e praças, ainda aparece alguém para socorrer o caído na calçada.
Nas repartições públicas, a grande maioria dos funcionários age como robôs. É indiferente aos problemas dos contribuintes; recebe a pessoa com a cara feia e se limita ao que está ali no sistema do IA, mas testemunhei um servidor flexível, de visão mais aberta, que se importou com a minha questão e tudo fez ao seu alcance para desatar o nó da questão. Aquilo me fez ver que nem tudo está perdido.
Tem aqueles que tudo fazem para se dar bem na vida e acham que os meios justificam os fins, como passar a rasteira no outro, sem dó e compaixão, mas tem os que procuram vencer através de seus méritos e generosidades. Ainda tem jovem que se preocupa com o conhecimento e o saber, sem bem que poucos.
É, meu camarada, sei que a coisa está feia. As pessoas só pensam em consumir e valorizam mais o ter ao ser; se engalfinham nas redes sociais para engolir besteiras e mentiras; se tornam fanáticas raivosas e, em nome de uma religião, Deus e pátria, agem como racistas, homofóbicas e misóginas.
Bate aquela desilusão danada no peito. Tudo isso esgarça o tecido humano diante de tantas burrices, mentalidades retrógradas e arcaicas. O vizinho não conhece mais o vizinho. Os internautas preferem mais o virtual que o presencial. Os protestos e as manifestações de repúdio contra as ações arbitrárias do poder murcharam, enquanto enchem estádios de futebol e shows de músicas lixo de péssima categoria.
Mas, temos que seguir em frente com espírito forte, sabendo discernir o certo do errado, o normal do anormal, o legal do ilegal, o moral do imoral, porque nem tudo está perdido. Ainda tem o olho no olho, o sorriso aberto, o gesto de bondade, o adjutório, o simples e o humilde, o conteúdo, a mente aberta sem o preconceito e a vida que segue. Confesso que sou um cético inveterado, porém, nem tudo está perdido.
CADÊ A PUNIÇÃO AOS DONOS DE TERRENOS VAZIOS E ABANDONADOS?
Passam governos e a situação dos terrenos vazios e abandonados é cada vez mais crítica, caótica e só faz aumentar, principalmente nas periferias. O poder executivo não toma providências e só faz escorchar o cidadão com impostos e, praticamente, não oferece nada em troca. A Câmara de Vereadores não cobra a fiscalização. Você paga o máximo e só recebe o mínimo.
Nem é preciso dizer que são verdadeiros atentados à saúde pública porque estas áreas se transformaram em matagais, lixeiras, focos da dengue, escorpiões, ratos, cobras, todo tipo de insetos, e muitos moradores tocam fogo como meio de amenizar o problema porque não suportam mais. Estes são “criminalizados” pela mídia que não questiona o outro lado.
De acordo com o Código de Posturas Municipal (Lei 695/1993), em Vitória da Conquista, os donos de terrenos vazios, baldios ou abandonados são obrigados a mantê-los limpos, capinados e fechados, A inobservância dessas obrigações sujeita o proprietário às penalidades, conforme o código citado.
Ainda sobre os pontos sobre a regulação, o dono é obrigado a construir muros, calçadas e manter a área limpa, evitando focos de doenças e lixo. O descarte irregular de entulhos ou a não manutenção da limpeza gera infração com previsão de multas (reincidências resulta em dobro da multa).
A prefeitura tem a competência de fiscalizar e notificar o proprietário. Em caso de descumprimento, realizar a limpeza, enviando a conta para o dono do imóvel. O não uso do terreno por muitos anos pode levar a medidas baseadas no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU), visando a função social.
É isto aí, somos campeões em leis que não são cumpridas, e não adianta fazer denúncias e documentos à prefeitura porque terminam sendo engavetados. A quem apelar? Vamos ao Bispo ou ao Papa? Está tudo escrito no papel, mas o problema permanece grave. Cadê a Câmara Municipal, o Ministério Público, a OAB e outras autoridades que não cobram o cumprimento das leis por parte do poder executivo?
Como diz um certo juiz de futebol, “a lei é muito clara”. Por que os prefeitos e a Secretaria responsável não resolvem essa questão de vez? Ainda tem gente imbecil que chama Conquista de a “Suíça Baiana”, isto porque não conhece a situação das periferias.
Estes terrenos abandonados de lixo são uma vergonha para uma cidade que é a terceira da Bahia com cerca de 400 mil habitantes. Aqui não tem nada de “Suíça Baiana”, meu amigo. Vamos deixar dessa baboseira de engrandecimento bairrista!
SUCATA DA VERGONHA
Além dos terrenos abandonados, aqui no loteamento Sobradinho (Zabelê), próximo ao Atacadão e à saída para Anagé, tem uma sucata que é uma vergonha e é mais um atentado à saúde pública. É fonte de dengue, insetos de todas as espécies, sem contar a poluição diária de fuligem nas casas vizinhas.
Os moradores das proximidades já se reuniram e fizeram um documento ou requerimento à prefeitura solicitando a relocalização da Sucata Esperança para outro local adequado, mas, como sempre, foi engavetado.
O problema é tão grave que as pessoas das imediações do Miro Cairo já denominaram esta região de a “Rota do Lixo”. Quem mora próximo sofre diariamente com o barulho das máquinas, sem falar na poluição. Idosos e crianças, principalmente, sofrem com problemas respiratórios.
Escorpiões e ratos entram nas residências. É um horror e um tormento para a comunidade. Nenhum órgão toma uma atitude. Como em todo Brasil, o brasileiro só tem deveres e quase nada de direitos. Isto vai de encontro à democracia, aliás, é um atentado a ela.
LAMPIÃO FOGE DE PERNAMBUCO E FAZ ESTRAGOS NO SERTÃO BAIANO
Com o cerco ao banditismo pelo governo pernambucano de Estácio Coimbra, tendo como comandante Geral das Forças Volantes, Teófanes Torres Ferraz, o mesmo que capturou, em 1914, o cangaceiro Manoel Alves Batista de Moraes, o famoso Antônio Silvino, o temido Lampião foge para a Bahia em final de agosto de 1928 e faz estragos no sertão.
Na realidade, Virgulino Ferreira já estava enfraquecido, com seu bando reduzido depois da frustrante invasão à cidade de Mossoró (Rio Grande do Norte), em 1927, com 90 homens bem armados quando esteve em Juazeiro do Norte, em 1926, e recebeu modernas armas do governo federal para combater a Coluna Prestes.
Um dos primeiros atos de Estácio Coimbra foi mandar prender os coiteiros (sertanejos, fazendeiros coronéis, usineiros e até chefes políticos), deixando os bandoleiros desorientados. Outro fator que pesou na caça aos cangaceiros foi o apoio do governo pernambucano através da reposição de provisões de armas, munições e o soldo nos prazos determinados.
Essas medidas, conforme relata a escritora Marilourdes Ferraz, em seu livro “O Canto do Acauã”, resgatariam a campanha em Pernambuco, tornando-a numa eficiente realidade. Foram conservadas as táticas de lutas e as vestimentas apropriadas à caatinga e às modalidades de combate nela desenvolvidas, porque eram as tradicionais da região.
Em 1928, o bando de Lampião já se encontrava reduzido e não tinha condições de enfrentar as volantes. Sua tática foi fugir para a Bahia onde as forças policiais estavam enfraquecidas e não tinham experiências de combates na caatinga. Então, ele atravessou o Rio São Francisco em demanda do sertão baiano, partindo do sopé da Serra Negra, em Floresta, com apenas cinco homens (chegou a ter 130 a 150), entre eles o Luis Pedro, seu fiel escudeiro.
Seu itinerário englobou a Serra Tonã, a fazenda Salgado e o povoado Várzea da Ema, município de Glória. Naquela localidade, Lampião encontrou refúgio na fazenda Gangorra. Mesmo assim, as tropas pernambucanas foram ao seu encalço, mas sem sucesso.
Essa perseguição rendeu alguns versos, como “A força de Pernambuco/ É um bando de urubu/ Perseguindo Lampião/ Que é filho de Pajeú”. De início, Lampião mudou estrategicamente seu comportamento na Bahia, de cabra violento para pacato e bondoso, capaz de esbanjar dinheiro para a população, com intuito de fazer crer que ele era vítima de uma injusta perseguição.
O povo baiano acreditou nessa farsa e chegou a impressionar o coronel Petronilo Reis, chefe político de muito prestígio na área de Glória. Foi o primeiro protetor de Lampião na Bahia, tanto que o governo do estado solicitou o retorno das volantes pernambucanas à sua terra de origem.
Virgulino só estava esperando o momento certo para atacar, reforçando o seu bando, e Petronilo terminou sendo o principal objeto da sua ira quando deixou de ser-lhe útil. Depois que conheceu a região, coligou-se aos irmãos Engrácia no vizinho estado de Sergipe.
Na Bahia, incluiu novos elementos, como seu irmão mais novo Ezequiel, Corisco e as mulheres Dadá e Cila, uma grande novidade para o cangaço, pois na cultura sertaneja, a relação sexual tornava o homem vulnerável, com o “corpo aberto” a balas e facadas, e embotava seus sentidos para os perigos da caatinga.
Não demorou muito para o governo baiano pedir reforço às volantes de Pernambuco, inclusive com a aquiescência do coronel Petronilo e outros fazendeiros. Em 1929, os cangaceiros chegaram a assassinar quatro soldados baianos. Sucederam-se outras mortes, incêndios, roubos e sequestros.
Ainda nesse mesmo ano, em julho, ocorreu o assalto à vila de Pedra Branca e, no povoado de Brejões, foram aprisionados e mortos mais quatro policiais e um cabo. Em outubro, o bando ameaçou os trabalhadores da estrada de Juazeiro a Santo Antônio de Glória, visando interromper os trabalhos (Lampião tinha pavor a estradas). Nove homens da obra foram mortos.
Em dezembro de 1929 aconteceu um episódio macabro que deixou a população de Queimadas, na Bahia, aterrorizada. Com dezoito cangaceiros, Lampião forçou o juiz a preparar uma lista para a coleta de dinheiro e realizou diversas atrocidades, como o fuzilamento de sete soldados na porta do quartel.
De acordo com o major Optato Gueiros, em seu livro “Lampião”, em Queimadas ocorreu um fato curioso. Ao penetrar na vila, um policial ao deparar-se com a situação do destacamento, ajoelhou-se e começou a orar. Lampião aproximou-se dele e deu ordens para que seus cabras não bulissem com o homem. “Não estão vendo que ele está doido?
Quando caiu a noite, os cangaceiros fizeram uma festa em comemoração pelos lucros auferidos em Queimadas. Em 1930 aconteceu outra tragédia nas proximidades da Serra do Urubu. Num tiroteio, morreram o tenente Geminiano Santos, um sargento e mais cinco companheiros.
O SISTEMA É BRUTO E CRUEL
Quando falo do sistema, não estou me referindo no sentido macro dos três poderes (executivo, legislativo e judiciário) e o capitalismo selvagem oligárquico que ditam suas regras e terminam descarregando todo seu peso nos mais desfavorecidos, se bem que toda sociedade brasileira pena.
Estou me reportando à nossa aldeia, no caso mais específico à Secretaria de Finanças da Prefeitura de Vitória da Conquista onde mais parece uma torre de babel, pois cada um fala uma língua diferente e se ouve o absurdo dos absurdos.
Depois de negociar minha dívida ativa e pagar as parcelas em dia, fui ontem (dia 30/01) à Secretaria (três vezes) solicitar uma certidão negativa e, após um dia exaustivo, não consegui êxito porque cada funcionário tinha sua interpretação a respeito do meu caso.
Na primeira tentativa, a atendente disse que não podia me liberar alegando que o pagamento que fiz do alvará 2025, na terça-feira (dia 27/01), na lotérica, não havia caído no sistema (olha ele aí nos atormentando e torturando!), mesmo mostrando o comprovante quitado. “A Caixa Econômica tem três dias para nos enviar a quitação” – disse a funcionária.
Argumentei se não poderia dar baixa no sistema através do comprovante, mas nada feito. Apelei para a gerência que fica ao lado e um rapaz conversou com algum superior que teve a compreensão de atender ao meu pedido.
Senti aquele alívio e a esperança de que meu problema seria resolvido. Puro engano, meu camarada! O sistema acusou que eu tinha três parcelas do ISS em aberto. Aleguei que havia parcelado para o dia 10 de fevereiro, mas não estava com as papeladas.
Na árdua tarefa de solucionar a questão sai do centro e fui buscar os boletos em casa. Minha peregrinação tinha começado às 9h.30min e quando retornei pela segunda vez já era quase 13 horas. Mesmo arguindo que a data de vencimento era dez de fevereiro, o cruel do sistema não liberou minha certidão. Mais uma tremenda frustração. Insisti que o vencimento estava ali destacado para o dia 10 de fevereiro próximo. O jovem só me mostrava o maldito do sistema.
O mesmo funcionário (um estagiário) recomendou que eu retornasse mais tarde, isto pela terceira vez, e me reportasse com uma tal de Igor. Era por volta das 15 horas. Para meu espanto, ele se baseou na data do vencimento original e não na atualizada do 10/02/2026. Não adiantou em nada o meu argumento de que ainda não havia vencido. Não entendi, ou meu QI deve ser muito baixo.
O técnico obedece ao sistema, meu amigo, e este, cruelmente, negou minha certidão. “Não adianta tentar porque ele trava na hora que eu fizer a solicitação” – afirmou o moço. O ponteiro marcava 16 horas e o cansaço já dominava meu corpo e minha mente.
– Mas, olha aqui, a data diz que eu tenho até o dia 10 de fevereiro para pagar. Não teve conversa, o servidor se baseou no vencimento original de 12 de janeiro de 2026. Meu contador não acreditou no que lhe relatei.
Não é para entender. O sistema não tem lógica porque foi elaborado e é manejado por seres burocratas tecnólogos desumanos. Sai da Secretaria de Finanças no final da tarde, estafado, desolado e me sentindo um lixo como contribuinte. O sistema é bruto e cruel, não para os ricos e os grandes sonegadores de impostos.
DESILUSÃO
De autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Vagueia no recôndito
Da minha alma
Uma desilusão sofrida,
Sem mais aquele sopro,
Do viver encanto
Do vento fresco humano,
Que fazia o nosso canto
Contra o fútil profano.
A gente carregava o manto,
Da cultura e do saber,
Era lindo de se ver:
As ideias em confronto.
Os sonhos como vultos,
Somem entre os incultos,
Que mataram o conhecer,
E não mais se acredita
No clarear do alvorecer.
A massa insossa alienada,
Passa em louca disparada,
Consome porcarias no lixo,
Nas entranhas do consumismo,
E fica toda fedorenta empolada,
Pelo percevejo do capitalismo.
Minha alma está seca cinzenta,
Nesta cacimba, sedenta,
Como um estorricado chão,
Que definha na desilusão.
A juventude do não pensar,
Sem mais atitude e metas,
Guiada por falsos profetas,
Caminha nesse escuro,
Em meio ao besteirol,
E meu único alento,
É apreciar um pôr-do-sol.






















