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:: ‘Na Rota da Poesia’

MENTE E CORAÇÃO

De autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Tem dia errante,

Que teu coração está enguiado,

Triste lascivo,

E você pergunta o motivo,

Nem ele te responde,

Onde fica a ponte.

 

Você continua aperreado,

Doído no peito aperto,

Numa tirana agonia;

Na alma aquele nó,

Só vontade de estar só.

 

Dizem ser depressão,

Em outros tempos era fossa,

Coisa da nossa mente,

Ora alegre e melancólica,

Que está em toda gente,

De vida mortal,

Angústia existencial.

 

O silêncio lhe devora;

Seu olhar chora,

O tempo lento demora,

Sem sorriso lá fora,

Nem o afago lhe consola,

Nessa nevasca que lasca,

Como navalha ventania,

Na espera do outro dia,

Que seja de novo astral,

Nesse universo sideral.

 

O coração nos prega essa peça,

Ou é essa mente travessa,

Que às vezes entram na contramão.

 

SE VOCÊ…

Autoria de Jeremias Macário

Se você não tem o paraíso,

Ao menos tenha juízo,

Melhor sair do inferno,

Do que ser escravo eterno.

 

Se você virou fera,

Nessa era capitalista,

Melhor se livrar dessa lista.

 

Se você não tem o mel,

Melhor o cheiro da abelha,

Que viver na ilusão do céu.

 

Melhor morrer com bravura,

Que divagar nessa loucura,

Com o berro preso de ferro.

 

Se você não é salafrário,

Melhor ser um digno operário,

Na marcha lutar e protestar.

 

Se você não é filósofo pensador,

Melhor regar sua flor.

 

Se você não é amado,

Melhor amar a si mesmo,

Sem ser manada e gado.

 

Se você é discriminado,

Nunca negue seus conceitos,

Defenda seus direitos.

 

A palavra de Deus,

É você quem faz, meu rapaz.

 

Melhor não ser religioso,

Que ser fanático criminoso;

Nunca aceite lavagem cerebral,

Siga sua mente livre racional.

 

O DIA DO POETA

Confesso que iria passar batido sobre o Dia do Poeta, 20 de outubro. Também todo dia é dia de alguma coisa e, nessa correria da vida, cheia de problemas, pouco paramos para refletir e pensar.  No entanto, à tarde recebi uma ilustração em meu ZAP onde destacava 20 de outubro, Dia do Poeta, com os dizeres “obrigado a você poeta, que nos empresta teus sentimentos em forma de versos, despertando assim, em cada um de nós o que sequer imaginávamos ser capazes de sentir.

Se não me engano, tive um professor que nos ensinava que o poeta é aquele que vê o que os outros não enxergam, como se somente o poeta possui raios laser nos olhos para detectar o invisível e desvendar certos mistérios desse universo.

Ouvia também de que somente o poeta sabe descrever sobre a flor. Até me arriscaria falar que é o ser humano que consegue tirar leite de pedra. Não fosse o ar, não fosse a terra, não fosse o fogo, não fosse a água e o mar, o sol e o anoitecer, o tempo, a chuva, o vento e a tempestade que já são poesia, como o poeta sobreviveria?

Em homenagem ao Dia do Poeta veio-me logo à cabeça postar uns versos meus em meu blog opinativo e crítico, mas o consciente, ou o subconsciente, mandou que escrevesse algo sobre esse ser diferente e indiferente que já foi tão admirado, que já fez revoluções e até guerreou contra tiranos e tiranetes.

Pode-se dizer que o poeta encanta e é o encantado da poesia que já nasce com o corpo fechado contra balas e flechadas. É o único que bate na porta da morte na boca da noite para uma boa prosa até o dia amanhecer e se tornam até amigos.

Poderia citar aqui um monte de nomes, mas cada um tem o seu apreciador, seu predileto ou prediletos. A todos faço vênias e presto minhas singelas homenagens. Ele é cantador, é cancioneiro e trovador. Falam até que esse mundo, incluindo o Brasil, deveria ser governado por um poeta. Será que daria certo? Pelos menos, suas leis e decretos seriam feitos em versos rimados extraídos da matéria espírito.

MEU NORDESTE CATINGUEIRO

De Jeremias Macário. Uma homenagem ao Dia do Nordeste 8 de outubro.

Não vou falar de escritores,

Poetas, cancioneiros e sanfoneiros,

Mas de Maria, João e José,

Das rezadeiras e parteiras,

Do homem forte e contrito,

Que a seca vence com fé.

Da cantoria do adjutório,

Da batida da palha do feijão,

Das belezas do litoral e do sertão,

Do couro aboiador vaqueiro,

Do meu Nordeste,

De espinho catingueiro.

 

Falo dessa terra árida,

De alma pensativa cálida,

Do sol o ano todo a brilhar,

Da chuva a explodir em cores,

Dessas raras aves e flores,

Do luar no meu terreiro,

Do meu Nordeste,

De espinho catingueiro.

 

Falo da foice e da enxada,

Do “Velho Chico” a irrigar,

De tanta gente em procissão,

Para ao Supremo pedir e orar,

Que conserve sua bravura,

E das ervas tenha cura.

 

Daqui nasceu o Brasil,

Feito rebeliões dos malês,

Alfaiates, balaiadas e sabinadas;

Cruzou tropeiros e mascates,

E o samba veio da Bahia,

Em nome de todos orixás,

Com cheiro de amor no ar.

 

Falo do frevo pernambucano,

Do retirante valente estradeiro

Do meu Nordeste agreste,

De espinho catingueiro.

UNS TÊM, OUTROS NÃO…

Mais recente poema de autoria de Jeremias Macário

Uns nascem,

Outros morrem.

Muita gente a guerrear,

Outros preferem amar;

Uns a brigar por ideologia;

Outros na labuta do dia a dia.

Tem a luta de classe,

Do capital contra o trabalho,

A crise e a boa fase,

Encruzilhada e atalho.

Uns se casam,

Outros se separam.

Tem a despedida na partida,

Os que ficam,

No adeus da saudade.

Existem os livres,

E os que não têm liberdade;

Os oprimidos e opressores,

Os rotos e esfarrapados,

Nobres, pobres e doutores,

Nesse mundo de todos,

Dos odiados e amados.

Uns colhem espinhos,

Outros rosas e flores.

Tem as mesclas e os linhos,

E cada um com suas dores.

Para uns, o céu,

Outros, o inferno.

Tem a abelha no mel,

A praga no plantio,

O simples passageiro,

O Supremo eterno,

E a terra com seu cio.

Uns pensam ser duque e barão,

Outros só querem viola e canção.

Tem a tirania,

A prosa e a democracia,

O alvorecer e o poente,

O pensar em cada mente.

Uns sobem e outros descem,

Nessa louca multidão,

Onde o monge faz sua oração.

Uns protestam,

Outros ficam calados;

Uns no forró e samba,

Outros vão de valsa e fados;

Uns gozam e amam,

Outros fingem que sim,

No início, meio e fim.

Tem o choro em pranto;

Muitos sem nada,

E poucos com tanto.

Muita fonte e fartura,

Tanque seco, gado berrando;

Saúde e doente sem cura.

Uns com alma de menino,

Outros com instinto assassino.

Tem o pau-de-arara retirante,

E o patrão escravista arrogante.

Uns semeiam primaveras,

Outros taras e feras.

Tem a pura ternura,

O sangue frio da secura,

Os estradeiros da poeira,

E os que nem abrem porteira.

Tudo é mistério e filosofia,

Encanto e poesia.

CULTURA! CULTURA!

Alguém aí ouviu eu falar cultura?

Dizem ser essa economia criativa;

O homem arrastando enxada,

Papo da comadre e do compadre,

Cantoria no mutirão do adjutório,

A pegada da parteira,

A folha benta da rezadeira,

Os versos do Assaré Patativa,

A batida do martelo na noite calada,

O som do violino e do violoncelo,

Boiada e foice cortando roçado.

 

Cultura! Cultura!

Um banquinho, voz e violão,

Pena imaginativa da literatura,

A vida no campo ou na cidade,

Vênia do súdito à sua majestade,

Luta pela liberdade de expressão.

 

Cultura! Cultura!

Está em tudo que se faz,

Na lida atrás daquele monte,

Onde o índio faz sua dança;

É água da primeira fonte,

Mergulhar no desconhecido,

Transgredir o “proibido proibir”,

Dar sentido à sua andança.

 

Cultura! Cultura!

Maracatu, Congo, Ternos de Reis,

Canção, violar, forrozar e sambar;

Embolada de nó, sarau e repente;

Cordel nas feiras do varal;

Inventar uma nota de três;

Ser sal e aceitar o diferente;

Viajar pelos mistérios do Além Mar.

 

Cultura! Cultura!

É o Baobá do africano,

A gameleira do baiano,

O atabaque no terreiro do orixá,

A tradição do cigano,

A arte do escrever e pintar,

E zelar da terra e do mar.

 

Cultura! Cultura!

Luz, lente, cinema e imagem;

Está na batida da palha do feijão;

Ternura, bravura e razão.

 

Cultura! Cultura!

Está no canto da poesia,

Nos editais da burocracia,

Nos relatórios e falatórios,

Na fome do conhecer,

No maldito corte da censura,

No saber traçar sua travessia,

Sou eu, o outro e você.

 

CONVERSA COM DEUS

De autoria do jornalista Jeremias Macário

Alô, Senhor Deus!

De todas religiões e Zeus,

A terra aqui está à toa:

Suas criaturas fazem loucuras,

E matam pelo cajado e a coroa,

 

Nessa maldita pressa,

Peço só um dedo de prosa,

Um minuto de sua palestra,

Da sua porta pela fresta,

Sobre essa gente cavernosa.

 

Na seca um pede chuva,

O outro quer seu sinal;

Tem o que só quer gol,

E até o infeliz matador,

Que se benze para o mal.

 

Tudo nesse louco planeta,

Dizem ter a sua caneta,

Até que age certo,

Por linhas tortas,

Mas, meu camarada, para mim,

Sua terra está chegando ao fim,

Pelos brutos do deserto.

 

Se existe esse livre arbítrio,

De ser até um assassino,

Que cada um dita seu destino,

Por que sempre se diz:

Que foi Você que assim quis?

Não é contradição de raiz?

 

Nem sei mais o que pensar,

Quando vejo o pássaro a voar,

No alto da minha cabana cigana,

Ou quando os olhos miram o mar,

Nesse universo de mistério,

Não passo apenas de um verso.

 

Se apareceu pra Moisés e Abraão,

Por que não mais pra ninguém,

Nem com reza e oração?

 

Se puder, por favor me responda:

Por que poucos com tanto;

Muitos na miséria sem nada,

Em seus casebres vivem em pranto?

 

Por que esses caras humanos,

Dizem ser sua semelhança,

Fazem um monte de lambança,

São cruéis, perversos e insanos?

 

Uns acreditam ser Você um cristão,

Outros que é judeu e muçulmano,

Até budista, hindu indiano,

Que está no terreiro dos orixás,

No ateu que ama seu irmão,

Em que estrela Você está?

SEUS CABELOS

Mais um verso da lavra de Jeremias Macário

De seus cabelos,

Cor da graúna,

Finos fios,

Tecem nessa teia,

Enredos e segredos.

 

Seus cabelos ternura,

De pura seda,

Deusa grega,

Tão meiga,

Do cisne Zeus,

Ou cigana alegria,

De alma indiana,

A irradiar energia.

 

O poeta navegante,

Das espumas flutuantes,

Encantado se enamorou,

Com aquela sereia,

Serena a flutuar,

No mar das águas nua,

Prateada da lua,

E de seus cabelos,

Dela fez musa amor,

Com seu poema eternizante.

 

Seus cabelos,

Na rede balança,

No vaivém da trança,

Flor da poesia,

De sorriso menina,

Que me ilumina.

O SERTÃO VAI VIRAR DESERTO

Mais um poeminha de autoria do jornalista Jeremias Macário

Do alto tem um vigia,

Que nos espia.

Vagueiam o mistério e a magia,

No meu sertão catingueiro,

Onde a lua prateia nosso terreiro.

 

Poetas, profetas e cancioneiros!

Entre amores e dores,

Os ventos rasgam os montes;

A seca devora açudes e fontes,

E o nordestino temente penitente,

Em seu oratório,

Sem mais adjutório,

Implora a Nossa Senhora.

 

O sal engole a terra,

Não mais há mata naquela serra;

Lá se foram os bravos e os fortes;

Nos engaços rondam as mortes,

Nesse tempo tão incerto,

O sertão vai virar deserto.

 

Não quero ser coveiro,

Meu amigo Conselheiro!

O sertão já foi mar,

E nunca mais será.

Agora o certo:

É o sertão virar deserto.

 

Não adianta ser esperto,

Criar barragens e canais,

A natureza dá seus sinais,

Que o sertão vai virar deserto.

PARADO NA ESQUINA

Mais uma produção poética social do jornalista Jeremias Macário

Ei, seu cabra suspeito!

O que está a pensar,

Aqui parado,

Neste poste da esquina,

Com esse jeito,

De quem vai roubar?

 

Seu polícia,

Meu nome é fome,

Que não me deixa raciocinar.

Só estou assuntando,

Essa sociedade assassina,

Metida a grãnfina,

Que concentra toda riqueza,

Pra gerar nossa pobreza.

 

É, seu preto meliante!

Com esta cara de traficante,

Se vire pra uma revista,

E “tege” preso,

Vagabundo subversivo,

Que nem deve estar vivo.

 

Seu soldado,

Só estou aqui parado,

Neste poste da esquina,

Esperando o carro do osso,

Pra pegar umas pelancas,

Fazer um angu,

Pra Zefa de Manu,

E minha criança menina.

Não passo de um cidadão,

Sem no bolso um tostão,

E o senhor, um cativo

Do capital patrão.

 

Está algemado e detido

Por desacato à autoridade,

Sem essa de liberdade,

Seu bandido atrevido.

 

Por ter reagido,

Jogaram o moço na viatura,

Nem passaram na delegacia,

Muita porrada e tortura,

Deram cabo do coitado,

Com tiros na travessia.

 





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