Mais recente poema de autoria de Jeremias Macário

Uns nascem,

Outros morrem.

Muita gente a guerrear,

Outros preferem amar;

Uns a brigar por ideologia;

Outros na labuta do dia a dia.

Tem a luta de classe,

Do capital contra o trabalho,

A crise e a boa fase,

Encruzilhada e atalho.

Uns se casam,

Outros se separam.

Tem a despedida na partida,

Os que ficam,

No adeus da saudade.

Existem os livres,

E os que não têm liberdade;

Os oprimidos e opressores,

Os rotos e esfarrapados,

Nobres, pobres e doutores,

Nesse mundo de todos,

Dos odiados e amados.

Uns colhem espinhos,

Outros rosas e flores.

Tem as mesclas e os linhos,

E cada um com suas dores.

Para uns, o céu,

Outros, o inferno.

Tem a abelha no mel,

A praga no plantio,

O simples passageiro,

O Supremo eterno,

E a terra com seu cio.

Uns pensam ser duque e barão,

Outros só querem viola e canção.

Tem a tirania,

A prosa e a democracia,

O alvorecer e o poente,

O pensar em cada mente.

Uns sobem e outros descem,

Nessa louca multidão,

Onde o monge faz sua oração.

Uns protestam,

Outros ficam calados;

Uns no forró e samba,

Outros vão de valsa e fados;

Uns gozam e amam,

Outros fingem que sim,

No início, meio e fim.

Tem o choro em pranto;

Muitos sem nada,

E poucos com tanto.

Muita fonte e fartura,

Tanque seco, gado berrando;

Saúde e doente sem cura.

Uns com alma de menino,

Outros com instinto assassino.

Tem o pau-de-arara retirante,

E o patrão escravista arrogante.

Uns semeiam primaveras,

Outros taras e feras.

Tem a pura ternura,

O sangue frio da secura,

Os estradeiros da poeira,

E os que nem abrem porteira.

Tudo é mistério e filosofia,

Encanto e poesia.