De autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Tem dia errante,

Que teu coração está enguiado,

Triste lascivo,

E você pergunta o motivo,

Nem ele te responde,

Onde fica a ponte.

 

Você continua aperreado,

Doído no peito aperto,

Numa tirana agonia;

Na alma aquele nó,

Só vontade de estar só.

 

Dizem ser depressão,

Em outros tempos era fossa,

Coisa da nossa mente,

Ora alegre e melancólica,

Que está em toda gente,

De vida mortal,

Angústia existencial.

 

O silêncio lhe devora;

Seu olhar chora,

O tempo lento demora,

Sem sorriso lá fora,

Nem o afago lhe consola,

Nessa nevasca que lasca,

Como navalha ventania,

Na espera do outro dia,

Que seja de novo astral,

Nesse universo sideral.

 

O coração nos prega essa peça,

Ou é essa mente travessa,

Que às vezes entram na contramão.