MEU NORDESTE CATINGUEIRO
De Jeremias Macário. Uma homenagem ao Dia do Nordeste 8 de outubro.
Não vou falar de escritores,
Poetas, cancioneiros e sanfoneiros,
Mas de Maria, João e José,
Das rezadeiras e parteiras,
Do homem forte e contrito,
Que a seca vence com fé.
Da cantoria do adjutório,
Da batida da palha do feijão,
Das belezas do litoral e do sertão,
Do couro aboiador vaqueiro,
Do meu Nordeste,
De espinho catingueiro.
Falo dessa terra árida,
De alma pensativa cálida,
Do sol o ano todo a brilhar,
Da chuva a explodir em cores,
Dessas raras aves e flores,
Do luar no meu terreiro,
Do meu Nordeste,
De espinho catingueiro.
Falo da foice e da enxada,
Do “Velho Chico” a irrigar,
De tanta gente em procissão,
Para ao Supremo pedir e orar,
Que conserve sua bravura,
E das ervas tenha cura.
Daqui nasceu o Brasil,
Feito rebeliões dos malês,
Alfaiates, balaiadas e sabinadas;
Cruzou tropeiros e mascates,
E o samba veio da Bahia,
Em nome de todos orixás,
Com cheiro de amor no ar.
Falo do frevo pernambucano,
Do retirante valente estradeiro
Do meu Nordeste agreste,
De espinho catingueiro.











