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:: ‘De Olho nas Lentes’

EM PLENO VOLUME

  FotoATardedivulgaçãoIvandeAquino

Depois de 16 anos, a Barragem de Sobradinho, no norte do estado, próximo a Juazeiro, alcançou seu pleno volume de água (100% da sua capacidade). Nesse período, sofreu também sua pior baixa por causa da seca e da degradação do Rio São Francisco pelo homem que, ao invés de revitalizá-lo, prefere dele tudo extrair sem repor e preservar, principalmente suas margens. No dia 31 de março teve sua vazão defluente reduzida de três mil metros cúbicos por segundo para 1.500. Todo processo é controlado pela Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf. Com isso, houve uma baixa no nível de água que invadiu vários bairros de cidades ribeirinhas. O reservatório foi construído na década de 1970 com a finalidade de produzir energia elétrica e acumular água para o consumo das populações locais, bem como irrigar plantações de frutas e outras lavouras da região. O aproveitamento dessa água beneficia toda sociedade, principalmente os pequenos produtores. Mesmo assim, o Comitê da Bacia do Lago de Sobradinho, que abrange 11 municípios, vem cobrando do governo federal que seja feito um estudo geológico do fundo da barragem, para calcular o volume de sedimentos decantados para o leito desde a edificação do lago, que não tem mais 34 bilhões de metros cúbicos devido ao assoreamento. Essa situação ocorre pela falta de mata ciliar em longos trechos do reservatório e em toda extensão do “Velho Chico”. Com certeza, esse governo que destrói o meio ambiente não vai fazer estudo nenhum.

“PRAÇA DO GIL”, OU “GILBERTO GIL”?

Há 30 anos ou mais que isso, a popularmente “Praça do Gil” foi ponto de encontro dos jovens com seus barzinhos em finais de semana (tirava o sossego de muita gente) e palco dos encontros dos trios, blocos e cantores das saudosas micaretas. Até hoje ainda é conhecida com esse nome, mas nela reina a tranquilidade, fora os movimentos dos carros em seu redor. Para quem não sabe, seu registro verdadeiro é Praça Orlando Leite, outrora presidente da Câmara de Vereadores e até prefeito tampão. Foi ele que, sob pressão do exército, colocou em pauta a cassação do prefeito Pedral Sampaio, em maio de 1964, início da ditadura civil-militar. Lá se vão 58 anos, e muitos malucos ainda pedem que a maldita volte. Mas, “Praça do Gil” foi assim apelidada em homenagem ao Dr. Gil Moreira, pai do grande compositor, poeta e cantor Gilberto Gil, ex-ministro da Cultura. O que ninguém está sabendo é que existe hoje, em Vitória da Conquista, um pequeno grupo de adeptos que gostaria que o logradouro passasse em definitivo a se chamar de Praça Gilberto Gil, que não nasceu na cidade, mas que por certo seria uma homenagem merecida pelo tanto que já fez pela música e pela cultura brasileira, sem contar que ele é hoje membro da Academia Brasileira de Letras. Será que seria correto mudar o nome, aliás os dois nomes, o último do pai para o filho?

NEM NA FEIRA

É meu amigo, a coisa anda feia até nas feiras livres onde se encontrava produtos frescos com preços mais baixos. Atualmente, com esta carestia, nem na feira o pobre consegue comprar a mesma quantidade de antes, isto com relação há poucos meses. Com a grana escassa, a maioria das pessoas não vai mais com a mesma frequência à feira, um lugar popular onde desde a antiguidade agricultores e consumidores se reuniam para fazer suas trocas e rever os amigos. Quando vou à Ceasa ou à Feirinha do Bairro Brasil, sempre lembro dos meus tempos de menino, em Piritiba, eu ajudando a vender farinha com meu pai. Mas, o assunto aqui é o galope da inflação que está deixando o pobre ainda mais pobre. Há pouco tempo se comprava um litro de andu por cinco reais e hoje mais que dobrou de preço. Além dos combustíveis e dos preços das commodities no mercado internacional, existe ainda o fator psicológico que influi nos custos dos alimentos. Quando se passa do controle, a inflação se comporta como uma onda em cadeia na elevação dos preços, e certos produtos sofrem automaticamente reajustes sem relação alguma com as causas acima citadas. Mesmo sem motivo de ser, o vendedor aponta a alta da gasolina como vilã, e não adianta discutir. Interessante que os preços subiram, enquanto caiu a qualidade das frutas e hortaliças, por exemplo, inclusive nas feiras, que estão mais vazias nos últimos tempos.

O ARCO-ÍRES E O PÔR-DO-SOL

Nas lentes do jornalista Jeremias Macário, um flagrante poético-mágico da natureza num final de tarde onde a luz cede seu lugar para o anoitecer. Ambas as imagens se reverenciam e se penitenciam com seus significados misteriosos. O Arco-íris é o símbolo da comunidade LGBT, com suas cores de esperança e renovação da vida. Na verdade, essa simbologia é de todos nós quando nos faz refletir sobre nossa pequenez diante das belezas do universo. É o momento do nosso instinto primitivista de ódio e intolerância dar lugar para a paz espiritual, de que devemos respeitar os outros. É o portal para o outro lado do ser.

O pôr-do-sol é como o beijo da luz do dia com o escurecer da noite, com suas cores rajadas de despedida de uma jornada entre nascente e poente, prometendo um novo alvorecer de outro dia. Pode também representar o ciclo da vida: o nascer e a morte onde cada um procura deixar o seu sentido nessa passagem de luz. São duas belas figuras poéticas supremas onde cada um tem um olhar e interpretação diferentes. Dizem que o homem é a imagem do criador, mas, por mais esmero que seja, o pincel humano artístico jamais conseguirá alcançar tal perfeição.

HOMENAGEM ÀS MULHERES

Mais uma vez, como em todos os anos, a Câmara de Vereadores realizou uma sessão especial em homenagem às mulheres conquistenses pela passagem do Dia Internacional da Mulher, nesse 8 de março. Na ocasião, fez a entrega de diplomas “Loreta Valadares” a diversas personalidades femininas da cidade. A sessão foi proposta pela vereadora Lúcia Rocha que falou sobre a participação da mulher na sociedade, mesmo tendo muito ainda a conquistar em vários setores, principalmente na política. Outra questão abordada durante o evento foi o aumento da violência doméstica, que deve ser combatida diariamente. Nos últimos anos, houve mudanças de mentalidades sobre o potencial da mulher em diversos setores, mas, infelizmente, o machismo ainda persiste, dificultando o alcance do ideal igualitário entre os homens. O Brasil ainda é um país patriarcalista, com raízes fincadas nos tempos coloniais, onde o lugar de mulher era na cozinha e só servia para procriar. No entanto, como na antiguidade, a nossa história está repleta de grandes mulheres, inclusive em Conquista e na Bahia. A lista é extensa que serve de exemplo para mostrar que esse pensamento arcaico tem que ser mudado. A maior luta ainda é a conquista da equidade.

MATAGAIS EM TERRENOS VAZIOS

Cobras, ratos, escorpiões, mosquitos da dengue, muriçocas e todos tipos de insetos podem ser encontrados nos matagais dos terrenos vazios espalhados pelos bairros de Vitória da Conquista, e a Prefeitura Municipal não toma nenhuma providência para obrigar os donos desses lotes abandonados a cercá-los e limpá-los. Está na lei, através de sanções, mas o poder público nada faz. Comentei sobre esse assunto em várias oportunidades, e tudo continua no mesmo. Isso é uma vergonha para uma cidade onde existem uns bairristas que a chamam de “suíça baiana”. Depois das chuvas, a situação só fez piorar. Não é somente o matagal. Esses terrenos vazios se transformaram em verdadeiros depósitos de doenças e animais peçonhentos. Como se não bastasse o IPTU, a Câmara de Vereadores aprovou a taxa de lixo, mas silencia diante desse quadro de horror e ameaças para quem mora ao lado e nas proximidades desses matagais. Além de lixo, entulhos e insetos perigosos, esses locais servem de coito para bandidos praticarem seus assaltos, inclusive de dia. Durante à noite, ninguém se atreve passar ao lado de um matagal desse. Cadê o Código de Postura? Cadê o Plano Diretor Urbano? O gato comeu a língua deles. Paga-se muito, e não se recebe quase nada do governante. Esse é um dos matagais que pode ser visto na Rua “G”, ao lado do número 296, bairro Filipinas, ou Jardim Guanabara, saído das lentes do jornalista Jeremias Macário.

FARTURA TEMPORÁRIA

Se nunca deram importância para a revitalização e recuperação ciliar das margens do Rio São Francisco, o “Velho Chico”, castigado há séculos pelas mãos predadoras do homem, imagine agora que ele está cheio pelas chuvas fortes que bateram nos últimos meses em seus afluentes de Minas Gerais e Bahia! A mídia faz festa de imagens dizendo que tudo é fartura, mas não questiona que essa bonança pode ser temporária. Esquecem que há dois ou três anos, o “Velho Chico” estava seco e pedindo socorro, como um doente terminal de UTI. Basta São Pedro mandar chuvas, para não mais se falar em processo de recuperação e revitalização! É mais um motivo para acomodação com a Barragem de Sobradinho transbordando mais de três mil metros de água por segundo. E quando vier uma nova seca? Com certeza, toda essa fartura vai se acabar, e o nosso rio nordestino pode até morrer de vez! Vamos, então, ouvir aquela mesma lengalenga e lamento de sempre, de que é preciso tomar providências urgentes para salvar o “Velho Chico”. Até quando vamos ficar dependentes do tempo da abundância das chuvas? Essa fartura pode apenas ser temporária!

SEMPRE MODERNO

Embora secular, desde os tempos medievais quando os poetas viajantes passavam em versos as notícias de histórias e estórias de grandes lendas, personagens, povos e acontecimentos de regiões longínquas, o cordel, originário da Península Ibérica, sempre foi um gênero moderno porque a sua essência é popular onde todos entendem suas mensagens. Do parnasiano, do impressionismo, dadaísmo, simbolismo ou expressionismo, ele é sempre único. O cordel já nasceu modernista, pena que muitos acadêmicos metidos a besta torcem a cara, e poucos colocam o tema em suas teses. O cordelista nasceu repórter-jornalista porque, de uma forma ou de outra, jocosa ou não, passa as notícias para o povo dos nossos sertões nordestinos. O cordel sempre esteve à frente das redes socais da internet. Ele está representado na exposição de mais de 20 artistas, no Memorial Regis Pacheco, que homenageia a Semana de Arte Moderna de 22, mas, infelizmente, a mídia pouco faz referência. É uma total indiferença!

DOIS ANOS SEM SARAU

Em “quando tudo isso vai se acabar” foi título de um recente comentário feito por mim sobre os estragos que esse estranho vírus chamado Covid-19 provocaram em nossas vidas, não somente em termos de milhões de mortes que abalaram nosso planeta, mas também das interrupções dos nossos encontros e atividades. Estava aqui lembrando que, justamente no dia 7 de fevereiro de 2020, realizamos nosso último Sarau Colaborativo, em nosso Espaço Cultural A Estrada, cujo tema principal foi “Carnaval”. Portanto, são dois anos sem o nosso saudoso Sarau que, além da diversão e da confraternização, nos oferecia a troca de conhecimento e saber através das discussões, da música, da poesia, da contação de causos e do intercâmbio de ideias.  De lá para cá, tentamos duas vezes nos intervalos dos ciclos de baixas da pandemia, mas, infelizmente, não deram certo. Confesso que o nosso acervo, ou o nosso espaço cultural, sente um grande vazio espiritual, e os próprios escritores e toda arte que nele habitam dizem o mesmo. Tudo é uma solidão sem aquelas energias que transmitiam mais vida naquelas noites etílicas do respirar cultural. No lugar de quando esse vírus vai se acabar, indagaria se o nosso Sarau se acabou? Ainda existe espaço para Ele? Irá retornar com a mesma força de antes? Quando? São várias as interrogações, e uma delas é se as pessoas, com as quais convivemos por dez anos, ainda estão interessadas em reativar nossos encontros, ou simplesmente foi “amor eterno enquanto durou”, como sentenciou o poeta cancioneiro Vinícius de Morais? A reflexão e as respostas deverão ser respondidas pelos próprios participantes que construíram esse lindo elo. Será que ele foi partido?

MAIS POBREZA NAS RUAS

A pandemia da Covid-19 nos últimos dois anos, a alta da inflação, a crise na economia, o desemprego alarmante e o desgoverno de um capitã-presidente destrambelhado colocaram mais pessoas na ruas com o aumento da pobreza e da miséria. Calcula-se que mais de 50% da população brasileira de mais de  200 milhões de pessoas estejam vivendo no nível de pobreza e de extrema pobreza por causa desses fatores.   Na verdade, estamos num país rico de pobres onde a cada dia mais gente vai morar nas ruas. É uma população invisível, sem cidadania, que a nossa sociedade, com seu egoísmo burguês elitista, construiu ao longo da nossa história. A concentração de renda cada vez mais acentuada fez do nosso Brasil ostentar o vergonhoso título de um dos piores índices de desigualdade social do planeta. Diante desse quadro macabro, não podemos dizer que temos uma real democracia.





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