Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

De cócoras,

Nas indígenas ocas,

Ou pelas mãos da parteira,

Numa cama de hospital,

Seja igual ou desigual,

Sua mãe berra,

Para abrir a porteira,

Se agarra nas raízes

Da sua mãe terra.

Você nasce e cresce,

Civilizado ou nativo,

Da barriga que lhe abriga,

Água e ar,

De nove meses,

Na UTI da vida,

Do Tratamento Intensivo,

E cada um sabe de si,

Vivendo sua UTI.

 

Na labuta da sobrevivência,

Na fé e na ciência,

Ora seu coração acelera,

Jorra sangue e se acalma,

Às vezes vira fera,

Na quimera da alma,

Transborda amor e dor,

Fel e mel,

Inferno e céu,

Na UTI da vida,

Do sentido do existir,

Mar revolto e calmaria,

Seja João, José ou Maria,

Nos arreios das andanças,

No veneno do cascavel,

No corcel da esperança,

Nas labaredas de fogo,

Como sensato e louco,

E tudo é assim:

Vim, vi e venci,

Na UTI da vida:

Porta de entrada e partida.