Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Duas regiões distintas,

Com seus riscados culturais,

Uma roga pela chuva,

A outra que venha sol,

Oh, quanta tormenta e ternura!

Choro e lamúria!

Nos traçados, temporais!

Dizei-me, oh Senhor Deus!

Sobre esta pintura,

Donde vem tanta fúria?

No Nordeste queima o paiol,

O dilúvio bate no Sul,

E o poeta carrasquento,

No lamento do gaúcho,

Fica solitário e nu.

 

A seca racha o solo,

Mata a plantação e o rebanho,

Empurra o pau-de-arara para o Sul,

A mãe consola a criança no colo,

E o retirante segue escravo do ganho.

 

Leva anos e mais anos,

O nordestino ancestral,

Hoje é moço-menino,

E agora vê a enchente do Sul,

Tempestade, lama e vendaval,

Os rios do Pampa viram mar,

Matando nossos hermanos de lá.

 

Dizei-me, Senhor Deus!

Do Olimpo, o Zeus!

Para aonde vai essa caravana?

Contra nossa natureza,

Castigada pela mente insana,

Oh quanta loucura e avareza!

Tragédia, morte e terror!

Do Norte ao Sul,

Oxalá, meu pai xangô!

 

Não sei o que será dessa terra,

De tanta riqueza e pobreza,

Não faço parte dessa guerra,

Desse capital predador,

Que só criou sofrimento e dor,

Como o capeta belzebu,

Rachando o Nordeste e o Sul.