E QUANDO AS ÁGUAS BAIXAREM?
Quem assistiu ou ouviu cientistas, arquitetos urbanistas e especialistas falando sobre como foram feitas as obras de contenção contra as inundações em torno de Manhattan, de Nova Iorque, na foz do Rio Hudson, e em Amsterdam, na Holanda, deve ter percebido como nosso país está atrasado e primitivo neste quesito.
Infelizmente aqui não temos planejamento. A preferência é maquiar e improvisar, para que tudo continue no mesmo. A porta vai continuar aberta para outra tragédia, cuja responsabilidade é do próprio homem que, com sua avareza e ganância, vem destruindo o meio ambiente ao longo dos últimos séculos.
Aqui ainda estamos na base do concreto armado, comportas, bombas, sacos de areias improvisados, tubulações subterrâneas que terminam estourando com a pressão das águas e até aterramento de rios. São obras, conforme ficou constatado no Rio Grande do Sul, que não resolvem o problema das enchentes. Além do mais, não tiveram a devida manutenção ao longo dos anos, desde 1970.
Lá em Manhattan e Amsterdam foram abertos canais de escoamento no próprio solo em torno das cidades e parques, formando pequenos lagos e ilhotas onde a água é retida e não chega a atingir a área urbana. Ainda existem outros sistemas de drenagem que funcionam muito bem.
Quanto ao Rio Grande do Sul, o que vão fazer depois que as águas baixarem? Acredito que simplesmente vão colocar tratores e escavadeiras para limpar os entulhos das ruas, praças e avenidas. A pergunta que fica é: E quando as águas baixarem? Vamos esperar para ver.
As estradas, o aeroporto, as calçadas e pontes vão ser consertados e erguidos para normalizar o trânsito. Prédios receberão alguma reforma com novas pinturas. As casas e bairros serão reconstruídos nos mesmos lugares. Fazemos questão de não aprender a conviver com as catástrofes, como ocorrem até hoje com as secas no Nordeste.
No mais, tudo continuará no mesmo até que os fatos se repitam. Não é isso que sempre acontece no Brasil? Ah, vamos esperar também os casos de desvios de recursos e até de corrupção com as doações.
Fora as perdas de vidas humanas, entre 200 a 300 pessoas, as mais significativas e irrecuperáveis para seus familiares e amigos, não temos ideia dos prejuízos materiais que certamente serão incalculáveis, como também não sabemos o volume de recursos em dinheiro arrecadado das campanhas feitas pelo Brasil inteiro. Temos ainda verbas da União e do Governo do Estado. Juntando tudo isso, vamos ter bilhões de reais.
Somando as contas, entendo que o Rio Grande do Sul terá recursos suficientes para contratar os melhores arquitetos e engenheiros urbanistas, no sentido de elaborar projetos semelhantes aos que foram implantados em Nova Iorque, Amsterdam, na Holanda, e em outros países desenvolvidos.











