A ENGANAÇÃO DAS VERBAS, A FALTA DE INFRAESTRUTURA E AS IRONIAS DA VIDA
O governo federal está anunciando a liberação de bilhões de reais para socorrer as vítimas das enchentes do Rio Grande do Sul Grande do Sul. Tudo não passa de um marketing político. Acontece que boa parte dos recursos se referem à antecipação do Imposto de Renda, de parcelas do Bolsa Família e do Seguro Desemprego, prorrogação de débitos fiscais, retirada do FGTS e coisas semelhantes.
Considero isso uma tremenda enganação e uma propaganda demagógica porque, se for analisar, o governo não está tirando do Tesouro, mas antecipando um dinheiro que já pertence ao contribuinte por direito ou vai ter que pagar mais tarde no caso de imposto.
Além do mais, trata-se de uma grana que muitos já estavam planejando para realizar um sonho ou comprar alguma coisa lá na frente e não gastar agora. É um recurso que o indivíduo vai receber no momento para cobrir prejuízos imprevistos que teve com as inundações e irá lhe fazer uma grande falta meses depois.
Antecipar, por exemplo, 13º do salário do trabalhador, seja funcionário público ou do setor privado, é um grande engodo e ilusão. Como a maioria dos brasileiros já vive com suas finanças apertadas, no momento ele sente aquele alívio, mas quando chega no final do ano a pessoa vai perceber que fez um mal negócio. Aquele dinheiro é como se fosse uma poupança.
Nas catástrofes e nas tragédias, os governos em geral sempre usam desse método e saem numa boa na fita política porque os brasileiros não param para refletir que é uma enganação. Na verdade, eles só estão adiantando uma verba que já é por direito da vítima.
Por sua vez, segundo pesquisa de uma empresa do ramo, os entrevistados apontaram que a falta de infraestrutura, de responsabilidade dos governos federal, estadual e municipal, foi a maior culpada pelas inundações no estado do Rio Grande do Sul (também em outros estados).
Portanto, pela lógica, a União, o estado e o município é que deveriam arcar com os prejuízos que as pessoas sofreram com as enchentes, no caso específico do Rio Grande do Sul, e não antecipar o dinheiro que já é do seu dono.
Por fim, os mais antigos diziam que a vida dá voltas quando se referia a alguém ingrato que fazia algum mal para seu semelhante e depois terminava recebendo o troco, ou, na maioria dos casos, tendo a mão estendida exatamente daquele que foi ofendido.
Sei que não é momento para fazer tais comentários, mas os nordestinos que sempre são vistos com desprezo e até são xingados pelos sulistas como analfabetos, preguiçosos e ignorantes, agora estão dando suas respostas em forma de bondade e solidariedade, enviando toneladas e toneladas de produtos para os atingidos das enchentes. É a volta que a vida dá. Não desejamos tragédias para ninguém.











