Por este Nordeste a fora não é difícil encontrar cemitérios abandonados, perdidos dentro da caatinga, muitos à beira de estradas e veredas, em povoados, antigas fazendas de coronéis e arraiais. Pelo aspecto, percebe-se que são de pessoas pobres, muitas enterradas até em redes ou cobertas na falta de um caixão. A grande maioria de crianças e idosos mortos por doenças várias, pela fome das secas implacáveis e até mesmo vítimas do cangaço e das forças policiais brutais dos chefes políticos e detentores do poder. Lembra até do poema “Morte e Vida Severina”, do poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto, que fala do sertanejo retirante que morre na miséria no meio do caminho. Não precisamos ir muito longe. Aqui mesmo, próximo ao povoado da Tapera, município de Encruzilhada, nossas lentes flagraram um cemitério nestas condições de abandono dentro do matagal seco, se bem que muitas covas ainda conservam carneiras destruídas pelo tempo e por dentro do capinzal muitas cruzes. Os moradores calculam que o cemitério deva ter cerca de 100 anos de existência ou até mais que isso quando ainda não havia um local reservado aos mortos no surgimento do povoado. Como respeito aos que se foram, respeitando as tradições culturais religiosas populares, o local poderia ser limpo e cercado como forma de preservação da memória daqueles que partiram para outro além.