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:: 9/mar/2026 . 22:57

CONSULTE O “PAI DOS BURROS”

Certa feita, um professor de português, de certa forma debochado – hoje politicamente incorreto – depois de falar sobre conjugação verbal, uso dos pronomes, conjunções e objetos diretos e indiretos, no final da aula contou uma piada, sem muita graça.

Disse que um moço mais letrado, mas um tanto exibido, entrou num bar e chamou o garçom de lacaio para lhe servir. Como se fosse um elogio à sua pessoa, o cara foi lá em sua mesa, todo sorridente. Ele fez mais uns gracejos com palavras difíceis.

Poucos alunos riram, mas um lá do fundo, da chamada turma do “paredão”, indagou do professor o que significava lacaio e ele respondeu, consulte o “Pai dos Burros”.

A moçada de hoje ficaria baratinada com esse termo “Pai dos Burros”, e seria preciso explicar que se trata do nosso tirador de dúvidas, o Dicionário, nos dias atuais praticamente em desuso. Infelizmente, grande parte da nossa juventude, além de escreve errado, tem o celular para fazer uma consulta. Poderia ser chamado de o “Pai dos Internautas? Tenho minhas dúvidas, porque ainda prefiro o “Pai dos Burros”.

Lembro que naquela época do meu primário, ginásio e do clássico, todas escolas tinham um Dicionário, e até em algumas salas. A gente ficava brincando de falar difícil como forma de gozação e xingar os colegas. Era o bastante para o ofendido recorrer ao “Pai dos Burros”. Muitas vezes resultava até em brigas.

Imaginou chamar outro de meruxinga, ou até mesmo merdáceo! Seria uma forte ofensa, mas nossos políticos são uns verdadeiros merdáceos. Se você não sabe o que é, então, consulte o “Pai dos Burros”.

Um dia ouvi um doutorzinho, num lançamento de um livro, pronunciar que a nossa língua é pobre e fraca de vocabulário. Confesso que fiquei estarrecido e irado. Não me contive e fui tirar satisfação, com os bofes inchados de raiva. “Como você diz que nossa língua é pobre? É a primeira vez que ouço isso em minha vida”.

Por essas e outras é que a nossa língua está sendo chafurdada na lama pelo complexo de inferioridade, ou perda cultural. Santa ignorância! Os letreiros nas lojas estão todos inglesados. Nos shoppings até parece que você está na Inglaterra ou nos Estados Unidos.

As pessoas metidas a bestas, como dizia Ariano Suassuna, se sentem chicosas e ainda ridicularizam quem não pronuncia corretamente os termos ingleses, como se fosse uma obrigação, mas falar o português errado, pode.

Em Paris, me recordo bem, fui a uma tabacaria e pedi uma carteira de cigarro Lucky Strike e tive o cuidado de carregar bem na pronúncia do “estraike”. O francês me olhou atravessado e corrigiu para “estrike”, como estava escrito. Sem mais comentários.

Bem, meu camarada, vamos voltar ao nosso “Pai dos Burros” da língua portuguesa, umas das mais difíceis do planeta, extraída da Flor do Lácio, o nosso latinorum, mas nela está embutida o grego (conquista dos gregos pelo Império Romano), expressões árabes (Península Ibérica), o tupi-guarani e o africanês.

Temos como palavras greco-latinas, biblioteca, raramente frequentada, democracia, injuriada pelas injustiças e as corrupções, oftalmologia, biologia, geografia, habeas corpus (latim), usadas pelos bandidos e sicários. O grego é comum em terminologias técnicas/científicas, enquanto o latim forma a base gramatical e vocabular, como avicultura, beligerante, cordial, grátis e por aí vai.

Em árabe existem mais de três mil palavras. As mais comuns são as iniciadas em “al”, como almofada, almoxarife, algodão, açúcar, alface, fulano, armazém, azeite, alicate, tambor e tantas outras. No tupi-guarani, temos abacaxi, açaí, caju, capivara, jacaré, pipoca, potiguara. Do africano, principalmente originárias dos grupos bantos, usamos muito o samba, dendê, cafuné, moleque, dengo, quitanda, fubá, bagunça e muvuca (casos do nosso país), berimbau, axé, cuíca, quilombo, senzala e tantas outras.

No “Pai dos Burros”, que se tornou arcaico nos ensinos escolares dessa modernidade burra, você vai encontrar todos os significados dessas palavras, mas sua preguiça não deixa, meu jovem, cujos neurônios estão voltados para as telas das fofocas e dos mexericos.

Coitado do nosso “Pai dos Burros”! Parece até um objeto contagioso. Ficou lá encostado num canto poeirento como se fosse um leproso. Quem se lembra aí das enciclopédias Barsa, Atlas, do famoso Dicionário Aurélio Buarque de Holanda Ferreira com José Batista da Luz, do Michaelis, do professor Alpheu Tersariol. Deixa quieto porque muitos dos nossos estudantes nunca ouviram falar nesses nomes e nem sabem como manusear um “Pai dos Burros”.

Estou lendo a obra do médico e antropólogo, Estácio de Lima, sobre o cangaceirismo e sempre tenho que recorrer ao “Pai dos Burros”, quando ele faz sua descrição estrambólica mesológica do árido solo nordestino e fala das características típicas do cangaceiro que enfrentava adversidades das caatingas, fugindo das persigas das volantes.

Com suas definições, vim descobrir que sou um leptossomático (alô meus amigos Itamar, Manno e Luís Altério!), e não um picnóide ou picnídio (alô meu amigo Dal Farias!), que não teria o devido atributo de se mobilizar com facilidade nos sertões do cangaço. O mestre ainda cita a esquizotemia, o hipogenitalismo e a melanodermia na classificação do cangaceirismo e do nordestino em geral.

No computador, ou no celular, essas palavras são assinaladas como desconhecidas ou erradas. Pois é, não vou traduzir minha modesta crônica. Quem quiser entender melhor que consulte o “Pai dos Burros”. Êta égua! Tô ferrado!

 

 

PROGRAMA “MEU LAR”

Está em fase de análise pela Câmara Municipal de Vitória da Conquista, em conjunto com o poder executivo, o Programa de Lei Complementar que institui e disciplina a criação da moradia “Meu Lar”, visando reduzir o déficit habitacional de Conquista de mais de dez mil famílias.

O presidente da Câmara, Ivan Cordeiro, prometeu dar celeridade ao programa, devido a relevância social da iniciativa que contará com recursos de 30 milhões de reais dos 400 milhões de empréstimo da Caixa Econômica Federal. Ivan adiantou ser preciso avançar na política habitacional. “Esta matéria terá toda agilidade do legislativo”.

Além da proposta, a Prefeitura Municipal também pretende implementar a regularização urbanística e fundiária em áreas ocupadas por populações em situação de vulnerabilidade. A presidência da Câmara assinalou que existe um consenso entre os vereadores sobre a urgência do tema.

“Meu compromisso como presidente da Casa é conduzir um debate maduro e ágil, permitindo que o Programa “Meu Lar” saia do papel o quanto antes, dentro do rigor técnico para que o benefício chegue de fato às famílias mais necessitadas, principalmente às mulheres chefes e aos idosos”.

Foi elaborado um diagnóstico habitacional do município que serviu como base para a definição das prioridades e das estratégias da política habitacional. A proposta ainda atualiza a legislação municipal, alinhando-a às diretrizes do Estatuto da Cidade e às políticas nacionais de habitação.

Durante a sessão ordinária de ontem (segunda-feira, dia 09/02), o legislativo discutiu diversos projetos de interesse da comunidade, como a proposta que cria a autorização para o sepultamento de animais domésticos de estimação em jazigos, túmulos ou campos pertencentes aos seus tutores nos cemitérios do município.

Os parlamentares discutiram também a instituição do Dia Municipal de Conscientização sobre Experiências Adversas na Infância (ACEs) a ser comemorado no dia 20 de setembro, bem como, a proposta que estabelece o Dia Municipal da Ação Climática no âmbito do município.





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