:: 11/mar/2026 . 22:12
NO PARAÍSO DA CORRUPÇÃO
Estava aqui pensando falar daquele sujeito João Valentão, o falastrão, também conhecido como Cachorro Louco, que sai por aí fazendo arruaças e se achando o dono do pedaço. Mija em postes e árvores para demarcar seu território. Comete bullying com atos agressivos contra os outros até que uma hora entra numa enrascada danada e encontra um pela frente do tipo osso duro de roer.
O João Valentão não pensa (neurônios lesados), não tem estratégias e acha que está sempre sem razão. Acontece que um dia ele vai parar nos quintos dos infernos com a boca cheia de formigas. Com suas garras afiadas, ele abocanhou um coelho, tomou gosto e se estrepou com uma alcateia e uma matilha unidas para se defender do raivoso, mas isso é outro assunto.
Vamos ao caso do paraíso da corrupção, coisa genuinamente brasileira, criada e patenteada há séculos pelos portugueses. Com o tempo, o trambolho foi se sofisticando como produto de exportação, com know-how próprio. Na Operação Lava-Jato, por exemplo, essa máquina de destruição em massa foi transportada para diversos países, principalmente para as Américas de Cabral e Colombo.
Com os avanços tecnológicos, a fera monstruosa de sete cabeças, com várias pernas, bocas e mãos, que vai devorando tudo pela frente (a bicha é faminta), estendeu seus tentáculos e ficou ainda mais intrincada para ser decifrada. Tornou-se o enigma da Esfinge de Tebas, “decifra-me ou te devoro”, da mitologia grega.
Conta que a criatura impede a passagem dos viajantes (nossa gente escrava do trabalho) e propõe um enigma, se o andante não responder corretamente, será devorado. É um desafio complicado que precisa ser interpretado, sob risco de graves consequências, como ser consumido inteiro. Dela não escapa nem a alma.
– Percebeu, meu camarada, como a corrupção no Brasil, com o passar dos anos, ficou mais complexa! Tem esquemas, como do Banco Master e outros na área financeira que, por mais que se explique, não se entende bulhufas! É um cipoal de negócios, de tramas, lavagens de dinheiro, teoremas de Pitágoras, teorias aristotélicas que poucos conseguem destrinchar a equação. Eu mesmo fico boquiaberto.
Tem coisa por aí que para ser decifrado, tem que chamar um matemático dos bons ou um analista de sistema com doutorado para fazer um organograma de como tudo funciona. Não é mole não. A maioria inculta dos brasileiros passa batida, sem falar que os mentores batem pé firme de que são inocentes e até vítimas.
Não se faz mais corrupção como antigamente, ao modo analógico estelionatário do 171, desviar o dinheiro de uma caixa público para seu próprio bolso ou falsificar um documento para ganhar uma graninha, sem valor expressivo. Atualmente só se fala em bilhões.
– Seja bem-vindo, meu amigo, ao paraíso da corrupção, mas se prepare para quebrar a cabeça se quiser entender sua engrenagem tecnológica onde estão infiltradas quadrilhas organizadas do narcotráfico (PCC, Comando Vermelho e outros), milicianos, banqueiros, advogados, empresários de diversos ramos, magistrados, políticos salafrários e até sicários, para matar quem se intromete em investigações ou sai da linha. Eles têm até “código de ética”.
Estou dizendo que a Esfinge de Tebas, agora do Brasil, com ramificações internacionais, foi se multiplicando em outras réplicas em milhares de milhares, com faces diferentes, difíceis de serem reconhecidas. Existem até cursos, com diploma e tudo, para ser um corrupto profissional. Se quiser, você pode até contratar um, a peso de ouro.
Com a introdução de fórmulas genéticas anômalas, esses seres cortantes se transformaram em formigas gigantes devoradoras de extensas lavouras. Nem formicidas ou venenos de ratos conseguem exterminá-las. A corrupção brasileira ganhou classificação e até selo de qualidade.
– Você está achando que estou exagerando? Se vê por esse prisma, é só ir acompanhando seu processo evolutivo animal, como na teoria do cientista inglês Charles Robert Darwin (1809-1882), estudioso da seleção natural (Origem das Espécies).
De acordo com sua teoria, as espécies se evoluem ao longo do tempo através da seleção natural, onde organismos mais adaptados ao ambiente têm maior chance de sobreviver e se reproduzir. Prefiro ficar com o macaco na sua origem natural, bem melhor e inofensivo do que esses humanos perversos, monstruosos e criminosos.
– Pois é, meu compadre, a espécie chamada de corrupção se adaptou muito bem no Brasil onde encontrou terreno fértil e bem adubado para se reproduzir. Nem a turma do Caça Fantasmas consegue acabar com essa peste maligna de belzebus.
VEREADORES VAO AO GOVERNADOR PEDIR OBRAS DE MACRODRENAGEM
Os vereadores Ricardo Babão, Gabriela Garrido, Paulinho Oliveira e Ricardo Gordo, acompanhados do presidente da Câmara, Ivan Cordeiro, estiveram, nesta quarta-feira (dia 11/03), com o governador Jerônimo Rodrigues, em Salvador, solicitando a realização de obras emergenciais de macrodrenagem para Vitória da Conquista.
Os deputados estaduais Vitor Azevedo e Fabrício Falcão também se fizeram presentes ao encontro quando foi discutida a importância do apoio financeiro do Governo do Estado, para viabilizar intervenções estruturantes que ajudem reduzir os alagamentos e melhorar a infraestrutura urbana do município que não mais suporta as fortes chuvas com as mudanças climáticas.
Além da macrodrenagem, outras demandas estratégicas foram apresentadas, como a construção de viadutos no Anel Viário, visando melhorar o fluxo de veículos e reduzir o número de acidentes na cidade.
Na ocasião, os parlamentares ainda requereram do governador a implantação de uma maternidade regional, a instalação de mais uma unidade do SAC, na Zona Oeste, bem como avanços em projetos ligados à saúde e à educação superior.
No encontro, foi também discutida a necessidade do fortalecimento do campus da Universidade Federal da Bahia, em Conquista, incluindo a construção de um Hospital Universitário e criação de uma reitoria própria para a instituição.
Ivan Cordeiro assinalou que foi apresentado ao governador, em nome da Câmara Municipal, uma pauta importante para Vitória da Conquista, destacando que o diálogo institucional é fundamental para garantir avanços para a cidade.
O presidente da Casa ressaltou que a macrodrenagem é uma prioridade, “porque precisamos de obras estruturantes que ajudem a resolver os problemas históricos de alagamentos” que chegaram ao ponto de provocar vítimas com mortes. A agenda faz parte de uma série de encontros institucionais destinados à apresentação de demandas urgentes de Vitória da Conquista ao Governo do Estado.
ESTOU CHEIO DA CIDADE GRANDE
Nasci na roça e logo cedo fui trabalhar com meu pai. Fora os perrengues da vida, apreciava ouvir as conversas daquela gente simples do sertão, dos compadres compartilhando suas vidas, proseando e fazendo cantorias nos adjutórios das plantações e nas batidas de feijão. Os velórios e funerais também faziam parte do roteiro da vida.
Ainda moleque, aos dez ou doze anos, fui ganhando mundo. Primeiro em Piritiba, onde cursei o primário e fiz muitas tripolias naquelas ruas de chão batido. Depois Mundo Novo como sacristão do seu vigário que me indicou ao bispo para o seminário. Ruy Barbosa, Itaberaba até ingressar no Seminário de Amargosa.
Quis meu destino que caísse na cidade grande da capital Salvador baiana onde fiquei por lá durante mais de 20 anos. Tornei-me bacharel em Jornalismo e atuei como profissional, especialmente na área de economia. Chegaram até a me confundi como economista.
Quando estava cheio da cidade grande, entojado daquelas correrias para sobreviver, dando meus pulos de galho em galho, como um macaco perdido na multidão, bateu a estafa no coração e vim para Vitória da Conquista, que me deu régua e compasso.
Senti que estava retornando às minhas raízes, mas foi engano porque, além das labutas desenfreadas, a cidade cresceu e me engoliu. A idade vai avançando e me vejo irrequieto nesse labirinto, no qual me sinto um perdido.
Não tenho mais aquele tesão de sair de casa para vagar pelo centro resolvendo “pepinos” entre ruas e repartições burocráticas e me livrando dos carros com seus gazes tóxicas. O ar está contaminado de fumaça, alaridos e letreiros por todos os lados. Nesse aperreio, tenho a sensação de pânico.
Estou espremido como massa de mandioca numa prensa de casa de farinha. Não mais me apetecem esses eventos. Prefiro ficar em minha loca, ou caverna, como um eremita recluso. Dizem que o sofrimento fortalece a alma para enfrentar as adversidades, mas ninguém deseja sofrer. Seria masoquismo.
Estou mesmo cheio da cidade grande e bate a saudade daquela terrinha simples entre os caipiras, matutos e tabaréus, falando aquela língua do povo, sem as maldades e as falsidades das cidades grandes. São falas que ainda se conservam verdadeiras e sinceras.
Não tenho a pretensão de ir para a Passárgada, de Manuel Bandeira, mas, em meu torrão, serei rei. Lá não existem filas e todos conhecem todos. Nas repartições, as pessoas são solícitas e tudo é rápido e fácil de se resolver. Depois, vou dar boas risadas com a alcoviteira linguaruda de dona Delfina que adora uma fofoca e um fuxico.
Com os compadres vou ouvir e contar causos do passado, sem nem se preocupar que o mundo está pegando fogo com ogivas, drones e foguetes mortíferos cruzando os céus. Vou até esquecer que existe o Cachorro Louco que quer ser o dono do mundo.
Para a bandidagem corrupta que vive todo tempo depenando o Brasil, desejo que esses salafrários salteadores vão todos para o quinto dos infernos.
Podem dizer que estou “fugindo da raia”, da luta e da guerra, mas é que não aguento mais esse emaranhado, esse cipoal de tantas maldades, ideias idiotas e estapafúrdias. Com as injustiças sociais, vai-se morrendo mais depressa. Quero deixar essa UTI e acho que pelo tempo, vivendo neste quarto escuro, mereço respirar ares mais puros, num espaço mais amplo e limpo.
Estou de saco cheio da cidade grande onde meu lugar não é mais aqui, correndo pra lá e pra cá, como um escravo freguês das contas de todo mês, além da apertada feira, cada vez mais racionada. Minhas últimas gotas de sangue estão se esvaindo para manter um falso padrão nesta ilusão da cidade grande.
Meu templo está poluído, com teias de aranha. Não sou mais gente dessa gente, mas um peixe fora da água. Meu lugar não é mais aqui na cidade grande em meio a esta selva de concreto. Não faço mais parte deste tabuleiro onde todos só querem ser vencedores. Preciso partir para respirar.
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