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:: 12/mar/2026 . 23:38

O CÃO RECONSTRUÍDO

(Chico Ribeiro Neto)

Numa encosta da Avenida Centenário, há alguns anos, surgiu a escultura de um homem com o cachorro na coleira, tudo feito com material reciclável, principalmente garrafas PET.

No Carnaval destruíram o cachorro e arrancaram o braço de Q-Boa do rapaz. Pois bem, a escultura de André Fernands ressurge agora, reconstruída e mais bonita. A expressão do homem é de PET, mas é de paz. Todo branco, com orelhas pretas, o cão renasceu. O trabalho de André Fernands fica numa encosta da Avenida Centenário (sentido Calabar).

“Transformando em arte aquilo que o mundo descarta como lixo”, diz André Fernands no seu Instagram (@andrefernands2009), onde se define como  “artista plástico, palestrante, catador de resíduos e ambientalista, pai de João Paulo Fernandes”.

“Trabalha há mais de 30 anos com resíduos plásticos, transformando lixo em arte e embelezando a cidade de Salvador”, diz matéria sobre ele postada nos site noticiasavera.com.br em 29/4/2024, acrescentando: “Uma de suas obras mais conhecidas é o Bandeirão dos Jogos Olímpicos do Rio 2016, composto por cerca de 300 mil tampinhas de garrafa PET. Essa obra levou  6 anos para ser concluída e contou com a participação de crianças do projeto Praia Limpa na coleta das tampinhas pelas praias de Salvador”.

André Fernands tem vários trabalhos espalhados por Salvador que podem ser vistos no seu Instagram. Parabéns, grande artista, você reage aos dilapidadores e torna essa cidade menos cinza.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

 

 

AVENIDA INTEGRAÇÃO

Quando aqui cheguei há 35 anos (hoje me sinto um conquistense) me disseram que a Avenida Integração (Presidente Dutra) dividia Vitória da Conquista em duas cidades, a mais pobre e abandonada, chamada de Zona Oeste, e a mais rica e privilegiada, a Zona Leste. Quis o destino que eu morasse na segunda, embora não pertencesse à classe alta. Quanto a essa diferenciação social, o povo tinha e tem total razão de assim classificar a cidade, mas com o tempo muita coisa mudou. Entretanto, os desníveis em termos de equipamentos, estrutura e poder aquisitivo ainda permanecem. José Pedral, em seu primeiro governo, a partir de 1963, tinha a intenção de reduzir essa desigualdade, porém seu mandato foi interrompido em maio de 1964 pela ditadura civil-militar. No Governo do PT foram construídos o Espaço Glauber Rocha, que sofreu desvios de suas funções, o CAIC e o Ifba (o Instituto Técnico Federal). Da parte do setor privado, surgiram alguns hotéis, restaurantes e lojas comerciais de porte, mas o peso da economia continua na Zona Leste onde os políticos sempre injetaram maiores volumes de recursos, inclusive em obras de infraestrutura. Até pouco tempo, a Lagoa das Bateias estava em estado lamentável. Que bom que foi revitalizada! A zona Oeste permanece a prima pobre, apesar da famosa Feirinha do Bairro Brasil ser o maior destaque da cidade. Na zona Leste, onde se encontram a UESB, a Universidade Federal, o Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima e outros equipamentos de importância, são realizados os maiores eventos. Até o nosso São João foi levado para o Parque de Exposições (uma insanidade). Estou agora residindo na Oeste e aqui é meu lugar. No entanto, observo as diferenças sociais, econômicas, saneamento básico e culturais. Infelizmente, os governantes ainda dão mais atenção ao lado de lá. Quem está lá não gosta de vir para cá, e vice-versa, inclusive quando se trata de vida noturna.

 

MAIS E MENOS

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Poucos com mais,

E muitos com menos:

É a desigualdade social,

No país do carnaval,

Onde a justiça

É para quem tem mais,

Prende e solta

Os bandidos magistrais.

 

Quem tem mais, quer mais,

Rouba e esfola os menos,

Que trabalha para bancar o mais,

E ainda vota nesses canibais.

 

O massacre é secular,

Os letrados com suas teorias,

Que só ficam no blábláblá,

Com seus discursos inviáveis,

E os menos nas orgias viscerais,

Os mais comendo pastel,

Esperando o reino do céu.

 

Os menos oprimem os mais.

Vamos fazer a nossa revolução,

Nesse Brasil da contramão?

 

 





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