:: 26/mar/2026 . 23:19
PRIMEIRO FÓRUM DA INDÚSTRIA DEBATERÁ DESENVOLVIMENTO REGIONAL
A Câmara Municipal de Vitória da Conquista irá promover, pela primeira vez, nos próximos dias 30 e 31 (segunda e terça-feira) o 1º Fórum da Indústria, Comércio e Logística, com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento regional e fortalecer parcerias estratégicas.
O evento será um espaço de diálogo entre os setores produtivos e o poder público, focado nas inovações e qualificações diante dos novos cenários tributários do país. O encontro está marcado para ser aberto na segunda-feira à noite, com a palestra de Evandro Mazo, diretor regional do Senai/Bahia. Ele é referência em qualificação profissional.
Sua palestra irá abordar a importância das parcerias institucionais e da inovação como motores para o crescimento sustentável da indústria local. O segundo dia (31), contará com uma agenda intensa dividida em diversos eixos.
Pela manhã haverá o Painel da Indústria, com Roberto Kawabe, do Observatório da Indústria, quando falará sobre os Desafios e Perspectivas para a Indústria Regional. O debate ainda será enriquecido com a apresentação de experiências práticas por Calebe Almeida, do Grupo DASS, Jorge Chiacchio (Grupo Chiacchio) e Ronaldo Bulhões, da ZAB.
Ainda pela manhã, ocorrerá o Painel do Comércio, com foco na Reforma Tributária, tema central para o empresariado. Essa exposição ficará a cargo do advogado tributarista Júlio N. Nogueira, contando com os especialistas Pedro Eduardo Pinheiro Silva, Sarah Amorim Bulhões e Victor Barbosa Dutra na mesa dos debates.
Na parte da tarde, o Fórum irá focar nas questões dos desafios da gestão pública, com painel conduzido pelo secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Marcos Ferreira. A mesa será composta pelo presidente da Câmara de Vereadores, Ivan Cordeiro, Bruno Pena, da Câmara de Comércio de Portugal, Rogério Teixeira, superintendente da Caixa Econômica Federal e Jackson Yoshiura, secretário municipal de Infraestrutura.
HOSPITAL REGIONAL DE JACOBINA EM ESTADO DE CALAMIDADE PÚBLICA
É correto dizer que a saúde pública no Brasil é uma calamidade pelo total descaso dos governantes com o setor. Os pobres morrem à mingua antes do tempo nas UTIs, nas enfermarias e nos corredores das unidades por total falta de estrutura.
Enquanto isso, os governos municipal, estadual e federal fazem propagandas falsas de que tudo é uma maravilha, e povo, por total falta de esclarecimento, engole as demagogias. A nossa mídia tem muita culpa nisso porque, em parte, deixou de denunciar os descalabros e os absurdos.
Quanto ao Hospital Regional de Jacobina (“Cidade do Ouro”) Vicentina Goulart, um prédio antigo localizado no centro, se houvesse seriedade dos órgãos sanitários na Bahia e no Brasil, aquela unidade já deveria ter sido interditada pela total falta de higienização, a começar pelos banheiros entupidos, bebedouros sujos e velhos equipamentos. O Hospital de Jacobina pede socorro.
Minha irmã Margarida Macário de Oliveira Fernandes foi intubada na UTI coletiva de sete ou oito pessoas há uns 15 dias e fui lá visita-la. Só a entrada meu deu uma péssima impressão, mas fiquei horrorizado com o que vi lá dentro, uma verdadeira desumanidade com as pessoas. Muitos estão morrendo lentamente.
Depois transferiram ela para a enfermaria, um local ainda pior, que mais parece um matadouro de gente. Na noite de sábado para domingo, de 21 para 22 de março, foi um terror, segundo relatou minha sobrinha que estava acompanhando a mãe. O que ela me contou é de cortar o coração de qualquer humano.
Em estado grave, minha irmã entrou em crise na enfermaria de sete pessoas, com 500 de glicemia e não havia uma enfermeira para aplicar uma insulina para baixar o nível, isto entre 22 a 23 horas. Minha sobrinha apelou para uma técnica que que respondeu não ter capacidade para fazer o procedimento.
Esse tormento perdurou até por volta das três horas da manhã de domingo quando, finalmente, apareceu uma enfermeira e lhe aplicou a insulina e outros medicamentos, baixando a glicemia para 300 e, mesmo assim, a paciente continuou sofrendo e só se normalizou tempos depois, por volta das sete horas do domingo.
Minha irmã, com os pés em carne viva, está morrendo aos poucos naquele hospital, que considero um matadouro, e não é somente ela. Um médico na enfermaria é coisa rara e quando aparece é para dizer ao parente que seu paciente tem que sair de qualquer forma para não pegar mais infecção, mesmo a família não tendo a mínima condição de receber em casa porque não tem como dar tratamento domiciliar.
De acordo com uma de minhas sobrinhas, só faltaram tirar minha irmã da enfermaria e deixar exposta na frente do hospital. Nessa hora, a ausência do Estado é total para auxiliar nessa passagem da enfermaria para o sistema home care (assistência domiciliar).
O governo, qualquer que seja, tem a obrigação de oferecer o suporte multiprofissional (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas) e equipamentos ideais para doenças crônicas, caso específico da minha irmã. Para tanto, pagamos anos e anos de impostos, trabalho ao país e INSS.
O pobre só serve para votar e quando vai a um “mutirão de saúde” (nunca deveria existir), o coitado miserável ainda fala que é tudo uma beleza. Mutirão é mais uma prova de que a saúde pública é precária e deficitária nos postos e hospitais.
É necessário que o governador Jerônimo e o secretário de Saúde do Estado tomem conhecimento sobre o que está ocorrendo com o Hospital Regional de Jacobina, um município de cerca de 90 mil habitantes, com mais de 500 mil em torno da sua região.
Sabemos que este estado grave em que vive a saúde pública não ocorre apenas em Jacobina, mas o que presenciei ali passa dos limites e bate um recorde, sem contar umas regras que não entendi. Por que, por exemplo, o paciente que está numa enfermaria não pode receber a visita de um familiar ou amigo?
Entrei porque a senhora que estava na portaria teve compaixão de mim e liberou minha passagem, fazendo recomendações para que ninguém percebesse. Isso é mais que desumano. Essa norma é para que ninguém veja o que passa lá dentro e não saia relatando? Procurei por uma assistente social, mas havia saída.
O ISQUEIRO QUE AMEAÇOU A DITADURA
(Chico Ribeiro Neto)
A ditadura civil-militar que se instalou no Brasil em 1964, que durou 21 anos, matou, torturou e exilou pessoas, suprimindo todas as liberdades democráticas. Foram 434 mortos e desaparecidos políticos vítimas da ditadura, segundo a Comissão Nacional da Verdade. Uma mancha de tristeza e revolta na história do país.
Há, porém, episódios pitorescos no meio de tanta crueldade.
Na década de 70, um amigo, ligado à luta armada, estava com outro companheiro tomando uma cerveja num bar do Rio de Janeiro. Ambos estavam sendo procurados e só andavam armados, mudando de cidade. De repente, entram dois homens de paletó e gravata, apontam para eles e conversam com o dono do bar. “Esses caras devem ser do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) e vão prender a gente”. Os caras vieram em direção a eles, que já estavam com as mãos sobre as armas embaixo da camisa, Suavam frio quando um de paletó falou: “Nós somos do Departamento de Promoções da Antarctica. Essa cerveja está paga e mandamos descer mais uma para vocês. Parabéns por preferirem a Antarctica”. Na época era forte a disputa entre a Brahma e a Antarctica.
O outro caso aconteceu com meu irmão Zé Carlos. Abril de 1964. Primeiros dias da ditadura, Salvador ocupada por tropas do Exército.Meu pai Waldemar tinha um bar, “O Cisne”, na Avenida Joana Angélica, defronte ao Colégio Central, e disse a Zé numa noite: “Eu já vou, você fecha o bar mais cedo porque a cidade tá cheia de soldados e tem esse
negócio de toque de recolher à meia-noite”. A ditadura proibiu menores de 16 anos de circularem pelas ruas depois da meia-noite.
Zé Carlos já tinha 16 anos, mas mesmo assim se apressou. Mas tem sempre a turma da saideira e ele acabou fechando o bar às 23:40. A gente morava na Ladeira dos Aflitos e ele passava pela Praça da Piedade, onde tinha uma tropa do Exército aquartelada, com metralhadora giratória e tudo. Todo mundo doido pra prender comunista. Afinal, eles estupram freiras e comem criancinhas.
Zé Carlos subiu a pé a Avenida Joana Angélica e chegou na Piedade quase à meia-noite. Passou diante da tropa e quis acender um cigarro. Ele tinha um isqueiro que era um revolvinho (ou revolverzinho) niquelado em que você apertava o gatilho e ele acendia. Sacou o revolvinho e foi logo cercado por soldados do Exército empunhando fuzis e por um sargento que berrava, depois de apreender a perigosa arma: “Mãos para cima! Não se mexa! Documentos!”
Após longo IPM (Inquérito Policial Militar) que envolveu várias perguntas (“Você vem de onde?”, ‘Trabalha onde?”, “O que faz na rua a essa hora?”), Zé Carlos foi liberado e teve sua arma de volta, depois de receber alguns tapas e ouvir várias ameaças.
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
PARE NO “FOLHA SECA”
Quem vem de Salvador, Feira de Santana, Senhor do Bonfim, lá do Sul e do Sudeste perto de Juazeiro, na Bahia (distante 60 quilômetros), vai passar pelo distrito de Maçaroca, ver muitos bodes pastando pelas margens da BR-407, (muito verde depois das chuvas), mas, o que vai lhe chamar mais atenção é uma grande placa com o nome Folha Seca.
Também está ao alcance de quem vem dos estados nordestinos em direção contrária. Não deixe de dar uma parada, nem que seja para um cafezinho, mas o passageiro vai terminar ficando por mais tempo quando sentir aquela recepção acolhedora e outras coisas interessantes para se ver.
Trata-se do restaurante “Folha Seca”, bastante movimentado com comida típica do nosso sertão, como o cuscuz, a coalhada, o aipim, a farofa, o feijão tropeiro, o baião de dois e um bode assado que é uma delícia. O tratamento é de primeira. Depois é só dar uma visitada nas lojas de artesanato e na casa de vinho da região do Rio São Francisco.
Além do Posto de Combustíveis “Folha Seca”, ao lado, o seu proprietário, Rosemberg Macário de Oliveira construiu um Centro de Treinamento de Futebol profissional com vários chalés confortáveis, piscina e outros equipamentos, coisas de primeira qualidade.
O que mais chama a atenção é a jardinagem no estilo europeu, com um florido das plantas em meio ao agreste do sertão. Além do campo gramado, pistas de coper, charretes puxadas pelos pôneis, parques infantis, uma academia de ginásticas e outras áreas de lazer, você vai apreciar as flores e as plantas exóticas.
O mais importante é que todo o sistema funciona através da energia solar, ou seja, trata-se de um projeto ecologicamente sustentável, sem causar nenhum impacto ao meio ambiente. É uma união da caatinga com o florido.
O contraste de cores do lugar fica ainda mais visível em época de estiagem prolongada quando o cinza da caatinga torna-se predominante pela seca. Na verdade, o Grupo “Folha Seca” é um ponto turístico que merece ser visitado e ainda lhe oferece uma bela hospedagem para seu relaxamento. Depois o viajante, seja quem for, vai sair renovado para seguir viagem.
“CAPITAL BAIANA DO FORRÓ”
Bem louvável a iniciativa da Prefeitura Municipal de Senhor do Bonfim em ter erguido na entrada da cidade um monumento em homenagem à nossa sanfona nordestina, com a frase “Capital Baiana do Forró”, em sua base. Isso nos deixa com orgulho porque o forró e a sanfona são as expressões maiores da nossa cultura popular nordestina e não deixam de ser também uma homenagem ao nosso grande forrozeiro e rei do baião, Luiz Gonzaga. No entanto, é lamentável que nos últimos anos outros ritmos estranhos tenham ocupado mais espaços nos festejos juninos, deixando o forró autêntico em quinta categoria, lá no canto. Nossas lentes flagraram essa bela imagem, mas será que o poder municipal vem correspondendo e honrando mesmo com o que mandou escrever? Será que Senhor do Bonfim é mesmo a capital do forró, ou tudo não passa de mais uma propaganda enganosa, como tantas outras institucionais dos governantes que vimos por aí? Infelizmente, em todo Nordeste, o que tem mais rolado são os estilos musicais de sertanejos, arrochas, lambadas, sofrências, pagodes e outras porcarias mais. O forró não é mais o mesmo. Foi totalmente descaracterizado. Esperamos que a Prefeitura Municipal de Bonfim honre com o que mandou construir, e que o dinheiro investido do contribuinte não seja desperdiçado com contratações caras de bandas e cantores que nada têm a ver com o forró, como ocorrem nos outros municípios baianos e nordestinos em geral.
COMO É LINDO VER O SERTÃO FLORIDO DEPOIS DAS CHUVAS!
A caatinga com sua vegetação espinhosa, baixa e árida é mágica, mesmo quando sua paisagem é de sequidão com aquela cor cinzenta que produz lindas imagens fotográficas, destacando os cactos, a jurema, o umbuzeiro e o verde do mandacaru.
É bem verdade que, quando ela está assim, deixa o sertanejo acabrunhado, aperreado e triste ao ver a plantação perdida e o seu gadinho berrar de sede na cacimba. Pior ainda é quando olha para o céu e observa nuvens passageiras sem sinal de chuva. Com sua fé religiosa e sua cultura popular, ele não deixa de orar ao Supremo para que lhe ampare.
O catingueiro nordestino é forte, valente, persistente e nunca perde as esperanças. Pode até se retirar por uns tempos na busca da sobrevivência para si e sua família, mas, mesmo distante, pensa dia e noite em retornar ao seu torrão querido, como na música do cancioneiro ou nos versos do poeta Patativa do Assaré.
Coisa mais linda é quando batem as águas e de repente o sertão brota em flores de encher os olhos a perder de vista! Como uma fênix, da cinza renasce o verde, o amarelo do São João, o vermelho de outras árvores e até o lilás do Ipê em algumas faixas da mata de cipó. As abelhas delas extraem seu néctar para o fabrico do mel que nos serve até de remédio.
Toda Bahia e outros estados do Nordeste onde predomina o semiárido, o nosso sertão está florido e exuberante com suas agudas cheias à beira das estradas. É tempo de fartura que muda a expressão do sertanejo, conforme presenciei cortando estas terras saindo de Vitória da Conquista até Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco. Cortei toda Chapada Diamantina e outros municípios do Norte naquela imensidão verdejante.
Com as mudanças climáticas, ou o aquecimento global, os temporais que caíram deixaram praticamente todas cidades com estragos, ruas e avenidas esburacadas, casas caídas e até vidas perdidas pelas grandes enxurradas e deslizamentos de morros, tudo por desleixo dos nossos governantes que não montaram estruturas eficientes para suportar as chuvas.
No entanto, a nossa caatinga, que é subdividida em outros vários biomas nordestinos diferentes, se fortalece em prosperidade. Como num milagre da vida, as árvores retorcidas, antes com aparência de mortas, renasceram em poucos dias.
Além da flora diversificada, com centenas de espécies, a fauna faz sua festa com a abundância de alimentos. Os pássaros em suas revoadas e cantorias preenchem a beleza da natureza. Os animais rastejantes, os répteis em geral e aves maiores se fartam com tanta comida e água. Toda terra fica fértil e as plantas dão bons frutos.
Pena que a nossa caatinga vem sendo depredada há muitos anos com o corte de árvores para o uso em construções e no fabrico do carvão, deixando muitas áreas em processo de desertificação que nem as chuvas conseguem recuperar, sem contar as matanças de espécies raras, a caça predatória e o tráfico de animais silvestres.
- 1


























