:: out/2022
OS MOVIMENTOS ABOLICIONISTAS
Somente a partir de 1870, final da Guerra do Paraguai, os movimentos abolicionistas no Brasil passaram a ser mais intensos atraindo a população para a causa da libertação dos escravos. As manifestações pressionaram a aprovação da Lei do Ventre Livre, em 1871, e a do Sexagenários, em 1885, mas poucos efeitos surtiram porque os senhores patrões cuidaram de boicotar as normas estabelecidas.
Na verdade, os primeiros polos abolicionistas nasceram na virada da primeira metade do século XIX, no Rio de Janeiro, em Pernambuco e na Bahia por volta de 1852. O escritor Laurentino Gomes considerava esses grupos mais modernizadores do Império do que propriamente abolicionistas. Pertenciam mais à elite imperial.
Mesmo depois de 1870, existiam ainda aqueles abolicionistas de elite que defendiam que a abolição se acabaria naturalmente. Alguns cálculos indicavam que a escravidão iria até a metade do século XX e outros que se estenderia até o ano 2220. Essa ela defendia que os fazendeiros fossem indenizados sob o argumento de que o cativo era uma propriedade privada, caso de José Bonifácio de Andrada e Silva.
Dentre os mais ativos se destacaram Joaquim Nabuco, José do Patrocínio, André Rebouças, Antônio Bento de Sousa e Castro, o próprio baiano poeta Castro Alves e Luiz Gama, também da Bahia, considerado pelo escritor Laurentino Gomes como o precursor, que atuava como advogado rábula e conseguiu libertar mais de quinhentos escravos.
Nos anos que antecederam a Lei Áurea de 1888, houve uma célula revolucionária denominada, segundo Laurentino, autor da trilogia “Escravidão”, de “Os Caifases”, sob o comando de Antônio Bento Sousa de Castro. A denominação era uma referência ao sumo-sacerdote que participou do julgamento de Cristo perante o Sinédrio de Jerusalém.
Mais impetuoso, Antônio Bento representava a corrente mais radical do movimento, tendo como estratégia a luta direta de enfrentamento com os fazendeiros e defensores do regime escravista. Ele infiltrava mascates e vendedores nas propriedades que penetravam nas senzalas e realizavam reuniões clandestinas, incentivando rebeliões.
Além do mais, esse grupo perseguia capitães-do-mato e denunciava fazendeiros que maltratavam seus cativos. Os fugitivos eram abrigados em locais escondidos na Serra de Cubatão. Um dos refúgios se tornou Quilombo do Jabaquara, no caminho de Santos, chegando a reunir 20 mil pessoas.
Antônio Bento assumiu a liderança do movimento em São Paulo após a morte de Luiz Gama, em 1882. O núcleo de seus seguidores pertencia à confraria negra de Nossa Senhora dos Remédios. Os encontros aconteciam na redação do jornal A Redenção (1887-1888).
De acordo com Laurentino, os movimentos tomaram as ruas e praças se convertendo na primeira grande campanha popular da história do Brasil. Aos milhares, eram produzidos panfletos, jornais, revistas e manifestos contra a escravidão.
A onda coincidiu com o surto de desenvolvimento e modernização do Império, promovido pelo visconde do Rio Branco, responsável pela Lei do Ventre Livre, de 1871. Houve várias mudanças e reformas, como no judiciário, eleitoral, nas comunicações com o telégrafo, no comércio e na indústria. Nessa época ocorreu o primeiro censo de abrangência nacional, em 1872.
Outra linha de ação do movimento abolicionista eram as conferências, concertos, discursos, shows musicais, festivais, festas e reuniões. O próprio André Rebouças, um dos que achavam que os escravos deveriam ser indenizados e não os senhores, levava o maestro Carlos Gomes para as manifestações.
O autor da obra cita que em junho de 1883, quando Patrocínio entregou a ex-escravos 115 cartas de alforrias, a multidão jogava flores de camélia, cultivada num quilombo no Leblon, sobre os libertos. Alguns abolicionistas, como Joaquim Nabuco não concordava que os escravos participassem do movimento. Ele entendia que a tarefa era do parlamento e das instituições, ao contrário de Antônio Bento.
Dentro do movimento começaram a brotar os clubes antiescravistas. Só entre 1878 a 1885 foram criados 227 em todo Império. Alguns tinham grande repercussão nacional, como a Sociedade Cearense Libertadora (o Ceará foi o primeiro estado a decretar a abolição) e a Caixa Emancipadora Luiz Gama. As mulheres também tiveram participação com cerca de 36 associações.
Em maio de 1883 todas essas organizações constituíram a Confederação Abolicionista que passou a comandar a campanha nacional. Os jornais e as revistas também tiveram papel fundamental nos acontecimentos, como Gazeta de Notícias (1874), Gazeta da Tarde, de Patrocínio (1880) e A Província de São Paulo (Estado de São Paulo), em 1875. Joaquim Nabuco lançou, em 1883, o livro O Abolicionista.
A questão dominou ainda as artes e a literatura, caso de A Escrava Isaura, de Bernardes Guimarães (1875), O Mulato, de Aluísio de Azevedo (1881) e Navio Negreiro, de Castro Alves.
NO BRASIL DA VIRAÇÃO
Com mais de trinta milhões passando fome, cada um faz sua viração para sobreviver, como estas senhoras da foto que vivem de catar lixo reciclável para comprar o pão de cada dia, mas nem sempre é o suficiente. É a realidade do Brasil da viração nos tempos atuais de tanta exclusão social! A essas pessoas foram negados a educação e o saber com os quais teriam mais dignidade. É gente idosa que se vira para complementar uma aposentadoria merreca ou um auxílio eleitoral do governo, quando deveria estar gozando do seu descanso de uma vida sofrida. Interessante que a própria imagem mostra o jumentinho, que está sendo vítima de extinção através das matanças pelos frigoríficos, dando a sua contribuição nessa luta pesada. A própria sociedade capitalista e a elite egoísta construíram esse triste cenário que nos envergonha. Temos assim, um Brasil desumano onde é detentor de um dos maiores índices de desigualdade social. É tão cruel que elas próprias procuram evitar o foco das lentes porque não passam de simples números das estatísticas da miséria. Sentem vergonha. De qualquer forma, são trabalhadoras da viração, enquanto outras tantas perambulam pelas ruas sem nada fazer porque se entregaram ao total abandono, sem mais um fio de fé e esperança.
O DIA DO POETA
Confesso que iria passar batido sobre o Dia do Poeta, 20 de outubro. Também todo dia é dia de alguma coisa e, nessa correria da vida, cheia de problemas, pouco paramos para refletir e pensar. No entanto, à tarde recebi uma ilustração em meu ZAP onde destacava 20 de outubro, Dia do Poeta, com os dizeres “obrigado a você poeta, que nos empresta teus sentimentos em forma de versos, despertando assim, em cada um de nós o que sequer imaginávamos ser capazes de sentir.
Se não me engano, tive um professor que nos ensinava que o poeta é aquele que vê o que os outros não enxergam, como se somente o poeta possui raios laser nos olhos para detectar o invisível e desvendar certos mistérios desse universo.
Ouvia também de que somente o poeta sabe descrever sobre a flor. Até me arriscaria falar que é o ser humano que consegue tirar leite de pedra. Não fosse o ar, não fosse a terra, não fosse o fogo, não fosse a água e o mar, o sol e o anoitecer, o tempo, a chuva, o vento e a tempestade que já são poesia, como o poeta sobreviveria?
Em homenagem ao Dia do Poeta veio-me logo à cabeça postar uns versos meus em meu blog opinativo e crítico, mas o consciente, ou o subconsciente, mandou que escrevesse algo sobre esse ser diferente e indiferente que já foi tão admirado, que já fez revoluções e até guerreou contra tiranos e tiranetes.
Pode-se dizer que o poeta encanta e é o encantado da poesia que já nasce com o corpo fechado contra balas e flechadas. É o único que bate na porta da morte na boca da noite para uma boa prosa até o dia amanhecer e se tornam até amigos.
Poderia citar aqui um monte de nomes, mas cada um tem o seu apreciador, seu predileto ou prediletos. A todos faço vênias e presto minhas singelas homenagens. Ele é cantador, é cancioneiro e trovador. Falam até que esse mundo, incluindo o Brasil, deveria ser governado por um poeta. Será que daria certo? Pelos menos, suas leis e decretos seriam feitos em versos rimados extraídos da matéria espírito.
NÃO É ASSÉDIO! É CORONELISMO MESMO
Agora arranjaram um termo bonita na língua portuguesa para chamar de assédio eleitoral. O nome verdadeiro, nu e cru, é coronelismo escravista que o Brasil viveu desde os tempos coloniais até meados do século XX. Muitos achavam que isso nunca mais iria ocorrer.
Confesso que em minha idade não imaginaria que iria ter esse retorno dos coronéis senhores ruralistas donos de terras destruidores do meio ambiente, de empresários e industriais. É, minha gente, o Brasil está mesmo, literalmente, voltando a adotar os mesmos métodos de antigamente.
Para essa geração mais nova e quem pouco conhece a história do país, o coronelismo se destacava pelo poderio que os latifundiários tinham sobre seus empregados, obrigados a fazer tudo quanto eles mandassem, principalmente no quesito voto.
Primeiro os títulos ficavam nas mãos dos patrões e somente seriam entregues no dia da votação. A seção era controlada por eles de modo que sabiam com antecedência a quantidade de votos que iria receber o seu candidato com base no número de empregados que possuíam.
Era o chamado voto de cabresto. Pelo controle, o coronel sabia quem votou nele, ou não. O considerado “traidor” poderia até ser condenado à morte ou levar uma tremenda surra de seus jagunços. Era o parabelo e a chibata quem mandavam.
O uso da tecnologia moderna atual só dificulta essa interferência do coronel atual, mas, como diz o ditado, o brasileiro sempre tem seu jeitinho. Para evitar esse voto de cabresto, ou escravo, como queira, o Superior Tribunal Eleitoral (TSE) proibiu que o eleitor entre na cabine com o celular para não filmar o voto.
Acontece que nem todos mesários estão obedecendo essa lei (onde votei não me pediram). Além do mais, os coronéis estão ordenando que o trabalhador leve o aparelho dentro do sutiã ou até na calcinha, no caso da mulher, ou na cueca, caso do homem.
Pelo andar da carruagem, vamos ter que continuar nesse inferno, sendo diariamente xingados, vítimas de racismo, de xenofobia, de homofobia, de desprezo pela vida, de misoginia, sob o jugo do nazifascismo e do mau caráter que saiu do armário com a voz, a senha e a bandeira do capitão psicopata.
Vamos continuar vendo o nosso meio ambiente sendo destruído, os índios sendo exterminados, os negros sendo pesados como arrobas, os nordestinos sendo discriminados e ameaçados de morte pelos extremistas seguidores.
Quando todos estiverem nas trevas no ranger de dentes e o Brasil isolado do mundo, tratado como nação selvagem, vão se sentir arrependidos e dizer que não esperavam que o cara chegasse a esse ponto. Assim disseram anos depois os eleitores de Hitler e de Mussolini
O DESÂNIMO DE UM POVO
Nas enormes filas do auxílio nos bancos e lotéricas, os rostos calados de sofrimento na espera por um atendimento. Ninguém tem a certeza de que lá dentro vai solucionar seu problema e receber a prometida ajuda. Todos parecem manadas sendo levadas para um matadouro.
Infelizmente, foi esse triste cenário que senti ontem nas ruas do centro de Vitória da Conquista, inclusive entre as pessoas com as quais mantive um contato. Não encontrei uma palavra de ânimo de que as coisas vão melhorar, muito pelo contrário, de que o pior pode estar por vir. Cheguei a dizer de que, quem viver verá fazendo uma referência à minha idade já avançada.
Brigas, racismos, xenofobia e homofobia, xingamentos e o semblante de um povo desanimado e sem esperanças quanto ao futuro. Será que vivemos num quadro de depressão coletiva? Os psicólogos e psiquiatras podem melhor fazer esse diagnóstico, mas são sinais característicos de um povo em desânimo.
Muitos podem não concordar e afirmar que sou uma ave agourenta, mas é a dura realidade nessa reta final das eleições que terminam no próximo dia 30. A ansiedade bate no peito de cada um e se pode perceber isso nas expressões. Todos querem que essa agonia se acabe logo, mesmo diante das incertezas. O que mais dói é ver o sofrimento estampado em milhões de brasileiros que vivem na miséria e passam fome.
Toda essa camada de excluídos luta a cada dia para sobreviver na base das tais das doações, num fogo cruzado de informações dos candidatos que correm em disparada nas mídias, especialmente nas redes sociais.
Como apurar essa enxurrada de fake news e separar a verdade da inverdade? As propagandas eleitorais nas emissoras de rádio e televisão mais parecem um ringue de luta livre. As torcidas têm sede de sangue e se odeiam.
Em meio a todo esse turbilhão, a televisão já anuncia o Natal sem Fome, o que, para mim, soa como uma hipocrisia. Só uma noite? Logo tudo isso é esquecido e lá vem o monte de saudações de Feliz Natal e Ano Novo. A impressão que tenho é que a fé e a esperança nesse nosso Brasil estão cada vez mais minguando.
Depois das eleições vem a corrida às lojas e aos shoppings para a compra de presentes, as fartas mesas de perus, nozes, lentilhas, leitões, frutas, chesters, vinhos e outras bebidas e comidas, com abraços e confraternizações. Uma semana após vem ainda o réveillon regado a muita orgia, shows musicais e fogos de artifícios. Fazemos muitas promessas que deixamos de cumprir no decorrer do ano, para tudo começar novamente depois.
O tempo passa rápido para nos entregar as folias dos carnavais dionisíacos e assim continuamos alimentando as mentiras e as falsidades de muito amor e paz. As doações, os vales auxílios e as campanhas nos momentos de tragédias vão continuar engrossando as fileiras da pobreza. Até quando?
SE CRISTO RETORNASSE À TERRA E FOSSE UM BRASILEIRO NORDESTINO
Poderia ser na Bahia, na Paraíba, Piauí, Sergipe, Alagoas, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Ceará ou Maranhão, nessas terras áridas e secas de séculos de sofrimento, parecidas com a Palestina antiga dominada por Roma, em meio a um povo explorado pelos senhores coronéis das fortunas e do poder! Como seria sua linguagem evangélica?
Creio que seu discurso seria mais na linha política que filosófica e cristã ao condenar os fantasmas embusteiros e se levantar contra sulistas nazifascistas que desejam morte aos nordestinos. Iria correr trechos numa Kombi, numa Van ou numa moto com seus seguidores convocando as pessoas a se unirem a não baixar a cabeça para os poderosos. Faria diariamente marchas de protestos.
Com certeza ficaria horrorizado com esses pastores peritos em lavagem cerebral na corrida para serem eleitos e fazer bandidagens no Congresso Nacional e no Palácio do Planalto. Repeliria energicamente esses evangélicos fanáticos que em seu nome jogam pedras em terreiros de candomblé, odeiam outras crenças, praticam o racismo e a homofobia.
Muitos católicos e padres carolas conservadores que só estão ali para pregar aquele evangélio antiquado e enfadonho sem sal nas falas seriam também alvos de suas bordoadas. Suas palavras teriam um tom socialista e seria renegado e chamado de comunista por esses falsos cristãos. Claro que sofreria constantes ameaças de morte e viveria cercado de seguranças.
Será que Ele rogaria ao Pai para que perdoasse porque eles não sabem o que fazem? Ou pediria que todos fossem castigados e condenados ao fogo do inferno como nas narrações do Antigo Testamento com relação aos ímpios, cruéis e fariseus? Usaria seu poder divino da chibata para expulsar esses vendilhões dos templos?
Em suas andanças pelo agreste do sertão nordestino, pelas ruas e cidades pequenas e grandes derramaria lágrimas ao se deparar com tanta ignorância, violência, brutalidades, atos desumanos, fome e miséria. Em suas preces rogaria ao seu Pai misericórdia e punição severa aos corruptos, ladrões, mentirosos, falsários que enganam o povo falando em pátria, família, liberdade e Deus acima de tudo.
Ficaria enojado com aqueles que passam o dia usando seu nome e o do seu Pai em vão, até em jogos de azar, para praticar a maldade e tirar dos pobres para se enricar, comprar mansões, manter suas orgias e ainda tripudiar da fraqueza alheia.
Descarregaria toda sua revolta e protestos contra aqueles que fazem do povo massa de manobra em defesa de seus interesses particulares. Seus manifestos seriam duros e impiedosos. Ordenaria que parassem de citar seu nome sob pena de serem jogados nas valas dos esquecidos com morte lenta e penosa.
Do outro lado, se sentiria infinitamente angustiado com essa justiça feita pelos homens que nada tem de igual para todos, mas que protege os ricos e prende os fracos em presídios sujos, fedorentos e superlotados.
Como suportaria a dor em ver os bandidos de colarinho brancos soltos por aí, enquanto muitos inocentes encarcerados, inclusive aqueles que não tiveram chances de alcançar uma vida melhor e partiram para o crime? Oh quanta tristeza! Oh quanto desengano, absurdos e trevas ver uma nação caminhar para o amargedon! Diria, Pai afasta de mim este cálice!
Todos eles não passam de Caifases, aqueles sumos sacerdotes que participaram do julgamento de Jesus Cristo perante o Sinédrio de Jerusalém. Estão mais para traidores do verdadeiro cristianismo, lobos vestidos em peles de cordeiros. Certamente Cristo retornaria envergonhado diante de tanta barbárie cometida por gente que diz, com maior cinismo na cara, ser seu representante na terra.
PRESSÃO DA INGLATERRA ACABA COM O TRÁFICO NEGREIRO NO BRASIL
Depois de ser humilhado e até sofrer um bloqueio naval por seis dias no Porto do Rio de Janeiro, o governo imperial de D. Pedro II se apressou em decretar, em 1850, o fim do tráfico negreiro através da lei chamada de Eusébio de Queirós Coutinho Matoso Câmara (africano de ascendência portuguesa nascido em Luanda), mas, mesmo assim, muitos continuaram fazendo algumas importações de cativos africanos de forma clandestina.
A lei parlamentar de 1831, apelidada depois para “inglês ver”, não evitou o tráfico e isso irritou os britânicos que fizeram diversas ameaças ao Brasil, inclusive com o aprisionamento de navios em portos e águas territoriais. O próprio Eusébio de Queirós era conivente e acobertava os capitães de navios, os fazendeiros do café e os traficantes.
O jornalista e escritor Laurentino Gomes, autor da trilogia “Escravidão” narra os episódios que levaram o Brasil à proibição do tráfico de africanos, como no capítulo da terceira obra intitulada de “Na Mira dos Canhões” onde cita o incidente ocorrido no Porto de Paranaguá, no Paraná, justamente em 1º de julho de 1850.
O tiroteio aconteceu na antiga Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres, construída na Ilha do Mel para proteger a entrada da barra. Na ocasião, o embaixador da Inglaterra no Rio de Janeiro, James Hudson chegou a dizer que “a coragem não é uma virtude brasileira”.
A guarnição do forte chegou a trocar tiros com um cruzador britânico, o HMS Cormorant, cujo comandante estava inspecionando navios suspeitos e apreendia todos que estivessem praticando o tráfico de escravos. Três barcos foram atrelados ao cruzador para serem rebocados para fora da baía quando o chefe da Fortaleza reagiu. Após o ocorrido, o capitão inglês mandou queimar dois navios, o Leônidas e o Sereia.
Na época, o litoral do Paraná, ainda sob a jurisdição da província de São Paulo, era um dos locais mais concorridos para refúgio do tráfico clandestino. Não muito longe dali se situavam as ricas fazendas de café, no Vale do Paraíba.
Diz Laurentino que em Paranaguá, o comércio ilegal de gente envolvia as mais altas autoridades, incluindo o delegado de polícia José Francisco Barroso, o juiz municipal Filastro Nunes Pires e o coronel Manuel Antônio Guimarães, comandante da Guarda Nacional. Mesmo assim, essa gente recebia títulos de nobreza do imperador.
Pelo revide, o padre Vicente Pires da Mota, presidente da província, elogiou a guarnição da fortaleza e os civis que participaram do combate. No entanto, o governo imperial, por temer retaliações militares e diplomáticas mais duras, preferiu se explicar perante a Inglaterra.
A partir disso, o governo inglês impôs que o Brasil parasse de traficar escravos africanos. Na época, os britânicos eram uma potência marítima e industrial. A única saída era mesmo acabar de uma vez com o comércio clandestino de escravos.
No mesmo mês de julho de 1850, o ministro da Justiça, Eusébio de Queirós convocou a Câmara dos Deputados para, às pressas, dar andamento a um projeto emperrado nos meandros da burocracia legislativa desde 1837.
Numa tramitação relâmpago, o projeto de Eusébio foi aprovado pelos deputados em 17 de julho. Em meados de agosto passou também no Senado. Em 4 de setembro de 1850 tornou-se lei sancionada pelo imperador.
Como destacou Laurentino, foi literalmente sob a mira dos canhões britânicos que o Brasil concordou em acabar com o tráfico de africanos escravizados no Atlântico. Logo depois, a marinha brasileira passou a se empenhar na repressão ao tráfico. Alguns dos principais traficantes estrangeiros, como os irmãos portugueses Antônio e Manuel Pinto da Fonseca foram presos e expulsos do país.
POLUIÇÃO DE TORRES
Depois de invadida por moradias clandestinas, depredada por exploradores de areia, terra e pedras por muitas décadas, com a modernização das tecnologias de comunicação, principalmente, a Serra do Periperi, tombada em 1996, se não me engano, pelo governo de José Pedral, está poluída de torres e fios elétricos, de telefone e operadoras de internet. Infelizmente, mesmo tendo sido transformada em “parque de preservação ambiental”, a Serra, com seu lindo pôr-do-sol, ainda é pouco visitada pelos conquistenses e visitantes, quando já deveria ser um cartão postal de Vitória da Conquista. Além das invasões constantes que ainda acontecem, sem falar nos incêndios, ela hoje está com seu visual poluído por torres na parte mais alta. Despois de tantos estragos praticados pelo ser humano, principalmente pelo poder público que dela retirou toneladas de materiais, como durante a construção da BR-116, a chamada Rio-Bahia, ainda nos restou um pedaço de mata do Poço Escuro e o monumento ao Cristo que o executivo promete urbanizar a área. No entanto, não adianta realizar obras de beneficiamento se não houver total segurança, pois até hoje as pessoas têm medo de subir à Serra para fazer algumas imagens e apreciar a cidade lá de cima.
MEU NORDESTE CATINGUEIRO
De Jeremias Macário. Uma homenagem ao Dia do Nordeste 8 de outubro.
Não vou falar de escritores,
Poetas, cancioneiros e sanfoneiros,
Mas de Maria, João e José,
Das rezadeiras e parteiras,
Do homem forte e contrito,
Que a seca vence com fé.
Da cantoria do adjutório,
Da batida da palha do feijão,
Das belezas do litoral e do sertão,
Do couro aboiador vaqueiro,
Do meu Nordeste,
De espinho catingueiro.
Falo dessa terra árida,
De alma pensativa cálida,
Do sol o ano todo a brilhar,
Da chuva a explodir em cores,
Dessas raras aves e flores,
Do luar no meu terreiro,
Do meu Nordeste,
De espinho catingueiro.
Falo da foice e da enxada,
Do “Velho Chico” a irrigar,
De tanta gente em procissão,
Para ao Supremo pedir e orar,
Que conserve sua bravura,
E das ervas tenha cura.
Daqui nasceu o Brasil,
Feito rebeliões dos malês,
Alfaiates, balaiadas e sabinadas;
Cruzou tropeiros e mascates,
E o samba veio da Bahia,
Em nome de todos orixás,
Com cheiro de amor no ar.
Falo do frevo pernambucano,
Do retirante valente estradeiro
Do meu Nordeste agreste,
De espinho catingueiro.
A BAIXARIA QUE O BRASIL NÃO MERECE
LULA DEVERIA TER SAÍDO CANDIDATO A PRESIDENTE, LOGO ELE SENDO O MAIOR ALVO DO ÓDIO DO INIMIGO? POR QUE O PT NÃO APOIOU OUTRO NOME?
Por ser um alvo tão fácil e que já serviu de ódio nas eleições de 2018, o PT e, principalmente, o ex-presidente Lula não deveria ter saído candidato pelo bem do Brasil. No entanto, vá dizer isso aos petistas que você será trucidado, triturado e moído, sem falar que será chamado de idiota e até de apoiador do Bozó, do bicho cão dos infernos.
Não importa que os processos de Lula tenham sido anulados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e por outras estâncias judiciais, mas para trás ficou um rastro de condenações, inclusive de prisão, o caso do mensalão, do petrolão, dos delatores e da Lava Jato que todos sabem se transformaram num mar de lama na cabeça dos brasileiros.
Tudo isso fica entranhado no consciente e no subconsciente das pessoas, e o outro, mesmo que seja um satanás, belzebu, mentiroso, psicopata, falsário, fascista ou coisa assim, iria aproveitar para lançar seus torpedos a fim de liquidar com o inimigo. Fosse outro candidato de outro partido sem esse passado, o adversário seria mais neutralizado para ser derrotado e apaziguaria o país.
É esse cenário que envolve a vida de Lula o maior combustível para as baixarias a que somos obrigados a engolir até o dia 30 de outubro. O Brasil não merece essa enxurrada de sujeiras e lixo despejados a cada minuto nas redes sociais e nas emissoras de rádio e televisão. Até o papa está sendo envolvido nesse fogo cruzado. Praticamente, nada de projetos e propostas de governo.
A insensatez, a sede de poder, a prepotência, o orgulho de não reconhecer seus erros do passado, a falta de humildade e a ideia de que somente eles teriam força para bater o inimigo da nação levaram o PT a ser o próprio alvo. Pode isso nos levar ao suicídio coletivo.
Essa baixaria já era previsível como uma tragédia anunciada que causa estragos incalculáveis. Caso houvesse mais senso na política e se pensasse no bem do Brasil, o PT, tão odiado pelos fanáticos evangélicos, pelos extremistas nazifascistas, pelos negacionistas e moralistas de plantão, ficaria de fora desse pleito para apoiar um candidato ou candidata com um passado sem essas fixas corridas ou boletins de ocorrências.
Não vou aqui discutir se o Lula é inocente ou não, apenas a certeza de que ele iria ter uma grande rejeição e, ao invés de unir, iria dividir e levar a campanha para um nível de baixaria descomunal. Até o dia 30 vamos ter que aturar mais sujeiras nojentas.
Não é somente o problema dessa baixaria que logo irá terminar no final do mês com o resultado das eleições no dia 30, mas o risco que o Brasil corre de entrar nas trevas medievais por mais quatro anos. Se isso ocorrer, apenas pergunto quem serão os culpados por essa desgraça? Não é somente triste. É tenebroso.















