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“HISTÓRIA DO POVO CIGANO” (Parte I)

PELOS SOFRIMENTOS A QUE FORAM SUBMETIDOS DURANTE SÉCULOS, PRATICAMENTE DIZIMADOS PELOS NAZISTAS DURANTE A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL (1938 A 1945), TODA NAÇÃO CIGANA MERECE UMA AÇÃO REPARADORA POR PARTE DA HUMANIDADE, QUE COMETEU BÁRBAROS CRIMES CONTRA UM POVO QUE NUNCA TEVE UMA PÁTRIA.

Entre os séculos XVI a XIX, e ainda no início do XX, por mais de 400 anos, os ciganos (vários nomes por onde passaram) foram vítimas de horríveis crueldades, principalmente nos países europeus do ocidente e do oriente (Império Austro-Húngaro e Império Otomano), como torturas, marcados com ferro em brasa, esquartejamento, enforcamento, separação de suas famílias, trabalhos forçados nas galés, orelhas cortadas, escravidão e outros tipos de barbaridades.

O holocausto dos judeus é bastante conhecido no mundo, mas pouca coisa se sabe sobre os crimes desumanos cometidos durante séculos por reis, rainhas, títeres, príncipes, tiranos sanguinários, condes, duques, policiais, pela Igreja Católica e pela nobreza em geral. França, Espanha, Inglaterra, Alemanha, Hungria, Romênia, Escócia e Holanda foram os países que criaram leis e decretos mais severos de caça aos ciganos.

SEM ORGANIZAÇÃO POLÍTICA

Quase tudo foi apagado da memória desses povos, porque os ciganos, pela própria natureza de suas origens nômades, sempre foram desprovidos de uma organização social e política, para denunciar as atrocidades sofridas e cobrar sua dívida, como fez a comunidade judaica que puniu em tribunais os culpados assassinos. Como os negros africanos, viveram mais de 300 anos de escravidão (Valáquia e Moldávia – Romênia), sendo acorrentados, açoitados, mortos e vendidos em leilão pela nobreza, pela Igreja Católica (mosteiros) e donos de propriedades.

Os tempos mais macabros foram entre os séculos XVII ao XIX, e tudo isso é contado pelo inglês Angus Fraser, acadêmico e uma autoridade no assunto em seu livro “História do Povo Cigano”, com base em profundas pesquisas de escritores, achados arqueológicos, arquivos documentais de vários países, narrações de viajantes, testemunhos e matérias em jornais da época.

Trata-se de uma obra investigativa sobre as origens dos ciganos na Índia (outras teorias falam de egípcios e gregos), para depois traçar um quadro das migrações, desde o começo da Idade Média até hoje. De província em província, circularam pelo Oriente Médio, Armênia, países balcãs (Sérvia, Croácia), pela Europa e pelo resto do mundo. Pela sua semelhança linguística (fonética, morfologia e sintaxe) e antropologia física, tudo indica que a língua Romani veio do Hindi (Hindu) depois do sânscrito.

Chamados de egípcios, sarracenos e tártaros, os ciganos sempre foram conhecidos pelas suas músicas e danças, pelo talento para trabalhar metais, adestrar ursos, ler a sina e negociar objetos e animais, sobretudo cavalos. Diante de todas as adversidades dos preconceitos das populações, vistos como trapaceiros, vagabundos, vadios, ladrões, preguiçosos e até raptadores de crianças, os ciganos sempre foram criativos para manter sua sobrevivência, atuando no mercado como exímios empreendedores.

Ao longo dos séculos, conseguiram preservar sua herança cultural, ultrapassando fronteiras. Desde seu aparecimento na Europa, há mais de nove séculos, sempre recusaram adotar uma vida sedentária e convencional, mesmo diante de todas as pressões vividas. Continuam sendo incompreendidos e ultrajados, mas mantendo suas identidades, conforme concluiu o autor do livro.

PÉRSIA, IMPÉRIO BIZANTINO E OS BALCÃS

Na lenda, o historiador árabe Hanza de Ispahan (950), relata que o monarca persa (Irã) Bahram Gur, cujo reinado terminou em 438, depois de decidir que seus súditos deveriam trabalhar metade do dia e passar o resto do tempo a comer, beber e farrear em companhia de um som musical, um dia encontrou um grupo que trazia vinho, mas não tinha músicos.

Ao censurar por não estar com uma banda, um dos membros explicou que havia tentado contratar os serviços de um músico, mas não conseguiu encontrar ninguém. Então, o monarca conversou com o rei da Índia e solicitou para lhe mandar 12 mil músicos, que foram distribuídos por várias partes da Pérsia. Os seus descendentes, conhecidos como Zott, ainda por lá viveram.

Meio século mais tarde, essa versão é encontrada no poema épico nacional que narra a história do país em 60 mil versos (Livro dos Reis), de Firdawsi, que se refere a um pedido feito por Bahram Gur ao rei Xangul, da Índia, de músicos e artistas, “porque aqui os indigentes bebem vinho sem música, e a classe abastada não pode aprovar esse estilo”. O rei, então, enviou dez mil homens e mulheres que tocavam o alaúde.

No poema, este povo é conhecido também como os Luri, e o persa deu a eles trigo, gado e burros, e despachou-os para as províncias para que pudessem trabalhar como lavradores e também fazer música para os pobres. Acontece que os Luri, em um ano, consumiram tudo no esbanjamento, na farra.

O monarca ficou irado e ordenou que eles passassem a viver de suas canções e de suas chiadeiras de seda por conta própria. No entanto, todo ano deviam viajar pelo país e cantar para o povo da alta e da baixa condição. “Os Luri, a quem este mandado agradou, andam agora pelo mundo procurando serviços, na companhia de cães e lobos, e roubando pelos caminhos, de dia e de noite”.

Pela lenda, tudo indica que se tratava de um povo cigano que começou seu êxodo no tempo de Bahram Gur, mas o grupo deve ter se estabelecido na Pérsia muito antes do século X. O interessante é que os nomes Zott e Luri ainda são persas para ciganos na Síria, na Palestina e no Egito, para onde eles adentraram com seus bandos e tendas.

NÔMADES PEREGRINOS E SALVO-CONDUTOS

Esse evento da primeira entrada dos ciganos em territórios cristãos foi registrado pelo cronista árabe Tabari, que conta que um grande número foi feito prisioneiro, em 855, quando os bizantinos atacaram a Síria e depois expulsaram esse pessoal, que passou a viver em outras nações como nômades.

Muitos deles passaram a vagar, de acordo com o autor do livro, pela Armênia, Grécia (sua língua Romani sofreu muita influência do grego) e pelos países Balcãs. Desses lugares partiram para a Europa oriental e depois ocidental, por volta do século XV (início dos anos 1400).

Para serem aceitos se diziam peregrinos cristãos vindos do Egito onde foram “condenados” a viver de lugar em lugar porque um bando de sua gente se recusou a receber a Família Sagrada (Maria, José e o Menino Jesus) em suas tendas, quando, perseguida por Herodes, fugia pelo deserto.

Em outras passagens das escrituras, contam que foi um padre (Miguel) que espalhou essa lenda, e que os ciganos foram amaldiçoados pela Igreja a viverem assim como errantes, para se redimirem da recusa de não terem acolhido o Infante.

Certo, ou não, como peregrinos (muitos diziam seguir para Roma se encontrar com o Papa) eram melhor aceitos onde chegavam e até recebiam auxílio em dinheiro e alimentos. Se autodenominavam de Egípcios, e assim passaram a ser chamados nos lugares por onde andavam.

Nos séculos XV, XVI e XVII, os ciganos conseguiram salvo-condutos de reis, rainhas, imperadores, condes, duques, fidalgos e até do Papa (muitos eram falsificados), para atravessar a Europa, e muitos chegaram a ser condes e duques como chefes de seus bandos. Sentaram nas mesmas mesas dos nobres e fizeram apresentações nas cortes reais, recebendo em troca apoios financeiros e somas em mantimentos.

Com o passar do tempo, esses salvo-condutos foram sendo desacreditados de principado em principado, dando lugar às perseguições e expulsões em territórios por onde transitavam. Para se livrarem das prisões, muitas delas com torturas e mortes, os ciganos se escondiam em lugares mais inóspitos, como florestas fechadas, cavernas e entre fronteiras onde pudessem se deslocar de um país para outro.

A PRAÇA É NOSSA POESIA

Nas lentes do jornalista Jeremias Macário, em ângulos diferentes, a Praça Tancredo Neves respira gente, muitas árvores, flores, palmeiras, água, aves e poesia. Como dizia o poeta, a  praça é nossa, como o céu é do Condor, e essa é de todos os conquistense a mais visitada. É para lá que muitos vão namorar, meditar, rezar e até fazer suas poesias em homenagem à natureza, à vida, à morte e ao ser humano. Nela também está um monumento que homenageia muitos baianos que foram tombados durante a ditadura civil-militar de 1964, por discordarem do regime opressor dos generais. Em maio de 64, uma tropa de 100 soldados invadiu Conquista para prender e cassar cerca de 100 políticos, vistos pela ditadura como subversivos e comunistas, inclusive o prefeito Pedral Sampaio, que foi arrancado, inconstitucionalmente, à força do seu cargo. A ditadura passou, mas a praça com suas ideias continua nossa. É lá que as pessoas vão se relaxar do estresse do dia a dia. Pena que muitas outras da cidade andam meio abandonadas e sem o devido cuidado, como a da Tancredo Neves, bem no centro da cidade, sempre exibindo toda sua exuberância em união permanente com o céu e a nossa alma. É o nosso cartão postal. É o coração verde que pulsa e bomba o sangue para todo nosso corpo.

RASGA NO PEITO A DOR

Poema mais recente de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

De tanto viver neste sol inclemente,

Que racha a terra e arde a mente,

Entre as secas veredas de espinhos,

Onde as aves não fazem seus ninhos,

Rasga no peito a dor do nordestino,

Que viu morrer de fome seu menino.

 

Rasga no peito essa dor vaga latina,

Em ver a mulher a chorar no fogão,

Numa cozinha de panelas vazias,

De olhar fundo com marcas do sofrer,

Saudades eternas da nossa menina,

Que teve a mesma sina da falta do pão.

 

Rasga em meu peito essa dor assassina,

De ver tanta gente a padecer na espera,

Outros a viver em mansões de quimera,

Oh Senhor Deus do poeta da dor rasgada!

Olhai para esse povo no arrasto da enxada!

A rogar que dos céus desça a graça divina.

 

Rasga no peito essa dor contínua,

Pior que a dor canina de dente,

Que enxaqueca de cabeça doente,

É essa dor que jorra na alma sofrida,

De um povo ferrado em curral de boi,

Que procura por uma justiça que se foi.

 

 

UM NOVO SURTO DA COVID-19

Como já previa no final de setembro para outubro, o Brasil está diante de um novo surto da Covid-19, tudo por egoísmo e irresponsabilidade do povo, principalmente dos nossos jovens que caíram nas baladas, e de um presidente bárbaro negacionista da ciência, que prefere chamar os brasileiros de maricas, e, cinicamente, dizer que todo mundo vai morrer mesmo.

A tendência é retornarmos ao que era antes no meado do ano, ou até numa situação pior em termos de casos. Foram mortos mais de 160 mil pessoas e quase seis milhões de infectados, quando esses números poderiam ser bem menores se houvesse a cultura do isolamento e do distanciamento.

Para agravar mais ainda o quadro, o capitão-presidente debocha e faz pouco caso do vírus, destoando completamente das ações das secretarias estadual e municipal de saúde. Dois ministros médicos foram exonerados do Ministério da Saúde, há meses ocupado por um general que nada entende do setor, além de depender das decisões do capitão.

O número de novos casos só faz aumentar, embora não esteja acontecendo o mesmo em relação às mortes. No entanto, a tendência é crescer, mesmo a doença sendo mais controlada porque houve um aprimoramento nos métodos de tratamento. Enquanto não chega a vacina (o presidente politiza a questão), as aglomerações continuam ocorrendo nas cidades.

Estamos vivendo o absurdo dos absurdos no Brasil, um país cada dia mais isolado e malvisto lá fora como transgressor do meio ambiente, que anda na contramão das outras nações, ao ponto de não reconhecer a vitória do novo presidente eleito dos Estados Unidos.

No entanto, a população está dando a resposta através das urnas, com a reprovação de seus candidatos. Nem a ala militar está apoiando suas loucuras psicopatas. Seu admirador Trump está indo embora do cenário extremista e contraditório, se bem que ainda existem uns malucos por aí que insistem em seguir suas ideias retrógradas, que não cabem mais em nosso meio. O rei está nu e logo vai perder seu “trono”.

 

AS ESQUERDAS PRECISAM FAZER UMA REVISÃO E TRABALHAR COM AS BASES

De um modo geral, as esquerdas foram fulminadas nestas eleições, as quais tiveram um viés mais de direita e centro em todo país. Os partidos de esquerda, que cometeram seus desvios de conduta no passado mais recente, principalmente o PT, precisam, com humildade, fazer uma revisão, trabalhar as bases como antes, e não ficar apenas naquele discurso teórico de rechaçar com radicalismo o outro lado, com palavras de ordem e bordões batidos.

Está na hora de se reunir e corrigir os erros, porque insistir com os mesmos métodos é burrice. Tem que reaprender a falar a língua do povo das periferias, dos desempregados, das associações, dos camponeses e dos trabalhadores nas portas das fábricas. A linguagem das esquerdas, com suas arrogâncias e intelectualismos acadêmicos, não está alcançando as categorias mais baixas, os mais pobres e os mais carentes.

Cadê a nação negra?

Como entender em Salvador, a cidade mais africana do Brasil, com mais de 90% de negros, não eleger nenhum candidato de cor preta? De quem é mesmo a culpa? Dos próprios eleitores negros? Dos movimentos negros? Ou da esquerda que não soube atrair esse eleitorado para seu ninho?

Cadê a voz da nação negra? Depois ficam a lamentar de que Salvador não tem um prefeito negro. Tiveram, através do voto, várias oportunidades para ultrapassar essa barreira da discriminação, da desigualdade e do preconceito. O professor e tributarista Edivaldo Brito (negro), homem probo, preparado e intelectual tentou, mas não conseguiu.

O povo de Salvador tinha total condições de eleger uma mulher negra para governar a cidade. Várias se candidataram, mas o resultado foi ridículo, e um branco levou no primeiro turno. A escolha é “democrática”, mesmo nesse processo desigual de concorrência, mas fica complicado explicar o motivo da capital não eleger um negro para o executivo. Os tais “cientistas políticos” falam, mas quase nada esclarece esse quadro.

Em Conquista, tudo continua no mesmo

A Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista (21 parlamentares) vai sofrer algumas mudanças (nove novos eleitos e três que estão retornando), mas para pior, quando muito o nível fica no mesmo em termos de conteúdo e peso. Precisa mais de gente preparada, para legislar e pensar em no sentido coletivo, e não apenas defender seus lotes eleitoreiros.

A bancada da esquerda (quatro ou cinco) vai ser uma merreca, comparada com a direita de vários partidos. Pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro), nenhum candidato se elegeu. Entendo que fez um cálculo errado por não ter saído com um candidato próprio a prefeito. Tinha bons quadros competentes, de boa formação, mas o eleitor não conta muito com esses predicados. Tem que ter mais que isso na política.

Quanto a eleição para prefeito, como adiantei, houve uma polarização entre José Raimundo, do PT, e Hérzem Gusmão, do MDB. Vai haver segundo turno, e qualquer deles que saia vitorioso, nada vai mudar, porque um já governa, e o outro já governou a cidade. Se o PT levar, poderá ocorrer algumas mudanças de apoio, na Câmara, pois o que não faltam são oportunistas de plantão para virar a casaca.

Vai ser uma parada difícil para José Raimundo porque o eleitorado dele não altera muito de números diante dos possíveis apoios do PSOL e, talvez, da Rede. Já do outro lado, vamos ter os partidos de direita e da extrema de David Salomão, Romilson e Cabo Heling. Tudo indica que Hérzem acrescenta mais eleitores. É bom avaliar que entra na conta o bloco dos evangélicos e o da família militar.

SEM MUITAS MUDANÇAS

Neste domingo (dia 15/11), Dia da República, vamos ter eleições municipais em 5.569 cidades brasileiras para prefeito e vereadores. Sem uma reforma política ampla, não teremos muitas mudanças no quadro, como aconteceu com a proclamação da República, em 1889, quando a oligarquia do império continuou no poder e, com mais força, oprimindo os mais pobres e as classes trabalhadoras.

Em todas as eleições fazem uns remendos no sistema, e aí aparecem os tais “cientistas políticos” para dizer que o pleito ficou mais igualitário entre os candidatos. Tudo conversa para “boi dormir”, ou “conversa fiada”, pois as regras continuam desiguais na concorrência entre aqueles que disputam uma reeleição e os novos que não contam com a máquina do poder.

Nas prefeituras e nas câmaras

Nas prefeituras em geral, a corrida está polarizada entre a reeleição do atual executivo e o outro que é ex-prefeito, como ocorre aqui em Vitória da Conquista. A pergunta é sobre qual a mudança que irá acontecer, seja qual for o resultado do eleito? Portanto, tudo permanece com dantes na Casa de Abrantes, meu amigo “cientista político”. Ainda temos uma democracia mambembe, do tipo tupiniquim. Vai permanecer a hegemonia dos clãs.

Para a Câmara de Vereadores, o quadro ainda é pior, pois quando muito há uma mudança em torno de 30 a 40%. A maioria se mentem no cargo, tendo em vista que quase todos são candidatos à reeleição, contando com a vantagem da máquina que já exerce em relação aos que pretendem a vereança pela primeira vez. A concorrência é desleal.

Aqui em Vitória da Conquista são 21 vereadores (podia ser em torno de 15) e somente dois ou três não estão na disputa pela reeleição (um saiu como candidato a prefeito). Existem candidatos que já estão na Câmara há mais de 30 anos (transformaram a política numa carreira profissional), e estes já têm sua cadeira cativa com os mesmos eleitores de sempre.

A eleição no Brasil é como uma roda presa, com pouca velocidade. É uma matraca velha que precisa ser totalmente reformada, ou mudar para uma nova, de modo que o sistema seja destravado. Esses tapa-buracos de que falam os “cientistas políticos”, só servem para enganar a nossa democracia. É como um barco velho onde se veda um buraco ali e aparece outro acolá, para entrar água.

A nossa República (coisa pública) de 131 anos já nasceu velha, e foi decretada por um marechal num cavalo, com o simples gesto de desembainhar a espada por pressão de uma classe burguesa que se sentia ameaçada em perder alguns de seus privilégios e mordomias. De lá para cá, o país continuou sendo governado por uma aristocracia, por uma elite, ou por uma plutocracia que se recusa a fazer uma divisão social das riquezas.

De lá para cá já tivemos diversas ditaduras, alguns movimentos de libertação por justiça social e levantes de uma ou outra categoria, mas a desigualdade só fez se agravar. Já tivemos o café com leite, o gaúcho fazendeiro, um cigano que fez Brasília, generais, um operário, uma mulher e agora um bárbaro que veio com a intenção de destruir o pouco que se tinha conquistado de bom.

Quer sentir como anda o nível educacional e cultural do nosso brasileiro? Então perguntem aos eleitores sobre o feriado do dia 15 de novembro e o que significa para o Brasil. Com certeza, poucos saberão responder sobre sua história, e o que entendem por governo republicano, seu papel e sua representação na sociedade.

 

 

POVO SOFRIDO E RESIGNADO

O nosso povo brasileiro é sofrido e resignado, que passa dias numa fila exposto ao sol e à chuva por um auxílio, para suprir suas necessidades prioritárias de sustento, como o alimento para matar a fome dos seus. É também, infelizmente, um povo culturalmente safado e corrupto que rouba esse auxílio dos mais pobres, e ainda vai dormir sem nenhum remorso de consciência. Aliás, são esses ladrões salteadores que mais dormem tranquilo, sem nenhum remorso na consciência, porque nem estão ai para a pobreza dessa nação de filhos escravizados e submissos a torturas desumanas, como passar um dia na porta de um banco para tirar uma ajuda, que não é do governo, mas do suor do nosso trabalho. Mais cruel ainda é voltar de mãos vazias. É triste viver num país tão desigual, de mais de 70 milhões que vivem na corda bamba da pobreza, incluindo ai a extrema. Não posso ter orgulho do meu país que deixa seus filhos passando fome e sendo submetidos a tantas injustiças, vendo seus direitos sendo surrupiados. Não posso ter orgulho de um país onde é negada a educação para seus filhos, jogados no poço escuro da ignorância. Não posso ter orgulho do meu país onde 10% da sua população detém mais de 40% das riquezas, se deleitando em suas mordomias. Não posso ter orgulho do meu país onde o Congresso Nacional é um dos mais caros do mundo. Não posso ter orgulho do meu país onde mais da metade da sua população de 230 milhões não têm saneamento básico e moram em casebres, palafitas e favelas, com esgotos a céu aberto, sem água potável. Não posso ter orgulho do meu país que ainda vive sob o poder da chibata dos senhores poderosos. Não posso ter orgulho do meu país onde ainda persiste a escravidão dos mais pobres, pretos e brancos. Não posso ter orgulho deste país onde ainda se enaltece a homofobia, o racismo e a discriminação em geral. Quando vejo filas como nas fotos clicadas por mim (Jeremias Macário) rasga em meu peito a dor de viver num país tão injusto socialmente, dependendo das migalhas que saem dos banquetes de uma casta que transformou nosso Brasil num dos países mais pobres do mundo.

MATA DO POÇO ESCURO

Poema do jornalista e escritor Jeremias Macário, em homenagem aos 180 anos de emancipação política de Vitória da Conquista, completados no último dia 9 de novembro. O texto faz parte do livro “Andanças”, que pode ser encontrado na Banca Central e na livraria Nobel.

Tudo no alto era traçado,

Como se fosse um abraço,

Onde morava o sagrado,

Riscando o seu traço,

Na água farta escura,

Jorrando da escarpa,

Que saciava a cidade,

Pura clara e sem mistura.

 

Era tudo uma floresta,

Do irmão sol e da irmã lua,

Para dançar em sua festa,

Com a esbelta índia nua,

No Poço Escuro de mel,

Sem brancos e senhores,

Só com os deuses do céu

Num banquete de flores.

 

Devastaram tudo, seu moço!

E só uma mata rala restou;

A minação foi-se minguando,

Como dos bichos, o almoço;

O Poço fraco quase secou;

E até foi embora o orixá xangô;

O caboclo também se mudou,

Porque também foi o nosso nagô.

 

Num puxadinho nanico,

Tombaram um velho sagui,

Um macaco e um mico,

Pelos invasores exteriores,

Deixando em escombros,

A nossa bela Serra do Periperi,

Onde um dia passeou o Saci.

 

A serra tem gente por cima;

O capão de mata ainda respira;

O Poço virou coisa de rima;

No Escuro ainda conspira,

O homem do Senhor Criador,

Que escarra sangue na natureza,

Como se fosse um estripador,

Que desfigura a candura de beleza.

 

 

 

 

“O FUTURO DA HISTÓRIA HUMANA COMO CIÊNCIA”, QUE O BRASIL RENEGA

“Em tempos antigos, grande parte do Crescente Fértil (Iraque entre os rios Eufrates e Tigre) e da região mediterrânea oriental, incluindo a Grécia, eram cobertas de florestas. A transformação da região, de um bosque fértil em arbustos carcomidos ou desertos foi esclarecida por paleobotânicos e arqueólogos. Suas florestas foram derrubadas para a agricultura, ou cortadas para a obtenção de madeira para construção, ou queimadas como lenha. Por causa da baixa pluviosidade e, consequentemente, baixa produtividade primária (poucas chuvas), a recuperação da vegetação não conseguia acompanha o ritmo de sua destruição, principalmente pela presença de muitas cabras pastando. Sem as árvores e a cobertura de grama, sobreveio a erosão, e os vales encheram-se de lodo, enquanto a agricultura de irrigação, num ambiente de baixa pluviosidade, favorecia a salinização. Esses processos que começaram na era neolítica, continuaram nos tempos modernos. Por exemplo, as últimas florestas perto da antiga capital de Petra, na moderna Jordânia, foram derrubadas pelos turcos otomanos durante a construção da rodovia de Hejaz, pouco antes da Primeira Guerra Mundial”.

“Grandes áreas do antigo Crescente Fértil são agora desérticas, semidesérticas, estepes, solos muito erodidos ou salinizados, impróprios para a agricultura. A atual riqueza efêmera de alguns países da região, baseadas num único recurso não-renovável – o petróleo –  oculta a pobreza fundamental que vem de longa data”. O Saara africano também já foi fértil, rico em água, agricultável e abundante em animais silvestres. A depredação transformou a região num dos maiores desertos do mundo.

PANTANAL E AMAZÔNIA EM DESERTOS

Estes textos foram extraídos do livro “Armas, Germes e Aço”, do autor cientista e pesquisador Jared Diamond, mas podem servir de exemplo e lição para o Brasil de hoje que está derrubando e queimando suas florestas, principalmente do Pantanal e da Amazônia. No ritmo de destruição, num futuro não muito longo, essas regiões podem se transforma em desertos depois de serem usadas para plantação de grãos e pastagens para criação de gado. Não mais haverá água em abundância e animais silvestres. O problema é que os bárbaros de hoje negam a ciência, o aquecimento global e querem que tudo arda em chamas e cinzas, tudo pelo dinheiro, pelo capital.

Quanto ao Crescente Fértil, Diamond afirma que cometeram um suicídio ecológico, destruindo sua própria base de recursos. Destaca que a Europa setentrional e ocidental foi poupada deste destino, porque tiveram a sorte de viver em um ambiente mais resistente, com mais chuvas, em que a vegetação volta a crescer depressa. Para o pesquisador, a diferença nos ambientes de cada povo dita as regras. “As desigualdades nem sempre podem ser atribuídas à diferença inata dos próprios povos”.

De acordo com ele, se as populações da Austrália aborígine e da Eurásia tivessem sido trocadas durante o fim da era pleistocena, os aborígines australianos originais seriam hoje os ocupantes da maior parte das Américas e da Austrália, assim como da Eurásia.

Como exemplo disso, ele cita o que aconteceu quando os agricultores europeus foram transferidos para a Groelândia, ou para as Grandes Planícies dos Estados Unidos, e quando os produtores da China foram para as ilhas Chatham, as florestas tropicais do Bornéu, ou os solos vulcânicos de Java e Havaí. Os testes confirmaram que os mesmos povos ancestrais terminaram extintos, ou voltaram a viver como caçadores-coletores.

AS DIFERENÇAS CONTINENTAIS

A mesma coisa ocorreu com os caçadores-coletores aborígines da Austrália quando foram transferidos para as ilhas Flinders, ou para a Tasmânia. Acabaram extintos. “Os continentes diferem em inúmeras características ambientais que afetam as trajetórias das sociedades humanas. O primeiro conjunto consiste nas diferenças continentais entre as espécies selvagens de plantas e animais disponíveis como material inicial para a domesticação”.

Segundo ele, a produção de alimentos era decisiva para acumular excedentes que poderiam alimentar os especialistas não-produtores, e para a formação de grandes populações que disfrutam de uma vantagem militar, antes de qualquer vantagem tecnológica e política. Sobre as extinções de espécies selvagens candidatas à domesticação, Diamond concluiu que elas foram muito mais graves na Austrália e nas Américas do que na Eurásia e na África.

Outro fator de diferenças que afetam as trajetórias humanas, conforme seus estudos, está naqueles que influem no ritmo de difusão e migração que variava muito entre os continentes.  Foi muito mais rápido na Eurásia. Outro fator que influi é a facilidade de difusão intercontinental, que era variável. Alguns continentes são mais isolados do quer outros. Nos últimos seus mil anos ela foi mais fácil da Eurásia para a África subsaariana. O quarto e último fator é formado pelas diferenças continentais em área, ou tamanho da população total. Uma área maior, ou uma população maior, significam mais inventores potenciais e mais sociedades competindo entre si.

Para Diamond, foi isso que ocorreu com os pigmeus africanos e com muitas outras populações de caçadores-coletores expulsas por agricultores. Em contrapartida, o mesmo aconteceu com os conservadores produtores escandinavos na Groelândia, substituídos por caçadores esquimós, cujos métodos de subsistência e tecnologia eram muito superiores aos dos escandinavos nas condições existentes na Groelândia.

CONDIÇÕES AMBIENTAIS

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O CAOS NO TRANSPORTE PÚBLICO E A INSANIDADE MENTAL DE UM GOVERNO

QUE JUSTIÇA ELEITORAL É ESSA? SOMENTE NA RETA FINAL DA CORRIDA ELITORAL, A JUSTIÇA DA BAHIA TOMA A MEDIDA DE PROIBIR CAMPANHAS PRESENCIAIS! QUEM FEZ, FEZ, QUEM NÃO FEZ… QUEM CUIDA DESSE NOSSO BRASIL?

Um chefe de Estado não poderia ser deposto do governo por psicopatia e insanidade mental? Este é um assunto para ser analisado por um corpo de psiquiatras, mas vou focar na questão local de Vitória da Conquista sobre a questão também grave do transporte público, que é um problema que vem se arrastando há anos, desde governos passados.

Quando cheguei aqui, em 1991, para chefiar a Sucursal A Tarde, há quase 30 anos, Conquista já padecia dessa deficiência, e olha que a cidade não era tão grande como agora. De lá para cá, houve um avanço em seu crescimento, principalmente a partir dos anos 2000 quando muita gente de fora veio morar em Conquista por conta da implantação de várias faculdades e mais uma universidade.

SERVIÇOS DEFICITÁRIOS E O CLANDESTINO

Em pouco tempo, Conquista passou a ser a terceira maior cidade da Bahia com cerca de 350 mil habitantes. A construção civil e o comércio se expandiram, mas os serviços de transporte público não acompanharam o mesmo ritmo. Sempre venho dizendo em meus comentários que Conquista necessita, com urgência, de grandes projetos de infraestrutura, e um deles é na área de mobilidade urbana.

Nos últimos anos, a situação só veio a piorar, se transformando num verdadeiro caos e tormento para a população. Duas empresas faliram trazendo muita dor e sofrimento para os desempregados e usuários que precisam se deslocar no dia a dia. O gestor municipal fez uns remendos, tipo tapa buracos, como num barco velho que só entra água e dá sinais de afundamento.

Uma das causas que levou a se chegar a esse ponto crítico foi o surgimento do transporte clandestino de vans, kombis e até de pequenos veículos particulares. Tanto o prefeito como a Câmara de Vereadores não tiveram pulso forte para retirar das ruas os irregulares, tudo por uma questão política eleitoral.

Diante da pressão dos motoristas de vans, ninguém quis se levantar para conter a clandestinidade, com medo de perder voto. Com essa tremenda concorrência desleal, as empresas de ônibus não tiveram estrutura financeira e terminaram fechando as portas. Certo dia, fiquei por algum tempo num ponto de ônibus na Regis Pacheco, e fiquei surpreso com a quantidade de carros clandestinos, inclusive de particulares que paravam oferecendo o deslocamento para diversos bairros.

Não é a tal reforma do apertado Terminal da Laura de Freitas (ali mais parece um curral de fumaça de poluição sonora e visual) que vai resolver o grande problema do transporte público. Em pouco tempo aquilo ali vai ficar insuportável de fuligem. Tudo é bonito na maquete, mas não existe mais espaço para atender a demanda de uma cidade do porte de Conquista.

O BÁRBARO DA MORTE

Da questão regional para o nacional, o bárbaro da morte voltou a atacar dando a entender que o povo brasileiro não precisa se vacinar contra o coronavírus. Com seu maior cinismo, nos chama de maricas. Seu raciocínio é insano quando diz que todos um dia vai morrer, fazendo pouco dos cerca de 160 mil que já perderam suas vidas para a Covid-19. Em minha vida, nunca vi tanta estupidez!

Suas palavras são “bárbaras”, e o mais angustiante de tudo isso é que existem milhões de seguidores que o apoiam. Nunca soube em minha vida que vacina tem ideologia política, muito menos a ciência! Em sua briga com o governador de São Paulo, o cara não está nem aí para o sofrimento dos brasileiros, e ainda diz que, mais uma vez, ele saiu ganhando. O quê, imbecil?

Como se não bastasse, com a derrota de Trump (outro maluco que não quer deixar a Casa Branca), ele ameaçou guerrear com os Estados Unidos! Não é caso de insanidade mental?  Logo mais o Brasil vai se tornar numa segunda Coreia do Norte, ou até mesmo uma Caracas da América do Sul. Só rindo, pra não chorar!

 





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