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“CIGANOS DO PASSADO/ESPÍRITOS DO PRESENTE”

Numa linguagem poética e sensível, sem entrar em detalhes sobre a história e as origens do seu povo, mas narrando hábitos e costumes, a cigana Ana da Cigana Natasha, em sua obra “Ciganos do Passado/Espíritos do Presente” entra no mundo dos espíritos de várias famílias que viveram entre os séculos XVI a XIX, contando como se vestiam, seus adereços e magias, bem como, as especialidades deles no retorno ao mundo de sua gente.

De origem russa, desde que veio morar no Brasil, Ana cuida dos espíritos ciganos como lhe foi ensinado pelos seus antepassados. Ela joga as cartas desenhadas com os antigos símbolos da família e os seixos rolados da Rússia, além de ministrar diversos cursos sobre temas ciganos. O livro é composto de histórias que ela escutou dos mais velhos, principalmente do seu kaku (ancião, sábio e mestre).

TRADIÇÕES E RELIGIOSIDADES

Mesmo mantendo suas tradições culturais, os ciganos têm suas religiosidades e são muitos ligados à natureza, com rituais de folhas parecidos com a umbanda. Sua maior protetora é Santa Sara, que não chegou a ser canonizada pela Igreja Católica. Ela era a 10ª filha de um casal de religião igual a dos israelitas. Ana conta que aos 14 anos teve uma visão e descobriu que teria que ajudar o seu povo que estava sendo perseguido.

Ainda pequena, sua família decidiu correr o mundo e foi nessas viagens que Sara conheceu os ciganos e “a vidência veio mais forte”. Decidiu, então, abandonar a família e acompanhar os ciganos, e sempre os ajudava a fugir das perseguições. No sul da França, em Camargue, tornou-se rainha da terra e passou a ser uma sacerdotisa.

No lugar em que ela viveu até a sua morte e sepultada, foi erguida a Igreja de Santa Sara em Santes Maries de La Mer. Todos os anos. No começo de maio, outros autores e pesquisadores falam nos dias 24 e 25 de março, acontece as comemorações e peregrinações em louvor à santa, com procissão e festa na paróquia. Aqui no Brasil, os ciganos são devotos de Nossa Senhora Aparecida.

RITUAL DO CASAMENTO

Sobre as tradições de seu povo, Ana fala dos rituais de casamento e da morte. Diz ela que entre os antigos, o pai escolhe o marido para a filha e a esposa cuida de arranjar uma noiva para o filho. No entanto, existem estudiosos que asseguram que em tribos mais modernas, os casais têm sua opção de aceitar ou não a decisão dos pais.

De acordo com Natasha, no dia do casamento, o acampamento é todo arrumado para a grande festa. As carroças formam um grande círculo e no meio uma fogueira sagrada é acesa. Num canto é armado uma tenda e, dentro dela, posta uma mesa coberta com uma toalha de linho branco bordado pelas mãos da mãe da noiva.

Na mesa são colocadas várias comidas, doces e o tradicional leitão assado com frutas por cima. Enquanto isso, dentro da carroça a noiva ainda se apronta. Os violinos começam a tocar as melodias ciganas. A cortina da carroça se abre e dentro dela sai a noiva, vestida com uma roupa rebordada com pedras coloridas. Na cabeça traz uma tiara de flores do campo; nas orelhas, argolas de ouro; no pescoço, muitos colares de pedras coloridas; nos pulsos, pulseiras de ouro; e, nos dedos, anéis de ouro com pedras preciosas.

Quando a lua cheia aparece no céu, os noivos são levados até a fogueira. A noiva pelas ciganas mais velhas, e o noivo pelos mais idosos. O mais velho de todos é convidado para proceder a cerimônia. Ele junta as mãos dos noivos e recita uma oração. A seguir, separa as mãos dos dois. Pega um punhal de ouro e começa a falar umas palavras mágicas.

Em seguida, faz-se um corte de dois centímetros no pulso do noivo e outro no da noiva e une os sangues. Volta, então, a fazer a oração da junção do sangue, amarrando no pulso de cada um deles um lenço vermelho, dizendo palavras de benção. Depois, o velho cigano pega um pão, que foi feito no dia anterior ao casamento pela mãe da noiva e o corta em duas partes iguais. Coloca cada pedaço do pão na mão de cada um. Junta as mãos e volta a dizer uma oração.

Depois disso, retira o pão das mãos e as amarras com um cipó do mato e diz: Está aqui a união do trigo que representa a mulher e o homem. Que a noiva tenha respeito ao seu marido, pois ele é seu dono até a morte. Daqui para frente és uma senhora e terás de dar obediência total ao seu marido e à família dele. Em continuidade à cerimônia, é trazida uma bandeja dourada, com uma taça grande de cristal, que o pai do noivo é obrigado a dar de presente ao casal para esse ritual do desapego.

A partir daí, a mulher é automaticamente propriedade da família do marido e irá morar junto com o grupo dele. O casal de noivos bebe o vinho da taça e o homem a quebra, jogando para trás deles. A festa do casamento continua com todos dançando, comendo e bebendo.

Em certo momento, a shuvani (mulher mais velho do grupo) ordena que os noivos vão para a sua carroça. Lá dentro, começa o primeiro ato sexual, após o qual será feita a prova da virgindade da noiva. Passadas algumas horas, a shuvani vai buscar o lençol onde os dois consumaram o ato. Forma-se um círculo em torno da fogueira, e a shuvani mostra a todos o lençol com o sangue da virgindade da noiva. A partir do dia do casamento, ela passa a usar um lenço sobre os cabelos, marca das mulheres casadas.

RITUAL DA MORTE E DOS ESPÍRITOS

Quanto a morte, quando a pessoa se encontra em estado grave, as tendas são armadas em círculo, em cujo centro faz-se uma fogueira. A música parece pedir a Deus uma cura. Numa tenda, um grupo de mulheres faz suas previsões. Depois da pessoa morta, começam a preparar as comidas preferidas do espírito que se foi. Tudo é feito com festa e alegria, com violinos a tocar.

As mulheres ou os homens lavam o corpo do falecido com água de uma fonte, misturada com flores, ouro, prata, moedas antigas e atuais. Assim é feito o ritual da purificação. Todos falam de coisas bonitas para que o espírito retorne à terra em forma de luz.

O corpo é sempre sepultado debaixo de uma árvore frondosa. Sobre a terra é derramado vinho tinto para que o espírito siga sua viagem satisfeito. Pesquisadores ressaltam que muitas tribos costumam queimar os pertences do morto. Natasha conta que o ritual do banquete ao homenageado é repetido até que se completem sete anos da sua desencarnação.

O livro de Ana também traz receitas culinárias que ela transcreve de seus antepassados, na maioria doces, bolos e outras comidas com nomes ciganos, como Papo-de-Anjo Cigano, Mãe-Benta Cigana, Bolo do Sol, Bolachinhas Ciganas, Salada Cigana, Mojito Cigano, dentre outros. No mais, ela narra sobre espíritos de diversas famílias ciganas que viveram no passado.

“HISTÓRIA DO POVO CIGANO” (Final)

FUGA EM MASSA, NOS PAÍSES DO SOCIALISMO SOVIÉTICO, A LÍNGUA E SEUS DIALETOS, PEREGRINOS EVANGÉLICOS E CONGRESSOS E COMISSÕES CIGANAS NA EUROPA EM BUSCA POR INDENIZAÇÕES COMO VÍTIMAS DO NAZISMO E DAS PERSEGUIÇÕES DOS GADJÉS.

Depois da guerra ocorreu uma fuga em massa dos ciganos de uma país para o outro. A maioria não foi aceita na Alemanha. Milhares abandonaram seus colonatos para serem operários fabris e da construção civil. O cenário era só de miséria entre nômades e sedentários, morando em tendas e pequenos casebres, embora o preconceito foi mais minimizado, principalmente nos países do Leste Europeu, que foram absorvidos pelo socialismo soviético.

Com a economia centralizada pelo Estado, conforme relata o pesquisador Angus Fraser em seu livro “História do Povo Cigano”, os ciganos tiveram dificuldades de se adaptar ao regime assalariado dos governos. Como o seu tino sempre foi o empreendedorismo, com trabalho autônomo e até liberal em seus negócios, eles foram reprimidos e forçados ao sedentarismo. Mesmo assim, sempre procuravam dar um jeito de se deslocar, para contrariedade dos ditadores comunistas. Muitos parlamentos tentaram regularizar a situação deles, como aconteceu na Holanda.

NO REGIME COMUNISTA

A maior parte ficou no regime comunista, e isso gerou um certo melhoramento. Era dever do Estado ajudar os grupos subdesenvolvidos. O marxismo previa a existência de diferentes nacionalidades e de minorias dentro do Estado. Só na Rússia existia mais de 134 mil, em 1959, e mais de 200 mil, em 1979, mas uma lei declarou o nomadismo como ilegal, em 1956.

A Polônia tentou integrar os ciganos nômades, com abertura de escolas e oficinas cooperativas. No entanto, eles sempre persistiam em suas migrações. Os governos misturavam condescendência com despotismo, benevolências com medidas radicais, como ocorreu na Checoslováquia.

A LÍNGUA E SEUS DIALETOS

A língua dos Sinti tem forte influência do alemão. Já os Roma são mais do Leste Europeu. Outras categorias são os Calés e os quinquis da Espanha e de Portugal, e os manouches, xoraxané, rom (kalderash) da França. Na Itália viviam os Sinti, Abruzzi e Calábria. Muitos deles vieram da Grécia. No Balcãs, existia uma grande complexidade étnica. Na Iugoslávia perambulavam 20 tribos principais entre cristãos e mulçumanos. Na Suécia, eles ficaram conhecidos como tatare e zigenare.

Nos anos 80, de acordo com estimativas do autor da obra, a população cigana era medida entre 2 a 5 milhões em toda a Europa. Suas línguas são carregadas de dialetos entre os vários grupos. Segundo Fraser em “História do Povo Cigano”, “muitas vezes se tem previsto a morte da sociedade cigana. O fato de a língua, os costumes, as tradições e todo um estilo de vida estarem em constante mutação e adotarem elementos de outra sociedade, é tido como indicador de declínio”.

Ainda conforme o acadêmico, “os valores familiares são o cimento importante de muito da vida cigana, o que se torna evidente na abordagem a um meio de ganhar a vida. Em geral, os filhos começam a contribuir assim que têm idade. Muitas vezes, com pouca instrução no sentido convencional, as crianças saem com adultos, vendendo e ajudando no trabalho dos pais”.

PEREGRINOS EVANGÉLICOS E ASSOCIAÇÕES

A maioria vive atualmente o sedentarismo. Trocaram o cavalo pelos carros para puxar suas carroças, mas o animal continua muito importante em suas vidas. Muitos passaram novamente a ser peregrinos e evangelistas, se adaptando à religião do país onde vivem. Existem ciganos católicos, protestantes e ortodoxos. No batismo e no matrimônio seguem seus costumes. Santa Sara é adotada como padroeira, e a peregrinação mais conhecida é a Les Santes Maries de la Mer, nos dias 24 e 25 de março. Outros autores falam do início de maio.

A Igreja Evangelista Cigana constitui o primeiro exemplo autêntico de uma organização de massa pan-cigana na Europa Ocidental que transcende as subdivisões tribais. Nos anos 30, a nível político, houve alguma agitação para promover um grupo de pressão internacional na Polônia e na Romênia.

Depois da Segunda Guerra, os graves problemas que os ciganos defrontaram nas sociedades industriais foram, de início, ponderados em grande parte por organizações gadjés, preocupadas com a situação das comunidades. No entanto, os ciganos começaram também a formar suas próprias associações e grupos de pressão religiosas, políticas e culturais, tanto em termos locais, como nacionais.

CONGRESSOS E COMISSÕES CIGANAS NA BUSCA POR INDENIZAÇÕES

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BONITO, MAS ORDINÁRIO

Bonito à primeira vista com sua armação nova, mas em pouco tempo vai se tornar num ordinário e fumacento, esta “reforma” do Terminal da Lauro de Freitas, um lugar já apertado para a população de Vitória da Conquista, com cerca de 350 mil habitantes. Sempre defendi  que neste local, que já foi chamado de “cabeça de porco”, fosse transformado numa praça arborizada e limpa, com quiosques e pontos de encontros e relaxamentos. Uma Estação de Transbordo deveria ser construído num local bem mais espaçoso, ali pelas imediações do Gancho (uma sugestão), e as pessoas pegariam outro ônibus para o centro, passando rapidamente pelo Terminal e retornando para a nova Estação. A cidade não suporta mais ônibus circulando pelo centro, como Cerqueira Campos e outros lugares. Essa nova obra de reforma do Terminal é um mimo para satisfazer os caprichos dos lojistas, que sempre acham que vendem mais naquela poluição sonora e visual, sem falar nas sujeiras das fuligens saída das descargas dos veículos. Ali, em minha opinião, como cidadão conquistense, deveria se transformar num calçadão, com barracas padronizadas e até com alguns barzinhos culturais para se curtir à noite, como se fosse um espaço artístico cultural com shows musicais, com bebidas e petiscos. Em pouco tempo, esse Terminal vai voltar a ser um “fumacê cabeça de porco”, feio e sujo como sempre foi. Vai ser um espaço apertado, desconfortável e ordinário. Mais uma vez, o dinheiro do povo está sendo jogado fora. Trata-se de uma obra eleitoreira, sem planejamento e visão futura. Fotos de Jeremias Macário

NO PAÍS DOS CIGANOS

Um poeminha de Jeremias Macário em homenagem a Manuel Bandeira e, em especial, aos ciganos

Num sábado à noite, lá pela madruga, estava eu ouvindo uma boa música e degustando meu vinho. Alguém bateu em minha porta e fui atender. Para minha feliz surpresa, era o velho poeta Manuel Bandeira. Disse que estava numa farra com amigos e resolveu passar para um abraço e me fazer um convite.

Tomou uma taça de vinho e foi logo me chamando para ir com ele para Passárgada.

– Agradeço o seu convite, meu camarada Bandeira, mas não vou para Passárgada. Estou de malas prontas para o país dos ciganos:

Vou me embora para meu país dos cantantes,

Lá serei poeta dos ciganos todos os anos,

Com minha estrela de cinco pontas no peito,

Na cintura meu punhal cravejado de rubis,

Entre as mais belas mulheres dançantes,

Anéis de ouro e saias coloridas esvoaçantes.

Como meu espírito de guerreiro sempre quis.

 

Vou ser líder kaku homem grande boró,

Ser Rom, Sinti e falar o meu Romani,

Com meus irmãos em carroças viajantes,

Entre tsigane, kalderask, ursari e rudari,

Be m longe desse mundo do gadjé marimé,

Não mais um vatrasi propriedade de um dono,

E em minha rede sonhar no meu sono cigano.

 

Não vou ser lacaio desse governo velhaco,

Prefiro ser um cigano da Hungria valaco,

Viver nas tribos da protetora Santa Sara,

Em meu clã cigano como lovara ou gitano,

Não mais nessa terra ser um servo vassalo,

Viajar por aí galopando em meu cavalo,

Pois morada e casa de cigano é uma estrada.

 

Vou ser tocador, latoeiro ou caldeireiro,

Até um nobre conde ou duque de dinheiro,

Nômade livre e não mais preso sedentário,

Bem longe desse enfado miserável salário,

Serei rei e farei contos que nunca contei.

.

 

Vou ter saudades de você, amigo Bandeira,

Quando for banhar na encantada cachoeira,

Passear pelas terras do Nilo, Tigre e Eufrates,

Como cigano manouche e Ziguener dos embates,

Não mais como da Romênia um escravizado,

Sem mais essa opressão do trabalho forçado,

Nem viver nos campos nazi de concentração,

Mas como legal calonkalé da Espanha/Portugal,

 

No meu país cigano vou ter meus lares,

Sem ser acorrentado nas galés desses mares,

Lá serei chamado de egípcio ou como quer,

Como metaleiro ferreiro e festeiro de feira,

A peregrinar em Santes Maries de la Mer,

Fazer melodias nos rituais das magias,

No meu país cigano, meu mano Bandeira.

 

Vou me casar com minha bela turmalina,

Morena menina de olhos e cabelos pretos,

No círculo da fogueira sagrada a dançar,

Com minha doce de pedras verdes/vermelhas,

Brincos de ouro com ametistas nas orelhas,

Ao som dos ventos e o luar dos violinos,

Entre as ciganas a bailar com os meninos.

 

Minha morte será com festas e banquetes,

No caixão, enfeites de flores e moedas antigas,

Sepultado debaixo de uma frondosa árvore,

E voltar de novo com as minhas cantigas,

Pra lutar contra as perseguições do meu povo

 

Como menino no país dos peregrinos,

Dos tártaros, sarracenos e dos hindus,

Vou por aí a cantarolar sem rumo e destino,

Não mais como vadio viver em correrias,

Só ver minhas crianças brincar sua infância,

Sem o passado de ódio, morte e intolerância.

 

Vá meu mano para o seu país do cigano.

Vou para Passárgada onde também serei rei.

 

 

UMA FALTA DE RESPEITO

Não sei e não conheço membros da Comissão Julgadora do Edital Aldir Blanc (uma verba federal), sob a coordenação da Secretaria de Cultura da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista. Sou avesso a concursos e editais por virem acompanhados de uma burocracia de doer. Coisa de filme de terror e torturante! Por esse motivo, tenho traumas com editais e, raramente, participo. Nunca escrevi pensando em concursos.

No entanto, por insistência de amigos, resolvi fazer minha inscrição na Formação “Cajaíba”, apresentando algumas das minhas obras poéticas que foram musicadas por artistas locais e até do Nordeste, como “Na Espera da Graça”, “Nas Ciladas da Lua Cheia”, “Lembro Ainda Menino”, “A dor da Finitude”, dentre outras (estão postadas no blog www.aestrada.com.br).

Para minha surpresa, fui desclassificado, sem receber nenhuma pontuação, o que considero inédito em qualquer obra, sem desmerecer os outros companheiros participantes. Não recebi nenhum ponto sequer e nenhuma colocação, o que me faz crer que essa comissão achou o meu trabalho um lixo imprestável, um calhau e um bagulho, sem a mínima importância artística. Estou até pensando em colocar meus livros numa fogueira, mas isso seria um crime.

A única coisa que eu queria era uma satisfação por parte da comissão da Secretaria de Cultura, explicando os motivos de ter sido desclassificado dessa maneira tão inédita e desrespeitosa, sem receber nenhuma pontuação. Não aceito esse tido de coisa, como muitos outros que se sentiram menosprezados.

Se o edital pede os contatos dos proponentes, deveria, pelo menos, enviar um comunicado dando uma satisfação e dizendo o que estava errado na inscrição. Não consigo entender e não aceito, sob nenhuma hipótese, que minha obra tenha sido desclassificada dessa forma. Não quero imaginar que tenha ocorrido motivação política ou ideológica no julgamento. Isso seria um absurdo, sujeito a penalidades e repúdio.

 

O QUE É MESMO A LIBERDADE?

A vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2015, a escritora russa Svetlana Aleksiévitch, em seu livro “O Fim do Homem Soviético”, ao lembrar dos duros tempos de mais de 70 anos do regime comunista, questiona o entendimento que se fazia sobre liberdade após a Perestroika (abertura política), instituída por Mikhail Gorbatchóv, entre 1985 a 1991.

Para emitir sua opinião sobre o assunto, ela antes cita a abertura dos arquivos desde os tempos de Stalin a partir da década de 20. “Devemos arrastar conosco 90 milhões dos cem que povoam a Rússia Soviética. Com os demais é impossível falar: É preciso destruí-los. (Zinóviev, 1918).

“Moscou está literalmente morrendo de fome” – professor Kuznetsov a Tróstski. “Isso não é fome. Quando Tito tomou Jerusalém, as mães judias comeram seus próprios filhos. Quando eu fizer suas mães comerem os próprios filhos, aí você pode vir e dizer: Estamos morrendo de fome” (Tróstski, 1919).

FICAVAM CALADAS

Bem, quanto a Perestroika, a escritora diz que as pessoas liam os jornais e as revistas e ficavam caladas. “Muitos encararam a verdade e a liberdade como inimigas. Não conhecemos nosso país…” isso foi em 1991. “Fui um participante da grande batalha perdida pela renovação real da vida”. Isso foi escrito por um homem que passou dezessete anos nos campos stalinistas.

Quando veio a liberdade, Svetlana assinala que havia mais pessoas que se irritavam com a liberdade. “Cada uma se sentia vítima, mas não cúmplice”. “Onde é que estava a liberdade? Só na cozinha onde continuavam xingando o governo, como de costume”.

“A Rússia mudou, e odiou a si mesmo por ter mudado”. O mongol imóvel, como assim escreveu Marx sobre a Rússia. “Pouco tempo se passou, e nós mesmos nos curvamos sob o seu fardo, porque ninguém nos ensinou o que era a liberdade. Só nos ensinou a morrer pela liberdade”.

Quando chegou o capitalismo, ela destaca que a liberdade acabou sendo a reabilitação da pequena burguesia. “A liberdade de Sua Majestade, o Consumo”. “Ninguém fala mais de ideal; falam de crédito, de porcentagem, de câmbio; não ganham mais dinheiro, agora “faziam”, lucravam”.

“Eu perguntava para todos com quem me encontrava: O que é a liberdade? Para os pais, a liberdade é a ausência do medo. Para os filhos, “é o amor; a liberdade interna é o valor absoluto; quando você não tem medo de seus desejos: é ter muito dinheiro, porque, então, você terá tudo; quando você consegue viver de maneira a não pensar na liberdade. Liberdade é o normal”.

“Você está perguntando de liberdade? ” É só passar no nosso mercado; tem a vodca que você quiser aos montes, queijo e peixe. Tem banana. Quem precisa de mais liberdade? Isso aqui é o bastante”. Na “A Lenda do Grande Inquisidor”, de Dostoiévski, há um debate sobre liberdade. Sobre o fato de que o caminho da liberdade é difícil, penoso e trágico.

O tempo todo o ser humano deve escolher: “a liberdade ou o bem-estar e a ordem na vida: a liberdade com sofrimento ou a felicidade sem liberdade. A maioria das pessoas escolhe o segundo caminho”, responde a escritora. “Os alunos de hoje já descobriram, já sentiram na pele o que é o capitalismo: Desigualdade, pobreza e riqueza descarada”…

Eles sonham com sua própria revolução. Usam camisetas vermelhas com retratos de Lênin e Che Guevara. Há um novo culto a Stalin que aniquilou mais pessoas que Hitler. Por que um novo culto a Stalin? – Indaga a escritora. Ideais antiquadas estão de volta: do Grande Império da mão de ferro, do caminho peculiar da Rússia. O presidente tem o mesmo poder do secretário-geral. Absoluto. Em vez do marxismo-leninismo, a Igreja Ortodoxa. Existe o partido do poder, que copia o partido comunista.

Sobre as barricadas e as manifestações nas ruas contra o poder constituído, ela finaliza a fala sobre liberdade, afirmando que encontrou na rua jovens usando camisetas com a foice e o martelo e o retrato de Lênin. Será que eles sabem o que comunismo”?

No Brasil de hoje encontramos imbecis com as camisetas pedindo “Intervenção Militar”, numa alusão à ditadura. Será que eles hoje sabem o que foi a ditadura, que prendeu, torturou, desapareceu e matou centenas de pessoas que lutaram pela liberdade? O que é mesmo a liberdade?

UMA LOUCURA COLETIVA!

Mesmo com quase 200 mil mortes pela Covid-19 ainda tem muita gente dizendo que tudo não passa de exagero e mentira da mídia (estão escutando mais as redes sociais). Quando a pessoa que tem doença crônica (morbidades) é contaminado e vem a óbito, aí, no raciocínio burro dessa gente, não foi o vírus o causador da morte.

O diabetes, a pressão alta, um problema de coração ou a asma são tratáveis, e a pessoa portadora pode viver por muitos anos, desde que siga os cuidados recomendados pela medicina. Estamos vivendo um momento crítico de loucura coletiva no Brasil, ou, porque não dizer, de suicídio, conduzido por um psicopata

CONTRA A VACINAÇÃO

O fundamentalismo fanático, do tipo islâmico radical, tomou conta do nosso país e, cada vez mais, tem seguidores apoiando as loucuras do capitão-presidente, que vive a viajar com o nosso dinheiro para formaturas de soldados militares, encontros de igrejas evangélicas e até inaugurações de pinturas de equipamentos, pregando a desobediência à ciência e contra a vacinação do povo.

De um lado temos a contaminação mortal do coronavírus, e do outro, a contaminação das mentes doentias, que se alastra como se fosse um suicídio coletivo. As notícias falsas se espalham como pólvora em rastilho. As últimas são sobre a vacina de que ela modifica geneticamente o DNA das pessoas. Uma boa porcentagem da nação segue o maluco que já declarou que não vai se vacinar.

Nessa loucura coletiva e diante de milhares de vidas perdidas, hospitais superlotados, muitas lágrimas derramadas pela perda de entes queridos, temos um presidente que nem está aí para a saúde, tanto que colocou um general na pasta, que se transformou numa total balbúrdia, sem planejamento e sem estrutura.

Muitos países já iniciaram seus programas de vacinação, enquanto o Brasil virou uma Torre de Babel, e nem se sabe se vai haver. De certo mesmo, temos as aglomerações em massa numa nação inconsciente, inconsequente, perdida, atordoada, estressada e, visivelmente, embarcando na onda fanática do negacionismo, do racismo e da homofobia.

Em meio a toda essa turbulência, depois de dois anos, essa gente parece que ainda está vivendo uma campanha eleitoral contra o PT, que ficou no passado e desapareceu no último pleito municipal. Nem temos mais oposição. Todos estão calados.

Sem enxergar com o que está acontecendo no presente, a única coisa que essa gente sabe é xingar os petistas de satanás, enquanto o Brasil falece. Nada de raciocínio sobre a atual situação de caos na saúde, na educação, na economia e na política.

Sem exageros, estamos vivendo em meio a um genocídio por culpa de um governo que nem está aí, que se juntou aos generais, coronéis, evangélicos fanáticos e muita gente que se deixaram levar pela cegueira do irracional. Tudo isso é resultado de anos de ignorância e falta de conhecimento.

Esse isolamento, não o da prevenção contra a Covid-19, mas do resto do mundo, ainda tende a piorar. Engana-se quem acha que já vencemos o pior que foi 2020, e que o próximo que está chegando será bem melhor. O quadro ainda é aterrador e não atravessamos a tempestade.

A história vai nos julgar como um povo omisso. Somos uma Venezuela ao contrário. A única esperança ainda está em algumas instituições e numa tomada de posição da comunidade internacional para que esse genocídio não seja ainda mais cruel e dol

“HISTÓRIA DO POVO CIGANO” (Parte 7)

O HOLOCAUSTO NOS CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO NAZISTA, AS FUGAS EM MASSA DEPOIS DA GUERRA, OS CIGANOS NOS PAÍSES COMUNISTAS, SUAS PEREGRINAÇÕES EVANGÉLICAS, CONGRESSOS EM BUSCA DOS SEUS DIREITOS INDENIZATÓRIOIS E RECONHECIMENTO COMO POVO QUE POR SÉCULOS FOI PERSEGUIDO E VÍTIMA DE PRECONCEITOS E TIRANIAS. UMA NAÇÃO EM CORRERIAS QUE NUNCA TEVE UMA PÁTRIA.

O nazismo, em 1933, herdou um aparelho jurídico pronto para controlar grupos indesejáveis. Um dos carrascos foi Georg Nawrocki, que escreveu, em 1937, num jornal: “Foi ao pactuar com a fraqueza e a indigência internas que a República de Weimar mostrou não ter instinto para resolver a questão cigana”. Para ele, os Sinti eram apenas um problema judicial. “Nós, pelo contrário, vemos a questão cigana como um problema racial que tem que ser resolvido e está a ser resolvido”. Judeus e ciganos eram de fato os dois grupos destinados à aniquilação pela ideologia nacional-socialista.

As leis de Nuremberga, de 1935, instituíam um quadro definidor quanto as qualidades da cidadania plena. Os comentários começaram a tratar os ciganos e judeus como perigosos frendrasse (raça alienígena), cujo sangue era uma ameaça mortal à pureza racial germânica. A punição era o banimento para quem se misturasse pelo casamento ou relações extraconjungais. O nazismo exterminou mais de meio milhão de ciganos nos campos de concentração e nas câmaras de gás.

AS LISTAGENS DE SANGUE E OS EXTERMÍNIOS

Em 1937 surgiu o dr. Robert Ritter, o cara que, com seus métodos, muito contribuiu para o extermínio dos ciganos pelo nazismo. Era um psicólogo e psiquiatra que, anos antes, realizou pesquisas sobre os ciganos. Assumiu a direção do Centro de Pesquisas de Higiene Racial e Biologia das Populações, em Berlim, um departamento do Ministério da Saúde do Reich. A instituição se tornou no maior centro de identificação de ciganos e de investigações sobre ligações entre hereditariedade e criminalidade.

Por meio das genealogias, das impressões digitais e da antropometria, a equipe de Ritter estabeleceu uma listagem de todos os portadores de sangue cigano, determinando seu grau de mistura racial. O seu pessoal foi para os acampamentos, para os campos de concentração e consultou os arquivos de polícia do Registro Central, transferido de Munique para Berlim, bem como aproveitou dados similares de Viena, feitos no ano de 1936.

Um decreto de Heirich Himmler, de 1938, com o título “Combate à Praga Cigana”, declarou a etnia de sangue misto a mais perigosa ao crime e recomendou a necessidade de a polícia enviar informações sobre todos os ciganos para o Registro Central do Reich.

Num relatório de janeiro de 1940, Ritter chegou a dizer que “podemos concluir que mais de 90% dos ciganos nativos são de sangue misto”. Ele caracterizou-os como um povo de origens etnológicas primitivas com atraso mental que impede de se adaptar à sociedade. Segundo ele, a questão só pode ser resolvida quando o grosso dos indivíduos inúteis de sangue misto for acumulado nos campos de trabalho. “Recomendo ainda que a reprodução dessa população seja interrompida”.

APARELHO UNIFICADO E A ESTERILIZAÇÃO

O professor E. Fischer, diretor do Instituto de Antropologia Kaiser, escreveu para um jornal que é uma sorte rara e especial para a ciência teórica florescer numa altura em que na ideologia dominante a acolhe favoravelmente, e as suas descobertas podem servir à política do Estado.

A esta altura, o Reich já possuía um aparelho bem unificado de polícia e organizações SS, em 1936, sob a direção de Himmler e do seu lugar-tenente, Reinhard Heydrich. As autoridades seguiam as instruções adotadas nos primeiros anos do Terceiro Reich sobre eugenia, fundamentada com a prevenção do crime, permitindo a esterilização de vagabundos e a deportação de estrangeiros indesejáveis.

Os criminosos menores eram enviados para os campos de concentração, o primeiro dos quais tinha sido instalado em Dachau, perto de Munique, em março de 1933. A partir de 1937, a pressão sobre os ciganos (associais) foi-se acumulando de forma impiedosa, sem reação pública interna e externa. Nesse mesmo ano, o ministro do Interior emitiu uma ordem sobre o controle preventivo do crime pela polícia. Os campos de concentração seriam o principal remédio.

Na Áustria, incorporada ao Reich, em 1938, Thobias Portschy propôs a esterilização e o trabalho forçado para proteger o sangue nórdico daquela ameaça. Contudo, foi uma ordem de Berlim que desencadeou a prisão de oito mil ciganos de Burgenland (Áustria). Alguns foram para campos de concentração, como Dachau, Buchenwald, Revensbruck (para mulheres) e Mauthausen (Áustria). Um campo especial para ciganos foi aberto em novembro de 1940, em Lackenbach, na Áustria.

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NO PASSO A PASSO DA SUBIDA

O clique das lentes da máquina do jornalista e escritor Jeremias Macário seguiu o passo a passo da cidade de dois cachorros na subida cansativa da praça entre dois senhores numa conversa animada, ou preocupada com a atual situação. Não se sabia se eles eram seus donos, mas tudo aparentava que sim, porque os animais não perdiam o ritmo e nem paravam para descansar. Se não eram seus donos, eles nem percebiam que estavam sendo seguidos, inclusive pela minha indiscreta máquina. São coisas do dia a dia da cidade que passam despercebidas das pessoas que vivem em correrias para resolver seus problemas, pensativas quanto as dificuldades de cada um, principalmente neste momento de pandemia. Sorte deles (os animais) que não precisam de protocolos para andar nas ruas, e nem sabem o que está acontecendo nesse mundo do vírus matador. No entanto, os nossos cachorros também são vítimas do abandono de seus donos que, insensivelmente, largam seus bicho nas ruas, sem proteção e os devidos cuidados. Eles sempre são vistos nos becos e nas esquinas, batalhando uma comida e agua para continuar sobrevivendo. Perambulam por ai, enquanto o poder público promete criar um centro de zoonose, para tratá-los como deveria ser. Algumas entidades têm feito algumas ações para minorar seus sofrimentos, mas são muitos que continuam vagando sem seus donos, e logo o cachorro que tem sido tão fiel ao homem, o qual  deveria, pelo menos, corresponder com suas amizade e fazer o mesmo.

APRENDER A VIVER

Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Por trás de um sorriso,

De uma doce Monaliza,

Tem também o choro,

De uma triste sacerdotisa,

Que sonha com o paraíso,

Mas quer viver seu namoro,

Para aprender como amar;

Fazer sentir seu sofrer,

Para aprender como vencer,

Nos passos curtos do viver,

De tantas perdas e ganhos;

Tentar ver e compreender,

Que o encanto do pôr-do-sol,

É poente de outro amanhecer.

 

O ter sem o manjar do ser,

É um alimento de ilusões;

Faz você esquecer de viver,

Esquecer de cuidar de si,

Do início, do meio e do fim;

De escutar tantas composições;

Faz deixar de aprender a morrer,

E nem o perfume sentir,

Da flor com gosto de jasmim.

 

Nunca se esqueça de curtir;

Sair por aí e sentar no jardim;

Ouvir o canto do bem-te-vi,

E tomar umas num botequim,

Para jogar a conversa fora;

Contar causos de história,

De gente que sabe fazer a hora,

E faz da sua curta trajetória

Uma minação que só jorra:

Conhecer, aprender e viver;

Ser da terra o verdadeiro sal;

Ser o fogo que arde e queima;

Ser a água que vem do ar,

Para conviver com o bem e o mal.

 

 

 

 





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