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ELES INCITAM AS AGLOMERAÇÕES

As empresas e o comércio em geral nos entopem de anúncios publicitários neste final de ano, principalmente fazendo chamadas para as compras de Natal. A mídia também não fica atrás e tome notícias sobre as festas, dando coberturas aos seus clientes. O contraditório nisso tudo é que, do outro lado, com a maior hipocrisia, pedem para que a população não se aglomere nesses tempos cruéis de pandemia.

É isso aí, eles incitam, mordem com suas garras gananciosas e depois dão uma assoprada. O pior é que o povo, como manada, corre para as lojas, compra presentes, se endivida e chama amigos e parentes para a noite de Natal e a passagem de Ano Novo. Como no São João, vai acontecer o mesmo com o Natal, e a onda de correrias nas ruas, supermercados, feiras, lojas e outros estabelecimentos comerciais está aí. Só não vê quem não quer!

O MAU EXEMPLO DO PODER PÚBLICO

No entanto, não é somente a mídia e o comércio que contribuem para as aglomerações, com o consequente aumento do número de contaminados pela Covid-19. O poder público, que deveria dar exemplo, também colabora para que isso aconteça. No nosso caso particular, a Prefeitura de Vitória da Conquista dá mau exemplo.

Como se tudo estivesse normal, está fazendo a iluminação da cidade, principalmente da Praça Tancredo Neves, um chamariz para as aglomerações nas noites natalinas. Em respeito aos mais de 200 mortos locais, vítimas do coronavírus, e aos quase 200 mil no Brasil, o executivo não deveria fazer essa iluminação. Eles não estão nem aí para quem se foi nessa terrível leva do vírus.

É muita hipocrisia e pouco senso humanista. Nessa época do ano, não faltam os apelos de doações, com os chamamentos já conhecidos de “Natal sem Fome”. Não se trata aqui de condenar essas campanhas, só que se dá um prato de comida ao pobre no Natal, que depois é esquecido no resto do outro ano. Certamente, o miserável come no Natal e só vai sentir fome no próximo.

MAIS PREOCUPADA COM A “CARIDADE”

É uma sociedade que está mais preocupada em fazer sua “caridade”, como forma de se redimir de suas indiferenças e maldades contra os seres humanos, do que lutar, questionar e combater as profundas desigualdades sociais que assolam o nosso país. Os dados estatísticos dos organismos internacionais, que colocam o Brasil nas últimas posições do mundo nos índices de desenvolvimento humano, nos envergonham.

É muito confortável você fazer sua doação, sua esmola e depois continuar o resto do ano no seu conformismo, como se nada estivesse acontecendo no cenário político, econômico e social, onde o Estado, cada vez mais protege os mais fortes e deixa desamparados os mais fracos (o rico fica mais rico, e o pobre mais pobre).

Os atos de doações aumentam na ordem aritmética, enquanto a miséria na ordem geométrica. Até quando vamos continuar assim, sem cobrar dos governantes ações concretas, voltadas para reduzir essas desigualdades?  E os altos impostos que pagamos? Boa parte é roubada pelos salteadores da nação? Todos finais de ano fazemos as festas das doações, e todos ficam “contentes”, menos os pobres miseráveis que só têm alegria e rir um dia por  ano.

POR QUE OS GENERAIS ESTÃO NO PODER?

Generais, coronéis e outros oficiais estão nos principais cargos do governo do capitão-presidente, que chegou a ser expulso do exército. Será que alguém aí pode explicar o porquê dessa submissão que chega a manchar a imagem das forças armadas? Com certeza não é abnegação e altruísmo de servir a pátria amada.

Por status, poder e ganância vale tudo, até bater continência para um capitão despreparado, descompensado e truculento que chama os brasileiros de “maricas”; trata jornalista de homossexual; diz frases absurdas; isola o país de outras nações; atenta contra o meio ambiente; e tudo faz para que a população não se vacine contra a Covid-19.

NÃO DÁ PARA DESCOLAR

As forças armadas (exército, marinha e aeronáutica) podem até dizer que não têm nada a ver com isso, pois os generais e coronéis não são da ativa, mas não dá para descolar uma coisa da outra. Será que não bastou o tempo da ditadura civil-militar de mais 20 anos?

Aliás, no período da ditadura tinha menos militares nos postos chaves do governo federal do que agora. No momento atual, todos aceitaram assumir seus cargos, mesmo completamente fora da sua área, como é o caso do ministro da Saúde, que recebe ordens do capitão, apesar de esdrúxulas e contra o que recomenda a ciência. Isso é muito vergonhoso! Diz-se que o general e um grande logístico e estrategista.

O Brasil, por acaso, está em alguma guerra contra algum país? Aliás, estamos, mas no combate a um terrível vírus que já ceifou a vida de quase 200 mil brasileiros, e poderia não ter chegado a esse número se o ministro Mandetta tivesse continuado em sua pasta como médico, com sua equipe de infectologistas e epidemiologistas, recomendando o isolamento e estabelecendo os devidos protocolos.

Isso que estamos vendo dos generais fora de seus lugares é só por vocação de servir a pátria? Por que há anos o Maduro, da Venezuela, continua no poder, mesmo diante de tanto sofrimento de seus compatriotas? Em muitos aspectos, o Brasil é uma repetidora da Venezuela.

Falam de Deus, Pátria e Família, mas fazem tudo ao contrário, quando se aliam a países ditadores; armam para fechar o Congresso e o Supremo Tribunal Federal; dizem que o homossexualismo é decorrência de uma família desajustada; chamam os negros de escória; incentivam o garimpo em terras indígenas; e acabam com órgãos fiscalizadores que atuam voltados para a preservação do meio ambiente.

Não tenho dúvidas que a história vai fazer o seu julgamento pelo o que o Brasil está passando e, mais uma vez, os generais vão ter sua grande parcela de culpa por terem aceitado cargos de um governo que não veio para construir, mas para destruir.

Na verdade, ele está cumprindo tudo de ruim que prometeu durante a campanha eleitoral. Só não fez mais porque teve intervenção do Congresso e do Supremo em algumas medidas malucas e psicopatas, como a mais recente de isentar a alíquota do imposto de importação para armas.

Agora quer que o brasileiro assine um termo de compromisso quando for se vacinar (não se sabe quando e se haverá). Essa prática não existe em país nenhum do mundo. Estamos vivendo os maiores absurdos que nos fazem deixar de ter orgulho de ser brasileiro. A nossa imagem lá fora é a pior possível.

Enquanto os generais se refastelam no poder, o Brasil está calado e engessado. Não existem manifestações e protestos de estudantes, operários, professores, artistas, intelectuais e outras categorias e classes. A oposição, que deixou de existir, ficou muda, surda e cega. É um silêncio ensurdecedor e uma cegueira total. Só se ouve os “blábláblás” de sempre, e os urros do capitão-presidente, gritando com os generais.

“HISTÓRIA DO POVO CIGANO” (Parte 6)

AS TEORIAS INTELECTUAIS DAS DOUTRINAS BIOLÓGICAS, “COMBATER O MAL CIGANO”, AS ESTERILIZAÇÕES, O HOLOCAUSTO CONTRA OS CIGANOS QUE DIZIMOU MAIS DE MEIO MILHÃO, AS SEDENTARIZAÇÕES NOS PAÍSES COMUNISTAS E OS PEDIDOS DE INDENIZAÇÕES.

Com a subida de Hitler ao poder, na Alemanha, em 1933, o nazismo já encontrou um terreno propício pelos cientistas e intelectuais para impor sua política de esterilização e extermínio dos ciganos e outros viajantes considerados inúteis e inválidos pelo regime de pureza das raças. O primeiro campo de concentração foi instalado para excluir os ciganos da sociedade e, durante a Grande Guerra, a etnia foi vítima do mesmo holocausto dos judeus. Em trabalhos forçados, em campos de concentração e câmaras de gás foram mortos mais de meio milhão de ciganos.

De acordo com relato do acadêmico e pesquisador britânico, Angus Fraser, as migrações na Europa Ocidental, principalmente, apertaram as atitudes dos governos contra os ciganos. Com a chegada do século XX, as coisas pioraram com o nazismo. “As portas dos campos da morte assumiram o papel do averno dos antigos para o inferno”. Foram invocadas as teorias intelectuais das doutrinas biológicas sobre a pureza das raças, das estirpes e da eugenia do final do século XIX, colocando em prática as políticas de repressão.

A CRIMINALIZAÇÃO DAS “RAÇAS INFERIORES”

O ensaio do conde francês Gobineau (1853/5) teve enorme influência sobre o pensamento filosófico e político, especialmente na Alemanha. Para ele, a raça era o fator decisivo do desenvolvimento histórico (existem raças superiores e inferiores e o topo é conferido à ariana). Gobineau achava a miscigenação desastrosa. As suas ideias foram ainda mais distorcidas pelo inglês Houston Stewart Chamberlain, cuja obra “Fundamentos do Século XIX” (1899) exaltava o papel históricos dos teutões.

A partir de suas teorias, as doutrinas biológicas vieram revolucionar a criminologia com “O Homem Delinquente”, de 1876, de Cesare Lombroso (Origem Atávica do Crime). Lombroso nada tem de bom sobre os ciganos e ainda serve de base para os agentes do crime apertarem o cerco. Os ciganos foram classificados como frívolos, desavergonhados, imprevidentes, ineptos, barulhentos, violentos e licenciosos, gostavam de carne podre e eram suspeitos de canibalismo.

Com o Darwinismo Social, concluiu-se que o fator biológico é o determinante em todas as esferas da vida. Na concepção dessas doutrinas, o Estado moderno tinha que voltar sua atenção para a promoção dos biologicamente válidos e nada de proteger os fracos. A partir dessas ideias e outras do tipo, começou-se a “combater o mal cigano”.  As repressões tiveram início na Holanda, na fronteira com a Alemanha, mesmo para os ciganos que eram ricos. No rastro, os vizinhos tomaram medidas restritivas.

Os germânicos sempre desconfiaram dos ciganos. Mesmo depois da formação do Novo Império e da anexação da Alsácia e da Lorena, em 1871, os Lander que constituíam o Reich não abandonaram seus controles de fronteiras internas. Cada um continuava a ser responsável pelo seu próprio policiamento e pela administração das medidas contra os ciganos.

A política de Bismarck tinha duas vertentes. Uma delas era excluir ou livra-se dos ciganos estrangeiros e levar os nacionais, que ainda fossem itinerantes, a adotar uma vida sedentária. Todavia, os documentos oficiais não procuravam confinar-se aos ciganos num sentido puramente racial, para evitar problemas de definição como “ciganos e pessoas que viagem à maneira dos ciganos”.

“COMBATER O MAL CIGANO”

A Alemanha não teve dificuldades em garantir a cooperação dos Estados vizinhos para manter os ciganos à distância. A diretriz sobre o” combate ao mal cigano”, emitida pelo ministro do Interior da Prússia, em 1906, enumerava nove acordos bilaterais com a Áustria- Hungria, Bélgica, Dinamarca, França, Itália, Luxemburgo, Holanda, Rússia e Suíça.

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DEU A LOUCA NO BRASIL DA PSICOPATIA

A princípio, o psicopata é até uma pessoa gentil e aparenta ser normal. No entanto, ele não tem empatia com o semelhante e nem está aí para o sofrimento do próximo. Não acredita na ciência, mas se mostra fervoroso, só que ele é agressivo, truculento e considera anormal quem não comunga com suas ideias retrógradas, homofóbicas, xenófobas e racistas. Diz-se patriota nacionalista, mas isola a nação com atitudes reacionárias. Não está nem aí para o meio ambiente, e coloca o Estado a serviço dos mais fortes em detrimento dos mais fracos.  O psicopata tem muitos seguidores fanáticos.

Não sou nenhum psicólogo, mas me arisco a dar meu palpite a estes tipos de comportamentos, com os quais estamos hoje convivendo no Brasil, especialmente nesta época de pandemia da Covid-19 onde temos um governo negacionista que está mais preocupado em salvar a economia do que vidas humanas. Foi assim desde o início da chegada do vírus, e vai fechar o ano com quase 200 mil mortes. Mesmo assim, o capitão-presidente diz que estamos no finalzinho da pandemia. É muito desdém e deboche!

O BATE-BOCA DA VACINAÇÃO

Como se não bastasse tudo isso, deu a louca no Brasil com a esperança da chegada da vacinação para combater o vírus. Primeiro o presidente declara em público que a vacina não é obrigatória, insinuando dúvidas nas pessoas, quando ele deveria afirmar o contrário, e estimular a imunização em massa para que todos fiquem protegidos. Fala em liberdade e democracia e prega o desrespeito para com o outro.

Outra loucura e sinal de psicopatia é a falta de estratégia do governo federal no comando central da vacinação via Ministério da Saúde, como sempre ocorreu nos programas nacionais dessa natureza. O general, que recebe ordens do capitão-presidente, preferiu politizar a vacinação no país considerado como um dos mais contaminados do mundo em termos de casos e mortes. O índice por contaminação é altíssimo!

Sem comando central, os estados e as prefeituras, com atitudes isoladas, montam seus planos, inclusive na aquisição dos fabricantes do produto, de acordo com suas preferências. O povo fica entre a ansiedade e as incertezas, enquanto o governo federal bate-boca com os governadores, como numa briga entre bêbados de botequim.

Infelizmente, estamos sem direção, e não se sabe quando, e nem como será o processo de vacinação. Pelo andar da carruagem, vai ser uma verdadeira “guerra”, com filas quilométricas e muito sofrimento. Ficamos esse tempo todo ouvindo esse blábláblá na televisão, com informações desencontradas, que nos deixa mais depressivos. De um lado o vírus. Do outro, a inflação dos alimentos a nos acossar, e os ricos ficando mais ricos e os pobres mais pobres, encurralados como bois sendo levados para os matadouros.

Isso é muito triste e vergonhoso. Enquanto assistimos outras nações avançarem em seus programas, inclusive a Inglaterra, com seriedade e aprovações urgentes das agências de vigilância sanitária, no Brasil só se ouve o bate-boca, agora com o general do Ministério da Saúde dizendo que vai confiscar as vacinas dos estados. Não se sabe o que é pior, se esse governo louco, ou se o vírus que ceifa vidas. Aliás, se tivéssemos uma gestão competente, o Brasil não estaria nesse nível de genocídio.

Sempre tenho dito que esse governo já deveria ter sido afastado por insanidade mental por nos chamar de “maricas” e nos deixar desamparados, sem rumo nas portas dos hospitais superlotados, com choros e ranger de dentes. Eles ficam a bater boca, enquanto a população cada vez mais se aglomera nas ruas, nas praias, shoppings, parques e baladas.

TODOS MENTEM

Por outro lado, os governadores e prefeitos, em geral, inclusive de Vitória da Conquista, preferem ampliar o número de leitos do que restringir a flexibilização do comércio, especialmente agora no período de festas de final de ano. Os lojistas e empresários em geral, que só pensam no lucro, fazem de conta que seguem os protocolos, simplesmente colocando um frasco de álcool gel nas portas dos estabelecimentos. No fim, todos mentem.

Estive esta semana na rua e observei muitas lojas pequenas com o número de pessoas circulando no interior além do limite estabelecido. Como praticamente não existe fiscalização (o poder público também mente), os comerciantes não controlam a entrada dos clientes como deveria. Na verdade, para eles, quanto mais gente visitando sua loja, melhor, porque pode entrar mais grana.

Há três ou dois meses, antes das eleições, vinha dizendo que entre final de novembro e início de dezembro nós teríamos um novo pico da Covid-19, (não precisa ser infectologista) com mais mortes, numa repetição, talvez ainda maior, do que aconteceu no meado do ano. Para os políticos, a eleição não seria fator de contaminação porque só estavam pensando no poder. Está aí agora o resultado! Muitos deles estão com o vírus, e devem ter passado para outros.

 

A MOTO E O TRÂNSITO

A motocicleta (originária da bicicleta) veio primeiro que o veículo motorizado. No início eram as charretes e carruagens charmosas que conduziam os senhores do dinheiro, puxadas por cavalos. As carruagens lembram os tempos do oeste norte-americano do faroeste. Depois chegaram os carros antigos para revolucionar o transporte e, como todo progresso vem junto também seus efeitos negativos para os humanos, esse meio de locomoção exigiu a construção de vias, ruas e rodovias transitadas que começaram a provocar acidentes com vítimas fatais. Começaram os engarrafamentos nas cidades, e ai a indústria cuidou de fabricar as motos para agilizar o transito das pessoas. Acontece que elas, de duas rodas perigosas, viraram símbolos da morte por causa da imprudência dos condutores que passaram a costurar o trânsito para chegarem antes dos veículos em seus locais de destino. Subiram, alarmantemente, o número de acidentes, a maioria com mortes, quando não deixam graves sequelas no indivíduo. Como gafanhotos do trânsito, os motoqueiros se metem entre os veículos, cortando por todos os lados e depois culpam os motoristas dos veículos. Dificilmente um motoqueiro reconhece que entrou errado e terminou sofrendo um acidente. Sempre colocam toda culpa no veículo de quatro rodas por ser maior. Nos últimos anos, cresceu, assustadoramente, o número de motos (foto do jornalista Jeremias Macário) rodando nas ruas de Vitória da Conquista. Essa elevação de motos na cidade está diretamente ligada com o aumento de mortes no trânsito, por falta de responsabilidade dos motoqueiros, pois se trata de um meio de condução que exige muito cuidado e prudência.

A CIGARRA, A VIOLA E A GUITARRA

Poema em processo de acabamento de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Assim é a cigarra, a viola e a guitarra,

Uma arrebenta o peito com sua cantoria,

Para anunciar as chuvas a cair lá no sertão,

A viola no seu arrasto faz chorar o coração,

Pra falar de amor e do destino nordestino,

E os três regem o concerto da sinfonia.

 

A cigarra vaidosa exibe seus acordes,

Para disputar a conquista da sua rainha,

A viola sola a saudade da sua amada,

Que foi embora sem deixar uma só linha,

A guitarra rasga o som dos Rolling Stones,

E as multidões deliram com os megatons.

 

Canta, canta os seus versos a cigarra,

No canto forte do cigano andante gitano,

E a viola acompanha o tom da guitarra,

No triste lamento das nossas florestas,

Queimadas pelos alienígenas perversos,

Que acabaram com suas vidas de festas.

 

Em louvor ao Criador da nossa mãe gaya,

A cigarra canta, canta que até desmaia,

Uma canção alegre e também de tristeza,

Na melodia sublime da viola e da guitarra.

 

“HISTÓRIA DO POVO CIGANO” (Parte V)

A HUMILHANTE E PENOSA ESCRAVIDÃO NA ROMÊNIA, AS MIGRAÇÕES, OS EMBARQUES PARA OS ESTADOS UNIDOS COMO IMIGRANTES, OS COSTUMES E HÁBITOS, CASAMENTOS ENTRE AS DIVERSAS TRIBOS E A IMPUREZA DAS MULHERES CIGANAS.

As leis que regiam os escravos ciganos na Valáquia e na Moldávia (Romênia) nas primeiras décadas do século XIX, segundo Angus Fraser, em seu livro “História do Povo Cigano”, pouco diferem das medidas aplicadas há quatro séculos antes. Como escravos, haviam os da Coroa (Tsigani domneshti) e os pertencentes aos mosteiros (Tsigani manastireshti) ou os boiardos.

Aqueles que pagavam tributos à Coroa dividiam-se em várias classes Lingurari (fazedores de colheres), Ursari (domadores de ursos, ferradores e latoeiros), os Rudari (mineiros) ou Aurari (ourives, garimpeiros) e os Laieshi (membros de uma horda), isto é, sem ocupação fixa. Estes últimos tinham uma boa mão para muitas coisas, especialmente para o trabalho com metais, e as mulheres se ocupavam de ler a sina e pedir esmolas.

FLAGELOS CRUÉIS E CASTIGOS

Os verdadeiros escravos, no sentido vulgar do termo, eram os Vatrasi (propriedade de um dono) que serviam de lacaios, cocheiros, cozinheiros e criados de seus donos. Alguns podiam viver nas aldeias como barbeiros, alfaiates, sapateiros ou ferradores. O interessante é que os melhores músicos eram os Vatrasi. Pelo trabalho que exerciam, pagavam impostos aos seus donos.

Como acontecia com a escravidão negra, os senhores podiam, impunemente, mandar matar os seus ciganos. As falhas eram punidas com castigos ferozes. Mihail Kogalniceanu, um romeno que lutou pela emancipação dos ciganos, descreve que viu na capital Moldávia seres humanos com correntes nos braços e nas pernas, outros com tenazes de ferro em volta da cabeça, bem como colares de metal no pescoço. Ele testemunhou flagelos cruéis e castigos, como fome, pendurados sobre fumeiros e encarceramento em solitárias. Muitos eram atirados nus na neve.

Kogalniceanu calcula que os ciganos eram cerca de 200 mil na Valáquia e Moldávia, sendo que a maioria pertencia a donos particulares. Os movimentos de emancipação começaram por volta de 1828/34, com a ocupação russa, mas foram logo abafados.  Os senhores não aceitavam. O primeiro passo foi dado por Alexander Ghica, o vaivoda da Valáquia, em 1837, quando libertou quatro mil famílias de ciganos da Coroa, e os instalou em aldeias.

Logo depois, a Moldávia seguiu o exemplo com os ciganos da Coroa, em 1842, e os mosteiros, em 1844. Gheorghe Bibesca, educado em Paris, cuidou, em 1847, que os escravos da Igreja da Valáquia também fossem libertados, mas a transição não foi rápida. Na Transilvânia, a abolição da servidão só chegou em 1848. A nova geração de romenos procurou inspiração na França e completou a tarefa.

A prática estava tão enraizada na Moldávia que o falecido ministro das Finanças, Aleku Sturza, possuía, entre seus haveres, 349 ciganos escravos, quando parte de suas propriedades foi posta à venda, em 1851. Só em 1855 Grigore Ghica, príncipe da Moldávia, promoveu a revogação do que chamou de humilhante vestígio de uma sociedade bárbara, propondo que os proprietários fossem recompensados pela perda de seus investimentos.

A compra e a venda de seres humanos foram banidas de vez, mas a Valáquia só veio a fazer o mesmo, em 1856. No entanto, a liberdade jurídica completa só ocorreu mesmo em 1864, quando foi elaborada uma nova Constituição para os principados que tinham sido transformados na Romênia.

A LÍNGUA ROMANI DOS ROM E SEUS DIALETOS

Na segunda metade do século XIX, muitas tribos ciganas se afastaram dos Balcãs e da Hungria, tornando-se mais conhecidos. Sua língua Romani estava impregnada de dialetos romenos, apelidados de Valacos. Diziam-se Rom.

Entre estes, muitos grupos Rom se destacavam os Kalderasha (caldeireiros), Lovara (negociantes de cavalos) e os Tchurara (artesãos de gamelas). Outros que vieram dos Balcãs se denominavam de Boyash (garimpeiros), Rudari (mineiros) e Ursari (amestradores de ursos). Os Kalderasha começaram a se deslocar para a Rússia, Sérvia, Bulgária e Grécia, e Escandinava, originando subdivisões, de acordo com a ocupação geográfica de cada um.

Na Polônia, os Kalderasha e Tchurara foram para a Rússia. Alguns Rom, com passaportes austríacos, fizeram caminho, em 1870, para Berlim, Bélgica e França, mas logo foram empurrados para a fronteira franco-belga. Nos Países Baixos, na Holanda, o governo achou um fenômeno novo, e a população encarrou como gente tão exótica que pagava para entrar em seus acampamentos. No princípio da década de 1870, novos bandos de Rom chegaram a França, vindos da Alemanha e atraindo multidões de visitantes curiosos.

Em 1886, um grupo de cerca de 100 gregos, vindos da Grécia, Turquia, Sérvia, Bulgária e Romênia chegaram de comboio a Liverpool. Entre os anos de 1895 e 1907 existem relatos de Ursari no sul da Escócia e norte da Inglaterra falando uma mistura de língua, mas foi no início do século XX que os Lovara, da Alemanha, que viraram atrações na Grã-Bretanha.

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QUEM ARCA COM AS DÍVIDAS DOS INADIMPLENTES SÃO OS BONS PAGADORES

Todo final de ano a Serasa e as entidades representativas dos lojistas em geral limpam as dívidas dos consumidores compulsivos inadimplentes para que eles voltem a comprar mais, e no próximo ano, tudo começa novamente. Para a conta fechar e o capital não ter prejuízos, são os bons pagadores que, com as altas taxas de juros, cobrem as diferenças.

A mídia oferece total cobertura ao chamamento das instituições financeiras para que seus “clientes” compareçam aos estabelecimentos para negociar os abatimentos fabulosos. No entanto, nunca questiona quem paga. Tem devedores de 10 mil reais, oito mil, cinco mil e outros valores até maiores que saem dos acordos satisfeitos e contentes com os descontos e as facilidades obtidas. “Coisa de pai para filho”.

Ora, não estou aqui condenando essas facilidades que ocorrem todos os anos para os inadimplentes, mas não é justo que isso seja feito às custas do bom pagador que controla seu consumo e suas contas. Alguém aí acha que os lojistas, as financeiras e outras empresas perdem com esses perdões de dívidas, muitas das quais chegam a baixar até 80% ou mais do valor?

A matemática só fecha porque os preços e os juros cobrados são escorchantes, e o que os vendedores recebem dos bons pagadores compensa o perdão concedido aos inadimplentes. Como no Brasil está arraigada a cultura da malandragem e da trapaçaria, muitos se excedem nas compras de final de ano sabendo que lá na frente vão ter a negociação “benevolente”

Como bem diz o ditado, não existe almoço de graça. No preço e nos juros das mercadorias já está embutida a margem de risco, e isso é pago pelo adimplente que honra seus compromissos. Essa prática vicia o sujeito que já está acostumado a não pagar suas dívidas. No fim, “o justo paga pelos pecadores”

Nesse Brasil, tem muita gente que deixa de pagar a mensalidade da escola de seus filhos para viajar e curtir nos feriadões, e vai cada vez mais se endividando. Muitos deixam de pagar prestações da geladeira, da TV, do som ou do celular de última geração para comemorar o aniversário com os amigos, ou farrear num bar, comendo e bebendo do melhor.

É só dar uma checada para concluir que os inadimplentes das negociações sempre são quase os mesmos de todos os anos. Esse negócio que falaram de beneficiar quem tem ficha positiva como bom pagador é só teoria, conversa fiada do sistema empresarial. Tudo não passa de um esquema planejado do comércio para aumentar o consumismo ao custo daqueles que controlam suas prioridades e pagam suas contas.

“HISTÓRIA DO POVO CIGANO” (Parte IV)

UM POVO FORÇADO A SER SEDENTÁRIO, MAS QUE SEMPRE VIVIA EM CORRERIAS, FUGINDO DOS PRECONCEITOS E DAS LEIS RIGOROSAS PARA SALVAR SUAS IDENTIDADES CULTURAIS. A LIGAÇÃO ENTRE O ROMANI E O HINDI, A VISÃO DOS MOVIMENTOS ROMÂNTICOS (O FLAMENCO), OS PROTESTANTES E A QUEDA PELA MÚSICA E OS IMPACTOS DA INDUSTRIALIZAÇÃO EM SUA VIDAS.

Um acadêmico húngaro, de nome Samuel Augustini ah Hortis, fez uma série de 40 artigos num jornal de seu país, publicados entre 1775/6, falando sobre a vida cigana. Seu relato concentra-se na Hungria e a na Transilvânia, e concluiu que, embora os ciganos tenham muita coisa em comum, já não havia uma nação homogênea e nem uma cultura coletiva. Muitos receberam influência de países por onde passaram. Em sua região, eles viviam em tendas, mas passavam o inverno em cavernas. As cabanas eram mais equipadas.

De acordo com o acadêmico britânico, Angus Fraser, em seu livro “História do Povo Cigano”, essa etnia sem nação usava poucos utensílios de cozinha, como um pote de barro ou uma frigideira de ferro. Comia carne (até putrefata) ou farináceos simples. Mendigava pão e era entusiasta do álcool e do tabaco. Tinha apenas uma muda de roupa. Os negociantes de cavalos eram hábeis e sabiam muito bem impingir um rocim doente por saudável. Adotava a religião do sítio onde estivesse, mesmo sem tanta fé.

A LIGAÇÃO ENTRE O ROMANI E O HINDI DA ÍNDIA

Na verdade, o autor dos artigos, Augustini, como frisou Fraser, não levava muito em conta a moral e a cultura dos ciganos. Dizia que o mal deles estava na criação dos filhos. “Os pais os amavam, mas não os educava”. A série reconhecia a ligação entre o Romani e a Índia. Afirma o escritor do livro que, argumentos mais fortes sobre o Romani foram escritos pelo inglês Jacob Bryant, em 1785. Jacob chamou a atenção para analogias entre o Romani e as línguas indo-iranianas, com palavras importadas do grego e do eslavônico. O alemão Johann Rudiger também estabeleceu a ligação com a Índia, nomeadamente o Hindi.

No entanto, o escritor Angus Fraser dá maior credibilidade para um outro alemão, Henrich Grellmann, em seu livro “Die Zigeuner”, publicado em 1783, com uma análise mais coerente. Ele estimou a população cigana em cerca de 800 mil, e de ser profusa na Hungria, Transilvânia e por toda península Balcânica. No resto da Europa, eles eram numerosos na Espanha, na Itália e menos na França (Alsácia e Lorena). Eram escassos na Suíça, Países Baixos e na maior parte da Alemanha. Embora muitos tenham se se sedentarizados, e se tornaram escravos na Moldávia e Valáquia, a maior parte continuava a vaguear. Existiam divisões internas.

Grellmann não poupou os escândalos em sua publicação, ao citar a depravação das mulheres ciganas, e até acusações de canibalismo. Porém, se baseou mais em jornais húngaros e alemães contra 150 ciganos, 41 dos quais após confissão sob tortura. Estes foram executados por decapitação, enforcamento, roda e esquartejamento. Fraser destaca que o alemão tinha uma crença errada de que o êxodo dos ciganos da Índia tinha sido uma reação à invasão por Tamerlão, no final do século XIV. No plano social, Grellmann manifestou-se contra o banimento, como maneira de lidar com os ciganos.

A VISÃO DOS MOVIMENTOS ROMÂNTICOS

No campo literário, os ciganos atraíram os movimentos românticos e o estilo melodramático. Em 1773, a tragédia de Goethe Gotz von Berlichingen, colocava um chefe cigano no papel de um nobre selvagem. Os autores começaram a colocar os ciganos em contraste com a hipocrisia da vida comum. No século XIX se propagou que eles eram réprobos selvagens, com laivos de sobrenatural, de mistério e de crime.

Nessa linha, Cervantes, em La Gitanilla, criou personagens imaginários onde os ciganos eram responsáveis por crianças perdidas. O estereotipo estava em evidência, mas o autor Geoge Borrow procurou transmitir, em sua escrita, algo de verdadeiro. De acordo com Fraser, o Movimento Romântico se interessou pela cultura popular primitiva, com predileção pelo exótico, pelo folclore (1846), pelas danças e pelas as músicas.

Os ciganos foram arrastados por essa corrente da curiosidade humana. Descobriu-se, como assinala Fraser, que eles eram uma mina de contos, canções, costumes e superstições. No campo da historiografia, o francês Paul Bataillard, abriu uma era da história antiga dos ciganos na Europa, com uma série de artigos publicados a partir de 1843.

Na filologia, a língua Romani era vista como uma beleza antiga em decadência, sucumbindo a diferentes forças. O alemão August Friedrich Pott foi o primeiro a criar um trabalho científico sobre o Romani, intitulado “Die Zigeuner in Europa und Asien” (Os Ciganos na Europa e na Ásia), em 1844/5. Como resultado, os anos de 1860 e 1870 foram os mais dedicados aos estudos do Romani na Alemanha.

OS PROTESTANTES E A QUEDA PELA MÚSICA

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UM POVO EM CORRERIAS

Venho aqui em nosso espaço fazendo uma série de comentários sobre a “História do Povo Cigano”, do grande estudioso no assunto, o acadêmico britânico, Angus Fraser. É um povo alegre, mas sua história é muito triste porque sempre viveu em correrias desde os primeiros séculos da cristandade. Alguns pesquisadores concluíram que os ciganos vieram da Índia, do Hindu (Hindi), tomando como base sua língua Romani e seus costumes das tribos daquele país. Em suas andanças pelos Balcãs, pela Grécia e por toda Europa Ocidental e Oriental eram chamados de os “Egípcios” e até sarracenos. Acolhidos no início como peregrinos, logo depois, entre os séculos XV ao XIX foram tremendamente discriminados como inúteis, preguiçosos, trapaceiros e vagabundos, como uma praga que tinha que ser exterminada. Em vários países e impérios foram torturados, esquartejados, presos, degolados, marcados em ferro e acometidos de outras atrocidades, simplesmente por serem ciganos. Foram escravos por mais de trezentos anos na Romênia, como os negros africanos, e jogados nas galés. No período nazista, mais de meio milhão foram sacrificados e exterminados como os judeus. Sempre quiseram impor o sedentarismo num povo de estilo nômade. Os preconceitos e as rejeições continuaram no pós-guerra (Segunda Guerra Mundial) e ainda persistem até hoje. Os ciganos, com seus espíritos festivos, estão associados à música e aos cavalos (fotos), seus companheiros nos negócios e no transporte de um lugar para o outro, mas também lidam com a metalurgia, o artesanato e com a leitura da mão, ou da sina, no caso das mulheres.





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