IMAGEM, LUZ E A FOTOGRAFIA
Pelas lentes do jornalista Jeremias Macário, as imagens já dizem tudo. No lugar do texto, a imaginação
UMA HOMENAGEM AO DIA DO FOTÓGRAFO
Já disseram que uma boa imagem vale por mil palavras, mas depende muito do fotógrafo ter sensibilidade para captá-la (olá meus amigos Zé Silva, José Carlos D´Almeida, Edna Nolasco, Sabiá, Raimundo Leser, Ney, Cadete que já se foi, dentre muitos outros). A minha homenagem a todos.
Diria que a imagem fotografada, por si só, já é uma poesia nos seus detalhes porque ela nasceu da luz que deu vida e origem ao universo. Portanto, por essência, o fotógrafo é um artista da poesia, hoje tão pouco valorizado por causa da tecnologia do celular que banalizou, em termos, a profissão.
Ontem, foi o Dia do Fotógrafo, infelizmente pouco lembrado pela nossa mídia, mas aqui saúdo a todos que trabalham com a imagem, a luz e a fotografia. Nos meus 50 anos de jornalismo (desde 1971) aprendi que existem determinados textos onde pode ser publicado sem uma foto (no caso da pressa e da falta de espaço), mas em outros seria um pecado divulgar a matéria sem uma foto.
Um dos exemplos, dentre milhares, citaria uma matéria de filas de banco. Como publicar essa reportagem sem o acompanhamento de uma ou mais fotos? Seria uma “prevaricação” jornalística, no bom sentido. O leitor, ou o telespectador, indagaria logo: Cadê a foto, ou a imagem? Aí é onde ela vale por mil palavras.
No jornalismo, o repórter de redação e o fotográfico são como a dupla de Cosme e Damião, sempre andam juntos atrás dos fatos e dos acontecimentos na busca pela melhor história para o seu público. Durante cerca de quinze anos, eu e meu companheiro Zé Silva fizemos isso em nossas andanças pelo sertão do sudoeste, ora entrevistando prefeitos, produtores e empresários, ora cobrindo calamidades, denunciando invasões, corrupções e os estragos provocados pela seca.
Além da fotojornalismo, o fotógrafo também é um artista da pintura quando capta as mais belas paisagens da natureza, um pássaro raro, um pôr-do-sol deslumbrante e poético, ou uma imagem que só é vista pelos olhos e pelas lentes de um grande fotógrafo. Ele vê o que muitos não veem.
Fotografia também é história quando se documenta personalidades, reuniões e eventos familiares, guerras, rebeliões, manifestações de ruas, protestos e até ações de regimes tirânicos e ditatoriais. Ele deixa um legado para a nossa posteridade (olá meu amigo Evandro Teixeira que correu mundo) e nos deixou inéditas imagens dos nossos povos.
O texto pode ser até contestado, dependendo do interesse do acusado ou da interpretação do fato, de acordo com o julgamento e a ideologia de cada um, mas a foto é incontestável. Ela não pode ser desfeita, a não ser pelo tempo. Ela serve como prova criminal em audiências e para tirar dúvidas processuais. Uma foto consegue até levantar um texto fraco.
AS FESTAS DA COVID-19 ONDE AS VACINAS NÃO FORAM CONVIDADAS
O PLANETA TERRA, OU ÁGUA, ESTÁ DE PONTA-CABEÇA COM A ONDA DE EXTREMISTAS NAZIFASCISTAS. OS ESTADOS UNIDOS, QUEM DIRIA, EM TODA SUA HISTÓRIA SE TRANSFORMARAM NUMA REPÚBLICA DE BANANAS, COMO TANTO FORAM CHAMADOS OS PAÍSES DAS AMÉRICAS CENTRAL E DO SUL. INVADIRAM O CAPITÓLIO! EU SEREI VOCÊS AMANHÃ.
Bem, o assunto não é este do subtítulo tenebroso, mas sobre as festas da Covid-19 de final de ano, onde as vacinas ficaram de fora. Faltando poucos dias para o Natal e Ano Novo, os vírus espinhosos se reuniram e ficaram assanhados, ou ouriçados. Foi um tal de um convidando o outro que quase ninguém ficou de fora, só mesmo os mais lerdos que resolveram tirar um cochilo. Quase ninguém ficou em seus casulos descansando.
Contam que em Salvador foi um reboliço danado. Era um cochichando no ouvido do outro para convencer o melhor lugar para fazer a festa. Milhares preferiram pegar a estrada para conhecer as novidades no interior e apreciar as belas paisagens. Todos com a tara por carne fresca. Outros foram para as praias, bares, baladas, pancadões, filas de bancos e festas fechadas de condomínios.
Tudo indica que aqueles que foram para os ferrys e embarcações nas travessias para Bom Despacho, em Itaparica, e Morro de São Paulo, levaram vantagem, se deram bem. As festanças foram os lugares mais preferidos. Os bichinhos nojentos pegajosos se esbaldaram. Não se sabe quem mais tirou proveito, se na capital, ou no interior. Em todo Brasil, a combinação foi a mesma entre eles pelas redes sociais.
A essas concentrações bem aglomeradas, com muita gente curtindo e enchendo a cara como bárbaros dos tempos romanos, eles chamaram de “covidões” dos idiotas. Aliás, eles têm atração total por esses tipos humanos suicidas que colocam a diversão acima da vida.
O alvo maior são os pobres por serem mais vulneráveis. Até na morte eles são desiguais. Quando um pobre morre de covid é imediatamente enterrado. Quando é um rico, uma celebridade ou um famoso, dão um jeitinho de demorar mais para o velório dos parentes e amigos.
Entre eles (os vírus) existe um acordo de não perder tempo em visitar moradias isoladas, mesmo porque, mais cedo ou mais tarde, vão para lá depois das festas. Depois das zoeiras, cada um acompanha o seu par, sua alma gêmea, para injetar seus venenos nos velhinhos que tentam se esconder deles.
Foram nuvens e nuvens voando em bandos para as cidades e locais mais agitados, mais loucos. Dizem que houve até disputa no tapa e na bofetada pelas localizações mais favoritas, de preferência onde tinha mais pobres “lascados”. Você não sabia? Pois é, eles não são muito chegados a ricos. Ah, por isso que eles são chamados de comunistas? Nada disso, seu ignorante negacionista da ciência!
AS VACINAS FICARAM DE FORA
É TEMPO DE REZAR
Nessa pandemia onde os brutos se infestam nas festas, baladas e aglomerações, com mais de 200 mil mortes no Brasil, o que mais se fala é se ter esperança e fé, de que tudo vai passar. A questão é quando tudo isso vai passar. Com tantas incertezas, num país sem comando, é tempo de rezar e se meditar sobre a vida e a morte. Dar um mergulho em si mesmo. O povo brasileiro está sem um guia. Aliás, tem um capitão na presidência que só fala barbaridades e torce para que mais pessoas morram quando dificulta os programas de isolamento e o processo de vacinação, soltando fake news de terror para seus seguidores malucos extremistas. Na tormenta, o nosso povo se apega na fé e na religião, de acordo com o credo de cada um, mas isso só não basta. Está escrito nas escrituras quando Deus disse: Faça por ti que te ajudarei. Temos que reagir, denunciar, protestar, contestar para que essa situação de desastre e abismo se dissipe, para que essa tempestade cesse e tenhamos dias melhores. Não basta só ter otimismo. Muitos têm encontrado paz e mais tranquilidade na Igreja e na Praça Tancredo Neves. O local nos faz refletir sobre esses momentos tão cruéis e de tantas perdas de parentes e amigos para esta peste que está ceifando vidas humanas em todo planeta. Cada um reza ao seu modo. A imagem da foto clicada pelo jornalista Jeremias Macário nos leva a várias reflexões, como a de não ser egoísta e individualista, bem como, preservar a nossa natureza e sermos mais humanos no sentido filosófico do ser.
HISTERIA E PSICOPATIA
Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Sou como a poeira do tempo,
Empurrada por essa ventania,
Da infinita galáxia viajante,
Como ente estrela cadente,
Bem distante dessa filosofia,
Que nos engasga de asfixia.
Histeria, exagero, psicopatia,
Gripezinha de marica brasileiro,
Quem morre cedo dá bobeira,
E daí, não sou nenhum coveiro,
Se dane sua besta, vire caveira,
Agride, não vacine de Covid.
Meu peito está cheio de bronca,
Tem a dor do verso e do amor,
Encrenca de um ser navegante,
De ameríndio dessa mata gigante,
Caldeirão de negro e de eurasiano,
Como sangue quente de um cigano.
Não tenho mais crença nessa gente,
De carona na histeria do corona,
Como patética mente inconsequente,
Que copulou com o espinho maldito,
Soltou saliva com seu infernal grito,
Como o genocida, louco alienígena,
Que quer acabar com a nação indígena.
ESSA COVID NO BRASIL DEU UM NÓ CEGO NA CABEÇA DE MUITA GENTE ESTÚPIDA
Tem maluco e estúpido por aí dizendo que a mídia é a maior culpada por todo esse estrago causado pelo vírus da Covid-19 que, pelos números divulgados até agora, já fez quase 200 mil mortes. Uns berram de lá que é tudo exagero, e outros que toda essa mortandade é de pessoas com doenças crônicas. Com tantos falatórios e besteiróis, essa Covid no Brasil deu mesmo um nó cego na cabeça de muita gente!
Pelo que estou observando, os noticiários de 2020 foram ocupados por essa maldita Covid, e 2021 vai ser a vez da vacina. Vamos seguir lutando contra a cegueira, e não sabemos se até dezembro 70% da população estará imunizada. A situação é sombria (não queremos enxergar a realidade) quando se ouve as apelações e as análises do infectologistas, epidemiologistas, médicos e especialistas no assunto.
É um absurdo culpar a mídia por tudo isso, mas ela tem cometido desatinos e irresponsabilidades quando, de um lado pede que todos brasileiros se previnam, seguindo os protocolos científicos, mas do outro elabora matérias, antecipadamente, sobre os feriadões do ano, inclusive incluindo os do carnaval que já foi cancelado pela maioria das capitais e cidades. Vem ai mais infestação.
Reportagens desse tido e outras, como das festas do comércio do final do ano só servem para incitar mais o povo para sair de casa e viajar por aí para curtir baladas em outros lugares. Dia desses assisti uma pauta sobre o grande movimento de revisão de veículos nas oficinas e concessionárias onde seus donos se preparavam para pegar a estrada.
Em nenhum momento foi perguntado se a demanda aumentou em relação ao ano de 2019, o que denota uma falha no jornalismo, mas não é exatamente sobre isso que quero me ater. Entendo, porém, que a mídia precisa, nesse momento tão crítico, ser mais reflexiva e responsável, evitando realizar certos tipos de matérias que atraiam mais aglomerações.
Essa questão, não cabe tanto aos repórteres, mas aos pauteiros, editores e chefes de reportagens. Infelizmente, a nossa mídia, nos últimos anos, perdeu muito da sua e inteligência e questionamento.
Sempre tenho dito que o direito à liberdade de imprensa acaba quando não se tem ética e responsabilidade. Nossas redações não são mais como antigamente quando se fazia boa matérias de denúncia; eram investigativas, mas, acima de tudo, humanas. Hoje são insossas e frias, muito mais voltadas para o consumismo comercial.
OS BÁRBAROS!
As cenas que presenciamos nestas festas de final de ano, com aglomerações em baladas em diversos estados, principalmente na Bahia, são de bárbaros se infectando e levando a doença para familiares (pais, avós e parentes em situação de risco), amigos e outras pessoas que estão se resguardando e mantendo as recomendações médicas.
Sempre me posicionei contra qualquer tipo de violência policial, especialmente contra as classes mais desfavorecidas, mas nesse caso da pandemia, a ação para terminar os pancadões tem que ser bem mais enérgica, primeiro quebrando todo o palco e equipamentos e levando os responsáveis algemados.
NÃO TEM DIÁLOGOS
Para bárbaros que desobedecem as leis decretadas por governadores e juízes, não existe essa de diálogo porque se trata de vidas. Para essa gente, tem que usar a força bruta. Não precisa ser especialista na área de saúde para se saber que dentro de mais 10 ou 12 dias a contaminação pela Covid-19 vai se alastrar mais ainda.
Os hospitais já estão superlotados de doentes morrendo, e os médicos e enfermeiros sobrecarregados. Com a nova onda prevista de infestação, vai ter pessoas morrendo em casa e até nas ruas. Somado a tudo isso, em muitas cidades, como em Vitória da Conquista, o poder público não tem tomado nenhuma medida de restrição ao comércio.
Todos desejaram um Feliz Ano Novo, com muito tempero de otimismo de que dias melhores virão, mas não se pode ficar apenas nos desejos, quando temos uma grande parte da população que nem está aí, como diz um certo maluco presidente, que anda sem máscara e promove aglomerações. Não basta ter otimismo.
Pelo quadro macabro que se apresenta, pelo menos nesses primeiros meses do ano, vamos ter muita tormenta, sobretudo quando não se sabe quando o povo brasileiro começa a ser vacinado (o genocida só faz emperrar o processo). Já somos os últimos da fila no mundo a ser imunizado, e ficamos aí só acreditando que tudo vai mudar. Não assim cometendo barbaridades e desrespeitado os semelhantes.
Não consigo entender o meu país quando temos milhões de desempregados e outros milhões vivendo na linha da pobreza, se queixando de dificuldades financeiras, mas, quando se trata de viagens e festas, se consegue dinheiro para sair por aí curtindo à vontade. As estradas fervilharam de carros e os barcos e ferrys funcionaram superlotados, fazendo festas e se esbaldando.
Com tudo isso, só posso concluir que somos uma nação dos absurdos, das contradições, dos paradoxos, da ignorância, do individualismo, do egoísmo, da mentira e da desumanidade. Só posso entender que boa parte do nosso povo comete suicídio coletivo. Dentro do nosso próprio território, estamos sendo invadidos por bárbaros dos primeiros anos do cristianismo. Para quem sabe, a única coisa que resta é orar muito, e também para quem não sabe, faça do seu jeito.
ILUMINAÇÃO INDEVIDA
Com toda essa pandemia infestando e ceifando vidas, que no Brasil já são quase de 2oo mil, (um dos maiores índices do mundo-coisa que nos envergonha), a Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, agora comandada pelos interesses dos lojistas, resolveu fazer essa iluminação indevida da Praça Tancredo Neves, para atrair mais gente a fazer aglomerações. Por respeito aos mortos (não estão nem ai para quem se foi), neste ano não deveria ter iluminação, em sinal de luto e pesar pelos parentes que perderam seus entes queridos. Além de ser uma grande irresponsabilidade, demonstra uma má gestão e falta de senso (a insensatez tomou conta deste país) porque a iluminação terminou por gerar aglomerações, numa Conquista de portas escancaradas para a entrada dessa maldita Covid-19. A contaminação e o número de mortes só faz crescer, mas a iluminação dos comerciantes está acima da vida. O prefeito, ou as prefeitas, decidem e não aparece um assessor criterioso e profissional (sem bajulação) para alertar que essa iluminação não deveria ter sido instalada neste ano. Ficaria bem mais decente o executivo vir a publico e explicar os motivos de dispensar a iluminação. É uma questão de sensatez. O próprio secretário de Cultura deveria fazer esse alerta. Para que servem os assessores, que não cumprem seu verdadeiro papel de assessorar, orientar e aconselhar? Infelizmente, assessor no Brasil só presta para bajular o chefe e fazer tudo que ele manda, sem contestar e advertir. É um salário fácil pago pelo contribuinte.
A VACINA E A COVID
Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário (Leia Andanças)
Oh, Senhor, tudo é muito triste!
Ver tantos irmãos a tombar,
Por essa maldita que persiste,
Ver artista dizer que ela é comunista,
Uma vacina frita que não se decide,
E tanta gente a morrer dessa Covid.
Renegam a ciência e se agarram na fé,
Oh, Senhor, perdoai tantas asneiras,
De pastor dizer ser coisa de Lúcifer,
Desse espinhoso a correr mundo a fora,
Como poeiras infestando as fronteiras,
E essa vacina que por aqui nos divide,
Com tanta gente a morrer de Covid.
Nessas vias de tantas cruzes de agonias,
Vou em meu corcel de patas a cavalgar,
Nessa solitária imensidão do infinito,
Só para mergulhar no horizonte do mar,
Dizer para o meu amor que não vacile,
Não vamos ter mais morte dessa Covid.
Aqui ainda sobrevivo em minha escuridão,
Sem saber se dois mil e vinte já passou,
Recebendo tantas notícias na contramão,
As redes brindando dois mil e vinte um,
No zoom mortífero dos imbecis do terror,
Sobre a vacina que nosso destino decide,
Pra acabar de vez com esse morrer de Covid.
ESSA GENTE NÃO MERECE COMPAIXÃO!
Confesso que estou pensando seriamente (olá companheiros Gonzalez, Celino, Paulo Nunes, Zé Silva) de deixar de assistir noticiários das mídias convencionais em geral (nem falar de redes sociais), para não pirar e ter que me internar num hospício de loucos. Aliás, já estamos nele. Muita gente do meu Brasil não merece compaixão, e nem ser defendido porque você pode ser apedrejado como comunista satânico. É o fundamentalismo cristão evangélico.
Nossos hermanos da fronteira, a que tanto fazemos piadas sarcásticas e somos adversários ferrenhos no futebol, já estão se vacinando com produtos de vários laboratórios, curtindo com nossas caras. Aqui, vizinhos hermanos, está um samba de crioulo doido. O nosso Ministério da Saúde é um general, comandado por um capitão que, por sua vez, regula a Anvisa, uma tal de Agência de Vigilância Sanitária.
SEM AGULHAS E SERINGAS
É muita confusão e desencontros de informações, que me sinto envergonhado de contar o que está acontecendo. Uns falam em final de janeiro e outros para o meado de fevereiro. O mais grave em tudo isso, meus hermanos, é que não temos agulhas e seringas para aplicar as doses. Vamos ter que improvisar esses materiais em alguma oficina de ferreiro.
Os hospitais estão no seu limite de capacidade de atendimento, e em muitos cemitérios não existe mais espaço para sepultar os mortos da Covid-19. Muito choro e ranger de dentes! Do outro lado, os noticiários não cansam de mostrar imagens de baladas e festas de até duas mil pessoas, sem máscaras, e todo mundo na maior gandaia. Vem ai o carnaval!
Neste final de ano, o nosso país está fervendo de gente viajando nas estradas, pelos rios, pelo ar e pelo mar. Ah, você está dizendo que tudo isso não passa de mentira! Então, se tiver coragem venha ver com seus olhos. E tem mais! A nossa mídia instiga as aglomerações, noticiando que estamos em clima de festas e dando dicas de comidas, bebidas e como se preparar para as viagens.
É um formigueiro só de gente, pra lá e pra cá, a maioria de pessoas de baixo poder aquisitivo. Onde arrumam grana? Não sei explicar, meu caro. É uma doideira só! Não vale a pena ter compaixão desse pessoal, pois quando se adverte dos altos perigos, essa turma nos xinga de comunistas, esquerdistas e almas penadas do mal. Coisa é quando se critica as desigualdades sociais! Ah, aí somos chamados de diabos chifrudos vermelhos, saídos das profundezas do inferno!
A maioria já foi inoculada com o veneno do fascismo, do negacionismo da ciência e estão curtindo uma louca psicopatia. Só pode ser coisa de hipnotismo! O poeta Manuel Bandeira avisou que ia embora para Passárgada, mas foi naquela época. Eu quero ir para o país dos ciganos. Hoje, não podemos ir mais para lugar nenhum, pois não somos mais aceitos em terras estrangeiras. Somos personas non gratas, meu amigo hermano! Estamos ferrados nesse chão sem dono e comando, mais parecido com o faroeste norte-americano do bang-bang.
“O FIM DO HOMEM SOVIÉTICO”
Bem, são muitas coisas mais para falar, mas é melhor ficar quieto. São muitas barbaridades e absurdos! Para passar o tempo, estou lendo “O Fim do Homem Soviético”, de Svetlana Aleksiévitch, escrevendo algumas obras que já foram desclassificadas pela Secretaria de Cultura da Prefeitura de Vitória da Conquista e cuidando de minhas hortas para não consumir agrotóxicos, que também estão matando a gente.
Vou citar aqui algumas coisas da escritora vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2015, como “você liga a televisão e todos estão falando como bandidos: Os políticos, os homens de negócios, o presidente. Propinas, subornos, rateios…A vida humana não vale um tostão. Como na cadeia…”
“Cagaram no cérebro do povo”. “Quem perdeu a cabeça foram os chefes…” “Todos ficaram com medo, e foi por isso que o povo começou a ir à Igreja. “A ciência também trouxe à humanidade inúmeras catástrofes. Vamos, então, aniquilar os cientistas! Ela também cita o inglês Chesterton: “um homem sem utopia é muito mais assustador que um homem sem nariz”.
“Não tenho admiração pelo nosso próprio povo. Nem pelos comunistas, nem por nossos líderes comunistas. Especialmente hoje em dia. Todos ficaram mesquinhos, aburguesados, todos querem do bom, querem viver bem. Consumir e consumir”. “Provaram um terninho americano, ouviram o Tio Sam. Mas, o terninho americano não entra. Cai mal… Não corremos atrás da liberdade, corremos atrás de jeans… de supermercados… Fomos corrompidos por embalagens brilhantes”…
Tudo isso é só para relaxar o espírito e refletirmos um pouco, meu vizinho hermano. Estamos encurralados pelo bicho espinhoso”. Ele está nos devorando. Já levou quase 200 mil, e tem fome de mais. O povo não está nem aí para os que se foram. Será que estamos seguindo aquela parábola de que “os últimos serão os primeiros? Sei lá!
“O ANO EM QUE A TERRA PAROU” E O POVO BRASILEIRO SE ODIOU
OS BRASILEIROS ESTÃO MATANDO UNS AOS OUTROS, E TUDO INDICA QUE SERÃO OS ÚLTIMOS NO MUNDO A SEREM VACINADOS. A IGNORÂNCIA É OUTRO VIRUS MORTAL.
Dois mil e vinte começou alegre com a festa do carnaval, mesmo com a chegada da primeira visita de um personagem estranho e indesejável de nome corona, ou covid-19, que já estava fazendo estragos em outros países da Ásia e da Europa. Não se sabia que ele ia fazer a terra parar, como profetizou o poeta.
O Brasil já vinha na onda do ódio e da intolerância do racismo, da homofobia, da xenofobia e da misoginia por causa de uma eleição de extremos onde predominaram as falsas notícias de calúnias, injúrias e difamações. As esquerdas foram demonizadas como comunistas, principalmente pelos evangélicos fanáticos, como se fossem o Anticristo saído do inferno.
A SEPARAÇÃO E A CEGUEIRA
Com um governo de retrocesso, o corona aproveitou o clima para instigar mais ainda a separação e alimentar a loucura da cegueira, Com sua coroa de espinhos aqui encontrou terreno fértil para ceifar a vida de quase 200 mil brasileiros, enquanto eles continuaram brigando e se xingando. Trouxe muitas lágrimas e dores, e também a indiferença e a psicopatia.
Todos estão querendo que o nefasto ano passe e entre logo o dois mil e vinte um, como se num passo de mágica tudo fosse mudar por causa de um simples calendário. Entretanto, não é o novo que tem o poder de apagar todas essas coisas ruis de sofrimento, mas as pessoas, se elas tomarem consciência de renovação, de união e se tornarem mais humanas, não uns matando os outros.
Com esse clima de barbárie entre os brasileiros, não dá para ser otimista de que as coisas vão melhorar, pelo menos a curto prazo. A cruel realidade comportamental da nossa gente nos mostra que os primeiros meses de dois mil e vinte e um vão ser ainda mais turbulentos, com muitas mortes.
Houve uma trégua com a baixa de contaminados, mas aí vieram as aglomerações das eleições que não deveriam ter acontecido neste ano. Somado a isso, os jovens entraram nas baladas e muitos emendaram com as festas de final de ano, trocando as viagens e as visitas pela vida. São cenas tristes de um suicídio coletivo onde uns matam outros. É um país sem consciência que confunde liberdade com irresponsabilidade e desrespeito ao outro. A grande maioria é falsa e hipócrita quando fala uma coisa diante das televisões e faz outra.
A tempestade não passou e ainda vem muito vendaval destruidor por aí. Infelizmente, as cenas nos hospitais e cemitérios vão continuar chocantes, e o Brasil pode ser o último país do mundo a ser vacinado (o nosso vizinho Argentina já está imunizando sua gente). A Europa já está entrando na segunda dose. Uma vergonha!
O BRASIL FUNDAMENTALISTA


















