UMA AVE RARA E SÁBIA
Dizem que a coruja simboliza sabedoria, talvez por isso seja uma ave rara e difícil de ser encontrada em nossa natureza e no reino animal. Quando vista em algum lugar, bate logo aquela vontade de dela se fazer uma imagem como recordação, mais ainda quando se está com uma máquina ao lado. Não é fácil chegar perto, sem antes bater suas asas para outro ponto distante. Tive sorte dela se deixar ser fotografada pelas minhas lentes, mesmo com seu jeito cismado do tipo sertanejo matuto que demora para confiar no estranho. Além de ser uma curiosidade, a coruja não é muito de se enturmar e se relacionar com outras espécies. Não é de muito ajuntamento e aglomeração, como nos tempos atuais de pandemia. Pelo menos neste aspecto temporário, devemos seguir seu exemplo e sermos sábios como a coruja, para evitar ser contaminado pelo vírus e passar para outros. Em seu próprio habitat, e quando está sozinha, ela nos passa uma importante lição, de que sejamos observadores com o que acontece em nosso entorno. De qualquer forma, é um predicado de sabedoria. Apesar de chamar a atenção quando é vista em algum lugar, ela nem está ai para bonitezas onde faz seus descansos meditativos sobre o tempo, tanto que existe aquele ditado de que “quem gaba o toco é a coruja”. A coruja nos passa introspecção e nos faz pensar na vida, nos deixando mais leve e relaxado. Ao vê-la quieta, fico imaginando o que ela está pensando em fazer.
TAPA NA CARA
Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário
Deixaram o corpo estirado na maca,
No corredor de um sujo hospital,
Não ganhou nem o seu funeral,
E eu, nem ao menos protestei,
Por nos tratar como bruaca.
Fizeram esculacho da nossa lei,
Escarraram em minha cara,
Nos surraram com reio e caiçara,
Na carne tremida pelo frio vento,
Da urina fedida do cru cimento,
E mais uma vez com tudo me calei.
A noite pode até ser uma menina,
Mas o dia é uma ave de rapina,
Entre chibatas nos espinhaços,
E rações nos tachos de melaços,
Lembram as épocas da coivara,
Que se acordava com tapa na cara.
O tempo que amacia e suaviza,
Também alisa e retalha a pele,
Penetra e endurece as juntas,
Torce e retorce o seu corpo,
E nos faz andar lentamente,
Até nos deixar seco indiferente.
O “CONTROLE” DA COVID EM CONQUISTA E O ÍNDIO-CABOCLO INCENDIÁRIOS
Na visão enrolada do secretário de Administração da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, a Covid-19 no município continua sob “controle”, mesmo com mais de sete mil pessoas que já foram infectados e o registro de quase 140 mortes, num período de praticamente seis meses. Enquanto isso, a flexibilização segue de vento em poupa, numa coligação com o comércio lojista (sua vice na chapa a prefeito manda na CDL) e o setor de serviços.
Por que a Secretaria de Saúde não se pronuncia sobre o assunto em Conquista, já que a questão é da sua competência, e não da Administração? Além do órgão público, é preciso que a mídia televisada, também ouça especialistas, como infectologistas, médicos e epidemiologistas, para dar um parecer independente sobre os números do coronavírus. No geral, as matérias são BOs (Boletins de Ocorrências). A mídia pouco questiona os fatos, e o público só recebe realizes.
Cadê as imagens de fiscalização?
Precisamos de outras versões mais balizadoras e analíticas, e não somente de um porta-voz oficial, com os mesmos pronunciamentos postados, e afirmando que os excessos cometidos, com relação aos relaxamentos, estão sendo fiscalizados. Como é mostrado em Salvador e outras cidades, cadê as imagens de fiscais combatendo as aglomerações em festas, bares e restaurantes, com barulheira e som alto nos finais de semana?
Assim, não dá muito para acreditar na situação somente ouvindo uma única versão do porta-voz oficial do poder público! No meu entender, a Covid-19, em Conquista, se mantém em aceleração, e o quadro pode ainda mais se agravar com a entrada oficial das campanhas eleitorais na corrida pelo poder no executivo e à Câmara de Vereadores. Não me atrevo a ir a um bar ou restaurante tomar a minha predileta cerveja com os amigos.
O ÍNDIO E O CABOCLO
Do âmbito regional ao nacional, assistimos, na última terça-feira, pela televisão, uma enxurrada de vexames e mentiras ditas na ONU pelo capitão-presidente que, por incrível que pareça (são os absurdos brasileiros), começa a ganhar popularidade, por conta dos auxílios emergenciais e dos seus cultuadores e idólatras ultraconservadores.
Diante da verborreia vergonhosa na ONU, a conta da depredação contra o meio ambiente sobrou para o pobre do índio e do caboclo que se transformaram em personagens incendiárias do Pantanal e da Amazônia, logo eles que ao longo desses séculos foram massacrados e dizimados pelos poderosos.
O que sobrou dessas etnias em nossas matas, está sendo empurrado para fora de suas terras, justamente pelos garimpeiros, grileiros e fazendeiros, os verdadeiros culpados pelas chamas que ardem a nossa mãe natureza. Ele acha que está enganando a quem? Certamente deve estar seguindo a cartilha do assessor de propaganda de Hitler, de que uma mentira contada mil vezes, vira verdade.
Poderia aqui elencar uma série de inverdades contadas aos brasileiros e ao mundo, como o controle da pandemia pelo governo federal, quando o vírus já ceifou 140 mil almas, e mais de três milhões já foram contaminados.
É muito duro ouvir que o Brasil é o país do mundo que mais preserva suas florestas e que mais soube conter o avanço da pandemia. Dá nojo e vontade de vomitar! Outras barbaridades foram pronunciadas, e até a mídia entrou no rol dos culpados pelos incêndios em nossos biomas.
O cara fala de democracia, mas defende a volta da ditadura, num governo que se aproxima claramente do fascismo; ameaça de forma agressiva a imprensa; comete crimes contra o meio ambiente, desmobilizando o Ibama e outros órgãos de preservação e, mesmo assim, ganha popularidade.
Poderia dizer que tudo está virado de cabeça para baixo, não fosse o caso de termos uma grande massa brasileira analfabeta, ignorante, sem conscientização política e, acima de tudo, pobre e miserável que “sobrevive” há anos de esmolas de cestas básicas. Poderia afirmar, lamentavelmente, que ele se apropriou da Covid para “comprar” o eleitor com o auxílio emergencial.
Basta um dinheiro no bolso, e o resto de ruim e destruidor é esquecido. Está comprovado que a miséria e a ignorância sustentam qualquer maluco no poder. É só soltar uma grana. Somos tão atrasados que ainda não saímos do coronelismo autoritário. O poder bebe da fonte da miséria e faz de tudo para que ela continue assim, dando voto.
O FUTEBOL SEM APITO E A COVID-19
Em meio a toda esta tormenta em que a nossa democracia corre um sério risco de ser engolida pelas ideias fascistas que encontraram um terreno fértil, criado pelos ressentimentos contra as esquerdas alopradas no campo da política, acompanhamos, nos momentos de descontração, um futebol insosso onde o juiz perdeu o apito com mudanças de regras que deixaram o esporte preferido dos brasileiros sem a “tesão” e o atrativo de antes.
Como se não bastasse ver o Brasil em chamas e garimpeiros fazendo protestos para que não haja fiscalização do Ibama contra as ilegalidades que estão envenenando nossa mãe terra e os rios, sem falar na expulsão dos nossos índios, temos uma multidão inconsciente que partiu para o relaxamento em relação à pandemia da Covid-19, que já ceifou quase 140 mil pessoas e continua matando.
VIDAS PERDIDAS NÃO SE RECUPERAM
O prefeito de Brumado, que insiste na volta às aulas neste final de ano, se junta às barbaridades, dizendo que o vírus não passa de uma panaceia e que a parada das atividades escolares também significa perda de vidas. Ora, um ano perdido de ensino pode ser recuperado, mas nunca uma vida que já se foi. Desde o início dessa “peste”, venho defendendo que neste ano fosse proibido a realização das eleições, o retorno às escolas e ao futebol.
Com relação a esta modalidade esportiva, que tanto empolga e cria polêmicas e discussões, as mudanças feitas nas regras foram para pior, como a substituição de cinco jogadores durante a partida, e essa tal criação do VAR que desmoralizou o árbitro em campo. A todo momento para o andamento da “peleja” a fim de rever jogadas. Marca-se um pênalti e volta-se atrás, e vice-versa. Ainda criaram as atais paradas técnicas.
Com toda essa confusão, sem público nas arquibancadas e jogadores sendo infectados pelo corona, o futebol ficou “pálido”, e a bola murchou, a não ser para aqueles torcedores fanáticos e doentes que chegam a declarar que seu time é a sua vida, coisa de cabeça oca que teve os neurônios queimados na falta de um sentido existencial.
Outra coisa que irrita no futebol de hoje é o número excessivo de faltas violentas, principalmente perto da pequena área do gol quando o adversário atacante está levando vantagem, ou deu um drible desconcertante na zaga. Ai, o “perna de pau” vem lá e bota para arrebentar, com uma tremenda rasteira. Deveria haver uma regra onde toda falta cometida nessas imediações do campo fosse batida de forma direta, sem barreiras. Só assim evitaria, ou reduziria o número de entradas faltosas. A “redonda” agradeceria voar e correr mais tempo nas quadro linhas, sem ser tanto perturbada e maltratada pelos brutos.
Sou Tricolor das Laranjeiras e já joguei futebol em minha juventude quando fui da seleção de Amargosa e do Seminário de Padre onde estudei, mas nos tempos mais recentes, confesso que estou perdendo aquele entusiasmo de antigamente, de tanto ver jogadores medíocres e mudanças nas regras, que só tiraram o atrativo e a empolgação do nosso esporte predileto que criava discussões calorosas, no bom sentido e com respeito.
O RETORNO DAS AGLOMERAÇÕES
Quanto à questão da Covid-19, é também lamentável o que vem ocorrendo com as pessoas que foram tragadas pelos negacionistas da ciência, e até defendem que a terra é plana. Voltaram-se às aglomerações e ajuntamentos nas festas e bares, sem os devidos regramentos recomendados pelos infectologistas e epidemiologistas.
Esses tipos de comportamentos irracionais, infelizmente, vão resultar no aumento das contaminações e de mais mortes, com a posterior obrigatoriedade de restrições e fechamentos da economia, o que significa prejuízos e sofrimento para os mais vulneráveis e pobres.
O capitão-presidente, que sempre fala em democracia, mas queria fechar o Supremo Tribunal Federal com tropas das Forças Armadas, vai à ONU e mente quando declara que os governadores e prefeitos são os maiores culpados pelas quase 140 mil mortes.
Ora, o Ministério da Saúde (dois ministros médicos deixaram a pasta para não trair seus juramentos), agora dirigido por um general (ele entende de armas), passa todo tempo fazendo propaganda da Cloroquina e é contrário a isolamentos. O próprio governo não dá exemplo quanto ao simples uso de máscaras.
Em conluio com a CBF, o próprio Ministério recomenda a abertura dos estádios de futebol ao público, onde se sabe ser impossível manter o distanciamento entre torcedores, especialmente no calor das partidas e dos xingamentos a juízes, adversários e ao seu próprio time quando está perdendo. Mesmo com a capacidade reduzida para 30%, vai ser inevitável as aglomerações nas entradas e saída, sem falar das ocasiões que se parte para a violência.
“COMO A CHINA TORNOU-SE CHINESA”
Quando os europeus chegaram em 1930 em nova Guiné ficaram surpresos ao ver paisagens semelhantes à da Holanda. Viram extensos vales completamente desmatados e pontilhados de aldeias, e campos drenados e cercados para a produção intensiva de alimentos. Os papuas das planícies e do litoral são aldeões que dependem muito do peixe, enquanto os que vivem em terrenos secos sobrevivem cultivando a banana e o inhame, complementando com a caça.
Em sua história, os habitantes da Nova Guiné sofreram vários golpes biológicos e geográficos que dificultaram seu desenvolvimento, como o fato das zonas centrais das montanhas serem as únicas áreas ideais para a produção intensiva de alimentos. A população nunca passou de um milhão até que os europeus levaram para lá a medicina e puseram fim às guerras entre as tribos.
NOVA GUINÉ NÃO PODE AVANÇAR
Com essas descrições o autor do livro “Armas, Germes e Aço”, Jared Diamond diz que, com cerca de um milhão de pessoas, Nova Guiné não pode avançar muito na tecnologia, na escrita e no sistema de política, como ocorreu no Crescente Fértil, na China, nos Andes e na Mesoamérica, com milhões de pessoas.
Antes de entrar no capítulo “Como a China Tornou-se Chinesa”, o cientista faz uma viagem por nova Guiné e afirma que ela tem a maior concentração de idiomas do mundo. Mil das seis mil línguas do mundo abarrotam uma área pouco maior que a do Texas. São divididas em várias famílias linguísticas tão diferentes como o inglês do chinês.
Ele fala dos vizinhos, como os aborígines australianos caçadores-coletores que quase nada tinham a oferecer aos papuas, bem como as ilhotas Bismarck e Salomão. Sobre a Indonésia, esta foi ocupada por produtores de alimentos originários da Ásia que de lá partiram para Nova Guiné e outras regiões.
Os chamados austranésios (origem da China) se estabeleceram nas ilhas oeste, norte e leste da Nova Guiné onde introduziram a cerâmica, as galinhas e, provavelmente, cães e porcos. Nos últimos mil anos, o comércio ligou Nova Guiné às comunidades mais avançadas de Java e da China.
Nova Guiné exportava plumas de aves e especiarias e recebia mercadorias, como artigos de luxo e porcelana do sudeste da Ásia. Isso não havia acontecido até 1511 quando os portugueses chegaram às ilhas Molucas e interceptaram os avanços da Indonésia. A colonização deixou um extermínio de mamíferos, tanto em Nova Guiné como na Austrália. O único mamífero domesticado de fora foi o cachorro da Ásia.
Diamond descreve a situação climática na Austrália, de terras estéreis e de secas implacáveis. Por causa desses fatores, a agricultura lá continua até hoje sendo um negócio arriscado. Algumas plantas como o inhame, o inhame branco e araruta são cultivadas em Nova Guiné, mas crescem também no norte da Austrália, que têm pastagens favoráveis aos cangurus. Os aborígines ficavam nas regiões mais úmidas e mais produtivas, mas os europeus os expulsaram de suas terras, com matanças generalizadas.
Mesmo com terras inóspitas, a Austrália conseguia fazer colheitas de sementes de milhete silvestre (família do sorgo), que era a base da agricultura chinesa antiga. As ferramentas usadas, como a faca de pedra e o rebolo eram semelhantes às inventadas de forma independente no Crescente Fértil. A situação geográfica limitou a população de caçadores na Austrália. Com isso, possuía bem menos inventores potenciais que os milhões da China e da Mesoamérica.
AS INVASÕES DOS POVOS AUSTRANÉSIOS NA AUSTRÁLIA E NA NOVA GUINÉ
Em sua viagem de pesquisas pela Ásia, principalmente na Nova Guiné, o cientista Jared Diamond faz um relato sobre a influência dos austranésios (povos originários do sul da China) entre os povos em torno da Indonésia, da Austrália, Nova Guiné e em outras ilhas asiáticas do Pacífico até a Polinésia. Ele conta sua experiência fracassada para trilhar uma subida no deserto australiano a fim de conhecer umas pinturas rupestres, coisa que os aborígines faziam com facilidade.
De acordo com ele, a Austrália é o continente mais seco, mais plano, mais estéril e biologicamente mais pobre entre os outros. Assinala que foi o último continente a ser ocupado pelos europeus que dizimaram os nativos das terras mais temperadas e não chegaram a alcançar a parte mais desértica. Até o século XIX, ali abrigavam as sociedades humanas mais peculiares e a população menos numerosa de todos os continentes.
SEM MARCA DA CIVILIZAÇÃO
“A Austrália é o único continente onde, nos tempos modernos, todos os povos nativos ainda viviam sem qualquer marca da chamada civilização – desprovidos de agricultura, gado bovino, metal, arcos e flechas, aldeias povoadas, tribos centralizadas ou Estados”. Um explorador francês chegou a dizer que os australianos são a gente mais miserável do mundo, e os seres humanos mais próximos das bestas selvagens.
No entanto, 40 mil anos atrás, segundo Diamond, as sociedades australianas nativas levavam uma grande vantagem sobre os europeus e povos de outros continentes. Eles desenvolveram ferramentas de pedra e embarcações mais antigas do mundo. Em sua avaliação, os humanos modernos podem ter povoado a Austrália antes de habitarem a Europa Ocidental. Por que, então, os australianos não conquistaram a Europa?
Ele explica que na Era Glacial, o nível do mar baixou muito em relação ao atual (mar de Arafura) entre a hoje Austrália e a Nova Guiné. Quando as lâminas de água derreteram, há 12 e 8 mil anos, o nível do mar subiu muito. As sociedades humanas dessas duas massas de terra, antes unidas, se tornaram diferentes uma da outra. A maioria dos papuas da Nova Guiné era de lavradores e criadores de porcos. Eram politicamente organizados em tribos.
Diamond constatou que, 40 mil anos trás, essas travessias devem ter sido feitas em balsas de bambu, embarcações de baixa tecnologia, mas propícias para o alto mar, ainda utilizadas no litoral meridional da China de hoje. Só nos últimos milhares de anos encontramos indícios seguros na forma de aparecimento de porcos e cães oriundos da Ásia, respectivamente na Nova Guiné e na Austrália. Antes não existiam provas da chegada de seres humanos pela Ásia.
Quando os europeus começaram a colonizar a Nova Guiné, no final do século XIX, os nativos eram analfabetos, usavam ferramentas de pedra e não eram organizados em Estados, ou tribos centralizadas. Para Diamond, o povo australiano e o da Nova Guiné representa um enigma dentro de outro enigma. Os aborígines são diferentes dos europeus, por isso, muitos estudiosos consideraram um elo perdido entre os macacos e os seres humanos.
Milênios de isolamento, e as línguas modernas aborígines australianas e as do grupo principal da Nova Guiné (papuas) não revelam qualquer relação com outra língua asiática. “Estudos genéticos sugerem que os aborígines da Austrália e os montanheses da Nova Guiné são um pouco mais parecidos com os asiáticos modernos do que com os povos de outros continentes”.
Depois de 40 mil anos, os australianos continuavam caçadores-coletores, mas, o surpreendente é que o continente possui as mais ricas reservas de ferro e de alumínio do mundo, bem como de cobre, estanho, chumbo e zinco.
ASIÁTICOS FORA DA CHINA E O ISOLAMENTO
O pesquisador destaca que os primeiros colonos asiáticos da Grande Austrália tiveram muito tempo para se tornarem diferentes de seus primos asiáticos, que não saíram de casa, com trocas genéticas limitadas. Em sua análise, o tronco familiar original do sudeste da Ásia, do qual derivavam os colonos da Austrália, foi sendo substituído por outros asiáticos que se espalharam fora da China.
Os cabelos crespos dos papuas contrasta com o liso ou ondulado dos australianos. As duas línguas não têm relação com a asiática, nem entre elas. Todas essas divergências, de acordo com Jared, refletem o longo período de isolamento em ambientes diferentes. Estudos de pólen atestam o grande desmatamento dos vales, há cinco mil anos, indicando a destruição das florestas para a agricultura em Nova Guiné.
Como o inhame branco e a banana são nativas do sudeste da Ásia, supunha-se que outras culturas das regiões montanhosas da Nova Guiné vieram também de lá. Percebeu-se, entretanto, que os ancestrais silvestres da cana-de-açúcar, dos vegetais folhosos e dos talos comestíveis são espécies da Nova Guiné. O inhame branco é nativo da Nova Guiné e da Ásia. Admite-se agora que a agricultura surgiu nas áreas montanhosas da Nova Guiné pela domesticação local.
“A Nova Guiné, portanto, junta-se ao Crescente Fértil, à China e a algumas outras regiões como um dos centros mundiais de origens independentes da domesticação de plantas. Os três elementos estrangeiros na produção de alimentos das regiões montanhosas, conforme notaram os primeiros exploradores europeus, eram as galinhas, os porcos e as batatas-doces.
A CARA DA MISÉRIA!
A triste imagem é um flagrante “pipocado” das lentes da máquina do jornalista Jeremias Macário, que retrata a miséria em nosso país, piorando cada vez mais nos últimos anos. Pesquisa recente do IBGE registrou mais de 20 milhões de brasileiros que vivem hoje na extrema pobreza, o que quer dizer, passando fome, uma tremenda vergonha para o Brasil que não cuida de seus filhos. A foto é de moradores de rua, em Vitória da Conquista, na Praça Barão do Rio Branco, que se somam a outros milhares ou milhões espalhados em todo país. Na mesma situação, ou até pior, existem as milhares de famílias que vivem amontoadas em casebres sujos, expostas aos esgotos a céu aberto, com crianças e idosos que dormem com a barriga vazia e acordam como mortos-vivos zumbis. Para piorar mais ainda o quadro, são os mais vulneráveis à pandemia. Já disse o poeta cancioneiro que “o Haiti é aqui”. Enquanto isso, o resto da nação menos pobre sustenta várias castas nos poderes com suas mordomias de supersalários, que ainda dão o luxo de roubar e não serem punidos. A maioria que foi presa pela Força Tarefa da Lava Jato, em estado terminal, está voltando para suas casas, para reorganizar suas quadrilhas de corruptos. Com todo esse quadro de miséria, o Brasil mantém um Congresso Nacional, 27 assembleias legislativas e mais de cinco mil câmaras de vereadores mais caros do mundo. É o paradoxo de um país rico que exibe para o mundo um dos piores índices em termos de desigualdade social. Tudo isso porque assassinaram a educação. Na falta dela, só ignorância, submissão, alienação, opressão e injustiças, que os governantes aproveitam para a perpetuação no poder. Mais pobreza e mais crianças nas ruas a chorar de fome! Todo essa situação só faz engrossar o caldo da violência. Os pobres geram mais filhos, e a fé na religião diz que foi assim que Deus quis. Triste Brasil! Oh quanta dessemelhança!
O FIM E O NOVO
Poema do jornalista Jeremias Macário. Este e outros podem ser encontrados em seu novo livro “Andanças”
De um tempo fizeram fatias,
e para uma noite criaram fogos;
inventaram a dança dos códigos,
na língua divinha da quirologia,
das cartas viradas e dos tarôs,
para ir ao futuro do ar e da jia,
de sonhos melados de fantasias.
É o final das contas de um ano…
um novo a contar que se anuncia;
é a despedida da via gregoriana,
religiosa, dionisíaca e profana,
de um reino espártaco e romano,
decifrado pela suma quiromancia.
É mais o fim de um ano…
da hora pontual da terra ranger;
dos mortos-vivos ressuscitarem;
explodirem as luzes do show,
quando o seu relógio zerar,
para o pacto entre amor e dor.
É mais o fim de um ano…
e um novo de Jeová, ou de Alá;
do deus da orgia sodomitana,
do ritual celta da bela cigana,
e do espírito cristão de se rezar.
Cada um pode fazer o seu fim,
para começar um outro novo,
com a cara pintada de humano,
nas águas desse imenso oceano,
onde vai se banhar nosso povo.
O novo pode ser o início do fim,
para quem não segue seus planos,
de se purificar dos apegos carnais;
dos caprichos capitais mundanos,
e não escolhe os simples portais.
Na sua taça fina da embriaguez,
borbulha o glamour da nudez,
girando o luxo em câmara lenta,
no ácido disfarçado de água benta.
Os foguetes dos canibais globais,
são explodidos em nossos quintais.
Os devotos fazem rituais viscerais,
de oferendas para seus orixás locais,
banhando todo de branco os litorais.
Os morros estendem os seus varais,
como se fossem concurso de festivais,
de pobres vistos como os anormais;
e a violência é manchete nos jornais.
No final se reparte o PIB desigual,
com a cara de um novo sujo imoral,
na disputa do Ocidente e do Oriente,
entre o Israel poderoso e o mulçumano,
vivendo todos na mira do Americano,
e que se dane a fome fatal do africano.
É o pipocar dos velhos espumantes,
na Paris milenar de seus viajantes,
nos mares lunares dos transatlânticos,
na companhia dos tarados amantes,
ou na Londres aristocrata imperial,
e na Atenas da sabedoria imortal,
derramando toda riqueza de um ano,
no consumo varado da compulsão,
enquanto nobres se fartam de brioche,
e os miseráveis ficam sem o seu pão.
No mosteiro do fim de ano,
ora o monge do alto monte tibetano,
pelo seu opressor filho das dinastias,
e na ilha das prisões de Guatânamo,
vivem acorrentadas de ódio as etnias.
Nem no fim, nem no novo,
se ouve o roncar da barriga vazia,
nem o apelo do santo peregrino,
para dividir parte dessa fortuna,
para matar a fome do nordestino,
e não derrubar a única baraúna.
A roleta da vida gira outra vez,
e passa o final, e passa o novo,
na rota mitológica de cada povo,
como dos heróis da mesopotâmia,
que têm que derrotar os monstros,
para livrar-se da saga cruel do caos:
matar o rei num sacrifício penoso,
para lavar todo pecado criminoso.
No novo da Pérsia e da Babilônia,
os escravos tomavam o assento
dos seus notáveis mestres das lidas,
para narrar e cantar seu lamento,
lambendo suas próprias feridas.
A Grécia celebrava o seu novo,
com a luta de Zeus contra Titã,
encenando uma liturgia pagã.
Os romanos festejavam a saturnália;
soltavam na arena a grande fera;
Cristo cortava o deserto de sandália,
para anunciar ao povo uma nova Era.
AS CONVENÇÕES ANTIDEMOCRÁTICAS
Fala-se tanto em democracia e pratica-se pouco no Brasil. Um exemplo mais claro e recente são as convenções partidárias onde as decisões são sempre tomadas de cima para baixo e não ao contrário, como rezam os discursos políticos. Este quadro antidemocrático está entranhado em todos os partidos, quer sejam de direita, de extrema, de centro ou de esquerda.
Como nas audiências que tratam de aprovação de projetos empresariais que vão impactar o meio ambiente, as medidas já são documentadas e levadas prontas, feitas por um comitê que já traçou todos os planos. Nas convenções, ainda é pior porque uma executiva partidária se reúne com outra e, em conversas reservadas de bastidores, resolve se coligar com o partido “A” ou “B”, e apresenta aos filiados e pré-candidatos justificativas pouco convincentes.
VOTAÇÃO EM PLENÁRIA
Por que as convenções, no momento exato do evento, não colocam em votação os pontos decisórios na plenária e seus membros homologam, ou não, com a aliança que foi feita lá atrás? A diretoria do partido apenas apresenta seus argumentos “estratégicos” que levaram a tomar aquela posição, e a grande maioria calada absorve a tabuada feita pelo grupo diretor. Apenas alguns discordam, mas, a esta altura, tudo já está consumado e consolidado.
Como nos Estados Unidos, convenção é como um pacote de produtos misturados que já vem fechado e ali é aberto e distribuído entre os presentes, numa festa de falatórios onde não é bem-visto quem rejeita o item que lhe foi entregue. Sempre nesses pacotes existem as surpresas, por mais que se imagine que pode resultar naquilo que passou pela sua cabeça.
Portanto, as convenções partidárias, no formato em que são feitas, têm sido, em sua grande maioria, antidemocráticas porque, como já disse, elas são aprovadas de cima para baixo. Cálculos financeiros e outros não convencem quando eles contrariam os propósitos ideológicos e a coerência do partido ante seus membros e do eleitor que estava acreditando numa coisa e recebeu outra.
OS MESMOS ERROS
Continua-se repetindo os mesmos erros do passado, quando se deveria partir para uma renovação e mudança em prol do fortalecimento do partido que, infelizmente, no Brasil virou agrupamento de interesses escusos de terceiros. Muito se explica e pouco se convence. Nesse panorama político, fica difícil para a pessoa bem-intencionada e séria entrar na política para fazer a diferença. Os bons terminam ficando de fora porque o sistema é bruto.
Outra questão impressionante nessas convenções, novamente volto a me referir aqui, seja qual for a linha ideológica, são as semelhanças nos discursos. Todos são de cunho socialista, no mesmo nível, que falam de cuidar da gente desamparada, do povo, de inclusão, de investir nos mais pobres e reduzir as desigualdades sociais através de programas públicos voltados para a distribuição de rendas.
Todos prometem defender mais espaço para as mulheres, para os negros, os homossexuais, os deficientes e as chamadas minorias em geral. Na aparência, todos estampam uma linha avançada de esquerda progressista e ai embola o meio de campo, como acontece em nosso futebol.
Acontece que lá na frente, quando saem vitoriosos, as posições de esquerda e de direita vão se afunilando, ficando mais visíveis em seus atos e comprometimentos. Como na análise do cientista biólogo e fisiologista, Jared Diamond, em seu livro “Armas, Germes e Aço”, as eleições nas tribos centralizadas e nos Estados terminam na cleptocracia, isto é, o poder do mais ricos e poderosos, que são os verdadeiros beneficiários. O povo termina sendo relegado a segundo, ou terceiro plano.
BOB JEFF É “O CARA”
Carlos González – jornalista
“Homem como ele está em extinção no Brasil”, referiu-se Herzem Gusmão ao deputado cassado Roberto Jefferson, seu convidado de honra na convenção do MDB, que confirmou seu nome como candidato a permanecer mais quatro anos à frente da Prefeitura de Vitória da Conquista. A troca de gentilezas entre os dois ex-simpatizantes do PT começou ainda no Aeroporto Glauber Rocha, quando o visitante lançou o nome do prefeito ao governo da Bahia.
Picado pela “mosca azul” que Jefferson trouxe no bolso do colete, Herzem já se vê em 2022, quando terá 74 anos, residindo no aprazível casarão do Alto de Ondina, em Salvador. Provavelmente, nem imaginou que uma derrota nas eleições municipais de novembro, o que é viável, diante dos erros que vem cometendo como gestor, irá enterrar o sonho de chegar ao mais alto cargo no Estado.
Sem a presença do prefeito ACM Neto – a empresária Sheyla Lemos foi a Salvador para fazer o convite – Herzem Gusmão reservou o tapete vermelho e as palavras de elogio a um político cuja carreira foi alimentada por escândalos financeiros, somados a uma condenação a 10 anos de cadeia, pena reduzida para sete anos, ao se assumir como delator. Num passado recente, o prefeito conquistense tomou como padrinhos os irmãos Vieira Lima (Geddel e Lúcio), condenados por lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Neto, que já fez parte do time de gurus de Herzem, não veio a Conquista, evitando, assim, ouvir as injúrias proferidas contra ele pelo xerife Bob Jeff (ele gosta do apelido, que o liga aos mocinhos e bandidos do velho oeste americano), Um dos prazeres do caubói do asfalto é posar com um rifle de longo alcance, ameaçando os traidores da pátria, os ministros do STF e a imprensa.
Enquanto o anfitrião da festa aprimorava os elogios ao novo padrinho, fora do recinto da convenção, servidores públicos, moradores da periferia, professores e rodoviários, faziam justas e pacíficas reivindicações à administração municipal. No mesmo instante, a Polícia Federal procurava pela ex-deputada Cristiane Brasil, filha de Roberto Jefferson, acusada de fazer parte de uma organização que desviou R$ 120 milhões do Estado do Rio.
Respostas evasivas
“Presidente Jair Bolsonaro, por que sua esposa recebeu R$ 89 mil em depósitos de Fabrício Queiroz?”. A pergunta, que motivou ameaça a uma repórter, foi a mais difundida nas últimas semanas em todos os cantos do país. Já em Vitória da Conquista há também o interesse da população em saber onde foram aplicados os 17 milhões de reais enviados pelo governo federal e destinados ao enfrentamento da Covid-19.
Resposta dos Bolsonaro: os depósitos bancários correspondem ao pagamento de um empréstimo de R$ 40 mil (bem menos do que o valor comprovado pela “Folha de S. Paulo”), feito pelo casal ao leal amigo da família. Aqui, Herzem Gusmão explicou que o dinheiro está guardado para futuras intervenções contra a pandemia.
Priorizando a reeleição, o birrento alcaide conquistense levou para o terreno da politização a saúde da população, alimentando uma briga quixotesca com o governo do Estado, sem querer admitir que a Covid 19 encontra na cidade um campo propício para avançar. A reabertura do comércio, contrariando uma ordem judicial, foi determinante para o aumento de infectados pelo vírus e o de leitos ocupados, Esses elementos impediram a normalização do transporte rodoviário intermunicipal.
Vitória da Conquista, que em 2019 festejou um primeiro lugar, caiu este ano mais de 50 posições no quesito “Governança”, avaliado pelo Connected Smarts Cities. A queda foi divulgada pelo jornal Sudoeste Digital, revelando que a redução de investimentos na saúde e educação foram fatores determinantes para esse revés, que entra na conta do passivo da prefeitura a dois meses das eleições.
Ao concluir, lembro aos responsáveis pela saúde e esportes do município o cumprimento do protocolo da CBF, encaminhado às cidades onde são realizados jogos pelo Campeonato Brasileiro. A estreia do Vitória da Conquista na série D do Brasileirão está marcada para domingo, às 16 horas, contra o Coruripe, de Alagoas, no Lomantão. O guia médico inclui uma série de medidas de proteção para atletas, comissões técnicas e pessoal de apoio nos estádios, nesse período de pandemia














