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OS GERMES SÃO BEM MAIS INTELIGENTES DO QUE OS NEGACIONISTAS DA CIÊNCIA (II)

A IMPORTÂNCIA DOS MICRÓBIOS NA CONQUISTA DO NOVO MUNDO

O autor do livro “Armas, Germes e Aço”, de Jared Diamond, assinala que “a importância dos micróbios na história humana é bem ilustrada pelas conquistas europeias e o despovoamento do Novo Mundo”. De acordo com a conclusão do cientista, muito mais ameríndios morreram abatidos pelos germes eurasianos do que pelas armas e espadas europeias nos campos de batalha.

Cita, como exemplo, que em 1519, Cortez desembarcou na costa do México com 600 espanhóis a fim de conquistar o império com uma população de milhões. Cortez atacou a capital Tenochtitlán e depois recuou por ter perdido dois terços da sua gente na luta.

A VARÍOLA

No retorno violento, os astecas não eram mais ingênuos e guerrearam com tenacidade. O que deu aos espanhóis uma vantagem foi a varíola, que chegou ao México em 1520, através de um escravo contaminado procedente de Cuba. A epidemia matou quase metade dos astecas, incluindo o imperador Cuitláhuac. A doença exterminava os astecas e poupava os espanhóis.

Narra o biólogo Diamond, que Pizarro foi também ajudado por um acaso quando desembarcou na costa do Peru, em 1531, com 168 homens para ocupar o Império Inca formado por milhões de habitantes. A varíola havia chegado por terra em 1526 e dizimado grande parte da população inca, incluindo o imperador Huayna Cápac e seu sucessor. Por um tempo, o trono ficou desocupado por causa da guerra civil provocada pelos dois filhos de Huayna. Pizarro explorou esses pontos para conquistar o império dividido.

Quando Colombo chegou, em 1492, a América do Norte abrigava aldeias indígenas populosas no vale do Mississippi, um dos melhores terrenos para a agricultura. Ali, os conquistadores não contribuíram diretamente para a destruição da sociedade, mas os germes eurasianos que se disseminaram antes na região. Hernando Soto, o primeiro a chegar ao sudeste dos Estados Unidos, em 1540, encontrou em sua marcha aldeias indígenas abandonadas porque a população havia morrido em epidemias, propagadas pelos índios do litoral infectados pelos espanhóis. Quando os colonos franceses chegaram no trecho do Mississippi, no final do século XVII, quase todos os indígenas já haviam desaparecido.

OS PRINCIPAIS ASSASSINOS

Na América do Norte ensinavam nas escolas que o território era ocupado por cerca de um milhão de índios, mas, na verdade, existiam 20 milhões. “Para o Novo Mundo, estima-se que o declínio da população indígena nos dois primeiros séculos posteriores à chegada de Colombo tenha sido de 95%. Os primeiros assassinos do Novo Mundo foram os germes aos quais os índios foram expostos e não tinham resistência imunológica. “Varíola, gripe, sarampo e tifo disputavam o primeiro lugar entre os assassinos”. Como se não bastassem, vieram ainda a difteria, malária, caxumba, coqueluche, peste, tuberculose e a febre amarela.

Tenochtitlán era uma das capitais mais populosas do mundo, e por que não tinha germes esperando pelos espanhóis? – indaga o cientista. Uma das respostas é que os três centros americanos mais densamente povoados, o Andes, a Mesoámerica e o vale do Mississipi nunca se interligaram por um comércio regular que os transformassem em terreno propício para a proliferação de micróbios. como aconteceu na Europa, norte da África, Índia e China no período romano.

“Vimos que as doenças de multidão eurasianas se desenvolveram a partir das doenças dos rebanhos domesticados. Enquanto muitos deles existiam na Eurásia, apenas cinco foram domesticados nas Américas, como o peru no México e no sudeste dos Estados Unidos, a lhama/alpaca e o porquinho-da- índia nos Andes, o pato-do-mato na América do Sul e o cachorro em todo continente”.

Essa escassez extrema de animais domesticados no Novo Mundo reflete a falta de material selvagem inicial. Cerca de 80% dos grandes mamíferos selvagens das Américas foram extintos no final da última Era Glacial, por volta de 13 mil anos atrás.

Os germes, segundo o estudioso, desempenharam um papel-chave no extermínio dos povos nativos em muitas outras partes do mundo, incluindo os habitantes das ilhas do Pacífico, os aborígenes australianos e os coissãs da África Meridional.

Um dos exemplos é que a população indígena da ilha Hispaniola (Grandes Antilhas) caiu de cerca de oito milhões na chegada de Colombo para zero por volta de 1535. O sarampo chegou a Fiji com a volta de um chefe fijiano depois de uma visita à Austrália, em 1875.

O PAPEL DOS GERMES

A sífilis, gonorreia, tuberculose e a gripe, que chegaram juntos com o navegador  James Cook, em 1779, seguida de uma grande epidemia de febre tifoide, em 1804, e outras epidemias secundárias, reduziram a população do Havaí de meio milhão de habitantes para 84 mil, em 1853, ano em que chegou a varíola e acabou matando cerca de dez mil sobreviventes. “Embora o Novo Mundo e a Austrália não tivessem doenças epidêmicas nativas à espera dos europeus, a Ásia tropical, a África, a Indonésia e a Nova Guiné tinham. A malária no Velho Mundo, o cólera no sudeste da Ásia e a febre amarela na África eram e ainda são os assassinos tropicais mais notórios. Tudo explica porque a divisão colonial europeia da Nova Guiné e de grandes partes da África só foi feita 400 anos depois do começo da divisão europeia do Novo Mundo.

Não há dúvida de que os europeus tinham uma grande vantagem em termos de armas, tecnologia e organização política sobre a maioria dos povos não-europeus que conquistaram, mas os germes desenvolveram papel importante no domínio a partir da prolongada convivência com os animais domésticos. As armas, por si só, não explicam as conquistas.

Para quase todas as doenças, algumas pessoas são geneticamente mais resistentes que outras. “Numa epidemia, as pessoas com genes resistentes àquele micróbio em particular têm mais probabilidade de sobreviver do que aquelas que não têm esses genes”. O cientista destaca como exemplos dessas defesas genéticas, as proteções que os genes da anemia falciforme e da fibrose cística podem dar a negros africanos, judeus asquenazes (origem europeia central ou oriental) e europeus do norte contra a malária, a tubérculos e as diarreias bacterianas, respectivamente.

Descreve o biólogo que as epidemias de cólera ocorreram a intervalos mais longos, e a epidemia peruana de 1991 foi a primeira a atingir o Novo Mundo no século XX. A grande epidemia da história da humanidade foi a gripe espanhola, que matou 21 milhões de pessoas no fim da Primeira Guerra Mundial. A peste negra (bubônica) matou um quarto da população da Europa entre 1346 a 1352, com o número de mortes chegando a 70% em algumas cidades.

OS PREDADORES DO MEIO AMBIENTE E A SENHA PARA O ÓDIO E A INTOLERÂNCIA

Ao invés de combater as causas, ou atacar a raiz do problema, todas as vezes que a Amazônia e o Pantanal ardem em chamas, o cara do governo e seus seguidores mandam a marinha e o exército para a linha de frente apagar o fogo, como forma de maquiar uma agenda voltada para a destruição do meio ambiente. O certo não seria primeiro evitar os desmatamentos através do cumprimento das leis?

Essa é uma forma de tentar confundir a opinião pública brasileira e, ao mesmo tempo, enganar os grandes investidores nacionais e internacionais de que o governo federal está comprometido em preservar a natureza. No entanto, suas ações de abrandar a legislação ambiental entram em completa contradição.

“Fiscalização não é prioridade”

A primeira atitude do capitão ao assumir a Presidência da República foi dizer que a fiscalização contra os desmatamentos não era sua prioridade e, para comprovar isso, logo providenciou desmontar as estruturas do Ibama, do Instituto Chico Mendes e da Funai, como forma de passar a “boiada” dos regramentos, conforme ficou explícito na fala do ministro do Meio Ambiente, que está mais para predador.

Não dá para entender como um governo faz acordos com garimpeiros ilegais e alguns índios manipulados por criminosos, para interromper uma fiscalização num local onde a terra que antes era coberta por árvores, protegendo a flora e a fauna, virou escombros, sem contar a contaminação dos rios por produtos venenosos. Como entender um governo que exonera diretores e pune fiscais do Ibama porque foram rigorosos contra os grileiros e garimpeiros, queimando maquinários?

O ministro da Economia é outro que procura jogar o lixo debaixo do tapete ao justificar o aumento das queimadas brasileiras, consequência dos desmatamentos por parte de grileiros e produtores rurais, lembrando aos estrangeiros que eles no passado devastaram as florestas da Europa, o Velho Mundo, através das guerras sangrentas e do uso das terras para criação e produção de alimentos. Ainda pede que eles sejam gentis como nós somos.

Senhor ministro, primeiro um erro não justifica outro, e segundo, ao longo dos últimos 60 ou 70 anos, os governos europeus trabalharam para corrigir os grandes desastres cometidos contra o meio ambiente, fazendo a cobertura vegetal do solo através do reflorestamento de quase metade de seus territórios e despoluindo muitos rios! Foi como se dissesse: Se vocês desmataram, agora é a nossa vez, quando o caminho não é por aí.

O vice-presidente da República e agora presidente de um Conselho da Amazônia (só deles) reconhece que houve aumento do desmatamento, mas, do outro lado, nega os dados do Instituto Nacional de Pesquisas. É assim que eles querem convencer os investidores de que estão zelando por nossa casa? É subestimar a inteligência dos outros!

As senhas da destruição e do ódio

Todas essas práticas nefastas contra o meio ambiente soam como se o governo estivesse abrindo a senha para a entrada franca dos predadores, numa quebra das regras. É como se dissesse que esse governo não veio para construir, mas para destruir.

O sinal não foi aberto somente para os destruidores do meio ambiente, mas também para os racistas, nazifascistas, misóginos, os negacionistas da ciência, os defensores de uma intervenção militar e para os homofóbicos saírem de suas tocas para destilar seu veneno do ódio e da intolerância, daí o aumento dos feminicídios, dos ataques aos negros, aos homossexuais e outras categorias que não comungam com suas ideias antidemocráticas.

Como se estivéssemos nos tempos da ditadura, o Ministério da Justiça montou um dossiê para acompanhar, retaliar e inquerir contra movimentos antifascistas, inclusive professores, considerados opositores e inimigos de uma agenda autoritária e discriminatória que se instalou no governo atual sob o comando do capitão-presidente e seus generais de plantão.

 

 

 

 

O INTERVALO DO DIABO

E mais um texto-prosa que faz parte do livro “ANDANÇAS”, de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário, que pode ser encontrado na livraria Nobel e na Banca Central, em Vitória da Conquista.

Salustiano Querosene do Pavio é um trabalhador braçal que nasceu e vive há anos nos confins dos grotões deste Brasil que muita gente diz que é aonde o diabo gosta e o vento faz a curva, cafundós do Judas ou o fim do mundo. Salustiano e a gente daquele pedaço de chão nem existem como seres humanos cidadãos, mas já ouviram falar das artimanhas do Diabo, ou do Belzebu Satanás chifrudo que não perde um descuido ou um intervalo de fraqueza para roubar uma alma.

Quando Salustiano não tem dinheiro, e isso é quase sempre, para comprar na venda o querosene de acender o candeeiro pra clarear seu casebre, ele apela para o óleo de mamona extraído dos bagos pisados no pilão. O pavio é feito do algodão colhido de um pequeno plantio de sua roça. Quando não tem algodão vai mesmo um pedaço velho de pano. O pior de tudo é a escuridão quando o Diabo mais aprecia para fazer suas assombrações.

Teve um tempo que Salustiano vendia querosene e pavio, mas o negócio não foi pra frente por causa dos fiados que não recebia. Restou o seu nome dado pelo povo. Essa expressão  “pobre diabo”, pessoa que trabalha como condenado e nada tem, escrava do poder e que não incomoda ninguém, é o típico Salustiano.

Mesmo temente a Deus, ele sabe e sente na carne e na alma que é um “pobre diabo”, só não sabia que desde a antiguidade, nos tempos dos bárbaros, antes e depois de Cristo, inclusive nas Cruzadas e na Idade Média, existiu uma sociedade secreta chamada de “O Intervalo do Diabo”, onde a entidade era reverenciada como deus da fortuna para uns poucos e da desgraça para os que se arrastavam na miséria e na ignorância.

Com ou sem sociedade, o Diabo, que não é nada de pobre, não dispensa seu intervalo na concorrência com Deus e sempre aumenta seu espaço através dos tempos, ainda mais materializada nos atuais, sem precisar de muito esforço e tentação. Às vezes, Ele se disfarçar de Deus para atrair a atenção e conseguir mais e mais intervalo, inclusive em horários nobres. A competição é uma arte na busca por mais clientes, e a disputa é acirrada.

Sem perceber, Salustiano sempre está caindo no papo Dele, mas não é só ele que é iludido, é muita gente mesmo, sem contar que o danado Rabudo é exímio marqueteiro e garoto propaganda dos templos sagrados. Se nas inquisições da Idade Média Ele deitou e rolou, agora na era do consumismo o Lúcifer está se esbaldando. O charme é que para confundir, o Diabo tem vários nomes e passaportes diferentes. Roda o mundo em mil disfarces exibindo suas artimanhas. Pode até ser feio para muitos, mas que o bicho é popular, isso é!.

Tem-se como certo que o Diabo é tirânico e vingador, mas esta caricatura também foi imputada a Deus pelo Antigo Testamento e através dos temidos frades pregadores da Igreja Católica com suas palavras que cortavam como chibatadas salgadas nas almas pecadoras condenadas a arder no fogo do inferno. Nos púlpitos condenatórios, o Diabo triunfa e ganha seus intervalos.

Dizem que Ele está sempre na espreita em cada rota, em cada estrada e encruzilhada da vida atrás do seu precioso intervalo em forma de prazer e dor. Salustiano Querosene sempre teve um bom coração e cuidou bem da sua família. Quando podia, ajudava seus semelhantes e procurava cortar outro caminho para desviar do Diabo, mas o capeta estava sempre na moita.

Um dia Ele chegou na varanda de sua casa bem de mansinho e cochichou uma intriga em seu ouvido de que sua mulher estava lhe traindo com seu melhor compadre. Pior que Salustiano já trazia uma ponta de cisma da amizade e do olhar entre os dois. Com o intervalo que conseguiu, o Chifrudo agora podia voltar depois para fazer o serviço completo.

Com aquilo no juízo, Salustiano Querosene, marcado pelas labutas do dia-a-dia, sem sucessos e sem garantias de uma vida melhor, foi se enchendo de raiva e amargura em seu coração. Os pensamentos ruins formigavam em sua cabeça roendo seus neurônios. Sempre foi temente a Deus, mas o Diabo tinha seu intervalo.

Sacudido por mais um fracasso em sua roça castigada pela seca e num intervalo fulminante da ira, Salustiano sangrou sua mulher em frente dos filhos. Matou ainda seu compadre vizinho e sumiu no mundo para terras estranhas onde ninguém nunca mais o encontro.

Todos disseram por aquelas redondezas que Salustiano estava com o Diabo no corpo. Alguém contou que viu ele com uma peixeira na mão passar veloz como o vento no cruzamento do povoado mais próximo. Parecia mais com uma onça escorraçada depois de um ataque surpresa. Rápido, o “pobre diabo” melado de sangue sumiu no agreste cinzento da paisagem árida.

 

 

 

OS VÍRUS SÃO BEM MAIS INTELIGENTES DO QUE OS NEGACIONISTAS DA CIÊNCIA

Em tempos de pandemia do coronavírus, para quem aprecia uma boa leitura, recomendo ler o autor de “Armas, Germes e Aço”, de Jared Diamond, fisiologista e biólogo, professor e membro da Academia Americana de Artes e Ciência que, em sua obra, faz uma viagem de 13 mil anos de história dos continentes. Concluiu que a dominação de uma população sobre outra tem fundamentos militares, ou nas doenças epidêmicas que dizimaram sociedades de caçadores-coletores e agrícolas.

Antes de entrar na parte terceira do livro “Do Alimento às Armas, aos Germes e ao Aço”, Diamond faz um relato científico sobre a evolução dos animais, incluindo o homem através dos tempos desde seus ancestrais gorilas e os chipanzés, passando pelo homo sapiens e o de neandertal. Mostra a viagem do homem para outros continentes e sua evolução através dos tempos.

Até o Novo Mundo e a Covid-19

A partir do ano 11 mil a.C. e, principalmente, oito mil no Crescente Fértil (Ásia), maior celeiro do mundo na produção de alimentos, o autor descreve a domesticação das plantas silvestres e dos animais mamíferos pelos agricultores e caçadores-coletores nos diversos continentes, a começar pela África, Eurásia, Ásia, Polinésia até o Novo Mundo das Américas.

Depois de uma longa introdução científica sobre as diversas formas de domesticação, suas causas e efeitos do surgimento agrícola dos grãos, legumes, fibras, tubérculos e a expansão da produção de alimentos (“Vastos Céus e Eixos Inclinados”), o autor entra no capítulo “O Presente Letal dos Animais Domésticos”, a parte mais interessante por nos remeter ao presente atual em que vivemos com o mortal Covid-19.

Você vai ter uma visão geral das formas de contaminação do homem pelos diversos germes, bactérias, micróbios e vírus que já mataram milhões nos últimos quatro ou cinco mil anos. O leitor vai descobrir como os germes, os micróbios, as bactérias e os vírus são inteligentes durante seu processo de reprodução e evolução. São bem mais inteligentes que os humanos que não acreditam em suas existências e negam a ciência, se deixando contaminar e infectando os outros.

Comparando os caçadores-coletores com os agricultores, o biólogo diz que estes tendem a expirar germes piores, possuir armas melhores e tecnologias mais poderosas, além de ter governos centralizados capazes de empreender guerras de conquistas. Para ilustrar os elos que interligam a criação de animais e culturas agrícolas aos germes, ele conta o caso de um casal doente no hospital com uma enfermidade misteriosa onde depois o médico descobriu que o marido havia mantido relações sexuais com ovelhas. Com isso, Diamond quis mostrar a importância das doenças humanas de origem animal.

Os principais assassinos da humanidade

De acordo com ele, a maioria ama platonicamente seus bichos de estimação, citando o carinho exagerado por ovelhas. Um censo na Austrália constatou mais de 17 milhões de habitantes contra quase 162 milhões de ovelhas. “Muitos de nós, crianças e adultos, chegam a contrair doenças infecciosas dos animais de estimação”.

Destaca que a varíola, a gripe, a tuberculose, malária, peste bubônica, sarampo e cólera foram os principais assassinos da humanidade ao longo de nossa história. Essas doenças infecciosas foram transmitidas por animais, “embora a maioria dos micróbios responsáveis por nossas próprias epidemias agora esteja restrita aos seres humanos”.

“Até a Segunda Guerra Mundial, segundo ele, uma quantidade maior de vítimas morreu por causa de micróbios trazidos com a guerra do que dos ferimentos das batalhas”. Em sua conclusão, os vencedores das guerras passadas nem sempre foram os exércitos com os melhores generais e as melhores armas, mas quase sempre aqueles que carregavam os piores germes para transmiti-los aos inimigos.

Aponta que os exemplos mais terríveis do papel dos germes na história vêm da conquista das Américas pelos europeus a partir de Colombo, em 1492. “Mais numerosos que os ameríndios vítimas dos conquistadores espanhóis foram as inúmeras vítimas dos micróbios espanhóis assassinos. Muitos outros povos nativos foram dizimados por germes eurasianos e o inverso aconteceu com os conquistadores europeus nas regiões tropicais da África e da Ásia”.

Em sua observação, assinala que para um micróbio, a propagação pode ser definida matematicamente como o número de novas vítimas contaminadas por cada paciente original. “Esse número depende de quanto tempo cada vítima permanece capaz de infectar novas vítimas, e da eficácia com que o micróbio é transmitido de uma vítima para a seguinte”.

Os micróbios e as maneiras de passar para outros

Eles, os micróbios, desenvolveram diversas maneiras de passar de uma pessoa para outra, e de animais para as pessoas. O que melhor se propaga deixa mais “filhotes”, ou bebês, e acaba favorecido pela seleção natural. “A melhor maneira do germe se alastrar é esperar que seja transmitido passivamente para a próxima vítima. Essa é a estratégia de aguardar que um hospedeiro seja comido pelo próximo hospedeiro”. Um exemplo por ele descrito, é o caso da bactéria salmonela. Outro caso ocorre com o verme responsável pela triquinose, que passa dos porcos para nós, esperando que se mate o animal e seja comido sem o cozimento adequado.

“Esses parasitas passam para uma pessoa quando ela ingere carne de um animal. No entanto, o vírus do kuru nas regiões montanhosas da Nova Guiné era transmitido para pessoas que se alimentavam da carne humana. Alguns micróbios, porém, não esperam que o hospedeiro morra e seja comido. Eles pegam carona na saliva de um inseto que pica o hospedeiro e sai voando para achar um novo”.

Um dos exemplos são os mosquitos, pulgas, piolhos ou moscas africanas tsé-tsé, que transmitiam malária, peste bubônica, tifo e a doença do sono. Existe o micróbio que passa de uma mulher para o feto e contamina o bebê no nascimento.

As lesões da pele causadas pela varíola também transmitem micróbios por contato corporal direto ou indireto – assinala o cientista. O autor do livro cita, como exemplo, a ação criminosa dos homens brancos dos Estados Unidos que, para exterminar os índios nativos, enviaram-lhes de “presente” cobertores usados antes por pacientes com varíola.

“A bactéria do cólera provoca em sua vítima intensa diarreia que espalha bactérias no sistema de abastecimento de água das novas vítimas potenciais, enquanto o vírus responsável pela febre hemorrágica coreana propaga-se através da urina dos ratos. O vírus da hidrofobia (raiva) se aloja na saliva de um cão contaminado e ainda provoca no animal o furor de morder”.

Pelo esforço físico do próprio micróbio, os campeões, conforme aponta o biólogo, são vermes como o ancilóstomo e o esquistossoma que penetram na pele de um hospedeiro em contato com a água e a terra na qual suas lavras foram excretadas nas fezes de uma vítima anterior. “Do ponto de vista de um germe, são estratégias evolutivas inteligentes para se disseminar”.

Afirma o autor que os anticorpos específicos desenvolvidos contra um micróbio que nos contamina reduzem a probabilidade de uma reinfecção depois de curados. Por experiência, sabemos que há certas doenças, como a gripe e o resfriado comum, contra as quais nossa resistência é apenas temporária. “Podemos acabar contraindo a malária outra vez. No entanto, contra o sarampo, caxumba, rubéola, coqueluche e a varíola, nossos anticorpos conferem imunidade permanente”.

O VÍRUS E O FRIO

Nesses tempos de pandemia, Vitória da Conquista está mais vazia e sua gente tem procurado se afastar das ruas por causa do vírus e também do frio, que em muitas noites tem marcado 12 e 10 graus com a sensação térmica de até 7 graus. Como em todo planeta, por irônico que pareça, o meio ambiente tem agradecido à Covid-19 pela redução da poluição através das paradas e das limitações no funcionamento das indústrias, do comércio e dos serviços, apesar de ter causado até agora quase 100 mil mortes somente no Brasil. Quanto ao frio gelado, tem sido difícil suportar as temperaturas baixas e sempre os mais pobres são os que mais sofrem nas periferias em suas casas apertadas e com pouca proteção. Aliás, com relação ao vírus, acontece o mesmo. É a categoria mais atingida por diversos fatores que todos já sabem, como o baixo poder aquisitivo, o desemprego e menos recursos para se proteger da doença, que em Conquista se agrava a cada dia, principalmente com a reabertura do comércio. Essa imagem do centro da cidade, na Praça Barão do Rio Branco, foi captada pelo jornalista Jeremias Macário.  O frio vai logo passar. E o vírus também vai, mas não se sabe quando.

O CAVALO DEUS REI

Um dos poemas mais recentes de autoria do jornalistas Jeremias Macário

Como nas carruagens de fogo,

Galopeia, galopeia o deus rei,

Livre no orvalho a galopar,

Na poeira do cascalho da areia,

Que arou o chão do agricultor.

 

Como um poderoso Prometeu,

Da Ásia ao Novo Mundo veio,

Como deus dos incas-astecas,

Com Pizarro executou Ataualpa,

Cortez prendeu o rei Montezuma,

Massacrou os índios das Américas,

Do oeste sem lei, puxou diligências,

Tudo pelo ouro pra suas excelências.

 

Do cavalo o homem sua força sugou,

Cortou serras e matas da mãe terra,

Nas bigas da arena foi gladiador,

Mudou todas as formas de guerra,

Criou novos reinos e fez heranças,

Com aço espalhou armas e doenças,

Ainda impôs suas fanáticas crenças,

Como nas Cruzadas das matanças.

 

Cavalo-vaqueiro nos rastros da res,

Nos agrestes dos engaços do Nordeste,

Das Volantes no cerco à Coluna Prestes,

De valentes tenentes rumo ao Pantanal,

E sem ele não teria o Caubói faroeste,

Nem o som da divina canção do genial,

Assovio italiano de Ênio Marricone,

Nas filmagens áridas de Sérgio Leone.

 

Campolina, manga-larga machador,

O puro sangue mustang e o árabe,

Pelo deserto beduíno o alado voou,

Na África teve que arrastar escravos,

Com Alexandre cavalgou até a Índia,

Colonizaram nações com os bravos,

O deus rei cavalo dos papas templários,

Dos arsenais, santuários e das catedrais.

 

No frio russo como máquinas biônicas,

Guerreou nas batalhas napoleônicas;

Júlio César no rio ergueu sua espada,

Por anos foi o maior rei dos romanos,

E o sanguinário Átila usou seus cascos,

Pra queimar toda grama por onde passou,

E os mangoiós adoravam o deus animal,

O feroz que lutou até a I Guerra mundial.

 

 

CONVERSA COM OS BICHOS

Esta crônica faz parte do livro “ANDANÇAS”, de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário, lançado há pouco tempo e pode ser encontrado na livraria Nobel e na Banca Central, ou através do próprio autor pelo e-mail macariojeremias@yahoo.com.br e pelo tel 77 98818-2902.

Oh! meu gafanhoto: Veja o estouro da boiada. Não se tem mais certeza de nada. O mundo gira depressa e a locomotiva passa. O tempo engole a gente e não se espera o retardatário nas estações. É a corrida competitiva do ouro de tolo. Até os passarinhos não conseguem fazer seus ninhos sossegados. Quase que não se cruza mais com o vizinho. Não existe mais tropa de tropeiros, nem comitiva. As muralhas separam nações, para acirrar o ódio e o pavor.

O nível dos rios baixa e suas águas não escoam livremente. Correm apertadas entre lixo e erosão. Os bancos de areia avançam e o leito seco mata o sapo perereca. É o silêncio da morte chegando. Não mais as árvores das sombras cativantes. O vermelho guará prenuncia o perigo ao se alimentar da lama do mangue terminal. Na lança dos nativos, suas penas cores de sangue lembram o ritual da dança antropofágica.  Resta navegar, com presteza, nos desvios dos vazios.

O sertão está virando carvão, e o mar em esgoto venenoso. A terra se desloca, treme e arrebenta; cospe fogo como dragão; e sai de rotação. O tufão arrasta, contorce, torce e arremessa tudo que encontra em sua frente para o alto das montanhas. As ondas surgem como monstros marinhos; engolem o litoral; e sugam gentes e destroços. Destroem as façanhas dos homens e tudo vira um roto lamaçal.

As calotas se derretem; o clima esquenta, queima e a paisagem fica cinzenta. E eu cá, meu gafanhoto, a meditar na revolução e no paraíso original, sem o ímpeto de querer seguir a vida. Sonhei um mundo de poetas, sem polícia para bater, sem censores e sem câmaras de olhos malditos a vigiar. Sonhei um mundo sem grades, sem homens bombas e sem terras divididas em fronteiras. Sonhei com o vento sem fúria e com o livre viver, sem ter que me censurar antes de falar.

Não deixe, gafanhoto, que o sol derreta sua cara, nem se consuma nos desejos do inferno de Dantes. Não negocie ideologia e ética por estética.  Esteja vigilante para as armações das mentes. Contemple a luz do dia. Cuidado com a fera que espreita. Não deixe seu amor partir, mesmo que não seja eterno. Ouve o que diz a canção do mar nas dobras das ondas virando sal. Fica se for preciso ficar, para desafiar. Se não estiver incluído entre os melhores, não use como consolo o outro por ser o pior. Nunca se acomode com seu problema só porque o outro está em situação mais difícil. Seu cérebro pode estar cheio de estrias, rugas, celulites e varizes.

Não seja o próprio lobo de si mesmo. oh gafanhoto peregrino! Não se enrosque nos clichês dos desejos fúteis e supérfluos. As mãos se estendem nos sinais das vias, mas os carros seguem velozes e fechados, levando desesperanças. Outros cortam os caminhos. Os olhos verdes, azuis, pardos, castanhos e negros não se fitam mais. É isso aí, meu gafanhoto: Tenta refletir e controlar as emoções. As armadilhas dos amores são cheios de dores.  A naja e a ninfa têm suas próprias magias. O leão ostenta seu poder superior de rei. O uirapuru tem seu encanto no canto. O tangará faz sua dança sincronizada para sua fêmea namorar. O gavião peneira para nas alturas e desafia a gravidade, na busca da sua sobrevivência. O homem vive o desespero de vencer; de domar o tempo; o envelhecimento; e alcançar a imortalidade. Perdemos nossas referências e características. Temos reis e rainhas sem poder e sem trono. Procure, ao menos, ser a fênix.

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EM TEMPOS DE PANDEMIA

Em tempos de pandemia, só o capitão-presidente pega “mofo” por ter ficado em casa 20 dias, contrariando a ciência e a recomendação dos infectologistas e epidemiologistas. Ele quis dizer, indiretamente, para os brasileiros não ficarem em casa. Seu incentivo é que haja aglomeração. Nem acredito no teste dele. Pois é, ficar em casa só pega “mofo” quem não usa a mente e o corpo para produzir algo de bom para si e para os outros, como minhas hortas em casa, escrever, ler, fazer vídeos com poemas, esculturas, exercícios físicos  e inventar outras coisas para manter a mente sã e o corpo são. Desde que começou a Covid-19, tenho procurado ficar em casa, quando possível, ocupando minhas 24 horas a que ainda tenho direito. Nesses tempos, procure ocupar sua mente mais que o corpo, inclusive com leituras que, infelizmente, é o hábito de poucas pessoas. Essa horta é um dos meus frutos em tempos de pandemia. Esse cara do” mofo”, lamentavelmente, ainda tem seguidores da morte, ou do seu próprio mofo, que utilizam o tempo para contaminar os outros com seus radicalismos, racismos, ódios, fascismos e fundamentalismos. Propagam por ai o que há de pior em termos de retrocesso humano. Na foto do jornalista Jeremias Macário

UNS SE VÃO E OUTROS FICAM

De Jeremias Macário, em homenagem ao meu compadre e amigo-irmão “Luizão”

Olá, meu amigo-irmão!

Pra você que se foi,

Partiu sem me avisar,

Assim é a nossa vida:

Uns chorando nascem,

Outros no silêncio se vão,

E muitos por aqui ficam,

Para seguir o ciclo da lida,

Desse misterioso círculo,

Que nunca vai se fechar.

 

Todos, compadre-irmão!

Temos que aprender a lição

Das horas certas e incertas,

Com a sua conta a pagar

Todos os meses e dias,

Preenchendo essas guias,

Enfadonhas e burocráticas,

Que só as linhas do amor,

Nos consolam dessa dor.

 

Os que amaram o viver,

A quem a todos cativou,

Aprendeu fazer sua conta,

Sem nunca ligar para o ter,

Como em sua via fez você,

Do jeito que nos ensinou,

A não se desviar do traço,

E quando por acaso lá se for,

Manter o mesmo afago,

Do abraço do dia que chegou.

 

Assim é o ciclo da vida,

Meu compadre, amigo-irmão:

Uns nascem e outros se vão,

E toda gente que aqui ficou,

Continua a fazer sua conta,

Como diz a canção do poeta,

Para o dia que vai chegar,

De um círculo, meu amigo,

Que nunca vai se fechar.

 

 

VIRTUAIS E COM COMPROMISSOS SÉRIOS

Como já comentei dia desses, essas eleições municipais para prefeito e vereadores vão ser bem diferentes, de pouco contato presencial, reuniões e palanques limitados, e bem mais virtuais através das redes sociais, sem excluir a propaganda impressa em folhetos, “santinhos”, cartazes e carros de som.

Diante desse quadro nacional, com um governo federal negacionista da ciência e sem liderança, sem contar a falta de gestão de muitos governos estaduais e municipais para controlar a situação e a pobreza e o desemprego generalizados que dificultam o isolamento social, não sabemos ao certo quando tudo isso vai passar.

Com essas incertezas, vamos continuar na insegurança e na ausência de confiança para a aproximação mais pessoal durante a campanha, principalmente, com relação aos grupos mais vulneráveis, não somente idosos, como pessoas com doenças crônicas e, infelizmente, os mais pobres.

VOTE EM QUEM TEM COMPROMISSOS

Como vai ser mais virtual e com outros métodos, o eleitor tem que ficar ainda mais atento, pesquisar mais o candidato e votar em quem tem compromissos com a vida, com o meio ambiente, com a educação, com a cultura de sua comunidade e, especialmente, com o social. Tudo isso tem que ficar bem claro para o eleitor, sem esquecer da competência, do preparo para o cargo e da honestidade do candidato. É só analisar o passado de cada um.

Passou do tempo de dar um basta nos candidatos-vereadores que confundem seu papel de legislador com o de executivo e adotam aquela cultural coronelista do assistencialismo, confundindo e aproveitando da vulnerabilidade do eleitor.

A Câmara Municipal de Conquista, por exemplo, precisa de mudanças no sentido de legislar pelo coletivo da cidade, e não ficar cada um voltado, exclusivamente, para seu “lote”, atendendo e promovendo interesses particulares que, indiretamente, significa a compra de votos. Quem vota por favor está sendo vendido.

Nesse aspecto, no caso de Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia, a Câmara de Vereadores precisa estar atenada e estruturada à altura do engrandecimento da cidade em termos de grandes projetos de infraestrutura, como a questão da água, da mobilidade urbana, do novo plano diretor urbano e definir uma política cultural para o município visando, sobretudo, a atração de mais investimentos públicos e privados para a geração de renda e emprego. O setor criativo sempre foi esquecido pelo poder público, como política secundária.

Mais uma vez, vai ser uma eleição de poucos recursos em que o candidato, pelo seu próprio perfil, tem que convencer o eleitor a votar em quem tem esses compromissos com a cidade, para exercer sua real função de vereador. Necessitamos de uma Casa com conteúdo e força, e não aquela que sempre diz amém para o executivo e faz vistas grossas no âmbito da fiscalização.

É tempo de mudar e eliminar quem é contra a ciência; excluir o fundamentalismo religioso; renegar os seguidores da morte; e, principalmente, que ainda conserva ideias preconceituosas, racistas e retrógradas, como defender intervenção militar e fere de morte a nossa democracia.





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