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DE VÁRIOS ÂNGULOS

Muita gente não tem observado, mas o Cristo de Mário Cravo, cravado na Serra do Periperi, pode ser visto de vários ângulos, como o flagrado na imagem das lentes do jornalista Jeremias Macário. Quem chega de vários pontos na cidade, O vê de vários ângulos, cada um com seu olhar poético diferente, não somente do ponto de vista do por-do-sol. Pode ser observado como se estivesse saindo de dentro de uma mata, enterrado nos escombros da Serra, que foi depredada e explorada por muitos anos por empresas construtoras e até mesmo pelo poder público. Fora o programa do por-do-sol nos finais de tardes dos domingos, lá está Ele solitário, todos os dias, vendo tudo o que se passa e acontece em sua cidade. É o primeiro a ver a aurora e o último a se despedir do poente no abraço da noite.

FLOR E DOR

Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário

FLOR E DOR

Vou contar pra você, seu moço!

Quando ainda ginasiano,

No declinar do verbo latino

Ouvia falar e ainda ouço

Que toda poesia

Como piano, a flauta e o violino

Que comandam a sinfonia

Tinha que ter flor, luar e amor.

 

O poeta tinha que saber imitar

O canto do sabiá e da cotovia;

Tinha que ser melancólico,

Pálido, alcoólico e doente;

Ser o pôr-do-sol poente

Pra falar da angústia,

Dor e sofrimento da gente;

Viver como um bem-te-vi;

Andar como cigano;

Ser boêmio e até insano;

Passar noites sem dormir,

Como um penado zumbi;

Ser bem íntimo da morte;

Isalar o cheiro da depressão;

Abalar todo coração

Das mulheres românticas,

Doces, sensuais e platônicas;

Ser a cápsula do tempo;

Comer dos manjares dos deuses;

Ser irmão do ar e do vento;

Renegar todo sacramento;

Ser orvalho do amanhã sereno;

Conversar com Zeus;

Provar de todo veneno;

Entender os fariseus,

E pelo menos ter

Uma musa inspiradora,

Não importando,

Se obtusa, confusa ou pecadora.

EU NÃO AMO E AMO ESTE PAÍS

É muito doído ver meus compatriotas sendo deportados dos Estados Unidos dentro de um avião como se fossem bandidos acorrentados e algemados, e aqui despejados como se fossem sacos de lixo e objetos. O chefe da nossa nação, simplesmente, não contestou o tratamento humilhante, e justificou que cada país tem suas leis, apenas para bajular o Tio Sam (Donald Trump).

Sabemos, no entanto, que muitos ianques aqui vivem de forma irregular, mas não são importunados pela nossa Polícia Federal. Ao contrário, são tratados como príncipes e superiores, com direitos a empregos e outras regalias. É triste ainda sentir que, em pleno século XXI, ainda carregamos dentro de nós o vírus do complexo de vira-lata, de Nelson Rodrigues. Falta-nos a autoestima, e sobra o endeusamento aos gringos estrangeiros.

Aos norte-americanos foi dispensado o visto de entrada no Brasil, enquanto os brasileiros, como ainda nos tempos coloniais, têm que se ajoelhar e passarem por uma rigorosa sabatina e investigação se quiserem conhecer os deslumbramentos das avenidas capitalistas de Nova Iorque; olhar a Casa Branca de Washington; ou os parques temáticos de Orlando, na Flórida.

NÃO AMO

Perdoem-me a franqueza, mas confesso que não amo este país onde um governante nos faz baixar a cabeça, e não responde à altura com a mesma moeda, diante do menosprezo que os países desenvolvidos do norte expressam em relação ao nosso povo. Abrimos as portas e, como pagamento, eles nos fecham com suas muralhas de cimento e ferro.

Não amo este país onde milhares estão sendo obrigados a furar fronteiras de arames farpados e pular muros com “coiotes”, arriscando suas vidas, porque aqui a sua pátria não cuida de seus filhos e não oferece a oportunidade de um futuro melhor e promissor. Em Portugal e na Europa nossos brasileiros são vistos como candangos.

Não amo este país das injustiças sociais onde todos os dias as pessoas clamam e choram diante dos televisores pedindo por justiça porque foram vítimas da violência brutal de policiais ou bandidos. Não amo este país de tantos excluídos de pés no chão convivendo nas imundices dos esgotos por falta de saneamento básico.

Não amo este país onde milhões derramam suas lágrimas nas filas do INSS, nas dos corredores dos hospitais rogando por um atendimento médico, nas dos balcões superlotados dos desempregados pais de famílias e até mesmo dos sofrimentos nas filas dos cadastramentos para montar uma barraquinha no carnaval. Não amo este país tão carente de lideranças onde o povo é quem paga o rombo do déficit fiscal construído ao longo dos anos pela elite política, para se manter no poder e nos oprimir.

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A CULPA É DE CABRAL E D. MANUEL

Há dez anos o nível de desempenho em matemática, ciências e interpretação de texto dos estudantes brasileiros no Pisa não evoluiu e está entre os piores do mundo, conforme reportagem da Revista ISTOÈ.

O ministro da Educação, nome de difícil pronúncia, respondeu que a culpa é do PT que, se indagado, culparia o Governo de Fernando Henrique Cardoso, que vai culpar Fernando Collor, que vai jogar a responsabilidade na ditadura civil-militar de 1964, que vai culpar Jango, e este passar a bola para Juscelino e Getúlio Vargas, e por aí vai até chegar a Pedro Alvares Cabral, que para aqui trouxe degredados e ladrões corruptos, e ao rei de Portugal Dom Manuel.

Educação nunca foi prioridade

A verdade é que na história do Brasil, nenhum governo tomou uma decisão de priorizar a educação porque sempre preferiu deixar o povo na ignorância para não ter consciência política para cobrar pelos seus direitos; protestar contra as injustiças sociais; e aprender a votar em candidatos honestos e bem intencionados com a melhoria do povo brasileiro.

O atual governo do seu capitão, senhor ministro, que mandou cortar verbas na educação e programas sociais, para reduzir o déficit fiscal à custa do sacrifício da população (sempre paga o pato), não tem nenhuma moral para culpar qualquer governo que seja, principalmente porque sua administração nessa área é péssima e não serve de exemplo.

Portanto, o baixo nível na educação, considerado um dos piores do mundo é vergonhoso, e essa questão é secular. A culpa é de Cabral, não o ladrão do Rio de Janeiro. Nos tempos coloniais, só os senhores de engenho mandavam seus filhos para as universidades de Portugal e Inglaterra. No império, 80 ou 90% da população eram analfabetas, e o sistema patriarcal proibia a mulher de estudar. A República, até os dias atuais, preferiu deixar o povo burro, e a situação sempre foi de deterioração do ensino.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) fez um alerta de que cerca de dois milhões de crianças e adolescentes não voltam às aulas neste ano no país. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, informam que, em Ibicuí, na Bahia, por exemplo, a evasão chega a 31,2%, do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental na zona rural.

De mal a pior

A reportagem da revista diz que “a educação vai de mal a pior no Brasil. As escolas estão ensinando menos do que o necessário e os alunos não estão aprendendo o suficiente. O modelo de ensino adotado no País vem se mostrando pouco eficaz e improdutivo e vai comprometer o desenvolvimento econômico futuro”.

De acordo com a última pesquisa divulgada pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os últimos dez anos foram de estagnação no nível de desempenho escolar dos alunos brasileiros.

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“UM OLHAR PEREGRINO EM PENALOGIAS DE Dr. EVANDRO GOMES BRITO”

Um incansável crítico da Inquisição Católica Apostólica Romana, especialista e conhecedor do assunto, o advogado do Direito Penal, poeta e escritor, Evandro Gomes Brito, teve seus trabalhos e sua vida de desafios dessecados e interpretados através da obra do mesmo título, escrita pela acadêmica e professora Ivone Alves Rocha, lançada na Academia Conquistense de Letras.

No agradecimento à Rozânia Andrade Gomes Brito, esposa do homenageado, a escritora cita “verbis contracta obligatio” – a obrigação contraída por palavras (lembro do meu tempo quando estudava latim no Seminário), revelando que escreveria sobre Evandro se ela me ajudasse e, de fato, cumpriu com a sua palavra. A dedicatória (Toto Corde) é feita a Evandro e à sua família, aos que encontram conforto em Deus e aos membros da Academia Conquistense de Letras.

Especialista do Direito

No livro, o acadêmico Iaro, num texto em francês, descreve Evandro como bom escritor, especialista do direito canônico teológico, que fala sobre o modelo jurídico da Igreja, fundado sobre um sistema feudal durante o século XVI, e que continua ainda atual. Nisso, destaca sua obra “Das Brasas da Inquisição ao Leito da Pedofilia”, de 2014, que se refere aos crimes de abusos sexuais contra crianças.

Sobre esta questão e outras no âmbito da homossexualidade e da hipocrisia dentro da Cúria, Frédéric Martel lançou, há pouco tempo, o livro “No Armário do Vaticano”, um trabalho investigativo que li e comentei em meu blog. Recordei de Evandro, estudioso da Inquisição, que também escreveu sobre o “O Papa Alexandre VI e suas duas amantes”, como aponta Iaro, autor da Introdução da obra de Ivone.

No Proêmio, o advogado Afrânio Leite Garcez fala da trajetória do colega, que nasceu no distrito de José Gonçalves; estudou até o ginasial em Vitória da Conquista; fez o clássico no Colégio Central da Bahia; ingressou no curso de Direito da Universidade Federal da Bahia; mas teve que abandonar a faculdade por causa da sua militância política no início da ditadura civil-militar de 1964. Foi para São Paulo e depois voltou a estudar na Faculdade de Direito de Niterói.

Afrânio faz um relato dos primeiros livros de Evandro, a partir de 1974, com “Dos Crimes Culposos e Dolo Eventual nos Crimes do Trânsito”, que serviu de inspiração para se tornar lei nacional e criação do Código Nacional de Trânsito; “Comentários ao Decreto Lei 201 – Responsabilidade dos Prefeitos e Vereadores; sonetos; “O Colar de Prata”; “Coletânea do Escritor Conquistense”, “Poetas Contemporâneos de Conquista e Poetas da Bahia e Minas Gerais”. Escreveu ainda O “Santo” Esquadrão da Morte”, “Materialismo Relativo da História” e “Carrascos Canonizados”. Evandro foi ainda fundador da Igreja Católica Apostólica Ortodoxa do Brasil.

Modelo Camões

No capítulo “Interpretatio Cessat in Claris” –a interpretação cessa nas coisas claras, Ivone Alves Rocha se aprofunda no trabalho do advogado criminalista ao longo de seus anos de atuação, mas também se refere a Evandro como grande poeta ao modelo de Camões. Durante sua análise crítica sobre o homenageado, transcreve vários de seus poemas (a maioria sonetos), mas aqui confesso que me deixou sensibilizado a criação “O Que é a Poesia”, um épico digno de registro entre os maiores autores da nossa literatura brasileira.

Ivone ressalta que Evandro passa em suas obras, verdades que muitos defensores da fé e da moral desconhecem, citando “O Colar de Prata” e “O Papa Alexandre e suas duas amantes”. Dentre as racionalidades proferidas por Evandro em seus estudos, a autora do livro recorda da sua frase “O homem insensato, mesmo sabendo que não sabe forjar um simples inseto, forja deuses às dúzias para lhes darem razão, ou para justificarem seus modos e interesses”.

A autora se concentra mais na análise dos escritos e trabalhos de Evandro, principalmente no que diz respeito aos crimes da Inquisição e no direito penal, com suas defesas em prol dos mais necessitado. Só no final traça alguns detalhes propriamente de sua vida particular. Ivone assegura que Evandro afasta a hipótese de que a Inquisição na Idade Média (século XII) tenha sido debelada.

O Olhar Peregrino

“Lendo seus livros, pode-se, realmente, concluir que Error facti nec maribus quidem in dammes vel compendiis obest: juris autem error, nec feminisin compendiis prodest, ou seja, o erro de fato não prejudica os homens nos danos ou proveitos; porém o erro de direito não aproveita nem às mulheres nas coisas vantajosas. Prossegue dizendo que podemos concluir em seus textos que a Ignorantia differt ab errore – a ignorância difere do erro.

Ela segue adiante afirmando que em seus sonetos, o advogado lembra que, mesmo em eras difíceis, não se deve generalizar, “generalitas obscuritatem parit, ou seja, a generalidade gera obscuridade. Para ele, o direito é a arte do bom senso – jus est ars boni et aequi.

No capítulo segundo, Ivone se debruça sobre o olhar peregrino do homenageado que considera ser preciso se movimentar, para prosseguir progredindo. Transcreve o soneto “Noite de Setembro”, que o faz lembrar de um amor do passado.

Sobre o conceito de liberdade, a autora do livro diz que Evandro faz lembrar o filósofo Aristóteles, o qual enxerga a liberdade como princípio que rege a escolha voluntária e racional entre alternativas possíveis. Nessa mesma direção, Ivone Rocha destaca a posição de Jean Jacques Rousseau (1712-1778) quando declara que renunciar à liberdade é renunciar à qualidade de homem.

Esse olhar peregrino não poderia deixar de lado as críticas de Evandro ao longo da sua vida de pesquisas em relação à Igreja Católica, especialmente no período da Inquisição, na Idade Média. Após assinalar tribunais religiosos, instituídos por diversos papas da época, Evandro ressalta que a finalidade da Inquisição era combater as heresias, assim entendida como doutrina contrária aos ensinamentos da Igreja.

Em sua descrição, Ivone relata diversos trechos do livro “O Papa Alexandre VI e suas duas amantes”, de autoria do advogado, como (…) a Igreja queimava gente em homenagem ao rei. Nesse caso, qual a diferença entre o papa e Nero? O imperador lançava cristãos aos leões e aos tigres, como espetáculo público – desabafa Evandro em seus comentários.

Quanto à Reforma, Evandro analisa que a luta entre católicos e protestantes era uma luta competitiva, à cata de fiéis, para preservação do poder, e nem tanto para a expansão da fé. Ivone descreve ainda a visão do escritor a respeito das relações religiosas que consagravam o medo como expressão de respeito a Deus, e o sacrifício do ser humano como forma de obter aceso aos céus, e os observadores teriam que temer a vingança do Deus do amor.

No terceiro capítulo, Ivone Rocha fala sobre a arte poética de Evandro, de importância social, com mensagens significativas, sobretudo quando expressa valores e vultos históricos de seres humanos de caráter e nobreza de espírito que se rebelam contra as injustiças. Transcreve vários de seus poemas, como “O Povo no Poder”, “Immanuel Kant”, “Machado de Assis”, entre outros.

Questões da Inquisição

No uso dessa linguagem artística, conforme consta do livro da professora, Evandro dedica muitas de suas poesias às questões da Inquisição, homenageia pessoas queridas, como à sua esposa e até à própria confrade Ivone Rocha, no soneto “Homenagem a sempre grande professora”, sem esquecer da sua cidade em “A Vitória da Conquista”.

“O Ser Criança” é um capítulo onde Ivone passa ao leitor a visão do criminalista Evandro sobre a infância, como ela era descrita desde a Idade Média, simplesmente retratada como homens de tamanho pequeno, até os tempos atuais. Em seus textos, segundo Ivone, o advogado faz fortes críticas à pedofilia e aos abusos sexuais, novamente citando crimes mais recentes cometidos por membros da Igreja Católica.

Em “O Corpo e o Espaço”, a autora faz uma espécie de autópsia sobre a personalidade de Evandro Gomes, como advogado, escritor, estudioso, pesquisador e poeta. Com olhar crítico, a escritora fala da importância da literatura nas pessoas. Ivone destaca seus escritos mais atuais, como seus comentários de elogios às mudanças da Igreja pelo Papa Francisco.

A professora encerra seu livro em breve resumo sobre a vida de Evandro, que nasceu no distrito de José Gonçalves, em 28 de julho de 1940, como estudante no Ginásio Padre Palmeira, sua passagem por Salvador, Feira de Santana, São Paulo, Rio de Janeiro e seu retorno a Conquista em 1970. No capítulo final destaca as principais atuações, trabalhos, estudos e pesquisas do biografado (se bem que a obra não é literalmente uma biografia) como advogado criminalista.

 

 

 

 

 

AS CORES DA FEIRA

Desde menino, quando vendia farinha com meu paia, a feira sempre me fascinou pelas suas cores e pelos bons papos que ouvia entre os compadres da roça e os doutores da cidade. Nela existe muita sabedoria popular, vendo as mulheres debulhar o feijão, o andu e os mais velhos a contarem os seus causos. Tem fuxico, tem verduras, carne, abóbora, limão, melancia, quiabo, cenoura e todo tipo de frutas e cereais. Não é como nos supermercados fechados cheios de pratilheiras onde não se pode pechinchar. Sempre quando posso lá estou eu na Feirinha do domingo, em Vitória da Conquista, registrando as belas imagens com a minha máquina, como esta. Na Feirinha sinto falta de um cantinho para se divulgar a cultura, com cantorias, declamações de poemas, contação de causos, apresentar  a literatura regional e seus autores,  e muita viola para bater as canções populares. Cadê a Secretaria da Cultura que ainda não criou este cantinho cultural para os artistas da terra mostrarem seus trabalhos? Vamos lá gente, montar este espaço!

NO MEU EU SOLITÁRIO

Poema mais novo do jornalista Jeremias Macário, nas asas da inspiração.

Estava eu em minha solitária cabana;

Lá fora, como coiote o vento uivava;

E trava o diálogo entre o Pai e o Filho,

Sobre esta humanidade tirana e sacana.

 

Corri brenhas do Nordeste cangaceiro;

Na sina assassina do jumento tropeiro,

E vaguei pelo mundo do mano cigano,

Perambulando errante de norte ao sul,

Como nas mensagens do poeta Raul.

 

No meu eu solitário, com meu ideário,

Encarei que já estamos no juízo final

Da terra revolta no aquecimento global

Pela insana ganância da perversa criatura,

Que sempre tentou devorar a sua natura.

 

Vaguei no imaginário do meu solitário;

Das flores que um dia cobriam a colina,

E entrou a bela morena na minha retina;

Encarnada em mim como um relicário,

Numa doce mistura de apego e chamego.

 

Nas contas do meu eu solitário rosário,

Contei moinhos de tristezas e alegrias,

Umas de marcas e outras vivas sangrias,

Tempo, vida e morte correndo estações,

Fumaças malucas em noites de visões.

 

Cada um faz sua passageira travessia,

No seu eu, traçando a sua própria via,

Não importa qual o seu tipo de oração,

Se tem medo da chuva, ou da solidão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“NO ARMÁRIO DO VATICANO – PODER, HIPOCRISIA E HOMOSSEXUALIDADE”

Depois da Inquisição, iniciada no século XII, e da Reforma há mais de 500 anos, a Igreja Católica Apostólica Roma volta a protagonizar e a vivenciar sua maior crise de sua história contemporânea, com os escândalos de pedofilia (abusos sexuais de crianças e menores), atos de corrupção (desvios de recursos), resistências e divisões às mudanças em seu seio, intrigas no poder e muita hipocrisia dos prelados, padres, bispos e cardeais homofóbicos e, ao mesmo tempo, homossexuais dentro e fora da Cúria.

Sem o sentido de ódio e declarando não ser, em momento nenhum, anticlerical, o escritor Frédéric Martel publicou o best-seller do New York Times, “No Armário do Vaticano – Poder, Hipocrisia e Homossexualidade” (Editora Objetiva), uma verdadeira devassa explícita das práticas abusivas e escandalizantes perpetradas, principalmente, pelos homens homofóbicos e retrógrados que cercaram e serviram aos papados de João Paulo II e Bento XVI, este o maior inquisidor dos tempos modernos, que fracassou em todos os seus movimentos antigays, contra os casamentos homossexuais e o aborto.

Ler o livro “No Armário do Vaticano” é entrar e conhecer as entranhas dos “pecados”, das mazelas e traições cometidos pelos que se dizem representante de Cristo e da Igreja na terra. É vivenciar de perto a prior crise de sua história depois da Reforma. É acompanhar a decadência e sentir a morte lenta da Igreja, a partir de personagens terríveis, promíscuos e hipócritas, como o Ângelo Sodano, o padre Macial Maciel, Tarcísio Bertone, Afonso Lopez Trujillo que chegou a fazer acordos com narcotraficantes, entregando sacerdotes para o sacrifício e torturas, entre tantos outros, que deixam católicos estarrecidos, envergonhados e revoltados. São verdadeiros desvirtuadores da doutrina cristã.

CONTRA O CELIBATO

O cardeal Ratzinger (Bento XVI), por muito tempo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (antiga Inquisição), sentenciou e humilhou com castigos vários padres por suas ideias mais avançadas (Teologia da Libertação), como o peruano Gustavo Gutierrez, Leonardo Boff e o frei Beto. Cercado de homofóbicos, como o cardeal Sarah (livro contra o celibato), colocou a Igreja numa rota de colisão com os movimentos LGBTs, os divorciados e até muitos católicos de visão mais aberta.

Para elaborar o livro, que deve ser lido por todos, não somente pela comunidade católica, o autor se aprofundou numa reportagem investigativa que durou quatro anos (entre 2015 a 2018), com várias viagens para a Itália e mais de 30 países. Foram realizadas 1500 entrevistas, sendo 41 cardeais, 52 bispos, 45 núncios apostólicos, onze guardas suíços e mais de 200 padres católicos e seminaristas, para a feitura da obra de 500 páginas. Para apurar informações, chegou a se hospedar no interior do Vaticano e em residências extraterritoriais da Santa Sé.

De acordo com o escritor, “No Armário do Vaticano” se baseia em fatos, citações e fontes rigorosamente exatas, com a maior parte das entrevistas gravadas (400 horas de gravações). Frédéric teve ajuda de uma equipe de 80 colaboradores. Seu editor Jean-Luc Barré acreditou no trabalho e ele fez um agradecimento às suas 28 fontes internas da Cúria Romana, “todos assumidamente gays comigo”. O livro foi defendido e liberado por uma quinzena de advogados.

“Além da mentira e da hipocrisia generalizadas, o Vaticano também é um local de experiências inesperadas: constroem-se lá novas formas de vida em casal; novas relações afetivas; novos modos de vida gay; tenta-se formar a família do futuro; prepara-se a aposentadoria dos velhos homossexuais” – analisa o autor, que ainda classifica cinco perfis de padres, como a “virgem louca”, o “esposo infernal”, o modelo da “louca por afeto”, o Don Juan falsificado” e o modelo “La Montgolfiera”.

A “virgem louca” segue o código dos filósofos católicos Jacques Maritain, François Mauriac e Jean Guitton, e de alguns papas recentes homossexuais homofóbicos, que não são praticantes, mas adeptos da linha do amor platônico. Escolheram a religião para não cederem à tentação; e a batina para escaparem à sua orientação.  O “esposo infernal” é o padre “não assumido”, ou em dúvida, mas consciente de sua homossexualidade e com medo de vivê-la. A “louca por afeto” tem sua identidade. O “Don Juan” não pode ver um rabo de calça. O modelo Montgolfiera é o da perversão que tem redes de prostituição, os tipos cardeais indecentes Alfonso López Trujillo, da Colômbia, de Ângelo Sodano, de Platinette, do padre Macial Maciel, do México e tantos outros da Cúria.

VIDA DUPLA DOS PRELADOS

O escritor enaltece a posição do Papa Francisco que, em suas homilias, fala da hipocrisia e da vida dupla dos prelados, como no prólogo do livro. Ele hoje vive imprensado entre os que apoiam e os tradicionais mais empedernidos. Existe dentro do Vaticano uma “guerra de foice”. Assim aconteceu a enxurrada de escândalos de denúncias divulgadas na mídia sobre casos homossexuais e de corrupção na Cúria. Uma turma queria mesmo era se vingar; passar o sarrafo no cardeal Tarcísio Bertone, o vice Papa durão de Bento XVI, que mandava e desmandava.

Frédéric diz que as aparências de uma instituição talvez nunca tenham sido enganadoras em suas profissões de fé sobre o celibato (agora defendido novamente por Bento XVI), e nos votos de castidade, que escondem uma realidade diferente. Quanto a Francisco, destaca sua frase de que por trás da rigidez, há sempre alguma coisa escondida, referindo-se a uma vida dupla dos prelados.

No capítulo “Domus Sanctae Marthae”, o escritor da obra fala da existência, no Vaticano, de um “código do armário”, que consiste em tolerar a homossexualidade dos padres e dos bispos; desfrutar dela, mas mantê-la em segredo. Sobre esta questão, enfatiza que dezenas de milhares de padres italianos julgaram que a vocação religiosa era a solução para seu problema. O sacerdócio foi, durante muito tempo, a escapatória para os jovens homossexuais, não bem vistos e não engajados em suas aldeias.

Martel cita padres que viveram a Teologia da Libertação e participaram da militância gay, e até morreram de aids, sozinhos, sem o amparo de colegas e da Igreja, o que demonstra a hipocrisia dentro e fora da Cúria. “Os gays foram deixados quase sozinhos perante o Vaticano. Mas talvez seja melhor assim: deixem que fiquem juntos! A batalha entre gays e o Vaticano é uma guerra entre bichas”.

NA FILA DA HOMOFOBIA

No capítulo “A Teoria de Gênero”, o autor tece comentários duros em relação ao cardeal norte-americano Raymond Leo Burke, porta-voz dos tradicionalistas, que encabeça a fila da homofobia. Como exemplo, cita frase do cardeal, em janeiro de 2014: “Não se deve convidar casais gays para jantares de família em que estejam presentes crianças”.

O cardeal comparou casais gays como criminosos que assassinaram alguém, e que tentam ser amáveis com os outros homens. Denunciou que o Papa não tem a liberdade de alterar os ensinamentos da Igreja em relação à imoralidade dos atos homossexuais. O escritor assinalou que em Roma a sua homofobia é tamanha que incomoda os cardeais mais homofóbicos. Para Burke, o casamento homossexual é uma provocação a Deus.

Seu amigo mais próximo, Benjamim Harnwell, dirigente do Dignitatis Humanae Institute (associação ultraconservadora), que reúne prelados mais extremistas, está ligado às ordens mais obscuras como a Ordem de Malta e a Equestre do Santo Sepulcro. Segundo testemunhos ouvidos, parte dos membros da Dignitatis seria constituída por homossexuais praticantes.

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O POVO SÓ LEVA PAU NA MOLEIRA

É muito choro e ranger de dentes nos noticiários diários da nossa mídia, com lágrimas de idosos riscados pelas rugas da dura vida nas filas do INSS a rogar, piedosamente, pelos seus justos direitos de aposentadoria e outros benefícios negados. Neste país das castas privilegiadas que vivem em suas mordomias, o povo escravizado só leva pau na moleira.

Nos corredores dos hospitais, nas matrículas nas escolas, nos cadastros para montar uma barraca no carnaval e nas matanças violentas das balas perdidas, nos assaltos dos bandidos e na truculência desvairada militar, são outros vales de lágrimas. São gritos e sussurros engasgados que pedem por justiça.

Os apelos angustiados e lamentosos sempre são dirigidos a Deus, como se Ele fosse o responsável por todos as mazelas, os erros dos homens e as tiranias do poder aqui praticadas neste pedaço de terra paradoxal onde quase nada funciona. Aqui são cometidos os maiores absurdos e ilegalidades, como se tudo fosse normal.

Se existe o livre arbítrio, creio que Deus não tem que se meter nessa maluca bagunça de atos cruéis de injustiças, para resolver os problemas que não foram criados por Ele. O ser humano sempre está na contramão, agindo na direção da contradição e da incoerência, e tenta enganar a si mesmo, como se não fosse de nada culpado.

Só sabe em tudo citar o nome do Supremo, na maioria das vezes, em vão, até em jogos de azar, nas loterias da vida e no futebol, quando vence, ou quando rouba descaradamente. Sempre existe aquela máxima do foi Deus que assim quis, especialmente saída da boca de fanáticos lunáticos fundamentalistas.

O humano agride gananciosamente e com usura capitalista o meio ambiente que, por sua vez, responde e dá o troco merecido, mandando catástrofes, tragédias, devastações e mortes. Ai, metem Deus no meio, e os sobreviventes agradecem sua proteção, como se eles fossem os únicos eleitos inocentes, e os outros os escolhidos do Diabo, que vão para o fogo do inferno.

Enquanto o povo leva pau na moleira todos os dias, e é levado para o mourão das chibatas no lombo e na alma escravas, os poderes legislativo, judiciário e executivo nadam em dinheiro e curtem suas orgias, com privilégios de três meses de férias nababescas com seus supersalários, sem contar o que corre por fora. Essa banda, que é o próprio Estado oligárquico, ainda reclama que ganha pouco e merecia ter mais aumentos.

Faltam recursos para contratar mais servidores para o INSS, para a compra de medicamentos aos doentes, para aparelhar os hospitais, para pagar uma remuneração mais digna aos professores e equipar escolas, para provir de saneamento básico metade da população que vive em favelas e periferias, convivendo com esgotos a céu aberto, mas nunca falta verba graúda para o Congresso Nacional, para as assembleias legislativas e para as quase seis mil câmaras de vereadores inchadas e entupidas de assessores que nada fazem.

O povo brasileiro só leva pau na moleira, se sujeitando ao trabalho escravo (milhões padecem no purgatório da informalidade) e às humilhações dos patrões, com baixos salários atrasados e, muitas vezes, sem direito a férias e outros benefícios. Ainda assim comete a burrice de se dividir, brigar entre si como inimigos ferrenho de morte, cada um defendendo seu canalha, seu ladrão e seu usurpador do poder.

Cada um vive a sua individualidade mesquinha, vegetando enquanto tem um dinheirinho no bolso para tomar umas geladas nos bares, ir a uma festa, comprar um carrinho com prestações a perder de vista, e só reage quando sofre na pele uma injustiça social, uma violência ou uma falta grave de atendimento à saúde, devido à ausência do Estado. Ai, então, o cara aprende a engolir o choro da amargura, e até entra em depressão, abreviando a vida.

O mesmo povo que só leva pau na moleira, é o mesmo que acredita em falsas notícias de que as coisas estão melhorando, e que a ele está reservado um futuro promissor. Levanta as mãos aos céus na espera que de lá caia uma graça divina. Entrega as injustiças a Deus. Nunca aprende a lição e repete festivo sua fé, de dois em dois anos, na boca da urna, crendo ser o dia mais importante de um ato de cidadania. Passa o tempo e ele continua levando pau na moleira.

 

GENTE QUE É GENTE

Cerca de 15 milhões de brasileiros vive nesta situação de pobreza, miséria e abandono no Brasil ,que detém o título negativo de país com a segunda maior desigualdade social. Essa é Gente que é Gente, que a gente não vê nas ruas e casebres miseráveis, sujos e cheios de esgotos abertos. Ainda tem gente, inclusive de nível universitário graduado, que nega as estatísticas e diz que os organismos internacionais são comunistas. Sem argumento, ainda cita, com “orgulho” que o Brasil tem a décima maior economia do mundo. Valeria o índice se não tivesse um IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) tão baixo.  Um triste quadro que nos envergonha este flagrante do jornalista Jeremias Macário.





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