PIORES QUE A PANDEMIA DO CORONA
De um lado essa grande mídia televisiva, principalmente, precisa ser mais serena e controlar seu noticiário sensacionalista de pânico, do tipo esses números de mortes podem ser bem maiores e de que em tal dia vamos chegar ao pico. Nunca se diz que podem ser menores, visto que os testes para confirmar a doença são demorados, de até 15 dias, ou mais.
Do outro lado, temos um capitão-presidente psicopata que sai às ruas passando a mão no nariz e depois apertando a dos seus seguidores da morte, imbecis, fanáticos e idiotas fascistas. Ele está agindo como um criminoso irresponsável, que contraria até o seu ministro da Saúde.
Temos também um grupo de ignorantes e canalhas que passa o tempo nas redes sociais fazendo “memes” contra os idosos, como se fossem portadores natos do coronavírus (o Coronavid), influenciados pelos alarmes da mídia que generalizou, que todos pertencem ao grupo de risco, quando isso não é verdade. Já sugeriram até criar campos de concentração para esta faixa etária.
Para não citar mais outros fatos constrangedores em meio a toda essa bagunça, num país sem comando e desnorteado, esses personagens juntos são piores que a própria pandemia, e deixam muita gente angustiada, revoltada, com medo e pavor.
Além dos cuidados com o corpo, a melhor arma para enfrentar esse terror é exercitar a mente, passando o tempo lendo, escrevendo ou fazendo alguma arte. Infelizmente, poucos são dotados desse nível de instrução, e a maioria fica todo os dias infernizando os outros, inclusive com fake news babacas.
Volto a dizer que no Brasil de profundas desigualdades sociais e de pobreza extrema, é muito difícil fazer um isolamento social a contento como mandam os especialistas da saúde. É complicado e cada país tem sua realidade diferente em termos culturais, sociais e econômicos.
Nas condições de milhões de brasileiros, isso é o mesmo que dizer, fiquem em casa e passem fome, aliás, é outra aliada dessa pandemia, além das doenças crônicas que deixam o organismo vulnerável para o vírus fazer aquele estrago depois de instalado no corpo. Fala-se em prender o cidadão que estiver nas ruas. Vão colocar essas pessoas aonde? Nas cadeias e penitenciárias entre os bandidos?
Acredito que grupo de risco não é por faixa etária como se convencionou dizer desde o início. São todos aqueles com doenças crônicas, como diabetes, pressão arterial alta, problemas coronários, pulmonares, respiratório (asma) e outras enfermidades, bem como os milhões de pobres das periferias, das favelas e os que vivem em barracos apertados, passando fome.
POLITIZAÇÃO DA SAÚDE
Carlos Albán González – jornalista
Prefeito, o senhor, por pouco, não cometeu suicídio político, caso fosse mantida a abertura do comércio esta semana. O repúdio da população de Vitória da Conquista ao seu ato se manifestaria nas eleições marcadas para outubro próximo. O clamor popular impediu o seu gesto trágico e impensado, sob pressão da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), um dos suportes de sua carreira política. Deve também ter pesado na sua disposição de revogar o decreto anterior o cenário caótico que se instalou no Centro da cidade, na manhã/tarde de segunda-feira, com pessoas aglomeradas e o trânsito congestionado, causado pelo fechamento da avenida Lauro de Freitas.
Pesquisa Datafolha mostra que apenas 24% dos brasileiros são contrários ao isolamento social, a principal medida para frear o avanço do Covid-19, defendida pela Organização Mundial de Saúde e pelas mais conceituadas autoridades médicas e científicas do mundo. Mas, entre aqueles que acham que salvar a economia é mais importante do que salvar uma vida humana está o presidente Jair Bolsonaro, o mentor religioso e político do prefeito Herzem Gusmão Pereira.
Antes de Bolsonaro, o prefeito adotou como padrinhos políticos os irmãos Jeddel e Lúcio Vieira Lima, condenados pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa. Somente Jeddel cumpre pena em regime fechado. O erro na escolha não abriu os olhos nem a mente de Herzem, que transferiu seu devotamento para o ex-presidente Michel Temer, acusado pelo Ministério Público – chegou a passar uma noite na cadeia – de formação de quadrilha.
O momento cruciante que o país atravessa deve servir para promover a união de todos, principalmente dos governantes. Mas, o que estamos assistindo, em Brasília e em Vitória da Conquista, é o ódio aflorando contra os adversários. Estão politizando a saúde. Bolsonaro acusa os governadores Wilson Witzel (Rio) e João Dória (São Paulo) de estarem obstruindo seu projeto político, ao se posicionarem a favor do isolamento social; Herzem imputa ao governo do estado a falta de ajuda para combater o novo coronavírus. Ambos têm um mesmo ideal: um segundo mandato.
Não se pode negar que Herzem Gusmão teve 85% dos votos dos eleitores das classes A e B, revoltadas, com razão, com os escândalos financeiros praticados por membros do PT. Mas isso não é motivo para ele governar apenas para os ricos, esquecendo-se da periferia.
Há uns quatro meses a prefeitura devolveu aos empresários do comércio as vagas de estacionamento no Centro, deixando de renovar o contrato com a Estacionamento Digital, em prejuízo de centenas de clientes que tinham créditos na empresa, e não receberam seu dinheiro de volta. Há dois anos, a pedido do CDL, o carnaval conquistense saiu das ruas, sob o argumento de que os foliões faziam xixi nas portas das lojas. Há poucos dias, os toldos dos pontos de ônibus do Terminal da Lauro de Freitas foram demolidos e a avenida foi fechada à passagem de veículos, prejudicando as pessoas que usam o transporte coletivo.
O conquistense já observou que as autoridades municipais estão subestimando a força letal do Covid-19, que, até hoje (dia 9), já contaminou 15 pessoas e com mais de 60 aguardando a coleta de material para teste, devido à falta de kits. A prefeitura não se preparou convenientemente para a chegada do vírus, chegando, inclusive, a recusar recursos liberados pelo estado, da mesma forma que se opôs à implantação da Policlínica. Não se viu aumento do número de leitos em UTI, montagem de hospital de campanha, aluguel de hospitais da rede privada, aquisição de respiradores pulmonares, máscaras, luvas e desinfetantes; não monitorou passageiros nos terminais rodoviário e aéreo, e não existe um plano específico de conscientização e ajuda médico-hospitalar para as populações da periferia e zona rural.
Prefeito, o seu mito foi denunciado ao Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia, na Holanda – uma acusação inicial foi feita à Procuradoria Geral da República que, simplesmente, arquivadou – pela Associação Brasileira de Juristas. Segundo a entidade, Bolsonaro teria cometido os crimes contra a humanidade e de epidemia, incentivando ações que aumentam o risco de proliferação do novo coronavírus.
SEM SEUS FIÉIS
Desde quando começou a tradição da Igreja Católica, em Vitória da Conquista, de realizar uma procissão na sexta-feira da Paixão até o alto do Cristo (obra do artista Mário Cravo), na Serra do Periperi, este ano do coronavírus, o Covid-19, ou como queira, o Coronavid, seus fiéis não vão puder fazer suas penitências por causa das aglomerações, mas, quem é católico pode fazer suas preces em casa. Infelizmente, nesta data o Cristo vai ficar sem seus fiéis, mas não estará só no pensamento dos conquistenses. Tudo de incomum está ocorrendo neste ano que vai ficar marcado na história da humanidade, como o ano que nos separou, nos isolou, nos despertou para o medo e fez a terra parar como na profecia do poeta, compositor, cantor e músico Raul Seixas. Ninguém ainda sabe ao certo o que pode acontecer no futuro próximo, mas o melhor é preparar a mente e o corpo para não entrar em pânico e piração. Vamos refletir sobre nossas ações diante da foto do jornalista Jeremias Macário.
O MOCHILEIRO
Mais um poema inédito do escritor Jeremias Macário sobre a vida do mochileiro andante
Não sou parafuso de furadeiras,
Prisioneiro das farpadas porteiras,
Porque nasci mochileiro estradeiro.
Mago Aladim, andarilho do agreste,
Onde não sobrevive cabra cafajeste.
Não é senhor do tempo mochileiro,
É senhor da sua caixa de pandora,
Onde leva sua hora, o aqui e o agora,
Sandália nos pés, asfalto e poeira,
Vento na mente e o abraço fraterno,
De um eterno menino livre sonhador,
De um sonho sem cerca e fronteira,
Sem essa de país, tribo ou divisão,
Leva o hino cancioneiro da passagem,
Tece sua teia, oh amigo companheiro!
Nessa sua veia libertária de coragem.
Pela estrada, muita gente diferente,
Fotografias de faces injustiçadas,
Alegre caravana de colorida cigana,
Indígenas das américas colonizadas,
Por Colombo e os seus sanguinários,
Do velho mundo de primatas piratas,
Finas vitrines nas avenidas grãfinas,
Dias calorentos e etílicas noites frias,
Com suas revolucionárias filosofias,
Canibais da milenar cultura africana,
Traficantes de escravos e de diamantes.
O mochileiro avança e vai em frente,
Nesse monte de tanto ingrediente;
Como filho do mar de ondas na areia;
Não respira o ar da angústia solitária,
Nem é o filho dessa arenga sectária,
Mas um bravo andante, fogo amante,
Além dessa dialética da coisa material,
É gira mundo desse meteorito universal,
Caroneiro persona da bolé e da lona,
Filho do poente vermelho horizonte,
Granito precioso da aurora nascente.
AOS ARTISTAS SEM SHOWS E COMO MANTER O ISOLAMENTO SOCIAL
Primeiro quero aqui saudar todos meus amigos e não conhecidos artistas, poetas, compositores e músicos que vivem de seus shows do dia a dia em bares, restaurantes e casas de eventos, os quais estão recolhidos em suas casas sem poder expressar sua arte e ganhar uns trocados que, forçosamente, nos privam de ouvir suas belas canções.
Também aos escritores e literatos, como é o meu caso, que estão sem puder vender e lançar seus livros, folhetos e cordéis por aí. Estão parados sem saber quando voltam. O nosso Sarau A Estrada também está de quarentena, e estamos com saudades de todos vocês amigos, mas continuamos produzindo alguma coisa de poesia em vídeo para relaxar e descontrair os companheiros nesses momentos tão difíceis. Nossa mensagem é nesse sentido porque a poesia também é vida, e não de contrariar as medidas de proteção.
Não estou aqui me referindo aos cantores “famosos” dos axés, pagodes, arrochas e lambadas do lixo que engordaram suas panças durante o carnaval e outras festas com o nosso suado dinheiro, e agora estão em suas mansões de luxo, embernados como os ursos polares que se alimentam numa estação e depois se recolhem em suas tocas até a próxima temporada de caça.
Para estes “ídolos” do povo, a mídia televisa faz entrevistas indagando como eles estão vivendo nessa época de crise, quando deveria se dirigir aos artistas que fazem e cantam uma boa música para alegrar aos frequentadores de bares, centros de cultura e casas de shows, que gostam de ouvir uma boa canção. Teve um que respondeu que passava o dia comendo. Quanta ironia! Por que a mídia não indaga como estes artistas de bares estão atravessando essa fase sem ganhar seus mirrados cachês?
Isolamento e a enxurrada de recomendações
Em nosso Brasil de tão profundas desigualdades sociais, de tanta gente carente e doente, de milhões que não sabem lidar com a internet e aplicativos, de mais de 13 milhões de desempregados e necessitados, dos que vivem do subemprego e informais ambulantes, é impossível manter um total isolamento social e mandar que todos fiquem em suas casas.
Os idosos aposentados precisam ir aos bancos para tirar seus proventos, para fazer suas feiras, e agora aqueles outros milhões que precisam sacar a ajuda social do governo federal, sem contar os que procuram um órgão ou entidade para fazer seus cadastramentos no aplicativo e até regularizar seus CPFs na Receita Federal. É difícil deter esse enorme contingente confinado em seus lares e barracos.
É uma realidade bem diferente de países ricos onde, além do econômico, têm outro nível de instrução, e a tecnologia funciona a contento. É verdade que as pessoas precisam manter um distanciamento um do outro nas filas, mas aí entra a questão psicológica e o medo de não ser atendido, ou até aproveitador oportunista passar em sua frente. São tantos os problemas!
Interditar uma agência bancária não pune o banqueiro. Ao contrário, ele se beneficia utilizando o dinheiro do cliente para fazer aplicações no mercado financeiro. Não é como uma casa comercial onde o empresário também perde. Existem nisso tudo muitas medidas feitas de modo atabalhoadas.
Outra coisa que venho observando são as enxurradas de recomendações vindas de epidemiologistas, infectologistas e médicos de vários naipes e instituições (antes condenavam a cloroquine e agora muitos receitam), que terminam deixando muita gente ainda mais confusa, pirada e em pânico. Não entro nessa pandemia de recomendações, mas não vou me descuidar e deixar de preparar bem o meu corpo e minha mente, sem medo.
Generalizaram todos os idosos por faixa etária acima de 60 anos como grupo de risco, quando existem milhares em condições bem mais saudáveis que muitos abaixo dessa idade que têm doenças crônicas complicadas. Aí, a mídia fica o tempo todo só apontando os idosos que vão às ruas resolver problemas inadiáveis. Criou-se uma discriminação geral, e só falta criarem campos de concentração.
Outra coisa agora inventada pela grande mídia e fazer seu marketing para homenagear aqueles que continuam trabalhando em atividades fora da medicina. Estes deveriam até agradecer porque ainda estão ganhando uma grana para seus sustentos e de suas famílias. E os que estão totalmente fora do mercado, sem nenhuma condição financeira? Por que não entrevistar essa categoria para ver como essas pessoas estão vivendo? É sempre a mídia fazendo sua média. Muitos podem até não concordar comigo, mas procuro ser lógico e racional. Não engulo tudo que me mandam.
O ANO PERDIDO QUE NOS SEPAROU, O SÃO JOÃO E O DIA DO JORNALISTA
As imagens televisivas que correm o mundo mais parecem cenas de filmes de ficção apocalípticas no ano perdido que nos separou do convívio entre as pessoas, principalmente as mais próximas, amigas e até parentes. Não sabemos até quando tudo isso vai continuar, quando ainda os especialistas da saúde e cientistas falam em picos e milhões que podem ser contaminados.
Os noticiários, muitos deles até exagerados e sensacionalistas, as fake news, muitas das quais carregadas de intrigas políticas no Brasil, e toda essa gente mascarada em silêncio, de passos lentos, mantendo distância, fazem milhares penetrarem na sombra do medo, do pânico e do terror, quando é um grande mal para a mente.
Exercite a mente
Tanto quanto os cuidados com o corpo, ou até mais ainda, nessa crise de pandemia, a mente sadia, preparada e equilibrada é essencial para enfrentar esse quadro tão adverso da humanidade. Acredito que a leitura é um dos remédios que qualquer médico e psicanalista recomendariam.
Muitos entram em ansiedade e passam os dias em casa clicando redes sociais, ligados na televisão, ou comendo para passar o tempo (quem tem o que comer), o que piora mais ainda o estado geral. Outros poucos aproveitam para ler, escrever, realizar uma atividade física ou exercitar a sua arte, o que é benéfico para fortalecer o espírito e o organismo.
A situação mais grave ainda é dos pobres das periferias, dos informais, desempregados, ambulantes e trabalhadores temporários que têm que se preocupar com a questão da falta de dinheiro e com a possibilidade de serem também contaminados. São os mais vulneráveis que pedem um socorro urgente. Aliás, em qualquer tragédia humanas, são as maiores vítimas.
Não consigo entender como numa ocasião tão grave como esta, tem gente interesseira para se aparecer na mídia quando faz uma doação, e oportunistas para cometer fraudes, falsificações, passar fake news, aumentar preços dos produtos essenciais e furtar dos mais carentes.
Um grupo se juntou na BR-116 para doar quentinhas para os caminhoneiros. Não que seja contra, mas esta ação teria mais valia se fosse revertida para aqueles que estão, de verdade, passando fome porque perderam suas atividades informais do ganha pão. O caminhoneiro tem o seu valor nesse momento, mas está ganhando seu dinheiro e tem muitas condições de se virar. Não seria querer se aparecer demais? É a minha opinião. Enquanto isso, os governantes falastrões e demagogos cruzam os braços.
Sem o nosso São João
De um assunto para outro, mas dentro da mesma abordagem, talvez na história do Nordeste, onde a festa é bem mais forte, este ano seja o único em que não haverá o São João, tão esperado pela grande maioria que ama o evento, para brincar, dançar, soltar fogos, acender fogueiras, tomar quentão e licores, curtir as quadrilhas e ouvir o forró pé de serra numa autêntica sanfona, zabumba e triângulo.
Como vão ficar as maiores cidades de Campina Grande, Caruaru, Aracaju, em Sergipe, e as cidades baianas de Piritiba, Amargosa, Senhor do Bonfim, Santo Antônio de Jesus, Cruz das Almas, Alagoinhas e tantas outras que passam o ano todo se preparando para receber multidões de vários lugares, até do estrangeiro? É uma pena, mas tudo leva a crer que não teremos a tão sonhada festa do ano!
Eu mesmo vou ficar com muitas saudades, porque todos os anos sempre estou no aconchego da minha querida Piritiba, como amigos (olá Wilson Aragão) e parentes tomando umas geladas, uma cachacinha e comendo aquelas deliciosas comidas nas casas de Roquinho, Róssia, Diltão, João Rico e Leucia (olha aí a farofa d´água). Depois era só seguir o caminho da Praça Getúlio Vargas para forrozar.
O Dia do Jornalista
Para finalizar, o 7 de abril foi o Dia do Jornalista e, para não variar, nenhum veículo de comunicação tocou no assunto, ou fez qualquer referência à data. Em 50 anos de profissão, não tenho nenhum receio de dizer que não tenho nada a comemorar. Primeiro, o Supremo Tribunal Federal tirou a obrigatoriedade do diploma, e até o governo de esquerda tentou amordaçar a imprensa.
Agora veio o capitão-presidente para desclassificar os profissionais com seus xingamentos e preconceitos, esse mesmo fantoche e marionete dos generais, que deixou o pais sem comando nessa crise. Derrubou até a exigência do registro, e hoje qualquer um é jornalista, basta fazer uns textos vagabundos e cheios de erros nas redes sociais.
Infelizmente, nosso sindicato e a Federação Nacional dos Jornalistas entraram em decadência. Podem não concordar com minha opinião, mas é o que sinto. A profissão é nobre e fundamental para a democracia, mas não se faz mais jornalismo como antigamente.
Aqui em Vitória da Conquista, a mídia deixa muito a desejar, com matérias copiadas, requentadas, incompletas e mal elaboradas, mesmo depois da criação da Faculdade de Comunicação em Jornalismo pela Uesb –Universidade Estadual do Sudoeste, em 1998, que muito contribui para seu fortalecimento, quando era diretor e vice-presidente do Sindicato. Desculpem a sinceridade!
“JANGO E EU” – AS AGITAÇÕES POLÍTICAS NO URUGUAI E SUA IDA PARA ARGENTINA ONDE MORREU (FINAL)
No início de 1970 as reuniões de estudantes no Uruguai eram mais politizadas. O processo de americanização estava bem acelerado. João Vicente já tinha uns 14 anos quando foi a Porto Alegre para o enterro do seu tio Moura do Valle.
Lembra que no Uruguai, as agitações políticas começaram após a morte de Che Guevara, em 1967, na Bolívia. Pelas ruas de Montevidéu já circulavam os tupamaros, contrários aos partidos de direita, como os colorados e os blancos. Os tupamaros começaram a agir na década de 60, inspirados em uma esquerda trotskista, maoísta e socialista. Alguns também foram influenciados pela revolução cubana de 1959. A presença de Guevarra, em 1961, na Universidad de la República, despertou mudanças nos jovens. Jango chegou a conhecer Guevara na base militar Irkutsk, na União Soviética.
As atividades clandestinas no Uruguai começaram no início dos anos 70, durante a presidência de Pacheco Areco, No país, os tupamaros desenvolveram a mais perfeita técnica de guerrilha urbana, com roubos e ataques a entidades de direita. A organização chegou a contar com 10 mil membros, conquistando a simpatia popular.
João Vicente lembra do seu companheiro de prisão Nacho Ignacio Grieco. Em 1970, a luta armada havia tomado dimensões maiores, com apoio estudantil. Pacheco Areco transferiu o combate aos subversivos para as forças armadas. Nesse ano, Vicente ele conheceu Stella com quem se casou em maio de 1976.
Em 1971, o Uruguai já vivia um ano pré-eleitoral e Pacheco Areco governava com medidas de segurança, As eleições foram realizadas numa linha de tensões. O principal adversário de Areco, do Colorado, era Wilson Ferreira Aldunate, do Partido Nacional, que contava com a simpatia das esquerdas, que lançaram o general Líber Seregni. Nas eleições, houve mais votos que eleitores. Com a fraude (apoio da ditadura brasileira através de Geisel), Wilson perdeu para Bordaberry, que depois tomou um pé na bunda dos militares. Aldunate se exilou na Espanha.
Na França em 1972, Glauber e eleições no Uruguai
João Vicente retornaria a França com seu pai em 1972 para refazer os exames, ano em que houve novas eleições uruguaias. Jango foi a França por precaução. Aproveitou para retomar os contatos com alguns brasileiros, como Celso Furtado, Luiz Hildebrando, um grande cientista que chefiou a equipe do Instituto Pasteur, Márcio Moreira Alves, Maurílio Ferreira Lima, Glauber Rocha, Hermano Alves e David Lerner. Comentou também sobre Luis Salmerón, diretor do Instituto de Energia Atômica da França, e tantos outros que deixaram o Brasil.
O governo brasileiro estava numa fase de repressão violenta, com a censura à imprensa, e Médici fazia-se de popular nos estádios com o “milagre brasileiro”, e Delfim adotava a política da economia crescer para depois dividir o bolo, o que nunca aconteceu. Celso Furtado lecionava na Sorbone e tinha saudades do seu sertão da Paraíba. A dívida externa brasileira era de 10 bilhões de dólares. A inflação chegava a 68%. Esperava-se o retorno de Perón e as eleições no Chile, com Salvador Allende.
Num restaurante, em Paris, na Champs-Elysés, Jango encontra com Glauber e David Lerner numa mesa animada. Glauber se dirigiu a Jango com afeto dizendo que “agora vamos encontrar uma solução para derrubar os milicos. Vamos incendiar o caminho deles”. Revelou que estava com vontade de escrever sua primeira peça de teatro e inauguraria o repertório com Jango.
Disse ser uma peça em três atos, numa mistura da história com os personagens, a comoção política e a mudança revolucionária. O terceiro ato seria “teu velório e o povo comendo teu cadáver”. De fato, a peça foi escrita por Glauber, que chamou João Vicente para um canto e o convidou para ir para a Itália onde estava filmando, mas o pai não deixou. Em 1972, Glauber ainda passou em Punta del Este para visitar Jango, e de lá para Cuba. Em 1974 houve outro encontro com Glauber na França.
Quando Jango e seu filho retornaram ao hotel, por volta das dez da noite, tocou o telefone informando que Glauber estava no bar do hotel com algumas convidadas, entre elas Norma Bengell e outras fãs do presidente. Glauber estava muito eufórico, e Jango acreditava nele como um artista intelectual que poderia influenciar uma transformação política e cultural no Brasil.
UM BANDO DE FALASTRÕES
Desde o final de janeiro (dois meses se passaram) que o país já tinha uma vítima do coronavírus, o Covid-19 (Coronavid), e os governantes liberaram a realização do carnaval em todo território brasileiro no final de fevereiro, facilitando a entrada de milhares de estrangeiros. Os falastrões e demagogos só pensaram em gastar muita grana, fazer política e encher os bolsos dos mais ricos, como donos de hotéis, de agências de viagens, de blocos, de camarotes e de trios elétricos.
Os pobres caíram dentro da folia, e outros, coitados, aproveitaram para ganhar uns trocados com suas barraquinhas de bebidas e comidas. Caso o governo proibisse a festa (seria o mais sensato), creio que uma multidão iria às ruas protestar, e cairiam de pau levantando a bandeira de manter o carnaval.
O pico do vírus começou a subir a partir de março e, há quase um mês, os falastrões prometem socorrer os desvalidos informais, ambulantes, trabalhadores temporários, desempregados e outros invisíveis para a economia. Por que não citar aqui também os profissionais do sexo e outras atividades esquecida e em extinção, como sapateiros, alfaiates e relojoeiros?
A mídia esqueceu
Para começar, a grande mídia burguesa esqueceu dessas categorias desamparadas dos morros, dos barracos e das favelas e mirou suas metralhadoras falantes apenas na questão dos cuidados de combate ao coronavírus através do álcool gel e do isolamento social, como se a saúde estivesse desassociada da economia.
Passaram todo tempo mandando que as pessoas ficassem em suas casas, mas não foram lá ver como essas pessoas necessitadas estavam se virando para se alimentar, sem dinheiro e até sem condições de comprar álcool e sabão para lavar as mãos. A situação é tão crítica que em muitos bairros periféricos falta até agua para beber.
Somente agora essa mídia está abrindo um pouco de espaço para essa gente em estado de miséria, mas o assunto em foco, no momento, é sobre o uso de máscaras, e que cada um faça a sua. Esqueceram até do álcool gel, e tome falação com médicos e infectologistas, enquanto milhões estão passando fome e ainda mais expostos se forem contaminados.
Tive que ir à rua ontem (dia 3/04), em Vitória da Conquista, para resolver um problema de grana para continuar sobrevivendo e vi muitos camelôs tentando vender frutas e outras coisas para ganhar um dinheirinho, mas sem quase nada conseguir. Ora, “carapálidas”, como mandar que fiquem em casa quando falta comida para suas famílias, inclusive crianças?
Cadastros do Sebrae e outros
Na área federal, a burocracia vem falando mais alto na lentidão da sanção da medida econômica, em sua publicação e agora como fazer essa distribuição do dinheiro para os necessitados. A ajuda já está chegando tarde demais, mesmo para aqueles que têm o Bolsa Família e são cadastrados no tal CadÚnico. Imagina para aqueles que não estão incluídos nestes sistemas!
O anúncio é que vão criar um aplicativo na próxima semana para essa gente invisível se cadastrar e poder receber os 600 reais. Com certeza, essas pessoas vão penar para se inscrever através da internet, e milhares ficarão de fora do plano. Por que não utilizar o cadastro de outras instituições, como do Banco Central, do Sebrae (microempreendedores do MEI), instituições financeiras, INSS e até mesmo dos sindicatos e associações de bairros e da zona rural?
O ministro Paulo Guedes critica aqueles que estão denunciando a lentidão e a burocracia, dizendo que não é hora de se fazer política. Concordo neste ponto, de que o momento é de união de todos, mas não podemos negar que o governo federal (sem comando) está emperrando a agilização na liberação desses recursos. Mais uma vez, senhor ministro, a fome não espera e ninguém pode ter saúde sem dinheiro!
A FEIRA NOS TEMPOS DO CORONA
A feira livre, como a do Bairro Brasil aos sábados e domingos, é um ponto de encontro saudável em todos os sentidos, tanto para a saúde, através de alimentos mais naturais, como para um pate-papo, um aperto de mão e abraços entre amigos e conhecidos, mas nestes tempos do coronavírus, o Cobid-19, ou o Coronavid, como costumo chamar, está muito difícil e arriscado porque os especialistas, infectologistas e médicos recomendam distanciamento. Como é bom este ambiente caloroso da feira! Quando posso sempre estou lá para fazer umas comprinhas, rever amigos e tirar umas fotos, é claro, como este flagrante. Feira é vida, simplicidade das pessoas e gostoso onde se encontra de tudo, desde frutas, carnes, peixes, frangos, pimenta e muitas outras novidades. Vamos torce que esses encontros voltem logo para sentirmos as pessoas mais de perto nesse circular de lá pra cá, jogando conversa fora. Foto de Jeremias Macário.
QUEM É ESTE CORONAVID?
Poema inédito de autoria do jornalista Jeremias Macário
e pode ser ouvido também no vídeo do blog.
Sabe quem é este tal de Coronavid,
Que de dezenove passou pra vinte?
Sei lá, só sei que veio do lado de lá,
Lá da China coroa de olho apertado,
E o coroa foi do mundo o mais falado,
Na previsão vista por Nostras Dames,
Na profecia de Raul que fez a terra parar,
Como bandido a vagar solitário pelo ar,
Roendo a vida e todo esse capital do mal.
“Vai canoeiro, vai canoeirar” pelo mar,
Viva a beleza das cores do meu sertão,
Que sempre tem aquela sábia lição,
Levanta e sacode a poeira estradeira,
Não convide o Coronavid para entrar,
Dê mel, água sabão e o álcool gel,
E sem medo e pânico, ele vai recuar,
Como o satanás corre longe da cruz,
E o vampiro foge no clarear da luz.
Quem é este invisível de cenas apocalípticas?
De seres mascarados, de olhares baixos distantes,
De passos lentos como uns teleguiados robôs,
Nas avenidas e nas catacumbas dos metrõs,
Que bagunçou e revolucionou todas as críticas,
De falastrões, apresentadores e governantes,
E ainda criou separação, isolamento e terror,
Foi tudo isso que o animal humano inventou.
Quem é este tal Coronavid que mata a vida?
Só sei que nem os super-heróis americanos,
Com seus poderes lança-fogos, não derrubou,
Só o cangaceiro Lampião, cabra nordestino,
Com seu punhal afiado o seu bucho perfurou,
E mandou seu destino, intestino pro inferno,
Lá pra China onde o facínora saiu da esquina,
Do frio inverno amargou sua perversa sina.
Lembre-se da canção do José. E agora José?
Ficar em casa com fome, nos come os falastrões,
No bate-boca dessa corja de tantas demagogias,
Dessa suja casta de nobreza e tantas mordomias,
Que sempre deram as costas para nossa pobreza,
Com suas toscas ideias fascistas e baratas filosofias,
E também de esquerdistas de pegajosas frias jias,
Com seus discursos que vivem a nos garrotear,
“E agora José, você José, que zomba dos outros”,
Com a chave na mão, até quando vão nos ferrar?
















