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AS CONSEQUÊNCIAS FINANCEIRAS

O fechamento do comércio em várias cidades do pais, inclusive em Vitória da Conquista, é uma medida para se evitar aglomerações, mas quando começar a faltar dinheiro aos empregados e àqueles que trabalham na informalidade, para adquirir os produtos de primeira necessidade, como alimentos e remédios? Quem vai socorrer essa gente do setor privado que vai ficar sem receber? Já pensaram nessas consequências? Se o comerciante não produz, não tem como pagar.

Os funcionários públicos das repartições vão receber sua grana no final do mês. E os outros, quem vai socorrer? O poder público vai distribuir cestas básicas e ajuda financeira? Com essa pandemia do coronavírus se espalhando, estamos numa encruzilha daquelas que “se ficar o bicho come, se correr o bicho pega”, ou entre a cruz e a espada.

As autoridades precisam trabalhar nesse plano de socorro. Caso contrário pode até ocorrer invasões em mercados e supermercados por comida. Depois vão chamar as pessoas de vândalos? Prendê-las? A situação é grave e precisa ser estudada para que não haja uma convulsão social.

Outro fato são as pessoas com doenças crônicas da região que precisam de fazer hemodiálises, quimioterapias e outros procedimentos urgentes nas clínicas da cidade. Sem vans e o transporte, como elas vão se deslocar de suas cidades? As vans não vão rodar com pouca gente porque financeiramente não vai compensar, e a maioria não tem condições de pagar um veículo particular.

A mídia passa todo o tempo repetindo notícias e divulgando decretos dos governos. Trabalha com números de casos e entrevistando infectologistas sobre higienização, mas não questiona este outro lado da história que pode acontecer quando as pessoas começarem a ficar sem dinheiro na mão. No caso do comércio, os repórteres entrevistaram os representantes do setor, mas deixaram de lado os comerciários, os que trabalham por comissões e os informais.

Nesse quadro crítico que se vislumbra, até quando o comércio pode continuar fechado? Pelas informações da área da saúde, essa pandemia ainda vai durar por um tempo. Fala-se em meses. De um modo geral, esses trabalhadores não têm fundos para aguentar nem um mês. Os servidores públicos vão receber, sem problemas, como se estivessem em férias.

A questão não é somente baixar decretos, mas montar um plano “B” para controlar as consequências que podem vir na frente. Todos acham as medidas acertadas, mas somente poucos refletem sobre as consequências para os mais necessitados que dependem de um dinheirinho para fazer sua feira, principalmente os desempregados que estão atuando na informalidade.

Está também na hora de convocar os psicólogos e os psicanalistas para tentar evitar que a população entre em pânico. Nessas ocasiões, o medo é a pior coisa, e uma mente amedrontada deixa o corpo debilitado. Por enquanto, só estão tentando cuidar do corpo. Acima de tudo, a mente precisa estar preparada para o que vier daqui por diante. Numa tragédia, é comum as pessoas partirem em manada, e aí termina morrendo mais gente no corre-corre, empurradas e pisoteadas.

ALARMES E COISAS INEXPLICÁVEIS

Não dá para tentar encobrir que o governo chinês não foi culpado pela disseminação do coronavírus (Covid-19) no mundo, que começou lá no final do ano passado. Por ser uma ditadura fechada, como qualquer outra faria, os primeiros casos foram abafados e escondidos até quando a situação fugiu de controle meses depois, e aí o vírus já havia feito um rastro de destruição em várias regiões do pais e transportado para outros vizinhos asiáticos.

Agora imagina se essa pandemia tivesse acontecido durante a ditadura civil-militar no Brasil, especialmente nos anos de chumbo do governo Médici (1969 a 74)! Certamente, por algum tempo, os generais teriam confinado o vírus em seus quartéis, e a sociedade teria o mínimo de informações. Mesmo assim, as notícias seriam censuradas. Naquele tempo, muitos casos dessa natureza tiveram sua divulgação proibida para a população.

E OS PAÍSES AFRICANOS?

Isso acontece em todas as ditaduras que, para não comprometer a governabilidade, seus governantes carimbam esses acontecimentos na lista dos arquivos de segurança nacional. Mal ou bem, estamos numa democracia de tempos de redes sociais onde as notícias correm como rastilho de pólvora, muitas das quais falsas, desencontradas, exageradas, incompletas, inexplicáveis e até em forma de pânico e demagogia.

Todos os dias recebemos um monte de notícias do coronavírus nos países europeus (Itália, França, Espanha, Portugal, Inglaterra e outros), asiáticos (Japão, China, Malásia) e dos Estados Unidos, mas nada com relação ao continente africano. Por lá o Covid-19 não passou? Por que esses países são excluídos do noticiário?

SEM ESTARDALHAÇOS

“O número de contaminados só faz crescer na Bahia” – diz em tom enfático uma repórter da TV. Isso em termos psicológicos só causa pânico e mal-estar na população. Passa uma sensação de terrorismo jornalístico quando a linguagem deveria ser outra.

Numa democracia, o jornalismo precisa ser feito com responsabilidade e sem estardalhaços, procurando ao máximo evitar o sensacionalismo em momentos críticos. Os programas mais parecem um show de espetáculos. A profissão de infectologista nunca esteve em alta.

Os apresentadores insistem o tempo todo que as pessoas fiquem em casa, lavem as mãos com álcool e gel e usem máscaras. Quase nada se fala que todos precisam se alimentar e têm outras necessidades para sobreviver. Por acaso os governos vão levar comida e dinheiro na porta de cada cidadão? Os pobres das periferias têm condições de comprar álcool, gel e máscaras? A grande maioria passa fome e vive em barracos sem o mínimo de saneamento básico. Isso o jornalismo não comenta e nem questiona.

Estamos chegando ao fim do mês quando uma grande leva de aposentados precisa ir aos bancos para tirar seu dinheirinho, para fazer a feira e comprar seus remédios. Vão proibir os idosos de irem aos caixas para sacar seus benefícios? O governo vai mandar levar o pagamento de cada um em sua casa?

O governador do Rio de Janeiro falou em distribuir cestas básicas para desempregados, idosos e os mais pobres. Não explicou como ele vai fazer isso. Vai montar um mutirão de funcionários com caminhões de produtos higienizados para entregar em cada porta? Ele já mapeou esse contingente, ou vai cadastrar cada um para receber os alimentos? Se for fazer isto, com certeza haverá aglomerações de filas.

SUBMISSÃO VERGONHOSA AOS EUA

Muitas medidas anunciadas não passam de demagógicas porque, não somente a União, mas a grande maioria dos estados está quebrada sem recursos nem para bancar a saúde se o quadro da pandemia piorar. Será que agora vai adiantar muito fechar portos, aeroportos e rodoviárias? Quem vai sustentar as perdas econômicas? Como as pessoas vão conseguir sobreviver sem dinheiro? Vamos entrar na pandemia da fome? Vão criar campos de concentração para os idosos?

O governo federal tomou a decisão de fechar os aeroportos brasileiros para a entrada de aviões de diversos países europeus, mas manteve a porta aberta para os norte-americanos onde lá a situação já é crítica em muitos estados. O ministro da Justiça tenta explicar e inexplicável, ou aliás, ficou bem escancarada a vergonhosa submissão aos ianques. Eles podem vir e contaminar os brasileiros.

Por que os governos não cancelaram o carnaval quando o vírus já estava contaminando muitos países? Tudo soa a demagogia, e agora, de maneira atabalhoada, e imitando outros países, querem se aparecer como salvadores da pátria quando não passam de alarmistas de plantão.

 

PARADEIRO

Está um paradeiro danado, não é João? Enquanto o cliente não aparece, a saída é a leitura como bom  passatempo nesses tempos onde as pessoas exercitam mais o corpo que a mente. Talvez por isso estejam mais doentes e entram em pânico como neste momento da pandemia do coronavírus e dos noticiários pandemônicos jornalísticos. É bom se prevenir das fake news que andam soltas por ai. Pena que as redes sociais viraram uma praga, e a tecnologia do celular tornou o mundo mais imbecil. Poucos hoje se dão à leitura de livros, revistas e jornais, se tornando uma massa de alienados, que acha que está bem informada e sabe tudo, quando nada sabe. Vamos ler e cuidar mais da saúde mental para tornar o corpo mais sadio e sair desse paradeiro. Um flagrante saída das lentes do jornalista Jeremias Macário, na Praça Barão do Rio Branco. A leitura pode acabar com esse paradeiro mental.

NINGUÉM QUER SABER DA LIÇÃO

Nova versão do poema, de autoria do jornalista Jeremias Macário, que fala do aquecimento global e a consequente destruição do nosso planeta

O inverno frio virou verão;

Foi-se outono e a primavera,

E o Beato do sertão virou mar,

Na profecia do mar em sertão,

Da terra mina lunar de cratera,

Pela alma vil humana profana

Do templo da nossa casa divina,

E ninguém quer saber da lição,

Prefere ter mais armas na mão.

 

Nessas viagens messiânicas,

Da troca tirana do ser pelo ter,

No insano guloso do consumo,

Da produção por mais insumo,

Vem a tormenta ranger de dentes,

E não vingam mais as sementes,

Nesse solo de placas tectônicas,

E ninguém quer saber da lição,

Prefere ter mais armas na mão.

 

No calor do aquecimento global,

Depois das falsas mesas do clima,

O capital aumenta suas chaminés,

E vem o escuro tufão gira mundo;

Larvas vulcânicas viram monturo;

Mares lixeiras tóxicas e atômicas;

Derrubam florestas, nasce a fome;

Some a natura no óleo do convés,

E ninguém que saber da lição,

Prefere ter mais armas na mão.

 

Nascentes morrem nas cabeceiras;

Derretem dos polares as geleiras;

Desaparecem o urso e o salmão;

Das águas monstros de tsunamis;

Rios cimentados estouram canais,

E a selva de pedra derrete em caos,

Na fornalha de mais de 70 graus:

Tudo está escrito nos antigos anais,

E ninguém que saber da lição,

Prefere ter mais armas na mão.

A PANDEMIA JORNALÍSTICA E O MEIO AMBIENTE NUM PLANETA DESGASTADO

O OUTRO LADO DA HISTÓRIA DE UMA DESPOLUIÇÃO FORÇADA DA NATUREZA

Não há dúvida de que a situação da propagação do coronavírus, o Covid-19, no planeta já desgastado por doenças e desastres da natureza, provocados pela intervenção predatória humana, é muita séria e requer cuidados. No entanto, houve, desde o início, uma pandemia no noticiário jornalístico que criou pânico e histeria na população, com informações desencontradas e muitas outras que nem foram esclarecidas.

Na história da humanidade já ocorreram várias pandemias de vírus, pestes e doenças, como a bubônica no século XVIII e a gripe espanhola, em 1918, mas esta é devastadora e está fazendo a terra parar, como na música “No Dia Em Que a Terra Parou”, do místico compositor baiano Raul Seixas. A mídia tem o papel de fazer sua parte na divulgação, mas não sensacionalismo exagerados, na grande maioria, matérias demasiadamente repetitivas ao longo do dia.

As medidas de confinamentos e os decretos, muitos dos quais desastrosos, de fechamento de repartições, portos, aeroportos, rodoviárias, serviços de alimentação (bares e restaurantes), hotéis e de outras atividades batem em cadeias em nossas portas, e não se sabe aonde vamos chegar nos próximos dias. Por que não cancelaram o carnaval? Hipocrisia e falta de moral! A maioria individualista só pensa em abastecer suas dispensas. Tudo parece um apocalipse de final de mundo.

O MEIO AMBIENTE AGRADECE

De forma desordenada e abrupta, prefeitos e governadores tomam suas posições de fechamento de suas fronteiras e criam as mais diversas barreiras. Nessa histeria de paralisações, multidões, até poucos dias como formigueiros, estão deixando de circular e, consequentemente, emitindo menos gases tóxicos poluidores no ar, causando menos impacto ao meio ambiente, o maior beneficiário nessa catástrofe.

Nesse momento tão difícil, muita gente pode até achar irônica esta reflexão, mas o meio ambiente agradece em não estar recebendo tantas sujeiras, plásticos e outros bagulhos advindos do consumismo supérfluo. O certo é que está havendo uma despoluição forçada do planeta, com milhões de pessoas fora de circulação.

Esse é o outro lado da história, hoje focada quase que cem por cento no coronavírus, num país em desespero e sem estruturas para combater, controlar e atender às pessoas contaminadas. Sem recursos suficientes para testar e hospitalizar o contingente que cresce de infectados, os pobres, principalmente os idosos, serão as maiores vítimas dessa pandemia, como sempre acontece em ocasiões de tragédias e até mesmo através do aquecimento global. Vão confinar os idosos em campos de concentração?

Até quando a economia brasileira, já fragilizada, vai aguentar esse tranco de fechar os meios de produção e serviços? Como vai se sustentar com a abrupta queda na arrecadação, inclusive diante da necessidade premente de acudir a saúde com volumosos recursos? Não se sabe o que pode ocorrer nos próximos dias e até meses, como se comenta.

Como cidadão comum, queria aproveitar a oportunidade para fazer algumas considerações e indagações, e também expressar minha revolta com a atitude criminosa do capitão-presidente, que virou um simples fantoche no Quartel General do Planalto. Mesmo suspeito, num gesto irresponsável, se misturou aos seus amarelinhos correligionários (convocados por ele) na frente do Planalto.

Não dá para entender como ele foi o único a acusar negativo no teste do Covid-19 entre a comitiva infectada quando retornou dos Estados Unidos. Não se sabe muito bem os motivos dessa viagem à terra do Tio Sam (a mídia não explicou), quando o vírus já havia se alastrado na maioria dos países. Como um presidente diz ser um problema só dele em estar, ou não com o vírus? Em resposta, recebeu os panelaços da mesma classe que bateu para Dilma Rousselff.

MANIPULAÇÃO CIENTÍFICA?

Todos sabem que o coronavírus começou na China, mas até hoje não explicaram a sua verdadeira origem. Pode ter sido resultado de uma manipulação, ou experimento científico num laboratório onde alguma coisa deu errada e o “bicho” ganhou mundo através do pesquisador? Como ele surgiu? Ainda é um mistério a ser desvendado, mas a mídia não investiga esse outro lado. A verdade é que, por muito tempo, o governo chinês escondeu sua existência.

Por que até agora nada se fala da sua possível propagação nos países africanos? Essas nações não foram atingidas? Quanto à nossa realidade de país pobre e doente, não se vê mais notícias sobre os avanços da dengue, da chicunkuhya, da zica e de outras enfermidades. Não se mostra mais a precariedade dos hospitais públicos, e se algum deles está fazendo tratamento de algum doente da Covid-19. Os ricos e poderosos estão indo para o Sírio Libanês e para os particulares.

Todos os dias se vê, incansavelmente, as imagens televisivas (muitas distorcidas) de máscaras e o lavar de mãos com álcool e gel. Depois do lavar de mãos com todo aquele ritual, as pessoas não pegam mais em nada? Ficam imóveis? Qual a validade de tempo do produto para evitar a infecção. Vamos ter que passar o dia todo lavando as mãos? E o tempo de uso da máscara? Os governos vão ter que desinfetar, diariamente, todas as cidades brasileiras, o que é impossível.

Álcool e gel são as palavras mais usadas nessa avalanche de reportagens, e aí os oportunistas gananciosos desgraçados (acham que nunca vão morrer) aproveitam para estocar o produto e aumentar, assustadoramente, os preços para 30 e até 50 reais, inclusive numa máscara que custava cerca de cinco reais por unidade nas farmácias.

Infelizmente, a pandemia também serve para mostrar o lado cultural do colonizador nos termos estrangeirados, quando se podia muito bem se expressar em português, como o tal trabalho em casa, ao invés do “home office”, como se fosse mais elegante. Renegamos a nossa cultura para incorporar a do colonizador, e tome termos inglesados.

 

 

NOS TEMPOS DE MOLEQUE

Escrafunchando em meu baú de fotos (muitas foram perdidas), me deparei com a imagem da Praça Getúlio Vargas, da minha querida Piritiba, na Bahia, Piemonte da Chapada Diamantina, lá pelas bandas de Miguel Calmon e Morro do Chapéu. Bateu em meu peito a  saudade dos tempos de moleque, quando nessa área, ainda em terra batida, jogava futebol com outros meninos da cidade. Era uma zoeira só quando a bola caia no único bar da praça, e o dono esbravejava que ia furar nossa redonda. Foi nesse lugar onde aprendi os primeiros dribles e a dominar a danada que tanto engana muitos jogadores pernas de pau nos tempos atuais. Tudo era escondido do meu pai que detestava quem jogava futebol. Passávamos um bom tempo naquela peleja de defender e levar a bola até o gol adversário, marcado com algumas pedras e chinelos. Foto divulgação, da Prefeitura Municipal. Pronto: matei a saudade dos tempos de menino que não voltam mais, mas ficou dentro de mim a poesia da infância.

SERRA DO PERIPERI

Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário onde retrata a depredação praticada pelos homens contra a Serra do Periperi, em Vitória da Conquista, a qual já foi uma floresta, quando, em torno dela, habitavam os índios nativos. Um louvor ao Cristo, às nações índias e às suas belezas naturais muito tempo antes da exploração predatória.

Deus salve os Mongoiós,

filhos das flechas Camacans,

guerreiros da nação Pataxós,

irmãos dos ferozes Imborés,

com seus disfarces em caracóis,

que levantam no cedo das manhãs,

para ouvir o conselho dos pajés!

 

El Rei mandou soldados bravos,

Guimarães e o capitão Gonçalves,

que na busca do ouro das matas,

fizeram dos índios seus escravos,

num massacre chamado Batalha,

onde correu sangue nas cascatas,

deixando a tribo toda humilhada.

 

Rasgaram trilhas os bandeirantes,

no pulo da onça braba Jaguatirica,

entre o Pau d’arco e a Sucupira,

onde fecunda uma Serra rica,

de fauna e flora que inspira,

a descrição do Príncipe ao sentir,

verdejante floresta do Periperi,

com tantos salves aos habitantes!

 

Desse vasto manto bento protetor,

de cores do Cardeal e de Bem-te-vi,

espiando a abelha fazer sua festa,

entre Angicos e o vôo do Jabuti,

só ficou o Poço Escuro como flor,

de bromélia e outra que ainda resta,

e um olho d´água que virou fiapo,

numa Serra toda rasgada em trapo.

 

O branco com seu pó envenenou,

os irmãos da lua, da terra e do sol;

secou o coração do nativo de dor,

na Pedra do Conselho dos Senhores,

onde cantava o Sabiá e o Rouxinol,

desde Jibóia ao Arraial da Conquista,

cidade que foi chamada das flores,

e inspiração para o Cristo do artista.

 

Máquinas lambem todo o chão;

cortam a Serra norte-sul do sertão,

e todas as raças brancas crioulas,

se esparramam como folhas,

no explorado chão de miséria,

que se vale de cascalhos e areias,

extraindo da flora toda a matéria,

até as últimas raízes de suas veias.

 

Brotam torres com suas propostas,

entre a fumaça de fazer asfalto;

e nos zincos das suas encostas,

o pobre do lixo cata comida e aço,

num pôr-do-sol ainda rajado,

no Cristo de Cravo crucificado,

perdoando os homens de cobalto,

que tiraram da Serra seu espinhaço.

 

O filho da Serra lá nas alturas,

esculpiu solitário suas esculturas;

foi o poeta do metal e da  imagem;

sonhou e morreu sem homenagem,

dos mortais idólatras dos materiais,

que só pensam nos prazeres carnais,

ainda fazendo ao Periperi todo mal,

mesmo com o tal Parque Municipal.

 

 

 

CÂMARA HOMENAGEIA AS MULHERES

Fotos do jornalista Jeremias Macário. Pronunciamento da vereadora Lúcia Rocha

Numa sessão especial bastante concorrida, a Câmara Municipal de Vereadores de Vitória da Conquista homenageou, ontem, (dia 11/03), o Dia Internacional da Mulher que aconteceu no último domingo (dia 08/03).

A vereadora Lúcia Rocha foi a autora da indicação em homenagem às mulheres e falou das conquistas do gênero feminino nos últimos anos, apesar de ainda se ter muito a avançar no âmbito político, trabalhista, econômico e social, numa sociedade ainda com a cara patriarcalista.

Em seu pronunciamento, Lúcia Rocha discorreu sobre sua trajetória de vida como mulher desde os anos 80, culminando com sua eleição para assumir uma cadeira no legislativo conquistense em 1992 onde permanece até hoje como parlamentar atuante.

Citou o nome de várias mulheres que galgaram seus espaços antes ocupados pelos homens, destacando a luta de Loreta Valadares que combateu a ditadura civil-militar de 1964 e sofreu torturas por defender a liberdade de expressão.

Os trabalhos foram abertos pelo presidente da Casa, Luciano Gomes, que passou o comando das atividades para sua colega Viviane Sampaio. Após a formação da mesa, composta por representantes de entidades das mulheres conquistenses, houve a apresentação do Coral de Libras que entoou várias músicas e foi bastante aplaudido pela plateia.

Os discursos, como já era esperado, foram focados na questão da violência contra as mulheres, que ainda persiste nos tempos atuais e do aumento de feminicídios registrados em Conquista, na Bahia e no Brasil durante o ano passado.

Na oportunidade, foi elogiado o trabalho da “Ronda Maria da Penha” em proteção às vítimas de espancamentos, principalmente por parte de seus companheiros. Foram denunciados também os abusos sexuais, inclusive contra menores, sofridos pelas mulheres e crianças.

A sessão especial, que acontece todos os anos, não se resumiu a homenagens, mas foi também uma forma de mobilização visando o reconhecimento da força da mulher na sociedade atual.

CAMINHADA DO BODE PELO AGRESTE NORDESTINO

Carlos González – jornalista

Livre do rebaixamento para a série B do Campeonato Baiano de 2021, o Esporte Clube Primeiro Passo Vitória da Conquista, com a vitória no domingo diante do Fluminense de Feira de Santana, soma 7 pontos ganhos, com chances remotas de vir a disputar as semifinais do torneio deste ano. Mandando as suas partidas num estádio que não oferece o mínimo conforto à população da terceira cidade do estado, onde as condições climáticas, na maior parte do ano, são instáveis, o time conquistense foi incentivado em casa, nas três primeiras apresentações no Baianão, por apenas 3.413 torcedores, que deixaram nas bilheterias R$ 57.800, ficando o Conquista com R$ 4.924,02.

Contando unicamente com a ajuda financeira dos patrocinadores – o clube, acredito, ainda não foi buscar o apoio da Havan, que tem colaborado com o esporte nas cidades onde instalou suas lojas – e dos sócios, o Vitória da Conquista vai ficar por dois meses longe de sua torcida. O tempo vai permitir que a Comissão Técnica aprimore o elenco que vai disputar a série D do Campeonato Brasileiro, a partir de 23 de maio. A Prefeitura deve também aproveitar esse período para melhorar as instalações do estádio Lomanto Júnior – o gramado que custou R$ 1 milhão necessita de tratamento -, que vai receber atletas, torcedores e imprensa esportiva de outros estados, além dos nossos.

Depois de ouvir o choro dos seus filiados mais pobres (as classes C e D), reclamando que, a maioria dos seus profissionais, após realização dos campeonatos estaduais, de janeiro a março, ficam desempregados até o início do ano seguinte, a CBF decidiu ampliar para 64 o número de participantes do Brasileirão da série D, além de estender o torneio, com 26 datas, por seis meses.

Os 64 times serão divididos regionalmente, para evitar viagens longas, em oito grupos, com jogos de ida e volta. Significa que, cada equipe fará, no mínimo, 14 partidas. Após a primeira fase, com término em 4 de julho, os quatro melhores classificados de cada chave seguirão na competição. A final está prevista para 22 de novembro, qualificando os semifinalistas para a série C do próximo ano.

O Vitória da Conquista, Atlético de Alagoinhas e Bahia de Feira de Santana serão os representantes do futebol baiano. Incluído no grupo 4, o alviverde, em algumas viagens, vai trocar as baixas temperaturas do inverno conquistense pelo calor do Agreste nordestino. Na verdade, o habitat natural do bode, a mascote do clube. Seus adversários serão o ABC de Natal, Freipaulistano (Frei Paulo, Sergipe), Itabaiana (da cidade sergipana do mesmo nome), Potiguara (Mossoró, Alagoas), Jacyobá (Pão de Açúcar, Alagoas), Central (Caruaru, Pernambuco) e Coruripe (da cidade alagoana do mesmo nome).

Os jogos do Conquista no Lomantão estão programados para os sábados, às 20h20, exceto das 6ª e 10ª rodadas, diante do Itabaiana e Central, respectivamente, marcados para uma quarta-feira, no mesmo horário. Tabela do representante baiano na primeira fase do Brasileirão da série D:

23/5 – Coruripe (em casa)/6

30/5 – Freipaulistano

13/6 – ABC (em casa)

20/6 – Potiguar (em casa)

27/6 – Central

01/7 – Itabaiana (em casa)

04/7 – Jacyobá

11/7 – Jacyobá (em casa)

18/7 – Itabaiana

22/7 – Central (em casa)

01/8 – Potiguar

08/8 – ABC

15/8 – Freipaulistano (em casa)

22/8 – Coruripe

 

 

 

A VIA BAHIA FOI ALVO PRINCIPAL DA CÂMARA EM MEIO A BATE-PAPOS

As sessões da Câmara de Vereadores de Conquista se transformaram em bate-papos de encontro. A de ontem, dia 7/03, não foi diferente com muitas conversas paralelas, tanto dos parlamentares entre eles, como da plateia. Mesmo assim, o alvo das críticas foi a Via Bahia que, durante todos esses anos, não cumpriu com seus contratos de melhorias da BR-116 (Rio-Bahia) e ainda quer a renovação da concessão que foi cortada pelo governo federal.

Em Seu pronunciamento da Tribuna, o vereador Jacaré foi duro nas críticas contra a Via Bahia que nada fez no trecho de Conquista, como as construções das passarelas, dos viadutos no anel viário e a duplicação da rodovia entre Planalto e Bate Pé, sem contar outros serviços nesse corredor viário.

Comissão em Brasília

Na ocasião, informou que uma comissão da Câmara, formada por ele, o presidente da Casa, Luciano Gomes e Nildma Ribeiro, esteve semana passada em Brasília junto ao Ministério dos Transportes que prometeu realizar essas obras assim que outra empresa assumir a concessão, visto que o acordo foi definitivamente cortado com a Via Bahia. Ressaltou que, se a outra firma não fizer, que o governo federal faça.

Outros parlamentares, como Bibia, David Salomão e Cícero Custódio se juntaram às críticas contra a empresa. Por várias vezes, Custódio teve que interromper sua fala por causa do bate-papo avançado, inclusive com relação à Mesa Diretora e outros colegas que ficam conversando enquanto outro parlamentar faz seu discurso.

Mais no papel de prefeito do que de vereador, Álvaro Phiton fez rasgos de elogios ao prefeito Hérzem Gusmão, principalmente no tocante às suas ações na área da educação que, segundo ele, vem sendo levada a sério com bons resultados no ensino. Como mais uma das suas realizações, citou a inauguração de uma escola no bairro de Campinhos.

Em seguida, pediu licença da Mesa, como se fosse o próprio prefeito, para se retirar da plenária porque iria visitar o bairro Panorama para ver de perto os estragos provocados pelas fortes chuvas da madruga, que arrebentaram várias ruas da cidade.

O temporal, com relâmpagos e trovões, (choveu mais de 70 milímetros de água) provocou vários transtornos em Conquista, atingindo em cheio a Praça Bartolomeu de Gusmão. A tempestade arrastou carros, derrubou muros e alagou várias casas e lojas, sem falar que deixou ruas e avenidas cobertas de pedras que sempre descem da Serra do Piripiri.

O vereador Coriolano Moraes lembrou das comemorações do Dia da Mulher, neste sábado, dia 8 de março, destacando o aumento de feminicídios no Brasil durante o ano passado, e condenou os ataques diários contra as mulheres, incluindo os abusos sexuais e maltratos contra crianças e adolescentes. Bibia pediu mais atenção do poder público para a situação de precariedade do bairro de Nossa Senhora Aparecida e solicitou que a TV Sudoeste fosse lá registrar os fatos, ao invés de ficar fazendo picuinhas políticas.

Ainda sobre a questão da Via Bahia, que nesta semana fez uma reunião conclamando a comunidade a apoiar a continuação de sua permanência no contrato da BR-116 (compareceu pouca gente no encontro), Itamar Figueiredo, do Movimento Pró-Conquista, também endossa as críticas e apoia o seu cancelamento como concessionária porque durante todo esse tempo quase nada fez em benefício da região de Conquista.

Disse que os serviços de duplicação e viadutos do anel viário são muito importantes para o desenvolvimento da cidade e do município, especialmente agora com o novo Aeroporto Glauber Rocha. A duplicação, de acordo com os vereadores, fortaleceria o escoamento da produção, sem falar que evitaria os acidentes de trânsito com mortes que sempre estão ocorrendo em torno da cidade.





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