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VOA MENTE!

Quero ser livre como o Condor;

Não seja dor e ódio, seja amor;

Seja semente com a sua mente.

 

Voa, voa mente inteligente!

Voa como no rasgo do falcão,

Cortando a linha do horizonte

Entre o céu azul daquele monte;

Voa mente dessa sofrida gente,

Do nascente ao vermelho poente;

Clareia toda a nossa imaginação.

 

Voa minha mente peregrina,

No meu intrincado pensamento;

Nas asas do gavião e do carcará,

Desta terra guerreira nordestina,

Onde lá vou eu plantando vento,

Para soprar as velas desse tempo,

De volta às raízes do meu luar.

 

Voa, voa mente em seus fragmentos;

Faz-me meditar como aquele monge;

Leva bem pra longe meus tormentos,

Pra o Olimpo da antiga sábia Grécia,

Onde possa desvendar a controvérsia;

Me tira desse caminho curvo escuro,

E ilumina meu presente para o futuro

O ESPETÁCULO DA CORRUPÇÃO – COMO UM SISTEMA CORRUPTO E O MODO DE COMBATÊ-LO ESTÃO DESTRUINDO O PAÍS (PARTE I)

Não sou contra ao combate à corrupção, nem condeno a Operação Lava Jato, mas critico a falta de um planejamento ordenado entre todos os órgãos do governo federal para que a economia do país (as grandes empresas e conglomerados) e a política não sejam esfaceladas e destruídas. Precisamos preservar e salvar o patrimônio nacional. “Não é necessário destruir o capitalismo para combater a corrupção”.

Esta é a posição resumida do advogado especializado em litígios empresariais, Walfrido Warde, em seu livro “ O espetáculo da corrupção como um sistema corrupto e o modo de combatê-lo estão destruindo o país”. A obra “denuncia a falta de planejamento, que dá causa a uma automutilação desnecessária e oligofrênica”.

ALTERNATIVAS JURÍDICAS

A princípio, discordo em alguns pontos, e aproveito aqui para citar aquele conhecido ditado popular de que não se pode fazer uma omelete sem quebrar os ovos, mas o autor apresenta sugestões e alternativas jurídicas, de modo a não provocar o desmantelamento das empresas e, consequentemente, provocar um caos social com milhões de desempregos.

É um livro que merece ser lido e entendido porque o autor aponta as falhas do combate à corrupção e da Operação Lava Jato no Brasil, dentro da sua ótica jurídica, além de enumerar as diversas operações ao longo dos últimos anos. Também faz um histórico interessante sobre as máfias italiana, russa e japonesa e suas ramificações nos Estados Unidos através da imigração de seus chefes para aquele país.

De acordo com Walfrido, logo na abertura de sua obra, a questão exige uma política que articule os órgãos e os agentes públicos envolvidos, que sincronize as suas ações, “que dê fim a uma disputa vergonhosa e paralisante por protagonismo. Ele indica uma “política que coíba a espetacularização e, ao mesmo tempo, a banalização da corrupção e do seu combate”.  Uma política capaz de separar o que tem utilidade daquilo que não presta, e que prefira o pleno ressarcimento dos cofres públicos, ao invés da vingança.

Causas da desigualdade social

Em sua opinião, está faltando o zelo pelos interesses nacionais. Destaca que a corrupção é uma das mais importantes causas da desigualdade. Para ele, a disciplina jurídica do financiamento de campanhas eleitorais é um vaso quebrado. Analisa que “rompeu com o financiamento empresarial, mas não afastou o poder econômico do jogo político que se faz sentir por um claudicante regramento das doações de pessoas físicas”.

Afirma o advogado que existem um modelo mambembe de financiamento público e a ganância de políticos insaciáveis, alimentando a expansão do crime organizado, para ajudar a corromper ao invés de depurar o sistema. “Enquanto não racionalizarmos e democratizarmos o financiamento público… os mais ricos tratarão de fazer com que seus votos se multipliquem e valham mais do que o do cidadão comum”.

É enfático quando declara que mentem quem afirma que acabaremos com a corrupção por meio do encarceramento dos corruptos e dos corruptores. O que se tem feito é a demonização da política e a destruição empresarial que gravita em torno da corrupção. Acredita que não existe êxito se não for feito um trabalho sobre as causas da corrupção, ao criticar a indisciplina jurídica.

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CARNAVAL E OS DEZ ANOS DO SARAU

Todo caracterizado a rigor com o traje de “Muquirana”, o professor graduado em história, Clovis Carvalho, proferiu uma brilhante palestra sobre “O Carnaval e suas Origens até os Tempos Atuais”, tema do “Sarau A Estrada”, o primeiro do ano de 2020, realizado no último sábado, dia 8 de fevereiro, com a participação de mais de 20 pessoas que prestigiaram o evento.

Antes do bate-papo sobre o assunto, que faz parte da abertura dos trabalhos da noite, com cantorias musicais, declamação de poemas, piadas e causos diversos, houve uma discussão entre o grupo presente sobre a programação comemorativa da história dos dez anos do Sarau, a completar no próximo mês de julho. Durante todo este tempo de atividades culturais, foram muitos temas discutidos, muita troca de ideias e aprendizagem entre os mais assíduos frequentadores aos visitantes convidados.

A princípio, ficou definida a apresentação de um show com artistas que frequentam o Sarau e convidados, a ser realizada no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, na segunda quinzena de julho, com bilheteria paga. Toda programação comemorativa do projeto será elaborada por uma comissão do evento, que ficou encarregada dos preparativos, divulgação, nomes dos artistas e outros detalhes.

Carnaval e suas origens

Não somente o palestrante, muitos fizeram questão de se fantasiar, de acordo com o tema. O “Espaço Cultural a Estrada” recebeu grandes quantidade de serpentinas, fitas, máscaras e outros adereços que lembraram os velhos carnavais de antigamente.

Clovis Carvalho fez um estudo aprofundado do assunto, dizendo que carnaval é um festival do cristianismo ocidental que ocorre antes da estação litúrgica da Quaresma. Os principais eventos, de acordo com ele, ocorrem durante fevereiro ou início de março. É uma festa pública de rua que usa elementos circenses e máscaras. Nessas festas, as pessoas usam trajes, permitindo-lhes perder a sua identidade.

Segundo sua pesquisa, o termo carnaval é tradicionalmente usado com uma grande presença católica, mas também tem suas tradições em países luteranos, anglicanos e metodistas. O carnaval moderno é produto da sociedade vitoriana do século XIX. A cidade de Paris foi o principal modelo exportador para o mundo. Cidades como Nice, Nova Orleans, Toronto e Rio de Janeiro se inspiraram no carnaval parisiense.

Quanto a etimologia, Clovis destacou que a palavra vem da expressão do latim “tardio carne vale”, que significa “adeus à carne”, do jejum que se aproxima. No entanto, existe também o termo “carne levare”, do italiano que quer dizer “remover a carne”.

No que diz respeito às suas origens, entre os egípcios havia as festas de Ísis e do boi Ápis. Entre os hebreus, a festa das sortes; entre os gregos antigos, as bacanais; e na Roma antiga, as lupercais, celebradas no dia 14 de fevereiro. Do ponto de vista antropológico, o carnaval é um ritual de reversão afirmou.

Ainda sobre o tema, o palestrante fez uma viagem pela Idade Média, lembrando que em muitos sermões e textos cristãos, o exemplo de uma embarcação é usado para explicar a doutrina cristã: a nave da igreja do batismo, o navio de Maria. “Os escritos mostram que eram realizadas procissões com carruagens semelhantes a navios, e festas suntuosas eram celebradas na véspera da Quaresma, ou a saudação da primavera no início da Idade Média.

No Brasil, Salvador e Conquista

Clovis também discorre sobre a cristianização das festividades e a data, sempre 47 dias antes da Páscoa. No Brasil, a festa é uma parte importante da cultura brasileira e, às vezes, referida como o maior espetáculo da terra. O pesquisador do assunto, cita Francisca Edwiges Neves Gonzaga, a Chiquinha Gonzaga, como autora da primeira marcha carnavalesca com a letra “Ó Abre Alas”. Disse ainda que a festa do Rio de Janeiro, conforme o Guinness Records, é considerada a maior do mundo, com aproximadamente dois milhões de pessoas.

O palestrante fez também um passeio pelos carnavais de Recife-Olinda, tendo o “Galo da Madrugada” como o maior bloco do mundo; o carnaval de Salvador, com seus trios elétricos, puxando canções com gêneros os maisvariados, como o axé, arrocha, samba-reggae e outros, até chegar ao carnaval de Vitória da Conquista, a micareta e o atual no formato cultural, a partir de 2011.

De acordo com o estudo de Clovis, o primeiro carnaval de rua de Vitória da Conquista aconteceu no dia 27 de fevereiro de 1927, com apresentação de cordões e blocos. O tipógrafo Waldemar Coutinho, que veio de Itabuna, em 1924, juntamente com alfaiates, organizou o primeiro bloco de nome “O Mau Jeito”, escrito com G, pelo fato do estandarte ser a figura de um Arlequim sentado com as pernas levantadas. Em 1934, o carnaval foi bastante animado com o cordão “Varieté”. Em 1950, o jornalista Anibal Lopes Viana organizou o cordão “Desculpe o Mau Jeito” em alusão ao primeiro.

Clovis Carvalho faz um histórico sobre os carnavais da cidade nos anos de 1974 a 1981, com trios elétricos vindos de Feira de Santana e Ubatã, destacando o bloco “Apaches” como campeão de 1975, seguidos de “Tengo-Tengo”, “Tico-Tico no Fubá”, “Secos e Molhados” e outros, até chegar na Micareta, em 1989, que acontecia entre final de abril e início de maio de cada ano, com grandes artistas da música baiana, como Gilberto Gil, Daniela Mercury, Margareth Menezes, Luiz Caldas e tantos outros. Faz referência à participação do Massicas e Tôa a Tôa que arrastavam multidões.

Para concluir seu trabalho, o palestrante descreveu sobre a volta do carnaval cultural, em 2011, e falou do importante CD gravado por Lúcia Lula e idealizado por Carlos Jehovah e Esechias Araújo Lima, com direção geral do maestro Abdalan Gama Cândido. Entre as músicas cantadas nos carnavais da cidade, cita Calundu, Cochilão, O Sonhador, Os Coroas, Desbocada, Folia de Conquista, Cordão da Saudade, Pega, Pega esta Barata, As Periquitas entre outras.

Após sua apresentação, o professor Itamar Aguiar, um dos organizadores da Micareta, quando era secretário do prefeito Murilo Mármore, o jornalista Jeremias Macário, o músico Baducha, Walter Lajes, Mano Di Souza, Marta Moreno e outros presentes fizeram suas considerações finais.

Como sempre, não faltaram as cantorias de Baducha e Walter Lajes, com canções carnavalescas que lembraram os velhos tempos. Como não poderia deixar de acontecer, todos entraram na folia no ritmo do tema. Edna, a mais fantasiada da festa, Vandilza Gonçalves, a anfitriã da casa, Cleide, Rôse, a cantora Marta Moreno e Céu foram as mais animadas. Já pela madrugada, depois das geladas e do vinho, todos degustaram as delícias do tira-gosto de bode, muito bem preparado por Vandilza. Ainda teve tempo para declamação de poemas e causos, puxados pelo nosso amigo Jhesus.

CÂMARA ABRE TRABALHOS COM BALANÇOS, AGRADECIMENTOS E CRÍTICAS POLÍTICAS

As palavras de agradecimento do prefeito Hérzem Gusmão, na abertura dos trabalhos do novo ano de 2020 da Câmara Municipal de Vereadores de Vitória da Conquista, na primeira sessão de ontem (dia 07/02), foram dando lugar a alfinetadas políticas contra os governos passados do PT, principalmente quanto a questão do transporte público, segundo ele, um caos quando assumiu a prefeitura há três anos.

Logo após o discurso do presidente da Casa, Luciano Gomes, o prefeito usou a tribuna e começou agradecendo o legislativo pela aprovação dos projetos encaminhados pelo executivo, citando os pedidos de empréstimos para obras de infraestrutura da cidade, a criação da guarda municipal, o plano diretor urbano ainda em tramitação, dentre outros que estão viabilizando mudanças de melhorias para a comunidade.

Uma das sessões da Câmara de Vereadores em 2019 – foto de Jeremias macário

Críticas políticas

Seus agradecimentos se estenderam também aos servidores públicos em geral, com destaque para seu secretariado, mesmo aqueles que já deixaram o governo e prestaram bons serviços à população. A partir daí o prefeito, passou a tecer uma série de críticas políticas aos governos passados (estamos em ano eleitoral), como a difícil situação das finanças do município e do estado de falência da empresa Emurc, que realiza projetos de construção, e foi reerguida em seu mandato ainda vigente.

Hérzem Gusmão, durante sua fala, fez um balanço de suas atividades nestes três anos de governo, como reforma de praças, abertura de calçadões na cidade, asfaltamento de ruas e avenidas no centro e em diversos bairros, estruturação do transporte público com a contratação de empresas para substituir a falência da Viação Vitória, serviços na área de mobilidade urbana no sentido de desafogar mais o tráfego de veículos e ordenamento na Secretaria de Educação, com  aplicação de medidas de aprendizagem aos moldes do município do Sobral, no Ceará, onde ele esteve em visita.

Além de outras obras enumeradas em seu relatório de improviso, Gusmão disse que neste ano vai realizar muito mais por Conquista, como a reforma do Terminal Lauro de Freitas, a instalação da guarda municipal e o plano de saneamento básico em parceria com a Embasa, que ainda se encontra em estudo, para ser aprovado pela Câmara. Apesar de não contar com a maioria do legislativo, conforme assinalou, Hérzem afirmou que tem a aprovação da maior parte da população e também de opositores que depositam confiança em seu trabalho.

Agradecimentos e uma CPI frustrada

Coube ao presidente da Câmara, Luciano Gomes, abrir os trabalhos da primeira sessão do ano, depois dos hinos nacional e de Conquista. Também fez seus agradecimentos a todos os 21 colegas da Casa, aos servidores e acrescentou que o legislativo cumpriu com seu papel em 2019, mantendo a sua independência, mas atuando de forma harmônica com o poder público municipal em benefício do município.

Em números, apontou os projetos de lei aprovados, as moções de aplausos, as indicações, requerimentos feitos e o trabalho das comissões, como a CPI que investigou os altos preços dos combustíveis cobrados na cidade. Luciano citou outras atividades realizadas e adiantou que, com coragem, independência e firmeza, a Casa vai continuar sendo do povo. Lembrou da implantação do Memorial da Câmara, e aproveitou para convidar a população para prestigiar a exposição que será realizada no mesmo espaço em homenagem aos ex-presidentes, no próximo dia 13.

Acontece que a CPI dos combustíveis, na verdade, terminou em frustação para os consumidores que são obrigados a pagar o custo do cartel existente entre os donos dos postos. Em relação a outras cidades, os preços por litro de combustível estão entre os maiores do Estado, embora o produto seja transportado de Jequié, distante apenas 150 quilômetros de Conquista.

 

 

DE VÁRIOS ÂNGULOS

Muita gente não tem observado, mas o Cristo de Mário Cravo, cravado na Serra do Periperi, pode ser visto de vários ângulos, como o flagrado na imagem das lentes do jornalista Jeremias Macário. Quem chega de vários pontos na cidade, O vê de vários ângulos, cada um com seu olhar poético diferente, não somente do ponto de vista do por-do-sol. Pode ser observado como se estivesse saindo de dentro de uma mata, enterrado nos escombros da Serra, que foi depredada e explorada por muitos anos por empresas construtoras e até mesmo pelo poder público. Fora o programa do por-do-sol nos finais de tardes dos domingos, lá está Ele solitário, todos os dias, vendo tudo o que se passa e acontece em sua cidade. É o primeiro a ver a aurora e o último a se despedir do poente no abraço da noite.

FLOR E DOR

Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário

FLOR E DOR

Vou contar pra você, seu moço!

Quando ainda ginasiano,

No declinar do verbo latino

Ouvia falar e ainda ouço

Que toda poesia

Como piano, a flauta e o violino

Que comandam a sinfonia

Tinha que ter flor, luar e amor.

 

O poeta tinha que saber imitar

O canto do sabiá e da cotovia;

Tinha que ser melancólico,

Pálido, alcoólico e doente;

Ser o pôr-do-sol poente

Pra falar da angústia,

Dor e sofrimento da gente;

Viver como um bem-te-vi;

Andar como cigano;

Ser boêmio e até insano;

Passar noites sem dormir,

Como um penado zumbi;

Ser bem íntimo da morte;

Isalar o cheiro da depressão;

Abalar todo coração

Das mulheres românticas,

Doces, sensuais e platônicas;

Ser a cápsula do tempo;

Comer dos manjares dos deuses;

Ser irmão do ar e do vento;

Renegar todo sacramento;

Ser orvalho do amanhã sereno;

Conversar com Zeus;

Provar de todo veneno;

Entender os fariseus,

E pelo menos ter

Uma musa inspiradora,

Não importando,

Se obtusa, confusa ou pecadora.

EU NÃO AMO E AMO ESTE PAÍS

É muito doído ver meus compatriotas sendo deportados dos Estados Unidos dentro de um avião como se fossem bandidos acorrentados e algemados, e aqui despejados como se fossem sacos de lixo e objetos. O chefe da nossa nação, simplesmente, não contestou o tratamento humilhante, e justificou que cada país tem suas leis, apenas para bajular o Tio Sam (Donald Trump).

Sabemos, no entanto, que muitos ianques aqui vivem de forma irregular, mas não são importunados pela nossa Polícia Federal. Ao contrário, são tratados como príncipes e superiores, com direitos a empregos e outras regalias. É triste ainda sentir que, em pleno século XXI, ainda carregamos dentro de nós o vírus do complexo de vira-lata, de Nelson Rodrigues. Falta-nos a autoestima, e sobra o endeusamento aos gringos estrangeiros.

Aos norte-americanos foi dispensado o visto de entrada no Brasil, enquanto os brasileiros, como ainda nos tempos coloniais, têm que se ajoelhar e passarem por uma rigorosa sabatina e investigação se quiserem conhecer os deslumbramentos das avenidas capitalistas de Nova Iorque; olhar a Casa Branca de Washington; ou os parques temáticos de Orlando, na Flórida.

NÃO AMO

Perdoem-me a franqueza, mas confesso que não amo este país onde um governante nos faz baixar a cabeça, e não responde à altura com a mesma moeda, diante do menosprezo que os países desenvolvidos do norte expressam em relação ao nosso povo. Abrimos as portas e, como pagamento, eles nos fecham com suas muralhas de cimento e ferro.

Não amo este país onde milhares estão sendo obrigados a furar fronteiras de arames farpados e pular muros com “coiotes”, arriscando suas vidas, porque aqui a sua pátria não cuida de seus filhos e não oferece a oportunidade de um futuro melhor e promissor. Em Portugal e na Europa nossos brasileiros são vistos como candangos.

Não amo este país das injustiças sociais onde todos os dias as pessoas clamam e choram diante dos televisores pedindo por justiça porque foram vítimas da violência brutal de policiais ou bandidos. Não amo este país de tantos excluídos de pés no chão convivendo nas imundices dos esgotos por falta de saneamento básico.

Não amo este país onde milhões derramam suas lágrimas nas filas do INSS, nas dos corredores dos hospitais rogando por um atendimento médico, nas dos balcões superlotados dos desempregados pais de famílias e até mesmo dos sofrimentos nas filas dos cadastramentos para montar uma barraquinha no carnaval. Não amo este país tão carente de lideranças onde o povo é quem paga o rombo do déficit fiscal construído ao longo dos anos pela elite política, para se manter no poder e nos oprimir.

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A CULPA É DE CABRAL E D. MANUEL

Há dez anos o nível de desempenho em matemática, ciências e interpretação de texto dos estudantes brasileiros no Pisa não evoluiu e está entre os piores do mundo, conforme reportagem da Revista ISTOÈ.

O ministro da Educação, nome de difícil pronúncia, respondeu que a culpa é do PT que, se indagado, culparia o Governo de Fernando Henrique Cardoso, que vai culpar Fernando Collor, que vai jogar a responsabilidade na ditadura civil-militar de 1964, que vai culpar Jango, e este passar a bola para Juscelino e Getúlio Vargas, e por aí vai até chegar a Pedro Alvares Cabral, que para aqui trouxe degredados e ladrões corruptos, e ao rei de Portugal Dom Manuel.

Educação nunca foi prioridade

A verdade é que na história do Brasil, nenhum governo tomou uma decisão de priorizar a educação porque sempre preferiu deixar o povo na ignorância para não ter consciência política para cobrar pelos seus direitos; protestar contra as injustiças sociais; e aprender a votar em candidatos honestos e bem intencionados com a melhoria do povo brasileiro.

O atual governo do seu capitão, senhor ministro, que mandou cortar verbas na educação e programas sociais, para reduzir o déficit fiscal à custa do sacrifício da população (sempre paga o pato), não tem nenhuma moral para culpar qualquer governo que seja, principalmente porque sua administração nessa área é péssima e não serve de exemplo.

Portanto, o baixo nível na educação, considerado um dos piores do mundo é vergonhoso, e essa questão é secular. A culpa é de Cabral, não o ladrão do Rio de Janeiro. Nos tempos coloniais, só os senhores de engenho mandavam seus filhos para as universidades de Portugal e Inglaterra. No império, 80 ou 90% da população eram analfabetas, e o sistema patriarcal proibia a mulher de estudar. A República, até os dias atuais, preferiu deixar o povo burro, e a situação sempre foi de deterioração do ensino.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) fez um alerta de que cerca de dois milhões de crianças e adolescentes não voltam às aulas neste ano no país. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, informam que, em Ibicuí, na Bahia, por exemplo, a evasão chega a 31,2%, do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental na zona rural.

De mal a pior

A reportagem da revista diz que “a educação vai de mal a pior no Brasil. As escolas estão ensinando menos do que o necessário e os alunos não estão aprendendo o suficiente. O modelo de ensino adotado no País vem se mostrando pouco eficaz e improdutivo e vai comprometer o desenvolvimento econômico futuro”.

De acordo com a última pesquisa divulgada pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os últimos dez anos foram de estagnação no nível de desempenho escolar dos alunos brasileiros.

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“UM OLHAR PEREGRINO EM PENALOGIAS DE Dr. EVANDRO GOMES BRITO”

Um incansável crítico da Inquisição Católica Apostólica Romana, especialista e conhecedor do assunto, o advogado do Direito Penal, poeta e escritor, Evandro Gomes Brito, teve seus trabalhos e sua vida de desafios dessecados e interpretados através da obra do mesmo título, escrita pela acadêmica e professora Ivone Alves Rocha, lançada na Academia Conquistense de Letras.

No agradecimento à Rozânia Andrade Gomes Brito, esposa do homenageado, a escritora cita “verbis contracta obligatio” – a obrigação contraída por palavras (lembro do meu tempo quando estudava latim no Seminário), revelando que escreveria sobre Evandro se ela me ajudasse e, de fato, cumpriu com a sua palavra. A dedicatória (Toto Corde) é feita a Evandro e à sua família, aos que encontram conforto em Deus e aos membros da Academia Conquistense de Letras.

Especialista do Direito

No livro, o acadêmico Iaro, num texto em francês, descreve Evandro como bom escritor, especialista do direito canônico teológico, que fala sobre o modelo jurídico da Igreja, fundado sobre um sistema feudal durante o século XVI, e que continua ainda atual. Nisso, destaca sua obra “Das Brasas da Inquisição ao Leito da Pedofilia”, de 2014, que se refere aos crimes de abusos sexuais contra crianças.

Sobre esta questão e outras no âmbito da homossexualidade e da hipocrisia dentro da Cúria, Frédéric Martel lançou, há pouco tempo, o livro “No Armário do Vaticano”, um trabalho investigativo que li e comentei em meu blog. Recordei de Evandro, estudioso da Inquisição, que também escreveu sobre o “O Papa Alexandre VI e suas duas amantes”, como aponta Iaro, autor da Introdução da obra de Ivone.

No Proêmio, o advogado Afrânio Leite Garcez fala da trajetória do colega, que nasceu no distrito de José Gonçalves; estudou até o ginasial em Vitória da Conquista; fez o clássico no Colégio Central da Bahia; ingressou no curso de Direito da Universidade Federal da Bahia; mas teve que abandonar a faculdade por causa da sua militância política no início da ditadura civil-militar de 1964. Foi para São Paulo e depois voltou a estudar na Faculdade de Direito de Niterói.

Afrânio faz um relato dos primeiros livros de Evandro, a partir de 1974, com “Dos Crimes Culposos e Dolo Eventual nos Crimes do Trânsito”, que serviu de inspiração para se tornar lei nacional e criação do Código Nacional de Trânsito; “Comentários ao Decreto Lei 201 – Responsabilidade dos Prefeitos e Vereadores; sonetos; “O Colar de Prata”; “Coletânea do Escritor Conquistense”, “Poetas Contemporâneos de Conquista e Poetas da Bahia e Minas Gerais”. Escreveu ainda O “Santo” Esquadrão da Morte”, “Materialismo Relativo da História” e “Carrascos Canonizados”. Evandro foi ainda fundador da Igreja Católica Apostólica Ortodoxa do Brasil.

Modelo Camões

No capítulo “Interpretatio Cessat in Claris” –a interpretação cessa nas coisas claras, Ivone Alves Rocha se aprofunda no trabalho do advogado criminalista ao longo de seus anos de atuação, mas também se refere a Evandro como grande poeta ao modelo de Camões. Durante sua análise crítica sobre o homenageado, transcreve vários de seus poemas (a maioria sonetos), mas aqui confesso que me deixou sensibilizado a criação “O Que é a Poesia”, um épico digno de registro entre os maiores autores da nossa literatura brasileira.

Ivone ressalta que Evandro passa em suas obras, verdades que muitos defensores da fé e da moral desconhecem, citando “O Colar de Prata” e “O Papa Alexandre e suas duas amantes”. Dentre as racionalidades proferidas por Evandro em seus estudos, a autora do livro recorda da sua frase “O homem insensato, mesmo sabendo que não sabe forjar um simples inseto, forja deuses às dúzias para lhes darem razão, ou para justificarem seus modos e interesses”.

A autora se concentra mais na análise dos escritos e trabalhos de Evandro, principalmente no que diz respeito aos crimes da Inquisição e no direito penal, com suas defesas em prol dos mais necessitado. Só no final traça alguns detalhes propriamente de sua vida particular. Ivone assegura que Evandro afasta a hipótese de que a Inquisição na Idade Média (século XII) tenha sido debelada.

O Olhar Peregrino

“Lendo seus livros, pode-se, realmente, concluir que Error facti nec maribus quidem in dammes vel compendiis obest: juris autem error, nec feminisin compendiis prodest, ou seja, o erro de fato não prejudica os homens nos danos ou proveitos; porém o erro de direito não aproveita nem às mulheres nas coisas vantajosas. Prossegue dizendo que podemos concluir em seus textos que a Ignorantia differt ab errore – a ignorância difere do erro.

Ela segue adiante afirmando que em seus sonetos, o advogado lembra que, mesmo em eras difíceis, não se deve generalizar, “generalitas obscuritatem parit, ou seja, a generalidade gera obscuridade. Para ele, o direito é a arte do bom senso – jus est ars boni et aequi.

No capítulo segundo, Ivone se debruça sobre o olhar peregrino do homenageado que considera ser preciso se movimentar, para prosseguir progredindo. Transcreve o soneto “Noite de Setembro”, que o faz lembrar de um amor do passado.

Sobre o conceito de liberdade, a autora do livro diz que Evandro faz lembrar o filósofo Aristóteles, o qual enxerga a liberdade como princípio que rege a escolha voluntária e racional entre alternativas possíveis. Nessa mesma direção, Ivone Rocha destaca a posição de Jean Jacques Rousseau (1712-1778) quando declara que renunciar à liberdade é renunciar à qualidade de homem.

Esse olhar peregrino não poderia deixar de lado as críticas de Evandro ao longo da sua vida de pesquisas em relação à Igreja Católica, especialmente no período da Inquisição, na Idade Média. Após assinalar tribunais religiosos, instituídos por diversos papas da época, Evandro ressalta que a finalidade da Inquisição era combater as heresias, assim entendida como doutrina contrária aos ensinamentos da Igreja.

Em sua descrição, Ivone relata diversos trechos do livro “O Papa Alexandre VI e suas duas amantes”, de autoria do advogado, como (…) a Igreja queimava gente em homenagem ao rei. Nesse caso, qual a diferença entre o papa e Nero? O imperador lançava cristãos aos leões e aos tigres, como espetáculo público – desabafa Evandro em seus comentários.

Quanto à Reforma, Evandro analisa que a luta entre católicos e protestantes era uma luta competitiva, à cata de fiéis, para preservação do poder, e nem tanto para a expansão da fé. Ivone descreve ainda a visão do escritor a respeito das relações religiosas que consagravam o medo como expressão de respeito a Deus, e o sacrifício do ser humano como forma de obter aceso aos céus, e os observadores teriam que temer a vingança do Deus do amor.

No terceiro capítulo, Ivone Rocha fala sobre a arte poética de Evandro, de importância social, com mensagens significativas, sobretudo quando expressa valores e vultos históricos de seres humanos de caráter e nobreza de espírito que se rebelam contra as injustiças. Transcreve vários de seus poemas, como “O Povo no Poder”, “Immanuel Kant”, “Machado de Assis”, entre outros.

Questões da Inquisição

No uso dessa linguagem artística, conforme consta do livro da professora, Evandro dedica muitas de suas poesias às questões da Inquisição, homenageia pessoas queridas, como à sua esposa e até à própria confrade Ivone Rocha, no soneto “Homenagem a sempre grande professora”, sem esquecer da sua cidade em “A Vitória da Conquista”.

“O Ser Criança” é um capítulo onde Ivone passa ao leitor a visão do criminalista Evandro sobre a infância, como ela era descrita desde a Idade Média, simplesmente retratada como homens de tamanho pequeno, até os tempos atuais. Em seus textos, segundo Ivone, o advogado faz fortes críticas à pedofilia e aos abusos sexuais, novamente citando crimes mais recentes cometidos por membros da Igreja Católica.

Em “O Corpo e o Espaço”, a autora faz uma espécie de autópsia sobre a personalidade de Evandro Gomes, como advogado, escritor, estudioso, pesquisador e poeta. Com olhar crítico, a escritora fala da importância da literatura nas pessoas. Ivone destaca seus escritos mais atuais, como seus comentários de elogios às mudanças da Igreja pelo Papa Francisco.

A professora encerra seu livro em breve resumo sobre a vida de Evandro, que nasceu no distrito de José Gonçalves, em 28 de julho de 1940, como estudante no Ginásio Padre Palmeira, sua passagem por Salvador, Feira de Santana, São Paulo, Rio de Janeiro e seu retorno a Conquista em 1970. No capítulo final destaca as principais atuações, trabalhos, estudos e pesquisas do biografado (se bem que a obra não é literalmente uma biografia) como advogado criminalista.

 

 

 

 

 

AS CORES DA FEIRA

Desde menino, quando vendia farinha com meu paia, a feira sempre me fascinou pelas suas cores e pelos bons papos que ouvia entre os compadres da roça e os doutores da cidade. Nela existe muita sabedoria popular, vendo as mulheres debulhar o feijão, o andu e os mais velhos a contarem os seus causos. Tem fuxico, tem verduras, carne, abóbora, limão, melancia, quiabo, cenoura e todo tipo de frutas e cereais. Não é como nos supermercados fechados cheios de pratilheiras onde não se pode pechinchar. Sempre quando posso lá estou eu na Feirinha do domingo, em Vitória da Conquista, registrando as belas imagens com a minha máquina, como esta. Na Feirinha sinto falta de um cantinho para se divulgar a cultura, com cantorias, declamações de poemas, contação de causos, apresentar  a literatura regional e seus autores,  e muita viola para bater as canções populares. Cadê a Secretaria da Cultura que ainda não criou este cantinho cultural para os artistas da terra mostrarem seus trabalhos? Vamos lá gente, montar este espaço!





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