O SÍMBOLO DO NORDESTE EM EXTINÇÃO
Primeiro ele foi sendo substituído pelos gafanhotos motorizados, ou os cavalos de fogo, que estão espalhados em toda parte rural e urbana,. logo o jegue que atravessou o deserto até o Egito transportando a família sagrada, e tanto serviu ao nordestino no seu sustento do dia a dia Agora está em extinção sendo cruelmente morto para virar carne e pele para os chineses. Cadê os ambientalistas e os ditos protetores dos animais que só falam das tartarugas, das baleias, dos cachorros e gatos. Raro encontrar, mas o nosso símbolo do Nordeste, o inocente jumento se tornou uma espécie em extinção ainda servindo ao homem, como neste flagrante em Juazeiro da Bahia, carregando papelões e outros objetos recicláveis. Ninguém importa mesmo para os jegues e estão sendo vendidos baratos para os matadouros. O homem é mesmo um animal predador da pior espécie. Foto do jornalista Jeremias Macário
SEM ESSA DE NOVO
Amigo mano, sem essa de ano novo
Mesmo assim te desejo um novo ano
Na Sofia nada se cria, tudo se copia.
As luzes se apagaram, o show acabou
Você continua sendo escravo do patrão
O sinal indica não entrar na contramão
E o pássaro astronauta levanta seu voo.
O pobre continua sendo um estorvo
Meu camarada, não existe ano novo
No castelo assombrado pia o corvo
E o ano conta os meses e os santos dias
No calendário freguês das companhias.
Nas noites vagam as tristezas e alegrias
Os amores começam e se vão pelas vias
Ninguém mais aprecia noite de lua cheia
Preferem mesas suculentas da santa ceia
No sertão só vingam cacto e o mandacaru
E o homem labuta na terra o ano inteiro
Ronda no céu pela carniça o tenaz urubu
E nas cidades, só se vê retirante estradeiro.
Mano véio, sem essa de ano novo
Mesmo assim te desejo um novo ano
Seja bonito, corcunda ou como for
Siga o mais velho, amando a sua flor.
NOVO SÓ MESMO O CALENDÁRIO
Logo mais as luzes e os shows encantadores do Natal da Cidade de Vitória da Conquista se desligam e se apagam, e entram os fogos do Ano Novo, que não tem nada de novo, a não ser o calendário que vai marcar os meses e os dias para o próximo chegar. Nada muda, nada se transforma e tudo continua em seu lugar, como as paixões, os amores e as desilusões. Não é o ano que pode ser ruim ou bom, mas você que vai dar o tom e o seu toque especial para que sua vida seja diferente para melhor. Não adianta só pedir.
Mais um final de correrias, de gastanças e consumismo exagerados. O alvo foram os presentes da cultura tupiniquim do Papai Noel do Polo Norte. Conquista se iluminou para receber seus moradores, namorados e visitantes que foram às praças e avenidas com suas famílias para festejar o Natal. O Espaço Glauber Rocha recebeu milhares para ouvir as lindas canções das bandas musicais, com artistas locais e de fora. Todos desejaram um Feliz Natal e Boas Festas. O show acabou.
NO SEU ESPÍRITO
As festas dos comes e bebes estão chegando ao fim, para dar entrada à ressaca das noites etílicas e das despesas. As doações vão minguar e as barrigas pobres voltam a roncar de fome. O novo não está dentro do ano, mas dentro do seu espírito, de suas ideias e do seu pensamento. Os caras lá do Planalto serão os mesmos das falas exóticas e bizarras, atentando contra a nossa democracia através de suas atitudes autoritárias. Não é o ano que vai tirar o Brasil das profundezas das desigualdades sociais.
Não peça mudanças para o ano que está a bater em sua porta. Ele não tem esse dom de transformação. O tempo prossegue com seus mistérios e seus enigmas. Siga seu caminho correto, reforçando seus princípios de bom caráter, para desvendá-los, ou tome cuidado para não ser por ele (o tempo) devorado. As mortes, as tragédias e as catástrofes vão acontecer, e somente a consciência humana ambientalista pode mudar algum rumo do aquecimento global.
Não é o ano que vai reverter o retrocesso político e melhorar o nível da nossa combalida educação. Os corredores dos hospitais vão continuar no mesmo vale de lágrimas por falta de atendimento médico. Os bandidos vão estar lá na esquina e no asfalto de armas na mão. Os militares atirando para abater, inclusive cidadãos inocentes, e mais gente vai rogar por justiça, sem ser escutado.
É o ano de mais eleições municipais para você carimbar sua cidadania democrática, seu direito de escolher, como prega os chavões da mídia e dos políticos, correndo como loucos atrás dos votos, não importando os meios empregados. O corrupto vai continuar roubando e dizendo para os investigadores que é apenas inocente. Que nada fez.
Não é o ano que vai ter a magia de mudar a mentalidade comodista e individualista do brasileiro. Só o senso de coletividade é que pode mudar a cara do ano, e não ele que vai acalmar as águas turbulentas com seu santo cajado. O milagre está dentro de cada um, sendo mais unido e com mais tolerância e menos ódio. Nada adianta fazer doações e ser solidário de campanhas maquinais de final de ano.
Não adianta programar um monte de metas, ou fazer uma extensa lista de planos para realizar, se seu espírito não tiver a força de vontade para dizer que o novo é você, e não o ano. O calendário passa depressa como o ponteiro do relógio, tocando o “tic, tac, tic, tac” no compasso do tempo, que é cruel e não para. Ele não dá a chance do recomeço.
Sem essa de que existe ano novo. É uma pura ilusão. As perguntas vão continuar sem respostas. O fundamentalismo radical vai engrossar o caldo, se as pessoas não respeitarem as escolas dos outros. Seu calendário pode ser seu carrasco, e não o ano, que nada tem a ver com isso. A saída é o conhecimento e o saber que podem fazer com que seu ano seja bom. Nada é novo. Tudo se copia. Seja você mesmo e tente acertar mais ainda as arestas.
COISAS DO SERTÃO
Os garranchos secos cinzentos num traçado com os cactos transmitem uma imagem poética da terra árida nordestina, numa paisagem singular e única do nosso bioma. São coisas do nosso sertão forte como o homem que nele habita com dureza, sempre esperando a chuva cair para plantar sua lavoura. É bonito e, ao mesmo tempo, triste, porque o nosso sertanejo sofre e ainda acredita nas promessas dos políticos e governantes, de que um dia as coisas vão melhorar. Reza a Deus sempre, numa reza penosa, e nunca perde a fé e a esperança. “Coisas do Sertão” foi captada pelas lentes do jornalista Jeremias Macário.
NA ESTRADA
Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário, inserido no livro “ANDANÇAS”
que pode ser encontrado na Livraria Nobel e na Banca Central
Na estrada cigana galante
Anavalhada, livre e longa
De uma vida curta e pouca
Sou sereno, frio e vento
Sol a pino de cara ardente
Poeira lá do horizonte
E ando com tanta gente
De senso santo e louca
Que comove e engana
Na procura daquela fonte
Que mata sede do andante.
É uma via do mal e do bem
De sina divina e satânica
Em toda extensão da pista
Com aviso em cada esquina
Riscos da liberdade proibida
Esculpidos por um artista
Com entrada, meio e saída.
Gira e muda como enigma
O sentido finito da vida
Com face suave e tirânica
Sem decifrar o rosto do além.
A BANALIZAÇÃO DO ANORMAL E DA MORTE NUM PAÍS SEM INDIGNAÇÃO
Feliz natal e boas festas já virou uma saudação maquinal no país que institucionalizou a banalização do mal, do anormal, da contravenção, do imoral, do crime e do ilegal. Com rimas fracas, não é uma linguagem redacional apropriada e recomendada nas escolas, mas é a força da minha profunda indignação para justificar e expressar meu sentimento com o que vem acontecendo de violência, injustiças sociais, atitudes e atos de barbáries contra o povo que, infelizmente, só tem demonstrado passividade e submissão.
Sei que meus textos são um brotar de revolta com tintas vermelhas, e confesso que tenho tentado me calar diante de tanto fanatismo e fundamentalismo de extrema que só tem engrossado o caldo que queima como soda cáustica a imagem do Brasil lá fora como um país do retrocesso e da desconstrução dos grandes pensadores das ideias libertárias no campo da cultura, da educação e da ciência. Até o meio ambiente tem sido dessa agressão criminal.
NÃO POSSO FICAR AQUI PARADO
Não consigo ver tanta gente morrendo nos hospitais por falta de atendimento médico, tanta gente a derramar lágrimas pedindo justiça para uma Justiça que não faz justiça, tantas chacinas de inocentes pelos brutos das botas de ferro, tanta misoginia, tantas agressões homofóbica e racistas, tantos conceitos medievais inquisitoriais, tanta destruição da natureza, tantas chamas da esperança e da fé se apagarem, tanto assassinato da cultura e da educação e ficar aqui “parado com a boca escancarada esperando a morte chegar”.
Difícil desejar a todos um feliz natal, quando nestes tempos sombrios e obscuros, as ” boas ações” de presentes e cestas básicas de final de ano soam como hipócritas diante do gosto amargo das desigualdades sociais tão alarmantes e que tendem a se agravar com o aumento da concentração de renda egoísta do capitalismo. Parafraseando o poeta “Boca do Inferno”, triste Brasil, oh quão dessemelhante!
Em um ano o país avançou numa linha do fascismo retrógrado, com manifestações integralistas do Plínio Salgado, numa falsa moral de pátria, família e tradição, num governo que joga na fogueira a ciência e a cultura, com pronunciamentos e palavras exóticas e bizarras nunca vistos na nossa história, “mas tiramos o PT” – foi o contra-argumento chulo de uma pessoa com quem falava semana passada. Essa cabeça e tantas outras irracionais querem dizer que pouco importa o Brasil regredir no conhecimento e no saber, daí a banalização do anormal numa mídia acrítica. Quo Vadis? Para aonde vamos?
QUEM É MESMO O ENERGÚMENO?
Quem é este cara que chama o educador e pensador Paulo Freire, cultuado pelas melhores universidades do mundo, de energúmeno? Donde vem este cara psicopata destrambelhado que demite um cientista renomado do Inpe, de reconhecimento internacional, só porque revelou o tamanho abismal do desmatamento da Amazônia? Quem é este, e de qual planeta saiu, que chama a menina ativista Greta, pejorativamente, de pirralha? Não esperava que depois desta idade fosse ver meu país tão achincalhado lá fora!
Quem é mesmo o energúmeno, o idiota e imbecil? Quem é este cara sem compostura que agride outros povos irmãos, dizendo que eles votam errado? Quem é este cara que chama a mulher de um presidente de feia? Que trata os negros de arroba que não servem nem para reproduzir? Quem é este cara que não mais reconhece a profissão de jornalista e manda extinguir o seu registro? Quem é este estrume que quer acabar com a União dos Estudantes e com os sindicatos, escravizando ainda mais os trabalhadores? Quem é este elemento que está plantando ervas venenosas em terreno árido? Quem é este cara que está aos poucos matando a democracia para implantar seu autoritarismo medieval?
Como este cara vai ser recebido nos países mais civilizados? Vai entrar pelas portas do fundo e sair escondido como persona non grata? Que país é este de mortos-vivos que não reage e só faz chorar pelas misérias, matanças, tragédias e apelar a Deus, como se Ele fosse responsável e culpado por tudo de ruim? Que nação é esta que incorpora cada vez mais o fundamentalismo, e as religiões de varejo se apropriam dos ignorantes, pobres e incultos para fazer neles a lavagem cerebral do ódio e da intolerância?
Estamos virando monstros insensíveis que só sabem dizer “feliz Natal e boas festas”? Banalizaram também o Feliz Natal, quando só se fala em Papai Noel, em noite de comilanças e empanturramento. Banalizaram a morte com requintes bárbaros. A violência virou coisa banal, comum e natural nos noticiários do dia a dia. O tempo não para, e as barbaridades aumentam em escala matemática. Infelizmente, não dá para falar coisas bonitas e de próspero ano novo. No momento, não consigo ser otimista no sentido da elevação humana, se nossa liberdade sofre ameaças.
“VIVA O POVO BRASILEIRO”
Para encerrar meu desabafo, cito aqui um trecho do livro “Viva o Povo Brasileiro”, do baiano intelectual e imortal João Ubaldo, que já foi e deve estar horrorizado com o que está vendo lá do além. “Faço revolução, meu pai –respondeu Lourenço – desde minha mãe, desde antes de minha mãe até, que buscamos uma consciência do que somos. Antes não sabíamos nem que estávamos buscando alguma coisa, apenas nos revoltávamos. Mas à medida que o tempo passou, acumulamos sabedoria pela prática e pelo pensamento e hoje sabemos que buscamos essa consciência e estamos encontrando essa consciência (-).
Nosso objetivo não é bem a igualdade, é mais a justiça, a liberdade, o orgulho, a dignidade, a boa convivência. Isto é uma luta que trespassará os séculos, porque os inimigos são muito fortes. A chibata continua, a pobreza aumenta, nada mudou. A Abolição não aboliu a escravidão, criou novos escravos. A República não aboliu a opressão, criou novos opressores. O povo não sabe de si, não tem consciência e tudo que faz não é visto e somente lhe ensinam desprezo para si mesmo, por sua fala, por sua aparência, pelo que come, pelo que veste, pelo que é”.
O CINZENTO DO AGRESTE
Como o próprio título já diz, a paisagem cinzenta do agreste, de galhos retorcidos pela sequidão do sertão nordestino, retrata o sofrimento do sertanejo que labuta o ano todo e sempre está à espreita de uma chuva para salvar sua lavoura. Fica na espera da graça com as mãos postas para o alto. Quando perde as esperanças se retira com a família para outras terras estranhas. Já ouvi dizer que é uma paisagem “bonita”, mas não é não. É triste. Bonito é quando tudo está verde. A imagem saiu das lentes do jornalista Jeremias Macário lá em Carnaíba, Juazeiro da Bahia.
OH TEMPO, TEMPO, TEMPO!
Tempo, tempo, tempo!
Sempre me pedem um momento;
Do sofrimento, sou curandeiro,
Risco e rugas da sua lisa face;
Dos deuses suprema criatura;
Tempo da criança que nasce;
Procura na corrida do dinheiro;
Dono senhor de seus sinais;
Amor e ódio na jura dos casais.
Tempo, tempo, tempo!
Desse povo a me decifrar,
Que louco quer só me devorar;
Sou o vento que chega e vai;
Mandamentos do Monte Sinai.
Tempo, tempo, tempo!
Dos reis filhos dos sumérios;
Carrasco dos gregos e romanos;
Das lendas, mitos e mistérios;
Cruel dos sanguinários tiranos;
Inspiração dos poetas cantadores;
Chibata nas costas do escravo!
Tempo do tinteiro dos escritores;
Coragem libertária do bravo.
Tempo, tempo dos escândalos!
Roda sideral que nunca para!
Cadê o tempo do viver e amar?
Cadê o tempo do sentido do existir?
Tão levando o meu ar de respirar!
Não deixe o “Velho Chico” sumir!
Degole as cabeças desses vândalos;
Enterre na Vala dos Desconhecidos
Essa gente de tanta cara e tanta tara.
O CRUZAMENTO MAIS LOUCO QUE JÁ VI
Estava eu ali, por acaso, em Marrakechi ou em Casa Blanca, no Marrocos, Islamabad, no Paquistão, Cabul, no Afeganistão, em Nova Délhi, na Índia dos coches de três rodas entre aquela multidão, em Bangcoc, na Tailândia, em Bangladesh, em Colombo, no Siri Lanka, em Cairo, no Egito, em Mianmar, na Ásia, ou em outros países árabes e africanos onde o tráfego é um samba de crioulo doido e de equilibristas numa corda bamba?
De Vitória da Conquista atravessei vários sertões secos entre mandacarus, cactos e quiabentos até chegar em Juazeiro da Bahia, terra do “Velho Chico, das frutas irrigadas e também do bode. Era final de tarde da última quarta-feira, num calor preguento insuportável de rachar a cuca, depois de viajar mais de 800 quilômetros. Suado e “morto de cansado” fui logo colocando o carro na garagem do hotel.
É uma luta constante por espaço no cruzamento mais perigoso e maluco. Fotos de Jeremias Macário
O corpo pedia uma gelada, mas a primeira obrigação era visitar minha filha Cíntia. Lá pelas 18 horas sai cheirando e farejando um boteco qualquer para refrescar o esqueleto. Não é que me deparei num barzinho no cruzamento da Avenida Adolfo Viana com as transversais da rua Antônio Pedro e da Henrique Rocha, no centro! Estava armado o meu palco e pedi logo aquela “loira”.
É aqui que vou me abancar para relaxar um pouco, e claro, tomar aquela cerveja gelada – pensei. Da lateral observei o trânsito engrossar o caldo na hora do rach no asfalto ainda quente. Com ainda minha sensibilidade jornalística, apesar de meio enferrujado, descobri que estava em frente de um cruzamento mais maluco e louco do Brasil, quiçá do mundo.
Aqui é um verdadeiro laboratório de erros, infrações, imprudências e em meio a todos os riscos de acidentes, batidas e atropelamentos – imaginei comigo mesmo. Lamentei não estar com a minha companheira máquina fotográfica para registrar aquela maluquice.
Sem semáforo, e só com uma faixa de pedestre na Adolfo Viana, os veículos pequenos, caminhões, ônibus, carroças, motos, bicicletas, pedestres, praticantes de coper, de skeite e caminhadas entram em cena em todas as direções e embola tudo, cada um procurando se defender e driblar a confusão. Em frente, direita, esquerda e até os motoqueiros se aventuram na contramão pela rua Antônio Pedro.
Cada passagem de pedestre para atravessar o cruzamento maluco é um lance de filme de suspense de um atropelamento a qualquer minuto, ou uma batida de veículo. Cada um faz sua manobra e seu malabarismo mais arriscados de superações, e os “atletas” do exercício físico correm no meio da avenida entre os carros. Nunca tinha visto tanta loucura num lugar só, como num circo de equilibristas no globo da morte. Não conseguia parar de olhar o show de perigos, e até a gelada esquentava no copo.
SÓ COM SERRA OU DINAMITE
Depois de um dia sem almoçar e comer direito, batendo volante, deu aquela fome e ai pedi mais uma à mulher do bar e um tira-gosto de moela. Enquanto isso, me fixava no “espetáculo” daquela balbúrdia onde até cachorros e gatos faziam suas demonstrações no cruzamento mais doido que já vi. A fome apertava, e a moela nada de sair.
A dona do estabelecimento explicou ter faltado gás, mas que aguentasse um pouco e logo o pedido estaria pronto. Mais uns 20 minutos de espera e chegou o petisco, só que tomei um susto danado quando vi aquela moela sapecada na fritura, mais dura que lajedo de bater roupa suja ensaboada.
Tentei cortar com a faca aquela iguaria que sempre é cozida por sua formação natural, para ficar mais mole e palatável. Desisti de brigar com a moela que só poderia ser cortada com uma serra, ou dinamitada. Para não perder a parada, tracei a farofa e o vinagrete. Nunca tinha visto uma moela fritada daquele jeito. Impossível de comer, principalmente na minha idade. Uma covardia! Imaginei que fazia parte do trânsito maluco. Solicitei um serrote, mas ela nada entendeu.
Bem, como sou teimoso e não sou de deixar trabalho inacabado, voltei no outro dia ao mesmo bar, no mesmo horário, com minha máquina fotográfica para registrar a lambança, mas nada de moela. Para completar, ainda convidei minhas sobrinhas Iana (jornalista) e Jaissa para testemunhar e assistir ao show do trânsito naquele cruzamento infernal e deixar meu recado para o senhor prefeito, de que faça alguma coisa para que prejuízos e vidas sejam poupados. Evite uma tragédia, senhor prefeito!
O que presenciei é simplesmente uma vergonha para uma cidade do porte de Juazeiro, cidade produtiva de João Gilberto, onde já fiz muitas noitadas de curtições com companheiros amigos, e adoro abraçar o “Velho Chico”, mesmo maltratado pelos homens, que sempre sugaram de suas riquezas sem revitalizá-lo.

























