Tempo, tempo, tempo!

Sempre me pedem um momento;

Do sofrimento, sou curandeiro,

Risco e rugas da sua lisa face;

Dos deuses suprema criatura;

Tempo da criança que nasce;

Procura na corrida do dinheiro;

Dono senhor de seus sinais;

Amor e ódio na jura dos casais.

 

Tempo, tempo, tempo!

Desse povo a me decifrar,

Que louco quer só me devorar;

Sou o vento que chega e vai;

Mandamentos do Monte Sinai.

 

Tempo, tempo, tempo!

Dos reis filhos dos sumérios;

Carrasco dos gregos e romanos;

Das lendas, mitos e mistérios;

Cruel dos sanguinários tiranos;

Inspiração dos poetas cantadores;

Chibata nas costas do escravo!

Tempo do tinteiro dos escritores;

Coragem libertária do bravo.

 

Tempo, tempo dos escândalos!

Roda sideral que nunca para!

Cadê o tempo do viver e amar?

Cadê o tempo do sentido do existir?

Tão levando o meu ar de respirar!

Não deixe o “Velho Chico” sumir!

Degole as cabeças desses vândalos;

Enterre na Vala dos Desconhecidos

Essa gente de tanta cara e tanta tara.