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BUROCRACIA E DESIGUALDADES

Tem aqueles que seguem as normas, são corretos e éticos, mas terminam sendo penalizados porque o errado se tornou normal neste país. Tem aqueles que burlam as leis, usam de artifícios ilegais e acabam sendo premiados porque, infelizmente, a maioria do nosso povo é inculta e não sabe julgar os inescrupulosos trapaceiros.

Estou falando das eleições, ou poderia estar me referindo a um outro assunto qualquer neste nosso Brasil, onde predominam a burocracia e as desigualdades, não somente no âmbito econômico-social. A Justiça Eleitoral exige um monte de burocracia para o candidato se registrar, inclusive na prestação de contas, como se isso fosse criar um pleito igual para todos.

No entanto, sabemos muito bem que não é isso que ocorre quando o juiz fala em igualdade na corrida eleitoral. Quem tem mais recursos sai na frente com seus santinhos, praguinhas e outros materiais de propaganda, e aí é onde reside a desigualdade, sem falar em vereadores que estão no páreo à reeleição e usam seu pessoal de gabinete por debaixo do pano na caça ao voto.

Quem fiscaliza o uso dessas armas ilegais pelos astutos, que não faz parte do jogo? Igualdade na disputa, senhor juiz, só existe na teoria ou no faz de conta. Quem possui mais condições financeiras já está nas ruas com suas equipes de trabalho desde o início da campanha, se não me engano no meado de agosto.

Outros, com sua ética, seriedade e honradez, cumpridores das leis e preocupados em não deixar “rabo” na justiça fazem o que podem, dentro das suas possibilidades, para conquistar e mostrar para o eleitor que avalie com consciência um nome certo na hora de votar para ser seu representante na Câmara de Vereadores.

Lamentável, mas, em muitos casos, ainda vence o outro lado da moeda suja que frauda as leis burocráticas e não tem nenhuma ideologia e compromisso com o povo. Sempre dizemos que Vitória da Conquista merece um legislativo à altura da cidade, pelo seu tamanho e importância no cenário baiano.

Além da burocracia e das desigualdades, contamos ainda com as mentiras e engodos no horário eleitoral, como colocar a questão da segurança como se fosse coisa da alçada municipal, quando a proteção ao cidadão contra a violência é de responsabilidade dos governos estadual e federal, mas poucos eleitores sabem fazer essa distinção.

Essa é uma das maneiras de ludibriar a Justiça Eleitoral, sem ser punido, porque fica difícil detectar a safadeza do marqueteiro. Alguém já disse, não sei se o estadista inglês Churchill, ou até um filósofo, que numa guerra, a maior vítima é a verdade. O mesmo vale para um pleito eleitoral.

O FILHO DO PALHAÇO TÁ COM FEBRE

(Chico Ribeiro Neto)

Chegou o circo em Ipiaú, Bahia. De dia, a gente ia ver o movimento de armação da lona, o leão comendo, o elefante cagando e a bailarina se exercitando.

Mais tarde, um palhaço de perna de pau percorria a cidade jogando ingressos e bombons para a garotada.

Começa o espetáculo. As luzes são lindas, a pipoca é mais gostosa, a orquestra ataca e entram todos os artistas para a apresentação inicial.

“Todo mundo vai ao circo

Menos eu, menos eu

Como pagar ingresso

Se eu não tenho nada

Fico de fora escutando a gargalhada

A minha vida é um circo

Sou acrobata na raça

Só não posso é ser palhaço

Porque eu vivo sem graça”

(Música “O Circo”, de Batatinha).

O mágico faz um bocado de coisa sumir e aparecer. Todos aplaudem. “Rapaz, você viu?” “Como é que ele consegue fazer aquilo?”

E o Globo da Morte? “Rapaz, eram três motos. Teve uma hora que cheguei a fechar o olho com medo das motos bater”.

O furo na meia da trapezista, bem na batata da perna, não conseguia afetar  a sua beleza. Na hora do salto mais perigoso a bateria tocava e nosso coração pulava. Aquele salto foi demais!

Vi um circo mambembe uma vez em Amoreiras, na ilha de Itaparica. Sem leão, sem elefante e sem trapezista, sua maior atração era a rumbeira: “Se preparem que agora vocês vão assistir a mais famosa rumbeira das Américas. Vinda diretamente de Cuba, vem aí a espetacular, a sensual, a eletrizante, aquela que faz o espectador pegar fogo. Com vocês, a sensacional A-ni-ta Do-min-guez”. Tan-tam-tam-tarantan-tam… Chovia muito, lona furada, goteira na cabeça e a rumbeira no palco. Podia pingar à vontade…

Menino, eu admirava os ciganos. Tinha uns 10 anos, fui com a turma ver um acampamento de ciganos que estava montado perto da Rua da Imperatriz, na Cidade Baixa, onde morei,. Lá, uma cigana me pediu para comprar um quilo de açúcar no armazém, fui e ganhei uma moeda na volta. Cheguei em casa e contei à minha mãe Cleonice, que logo esbravejou: “Pois é, quando eu peço pra ir no armazém você faz logo cara feia. Agora, foi só a cigana pedir que você foi bonitinho. Sendo assim, pode ir embora morar com a cigana.” Saí escabriado.

Voltando ao circo. O famoso ator Bemvindo Sequeira me contou que conviveu uns dias com os artistas de um circo mambembe no subúrbio de Salvador. Ele disse que numa noite, durante uma apresentação, um dos palhaços tinha um filho, ainda bebê, que estava com febre alta. Ele fazia as graças e piruetas e nos intervalos ia aferir a temperatura da criança, cujo berço estava atrás das cortinas. E voltava ao picadeiro para fazer novas graças. Bemvindo disse que nunca se esqueceria daquela cena.

Depois de uma tarde no circo, a gente volta mais feliz pro  berço do mundo.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

 

 

 

 

VITÓRIA DA CONQUISTA SÓ TEM DUAS AGÊNCIAS DO BANCO DO BRASIL

Com 400 mil habitantes, a segunda maior cidade em população do interior baiano, Vitória da Conquista, a capital do sudoeste, só tem duas agências do Banco do Brasil, uma no centro, na Barão do Rio Branco, e outra na Avenida Olívia Flores, o que é um absurdo e falta de consideração de uma instituição federal bancária para com o povo que sofre com as grandes filas.

Não dá para entender essa política “social” do Banco do Brasil, enquanto a Caixa Econômica Federal possui quatro unidades, sendo uma no Bairro Brasil, uma no centro, uma na Avenida Juracy Magalhães e outra na Avenida Olívia Flores, quando deveria ter até mais para facilitar o atendimento, considerando o porte da cidade.

Nos últimos anos o Banco do Brasil fechou duas, inclusive a existente na Avenida Regis Pacheco, que tinha um grande movimento e aliviava a demanda da agência centro, hoje um amontoado de gente, principalmente da zona rural que logo cedo forma grandes filas, penalizando os idosos aposentados, tendo em vista que a maioria não sabe lidar com os caixas para fazer uma simples retirada de dinheiro.

Outra questão é que o fechamento dessas agências do BB provocou demissão de funcionários, sem contar que sobrecarregou outros que são obrigados a fazerem diversas funções. Tantos os clientes como os bancários são submetidos a uma estafa e a um estresse diário, especialmente entre o final e o início de cada mês.

Sou cliente do Banco do Brasil e todas as vezes que preciso resolver um problema fora dos caixas fico a observar a falta de respeito que esta instituição federal em Conquista comete contra nossa pobre população porque o rico não entra numa fila de senhas para ser atendido.

Certa vez, vi uma senhora idoso que mal conseguia se arrastar com sua bengala para resolver seu problema. Cadê as autoridades, como representantes da OAB, Ministério Público, prefeitos, vereadores e outros segmentos organizados da sociedade que não fazem um requerimento ou documento conjunto cobrando que sejam instaladas mais agências do Banco do Brasil em nossa cidade?

Cadê a lei dos 15 minutos, criada pela Câmara Municipal, como tempo limite para que o cliente seja atendido? Ninguém mais fala nesse assunto e não existe fiscalização por parte do Sindicato do Bancários para que a norma seja obedecida.

Sou testemunha que já fiquei quase uma hora para resolver um “pepino” na agência centro. Mesmo com toda essa carga de trabalho e o acúmulo de funções, os funcionários prestam um bom atendimento, mas não têm como evitar as enormes filas dos tormentos. Existem outros pontos de serviços que não são considerados como agências.

 

 

O BRASIL ESTÁ PEGANDO FOGO

Não sou nenhum especialista nem cientista sobre o assunto, mas, contra as evidências, não é preciso ser. Estou me referindo à questão das mudanças climáticas provocadas pelo efeito estufa do qual o Brasil é um dos principais emissores no planeta terra e agora mais ainda com o fogo em várias regiões do país.

Na verdade, estamos falando do aquecimento global que as potências mundiais procuram fazer de conta que estão combatendo assinando documentos nos eventos que não são cumpridos. A terra está em ebulição em todas as partes, mas os países, inclusive o Brasil, incentivam cada vez mais a utilização dos combustíveis fósseis, como os extraídos do carvão e do petróleo, principalmente.

Para mim, não é nenhuma novidade as previsões cientificas de que dentro de mais 50 anos os níveis dos oceanos podem subir em torno de 20 centímetros e que muitas ilhas e territórios baixos podem desaparecer do mapa. Isso já vem sendo anunciado há muito tempo. Aliás, todas tragédias e catástrofes são fenômenos anunciados.

Neste final de semana, uma colega de jornalismo da antiga geração me indagou se eu sou contra a energia nuclear (altamente perigosa) e a fóssil. Claro que respondi que sim, mesmo contrariando a atual política do governo federal de incentivo a essas duas fontes energéticas.

Para tratar do tema, devemos olhar para nossa própria casa que está pegando fogo com as queimadas criminosas e até intencionais, como está acontecendo no centro-oeste e agora em São Paulo, deixando nuvens poluidoras de fumaça que não estão apenas atingindo a saúde humana, mas soltando gases tóxicos na atmosfera.

Não é apenas o fogo que está contribuindo mais ainda para o aquecimento global. Termos também os lixões a céu aberto, que, por lei, várias vezes adiada, deveriam ter sido transformados em aterros tratados, conforme as normas estabelecidas pela engenharia ambiental. Temos ainda os garimpos clandestinos, sobretudo no Norte do Brasil, as indústrias que ainda derramam veneno nos rios e os desmatamentos do agronegócio para exportar grãos e vender carne bovina.

Junte tudo isso e temos um caldeirão em ebulição no nosso próprio Brasil que logo mais vai sediar a conferência do clima. Estamos em plenas eleições municipais e até agora a questão do meio ambiente não foi discutida pelos candidatos.

Alguém pode até dizer que é um tema mais da alçada federal, mas cada município tem que fazer sua parte e não apenas partir para os ataques políticos de acusações caseiras sobre quem fez mais obras. Cada um cuidando da sua casa, certamente esse fogo não irá se alastrar.

Confesso que não sou muito de acreditar nesses paliativos de reciclagens, cujos produtos destruídos e novamente industrializados, como no caso dos plásticos, retornarão ao mercado consumidor. O principal ninguém quer fazer que é reduzir o consumo, cada vez mais estimulado pela mídia e as propagandas. O negócio é consumir cada vez mais.

O fogo que está consumindo canaviais, parques ambientais, florestas e serras foi apenas um pretexto para dizer que estamos vivendo em pleno aquecimento global e estamos dando as costas para esta dura e triste realidade, a qual vamos deixar para as novas gerações.

Os governos estão bem mais preocupados com o aumento do PIB (Produto Interno Bruto) do que com o meio ambiente. Por outro lado, o nosso consumidor, a maioria sem instrução escolar e conscientização, quando vai às prateleiras dos supermercados, não procura saber se o produto é corretamente ambiental. Essa é mais uma balela que nos pregam de que o consumidor olha no rótulo se o fabricante do produto segue as normas ambientais.





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