OS 100 DIAS DO GOVERNO LULA
Primeiro eu não consigo entender o porquê desse tempo mágico estabelecido de 100 dias para avaliação do mandato de um governo, se foi ruim ou bom. Não sei onde está essa tradição que colocaram na política, inclusive com pronunciamentos do mandatário e análises da mídia. Não poderia ser de 90 dias ou três meses? É um período suficiente para julgar um governo?
Segundo eu diria que depois de uma desastrosa administração do capitão-presidente, com todo seu negativismo da ciência, suas práticas de homofobia, racismo, agressões contra jornalistas, palavrões, atitudes nazifascistas, abandono dos indígenas, estimulo ao garimpo clandestino na Amazônia e desmantelamento dos órgãos de proteção ao meio ambiente, seria até impossível vir um governante ainda pior.
No entanto, na minha visão dos 100 dias, que criaram como parâmetro de julgamento, é claro que houve mudanças, a começar pela postura presidencial que melhorou a imagem do Brasil no âmbito interno e externo. Os índios ianomâmis que estavam morrendo de desnutrição e doenças na floresta, em Roraima, foram socorridos, evitando uma tragédia bem maior.
Na questão do meio ambiente, o governo entrou em ação para destruir os garimpos ilegais em terras indígenas, que estavam desmatando e poluindo nossos rios. O Ibama, que estava em mãos dos coronéis e, praticamente, desativado, voltou a agir com as forças armadas queimando tratores, aviões, balsas, acampamentos e outros equipamentos dos garimpeiros.
Entretanto, o problema do meio ambiente precisa ser tratado de forma racional e com respeito à nossa soberania como nação independente. No Brasil existem dezenas ou centenas de Ongs estrangeiras que estão mais interessadas em aniquilar nosso potencial agropecuário do que mesmo proteger a natureza.
Fosse Lula ou outro, até mesmo de direita, governo nenhum poderia ser pior que o passado vergonhoso que deixou o nosso país isolado em relação a outras nações, sobretudo na Europa, sem levar ainda em conta o seu viés tendencioso ditatorial golpista através de seus seguidores extremistas que pediam nas ruas uma intervenção militar (não cito aqui as invasões ao Congresso Nacional, ao Executivo e ao Superior Tribunal Federal).
Outro ponto positivo foi a conciliação com as forças armadas, fazendo elas entenderem o seu lugar e posição constitucional de defesa e segurança da nação. Os generais de pijama retornaram para suas cozinhas, e os da ativa para seus quarteis.
O curioso é que nesse ano não houve manifestações e comemorações ao golpe de 1964, considerado pelos militares como revolução. Mesmo num governo dito de esquerda, os torturadores e matadores de presos políticos continuam impunes (muito já se foram para o além).
Por outro lado, nesses 100 dias fatídicos para os políticos, não houve mudanças de melhoras na economia, que continua patinando, com inflação e desemprego nas alturas. O custo de vida permanece pesado para as famílias de menor poder aquisitivo. Temos hoje um Estado assistencialista, sem projetos alternativos para saída da pobreza e da miséria.
Outra coisa é que muitos ministros batem cabeça, especialmente nessa área econômica, e existe o temor de uma desarrumação fiscal com déficit nas contas públicas. Na educação e na cultura nada de novo que se possa elogiar. O ministro da Fazenda não passa confiança e não será uma reforma tributária que irá colocar o país nos trilhos do desenvolvimento sustentável.
Nada se falou até agora sobre uma revisão da maldita reforma trabalhistas, ou escravista, feita no Governo Temer para agradar os patrões. No geral, enxergo como um governo ainda tímido. Daqui para frente, esperamos muito mais que isso. Sua aprovação e popularidade ainda são baixas.











