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MUNDO MALUCO DESUMANO

Não me sinto mais filho desse mundo maluco desumano onde os amigos são descartados como máquinas que dão defeito e são jogadas fora para a aquisição de outras de outras mercadorias. Vivemos nessa época onde tudo é por interesse. Nesse mercado de doido, convive-se com a pessoa até onde ela lhe serve e descarta-se quando não tem mais serventia.

Ao longo do tempo, pela ganância, ambição e com aquele pensamento individualista voltado somente para seu próprio eu, as amizades foram se desgastando, como se fosse um aparelho de celular que sai de linha, um fogão ou uma geladeira que não estão mais funcionando como antes. Assim é com o amor e com o outro, que se tornaram máquinas e simples números de interesse.

É raro encontrar aquela amizade, companheiro ou companheira, que entenda seus defeitos, suas angústias, problemas e fases difíceis, para lhe confortar e dar aquele abraço de apoio. Geralmente o outro afasta-se do seu convívio e simplesmente desaparece. Poucos são sinceros e fieis que continuam ali ao seu lado nos momentos certos e incertos. O ser humano dessa revolução tecnológica tornou-se desumano nesse mundo maluco.

Queria voltar aos 40 ou 50 anos atrás e deitar nas pedras dos lagartos e sentir o cheiro da minha terra fresca ou escaldada da seca. Como na canção “Filhos de Câncer”, de Fagner e Zé Ramalho, preciso ser fera para ter as soluções das esperas, onde ainda diz que a evolução dos tempos mudou as falas.

Hoje são os filhos de Freud, de Getúlio e Lampião. Acrescentaria que da ditadura, da globalização, da geração alienada, da violência e do apego ao material. Bajulação quando se tem alguma coisa para oferecer e distanciamento quando se está na pior. Não é somente um mundo maluco desumano, mas um mundo das falsidades. Pior ainda quando se cai na velhice. Nem os filhos aparecem!

Sou filho de outra era onde a palavra valia bem mais que um documento assinado e carimbado em cartório. De que valem os acordos, convenções, tratados e promessas, se não são cumpridos? A toda hora estamos sendo garroteados pelos monstros do dinheiro e do poder político.

Sinceramente, prefiro hoje viver em minha loca como um mocó, do que ser importunado e ter que ouvir falsas palavras de que você é meu “irmão-amigo-camarada”, principalmente quando se está num bar com um copo ao lado. É um tal de trocar contatos no zap, como se fossem selos de qualidade de que aquela amizade está firmada para sempre! Que nada! Depois, tudo cai no esquecimento!

Confesso que não sou mais filho desse mundo maluco desumano, da incoerência, dos golpes e das fake news que correm como pólvoras em rastilhos nas redes sociais. Não sou filho desse consumismo desvairado que só traz felicidade momentânea e que está aos poucos destruindo a nossa mãe terra. Não sou mais filho desse mundo maluco dos assassinatos monstruosos até de crianças e nem dessa gente, que não é mais gente.

4 respostas para “MUNDO MALUCO DESUMANO”

  • Edilson Barros says:

    Mais uma vez, meus parabéns pra ti, amigo poeta Jeremias Macário
    Sempre me sinto bem lendo os seus poemas. Eles nos dizem a verdade!
    Além de ser o seu parceiro musical, sou seu fã e amigo.
    Gratidão por mais um maravilhoso poema,viu
    Deus te abençoe sempre com essa Alma de um bom e verdadeiro poeta.
    Abraços do teu amigo e também poeta, Edilson Barros de Fortaleza, Ceará.
    Valeu

  • Edilson Barros says:

    Uma pequena correção:
    Eu estava falando do texto “MUNDO MALUCO DESUMANO” do poeta Jeremias Macário e não de um poema como eu havia falado.
    Vale apena lê este texto “MUNDO MALUCO DESUMANO” deste grande poeta
    Abraços

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