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O ANEL VIÁRIO E A ROTA DO LIXO

Meu amigo “Zé Maria”, do Movimenta Conquista, a duplicação da BR-116 é para inglês ver. Deveríamos concentrar nossas forças para a construção de viadutos e passarelas no Anel Viário em torno da cidade. Esses pontos (zonas sul, oeste, leste e norte) se tornaram em passagens da morte. Quando fizeram o Anel, há cerca de 30 anos, prometeram fazer estas obras e até agora nada, só armengues, e agora umas sinaleiras da prefeitura que não solucionam o problema. São apenas paliativos.  Na boca do sertão, quem sai de Conquista para Anagé e Brumado, no sapé da Serra do Periperi, entre o Bairro Senhorinha Cairo e Henriqueta Prates, nossas lentes flagraram o tormento dessa travessia para motoristas e pedestres. É só confusão e, vez por outra, acontecem acidentes. Cadê os nossos políticos que, cinicamente, abrem a boca para dizer que estão trabalhando pelo povo. Conquista é uma cidade grande em termos de habitantes, mas pequena em sua infraestrutura.

Nesse trevo louco, sem viaduto e passarela, observei também que aquele local pode ser chamado de rota do lixo, a começar pela “Sucata Esperança”, que nada tem de esperança, mas de perturbação aos moradores da vizinhança. Além da zoeira das máquinas, o dia todo ela solta fuligem e poeiras tóxicas no ar poluindo as casas próximas. É um verdadeiro atentado à saúde pública. Cadê o poder executivo, o Ministério Público, a OAB e a própria Câmara de Vereadores que não tomam providências para relocalizar esse entulho para outro ponto distante da cidade. Além da sucata, ainda temos duas unidades de reciclagem do lixo, menos grave, mas que fazem parte da rota do lixo de Vitória da Conquista. Ainda tem gente idiota burguesa que chama aqui de “Suíça Baiana”. Essas pessoas não passam de alienadas que não conhecem as periferias da cidade, a maioria vivendo nas encostas da Serra do Periperi. Bem que essa rota do lixo poderia se transformar em mais um ponto turístico, já que aqui existem poucos para se visitar.

AS SECAS E OS BANDOS

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Vejo pelas estradas e veredas

Levas de esfarrapados famintos,

Ao sol das labaredas,

Bandos enfeitados de cartucheiras,

Nas lágrimas secas das secas,

Balas varam quintais,

Coronéis derrubam cercas.

 

Êta Nordeste de guerreiros!

Infestado de bandoleiros!

Lá vem Antônio Silvino,

Ventania de um furacão,

No aço reluzente do cangaço,

Depois os bandos de Lampião,

Pelas secas dos Pereiras e Quelés,

Vinte e Dois, os Patriotas e Sabinos,

Jararaca, os Marianos e Porcinos,

Fechando lojas e até cabarés.

 

Nesta terra sofrida sem lei,

O bandido é o dono e rei.

Nas secas não existem feiras,

“Padim Ciço” derruba governador,

Pajeú, Cariri e Piancó das bagaceiras,

Há anos que não se colhe uma flor,

Neste agreste de tanta desgraça e dor.

 

As secas com seus bandos,

Os bandos com seus santos,

Com rezas de corpos fechados,

Os beatos com seus pobres rebanhos,

Cada cabra com seus comandos,

E nordestinos expulsos de seus cantos.

 

Chusmas de maltrapilhos,

Estirados pelo árido chão,

E os debilitados sobreviventes,

Em campos de concentração.

 

Meus versos não têm graça,

Oh, Senhor Deus dos desamparados,

Cadê sua divina Graça:

Deixar seus filhos morrem,

Nas florestas do ciclo da borracha?

 

Os bandos têm seus coiteiros,

Os chefes políticos, o poder,

E as secas parem os cangaceiros.

 

A Coluna Prestes passa,

No meio dessa confusão,

Querendo justiça social,

Mas o reacionário capital,

Metralha sua Revolução.

 

A marcha é arrastada difícil,

Dos levantes em busca de comida,

Sacrificam até suas crianças,

Para sustentar suas andanças,

No labirinto entre morte e vida.

 

As secas são implacáveis,

Como nas antigas guerras romanas,

Acossadas pelos bandos desumanos.

É arder no caldeirão do inferno,

De almas na espera

Das chuvas de inverno.

 

O último bando foi de Corisco,

As secas continuam por séculos,

E eu por aqui fico,

Sem mais nenhum rabisco.

O CONGRESSO NACIONAL DEVERIA SER CASSADO PELO POVO BRASILEIRO

Vergonha é pouca coisa com o que está acontecendo de escandaloso no Congresso Nacional, com pautas aprovadas nas caladas das madrugadas que protegem interesses próprios deles mesmos e livra da cadeia criminosos que tentaram dar um Golpe de Estado e instalar uma ditadura militar no país. A cassação do deputado Glauber Braga é injusta e não passa de um revide  da oposição com relação a Eduardo Bolsonaro e a Carla Azambelli. São fatos totalmente diferentes.

Seus membros agora estão ensaiando uma anistia para os golpistas e querem o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Na verdade, esse Congresso de 513 deputados e 81 senadores, o pior de toda história do Brasil, deveria mesmo era sofrer um processo de impeachment por parte do povo brasileiro por falta de decoro parlamentar, mas todos sabem que isso não é possível, além de ser uma iniciativa surreal. As imagens bizarras dizem tudo.

UM SILÊNCIO PERTURBADOR

Nação dividida, ódios repartidos, nazifascismo e instituições corrompidas. Povo desvalido, fanáticos de Bíblia nas mãos, alienação, jovens perdidos sem cartazes nas mãos e pobres na tocaia de uma doação. Emboscadas da violência, sangue no asfalto dos assaltos e multidões sem guias. O futebol é o nosso deus da ocasião. O agro é o nosso salvador, ou devastador. O silêncio é perturbador.

Nem eu mesmo sei o porquê desse jogo de palavras relativas ao nosso cenário de horror. Talvez esteja me sentindo perdido quando vejo cenas vergonhosas, impactantes e chocantes em nosso país, quando o Brasil não merecia passar por tão vergonhosa estupidez, gestada das barrigas desses poderosos, mas a questão é secular.

Fomos ao longo desses séculos de mais de 500 anos acumulando desmandos, corrupções, promessas não cumpridas, princípios dissolvidos pela ganância do poder, ao ponto de o brasileiro não acreditar e confiar mais em ninguém. Ele se tornou um insensível e perdeu a dignidade de se indignar com os absurdos.

Sempre falamos de fundo do poço, mas nesse poço sempre existe mais fundo, como é o caso do nosso Congresso Nacional que só faz piorar. Bandidagem é pouca coisa para descrever essa tropa, ou bando, que hoje, por incrível que pareça, governa o nosso país, não como um legislativo decente, mas como cabras de cangaceiros tresloucados.

Para o bem da nossa democracia, esse Congresso Nacional de desvairados, de projetos fascistas e retrógradas, poderia muito bem ser dissolvido, pelo menos por uma temporada, ao tempo em que todos fossem enviados para uma clínica psiquiátrica de desintoxicação de substâncias químicas corrosivas ao organismo social.

Porque não um pedido de impeachment de todo Congresso Nacional que só tem nos feito mal? Todos eles ficariam inelegíveis por oito ou 12 anos, inclusive seus descentes. Com o tempo seriam esquecidos e nisso o nosso povo brasileiro é craque porque é desmemoriado.

Não a uma ditadura, mas teríamos de encontrar uma fórmula de exercitar nossa liberdade, contanto que esse Congresso, coiteiro de bandidos e malfeitores, fosse banido, registrado apenas nas páginas da história para que nunca mais se repetisse.

É este o Congresso que queremos, dividido em bancadas de interesses onde eles mandam e a população obedece como escrava? Pelos nossos pecados e omissões, bem que merecemos esse espetáculo de horrores. Todos nós somos cumplices.

Estamos colhendo o que plantamos, mas os governantes de um modo geral são os maiores culpados por termos hoje em nossos quintais essas plantas venenosas e carnívoras.

Nossa gente sempre foi conduzida como boiadas submissas e escravas da ignorância. Essas cuias de esmolas nunca criaram cidadãos conscientes politicamente de suas escolas que fizeram. É o alto preço que estamos pagando e não adianta ficar aqui fazendo elucubrações filosóficas, sociológicas, marxistas ou citando altos intelectuais para explicar o inexplicável. Tudo é muito simples de entender, basta ter o equivalente ao primário escolar de antigamente.

Para se galgar ao poder, o caminho sempre foi fazer alianças com o diabo belzebu das elites burguesas, conservadoras, extremistas e fundamentalistas do “evangelho”.  Essa mistura indigesta com os chifrudos dos infernos terminou gerando monstros do banditismo.

DIA MUNICIPAL DO SANFONEIRO

Mais do que justa a discussão em torno da instituição do Dia Municipal do Sanfoneiro e Sanfoneira (1º de junho), em Vitória da Conquista, como forma de resgatar a história da nossa cultura nordestina e valorizar o nosso São João, tão descaracterizado nos últimos anos.

Esse tema foi uma das pautas discutida ontem (dia 10/12) na sessão da Câmara de Vereadores, além de outros projetos, como a alteração do artigo 1º da lei número 2.485, de 9 de junho de 2021, que cria e inclui no calendário oficial de eventos do município a Semana Municipal do Cooperativismo, bem como a Semana Municipal de Saúde Mental nas Escolas.

A vereadora Lara, durante a sessão, apresentou um vídeo sobre investimentos públicos do Estado da Bahia como líder no Brasil. A parlamentar, no entanto, rebateu dizendo que a Bahia é líder em violência, em impunidade, na violência contra a mulher, é líder de pessoas vivendo do Bolsa Família e líder em pior qualidade de vida no Nordeste. Acrescentou que para isso o governador Jerônimo vem quebrando o estado com empréstimos de 26 bilhões de reais.

O parlamentar Andreson parabenizou o produtor cultural Vadinho Barreto e lembrou da audiência pública do dia 12 próximo (sexta-feira), a partir das 19 horas. Na ocasião, lembrou da vigília de artistas na porta da Casa Glauber Rocha e exigiu a reforma e abertura do imóvel. Repudiou o ato vergonhoso que ocorreu no Congresso Nacional contra o deputado federal Glauber Braga do PSOL, que está na mira de uma cassação injusta.

Andreson também falou sobre o comércio varejista, desejando boas vendas. “Pelo menos a prefeita prorrogou as medidas que seriam aplicadas nas cobranças da Zona Azul. O comércio precisa é ser fortalecido porque gera renda e empregos”.

Cris Rocha destacou, em sua fala, o Bairro Lagoa das Flores, ao informar que será beneficiado com o projeto de revitalização da quadra poliesportiva, contando com apoio do deputado estadual Jean Fabrício. “Nossa intenção é transformar a quadra num espaço esportivo de qualidade, e o deputado colocou recursos do seu mandato para a concretização desse projeto que irá beneficiar os moradores”.

 

 

NAS PANCADAS DA METEOROLOGIA

De uns tempos para cá ando com receio de acompanhar a moça do noticiário dos serviços de meteorologia e outras previsões do tempo no Google e veículos de comunicação. Antes não passavam de avisos sobre chuvas e sol em alguns pontos dos estados brasileiros, sem muitos transtornos. Hoje, a meteorologia já entra dando pancadas que nos fazem levantar do sofá.

Estava aqui pensando com meus botões: Seria melhor desligar a televisão quando o apresentador anuncia que agora vamos assistir as previsões do tempo. Não adianta. Agora aparece no Zap: Alerta de tempestade. Prenuncio de raios, trovões e ventos de até 100 quilômetros por hora. Ficamos logo com o psicológico abalado e tenso.

Esses sinais soam como aquelas sirenes de guerra de que dos céus vão cair bombas. Todos para os abrigos, mas não temos essas proteções no Brasil, a não ser se enfiar debaixo da cama.

Além da violência humana, agora temos que lidar com a fúria da natureza, criada pelo próprio homem. É paradoxal, mas somos autores da nossa autodestruição. Deu nisso, sermos considerados como espécies “racionais”. Será que a culpa está no Criador?

Agora com o aquecimento global, que a humanidade ainda não caiu a ficha que nele estamos vivendo, todos os dias só ouvimos e lemos comunicados de tempestades, ciclones e tornados com ventos de 100, 200 e até 300 quilômetros por hora, sem contar as previsões de deslizamentos de terras e queda de granizos.

O serviço de meteorologia se tornou um terror em nossas vidas, principalmente nas cidades de aglomerados que se derretem como sonrisal, tanto nas pequenas como nas grandes estruturas. Ciclones e tornados no sul e centro-oeste, que logo estarão atravessando o Nordeste.

Tudo isso tem suas causas e sabemos disso, mas fazemos de conta que está tudo normal nas mudanças climáticas, as quais os negativistas dizem serem falácias.  Enquanto isso, são desastres por todos os cantos do planeta.

O clima ficou doido e imprevisível, meu amigo, e as estações se misturaram umas com as outras. A primavera e o verão esfriam repentinamente e tudo se torna inverno que, por sua vez, inventa se esquentar e bate aquele calor. Não existe mais aquela passagem de bastão entre uma estação e outro. O outono ficou para trás e entram invernos tardios, uns curtos e outros longos.

A umidade do ar está cada vez mais baixa, o tempo nublado vira rapidamente, e vice-versa. Com essa confusão, o nosso organismo vira uma bagunça e haja doenças respiratórias e mais vírus no ar que até a medicina não consegue decifrar e diagnosticar.

Catástrofes, tragédias, enchentes, terremotos, inundações em cidades e campos, mortes e desalojamentos se tornaram normais. Se vivo fosse, meu pai diria que é o fim do mundo, que se transformou num formigueiro de gente.

Os filmes de ficção não são mais extremos de suspenses para atrair audiências de bilheterias. Não são mais exageros dos cineastas. São realidades que já vivemos no dia a dia. As nações pobres e mais vulneráveis eram as mais atingidas, mas está chegando a vez dos ricos, os mentores desse aquecimento global ou solar.

Sobre a COP30, de Belém, no Pará, (mais uma conferência fracassada), nem se comenta mais sobre o assunto. Depois do turismo e das gastanças consumistas, cada um foi para sua casa produzir mais lixo. É final de ano e vamos cair na luxúria das bebidas, comidas, festas, bacanais e jogar mais gases tóxicos no ar.

É, meu camarada, a impressão que tenho é que os noticiários sobre as previsões meteorológicas estão competindo meio a meio com os de violência de bandidos, corrupções, as ações de golpistas na internet, acidentes com mortes no trânsito, sem falar das bandidagens no Congresso Nacional, nos legislativos estaduais e nas câmaras municipais. Por falar em Congresso, vergonha é pouca coisa. Pelo bem da nossa democracia, essa Casa bem que merecia ser dissolvida. Ela é uma ameaça.

O mal é que quase todo mundo só gosta de ouvir e ler coisas boas e prefere esquecer as ruins, mas, quer queira ou não, as más notícias estão aí em nossas vidas, no nosso cotidiano, nos rondando e rosnando como leões famintos para nos consumir.

Enquanto não acontece com a gente, tudo é uma maravilha e a vida é bela. Os lamentos e choros dos sofrimentos dos outros não nos tocam tão fortes em nossos corações como antigamente. É vida que segue, como se diz por aí. No entanto, quando ocorre com um de nós, o “buraco é mais embaixo”, a dor é bem maior e duradoura. Ás vezes, são marcas que nunca curam.

Parece que comecei pela avenida da meteorologia e entrei em outras ruas, travessas e becos, mas elas estão todas ligadas, uma na outra. São quarteirões do mesmo espaço existencial. Com esse tempo confuso de mudanças repentinas e inesperadas, lá se foi o meu ponto estratégico, mas faz parte da vida.

 

 

 

 

 

 

A FOTOGRAFIA EM FOCO NO SARAU COM CANTORIAS, POESIAS E CAUSOS

Uma imersão no mundo da fotografia pelo jornalista Jeremias Macário a partir da visão de seus quadros fotográficos durante suas andanças pelo sertão em seus tempos de repórter, com falas de José Silva, contando suas histórias como profissional.

São mais de 50 quadros fotográficos que fazem parte do acervo do Espaço Cultural A Estrada e que remetem, em sua maioria, às reportagens jornalísticas sobre as secas na região sudoeste, do período de 1991 a 2005. Nelas estão incluídas fotos da Serra do Periperi, capelas e pedintes na BR-116. São paisagens político-social que retratam o sofrimento do nosso povo.

Foi uma temática mais descontraída na noite do Sarau A Estrada, realizada no último sábado (dia 06/12/2025), no Espaço Cultural que leva o mesmo nome. Os quadros sobre paisagens secas do sertão, capelas e a vida sertaneja em suas labutadas pela sobrevivência foram revisitados no tempo, como registros históricos.

Os trabalhos foram abertos pelo membro da comissão Dal Farias, com informes sobre a reconstrução do novo espaço, prestação de contas do fundo do sarau por Cleu Flor, bem como a aprovação da ideia de realizarmos o primeiro Sarau na Estrada, na Praça Barão do Rio Branco, no início do próximo ano, com data ainda ser marcada.

O propósito é levar o Sarau até o povo nas ruas e aproveitarmos a ocasião para cobrar do poder executivo, através da Secretaria de Cultura, mais atenção para nossa cultura, principalmente quanto a abertura dos equipamentos culturais fechados há anos e a elaboração do Plano Municipal de Cultura, o qual deve se tornar lei dentro do plano orçamentário do município. Queremos mais recursos para o setor, não somente esse calendário de São João e Natal.

Com a participação de cerca de 30 pessoas entre artistas, professores, jovens estudantes, amigos e interessados pela cultura, a noite foi abrilhantada por Fabrício Prado na viola com suas cantorias, além da contação de causos de Jessier Quirino. Não faltaram as declamações de poemas autorais e a troca de ideias entre presentes num bate-papo descontraído e fraternal.

Podemos dizer que o evento, que completou 15 anos de existência e está entrando no seu décimo sexto período, foi mais uma realização memorável que varou a madrugada, acompanhado de um bom vinho e o tradicional prato da meia noite, com a degustação de petiscos e uma boa comida, tendo como personagens principais a cultura e a troca de conhecimento e saber.

Sobre a história da fotografia, que é um processo de química, imagem e luz, com seu conjunto de lentes, filtros e obturadores, inventada no século XIX, Jeremias Macário, antes de discorrer sobre seus trabalhos, fez uma breve introdução sobre essa temática.

A princípio, a imagem teve sua origem na antiga Grécia quando Aristóteles resolveu fazer uma caixa, nela colocando um pequeno orifício de luz para observar o eclipse solar. Cerca de dois mil anos depois, após uma série de pesquisas, o francês Joseph Niépce inventou a fotografia, ou a heliografia (escrita do sol) e evoluiu o processo, em 1827, com seu colega Luis  Daguerre que consolidou a fotografia, em 1853. Antes deles, porém, tivemos Johan Schulze, em 1725.

Em 1839 Daguerre produziu o daquerretipo, que é a máquina fotográfica atual, e criou a revelação, usando o sulfato de sódio e cristais de iôdo. Com a ajuda de outros estudiosos no assunto, em 1853 surgiu a profissão de fotógrafo, com máquinas analógicas.

No ano de 1888, George Eastman, construiu a primeira câmara com onze metros de cumprimento, reduzido o tamanho graças ao uso da química e da mecânica. No início era a analógica com a utilização de rolos de filmes de 36 poses. No final do século XX, a indústria fotográfica introduziu as digitais facilitando o trabalho dos profissionais da arte poética de eternizar os fatos e acontecimentos.

É bom frisar que antes da fotografia, até o século XIX, os jornais, para ilustrar suas reportagens, principalmente em épocas de guerras, enviavam seus correspondentes desenhistas e pintores para registrar as cenas de combates, paisagens e eventos da sociedade.

Assim foi o Sarau numa noite iluminada pela fotografia e cheia de boas ideias entre estradeiros que há 15 anos mantém essa tradicional harmonia, na base da prosa e da conversa de pensamentos. O Sarau, além de ir às ruas, tem outros projetos quais sejam de incluir a comunidade em seus eventos e já abriu seu Espaço Cultura para a visitação de estudantes.

 

QUANDO GILBERTO FREYRE EXPULSOU LAMPIÃO E SEU BANDO DE PERNAMBUCO

SÓ A UNIÃO DE FORÇAS DOS ESTADOS NORDESTINOS, COM ARMAMENTOS MODERNOS E A PRISÃO DE COITEIROS MINARAM AS AÇÕES DO CANGAÇO. O SOCIÓLOGO GILBERTO FREYRE FOI UM DOS IDEÓLOGOS E ESTRATEGISTA, QUE CONTRIBUIU PARA ESTE ENFRAQUECIMENTO.

A partir de 1919, com a grande seca, e durante toda década 20, o cangaceirismo profissional entrou em franca expansão. Novos bandos surgiam praticamente quase todos os dias, e Pernambuco chegou a ser o maior celeiro do cangaço, principalmente vindos da região do Pajeú, tendo como foco Vila Bela, hoje Serra Talhada.

Além de desorganizadas e sem estrutura financeira, o armamento das forças das volantes era totalmente arcaico em relação às armas modernas usadas pelos cangaceiros. Havia um tipo de pistola tão obsoleta que servia de piada para os nordestinos quando diziam que “eram dois tiros e uma carreira”.

Antes havia o impedimento de uma força de um estado entrar no território do outro quando em perseguição aos bandos. Os governantes em geral estavam desestruturados, sem contar a corrupção de que se valiam os cangaceiros para subornar soldados e oficiais.

Naquela época (década de 20), os bandos mais perigosos, a maioria aliada a Lampião, eram os de Jararaca, os Patriotas, os Sipaúbas, os Sabinos, os Pereiras, os Pinheiros, Manuel Vitor, os Marianos, os Melões, Paizinho Baio, Tibúrcio Santos, Vinte e Dois, os Pedros, os Porcinos, Casa Velha, dentre tantos outros. Eles contavam com a cobertura dos coiteiros, tendo como maior centro a Serra D´Umã.

Os coiteiros eram um dos maiores Calcanhares de Aquiles dos governos, mas a ação repressora surtiu bons efeitos logo no início dos anos 20, mediante acordos realizados, primeiro entre os estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, em 1922. Depois vieram outros nos anos de 1926 e 35 em que se juntaram os governos de Alagoas, Sergipe e Bahia.

Vale ressaltar que em 1912 os estados mais atingidos pelo cangaço também se reuniram para combater o cangaceiro Antônio Silvino, mas foi no período de Lampião que as alianças surtiram melhores resultados.

Nesses acordos, além de uma repressão mais firme, os governadores decidiram outras medidas estratégicas, como construção de rodovias, controle sobre as canoas nos rios, distribuição de cem fuzis militares entre civis de confiança pelo Governo de Pernambuco, introdução da submetralhadora de 500 disparos por minuto, entre outras ações.

Nesse meio houve um fato interessante que conseguiu deter o ímpeto de Lampião e seus bandos. Em 1927, no Governo de Estácio Coimbra (Pernambuco), por recomendação do sociólogo Gilberto Freyre, seu secretário de Gabinete, foram estabelecidas novas diretrizes para repressão ao banditismo, e uma delas foi a prisão dos coiteiros. Muitos, inclusive chefes políticos e fazendeiros, foram sendo presos e recambiados para a capital, culminando com o maior deles que era o coronel Ângelo Lima, o Ângelo da Jia.

Sem o coiteiro, o cangaceiro não era nada. Em decorrência dessa eficácia, em agosto de 1928, Lampião com um grupo já reduzido de cabras, depois de ter sido repelido em Mossoró durante sua tentativa de invasão à cidade (50 homens contra 150 do prefeito), em março de 1927, abandona sua terra natal e se interna nos sertões da Bahia.

Antes disso, porém, um episódio político contribuiu em muito para o avanço do cangaço, que foi a passagem da Coluna Prestes pelos sertões nordestinos, logo no início de 1926, ano em que foi o marco do banditismo na região, especialmente em Pernambuco, conforme aponta o autor do livro “Guerreiros do Sol”, Frederico Pernambucano de Mello.

Lampião começou sua carreira por volta de 1919/20, ainda como cabra nas hostes surgidas dos Matildes e dos Porcinos, bem como em etapa seguinte no bando de Sinhô Pereira. Seu auge se deu em 1926, com suas andanças pelos estados da Paraíba, Ceará, Alagoas, Bahia e Pernambuco.

Em fevereiro de 1926, ele tocaia e mata seu velho inimigo José Nogueira, em Vila Bela (Serra Talhada). Em março entra em Barbalha (Ceará) à frente de 49 cabras se hospedando no Hotel Centenário onde pousou para fotos e deu entrevistas como se fosse governador do sertão. Em agosto ataca a fazenda Tapera, Floresta, matando treze pessoas de uma mesma família. Em setembro invade Cabrobó à frente de 150 bandoleiros, sob toque de cornetas e em formação militar. Em novembro, com 90 homens, enfrenta a batalha da Serra Grande (Vila Bela) contra 260 soldados. Em dezembro, na localidade de Juá, destrói a tiros 127 bois do fazendeiro Joaquim Jardim.

Nessa época, a fama de Lampião corria o país inteiro e ocupava espaços nobres nos jornais. A opinião pública criticava as forças policiais, enquanto o bandido alardeou invadir Rio Branco, hoje Arcoverde. Até o governador de Pernambuco, na época, Sérgio Loreto, ironizava que sendo o bandido reconhecido como governador do sertão, nada mais justo que sediasse seu comando em Rio Branco. O governador se queixava da colaboração prestada aos bandidos pelos sertanejos.

Como ocorreu em 1914, com a revolução de Juazeiro (guerra santa), nos anos de 1926/27, os sertões de Pernambuco, Paraíba e Ceará foram inundados de armas distribuídas pelo governo federal quando da organização de milícias (batalhões patrióticos), para combater a Coluna Prestes.

Grande parte dessas modernas armas, fuzis e mosquetões de fabricação europeia, caiu nas mãos dos bandidos, sobretudo de Lampião, quando esteve em Juazeiro, em 1926, convocado pelo deputado baiano Floro Bartolomeu da Costa e Padre Cícero, para se juntar ao exército contra Prestes. Cada cangaceiro ganhou um fuzil novo.

 

VEREADORES VOTAM EMPRÉSTIMO E DISCUTEM IPTU NOS DISTRITOS

Em primeira votação, a maioria dos vereadores da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, em sessão desta sexta-feira (dia 05/12), aprovou o pedido de empréstimo de 400 milhões de reais feito pela prefeita Sheila Lemos e discutiu a questão de cobrança do IPTU nos distritos da zona rural.

Alguns parlamentares da oposição chegaram a questionar essa nova solicitação de empréstimo do poder executivo em decorrência do alto risco de endividamento do município, bem como porque o projeto não especifica claramente em quais obras serão investidos os recursos.

Prepostos do governo, entretanto, afirmaram que a maior parte será aplicada no asfaltamento de ruas em bairros carentes que ainda não foram beneficiados por esse serviço de melhoria. O pedido de empréstimo ainda será apreciado pela Casa em segunda votação.

A projeto de cobrança de IPTU nos distritos de Vitória da Conquista rendeu uma grande polêmica no legislativo, visto que a prefeita enviou uma emenda visando a isenção do imposto em 2026, mas que a cobrança passe a vigorar a partir de 2027.

A maioria dos vereadores, incluindo os da situação, se posicionaram contrários à cobrança do IPTU nos distritos. Alexandre Xandó destacou que os distritos sejam permanentemente isentos.

Os parlamentares, em suas falas, recomendaram que seja votado a isenção para o próximo ano de 2026. Quanto uma possível cobrança em 2027, a questão entrará em pauta posteriormente num diálogo com o executivo.

No geral, o legislativo demonstrou rejeição para que o IPTU seja incluído também aos moradores dos distritos. Andreson ressaltou que a cobrança é inoportuna e que os distritos precisam de melhorias. Luciano Gomes, vereadora Cris, Ricardo Babão, Dudé, entre outros defenderam que os distritos fiquem isentos de forma permanente.

ALBUM DE FAMÍLIA E FORMATURA

Com o celular, as fotos de comemorações de aniversários, festas entre amigos e famílias ou encontros vão diretas para as redes sociais, se bem que o fotógrafo profissional ainda existe para registrar momentos inesquecíveis, mas com menor demanda.

Quem não se lembra dos velhos álbuns de famílias, alguns encadernados em pastas de capas duras, com papel de seda brilhante para proteger as fotos, feitos por pessoas com maior poder aquisitivo! Os pobres guardavam os retratos tirados em feiras livres em seus baús e, com o tempo, elas ficavam amarrotadas. Aliás, ainda existem.

Quando chegavam alguns amigos ou parentes em sua casa, as mães e as avós reuniam todos numa mesa para comer um bolo com café e mostrar as fotografias. Os comentários eram os mais variados, especialmente sobre aquelas fotos de poses e vestimentas engraçadas daquela época. Todos caiam na gargalhada, mas era muito gostoso recordar o passado.

Lembro de uma foto que meu pai mandou um retratista tirar numa dessas feiras de povoado, ou numa missa na igrejinha, onde a perna da minha mãe saiu torta. Eram feições de matutos e lá estava eu bem miudinho. Essa relíquia se perdeu.

Os álbuns de famílias representavam a própria história daquele clã, principalmente entre as mais poderosas. O patriarca ou o coronel sempre saia na frente com uma bengala. As mulheres em posições secundárias, como submissas.

Mesmo com o avanço tecnológico, ainda existe o tradicional álbum de família nos casamentos, nos batizados, aniversários importantes de 70, 80 e 90 anos e nas formaturas escolares. Só que é esquecido lá no canto e poucos mostram para evitar serem vistos como chatos.

Não existe mais aquele entusiasmo de ficar passando folha por folha, fotografia por fotografia. Fiz um dos meus 70 anos, mas não me atrevo mostrar aos amigos e parentes, para não me chamarem de mala. Se alguém abre por educação, passa rapidamente as folhas para chegar logo ao final do calhamaço e mudar de assunto.

E aqueles antigos álbuns de formaturas e encontros de estudantes? Estes têm muitas histórias e coisas para se falar e contar. Rendem fofocas, piadas e bullying maldosos entre os colegas. Mesmo assim, a maioria desses álbuns se perdem no tempo como velharias.

– Olha a Alice, lembra dela, era toda metida a gostosona, que passava se rebolando nos corredores e não dava “bola” para ninguém, mas transava com o diretor!

– Esta aqui, na foto, é a Cleonice, que namorava com todo mundo. E aqui, a Suzana, gordinha, que todos a chamava de “bolinho”, e ela ficava furiosa! A Ana era toda séria, metida a riquinha que esnobava dos mais pobres!

Entre os rapazes, tinha o playboy, o espirituoso que gostava de colocar apelido em todo mundo. Este é o “André Galinha” tirado a galã, mas só tomava fora das moças. Só queria tirar um sarro!

– Ah, cara, a foto está velha, mas este é o Carlos, o cdf – cu de ferro-, todo arrumadinho que passava todo tempo estudando para tirar nota boa. Nem adiantava chamar ele para um “assustado”. Era o queridinho da professora.

– Diogo era o mais gaiato da turma e bom de bola, mas só tirava nota baixa. Ele dizia que quando crescesse queria ser caminhoneiro para rodar o mundo numa boleia de carro!

Aqui é o Ronaldo valentão, que procurava briga com todo mundo. Sempre foi revoltado com tudo. Diziam que o pai dele era violento e batia até na mãe. Um dia entrou numa sala com uma barra de ferro e quebrou várias carteiras. Os professores tinham medo dele.

Pois é, esses álbuns guardavam histórias, inclusive de muitos que abandonaram a escola e sumiram. Outros foram para outras paragens com seus pais, mas deixaram seus semblantes e marcas registrados.

Atualmente, com a ferramenta da internet, muitas fotos são usadas de forma indevida, difamando e caluniando pessoas através de imagens criminosas.  E agora com a tal inteligência artificial onde se pode falsificar fotos com falas que não são reais! Seja bem-vindo ao mundo das redes sociais onde nem tudo é verdade!

 

A SERRA E O TEMPO

O tema daria para se fazer um poema e ser musicado, uma crônica, um filme de ficção ou documentário, outro gênero literário e até mesmo uma tese de doutorado.  Claro que estou a me referir sobre a nossa popular Serra do Periperi, em Vitória da Conquista, que poderia ser chamada de Serra dos Mongoiós, Monachós, também conhecidos como Camacãs. A Serra e o Tempo, dela sobrou o vento no lamento zunido de seus antepassados espíritos.

A Serra tem muitas lendas e histórias para serem contadas. São poesias do tempo, matas que pertenceram aos índios, expulsos e exterminados de suas terras virgens pelos colonizadores. Corredeiras de águas que alimentavam o rio Verruga e matava a sede de seus primeiros nativos.

Há mais de 100 anos, em 1817, quando aqui chegou (Arraial da Conquista) o príncipe alemão Maximiliano Wied-Newied, ele ficou encantado com a exuberância da sua floresta, ainda praticamente virgem. Se retornasse depois ao túnel do tempo, ficaria horrorizado e decepcionado pela ação predadora do homem.

Dela sobrou uma pequena área do Poço Escuro, mesmo assim carente de preservação e urbanização. Por mais de 100 anos depredaram a Serra, derrubaram suas árvores, retiraram terra, pedras e areia, aterraram suas nascentes e, ao longo desse período, seus habitantes invadiram suas encostas. Maldita exploração imobiliária! O capital tem o dom do extermínio.

No final dos anos 90 ela foi cortada de ponta a ponta para construir o asfaltamento do Anel Viário, como mostram as imagens de comboios de carretas flagradas pelas nossas lentes. Lembro que se criou uma grande polêmica na época com opiniões contrárias dos ambientalistas e defensores da preservação da Serra, a esta altura totalmente desfigurada, verdadeira terra arrasada. A discussão custou a demissão do secretário municipal do Meio Ambiente que contestou pontos do projeto.

Toda sua encosta hoje, praticamente de ruas de chão, sem saneamento básico, está tomada pela pobreza periférica que mais sofre com as fortes chuvas. As partes altas e baixas da cidade também são atingidas por lamas, pedras e todos tipos de detritos que descem da Serra pela falta de uma vegetação mais densa como naqueles tempos da visita do príncipe.

 





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