O “VELHO” E O “NOVO” DE BRAÇOS DADOS
Com todo respeito às crendices, superstições e ao sincretismo religioso, vou de branco, de azul, vermelho, amarelo, roxo ou preto, comer lentilhas, frango, carne de porco, pato, peru, ema ou ganso, para receber o “novo”, de braços dados com o “velho”. Não importa a cor ou a comida, se religioso ou profano.
Quando chegamos às vésperas do último dia do ano, festejamos essa passagem com o nome pomposo de “Réveillon” (Êta que adoramos mesmo estrangeirar e copiar a cultura alheia, ou alienígena), dizendo que estamos enterrando o velho, tanto que nos abraçamos e nos beijamos desejando um “Feliz e Próspero Ano Novo”.
É um ritual ancestral que já fazemos de forma maquinal, sem ao menos refletirmos que o velho, mesmo com seu paletó surrado, segue com o novo, que já nasce velho, porque no âmbito geral das formas política e social estabelecidas e do sistema vigente em que já vivemos, nada muda, a não ser fatos e acontecimentos novos que já fazem parte do nosso cotidiano. “Nada se cria, tudo se copia”.
No outro dia do primeiro do ano, como nos outros dias comuns do “velho”, os noticiários trazem fatos “novos” que acontecem no andar da carruagem da vida e muitos outros que já são velhos conhecidos da sociedade. Portanto, os dois continuam entrelaçados entre si como fios de corda no sentido latu sensus.
Isso de enterrar o “velho”, dele passar o bastão para o “novo”, só existe no nosso imaginário psicológico e é uma expressão que já sai automaticamente do nosso subconsciente. Sabemos que sem o velho ancestral, com suas aprendizagens, com seus erros e acertos, não nos renovamos para construir o novo.
Por sua vez, nem pensamos que cada ano que “enterramos”, ficamos mais velhos junto com a nossa data de aniversário. Um está atado ao outro. O “velho” leva muita coisa para o “novo” e o “novo” não vive sem o “velho”. Sem o “velho” não fazemos nossos planos, nossas metas e nossos sonhos, muitas deles não cumpridos que se tornam caducos durante o “novo”, que nada tem de novo.
Bastam de tantos firulas e trocadilhos de filosofia barata. A realidade é que sempre, de uma maneira ou de outra, estamos sempre condenando o “velho” quando afirmamos que queremos um “novo” melhor. Isso é natural porque o ser humano nunca está satisfeito com o que tem ou com o que recebeu e teve lá atrás. É por assim dizer, um ingrato das graças. Claro que no meio existiram desgraças.
Todos os anos temos catástrofes e tragédias humanas e da natureza, com suas tormentas, temporais, raios, vendavais, ciclones e tornados (cada vez mais crescentes devido ao aquecimento global); desmandos dos políticos corruptos e tiranos; guerras de bombas voadoras destruidoras; campanhas de doações; gestos de maldades e generosidades; crimes hediondos e ações que ainda alimentam nossa esperança e fé.
Tudo isso está no cardápio que o “velho” passa para o “novo”. As mudanças nos ingredientes e temperos para que a comida fique menos ou mais saborosa só dependem de nós. Não adianta lamentar porque o tempo continua se arrastando tinhoso e nem se atreva pedir para parar. Ele é o dono dos nossos destinos.
Mas, “vamos em frente que atrás vem gente”, meu amigo e, como dizia nosso cancioneiro, o Bob Dylan do Nordeste, ainda vivo (outros acham que é o Zé Ramalho), Geraldo Vandré, vamos embora que esperar não é saber/ quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Felicitações ao “velho” e um forte abraço ao “novo”, uma incógnita, que não seja aquele tipo amigo da onça.
CARTAS E ORAÇÕES DOS CANGACEIROS
Durante o período do cangaço, que durou praticamente um século no Nordeste, além dos seus apetrechos que carregavam, como chapéus de couro de aba dobrada, com estrelas de Salamão, cartucheiras, bornais bordados e outros utensílios de sobrevivência no agreste, os cangaceiros faziam uso de cartas enviadas aos amigos, coronéis coiteiros e oficiais das volantes, e carregavam consigo suas orações (de grande valor) para protegê-las dos seus inimigos.
As cartas, em sua maioria, principalmente de Lampião, no auge do banditismo, nas décadas de 20 e 30, eram endereçadas através de um portador do seu grupo aos fazendeiros, com cobranças (na verdade eram taxas de pedágios de proteção), aos inimigos, com intimidações e até a oficiais chefes de polícia, com recados severos para que parassem com os armamentos e as perseguições.
Com o português, considerado por estudiosos como a verdadeira língua de Camões e Gil Vicente, Lampião mandou uma dessas cartas ao major Pedro Augusto, onde em determinado trecho diz: “Não acho direito é vocês estarem armados e juntando gente. Isto não está direito. Preciso dar passagem deste lugar e não quero alarme no Ceará! Não sou moleque para andar com histórias erradas”.
Em outra, ele encaminha uma corta para Antônio Mando, onde pede dois contos de réis. Espero isto sem falta agora alarmi e não mandi qui depois vae se sahir muito mal, resposta pelo mesmo portador sem mais, não falti olhi olhi, Capm Virgulino Ferreira vulgo Lampião”.
Para Elias Barbosa, ele enviou uma carta de advertência: “O Sr. está com Um peçoal Em arma contra mim, portanto, quero qui faça como homem, sahia da Rua e mi pegue”. Mais na frente diz que “Eu tenho comido toicinho com Mais cabelo”. No final, assina seu nome com vulgo Lampião u terror do Sertão. Para o sargento José Antônio do Nascimento, em 1926, manda uma bem desaforada.
Corisco também endereçou uma carta para o padre José Bulhões, em 1935, da freguesia de Santa do Ypanema. Esta foi inusitada porque o portador levava o filho do chefe que teve com sua mulher Dadá e pedia ao vigário que criasse o menino como se fosse o seu filho, da melhor forma que pudesse.
Também o Moita Braba enviou uma carta semelhante ao promotor Manuel Cândido, em 1937, pedindo que o magistrado criasse seu filho que teve com Sebastiana Rodrigues Lima. Interessante que ele assina como Coronel Moita Braba.
No inventário dos objetos apreendidos, feito pelo Regimento Policial Militar, foram encontrados os seguintes pertences de Lampião: Chapéu de couro com seis signos de Salomão e 55 peças de ouro; peças e moedas de ouro; mosquetão mauser, modelo 1908 de uso exclusivo do Exército Nacional; faca; cartucheira para 121 cartuchos; bornais; lenços vermelhos; pistola parabélum; luvas; cobertas; anéis de ouro e prata; óculos (armação de ouro); e um pacote de orações.
Com Lampião foram encontrados vários livrinhos de orações onde, segundo a crendice e o misticismo religioso nordestino, funcionavam para fechar seu corpo contra balas e facas. Em todas essas orações eram citados os nomes de Jesus Cristo e Deus e, em uma delas, misturavam-se narrações do Antigo e do Novo Testamento.
Com o cangaceiro estavam em seus bornais as orações Da Pedra Cristalina, onde pede que se o inimigo atirar saia água pelo cano da espingarda e se for faca que caia da sua mão; a oração do Salvador do Mundo, a mais longa, intercedendo concórdia entre ele e seus inimigos (mistura trechos do Antigo com o Novo Testamento) e cita Santo Miguel Arcanjo trocando nome e sobrenome, de frente para trás e de trás para frente; a oração Das Treze Palavras Dictas e Retomadas e; por fim, a oração De Nosso Senhor Jezuz Christo.
Todas essas cartas e orações foram publicadas pelo historiador Frederico Pernambucano de Mello, tendo como fonte o Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, onde se acham ainda as orações das Virgem das Virgens (prodigiosa), da Beata Catharina e de Santo Agostinho, está muito utilizada por Lampião.
A MORTE ANUNCIADA DOS CASARÕES
(Chico Ribeiro Neto)
Passo na orla marítima de Salvador e vejo uns três casarões que vão virar prédio. A imensa placa está à frente dos casarões ostentando o novo nome da moradia que vai ser construída, uma moradia mais alta e, sem dúvida, mais apertada para caber muita gente. Onde tinha 10 vai ter 200.
Como um biombo que se coloca no quarto do paciente para mostrar que ele ainda não morreu – mas seu estado é grave -, a grande placa da construtora antecipa a morte dos casarões que ainda estão lá, firmes, com as janelas fechadas. A placa é uma tarja branca na frente deles, como uma mordaça para que não digam o que estão sentindo.
O mato ainda não começou a crescer e logo logo os tratores entrarão em ação. Num cantinho com ar-condicionado os corretores já estarão vendendo os apartamentos e fazendo milhões de cálculos de renda, sinal e prestação, enquanto os filhos dos compradores brincam com os carrinhos da maquete do prédio e ganham carão.
Você já viu derrubar um casarão? É um tropel de ferros, cabos de aço e picaretas. Extasiados, operários e populares assistem um trator derrubar uma parede em poucos segundos, enquanto o coração de quem morou lá já deve estar implodindo, mesmo tendo feito um bom negócio na venda do casarão. Resta o consolo de que uma casa velha tem coisas que nem derrubando saem.
Alguma cadeira ficará para o peão sentar e bater um dominó. Uma velha folhinha com fotos da Europa e rasgada no mês de maio servirá também para distrai-lo.
Muitos objetos foram deixados pelo canto, na pressa da saída. Num velho caderno de apostilas do vestibular o mestre-de-obra fica encantado com um poema de Chico Buarque. Por coincidência, ele abriu o caderno bem naquele lugar: “Amou daquela vez como se fosse a última…”
Logo após o início da obra, começam a chegar, de manhã cedo, vendedores de mingau, café, pastel e bolo, ocupam a frente do tapume, e aquela mão calejada e suja de areia recebe um pedaço de bolo pela abertura do tapume. Um guaraná litro ajuda a descê-lo e o feliz arroto dá a sensação de barriga cheia.
Prédio quase pronto, os primeiros moradores vão começar a chegar com o apartamento ainda no cimento. “Aquela mulher é muito enjoada, pois já está falando em derrubar parede”.
O peão recolhe rapidamente os pedaços de pão e a lata de sardinha, pois a madame quer ver também como é a cozinha.
Se pudesse, faria um apelo aos construtores: quando forem erguer um prédio no lugar de um casarão, não coloquem nenhuma placa na frente do moribundo. Esperem a retirada da última janela e o olhar de saudade do velho morador.
(Crônica publicada no jornal A Tarde em 17/07/91).
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
O PRESIDENTE QUE O BRASIL PRECISA PARA ACABAR COM A BANDIDAGEM
Diante desse quadro promíscuo em que vivemos na política polarizada, de tanto ódio e intolerância, muitas vezes ouvimos alguém dizer que precisamos de um presidente que seja poeta ou filósofo, para colocar este país no caminho da justiça social, da ética e da honradez. Antes de qualquer coisa, que seja honesto. Não importa se de esquerda ou de direita, não a extremista fascista fanática. O povo já não aguenta mais com tantos desmandos e bandidagens!
Às vezes, fico a pensar comigo mesmo de que precisamos de um presidente sem ambição em se perpetuar no poder ou fazer seu substituto. Um líder comandante que seja destemido e não tenha medo de perder o cargo, sem essa de fazer pacto com o diabo para manter a tal da governabilidade. Parece uma utopia, mas seria possível realizar a distopia desse sistema, não necessariamente com mão de ferro.
Não seria um presidente ditador, populista ou assistencialista, apenas que falasse democraticamente a língua do povo. Um presidente que tivesse a coragem de quebrar com todas essas amarras e alianças oportunistas velhacas e formasse o seu próprio ministério com pessoas competentes e comprometidas com o Brasil e não com seus interesses individuais. Um presidente destemido que suportasse as críticas.
Imagino um presidente que tivesse a coragem e a “valentia” de um sertanejo brabo para criticar, de peito aberto, dando nome aos bois, os bandidos que compõem a maioria desse Congresso Nacional de pervertidos, sem medo de ameaças de ser cassado. Um presidente que botasse a boca no trombone e falasse a verdade, doesse em quem doesse. Um cabra de “sangue no olho”.
Um presidente que por decretos ou projetos propusesse cortar todas as mordomias e orgias dessas três castas dos poderes executivo, judiciário e legislativo, mesmo que suas propostas fossem rejeitadas e criticadas por esses canalhas que vivem às custas dos trabalhadores. Que cortasse metade dos feriados e acabasse com essa pilantragem dos feriadões, os tais enforcamentos. Com certeza, mesmo que demorasse um pouco para entender suas posições, o povo ficaria ao seu lado e apoiaria suas medidas.
A grande maioria se engajaria nessa empreitada de fazer do Brasil um país sério, e não essa república de bananas. Entendo que o Brasil precisa de um presidente que apresente para toda população um projeto de reforma eleitoral que acabe de vez com esse coronelismo do voto, não esses projetos tampões ou remendos que esses embusteiros do Congresso aprovam em épocas eleitoreiras.
Queremos um presidente que procurasse, por todos os meios possíveis, derrotar essa cabroeira que faz da política um meio de vida e de negócio, inclusive elementos que se dizem de esquerda, mas não passam de aproveitadores da ingenuidade do povo. Um presidente que condenasse veementemente esse processo criminoso de emendas parlamentares.
Nada de fazer negociações esdruxulas para agradar as elites burguesas e oligarcas que sempre sugaram nossas riquezas e contribuíram para aprofundar as desigualdades sociais onde a miséria não passa de entulhos. Um presidente que combatesse esse agro predador e esse sistema financeiro selvagem.
Precisamos de um presidente sem esse jogo duplo, de ser mãe dos pobres e pai dos ricos. Basta de tanto dar, sem ensinar a pescar. Poderia até não ficar muito tempo no poder, mas ficaria para sempre na história como o presidente que enfrentou os dragões diabólicos e tentou acabar com o banditismo do colarinho branco e das organizações narcotraficantes que hoje estão de mãos dadas depenando nosso país.
Não é esse PT ou essa esquerda que aí está, que faz alianças com essa gente fedorenta facínora, que vai consertar o Brasil e exterminar esse câncer epidêmico da corrupção e da malandragem desembestada. Esse Governo está apenas abrindo a porteira para a boiada passar. Por que não mudar e enfrentar os malignos junto com o povo, sem acordos e pactos sujos?
POLITICAGEM PARA AGRADAR
Que me lembre, nestes mais de 34 anos em Vitória da Conquista, não via um recesso tão extenso e longo para os servidores públicos municipais, de duas semanas, com a grande maioria das secretarias fechadas. Pelo decreto da prefeita, só estão funcionando os serviços essenciais. No meu entendimento, todos são imprescindíveis para o cidadão. Trata-se de uma politicagem para agradar os funcionários, mas prejudicial aos usuários contribuintes que pagam altos impostos. Neste país e nesta Bahia, especialmente, já temos muitos feriados e feriadões que atrasam o desenvolvimento econômico e social, sem contar que é o período de mais gastanças e acidentes no trânsito, com aumento de mortes. São as épocas em que o sistema SUS fica sobrecarregado, com mais custos para o Tesouro. Na Bahia, por exemplo, as festas começam em início de dezembro e só terminam em março. O legislativo e o judiciário entram em recesso por dois meses, e agora vem o poder executivo de Conquista querendo fazer quase o mesmo. Tudo isso é muito bom para o setor de turismo em geral, como agências de viagens, transportes e hotéis. Do outro lado, deixa a classe com menor poder aquisitivo, que sempre está imitando o rico, ainda mais endividada. Vamos todos às farras e às favas para o trabalho.
ASSIM QUIS O DESTINO
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
No ferro, fogo e aço,
Entre jurema e o calumbi,
Na imbira da macambira,
Rifle, fuzil e punhal,
Na alpercata do carrasco,
O agreste era seu quintal,
Na glória e no fracasso.
Assim quis o destino,
Não importa se terreno ou divino,
Aprendeu menino ser bandido
De um povo isolado sem lei,
Onde foi governador e rei.
Meia dúzia de balas,
No corpo carregava,
Cegueira e doenças renais,
No Angico apertado se refugiava,
Com seus deuses e satanais,
Sertão dos tempos medievais.
Acabou o corpo fechado,
No cinzento da oração,
Maria Bonita caiu junta,
Com seu amor Lampião,
E o tenente Bezerra atirava,
Nove cabras tombaram no chão.
Eram dois pernambucanos,
Da região do Pajeú,
Celeiro de cangaceiros,
De nordestinos espartanos,
Renegados pelo sul.
Um aprendeu a atirar,
Com a pontaria de Antônio Silvino,
Depois entrou para a volante,
E assim quis o destino,
Que caísse o Virgulino.
O outro, aluno de Sinhô Pereira,
Que ensinou sua cabroeira,
A ser andante bandoleiro,
Como negócio, refúgio e vingador,
Na terra de coronéis e doutor.
Só sobrou o velho Corisco,
Que até serviu o exército,
Cabra valente e arisco,
Como lutador teve seu mérito,
Mas o Governo Getulista,
Em quarenta fechou a lista,
Do Nordeste cangacista.
A MALDIÇÃO DA BASE DE ALCÂNTARA
Quando num local acontecem fenômenos estranhos e as coisas sempre dão erradas, caso de um estabelecimento onde negócio nenhum prospera e sempre está mudando de dono, as pessoas costumam dizer que o lugar é amaldiçoado.
No folclore, ou na cultura popular, falam de casas mal-assombradas onde antigos moradores foram mortos tragicamente por assassinos cruéis, inclusive pertencentes às famílias. Diz a crendice que é necessário muita reza, um ritual de candomblé de pai-de-santo, muita água benta ou de um padre exorcista para espantar a maldição. O assunto tem sido utilizado como matéria-prima para roteiros de livros e filmes.
É o caso da Base de Alcântara, no Maranhão, o Cabo Canaveral brasileiro de lançamento de foguetes tupiniquins que sempre explodem, como ocorreu nesta semana. Os lançamentos emperram na hora ou provocam acidentes graves nas decolagens. Melhor não mais tentar porque já virou piada e deboche de fracassos. Esses foguetes poderiam ser chamados de Marimbondos de Sarney.
Desconfio que ali, em tempos passados, tenha sido cemitério sagrado de alguma tribo indígena e os espíritos dos nossos antepassados não ficaram nada satisfeitos em transformar o local numa base de foguetes, por isso que eles interferem nas operações ao serem perturbados com esses monstrengos da tecnologia.
Como só dá problema, bem que a Base (antes era na Barreira do Inferno) poderia ser transferida para a Serra do Periperi, em Vitória da Conquista, a “Suíça Baiana”, mas aí os mongoiós iriam se vingar dos massacres passados do colonizador português de Chaves, João Gonçalves da Costa. Já imaginaram o orgulho de ter uma Base de Foguetes na Serra! Pelo menos seria um ponto turístico!
Brincadeiras à parte, a Base, localizada em ponto estratégico da linha do Equador, teve seu início de construção em 1982. Seu núcleo foi inaugurado no ano seguinte, mas só se tornou operacional mesmo em 1989. Em 1990 foi lançada a Sonda 2, como símbolo da entrada do Brasil no programa espacial. O homem já havia pisado na lua há mais de 20 anos.
Para quem tem boa memória, o acidente mais notório e trágico na Base de Alcântara foi a explosão do foguete VLS-1, em agosto de 2003 que resultou na morte de 21 técnicos e pesquisadores brasileiros, sendo o maior revés do Programa Espacial Brasileiro.
Por coincidência, estava lá nesse dia numa viagem de carro que fiz pelo interior do Nordeste, da Bahia a São Luis, do Maranhão. Além desse (agora mais um), outros seis lançamentos falharam, como em 1997 e outro em 1999. Não parece mesmo uma maldição, ou coisas do Brasil que terminam em anedotas.
Dizem que o de 2003, o erro foi em decorrência da ignição prematura do foguete no solo. No de 1997 foi falha no acionamento de um motor, resultando no foguete caindo no Atlântico. Em 1999, o foguete foi destruído remotamente três minutos após a decolagem devido a uma chama no bloco do segundo estágio.
O acidente desta semana, se não me engano, foi parecido com o de 1999. Houve retardo por cousa do mau tempo (só temos temporais no serviço de meteorologia), e o foguete não era para ter sido lançado naquele instante. Devem ter errado na contagem regressiva e os técnicos não combinaram a partida com São Pedro. Quem sabe não daria certo na contagem progressiva!
Recordo que em 2003 – de lá para cá ninguém falou mais no assunto e até achava que nem existia mais essa Base de Alcântara – falaram que o acidente seria investigado para punir os responsáveis pela atrapalhada e que o governo iria buscar parcerias internacionais.
Desta vez, pelo que se está sabendo, uma empresa sul-coreana está envolvida no imbróglio. O coreano resolveu enfrentar a maldição e deu no que deu. No próximo tem que se fazer um ritual ecumênico de orações, porque a coisa está feia. Ainda bem que não tinha ninguém no foguete, como em 2003.
Com tudo isso, a Base de Alcântara virou um projeto fantasmagórico de horror. Quem sabe se os foguetes não são feitos de bambus, para economizar gastos! Deve vir um próximo por aí porque o brasileiro é tinhoso e teimoso. Não seria melhor lançar em noite de São João? Assim disfarçava que foi apenas um foguete junino que estourou nos céus do Maranhão!
TUDO TEM A SUA VEZ
Só os deuses em sua plenitude religiosa de cada um deles, venerados e adorados desde os primórdios das civilizações tribais, podem ser considerados imortais. Eles estão em nossas memórias originárias dos ancestrais. No mais, na vida terrena, religiosa ou profana, tudo tem sua vez de glória, fracasso e fim. O poeta cancioneiro disse certa vez que o amor é eterno enquanto existe.
O planeta e o ser humano vivem numa evolução constante de mudanças, de vez em vez, passo a passo. O presente logo se torna em passado para se construir o futuro do amanhã que fica velho e vem outro amanhecer. É a metamorfose ambulante, como pontuou para nós o poeta das profecias. O sofrer e o prazer, o choro e o sorriso, a derrota e a vitória, têm, cada um, a sua vez.
Tudo na vida tem sua vez de ser, como a criança que nasce, cresce e tem seu tempo de brincar, estudar e trabalhar. Depois amadurece e não é mais o mesmo de antes. Sua graça se volta à corrida pela sobrevivência. Seu pensar é se multiplicar na corrida do ter e do ser. Não é o Ano Novo que lhe renova. Pelo contrário, ele lhe convida para você se preparar para sua vez.
A velhice é como o pôr-do-sol anunciando a noite, não importa se em dia nublado, céu claro ou de nuvens carregadas com prenúncio de temporais e tempestades. Depois do mar revolto, vem a calmaria. Será que falo coisa sem coisa? Faz parte da nossa imaginação. O sonho pode se evaporar, ou ter sua vez de se realizar.
Essa vez de cada vez acontece nos planos material e espiritual. É a sua vez de pegar o cavalo selado, ou sua vez de encontrar um amor, que lá na frente pode se torna em separação, ódio e rancor. É sua vez de declamar sua poesia, de participar do jogo, de externar seu pensar, de entrar em cena e dela sair. É sua vez de respeitar o outro e ouvir o que ele tem a lhe dizer.
Veja o lixo e a flor. O primeiro já foi produto e bem de valor, ou alimento, que se torna em resto de entulhos jogados fora, que emporcalha a natureza, que se revolta e provoca tragédias de morte. O petróleo e outros metais se transformam em gases tóxicos que aquecem a terra. Mesmo assim, o lixo não deixa de ter sua importância quando é usado como adubo para fertilizar o solo.
A flor tem a sua vez de alegrar, criar momentos de felicidade, bombear seu coração de esperanças e fé, mas não tarda a murchar e a se tornar em lixo, que reciclado em sua vez, servirá de alimento para o renascer de uma outra flor. É o ciclo da vida.
Ela tem sua vez nos casamentos, como prova de paixão, nos aniversários, para decorar mesas em ceias festivas e em encontros de chefes poderosos. No Dia de Finados, lá está ela para homenagear os mortos, ou em ocasiões onde famosos ou grupos de etnias diferentes são vítimas de assassinatos trágicos. Depois de murchas são incineradas ou se acabam em lixo.
Existe aquele ditado que diz, sempre existe a primeira vez, como o primeiro namoro, o primeiro beijo e a primeira relação sexual, muitas das quais ficam inesquecíveis ou perturbadoras nas mentes, que também têm suas vezes de escolhas no mundo das ideologias.
Tudo tem sua vez, mas não fique aí esperando o acontecer. Faça a sua vez porque outro está de olho em sua vez para passar a rasteira. Você transa a vida toda com a cruel competição para depois ficar cansado e se ir, no momento da sua vez. O segredo é não pegar ou descer na estação errada. Preste bem atenção nos letreiros, nos avisos e nos comunicados.
Tudo tem a sua vez e essa é a máxima filosófica natural, desde a criação. A simplicidade é a mãe da virtude para o encontro da sua vez. A inspiração tem a sua vez de fazer nascer a poesia. Espere a maré baixar para fazer sua travessia. Não são apenas os fortes, os fracos também têm a sua vez, como um dia é da caça e o outro é do caçador. Quem faz o mal, aqui se paga. Não se apoquente e nem se vanglorie. Não seja prepotente porque tudo tem sua vez.
COMO SERIA O BRASIL DE HOJE SEM O GOLPE CIVIL- MILITAR DE 1964?
Várias vezes me pego imaginando como seria o Brasil de hoje se não tivesse ocorrido o golpe civil-militar de 1964. Muitas pessoas já devem também ter feito essa suposição. O assunto renderia um livro ou um filme imaginário de ficção dentro do realismo-fantástico a partir da existência de um contragolpe. Neste final de semana, meu amigo Dal Farias levantou esta questão.
Difícil de responder porque muitas coisas poderiam ter acontecido no decorrer do processo de implantação das reformas de base propostas pelo então presidente João Goulart no início dos anos 60 com a renúncia de Jânio Quadros, em agosto de 1961. São mais de 61 anos e de lá para cá, a desigualdade, a pobreza e a exclusão só aumentaram, talvez em maior proporção ao crescimento populacional.
Quando fazemos esta pergunta temos que nos reportar aos anos de 1954 quando Getúlio Vargas se suicidou e os milicos ensaiaram o primeiro golpe naquele imbróglio de Café Filho, mas foi impedido pelo general Lott que optou em se posicionar ao lado da legalidade.
Tentaram até não dar posse ao eleito Juscelino Kubistchek, mas tiveram que se recolher em suas casernas, apesar de não terem desistido da ideia. A mesma coisa ocorreu com Jango, em 1961, impedidos pela campanha da legalidade de Leonel Brizola. A frustração deles serviu para alimentar mais ainda a vingança, concretizada em 1964.
Bem, a indagação é como seria o Brasil de hoje se não tivesse existido o golpe de 64. Em minha modesta opinião de observador, tenho certeza que teríamos um pais bem melhor, mais igualitário, mais educado, de maior conscientização política e mais conhecimento e saber, tanto nas zonas urbana como rural, inclusive com a implementação da reforma agrária, que nunca foi feita.
Pelos meados dos anos 50 e até início dos 60 estávamos no caminho certo da educação e se respirava cultura, principalmente entre aquela nova geração, inspirada nos movimentos socialistas da Rússia, China e Cuba. Creio, no entanto, que não seríamos um país comunista na América Latina, como propagava o Ocidente através do Estados Unidos.
Naquela época da guerra fria, o pior inimigo era o comunismo da União Soviética (até hoje ainda é visto como vilão pela extrema), mas o Brasil não era um marxista convicto. Boa ala das forças armadas, inclusive soldados e oficiais, como nos movimentos tenentistas da década de 20, aderiam às reformas de base e às mudanças sociais propostas, mas não eram comunistas marxista-leninistas, com raras exceções.
O BRASIL É MAIS DE DIREITA OU DE ESQUERDA?
Isso responde a uma outra pergunta: O Brasil é mais de direita ou de esquerda? Mais uma vez, no meu entendimento, o pêndulo sempre esteve mais para o lado da direita e centro. Pela sua tradição cultural, inclusive religiosa católica e mais ainda evangélica, a família brasileira sempre foi conservadora moderada, não tanto extremista de direita como atualmente.
Interessante que foi a Igreja Católica, naqueles anos, que despertou nos jovens e trabalhadores em geral, principalmente, a participação nos movimentos sociais através da criação de grupos de ações populares, como JEC, JUC, JOC, JAC e tantos outros, inclusive no meio rural com os camponeses.
Aquela geração se engajou na defesa social visando conscientizar politicamente o povo do seu direito à justiça e à dignidade humana, com vistas a combater as desigualdades e contra a exploração do capital, especialmente das multinacionais. No fundo pregava-se a luta de classe e o povo no poder. Durante a ditadura, a bandeira principal era a volta da democracia.
Foi esta mesma Igreja, ávida por mudanças e na defesa dos pobres, a classe média dita burguesa e as elites oligarcas, que nunca aceitaram a distribuição de renda, que juntas se uniram para apoiar o golpe-civil-militar de 1964, sob o argumento de que o país estava à beira de uma ditadura comunista. Essa ideia foi amplamente bem trabalhada e divulgada pela CIA (Serviço de Inteligência) dos Estados Unidos, com a integração dos conservadores.
Sem contar a incoerência da Igreja Católica, que recuou e abriu mão de suas mobilizações sociais, a base da nossa formação familiar sempre foi de direita, tanto que tivemos aquelas megas manifestações de ruas, com os slogans de família, pátria e tradição.
Esses personagens, inclusive a imprensa, pediam também uma intervenção militar porque temiam que as reformas de base fariam do Brasil um país comunista. A história se repete e de forma mais aguda e agressiva, sem bem que os autores são diferentes. São esqueletos que há muito tempo estavam mofando nos armários.
O golpe de 1964 poderia ter sido evitado, não fossem as dúvidas, o medo ou covardia de Jango, que teve a possibilidade de abortar por ar a operação desastrada do general Olímpio Mourão, em 31 de março. Por sua vez, deveria ter permanecido em Brasília mobilizando comandantes que se colocaram a ser serviço.
Muito contribuiu também nesse processo de rendição, a falta de organização das esquerdas entre moderados e radicais, que pressionaram o presidente, até com ultimatos. Outros fatores entraram em cena, mas acredito que se o roteiro fosse outro, hoje o Brasil seria bem melhor, e não essa bandalheira de bandidos corruptos, fascistas extremistas e um Congresso Nacional que é o pior de toda história brasileira.
O CANGAÇO CINZENTO E O VERDE
O árido cinzento das secas e a questão social de pobreza, num Nordeste por séculos isolado, sem lei e sem rei, foram fatores preponderantes para a disseminação e expansão do cangaço, se bem que outros, como as intrigas entre famílias, o coronelismo e as disputas entre os poderosos chefes políticas também contribuíram para nutrir este fenômeno por mais de um século.
Entre o cangaço endêmico e o epidêmico, onde Pernambuco foi de longe o celeiro do banditismo, seguido por Paraíba, existiram o chamado cinzento concentrado no agreste do sertão e o verde na zona da mata mais próximo do literal onde estavam localizados os engenhos de cana-de-açúcar, conforme pontua Frederico Pernambucano de Mello, autor da obra “Guerreiros do Sol”.
No cinzento reinou Lampião e seus bandos durante cerca de 20 anos que percorreram sete estados, além de Jesuíno Brilhante e Sinhô Pereira no início do século XX, mas foi o Antônio Silvino, tipo acabado do sertanejo do Pajeú ressequido, o maior bandido que atuou em áreas férteis do Nordeste. Em seu primeiro ataque a um engenho a serviço de um contratante, no final do século XIX, foi naquela região que ele descobriu a galinha dos ovos de ouro.
Outros também agiram nesta área dos usineiros, como Rio Preto, Relâmpago, o Ferreiro, Cocada, o André Tripa e tantos outros. Naquelas áreas estendiam, em maiores proporções, as garras do latifúndio, minando a possibilidade de surgimento de uma classe média e produzindo um proletariado sem condições de ascensão. Em alguns pontos, o verde se aproximava do cinzento, este empobrecido por séculos.
Nesse rol, entre o verde o cinzento, não podemos deixar de citar o Lucas da Feira, que atuou na região de Feira de Santana, em meio aos dois tipos. Por vinte anos, foi o Lampião da Bahia. Dizem historiadores que ele está para a Bahia como o Cabeleira para Pernambuco. Seu tempo de criminalidade se deu entre 1828 a 1848, ao lado dos escravos Flaviano, Januário e outros. Foi um típico bandido de ofício. Após preso, Lucas foi enforcado em 25 de setembro de 1849.
O legista Nina Rodrigues dele fez um perfil um tanto curioso. Era negro canhoto, espadaúdo, corpulento, rosto comprido, barbado, olhos grandes e ferozes, nariz achatado, boca grande, peito peludo, orelhas pequenas, como também os pés e as mãos.
À luz da antropologia física do último quartel do século XIX, de acordo com Nina, constatou-se que seu crânio tinha todos caracteres dos negros, mas também pertencentes a crânios superiores, com medidas excelentes, iguais às das raças brancas.
SEQUESTRO COMO RESGATE E AS ESTRADAS
Quanto ao cangaço do cinzento, em o Canto do Acauã, de Marilurdes Ferraz, a escritora destaca que Lampião foi o introdutor do sequestro e resgate, modalidade que fazia uso corrente, tendo por vítimas empresas multinacionais, como a Standard Oil Company e a Souza Cruz. Segundo ela, Virgulino foi o primeiro cangaceiro a empregar o sequestro como resgate.
Como exemplo, é citado o sequestro do escrivão de Justiça de Capim Grosso, na Bahia. O escritor sergipano Ranulfo Prata diz que o bandido “usa também dos processos civilizados dos americanos”. Ele destaca, nos anos 30, o sequestro e resgate do filho de Charles Lindbergh, nos Estados Unidos, pelo imigrante alemão Bruno Richard Hauptman, condenado à cadeira elétrica.
O banditismo não foi exclusivo do Nordeste brasileiro. Aconteceu também em outros países, como na Espanha, em Andaluzia, na pedregosa Catalunha, na Córsega e Sardenha, na Itália. Como relata Frederico, no banditismo espanhol, os primeiros sequestros ocorreram em princípios de 1869, na província de Málaga, por Alameda y Alora. “É o que nos dizem Queirós e Ardila, em El Bandoleirismo Andaluz”.
De todos os banditismos em outros países, o que mais se assemelhou ao nosso, inclusive com uma gesta poética muito rica de autores nos cantos do jondo ou flamenco, de modo particular na chamada serrana, foi o espanhol da Catalunha e da Antaluzia, onde havia fundos fincados na alma do povo, sistema de coiteiros, relevo acidentado, culto à valentia, degolamentos e uma repressão ineficiente e corrupta.
No entanto, como diz Frederico de Mello, o maior banditismo rural brasileiro foi mesmo no cinzento das caatingas nordestinas onde encontrou condições extremamente favoráveis “capazes de endiabrá-lo em verdadeira praga”.
O caráter epidêmico no semiárido, “encontra-se intimamente ligado às condições mesológicas e aos processos que presidiram a formação da sociedade sertaneja, condicionando o aparecimento de um tipo de homem bem diferente do seu vizinho das regiões do litoral”.
Ranulfo Prata descreve também o ódio que o bandido Lampião tinha pelas aberturas de estradas no Nordeste. Em 1929 ele interrompe com ameaças a construção que ia unir Juazeiro a Santo Antônio da Glória, passando pelo seu predileto esconderijo que era o Raso da Catarina.
Em fins de maio de 1930, nas proximidades de Patamuté, Bahia, topa com uma turma de obras de estrada, matando um. Fez o mesmo em Mandacaru, na Bahia, com três mortes. Em 1934 ataca, em Sergipe, pelo mesmo motivo, bem como, em 1937, quando uma estrada federal é embargada a bala. O jornal A Tarde chegou a noticiar esses fatos.
AS PROPOSTAS
Nos tempos do cangaço ocorreram muitos fatos curiosos, muitos dos quais relacionados com Lampião. Em sua vida, recebeu muitas propostas para deixar o cangaço. Em 1922, no início do seu banditismo, Sinhô Pereira, ao pendurar seu rifle, o convidou a deixar o sertão. Anos mais tarde, vida já arrumada em Minas Gerais, Sinhô renovou o convite através do seu protetor político Farnesi Dias Maciel. Lampião tinha até a opção de ir morar em Mato Grosso.
Em 1924, ferido no pé em tiroteio, Belmonte, Pernambuco, recebeu oferta do então capitão Teófanes Ferraz Torres para que se entregasse juntamente com seus irmãos que seriam todos perdoados. Escondido no mato e perdendo sangue, Lampião aceita, mas com a condição de que seus cabras também fossem beneficiados. O capitão não concorda.
Em 1928, seu primo Sebastião Paulo procura Virgulino no Capiá, Alagoas, com proposta do tenente pernambucano Arlindo Rocha, para que se entregasse e seria levado sob escolta até o chefe de polícia de Recife, Eurico de Souza Leão. A proposta era que Lampião abandonasse Pernambuco e fosse para a Bahia. Lampião disse ao primo que falasse ao chefe de polícia de que ele não foi encontrado.
Apesar da recusa, dias depois ele foge de Pernambuco e se refugia na Bahia e Sergipe, isto porque o governador daquele estado, Estácio Coimbra mandou prender um bando de coiteiros, cortando a rede de proteção dos cangaceiros.
“Afora uma proposta ardilosa de perdão do presidente Vargas, feita pelo tenente João Bezerra (seu algoz em 1938), nos primeiros anos da década de 30, conhecemos mais duas, uma de Audálio Tenório, de 1937, para que abandonasse o sertão, e a de Joaquim Resende, com o beneplácito do major José Lucena (seu maior inimigo). A negociação estava em andamento quando ocorreu a morte do cangaceiro. Padre Cícero também tentou persuadi-lo de que deixasse o cangaço e fosse para Goiás, isto por volta de 1926/27.














